BIBLIOGRAFIA: GRANET, Marcel. A Civilização
Chinesa. Coleção: Grandes Civilizações desaparecidas. Rio de Janeiro: Ferni,
1979.
A
Civilização Chinesa
(1929), escrita pelo renomado sinólogo e sociólogo francês Marcel Granet, é uma
das obras mais profundas e revolucionárias sobre a Antiguidade oriental. O
livro rompe com a simples narrativa cronológica de imperadores e dinastias para
investigar a mentalidade, os mitos, os rituais e a organização social que
formaram a base do pensamento e do Estado na China antiga.
Estrutura
e Abordagem Metodológica
Granet
utiliza uma abordagem fortemente influenciada pela escola sociológica de Émile
Durkheim. O autor divide sua análise em duas partes principais:
História Política: O autor traça o caminho desde
as origens lendárias da China até a criação do Império unificado sob a
Dinastia Qin.
Vida Social: Foca na transição das
comunidades rurais feudais para a formação de grandes centros urbanos e
sistemas de corte.
O grande
mérito metodológico de Granet é a leitura crítica e decodificação das fontes
tradicionais chinesas. Em vez de aceitar as crônicas imperiais como
verdades literais, ele as interpreta como construções mitológicas e simbólicas
criadas para legitimar a ordem moral e política da época.
Principais
Temas Abordados
A Importância dos Rituais: Na visão do autor, o ritual (Li)
não era meramente decorativo, mas sim a estrutura jurídica e cósmica que
organizava as relações humanas e o governo.
O Cosmos e o Político: Para a civilização chinesa
clássica, a política e a natureza estavam intimamente conectadas. O
Imperador atuava como o elo entre o Céu e a Terra; qualquer erro ético ou
falha nos rituais governamentais causaria desastres naturais e desordem
civil.
Cânticos Populares e Mitologia: Granet faz uma rica
reconstrução dos costumes agrários, do casamento e das festas sazonais a
partir da análise poética do Livro das Cânticos (Shijing),
resgatando a vida da população comum.
Pontos
Fortes e Legado
Ruptura com o Eurocentrismo: Granet evita a clássica
presunção de superioridade ocidental. Ele descreve a China a partir de
seus próprios conceitos e categorias lógicas.
Interdisciplinaridade: O livro funde história,
sociologia, antropologia e filologia de maneira magistral, criando um
retrato cultural tridimensional.
Influência na Sinologia Moderna: A obra permanece como leitura
obrigatória para compreender como o pragmatismo social e o pensamento
místico-filosófico chinês convivem e moldaram a identidade asiática.
A
Civilização Chinesa
não é apenas uma reconstituição de fatos passados, mas uma chave hermenêutica
para entender a lógica profunda da governança e da cultura da China
Bibliografia:
GERNET, Jacques. A Vida Quotidiana na China, nas vésperas da invasão Mongólia 1250-1276.
Coleção A Vida Quotidiana em Todos os Tempos. Lisboa: Livros do Brasil,
1959.
O clássico
livro "A Vida Cotidiana na China nas Vésperas da Invasão Mongólica
(1250-1276)", escrito pelo renomado sinólogo francês Jacques Gernet,
é uma obra-prima da história social que reconstrói minuciosamente o auge e os
momentos finais da Dinastia Song do Sul antes da conquista de Kublai
Khan. A seguir, confira uma resenha detalhada estruturada sobre os principais
eixos analisados pelo autor.
Visão
Geral e Objetivo da Obra
Gernet
afasta-se da tradicional história focada apenas em grandes batalhas, dinastias
e imperadores. O objetivo central é humanizar e detalhar a rotina da
civilização mais avançada e populosa do mundo na época (século XIII). O autor
escolhe como cenário principal a cidade de Hangzhou (então chamada de
Lin'an), a capital provisória dos Song, descrita por viajantes como Marco Polo
como a cidade mais esplêndida e rica do planeta.
