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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: Imperialismo Greco-Romano.

 


Bibliografia: GUARINELLO, Norberto Luiz. Imperialismo Greco-Romano. São Paulo, Ática, 1994.

 

O livro "Imperialismo Greco-Romano", escrito pelo historiador brasileiro Norberto Luiz Guarinello e publicado originalmente pela Editora Ática na prestigiada Série Princípios, é uma obra de referência indispensável para estudantes e pesquisadores de História Antiga. O livro destaca-se por romper com o ecletismo teórico comum em manuais antigos, oferecendo uma análise rigorosa e integrada baseada em fontes clássicas diretas.

Abaixo, apresentamos uma resenha detalhada dos principais aspectos da obra:

Tese Central: O Motor Interno do Expansionismo

A grande contribuição de Guarinello nesta obra é o questionamento das interpretações tradicionais que justificavam o expansionismo romano apenas por pressões de política externa ou ameaças de inimigos. O autor propõe um contraponto: as reais motivações do imperialismo estavam enraizadas nas condições sociais e dinâmicas internas da própria sociedade romana.

  • Conflitos de Classes: A expansão territorial e militar funcionava como um mecanismo para mitigar ou direcionar as tensões internas entre patrícios e plebeus, elites e massas.
  • Acumulação de Riquezas: A guerra era tratada como uma atividade econômica planejada. A vitória trazia retornos materiais imediatos essenciais para a manutenção do poder das elites, como a captura de escravos, pilhagem de bens e incorporação de novos territórios (ager publicus).
  • Mecanismo de Justificação: As justificativas ideológicas de "guerra justa" ou de um suposto papel civilizador serviam para legitimar perante a população um processo focado em ganhos materiais e políticos da aristocracia.

Estrutura e Metodologia Científica

  • Rigor com as Fontes Clássicas: Diferente de compilações didáticas que misturam correntes teóricas conflitantes (como marxismo e weberianismo de forma desordenada), Guarinello constrói um argumento coeso. Ele trabalha diretamente com a tradução e interpretação crítica de textos gregos e latinos.
  • Abordagem Didática e Acessível: Como parte de uma coleção voltada para a introdução universitária e paradidática, o texto possui alta densidade de informação sem perder a clareza.
  • Uso de Documentação Comentada: O livro apresenta trechos de documentos de época para que o leitor compreenda como os próprios antigos viam a dominação e o império.

Legado Historiográfico da Obra

Publicado em um momento de renovação dos estudos clássicos no Brasil (final da década de 1980 e início de 1990), o manual ajudou a superar o viés eurocêntrico que encarava o Império Romano cegamente como uma "entidade puramente civilizadora". Guarinello desconstrói essa visão romântica herdada dos imperialismos europeus do século XIX, revelando as engrenagens de exploração, poder e desigualdade que sustentavam a Antiguidade Clássica.

Em suma, "Imperialismo Greco-Romano" é uma leitura essencial, curta e precisa. Ela ensina que para compreender o domínio de Roma sobre o Mar Mediterrâneo, deve-se primeiro olhar para as disputas políticas e econômicas dentro de suas próprias muralhas.

 

Livro: A Vida Quotidiana em Roma no apogeu do Império.

 

Bibliografia: CARCOPINO, Jérôme. A Vida Quotidiana em Roma no apogeu do Império. Coleção A Vida Quotidiana em Todos os Tempos. Lisboa: Livros do Brasil, 1959. 

O livro "A Vida Cotidiana em Roma no Apogeu do Império", escrito pelo historiador francês Jérôme Carcopino e publicado originalmente em 1940, é um clássico que retrata o dia a dia da capital romana nos séculos I e II d.C. A obra foca na vida de seus habitantes comuns.

Abaixo, veja os principais pontos e características da obra:

 Foco da Obra

Enquanto a maioria dos relatos históricos foca em imperadores, generais e batalhas, Carcopino volta sua atenção para a sociedade civil. O autor descreve minuciosamente o cotidiano durante o reinado dos imperadores da dinastia Flaviana e dos Antoninos (com ênfase no reinado de Trajano), período de maior opulência e extensão da cidade.

