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segunda-feira, 30 de março de 2020

A história do médico que terminou no hospício por defender a importância de lavar as mãos.


MEDICINA
Hoje em dia ninguém questiona a importância da assepsia em ambientes hospitalares. Mas nem sempre foi assim: antes que se soubesse da existência dos germes, os hospitais costumavam ser ambientes imundos que apresentavam índices altíssimos de mortes por infecção. A primeira pessoa a tentar mudar essa situação foi um médico húngaro chamado Ignaz Semmelweis. Sua ideia pioneira para amenizar o problema era simples: seus colegas deveriam lavar as mãos.
Na década de 1840, quando trabalhava em Viena, na Áustria, Semmelweis tentou introduzir uma rotina de lavagem de mãos  para reduzir as taxas de mortalidade de gestantes em maternidades. Mas como o médico concluiu que a higiene era um fator decisivo para salvar vidas? A partir de observações feitas no hospital onde atuava.
Semmelweis notou que duas salas de obstetrícia apresentavam discrepâncias quanto às taxas de mortalidade. Em uma delas, onde as pacientes eram atendidas por parteiras, havia menos mortes do que na outra, comandada por estudantes de medicina do sexo masculino. No hospital, acreditava-se que isso ocorria porque os estudantes tratavam as pacientes de modo mais duro do que as mulheres parteiras. A diferença de tratamento tornaria as mães internadas mais suscetíveis à febre puerperal. Mas Semmelweis não achava que isso fosse plausível.
Assim, Semmelweis passou a investigar o mistério. Primeiramente, ele observou que sempre que uma mulher morria de febre, um padre andava pela sala médica com um assistente tocando uma sineta. Ele chegou a achar que isso assustava as mulheres, fazendo que elas desenvolvessem a febre. Após banir o padre e notar que isso não fazia diferença na taxa de mortalidade, ele foi em busca de outra explicação.
O médico teve um estalo em 1847, quando um colega seu morreu de sintomas parecidos com os da febre puerperal após ter sido ferido acidentalmente por um bisturi enquanto dissecava um cadáver. Semmelweis propôs imediatamente uma conexão entre a contaminação cadavérica e a febre. Ele concluiu que os estudantes de medicina carregavam "partículas cadavéricas" nas mãos quando saiam da sala de autópsia para atender as pacientes da ala obstétrica. Isso explicava por que as pacientes tratadas pelas parteiras, que não participavam de autópsias e nem tinham contato com cadáveres, apresentavam uma taxa de mortalidade muito menor.
A partir de então, o médico instituiu uma política de uso de uma solução de cal clorada (hipoclorito de cálcio) para lavar as mãos entre o trabalho de autópsia e o exame das pacientes. Ele fez isso porque descobriu que essa solução clorada funcionava melhor para remover o mau cheiro dos tecidos infectados em autópsias e, portanto, talvez destruísse o agente "venenoso"  hipoteticamente transmitido por esse material. O resultado foi que a taxa de mortalidade na ala tratada pelos estudantes do sexo masculino caiu 90% logo após a adoção do procedimento e foi comparável a da ala comandada pelas parteiras. No ano seguinte, a taxa de mortalidade chegou a cair a zero por algum tempo.
Durante o ano de 1848, Semmelweis ampliou o escopo de seu protocolo de lavagem, incluindo todos os instrumentos que entravam em contato com as pacientes em trabalho de parto. Ele também usou dados temporais de taxas de mortalidade para documentar seu sucesso em eliminar a febre puerperal da enfermaria do hospital.
Apesar dos bons resultados, seus colegas não estavam convencidos de que o sucesso era atribuído à higienização, pois o método carecia de uma explicação científica. Naquele tempo, acreditava-se que as doenças eram causadas por desequilíbrios nos "quatro humores". Como resultado, as ideias de Semmelweis foram rejeitadas pela comunidade médica. Outros fatores, mais sutis, também podem ter desempenhado um papel. Alguns médicos, por exemplo, ficaram ofendidos com a sugestão de que deveriam lavar as mãos, sentindo que seu status social como cavalheiros era incompatível com a ideia de que suas mãos pudessem ser impuras. 
Rejeitado em Viena, Semmelweis não teve seu contrato renovado com o hospital. Assim, ele voltou para Budapeste, onde assumiu um cargo médico de pouco prestígio em outra instituição. Mas lá ele também conseguiu eliminar a febre puerperal, que era praticamente epidêmica. Frustrado com a falta de reconhecimento, o médico desenvolveu um quadro de depressão severa. Durante essa época, ele falava obsessivamente sobre a questão da febre. Um dia, um amigo o levou a um manicômio, com o pretexto de visitar o instituto médico. Na verdade, ele estava sendo internado. Quando percebeu o que estava acontecendo, Semmelweis lutou com os guardas do local e foi brutalmente espancado. Amarrado em uma camisa de força e confinado em uma cela escura, ele morreu duas semanas depois devido a um ferimento na mão, que havia gangrenado. Ele tinha 47 anos.
A rotina de higienização de Semmelweis só passou a ser adotada amplamente algumas décadas mais tarde, quando Louis Pasteur, Joseph Lister e outros cientistas desenvolveram a teoria dos germes. 

