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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Grace O'Malley, a rainha pirata da Irlanda que desafiou Elizabeth I.

GRACE O'MALLEY, A RAINHA PIRATA DA IRLANDA, QUE DESAFIOU ELIZABETH I

A chefe de um clã irlandês do século 16 foi respeitada não só pelo seu povo, mas também se impôs diante de sua grande inimiga — a coroa inglesa
VANESSA CENTAMORI PUBLICADO EM 28/05/2020
Ilustração de Grace O'Malley
Ilustração de Grace O'Malley - Divulgação
"Ela tinha fortalezas em seus promontórios e valentes galés no mar. Nenhum chefe guerreiro ou viking tinha um coração mais ousado do que ela", diz o quarto verso de uma tradicional canção, publicada por J. Hardiman, em 1979, para descrever a destemida rainha pirata do século 16, Grace O'Malley.
Filha de Eoghan Dubhdara O'Malley, lorde da dinastia O'Malley, e de Margaret O'Malley, a aventureira irlandesa aparece em numerosos poemas ao longo dos séculos, e também hoje está documentada nos registros oficiais dos Documentos de Estado da coroa inglesa.
Nascida em 1530, quando Henrique VIII ainda era o rei da Inglaterra e possuía o título de Senhor da Irlanda, Grace pertencia ao clã O'Malley, que ostentava uma longa tradição de marinharia. Ela aprenderia a arte da navegação marítima e conquistaria os mares ao redor do Condado de Mayo na Irlanda, por mais de 40 anos. 
Mapa do condado de Mayo, 1585 / Crédito: Divulgação /National Archives UK

Rebeldia desde cedo
Segundo os registros da organização londrina de museus Royal Museums Greenwich, dizia a lenda que na juventude a futura pirata queria viajar em uma expedição à Espanha com o pai.
Porém, Grace não podia ir, pois disseram-lhe que seus cabelos compridos se prenderiam nas cordas do navio (possivelmente alguma justificativa machista). Para envergonhar o pai, a garota rebelde cortou seus cabelos, o que lhe valeu o apelido de "Gráinne Mhaol", que significa algo como "Grace careca". 
Visto isso, não foi possível detê-la: a menina corajosa acabou embarcando na vida da pirataria, que era comum onde ela nasceu. Criada em Belcare Castle, perto de Westport, Grace fazia parte de um clã pirata que construiu uma fileira de castelos de frente para o mar para proteger o território de Connacht. Eles eram navegantes cruéis que tributavam todos os que pescavam em suas costas —  inclundo pescadores de lugares tão distantes como a Inglaterra.
Relacionamentos.
Em 1546 Grace O'Malley se casou com Dónal an Chogaidh Ó Flaithbheartaigh, herdeiro do clã O'Flaherty. O casal teve três filhos, dois meninos e uma menina. A união se deu até que uma tragédia ocorreu em 1565, quando o marido da pirata foi morto enquanto caçava nas colinas ao redor de Lough Corrib. Dónal muito provavelmente foi vítima de uma emboscada do povo Joyces. 
Monumento em homenagem à Grace O'Malley / Crédito: Wikimedia Commons 

Após a morte do marido, Grace teria se relacionado com outro homem, um filho naufragado de um marinheiro de Wexford. Tragicamente, esse novo relacionamento também foi breve e o cidadão foi igualmente assassinado, só que pelo grupo dos MacMahons.
Como vingança, a corajosa mulher atacou o Castelo Donna na região do clã inimigo. Matou sem nenhuma piedade os assassinos do seu antigo amado. Um ano depois, ela recuperou seu coração quebrantado e se casou novamente com seu terceiro amor, Risdeárd an Iarainn, com quem engravidou depois, de um menino, que se chamaria Theobald. 
Bravura contra inimigos e a interferência inglesa
Grace estava grávida de seu filho durante uma viagem de missão comercial, em 1567. Uma hora após o parto, piratas inimigos teriam atacado o navio. Envolvendo a criança em um cobertor, ela apareceu no convés e reuniu sua tripulação. Começou então uma batalha entusiasmante: a pirata despertou a coragem de seus homens, disparando saques contra os agressores e gritando "leve essa carga de mãos não consagradas!". 
Rainha Elizabeth I, da Inglaterra / Crédito: Getty Images 

Além de episódios como esse, a líder do clã O'Malley também se opunha ferozmente à interferência inglesa de Elizabeth I na Irlanda. Já com seus 56 anos de idade, Grace foi capturada e presa por Sir Richard Bingham, o governador inglês que foi designado para governar os territórios irlandeses em nome da coroa. 
Enquanto a rainha pirata escapava por pouco de uma sentença de morte, sua prisão significava que ela perdia influência e riqueza à medida que o poder inglês na Irlanda aumentava. Quando a desbravadora do mar descobriu finalmente que alguns de seus familiares (irmãos e filhos) estavam detidos, ela exigiu uma indenização à Coroa. 
O encontro emblemático
A situação da guerreira da Irlanda era tão séria que em 1593 a pirata decidiu enviar uma petição à rainha inglesa da época, Elizabeth I, pedindo-lhe alívio de um estado de quase pobreza. Ela recebeu uma resposta da soberana da Inglaterra, que enviou de volta 18 perguntas para que Grace respondesse sobre seu histórico familiar e circunstâncias de vida. 
A petição de Grace solicitando acordo com Elizabeth I / Crédito: Divulgação /National Archives UK