 Estrutura e Conteúdo

O livro é dividido em seções temáticas que reconstroem o ambiente romano, cobrindo os seguintes aspectos:

  • Espaço Urbano e Habitação: Detalha a superlotação, a agitação e o contraste entre as luxuosas domus (casas aristocráticas) e os insalubres insulae (edifícios de apartamentos para a plebe).
  • Sociedade e Hierarquia: Explora a dinâmica entre patrões e clientes, a rígida divisão de classes, a rotina dos escravizados e a importância dos banhos públicos.
  • Higiene e Alimentação: Descreve os horários, os hábitos de higiene nos famosos banhos romanos e o que as diferentes classes sociais comiam.
  • Lazer e Religião: Aborda a paixão popular pelos espetáculos violentos (corridas de bigas no Circo Máximo e lutas de gladiadores no Coliseu) e a onipresença dos cultos e rituais religiosos no dia a dia.

 Principais Méritos

  • Riqueza de Detalhes: Carcopino utiliza fontes literárias, jurídicas e arqueológicas para detalhar o funcionamento do trânsito, a moda, o sistema de aquecimento e até mesmo os horários da cidade.
  • Viagem no Tempo: A narrativa é imersiva e consegue transportar o leitor para o barulho e a efervescência das ruas de Roma há dois mil anos.

 Críticas e Contexto Histórico

  • Visão Eurocêntrica Antiga: Escrito antes de grandes revoluções metodológicas da historiografia (como a Nova História francesa), o livro dá pouca voz aos marginalizados e reflete algumas perspectivas do período em que foi escrito.
  • Estilo Literário: A prosa é robusta, mas exige um leitor disposto a acompanhar descrições longas e ensaísticas.

 

Livro: A História Secreta de Roma.

 


O livro "A História Secreta de Roma", escrito pelo jornalista Sérgio Pereira Couto e publicado pela editora Universo dos Livros, funciona mais como um guia introdutório do que como uma revelação de mistérios inéditos.

Resumo e Conteúdo

A obra é frequentemente descrita como um material de apoio para entusiastas da série de TV "Roma" (produzida pela HBO). O autor utiliza o enredo da série como gancho para explicar o contexto histórico real e comparar o que é ficção com o que de fato aconteceu.

O livro aborda:

  • Personagens Centrais: Traz resumos sobre a vida de figuras icônicas como Júlio César, Marco Antônio, Cleópatra, Brutus e Pompeu Magno.
  • Ascensão e Poder: Explora como uma pequena aldeia italiana se transformou em um dos impérios mais influentes da civilização moderna.
  • Acontecimentos: Foca nos principais eventos políticos e militares citados na produção televisiva.

Crítica e Perfil

  • Expectativa vs. Realidade: Leitores no Skoob alertam que o título pode ser "ilusório", pois o conteúdo apresenta informações básicas e não propriamente segredos recém-descobertos.
  • Linguagem: Como Sérgio Pereira Couto é um jornalista especializado em história e curiosidades, o texto é acessível e dinâmico, voltado para o grande público e não apenas para acadêmicos.
  • Recomendação: É uma boa leitura para quem está começando a se interessar por Roma Antiga ou quer entender melhor as referências históricas de obras de ficção da época.

 

Livro: Deuses Túmulos e Sábios. De: C.W. Ceram.

 


BIBLIOGRAFIA: CERAM, C. W. Deuses Túmulos e Sábios. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1960.    

Deuses, Túmulos e Sábios, escrito pelo jornalista alemão C. W. Ceram (pseudônimo de Kurt Wilhelm Marek) e publicado originalmente em 1949, é amplamente considerado a maior obra de divulgação científica sobre a história da arqueologia. Com o subtítulo "O Romance da Arqueologia", o livro transforma relatórios técnicos e escavações áridas em uma narrativa de aventura eletrizante. A obra aproxima o leitor leigo dos mistérios do passado sem abrir mão do rigor histórico.