Principais
Eixos Temáticos do Livro
A Estrutura Urbana e a
Demografia:
Gernet descreve Hangzhou como uma metrópole vibrante, com mais de um
milhão de habitantes. O livro detalha o planejamento urbano, os sistemas
de prevenção de incêndios, o saneamento básico e a impressionante
densidade demográfica que desafiava os padrões medievais ocidentais.
Sociedade e Classes Sociais: O autor mapeia desde a elite
literata (os mandarins que passavam nos rigorosos exames imperiais) e os
ricos comerciantes até a classe trabalhadora, os artesãos, os criados e a
vasta população marginalizada.
Economia e Comércio: Foca na sofisticação da economia
Song, marcada pelo uso pioneiro e massivo do papel-moeda, o
desenvolvimento de indústrias (como a cerâmica e a seda) e um comércio
internacional marítimo altamente lucrativo.
O Cotidiano, Lazer e Alimentação: Esta é a parte mais charmosa da
obra. Gernet explora as casas de chá, as tavernas, os banquetes imperiais,
os teatros de marionetes, a prostituição regulamentada, os festivais
sazonais e os hábitos alimentares detalhados de diferentes classes
sociais.
Mentalidades e Religião: Analisa o sincretismo religioso
entre o Confucionismo (que ditava a moral política e familiar), o Taoismo
e o Budismo, revelando como a população lidava com a vida, a morte e o
sobrenatural.
Análise
Crítica e Relevância
Ponto
Forte
Impacto
na Leitura
Riqueza
de Fontes
Baseado em
diários, enciclopédias e crônicas chinesas locais da época.
Imersão
Cultural
O leitor é
transportado para dentro dos mercados e ruelas de Hangzhou.
Desconstrução
Eurocêntrica
Demonstra
que a China possuía uma modernidade urbana séculos antes da Europa.
A grande
ironia histórica capturada sutilmente por Gernet é o contraste entre o refinamento
cultural extremo e a fragilidade militar da Dinastia Song. Enquanto
a sociedade vivia em um ápice de sofisticação artística, filosófica e boêmia,
as fronteiras estavam prestes a ruir sob o avanço implacável dos exércitos
mongóis.
Conclusão
"A Vida
Cotidiana na China" é uma leitura obrigatória para historiadores,
estudantes e entusiastas da Ásia. Jacques Gernet entrega um texto fluido,
informativo e longe do academicismo maçante, sendo um retrato fascinante de uma
civilização brilhante capturada momentos antes de sua transformação radical.
Taiwan é governada
de forma independente desde o fim de uma guerra civil em 1949.
A China considera
a ilha como parte do seu território desde a crise do Estreito de Taiwan que
ocorreu em 1990.
Para a China, Taiwan tem uma importância simbólica de orgulho
e segurança nacional. Para os USA, Taiwan tem uma função estratégica de
contenção da China. Taiwan é um peão manipulado por duas grandes nações. Taiwan
serve como porta aviões muito próximo a China e possui muitas bases militares
de países aliados aos USA. A China e os USA estão em concorrência de duas
grandes potências atualmente.
A visita
da Presidente da Câmara Americana Nancy Pelosi, na terça feira do dia 02 de agosto
de 2022, a Taiwan, e balançou as relações exteriores entre o Indo-Pacífico. Esse
movimento americano prejudicou a paz e a estabilidade, podendo causar
consequências em relação bilateral, afirmou a diplomacia chinesa. A China
ameaçou com medidas fortes para defender sua soberania e interesses de
segurança.
Na visita
da representante americana, foi afirmado o apoio a democracia de Taiwan, por
serem parceiros e terem interesses em comum por uma região livre e aberta no
Indo-Pacífico. Os USA anunciou também que estaria disposto a usar a força para
defender Taiwan de possíveis ataques chineses.
A China
se opõe a independência de Taiwan, assim como as interferências externas. Após a
visita americana, a China impôs sanções a Taiwan: suspendendo a importação de
frutas e peixes; paralisou as exportações de areia e suspendeu as importações
de 35 exportadores de biscoitos e doces de Taiwan para a China. Além disso, a
China proibiu a entrada de empresas de energia solar, equipamentos médicos e
uma empresa de gerenciamento de frota de veículos. Por isso, iniciou testes e
operações militares, ao disparar misseis.