Acabou que a líder do clã irlandês embarcou para a Inglaterra para negociar pessoalmente com Elizabeth I em setembro de 1594, no castelo de Greenwich. A conversa foi realizada em latim, pois Grace não falava inglês e a monarca inglesa não falava irlandês. 
A pirata deve ter causado uma forte impressão em Elizabeth: a soberana britânica posteriormente concedeu seus pedidos a Grace, mas somente se a irlandesa cessasse toda atividade rebelde contra a coroa inglesa. O acordo saiu menos vantajoso para a desbravadora da Irlanda, já que vários de seus territórios ainda assim permaneceram sob posse da Inglaterra. 
Encontro entre Grace O'Malley e a rainha Elizabeth I no castelo de Greenwich, em setembro de 1593 / Crédito: Wikimedia Commons 

Novo conflito
Grace percebeu que a reunião com Elizabeth I havia sido inútil, e seu clã voltou a apoiar os insurgentes irlandeses durante confrontos posteriores com os ingleses. Além disso, a pirata mandou mais duas petições à secretária da rainha em abril e maio de 1595, pedindo novamente apoio ao alívio de seu empobrecimento, mas não teve resposta. 
Enquanto isso, Elizabeth I se preocupava com a grande rebelião contra a Inglaterra liderada por Hugh O'Neil, conde de Tyrone, conhecida como a Guerra dos Nove Anos. Esse levante piorou ainda mais a situação financeira de Grace, pois o condado de Mayo sofreu grande devastação durante o conflito.
Abadia da Ilha Clare, onde a pirata foi enterrada / Crédito: Wikimedia Commons 

A frota de pirataria da rainha do clã irlandês O'Malley conseguiu embarcar no mar, mas Grace já estava no fim de sua vida, com 70 anos de idade. A líder morreu em algum momento em 1603 e foi enterrada na Abadia da Ilha Clare. Sua jornada como pirata foi dedicada à independência de seu povo.
Em 2006, Grace foi descrita pela biógrafa irlandesa Anne Chambers como "uma política pragmática, uma saqueadora implacável, uma mercenária, uma rebelde" e, acima de tudo, "uma mulher que quebrou o molde e, assim, desempenhou um papel único na história ".

sábado, 16 de maio de 2020

Países europeus criaram planos econômicos contra a Peste a partir da Idade Média.


PANDEMIA
Além de devastar boa parte da Europa em diferentes ocasiões, as pandemias de peste bubônica também causaram graves crises econômicas no continente. Tanto a Peste Negra (1347-51) quanto a Grande Praga de Londres (1665-66) e a Praga de Marselha (1720) mexeram com as finanças governamentais e pessoais. Para tentar conter os estragos, autoridades de diversos países tiveram que criar planos econômicos emergenciais para enfrentar os prejuízos provocados pela doença. 
Durante a Peste Negra, o governo inglês teve que agir para proteger o ganha-pão da população. Em 1349, foi emitida a Portaria dos Trabalhadores, que determinava que homens e mulheres saudáveis recebessem salários equivalentes aos da época anterior à pandemia. Nos séculos seguintes, a doença voltaria a assombrar o país, obrigando que novas medidas econômicas fossem tomadas.
A Ordem da Praga de 1578, emitida pela rainha Elizabeth I, implementou uma série de medidas econômicas para auxiliar os infectados e suas famílias. Uma outra iniciativa do governo garantiu que as pessoas infectadas não deixassem suas casas para comer ou trabalhar. Também foram construídos hospitais para abrigar os doentes e proteger as pessoas saudáveis.
Entre 1720 e 1722, uma grande praga atingiu Marselha, no sul da França, matando cerca de 100 mil pessoas. A princípio, as autoridades locais minimizaram o perigo da doença na tentativa de preservar a economia local. Somente dois meses após o início da pandemia é que a cidade entrou em quarentena. Com atraso, o governo francês criou um plano centralizado para administrar a crise. Foram instituídas medidas sanitárias, econômicas e sociais para enfrentar a situação.  

Imagem: Shutterstock.com

A verdadeira relação entre Maria I, Rainha da Escócia e Elizabeth I.

MUITO ALÉM DA RIVALIDADE: A VERDADE RELAÇÃO ENTRE MARIA, RAINHA DA ESCÓCIA E ELIZABETH I

No século 16, as monarcas eram conhecidas por diversas desavenças, mas a soberana escocesa sempre batalhou para manter um relacionamento saudável com sua prima
NICOLI RAVELI PUBLICADO EM 16/05/2020
Maria I, à esquerda, e Elizabeth I, à direita
Maria I, à esquerda, e Elizabeth I, à direita - Divulgação
No século 16, a rainha da Escócia, Maria I, se destacou em meio a outros contemporâneos. Sua altura de um metro e oitenta intimidava a todos, até mesmo os homens – que dominavam aquela era.
Sua beleza era somente mais uma de suas características acima da média. E foi isso que encantou Francis II, rei da França, com quem se casou em 1558. Logo, a mulher ascendeu ao poder no trono escocês e francês, por ser a única filha legítima de Tiago V.
Enquanto sua conquista era celebrada, outra rainha também consolidava o poder, sua prima Elizabeth Tudor. Sua elevação, todavia, aconteceu de maneira diferente: a monarca enfrentou diversos momentos conturbados para chegar ao título de governante.
Maria I, rainha da Escócia e da França / Crédito: Divulgação 