Visão Geral e Estrutura

O livro não foca nas civilizações em si, mas sim na jornada humana para redescobri-las. Ceram divide o volume em quatro grandes seções temáticas e geográficas:

  • O Livro das Estátuas (Grécia e Roma): Explora o renascimento do passado clássico, destacando a escavação de Pompeia e a obsessão de Heinrich Schliemann. Este último usou a Ilíada de Homero como mapa para provar que a cidade de Tróia realmente existiu.
  • O Livro das Pirâmides (Egito Antigo): Detalha a corrida pelo Vale dos Reis. Aborda desde a decifração dos hieróglifos por Jean-François Champollion usando a Pedra de Roseta até o momento em que Howard Carter abriu a tumba intacta de Tutancâmon.
  • O Livro das Torres (Mesopotâmia): Investiga as civilizações assíria, babilônica e suméria. Revela a busca pela Torre de Babel, a cidade de Nínive e a tradução da escrita cuneiforme na Epopeia de Gilgamesh.
  • O Livro das Escadas (Américas): Dedica-se às civilizações pré-colombianas, narrando a descoberta de cidades perdidas na selva por exploradores como Edward Thompson em Chichén Itzá, além dos mistérios dos povos maias e astecas.

Análise Crítica: Pontos Fortes

  • Narrativa Envolvente: O autor utiliza ganchos literários que transformam os arqueólogos em heróis e aventureiros, capturando a atenção de leitores de todas as idades.
  • Humanização dos Cientistas: Em vez de focar apenas em datas, o livro expõe as obsessões, rivalidades, misérias, intuições brilhantes e falhas dos pioneiros da arqueologia.
  • Porta de Entrada Perfeita: Funciona como uma excelente introdução histórica para não especialistas, despertando o interesse genuíno pela ciência.

Pontos de Atenção (Contexto Atual)

  • Visão Romantizada: A arqueologia moderna é uma ciência de laboratório altamente minuciosa. O livro, contudo, foca na era "heroica" (e muitas vezes destrutiva) dos caçadores de tesouros do século XIX.
  • Eurocentrismo: Escrito em meados do século XX, o texto adota o olhar do Ocidente moderno descobrindo o "exótico" Oriente ou as Américas, uma perspectiva que hoje é debatida e revisada pelos historiadores.

Veredito

Mesmo após décadas de sua publicação original, Deuses, Túmulos e Sábios permanece um clássico absoluto e atemporal. É uma leitura obrigatória para qualquer pessoa fascinada por mistérios, história antiga ou pela persistência humana em desvendar o desconhecido

 

Livro: Mundo Greco-Romano arte, mitologia e sociedade. De: Moacyr Flores.



BIBLIOGRAFIA: FLORES, Moacyr. Mundo Greco-Romano arte, mitologia e sociedade. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2000.

O livro Mundo Greco-Romano: Arte, Mitologia e Sociedade, organizado pelo historiador gaúcho Moacyr Flores e publicado pela EDIPUCRS, é uma obra introdutória essencial para compreender os pilares da Antiguidade Clássica. O volume funciona como uma coletânea rica e acessível que reúne palestras proferidas originalmente em um curso de extensão universitária realizado na PUCRS pelo professor Harry Bellomo.

Estrutura e Proposta da Obra

Com cerca de 134 páginas, a obra destaca-se pela concisão e alta densidade de informação. Seu principal objetivo é responder a perguntas práticas sobre o cotidiano, a mentalidade e o legado das duas maiores potências da cultura ocidental: Grécia e Roma.

O livro divide-se em eixos temáticos fundamentais:

  • Mitologia: Explora a transição do pensamento mítico para a racionalidade filosófica. Destaca-se o capítulo escrito por Harry Rodrigues Bellomo, que conceitua as funções do mito nas sociedades antigas.
  • Arte e Estética: Analisa as manifestações visuais e arquitetônicas, evidenciando como os romanos absorveram e transformaram os padrões artísticos e os deuses gregos.
  • Sociedade e Cotidiano: Investiga a estrutura política, as dinâmicas sociais básicas, a economia e os cultos domésticos cotidianos.