A China comunicou que estava apenas exercendo
o seu direito e avisou, que se os USA fizesse algum movimento interpretado como
brusco, eles teriam a inteira responsabilidade sobre a tensão em Taiwan. Vinte
e dois aviões de guerra chineses entraram na zona de defesa aérea de Taiwan,
que ativou seus sistemas para rastrear as atividades chinesas e o monitoramento
ao redor da ilha. Em manifestação, Taiwan apontou que os exercícios violam as
regras da ONU e invadem o espaço territorial, além de ser um desafio direto à
livre navegação aérea e marítima.
Os USA
posicionou um porta aviões para monitorar a situação ao redor de Taiwan.O Japão apoiou e colocou-se junto aos USA
para trabalharem em prol de conservar a estabilidade do Estreito de Taiwan.
Pesquisadores encontraram um grande número de relíquias no sítio arqueológico de Sanxingdui, no sudoeste da China. No local, havia objetos feitos de metais preciosos como ouro e jade foram descobertos, assim como algumas peças de bronze. A descoberta pode ajudar a aprofundar o que se sabe sobre o enigmático Reino Shu, que existiu entre 4.500 e 3.000 anos atrás.
Objetos valiosos.
Até agora, cerca de 13.000 relíquias foram encontradas no sítio arqueológico. Entre eles estão figuras, sinos e uma caixa de bronze ornamentada com um objeto de jade verde dentro, cujas alças teriam um formato semelhante à cabeça de um dragão. Os pesquisadores ainda não sabem para que servia o objeto, mas acreditam que era muito valorizado.
Artefatos encontrados anteriormente em Sanxingdui (Imagens: Nishanshaman e momo, via Wikimedia Commons)
Em outra das sepulturas os pesquisadores encontraram cabeças de bronze com máscaras de ouro, uma peça artística com cabeça humana e corpo de cobra, um altar de bronze e outras figuras míticas feitas com o mesmo material, como um dragão com nariz de porco. Recentemente, outras peças foram encontradas no mesmo local, como uma máscara de ouro e outra de bronze.
O sítio arqueológico de Sanxingdui está situado onde no passado ficava a capital do estado de Shu. Descoberto na década de 1920, o local é uma das maiores fontes de tesouros históricos da China. Alguns dos artefatos mais antigos encontrados por lá datam dos séculos XII e XI a.C.
Pesquisadores descobriram raros embriões de dinossauros muito bem preservados em ovos na China. Com base em suas características, os pesquisadores acreditam que o fóssil pertence à espécie dos hadrossauros. Esse tipo de herbívoro gigante que viveu no fim do período Cretáceo, há cerca de 67 milhões de anos.
Desenvolvimento dos dinossauros
Os ovos de dinossauro foram encontrados durante detonações de uma obra na bacia de Ganzhou, na província de Jiangxi Province. Um estudo sobre a descoberta foi publicado no periódico científico BMC Ecology and Evolution. "Pelo menos dois dos ovos contêm embriões hadrossauroides identificáveis, descritos aqui pela primeira vez", escreveram os pesquisadores.
O ovo mais bem conservado tem a forma de esfera e mede aproximadamente 9cm de diâmetro. O embrião preenche cerca de 40 da área do ovo. Segundo os pesquisadores, o formato embrionário é reminiscente de hadrossauroides do Cretáceo Superior, como Levnesovia transoxiana, Tanius sinensis e Nanningosaurus dashiensis, sugerindo possíveis afinidades com essas espécies. Os hadrossauros também são conhecidos como "dinossauros de bico de pato".