As desavenças.
Com a morte de sua mãe, Anne Boleyn, Elizabeth I passou a infância na sombra de seu pai, Henrique VIII. Com o falecimento do rei, a garota foi taxada como a terceira na linha de sucessão, atrás de seus irmãos Edward VI e Maria I.
Após ambos falecerem, Elizabeth I finalmente pôde desfrutar do reinado. Seus problemas, entretanto, não acabaram após ela se tornar rainha. Uma vez no trono, teve que enfrentar diversas ameaças da facção católica inglesa, já que a soberana era protestante.
Entre uma intimidação e outra, o grupo católico propôs a reivindicação da rival à política religiosa, alegando que Maria I - a então rainha católica da Escócia – poderia assumir o trono inglês.
A fim de amenizar a situação, a soberana da Escócia e da França tentava manter certa afinidade com a inglesa. Todavia, isso pouco importava para Elizabeth I, que pressionou a francesa a ratificar o Tratado de Edimburgo em 1560, que impedia a monarca da Inglaterra de reivindicar ao trono.
Conturbações no trono inglês.
Indo contra o pensamento exposto no tratado, Maria I tentou mais uma vez apelar para a questão familiar, alegando que ambas eram rainhas em uma ilha, falavam o mesmo idioma e eram as parentes mais próximas que tinham.
Retrato de Elizabeth I, por Marcus Gheeraerts / Crédito: Getty Images

Mesmo sem sucesso, Elizabeth I ainda tinha esperanças. Dessa maneira, elas trocavam diversas correspondências calorosas e discutiam sobre um encontro cara a cara – que nunca havia ocorrido até então – para debater sobre sua reinvidicação de uma maneira amigável, o que levava muitas pessoas a questionar se o relacionamento entre elas realmente era pautado no ódio.
Até aquele momento, a única certeza que a inglesa tinha era de que, caso nomeasse Maria I como sua sucessora, estava fadada as ameaças da facção católica da Inglaterra, uma vez que sua prima era devota.
Mas tal pensamento não impediu que a soberana da Inglaterra levasse em consideração – mesmo por pouco tempo – entregar seu reinado a sua parente. Esse pensamento, entretanto, foi erradicado após a morte do rei da frança, Francis II, até então marido da monarca francesa.
O declínio de Maria I.
A fatalidade resultou, rapidamente, na união de Maria I e Henry Stuart, o lorde Darnley, que era considerado uma ameaça ao trono da rainha inglesa, já que havia sido autor de diversos assassinatos, como até mesmo do secretário da rainha, David Rizzio.
O casal teve um filho e, mais tarde – em meio a tantas conturbações - a mãe de primeira viagem convidou sua prima para ser protetora do pequeno James. Não se sabe, ao certo, se a nomeação realmente chegou a acontecer, já que o fato foi encoberto por uma tragédia: a morte precoce do lorde Darnley.
O período de luto de sua esposa, porém, durou menos de três meses. Maria juntou-se a James Hepburn, conde de Bothwell, que era considerado um homem perigoso e violento. Não obstante, o matrimônio foi o estopim para a queda de sua companheira que, cada vez mais impopular, foi presa e obrigada a abdicar o trono, enquanto Bothwell fugiu para a Dinamarca e, posteriormente, foi mantido em cativeiro.
Execução de Maria I / Crédito: Divulgação 

Em terras inglesas.
No entanto, a esperança de Maria I não havia morrido. De acordo com John Guy, escritor de Quenn of Scots, a rainha reuniu diversos apoiadores e proclamou uma batalha final.
Sem sucesso, foi derrotada pela última vez e fugiu para a Inglaterra. Lá, esperava que sua prima, ainda monarca, oferecesse uma estadia e até mesmo a ajudasse a recuperar o trono escocês. Para a sua surpresa, o oposto aconteceu. Elizabeth I a condenou a 18 anos de prisão e, a partir de então, a ex-soberana da Escócia passou a viver como prisioneira.
Com pensamentos divergentes a rainha, ela foi mantida sob vigia todos os dias. Mas isso não impediu que ela planejasse a queda de Elizabeth I. Logo, a governante descobriu seu envolvimento em uma conspiração e a condenou à morte em 1587.
Enquanto esperava por sua execução, Maria rezava em latim sobre uma almofada. Após três golpes de machado, sua cabeça foi decapitada no Castelo Fotheringhay. Acredita-se que o ato, no entanto, tenha servido apenas como uma prova do que aconteceria com as futuras pessoas que desafiassem Elizabeth Tudor.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

A morte brutal de Maria da Escócia a mando da Rainha, e sua prima, Elizabeth I.

A MORTE BRUTAL DE MARIA DA ESCÓCIA A MANDO DA RAINHA — E SUA PRIMA — ELIZABETH I

Acusada de conspiração, a candidata perfeita ao trono foi golpeada diversas vezes em um episódio macabro
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 02/04/2020
Rainha Maria da Escócia em pintura oficial
Rainha Maria da Escócia em pintura oficial - Wikimedia Commons
A Inglaterra elisabetana era um lugar traiçoeiro. Apesar de o país ter passado por tempos áureos sob o comandado da rainha, que dá nome à época, a nação era constantemente  confrontada com ameaças de franceses e espanhóis. Uma dessas ameaças foi a própria prima da monarca, Maria Stuart, rainha da Escócia, que foi brutalmente decapitada no dia 8 de fevereiro de 1587.
Elizabeth I era filha de Henrique VIII com Ana Bolena, segunda esposa do rei, que havia assumido o posto de Catarina de Aragão. O que fez com que o monarca rompesse com a Igreja Católica no processo e fundasse a Anglicana.
O relacionamento gerou a pequena Elizabeth. Porém, Bolena foi condenada a decapitação por possíveis casos de adultério, incesto e traição. Com isso, muitos viram a reivindicação de Elizabeth ao trono como ilegítima, já que Henrique anulou seu casamento.
Um possível reinado de Elizabeth, também significaria que o retorno do catolicismo como religião oficial da Inglaterra — algo que muitos desejavam na época — ficasse longe de se concretizar, já que ela era protestante. Mas como entra Maria da Escócia nessa confusão toda?
Elizabeth I / Crédito: Wikimedia Commons