Análise Crítica: Pontos Fortes e Limitações

  • Linguagem Acessível: Por ter origem em palestras acadêmicas voltadas à extensão, o texto evita o jargão excessivo. É uma excelente porta de entrada para estudantes e entusiastas de História Antiga.
  • Visão Interdisciplinar: O livro conecta com sucesso religião, organização sociopolítica e expressão artística, sem isolar esses temas.
  • Escopo Introdutório: Devido ao número reduzido de páginas, o leitor avançado pode sentir falta de um aprofundamento crítico ou debate historiográfico mais denso sobre temas específicos.

Considerações Finais

Mundo Greco-Romano: Arte, Mitologia e Sociedade cumpre perfeitamente o papel de manual didático e panorâmico. Sob a coordenação precisa de Moacyr Flores, o livro sintetiza séculos de história em uma leitura dinâmica, ideal para quem deseja construir uma base sólida sobre as origens da civilização ocidental.

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

O Coliseu de Roma.

 


O Coliseu era assim.


O Coliseu está assim.
Ou Anfiteatro Flávio, localizado entre os Montes Palatino, Célio e Esquilino, onde era situado o lago artificial da Domus Aurea de Nero. Iniciado pelo Imperador Vespasiano, após o ano 70 d.C., mas foi inaugurado no período de Tito no ano 80 com uma série de espetáculos que duravam 100 dias. Foram assassinadas mais de 5.000 feras. Os 80 arcos eram numerados com uma sequencia que correspondia ao número marcado do bilhete de entrada dos espectadores. Mais de 160 saídas chamadas “vomitória” que levavam as arquibancadas ao redor da arena. Próximo ao Coliseu tinha uma imensa estátua chamada de Colosso de Nero, em bronze, dourado, obra do escultor grego Zenodoro.


No interior havia a arena e o piso era forrado por um tablado de madeira coberto por areia. A arquibancada era subdividida em 3 setores. A quarta zona ficava acima e o púbico ficava em pé. Cada setor era para cada categoria de cidadão, separado de acordo com o grau de importância social, por mais que o ingresso fosse gratuito para todos. Podia comportar 70.000 pessoas. Os espectadores assistiam combate entre gladiadores, ou a caça com feras. Havia uma lona que protegia as pessoas do sol, puxadas por marinheiros da frota militar de Miseno, do golfo de Nápoles. A grade de proteção em torno da arena era feita com uma rede metálica com traves de afiados dentes de elefantes. A segurança também era feita por vários arqueiros posicionados em torno do teatro.


O último espetáculo que se sabe, parece ter ocorrido em 523 d.C., durante o período de Teodorico, rei dos Godos. Somente com caça aos animais, porque as lutas entre gladiadores foram abolidas em 438. Em baixo da arena, havia um complexo de passagens subterrâneas construídas no período de Domiciano. Para transportar os animais era preciso empurrá-los através de corredores, feita pelos “bestiários”, profissionais especializados em feras.


As vezes eram soltos na arena 100 leões. A platéia ficava em silêncio com o medo do rugido das feras. Os gladiadores entravam por uma passagem corredor chamada de “quartel”.


A praça da estátua era assim.


A praça do Coliseu ganhou um Templo de Vênus, projetado pelo imperador Adriano no ano 135 d.C.. Reformado por Massêncio depois de um grave incêndio em 310 d.C.. O Arco de Constantino foi feito em 312 d.C. para homenagear o imperador que libertara Roma do Tirano Massêncio, derrotado na Batalha de Ponte Mílvio. Sua decoração possuía estátuas de Trajano, Adriano e Marco Aurélio.

Fonte: Guia de Reconstrução, Roma, monumentos, no passado e no presente, como era e como é, edizione portoghese, R.A. Staccioli.


O Coliseu a noite.




O Coliseu a noite.


O Coliseu no inverno.



Coliseu por dentro.


Coliseu por dentro.


Coliseu por dentro.


Coliseu por dentro.


Visita do Presidente da Turquia ao Coliseu em Roma.


Meu aluno João da 6ª me deu um desenho do Coliseu para levar junto na viagem


Vista do Coliseu.


Vista do Coliseu.


 Templo di Venere ao fundo.



Mapa do Império de Constantino nas paredes internas do Coliseu.