Encontrar embriões fossilizados de dinossauros é muito raro, pois a maioria deles se deteriora dentro dos ovos. A descoberta fornece importantes pistas sobre o desenvolvimento dos dinossauros. A partir da observação do fóssil, os cientistas puderam concluir que o tamanho minúsculo do ovo e do embrião implica que os hadrossauros apresentavam desenvolvimento corporal tardio como uma característica primordial.
Fontes
Interesting Engineering
Imagens
Xing, L., Niu, K., Yang, TR. et al. Hadrosauroid eggs and embryos from the Upper Cretaceous (Maastrichtian) of Jiangxi Province, China. BMC Ecol Evo 22, 60 (2022). (CC BY 4.0)
A Bacia de Nihewan. Crédito: Wikimedia Commons. Por Nicoletta Lanese Publicado na Live Science
Cientistas descobriram restos de uma cultura da Idade da Pedra Antiga, a menos de 160 quilômetros a oeste de Pequim, onde os hominídeos antigos usavam um pigmento avermelhado chamado ocre e criavam pequenas ferramentas semelhantes a lâminas de pedra.
O sítio arqueológico, chamado Xiamabei, oferece um raro vislumbre da vida do Homo sapiens e parentes humanos extintos que habitaram a região há cerca de 40.000 anos.
O local recém-escavado fica na Bacia de Nihewan, uma depressão em uma região montanhosa do norte da China. A equipe de escavação encontrou evidências da cultura a cerca de 2,5 metros de profundidade, quando avistaram uma camada de sedimentos escuros e lodosos que datava entre 41.000 e 39.000 anos atrás, com base em datação por radiocarbono e outras análises.
Este sedimento da Idade da Pedra continha um tesouro de artefatos e restos de animais, incluindo mais de 430 ossos de mamíferos; uma fogueira; evidência física de uso e processamento de ocre; uma ferramenta feita de osso; e mais de 380 líticos miniaturizados, ou pequenas ferramentas e artefatos feitos de pedra lascada ou moída.
“Os restos pareciam estar em seus locais originais depois que o local foi abandonado pelos moradores”, disse a coautora Shixia Yang, pesquisadora da Academia Chinesa de Ciências e do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, à Live Science por e-mail. “Com base nisso, podemos revelar uma imagem vívida de como as pessoas viviam 40.000 anos atrás na Ásia Oriental”.
Identificar uma camada de sedimentos de 40.000 anos repleta de tais artefatos foi “uma surpresa”, disse o coautor sênior Francesco d’Errico, diretor de pesquisa do CNRS na Universidade de Bordeaux e professor da Universidade de Bergen, à Live Science por e-mail.
Notavelmente, “esta é a oficina para uso de ocre mais antiga conhecida no leste da Ásia”, e a coleção de pequenas ferramentas de pedra sugere que os fabricantes provavelmente produziram e usaram kits de ferramentas especializados, disse ele.
Pedras semelhantes a lâminas encontradas em Xiamabei apresentam evidências microscópicas de terem sido presas a um cabo de osso com fibras vegetais. Créditos: Andreu Ollé / Wang et al., Nature, 2022.
Yang, d’Errico e seus colegas publicaram um relatório sobre o local e os artefatos na revista Nature.
A evidência do processamento de ocre em Xiamabei inclui duas peças de ocre com composições minerais ligeiramente diferentes, bem como uma placa de calcário alongada com áreas alisadas manchadas em um pigmento carmesim. A equipe encontrou esses artefatos próximos uns dos outros, sobre uma área de sedimentos avermelhados.
“Não acho que alguém deveria achar chocante que os habitantes do que hoje é o norte da China [40.000 anos atrás] estivessem coletando e usando ocre”, já que, em geral, os humanos e seus parentes já usavam o pigmento há muitos anos nesse ponto, disse Andrew M. Zipkin, professor adjunto da Faculdade de Evolução Humana e Mudança Social da Universidade Estadual do Arizona e cientista associado do EAG Laboratories da Eurofins, que não esteve envolvido no estudo.
“Os artefatos de ocre neste estudo são bastante limitados em número, mas eu ficaria animado para ver o trabalho de acompanhamento deles que busca identificar onde o ocre foi coletado”, disse Zipkin à Live Science em um e-mail.