Ela era vista pelos católicos como a candidata perfeita ao trono. Filha de Jaime V da Escócia, sobrinho de Henrique VIII, com a francesa Maria de Guise, Maria herdou o direito ao trono escocês com apenas 6 anos de idade.
Ansiosos por criar uma aliança com a França, os escoceses prometeram Maria ao herdeiro do rei francês e a enviaram para ser criada em sua corte. A jovem, de 18 anos, foi brevemente Rainha Consorte da Escócia e da França. Porém, tudo acabou em menos de um ano, quando o monarca acabou morrendo em consequência de uma infecção no ouvido. Com isso, ela foi enviada de volta ao seu país natal.
Após um breve e tumultuado reinado na Escócia, Maria foi forçada a abdicar do poder e procurou refúgio na Inglaterra. Lá, foi acolhida por sua prima real Elizabeth I. Apesar do parentesco, a monarca inglesa sabia da predileção dos católicos por Maria, e a manteve sob eterna vigília de seus nobres leais.
Após quase duas décadas sendo tratada, praticamente, com uma prisioneira, Maria estava envolvida em uma conspiração para derrubar Elizabeth I. Sabendo disso, a monarca a condenou à morte.
Desenho contemporâneo do julgamento de Maria / Crédito: Wikimedia Commons

As decapitações parecem particularmente horríveis para os padrões modernos, mas nos tempos elisabetanos, esse método de execução era preferível se comparado a outros muito mais terríveis como o enforcamento, por exemplo.
Havia essa predileção, é claro, se a execução fosse feita corretamente. Afinal, as decapitações poderiam dar muito errado: e foi justamente isso que aconteceu. Depois de ser forçada a se despir e ficar somente com suas roupas de baixo diante dos súditos, ela se despediu, emocionada, de seus servos e teve seus olhos vendados por uma de suas damas de companhia.
Já ajoelhada sobre uma almofada, Maria começou a rezar em latim e, em seguida, foi violentamente obrigada a apoiar seu pescoço no bloco onde ocorreria a decapitação.
Mas ela não teve tempo de se posicionar corretamente. Quando o carrasco desferiu aquele que seria o golpe certeiro e final, ele acertou a parte de trás de sua cabeça, o que impediu o êxito da execução como ela teria de ser.
Ilustração da execução de Maria por um artista dinamarquês / Crédito: Wikimedia Commons

Não satisfeito, ele a golpeou novamente, mas este também não foi o suficiente para acabar com seu sofrimento — nem de todos que estavam presentes e se horrorizaram ao ouvir os lamentos da escocesa.
O derradeiro golpe veio logo em sequência, quando o carrasco finalmente conseguiu decapitar Maria. Ele levantou sua cabeça ensanguentada e a expôs para que todos pudessem ver. Há quem diga que a prima de Elizabeth tenha ficado irreconhecível com tamanha brutalidade.
Para finalizar a completa cena de horror, quando o corpo de Maria foi ser removido, descobriram que seu pequeno cão de estimação estava escondido o tempo todo debaixo de seu vestido. O animal se recusou a sair do lado de sua dona e deitou em uma poça de sangue entre a cabeça e o resto do corpo da escocesa.
Túmulo de Maria na Abadia de Westminster / Crédito: Wikimedia Commons

Maria, rainha dos escoceses, foi enterrada na catedral de Peterborough, embora, quando seu filho James I sucedeu Elizabeth, como governante da Inglaterra, ela teve seu corpo exumado e enterrado na abadia de Westminster — onde permanece até hoje.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Elizabeth Angela Marguerite: dos horrores da 1ª Guerra a amada Rainha-Mãe britânica.

ELIZABETH ANGELA MARGUERITE: DOS HORRORES DA PRIMEIRA GUERRA A AMADA RAINHA-MÃE BRITÂNICA

Há 18 anos, falecia a integrante da família real mais querida pelos súditos no Reino Unido enquanto dormia, aos 101 anos
PAOLA CHURCHILL PUBLICADO EM 30/03/2020
Retrato da Rainha-Mãe
Retrato da Rainha-Mãe - Wikimedia Commons
Nem sempre a vida de Elizabeth Ângela Marguerite Bowes-Lyon, a querida Rainha-Mãe britânica foi fácil. Nascida em 4 de agosto de 1900, a mãe de Elizabeth II e da princesa Margaret, Condessa de Snowdon, sofreu com os horrores da Primeira Guerra Mundial. 
A jovem perdeu seu irmão mais velho em batalha, e seu lar na Escócia acabou virando um hospital militar para tratar os feridos durante a guerra. Aos 14 anos, a jovem realeza já ajudava as enfermeiras a cuidar dos soldados, escrevia cartas para os parentes dos atingidos e brincava com eles para passar o tempo. Todos no local amavam a garota.
Casamento real.
Em 1921, o príncipe Albert, que depois ficaria conhecido como rei George VI, a pediu pela primeira vez em casamento. A jovem o recusou por medo de "nunca mais ter a liberdade de pensar e agir como sentia que deveria". O príncipe disse que não se casaria com ninguém que não fosse a mulher que roubou seu coração. E estava certo: após muita insistência, ela se casou com Bertie, e tornou-se a duquesa de Iorque. 
Elizabeth sempre foi muito popular entre seus súditos. Para os mais jovens era conhecida como mãe de Elizabeth II e avó do príncipe Charles. Mas, para os que enfrentaram as bombas alemãs explodindo por Londres, se lembram da mulher que permaneceu com o seu povo no momento de maior fragilidade. 
Rainha Elizabeth I e seu marido, o Rei Jorge VI em visita ao Canadá/ Crédito: Wikimedia Commons 