Imagens atualizadas em 2014.

Boa pesquisa.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Ínsula: os apartamentos da Roma antiga.

ÍNSULA: CONHEÇA OS SURPREENDENTES APARTAMENTOS DA ROMA ANTIGA

Com nove andares — e até mesmo sendo expandidas ilegalmente —, as ínsulas abrigavam grande parte dos romanos
REDAÇÃO PUBLICADO EM 20/07/2020
Representação de uma ínsula
Representação de uma ínsula - Divulgação/Youtube/Alex Martire
Edifício condomínio residencial não é o que as pessoas trazem à mente ao imaginar a vida na capital da Europa no século 1. Mas era exatamente assim como vivia a grande maioria dos 1 milhão que Roma abrigou em seu auge.
Segundo registros romanos, no século 4, havia até 46 mil insulae (insula no plural) na cidade, versus menos de 2 mil domus, as mansões dos ricos. O nome quer dizer “ilha”, e era originalmente usado para denominar os quarteirões, que são como ilhas entre as ruas.
Os edifícios de apartamentos ganharam esse nome porque geralmente ocupavam o quarteirão inteiro. Exceto pelos mais ricos, todo mundo morava num deles, e eram uma indústria. Marco Licínio Crasso, aliado e financiador de Júlio César, era o homem mais rico de Roma e devia boa parte de sua riqueza à sua especulação imobiliária com as múltiplas ínsulas que alugava.
Cícero afirmou que, quando os prédios caíam pela economia que Crasso fazia na construção, ele ficava feliz, pois poderia cobrar um aluguel maior com as novas que construiria no lugar. Crasso também tinha um serviço de bombeiros para atender as ínsulas – por um preço.
Uma ínsula podia ter até nove andares ou mais, às vezes expandidos ilegalmente, com os últimos podendo ser extensões de madeira, que facilmente pegavam fogo. Eram sempre prédios largos, ocupando todo o quarteirão.
Quanto mais alto... pior.
Para os romanos, quanto mais alto, pior. Não havia elevador, nem, geralmente, água ou esgoto nos últimos andares. Particularmente sinistro em caso de incêndios – as mangueiras dos bombeiros (vigiles) não tinham pressão para atingi-los.
Conforme se chegava mais perto do solo, os apartamentos aumentavam de tamanho, conforto e preço. Em alguns lugares, porém, as ínsulas inteiras podiam ter condições razoáveis. Na ínsula de Herculano, o esgoto era instalado até o último andar.
No andar mais baixo, as condições eram muito mais confortáveis. Nem sempre esse “luxo” era reservado à classe média alta. Era comum que os romanos sublocassem seus apartamentos, criando cortiços – e um transtorno para os donos e as autoridades.
No solo, geralmente havia negócios diversos. A cozinha doméstica era um luxo raríssimo, e um enorme risco numa ínsula. A maioria dos romanos comprava comida fora, nos thermopolia, os precursores dos restaurantes modernos.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

A origem da expressão "todos os caminhos levam a Roma".

A CURIOSA ORIGEM DA EXPRESSÃO “TODOS OS CAMINHOS LEVAM A ROMA”