Fonte: BBC
Imagens: Michigan State University e Wikimedia Commons

terça-feira, 17 de março de 2020

A história do médico húngaro que descobriu a importância de lavar as mãos.

Quantas vezes você lava as mãos ao dia? Realizamos este simples ato sempre que necessário, inúmeras vezes desde que levantamos até antes de deitar. A sociedade nunca teve padrões de higiene tão altos quanto hoje. No século XIX, ao contrário, germes, bactérias e cheiros não muito agradáveis eram comuns até em hospitais, e um médico chegou a ser chamado de louco e internado em um manicômio por insistir que seus colegas de profissão lavassem as mãos.
Para entender essa história precisamos viajar até a Áustria de 1840. No Hospital Geral de Viena, o médico húngaro Ignaz Semmelweis percebeu que a taxa de mortalidade de mulheres grávidas era muito alta na maternidade, e não entendia como isso era possível. O diagnóstico médico da época dizia que a causa das mortes era a febre puerperal, uma infecção pós-parto causada por bactérias, mas ninguém sabia como ela se desenvolvia em mulheres que até então eram saudáveis.
O setor de maternidade do Hospital Geral de Viena era dividido em duas áreas. Uma era atendida por estudantes de medicina e a outra por parteiras. O húngaro Semmelweis então percebeu que a sala dos médicos registrava uma taxa de mortalidade três vezes maior do que o local supervisionado pelas parteiras, e resolveu investigar por que isso ocorria. Primeiro, acreditou que as mortes tinham ligação com um ritual realizado pelo padre do hospital, que tocava um sinal quando uma mulher morria. Isso poderia aterrorizar as outras que estavam no local e provocar o início da febre puerperal. Porém, a tese foi descartada logo que o religioso parou de efetuar o ritual e as mortes seguiram.
Após muitas observações, o médico percebeu que as autópsias eram realizadas no mesmo local dos partos, e os médicos não lavavam as mãos entre um trabalho e outro. Como não existiam luvas ou outros equipamentos de proteção, o húngaro instalou uma bacia com uma solução de cal e cloro no hospital, e pediu para que seus colegas esfregassem as mãos antes e depois de um trabalho. Em abril de 1847, por exemplo, o índice de morte na maternidade era de 18,3%. Um mês depois, o índice caiu para 2%.
Com sua teoria confirmada, Semmelweis recebeu o apelido de “Salvador das Mães”, mas seus colegas de trabalho não gostaram da ideia. Após escrever um livro sobre o assunto e receber várias críticas negativas sobre seus métodos de higiene, o contrato do médico com o hospital não foi renovado, e o húngaro foi trabalhar na enfermaria obstétrica do pequeno Hospital Szent Rókus, em Budapeste, no seu país natal.
Mesmo em sua terra, as teorias não foram bem aceitas, o médico passou e ser excluído por outros profissionais e começou a sofrer de depressão severa. Com um comportamento irregular, certa vez foi convidado a visitar um novo instituto médico, mas sua ida ao local foi a forma encontrada por seus colegas para interná-lo num manicômio. Quando percebeu o que estava acontecendo, tentou fugir, mas foi contido por enfermeiros que o vestiram com uma camisa de força e o trancaram em uma sala. Ignaz Semmelweis faleceu duas semanas depois, vítima de uma infecção em um corte sofrido no braço.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Tratado Médico do antigo Egito revela conhecimentos de 3.600 anos atrás.