Apesar de ser casada com o próximo da linha ao assumir o trono, a majestade nunca imaginou que um dia seria rainha. Em 1936, um grande escândalo abalou a realeza, o até então rei Edward VIII se apaixonou por Wallis Simpson, uma socialite divorciada norte-americana. o que poderia ser comum hoje em dia, era proibido na época. Edward escolheu ficar com a amada e abdicou do seu papel como rei. 
O próximo na linha de sucessão, era Albert. Mas o príncipe não se sentia capacitado a governar um país, principalmente em pela guerra. Mas ele teve o total apoio de sua esposa, que o dava força e amparo para enfrentar esse desafio. E no dia 12 de maio de 1937, o casal foi coroado, e Bertie agora ficaria conhecido como Rei Jorge VI. 
Segunda Guerra Mundial.
O rei e a rainha viraram símbolos nacionais da resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Os dois se recusaram a deixar Londres e fugir para o Canadá com suas filhas, mesmo durante os bombardeiros das tropas inimigas no país. "As crianças não vão sem mim. Eu não vou partir sem o rei. E o rei nunca partirá". 
Imagens do velório de Elizabeth I/ Crédito: Wikimedia Commons 

A soberana visitou tropas, hospitais, fábricas e partes do Reino Unido que eram alvo da Luftwaffe. Os encontros, em um primeiro momento, eram vistos de maneira hostil, as pessoas vaiavam e era jogado lixo em sua direção. A hostilidade era devido as roupas caras que a rainha usava durante suas visitas, pois enquanto o povo sofria, ela sempre aparecia elegante.  
Elizabeth reverteu a situação ao explicar que se as pessoas a visitassem, eles iriam com seus melhores modelos, então ela tinha que fazer o mesmo. A partir daí, ficou conhecida como o "arco-íris de esperança" do povo. 
Nunca deixava de perder a esperança e o bom humor. Quando o palácio de Buckingham foi atingido durante um bombardeio, a rainha disse “Estou feliz que fomos bombardeados. Me faz sentir que agora posso olhar o East End na cara”. 
Mesmo com o fim da guerra, a integrante da família real era adorada pelos britânicos. Ela e o marido, governaram até 1952, quando Jorge morreu dormindo.
A Rainha-Mãe
 Apesar de estar devastada, então viúva de Jorge VI, com seus 51 anos ganhou o título de Rainha-mãe e mantinha suas atividades reais como um dos membros mais populares da realeza.
Selo com o rosto de Jorge VI e Elizabeth I durante a Segunda Guerra Mundial/Créditos: Wikimedia Commons 

Isabel era conhecida por sua longevidade, mesmo no final da sua vida era muito ativa e mantinha os compromissos da agenda real. Em dezembro de 2001, com seus 101 anos fraturou a pélvis, mas mesmo assim insistiu em ficar de pé durante o hino nacional em memória do seu marido.
A monarca morreu em 30 de março de 2002, enquanto dormia no Chalé Real, em Windsor, ao lado de sua filha Elizabeth. A morte foi em decorrência de um resfriado que durava mais de quatro meses.
A majestade plantava camélias por todos seus jardins, e um arranjo especial foi feito em sua homenagem no Salão de Westminster. Mais de 200 mil pessoas foram até seu velório prestar as últimas homenagens.

sábado, 28 de março de 2020

A vida privada de Elizabeth I, a Rainha virgem da Inglaterra.

NOS BASTIDORES DO PALÁCIO: A VIDA PRIVADA DE ELIZABETH I, A RAINHA VIRGEM DA INGLATERRA

Sem marido ou herdeiros, a monarca acumulou um grande número de amantes
DANIELA BAZI PUBLICADO EM 28/03/2020
Elizabeth I, Rainha da Inglaterra, 1533-1603
Elizabeth I, Rainha da Inglaterra, 1533-1603 - Getty Images
Elizabeth I, filha mais nova do rei Henrique VIII, reinou a Grã-Bretanha por 40 anos, de 1558 a 1603. Por ter decidido que nunca se casaria, passou a ser reconhecida como a Rainha Virgem, mesmo após a sua morte. No entanto, a vida privada da monarca estava longe de ser parada.
Os católicos da época que eram totalmente contra seu governo protestante, a acusavam de ter uma “luxúria imunda” e que teria “contaminado seu corpo e o país”. Boatos sobre sua vida sexual sempre estiveram em pauta durante toda sua vida real, com o primeiro surgindo ainda em seus primeiros meses no trono. 
O primeiro amante.
A soberana teria se relacionado intimamente com seu amigo de infância Robert Dudley, que era casado, e a quem chamava carinhosamente de “doce Robin”. Depois de nomeá-lo como mestre da cavalaria, que garantia um encontro quase todos os dias, todos passaram a dizer que Sua Majestade também o fazia visitas em seus aposentos durante a noite. 
Robert Dudley / Crédito: Wikimedia Commons