Quando queremos dizer que todas as alternativas têm a mesma solução, costumamos usar o antigo ditado
ADRIANA KUCHLER PUBLICADO EM 17/07/2020
Pintura mostra O Panteão e outros monumentos de Roma
Pintura mostra O Panteão e outros monumentos de Roma - Wikimedia Commons/Giovanni Paolo Panini
Hoje em dia, os caminhos terrestres, aéreos ou marítimos levam viajantes a qualquer lugar. A tradição vem, é claro, dos tempos da antiga Roma, quando a cidade dos césares era o umbigo do mundo. “No século 1, quando o Império ia da Bretanha (na atual Inglaterra) à Pérsia (no atual Irã), Roma chegou a ter 80 mil quilômetros de estradas”, afirma a historiadora Maria Luiza Corassin, autora dos livros Sociedade e Política na Roma Antiga e A Reforma Agrária na Roma Antiga.
Mas as vias romanas não eram como as atuais, nem seus propósitos eram os mesmos. “Elas não se destinavam ao transporte de pessoas e cargas. Chamadas de cursus publicus, eram muito mais um meio de comunicação, por onde mensageiros levavam ordens de um canto a outro do império”, diz. Segundo Maria Luiza, esse correio era tão eficiente que podia percorrer 270 quilômetros em um dia, marca que não foi superada na Europa até o século 19.
As estradas romanas eram verdadeiros prodígios para a engenharia da época – com pedras e cimento acomodados sobre leitos aplainados e aterrados. As vias eram traçadas sempre em linha reta e passavam por cima de lagos, pântanos e montanhas. As pedras para o calçamento tinha superfícies curvas para facilitar a drenagem, outra novidade para aqueles tempos. Ao largo delas havia postos de parada e descanso para guarnições militares.
Testemunhas do poder, da tecnologia e do espírito conquistador dos romanos, essas estradas não resistiram, porém, às invasões bárbaras a partir do século 3. Anos depois da queda definitiva do Império Romano do Ocidente, em 476, as pedras cortadas e polidas com precisão foram utilizadas para erguer os castelos medievais. Mas vestígios de algumas dessas estradas ainda podem ser vistos na Bretanha, por exemplo, ou em Roma, onde a principal delas, a Via Ápia, ainda recebe todos os anos milhões de turistas e visitantes.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

"É impossível que este seja o túmulo de Rômulo", afirma arqueóloga sobre descoberta da cova do primeiro Imperador de Roma.

"É IMPOSSÍVEL QUE ESTE SEJA O TÚMULO DE RÔMULO", AFIRMA ARQUEÓLOGA SOBRE DESCOBERTA DA COVA DO PRIMEIRO IMPERADOR DE ROMA

Segundo a polêmica fala da pesquisadora, o objeto encontrado em Roma não era a sepultura oficial do suposto fundador da antiga cidade
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 03/03/2020
Rômulo de Roma
Rômulo de Roma - Wikimedia Commons
Uma arqueóloga italiana afirmou duramente que a recente descoberta do túmulo de Rômulo, fundador de Roma, não é um sepultamento fúnebre, mas um espaço de memória que imita um sarcófago, ou cenotáfio. Segundo Alfonsina Russo, diretora do Parque Arqueológico do Coliseu, trata-se de “um monumento à memória que remonta ao fundador de Roma", como afirmou em coletiva. "Não é o túmulo, inclusive porque algumas fontes dizem que Rômulo foi morto e despedaçado, enquanto outras dizem que ele assumiu como o deus Quirinus no céu. Portanto, é impossível que este seja o túmulo de Rômulo". Ela ainda afirmou, após fala polêmica, que o "parque disponibilizará dados de pesquisa para os estudiosos". 
Rômulo / Crédito: Getty Images
O caso gerou grande mobilização da imprensa, após afirmar-se que fora escavado no interior do Fórum Romano um hipogeu (monumento funerário subterrâneo) logo abaixo da Cúria Júlia. Um tanque interpretado como um sarcófago estava disposto logo acima de um ladeado circular, possivelmente a base de um altar. As escavações no local voltarão a acontecer em abril, o que poderá fornecer mais informações sobre esse polêmico lugar. "Vamos ver o que sai, ainda esperamos surpresas", revelou, animada, Russo. A pesquisadora Patrizia Fortini, responsável pela investigação original, ainda parece defender a tese do hipogeu no lugar do cenotáfio, afirmando que o sepultamento teria ocorrido muito próximo de onde se relata que Rômulo morreu.
Abaixo, reportagem com o mesmo tema, mas com fonte diferente.