Em relação ao novo estudo, “para mim, o importante aqui não é o ocre em si, mas sua presença como parte de um conjunto de tecnologias e comportamentos”, disse ele.
A primeira peça de ocre encontrada no local apresentava sinais de ter sido “repetidamente desgastada para produzir um pó ocre vermelho escuro brilhante”, relataram os autores; o segundo pedaço menor de ocre tinha uma textura mais quebradiça, em comparação, e provavelmente se originou de um pedaço maior de ocre que havia sido esmagado.
Uma análise liderada por d’Errico revelou que os diferentes tipos de ocre foram triturados e raspados em pós de consistência variável.
Peças de ocre e equipamentos de processamento encontrados no local foram descobertos em um pedaço de sedimento manchado de vermelho. Créditos: Fa-Gang Wang / Francesco d’Errico / Wang et al., Nature, 2022.
Outra análise mostrou que o sedimento avermelhado encontrado próximo ao ocre continha fragmentos rochosos ricos em hematita, mineral que contém ferro oxidado e dá ao ocre vermelho sua tonalidade distinta.
(Outros tipos de ocre, incluindo o ocre amarelo e a chamada especularita, um pigmento roxo-avermelhado brilhante, têm composições minerais ligeiramente diferentes, de acordo com o Discover.)
Com base nas evidências disponíveis, no entanto, eles não conseguiram determinar exatamente como o pigmento foi usado. O ocre pode ser usado em adesivos, por exemplo, ou em “aplicações simbólicas”, como pintura de arte rupestre ou tinta aplicada ao corpo como decoração cosmética e protetor solar, disse Zipkin.
“Distinguir entre usos simbólicos e funcionais do ocre no registro da cultura material é um desafio contínuo para os arqueólogos pré-históricos”, observou ele.
Vestígios de ocre apareceram em várias ferramentas de pedra no local, e a natureza dessas ferramentas sugeriu que o pigmento pode ter sido usado como um aditivo usado no processamento de couro e como ingrediente em um adesivo para o processo de “hafting” – ou seja, uma substância pegajosa usada para afixar alças e cabos em ferramentas de pedra.
Esta evidência não nega a possibilidade de que o pigmento também possa ter sido usado simbolicamente, disse Zipkin.
Arqueólogos descobriram evidências de processamento de ocre na África e na Europa, em menor grau, que remonta a cerca de 300.000 anos atrás, e há evidências de uso de ocre na Austrália começando cerca de 50.000 anos atrás, disse d’Errico à Live Science.
Mas antes da escavação de Xiamabei, “as evidências do uso de ocre na Ásia antes [de 28.000 anos atrás] eram, no entanto, muito escassas”, disse ele.
Com base em padrões de desgaste e resíduos remanescentes de líticos passados pelo processo de “hafting” encontrados no local, a equipe determinou que esses artefatos provavelmente foram usados para vários propósitos, incluindo perfurar materiais, raspar couro, talhar material vegetal e cortar matéria animal macia.
Da mesma forma, os líticos sem o “hafting” provavelmente serviram para vários propósitos, como perfurar materiais duros e cortar materiais mais macios.
“Estamos, portanto, diante de um sistema técnico complexo que explora diferentes matérias-primas para criar ferramentas portáteis altamente eficazes, usadas em uma variedade de atividades”, disse d’Errico.
Pequenas lâminas de pedra conhecidas como microlâminas tornaram-se amplamente utilizadas no nordeste da Ásia no final da era do Pleistoceno (2,6 milhões a 11.700 anos atrás), disse Yang; especificamente, a tecnologia começou a se espalhar por toda a região há cerca de 29.000 anos, observaram os autores em seu relatório.
Os líticos de Xiambai não são microlâminas, mas mostram características semelhantes às pequenas ferramentas de pedra, o que leva Yang a se perguntar se esses objetos representam a “raiz” da tecnologia de microlâminas posterior, disse ela.