Em 1560, quando Amy Robsart, esposa de Robert, foi encontrada morta com o pescoço quebrado aos pés de uma escada, a oposição passou a sugerir que Elizabeth estaria envolvida, como forma de ter o homem apenas para si. Mesmo com o acontecimento, ambos continuaram com a amizade.
Com as incessantes tentativas de arranjar um marido para a soberana, uma enorme lista de pretendentes para a rainha se formou, contando com nomes como: o rei Filipe II da Espanha, os arquiduques austríacos Ferdinand e Carlos e o rei Erik XIV da Suécia. Entretanto, nenhum deles foi aprovado e a monarca continuou sua vida com um grande número de jovens cortesãos. 
Walter Raleigh, Thomas Heneage, Christopher Hatton e Robert Devereux, que se tornou o Conde de Essex, são alguns dos homens que flertaram com Sua Majestade. No entanto, Dudley continuou como o número um de sua lista por muito tempo, até se casar novamente, em 1578, com Lettice Devereux, viúva do ex-Conde de Essex.
Possível marido.
No ano seguinte, Elizabeth recebeu em sua residência o irmão do rei da França, François, Duque de Anjou, como um forte pretendente para se tornar seu marido. Durante sua estadia, a monarca pareceu retribuir de forma genuína todas as investidas do duque, e lhe apelidou carinhosamente de “sapo”.
François, Duque de Anjou / Crédito: Wikimedia Commons

Ele permaneceu apenas por algumas semanas, mas acabou retornando à Inglaterra em 1581, sem deixar de mandar cartas românticas onde dizia que gostaria de "beijar e beijar tudo o que Sua bela Majestade poderia imaginar”. Em 22 de novembro do mesmo ano, a rainha declarou que tinha interesse em se casar com François, porém, acabou mudando de ideia e anunciando no dia seguinte que tinha voltado atrás em sua decisão. 
Foi com a partida do Duque de Anjou que as esperanças de um casamento real acabaram. A soberana se sentia cada vez mais velha, sozinha e isolada, procurando cada vez mais a atenção de seus amantes. Foi então que começou a se envolver de forma fixa com o enteado de Dudley, Robert Devereux, o mais novo Conde de Essex. Ele foi o último homem no qual Elizabeth teve relações. 
Robert fazia a monarca se sentir atraente e jovem devido aos desejos de um cortesão que era novo. O relacionamento acabou atrapalhando os trabalhos políticos da rainha que, ao se deparar com uma tentativa de golpe contra ela no ano de 1601, mandou executar seu último namorado. 
Elizabeth morreu em 24 de março de 1603 sozinha, sem herdeiro e marido, representando o fim da Era Tudor. Sua morte marcou seu título como a “Rainha Virgem da Inglaterra”, porém, as inúmeras especulações sobre sua vida íntima perduram até os dias atuais.

quarta-feira, 18 de março de 2020

As luxuosas e abusivas visitas reais durante a Era de Elizabeth I.

AS LUXUOSAS — E ABUSIVAS — VISITAS REAIS DURANTE A ERA DE ELIZABETH I

No verão, a rainha e sua corte se hospedavam em diversas casas rurais e os anfitriões eram obrigados a suprirem as necessidades monárquicas — mesmo que isso os levassem à falência
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 18/03/2020
Retrato da monarca Elizabeth I, da Inglaterra
Retrato da monarca Elizabeth I, da Inglaterra - Wikimedia Commons
Todo verão, a rainha Elizabeth I e sua maciça Corte realizavam um longo retiro, que durava meses, levando uma imensa caravana com um trem quilométrico, carruagens e mais de mil cavalos. Para essas elaboradas férias, nenhuma pousada seria adequada para a Rainha Virgem. Em vez disso, ela permanecia em propriedades rurais, o que era uma grande honra para as pessoas que a recebiam.
Mas para alguns cortesãos, o custo de uma visita real era simplesmente muito alto. Em 1602, Sir Henry Lee ficou horrorizado ao saber que a rainha Elizabeth planejava ficar com ele em durante seu retiro.
De acordo com Adrian Tinniswood, autor de Behind the Throne: A Domestic History of the British Royal Househol (Por trás do trono: uma história doméstica da família real britânica, em tradução literal), Lee escreveu uma carta urgente ao conselheiro da rainha, Robert Cecil. Elizabeth simplesmente não poderia visitá-lo, ele declarou enfaticamente: eu ficaria quebrado se ela viesse.
Pintura que retrata Elizabeth I / Crédito: Getty Images