TRATADO MÉDICO DO ANTIGO EGITO REVELA CONHECIMENTOS DE 3.600 ANOS ATRÁS

Papiro contém 48 casos de doenças com seus respectivos tratamentos. Confira detalhes sobre esse surpreendente documento histórico!
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 17/04/2019
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- Reprodução
Você já pensou em tratar um ferimento na cabeça ou deslocamento das costelas com receitas vindas diretamente do Antigo Egito? Pois isso é uma possibilidade revelada pelo "Papiro de Edwin Smith", o mais antigo tratado médico do mundo, que lança luz sobre os conhecimentos medicinais acumulados pela sociedade egípcia através dos tempos.
O Papiro.
Esse tratado remonta ao Segundo Período do Egito Antigo, ou seja, por volta de 1600 a.C. -- mais de mil anos antes do nascimento do médico grego Hipócrates. Seu nome é uma homenagem ao colecionador de antiguidades Edwin Smith, que o comprou em 1862 na cidade de Luxor, ao sul do Egito. Em 1906, com a morte de Smith, o documento foi entregue à Sociedade Histórica de Nova York, e apenas em 1920 o egiptólogo estadunidense James Henry Breasted conseguiu traduzi-lo, ficando provavelmente entusiasmado por perceber que tinha em suas mãos um antigo livro de medicina.
Papiro em livro publicado por Breasted / Créditos: Reprodução
O papiro foi escrito na forma cursiva dos hieróglifos (da direita para a esquerda), e foram usadas as tinhas preta e vermelha para separar o corpo principal do texto dos glossários explicativos. Breasted acreditava que os glossários em vermelho (69 deles no total) foram adicionados alguns séculos após o texto original ter sido escrito, registrando também que o escriba (cujo nome não foi preservado) cometeu muitos erros ao redigir os textos, alguns dos quais foram corrigidos nas margens.
Qual o conteúdo dos textos?
De acordo com o arqueólogo Breasted, os papiros contêm um total de 48 casos médicos organizados sistematicamente. Os exemplos se iniciam com tratamentos para lesões na cabeça, se estendendo pelo corpo com fraturas na coluna vertebral e no tórax. Pelo fato de o documento estar incompleto, os tratamentos para lesões na parte inferior do corpo não foram registrados.
As instruções do papiro se organizam de forma sistemática, iniciando com um "Título introdutório" seguido pela seção "Sintomas significativos" -- que fornece um exame detalhado sobre o dano sofrido. Por fim há a seção "Diagnóstico", na qual se coloca um veredicto sobre a possibilidade de tratamento: favorável, incerto ou desfavorável.
Página do papiro / Créditos: Reprodução
Alguns exemplos de ferimentos encontrados no papiro de Edwin Smith incluem lesões no crânio, como por exemplo "uma ferida na cabeça que penetra no osso do crânio" (Caso 1) e "uma fratura craniana sob a pele da cabeça" (Caso 8). Também se encontram tratamentos para lesões faciais, como "um golpe na narina" (Caso 13) e "fratura na bochecha" (Caso 16) e lesões no tronco, como "uma ferida no peito" (Caso 40) e "uma luxação das costelas do tórax" (Caso 43). Com base na natureza dessas lesões, pesquisadores têm sugerido que este tratado médico lida com um grupo específico de pacientes: soldados e trabalhadores de construções que se feriram durante o expediente.
Finalmente, deve-se notar que o papiro de Edwin Smith demonstra a abordagem altamente metódica e racional adotada pelos antigos egípcios para lidar com tais ferimentos. Por exemplo, os tratamentos incluem o fechamento de feridas com suturas, bandagens, talas, cataplasmas, prevenção de infecções com mel e a imobilização do corpo, no caso de lesões na coluna vertebral. Além do procedimento passo-a-passo usado em cada caso, também é notável o fato de que usa-se a magia apenas em um dos 48 casos preservados no texto.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Museu História da Medicina do Rio Grande do Sul.


Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul.


Um belo passeio em Porto Alegre/RS.


Localizado no prédio histórico do Hospital Beneficência Portuguesa.


Av. Independência, 270, centro de Porto Alegre.



Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 13 de março de 1997

Averróis, filósofo e médico árabe.


Filósofo e médico árabe. Difundiu o pensamento grego nas universidades.

Fonte: São Francisco. Coleção: Grandes Personagens da História Universal, Volume 23, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1970.

 

quarta-feira, 30 de março de 1994

Paracelso, autor de enciclopédia de medicina.


Paracelso, escritor da enciclopédia de medicina.

Fonte: Vasco da Gama. Coleção: Grandes Personagens da História Universal, Volume 21, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1970.