O estudo levanta outra grande questão: quais hominídeos arcaicos realmente ocuparam Xiamabei há 40.000 anos? Algumas pistas apontam para humanos modernos, mas os autores não podem ter certeza de que parentes humanos – ou seja, neandertais e denisovanos – não estavam presentes no local.
“Não podemos ter certeza de que o Homo sapiens ocupou Xiamabei, devido à falta de fósseis humanos no local”, disse Yang à Live Science.
Dito isto, fósseis humanos modernos foram encontrados em um local mais jovem chamado Tianyuandong, que fica a cerca de 110 km de distância, bem como em outro local na região chamado Caverna Superior de Zhoukoudian, disse ela. Esses fósseis próximos sugerem que os hominídeos que processaram ocre, fabricaram ferramentas e visitaram Xiamabei também podem ter sido H. sapiens.
“Não podemos, no entanto, desconsiderar totalmente a possibilidade de que outros ancestrais humanos intimamente relacionados ainda não estivessem presentes nas vastas paisagens do norte da Ásia, pois está claro que grupos anteriores de Homo sapiens estavam acasalando e cruzando com neandertais e denisovanos”, disse Yang.
Além disso, como os neandertais também usavam ocre, a evidência do uso do ocre não oferece nenhuma pista sobre quais hominídeos estavam presentes no local, disse Zipkin.
“Mais escavações planejadas em Xiamabei nos ajudarão a entender melhor nossa história evolutiva”, disse Yang.
No sudoeste da China em uma encosta alta de loess na cidade de Hejin, existe uma construção que nunca houve uma investigação dos estudiosos para se descobrir a sua origem, o topo desta formação é plano como uma pista de aeroporto. Ainda mais curioso é a enorme porta com moldura de pedra no meio do penhasco.
Quem construiu? Com qual propósito?
Acredita-se, que se trata de um edifício defensivo de autoproteção, restando apenas uma porta. Há passagens subterrâneas internas conectando para cima e para baixo em labirintos que foram pouco explorados, o trabalho para se construir foi realmente enorme."
CHINA FORMALIZA LEI QUE PERMITE QUE CASAIS TENHAM ATÉ TRÊS FILHOS
A mudança foi aprovada oficialmente nesta sexta-feira, 20, e acontece com objetivo de aumentar a taxa de natalidade do país. Entenda!
PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 20/08/2021
Imagem ilustrativa da bandeira da China - Getty Images
Segundo informações da agência de notícias ANSA, divulgadas pelo UOL, nesta sexta-feira, 20, a China aprovou uma nova legislação que autoriza que casais tenham até três filhos no país, sem pagar impostos a mais por isso.
A lei foi formalizada somente hoje, contudo, em maio o governo chinês já havia permitido a nova política de planejamento familiar. A mudança acontece em uma tentativa de aumentar a taxa de natalidade do país.
Imagem ilustrativa de uma família chinesa / Crédito: Getty Images
Desde o ano de 2016, a nação asiática realiza uma abertura na flexibilização da chamada ‘política do filho único’. Durante anos, casais foram proibidos de ter mais de uma criança, justamente na tentativa de frear o crescimento demográfico na época.
Nos últimos anos, a queda na taxa de natalidade passou a preocupar as autoridades chinesas, diversos aspectos são discutidos, entre ele, o futuro da economia do país em meio ao envelhecimento da população.
VIDA COMUM APÓS A QUEDA: A CURIOSA SAGA DO ÚLTIMO IMPERADOR DA CHINA
Depois de dois mil anos, o país via o longo período chegar ao fim com a dinastia Qing
ISABELA BARREIROS, SOB SUPERVISÃO DE THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 13/06/2021
O último imperador da China, Pu Yi - Wikimedia Commons
O primeiro imperador da China governou entre 221 a.C. a 210 a.C., durante a dinastia Qin. Foi Qin Shihuang foi responsável por unificar a China, que se tornou o território que conhecemos hoje, um vasto país com inúmeras etnias.