Parte do problema é que os Tudor não viajavam sozinhos — eles sempre eram acompanhados por pessoas do governo. O Conselho Privado, que dirigia o país com o monarca, por exemplo, participava do retiro — assim como seus servos e os servos de servos.
Cervejeiros, músicos, bobos da corte e médicos da monarquia eram considerados essenciais e também precisavam de um lugar para ficar. Isso significava que os anfitriões tinham que encontrar moradia, comida e entretenimento para mais de 300 pessoas, geralmente com apenas alguns dias de antecedência.
"A organização de viagens para um grupo desse tamanho exigia um planejamento cuidadoso", explica Tinniswood. "Esse era o trabalho do lorde camarista, que elaborava uma lista inicial de pessoas e lugares a serem visitados na rota — com datas aproximadas para cada uma das paradas." Ele também noticiava aos anfitriões e organizava os locais para descanso, com os mapas de dormir distribuídos para que ninguém estivesse alojado abaixo ou acima de sua classificação hierárquica”.
Se não houvesse alojamento suficiente na propriedade, edifícios temporários eram erguidos e celeiros eram convertidos — tudo isso às custas do anfitrião. A quantidade de carne e hidromel necessária era impressionante, e os animais eram comprados ou confiscados a quilômetros de distância.
A comida era preparada pelos próprios cozinheiros da monarca, mas tinha que ser aquecida com grandes quantidades de combustível, geralmente em cozinhas temporárias. O anfitrião também ficava incumbido de alimentar os cavalos da corte.
De acordo com Tinniswood, a estadia de três dias da rainha Elizabeth na propriedade de Sir Thomas Egerton em Harefield em 1602 quase o quebrou. Suas despesas incluíram 24 lagostas, 624 galinhas, 48.000 tijolos e novos fornos para alimentar a grande festa. “Tudo chegava a custar cerca de 10 milhões de dólares [algo na casa dos R$ 50 milhões] na cotação atual”.
Apesar de todos esses inconvenientes, os benefícios políticos e sociais de passar uma noite com a realeza poderiam ser incalculáveis. Em 1535, Henrique VIII e Ana Bolena ficaram na casa de Sir John e de Margaret Seymour em Wulfhall.
Gravura de Henrique VIII / Crédito: Getty Images

O monarca ficou notavelmente alegre durante a estadia, caçando vigorosamente na densa Floresta de Savernake, enquanto Bolena meditava para tentar aliviar o mau humor. Ana tinha motivos para ficar chateada: a filha de Seymour, Jane, estava rapidamente se tornando a favorita de seu marido — e logo a substituiria na realeza.
Enquanto os anfitriões de seu pai se certificavam de fornecer ao rei caçadas abundantes, justas e outros meios de entretenimentos, nada parecia corresponder aos esforços que os súditos da rainha Elizabeth tinham para divertir sua ilustre visitante. Os cortesãos ricos tentaram se superar como anfitriões da Virgem Rainha e tiveram muitas oportunidades para isso. Somente no seu primeiro retiro no verão, em 1575, Elizabeth visitou 41 de seus súditos.
Quando a monarca chegou ao castelo de Kenilworth em 1575, ela foi recebida com um concurso dramático que incluía alguns efeitos especiais muito avançados. Durante os dias de permanência da rainha, a casa do conde oferecia espetáculos com fogos de artifício, caça de veados e até mesmo a apresentação de um acrobata italiano excepcionalmente ágil.
Entretanto, às vezes, as tentativas dos anfitriões de agradar seus convidados reais podiam dar terrivelmente errado. Uma simulação de batalha travada pelo conde de Warwick durante a estadia da rainha no castelo de Warwick terminou com balas de canhão caindo em uma vila próxima, o que incendiou várias casas por lá.
Por fim, também esperava-se que os anfitriões de Elizabeth não apenas gastassem generosamente em suas acomodações e entretenimento na corte, como também deviam dar à rainha presentes para agradecê-la pela honra de sua estadia.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Em 1587, Maria da Escócia era brutalmente decapitada a mando da Rainha Elizabeth I, sua prima.

HÁ 433 ANOS, MARIA DA ESCÓCIA ERA BRUTALMENTE DECAPITADA A MANDO DA RAINHA — E SUA PRIMA — ELIZABETH I

Acusada de conspiração, a candidata perfeita ao trono foi golpeada diversas vezes em um episódio macabro
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 08/02/2020
Rainha Maria da Escócia em pintura oficial
Rainha Maria da Escócia em pintura oficial - Wikimedia Commons
A Inglaterra elisabetana era um lugar traiçoeiro. Apesar de o país ter passado por tempos áureos sob o comandado da rainha, que dá nome à época, a nação era constantemente  confrontada com ameaças de franceses e espanhóis. Uma dessas ameaças foi a própria prima da monarca, Maria Stuart, rainha da Escócia, que foi brutalmente decapitada no dia 8 de fevereiro de 1587.
Elizabeth I era filha de Henrique VIII com Ana Bolena, segunda esposa do rei, que havia assumido o posto de Catarina de Aragão. O que fez com que o monarca rompesse com a Igreja Católica no processo e fundasse a Anglicana.
O relacionamento gerou a pequena Elizabeth. Porém, Bolena foi condenada a decapitação por possíveis casos de adultério, incesto e traição. Com isso, muitos viram a reivindicação de Elizabeth ao trono como ilegítima, já que Henrique anulou seu casamento.
Um possível reinado de Elizabeth, também significaria que o retorno do catolicismo como religião oficial da Inglaterra — algo que muitos desejavam na época — ficasse longe de se concretizar, já que ela era protestante. Mas como entra Maria da Escócia nessa confusão toda?
Elizabeth I / Crédito: Wikimedia Commons