ROMA ANTIGA

Arqueólogos encontraram um sarcófago e um altar nas ruínas de um antigo templo em Roma. De acordo com os especialistas, o local era louvado como sendo o túmulo de Rômulo, lendário fundador da cidade. Os tesouros arqueológicos foram descobertos abaixo do Fórum Romano, coração político da antiga civilização. 
Apesar de os antigos romanos cultivarem o templo do século VI a.C como a sepultura de Rômulo, o sarcófago encontrado pelos arqueólogos estava vazio. Na verdade, nem mesmo a existência histórica dele é comprovada. Segundo a lenda, Rômulo e seu irmão gêmeo Remo eram filhos do deus Marte e de Reia Sílvia, filha de Numitor, rei deposto da cidade de Alba Longa. 
O pai de Reia havia sido deposto por seu irmão Amúlio, que matou os filhos dele e obrigou a jovem a se tornar sacerdotisa. Por ter engravidado, foi punida: seus filhos foram jogados no rio Tibre em um cesto. Milagrosamente as crianças sobreviveram ao serem amamentadas por uma loba. Anos depois, os dois irmãos recolocaram seu avô Numitor no trono e partiram para fundar uma nova cidade. Mas ao se desentenderem sobre o local onde Roma deveria ser construída, Rômulo matou Remo e tornou-se o primeiro rei da cidade.
Os historiadores dizem que, embora a descoberta seja importante, ela representa uma sepultura simbólica e não o local real onde estaria enterrado o fundador da cidade. "Este não é o túmulo de Rômulo, mas um lugar onde sua memória era celebrada, um cenotáfio", disse Alfonsina Russo, diretora do Parque Arqueológico do Coliseu de Roma. O local passará por novos estudos e deve ser aberto ao público daqui a dois anos.

Fontes: BBC e Live Science
Imagens: Parque Arqueológico do Coliseu/Reprodução

Abaixo, reportagem sobre o mesmo tema, mas com fonte diferente. 

ARQUEÓLOGOS ITALIANOS ENCONTRAM POSSÍVEL SARCÓFAGO DEDICADO AO IMPERADOR RÔMULO, O CRIADOR DE ROMA

A extraordinária descoberta foi realizada após análises de anotações feitas pelo arqueólogo Giacomo Boni
DANIELA BAZI PUBLICADO EM 18/02/2020

Ruínas do Fórum Romano
Ruínas do Fórum Romano - Wikimedia Commons

A diretora do Parque Arqueológico do Coliseu Alfonsina Russo, anunciou nesta segunda-feira, 17, a descoberta de um sarcófago dentro do Fórum Romano, na capital do país. Encontrado por pesquisadores italianos, o local era possivelmente ligado ao culto de Rômulo, o criador de Roma.
O sarcófago seria construído próximo ao complexo da Curia-Comizio, área que tinha grande importância religiosa e profética, com  rochas do Campidoglio, e uma largura de aproximadamente 1,4 metro. Segundo Alfonsina, os detalhes serão divulgados na próxima sexta-feira, 21, em uma coletiva de imprensa.

Sarcófago encontrado no Fórum Romano / Crédito: Divulgação


De acordo com os arqueólogos, a descoberta deve pertencer ao século 6 a.C., e foi encontrado devido a uma análise em andamento das documentações feitas no século 19 pelo arqueólogo Giacomo Boni, que deu a hipótese da existência de um grande túmulo em homenagem ao fundador de Roma próximo de Lapis Niger e do Comizio.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Pompeu Magno: o grande guerreiro de Roma.