Como relembra a BBC, a unificação é, de fato, a maior conquista do imperador, mas ele também fez muito mais. A Grande Muralha da China foi seu legado, assim como os impressionantes guerreiros do Exército de Terracota.
O exército de estátuas de soldados do imperador Qin Shihuangdi / Crédito: Wikimedia Commons
Sistemas únicos, que padronizaram um enorme território em um império controlado por suas próprias mãos, também foram desenvolvidos. Dinheiro, pesos e medidas, escrita, entre outras coisas, foram unificadas.
O período estabelecido por Qin Shihuang foi tão impressionante que perdurou por cerca de 2 mil anos. O último imperador da China liderou até 13 de fevereiro de 1912, data que marca o fim da dinastia Qing, a última a governar a China Imperial.
A última dinastia do Império Chinês
A dinastia Qing foi importante em muitos aspectos, mas ela é lembrada principalmente por, durante o seu ápice, que aconteceu entre 1661 e 1791, ter elevado a China em questões militares, econômicas e sociais.
A revista Galileu aponta que, em 130 anos, a dinastia tornou a China o maior e mais populoso império do mundo, ao chegar a 430 milhões de habitantes e ao obter conquistas territoriais que triplicaram seu território. Outro avanço foi em relação à identidade cultural do país, com o desenvolvimento da maior coleção de livros sobre a história chinesa.
Mas essa prosperidade esteve viva em apenas 130 anos da história da dinastia Qing. Depois disso, o país vive o 'século de humilhação', entre 1839 a 1912, período em que a China sofreu na mão do imperialismo, pressionada principalmente pela Inglaterra.
A chegada dos ocidentais no país abalou totalmente as estruturas da sociedade chinesa, que persistiam por 2 mil anos. Embora tentassem adiar o fim, os imperadores estavam prestes a ter sua coroa retirada.
O último imperador chinês
O último imperador da China, Pu Yi, quando criança / Crédito: Wikimedia Commons
Foi no dia 13 de fevereiro de 1912 que o último imperador foi forçado a abdicar do trono do Império Chinês. Pu Yi tinha apenas seis anos quando abandonou o importante cargo, que assumiu aos três anos, após a morte da imperatriz da China, sua tia-avó.
O jovem imperador foi obrigado a renunciar por pressão do presidente do conselho do governo imperial, Yuan Shih-kai. Desde 10 de outubro do ano anterior, o país via-se envolvido pela Revolução Xinhai, um conflito estabelecido contra a dinastia Qing e seu reinado.
O resultado da revolução foi a criação e a determinação da República Chinesa. Mas, antes disso, o império continuou coexistindo com o período republicado do revolucionário Sun Yat-sen. O fim da China Imperial e o estabelecimento da república aconteceram a partir da renúncia de Pu Yi, que marcou também a extinção da dinastia Qing.
Como relembrou a revista Piauí, o último imperador não deixou o palácio em que cresceu logo após a renúncia. Ele teria permanecido na Cidade Proibida até completar 18 anos, quando foi expulso por um novo golpe realizado no país.
Depois disso, já na década de 1930, Pu Yi se tornou imperador fantoche de Manchukuo, quando foi usado pelos japoneses para “comandar” um novo país dentro da China. Na verdade, ele era apenas um chefe decorativo, subserviente ao Japão.
Crédito: Wikimedia Commons
Com a derrota japonesa na guerra em 1945, o último imperador chinês e seu irmão, Pu Jie, foram presos pelos soviéticos e depois pela China Comunista. Apenas em 1959, aos 53 anos, conseguiu se livrar das prisões.
No entanto, depois de uma trajetória movimentada e complexa, Pu Yi conseguiu viver um período de tranquilidade, até morrer em 1967, aos 61 anos, devido a um câncer.
Em sua biografia, "De Imperador a Cidadão", ele escreveu: "No dia 1º de maio eu e minha noiva, Li Shuxian, fomos morar em nossa casinha, e esse lar comum foi para mim uma coisa extraordinária".