Ela era vista pelos católicos como a candidata perfeita ao trono. Filha de Jaime V da Escócia, sobrinho de Henrique VIII, com a francesa Maria de Guise, Maria herdou o direito ao trono escocês com apenas 6 anos de idade.
Ansiosos por criar uma aliança com a França, os escoceses prometeram Maria ao herdeiro do rei francês e a enviaram para ser criada em sua corte. A jovem, de 18 anos, foi brevemente Rainha Consorte da Escócia e da França. Porém, tudo acabou em menos de um ano, quando o monarca acabou morrendo em consequência de uma infecção no ouvido. Com isso, ela foi enviada de volta ao seu país natal.
Após um breve e tumultuado reinado na Escócia, Maria foi forçada a abdicar do poder e procurou refúgio na Inglaterra. Lá, foi acolhida por sua prima real Elizabeth I. Apesar do parentesco, a monarca inglesa sabia da predileção dos católicos por Maria, e a manteve sob eterna vigília de seus nobres leais.
Após quase duas décadas sendo tratada, praticamente, com uma prisioneira, Maria estava envolvida em uma conspiração para derrubar Elizabeth I. Sabendo disso, a monarca a condenou à morte.
Desenho contemporâneo do julgamento de Maria / Crédito: Wikimedia Commons

As decapitações parecem particularmente horríveis para os padrões modernos, mas nos tempos elisabetanos, esse método de execução era preferível se comparado a outros muito mais terríveis como o enforcamento, por exemplo.
Havia essa predileção, é claro, se a execução fosse feita corretamente. Afinal, as decapitações poderiam dar muito errado: e foi justamente isso que aconteceu. Depois de ser forçada a se despir e ficar somente com suas roupas de baixo diante dos súditos, ela se despediu, emocionada, de seus servos e teve seus olhos vendados por uma de suas damas de companhia.
Já ajoelhada sobre uma almofada, Maria começou a rezar em latim e, em seguida, foi violentamente obrigada a apoiar seu pescoço no bloco onde ocorreria a decapitação.
Mas ela não teve tempo de se posicionar corretamente. Quando o carrasco desferiu aquele que seria o golpe certeiro e final, ele acertou a parte de trás de sua cabeça, o que impediu o êxito da execução como ela teria de ser.
Ilustração da execução de Maria por um artista dinamarquês / Crédito: Wikimedia Commons

Não satisfeito, ele a golpeou novamente, mas este também não foi o suficiente para acabar com seu sofrimento — nem de todos que estavam presentes e se horrorizaram ao ouvir os lamentos da escocesa.
O derradeiro golpe veio logo em sequência, quando o carrasco finalmente conseguiu decapitar Maria. Ele levantou sua cabeça ensanguentada e a expôs para que todos pudessem ver. Há quem diga que a prima de Elizabeth tenha ficado irreconhecível com tamanha brutalidade.
Para finalizar a completa cena de horror, quando o corpo de Maria foi ser removido, descobriram que seu pequeno cão de estimação estava escondido o tempo todo debaixo de seu vestido. O animal se recusou a sair do lado de sua dona e deitou em uma poça de sangue entre a cabeça e o resto do corpo da escocesa.
Túmulo de Maria na Abadia de Westminster / Crédito: Wikimedia Commons

Maria, rainha dos escoceses, foi enterrada na catedral de Peterborough, embora, quando seu filho James I sucedeu Elizabeth, como governante da Inglaterra, ela teve seu corpo exumado e enterrado na abadia de Westminster — onde permanece até hoje.

domingo, 18 de agosto de 2019

Visite o zoológico da Rainha Elizabeth I. O ingresso? Seu pet.

VISITE O ZOOLÓGICO DA RAINHA ELIZABETH I. O INGRESSO? SEU PET

Durante o século 19, no zoo da rainha, os pobres que não podiam pagar ingresso encontraram uma insólita solução
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 18/08/2019.
Celebração de aniversário 25 anos de Zoo Stellingen perto de Hamburgo. 8 de maio de 1932
Celebração de aniversário 25 anos de Zoo Stellingen perto de Hamburgo. 8 de maio de 1932 - Crédito: Getty Images
Até a invenção do zoológico moderno, no século 19, havia as ménageries: coleções particulares de animais, de preferência exóticos: elefantes, leões, ursos, camelos...
Num gesto à frente de seu tempo, Elizabeth I decidiu abrir sua coleção ao público, cobrando por ingresso. Mas havia dois impedimentos para tornar o empreendimento um sucesso: os pobres não tinham como pagar e era realmente caro manter os animais, particularmente os leões. 
A solução foi aceitar um ingresso alternativo: gatos e cachorros. Que iam para a pança dos leões. 
A ideia da ménagerie surgiu quando os monarcas começaram a dar animais raros e exóticos como presente uns aos outros. Um desses foi o rei Henrique III que, em 1235, ficou encantado ao receber três leopardos de presente do imperador Romano-Germânico Frederico II. O lugar escolhido era a Torre de Londres, a residência real. Que não é uma torre, mas um castelo. 
Os animais foram mantidos na torre até o final do século 18. Muitos passaram a definhar por falta de cuidados. Os que viveram foram transferidos para o Zoológico de Londres, inaugurado em 1828, e outros foram enviados para o Zoológico de Dublin, na Irlanda. O zoo da torre seria fechado apenas em 1835, sob as ordens do duque de Wellington, na época, Condestável da Torre.
Hoje, quem visita a torre, encontra esculturas feitas em arame pela artista britânica Kendra Haste. Elas homenageiam os animais que lá viveram e foram colocadas no exato lugar onde os bichos eram aprisionados.

Saiba Mais
New Worlds, New Animals: From Menagerie to Zoological Park in the Nineteenth Century, Robert Hoage & ‎ William Deiss