POMPEU MAGNO: O GRANDE GUERREIRO DE ROMA

Ele foi um líder militar habilidoso, que dominou países e ampliou o poder de Roma. Mas encontrou seu fim diante de Júlio César
FLÁVIA RIBEIRO PUBLICADO EM 18/01/2020
Pompeu Magno
Pompeu Magno - Getty Images
Mais de mil navios piratas tomavam conta do Mediterrâneo e pilhagens e latrocínios aterrorizavam a costa da Itália em 66 a.C. Foi quando 13 grupos de navios romanos atacaram, de surpresa, numa manobra nada simples. Um jovem general, que acabara de receber do Senado poder ilimitado sobre os mares, bolou uma manobra para acabar com os piratas. Seu nome era Cneu Pompeu Magno, ou simplesmente Pompeu. Ele contava com 500 barcos, 120 mil homens e 5 mil cavalos.
Pompeu dividiu o Mediterrâneo em 13 regiões. Se atacasse num só ponto, os piratas teriam tempo de reagir. Se os romanos formassem blocos de soldados pela costa, a surpresa seria tão grande que só restaria aos navios opositores a fuga. A tática de Pompeu deu certo. Os piratas não tiveram como revidar a ofensiva. Muitos escaparam e se refugiaram na Sicília, para onde Pompeu partiu com força máxima. Em 40 dias, o Mediterrâneo estava livre dos que ameaçavam o comércio do Império Romano e mais de 20 mil deles foram capturados.
Esse foi um motivo suficiente para o Senado estabelecer uma lei, a Manília, que dava poder a Pompeu sobre todas as terras fora da Itália. Amparado na legislação, ele partiu para vencer outro grande inimigo de Roma, Mitríades, rei do Ponto (a atual Turquia), e conquistar mais territórios. O general era um militar de hábil senso estratégico e combatia junto com seus soldados no chão ou sobre um cavalo.
Dominava a luta com a espada, o gládio (espada curta) e o pilo (tipo de lança). Nascido em 106 a.C., desde a juventude Pompeu era chamado por senadores para resolver problemas com adversários externos. “Pompeu ia para a frente de combate e obteve popularidade com suas façanhas”, diz Norma Musco Mendes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Pompeu Magno / Crédito: Getty Images

Assim, ele ganhou inimigos poderosos. O maior foi Júlio César, que decidiu lutar pelo posto máximo em Roma. O processo começou quando ele venceu a Guerra da Gália (a atual França). Depois de derrotar os gauleses, César atravessou com suas tropas o Rubicão, rio que separa a Itália da Gália, em direção a Roma. O Senado já o via como uma ameaça, um futuro ditador. Pompeu, mais moderado, teve o Senado a seu lado.
Aos 58 anos, Pompeu recebeu autoridade dos senadores para impedir os planos de César. Mas esse era outro gênio militar. Os dois generais se enfrentaram na Itália, na Espanha e nos Bálcãs – nas três batalhas, Pompeu foi derrotado. Em Farsália (no norte da Grécia), Pompeu teve o revés definitivo, mesmo com uma cavalaria bem armada. Empunhando lanças, os soldados de César se anteciparam ao exército oponente e mataram cerca de 6 mil combatentes, capturando 24 mil homens. Pompeu, depois de 34 anos de vitórias e aos 59 de idade, se viu obrigado a fugir. Escolheu seguir de barco para o Egito.
O rei do Egito era Ptolomeu, de apenas 10 anos. Por isso, o governo era dominado por um conselho formado por Tódoto, Áquila e Potino. Os três, com medo de César, decidiram planejar uma armadilha para Pompeu. Áquila convocou o tribuno Septimio e o centurião Sálvio, e os três foram receber o barco de Pompeu. O general romano passou para o barco dos conspiradores para ser morto a golpes de punhal e espada. Pompeu teve sua cabeça cortada. Ela foi levada a Julio César, que teria ficado indignado com o crime e mandado matar os assassinos de Pompeu. César terminou nomeado ditador de Roma.
Assim era Pompeu.
Estátua de Pomeu / Crédito: Wikimedia Commons

Em 34 anos à frente dos exércitos romanos, ele conquistou a Armênia, a Sicília, a Capadócia, a região ibérica, a Síria, a Mesopotâmia, a Fenícia, a Palestina, a Judéia e a Arábia. No norte da África, as tropas de Pompeu mataram, em apenas uma batalha, cerca de 20 mil inimigos — só 3 mil conseguiram escapar.
Na região do Ponto (atual Turquia), as tropas de Pompeu ocuparam um monte, abandonado pelo rei Mitríades por não ter água. O general romano calculou que, se havia plantas, encontraria água abaixo do solo. Com muita água, teve tempo de decidir como sitiaria Mitríades. Os romanos mataram mais de 10 mil homens. Mitríades fugiu com 800 cavaleiros.
A glória militar do general o fez muito popular. Suas conquistas se reverteram em terras, escravos, bens e novas rotas comerciais que geraram riqueza e prosperidade para os cidadãos romanos. Por isso, Pompeu era literalmente festejado pelo povão: em sua homenagem, o Senado ordenava grandes festejos.