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domingo, 30 de agosto de 2020

A saga do indiano Abdul Karim na corte da Rainha Vitória.

 BRIGA REAL: A CONTURBADA SAGA DO INDIANO ABDUL KARIM NA CORTE DA RAINHA VITÓRIA

Considerado o criado preferido da soberana, o rapaz despertou a indignação e fúria dos membros da Casa Real

REDAÇÃO PUBLICADO EM 30/08/2020

Retrato oficial de Abdul Karim, em 1888
Retrato oficial de Abdul Karim, em 1888 - Wikimedia Commons

Mohammed Abdul Karim, mais conhecido como Munshi, foi um assistente indiano da Rainha Vitória, que serviu a monarca durante 14 anos. Ao longo do tempo, o rapaz conquistou a afeição maternal da soberana, até que ela o nomeou como seu secretário e lhe concedeu terras na Índia. Entretanto, a estreita relação ocasionou em atritos na corte. 

Nascido em uma família muçulmana em Lalitpur, no ano de 1863, Mohammed Abdul Karim era filho de Haji Mohammed Waziruddin, assistente de hospital. Munshi aprendeu a falar persa e urdu e chegou a trabalhar como vakil — espécie de agente — para o Nawab de Jaora no Agência de Agar. Mais tarde atuou como escrivão vernáculo em uma prisão de Agra. 

Em 1886, alguns presidiários viajaram à Londres para demonstrar a tecelagem de tapetes na Exposição Colonial e Indiana, em South Kensington. Abdul Karim, por sua vez, ajudou o superintendente do presídio, John Tyler, a organizar a viagem e a selecionar os tapetes e tecelões. 

Em Londres, Tyler presenteou a Rainha Vitória com duas pulseiras de ouro, que foram escolhidas com a ajuda de Abdul Karim. A soberana, que tinha interesses nos territórios indianos, pediu ao superintendente que recrutasse duas pessoas para serem seus empregados durante um ano. Abdul Karim, foi o escolhido e teve que ser treinado às pressas. 

Rápida ascensão na corte

Assim como combinado com a rainha, em junho de 1887, Abdul Karim desembarcou no Castelo de Windsor. Sob o comando do Major-General Dennehy, o rapaz serviu a monarca que descreveu em seu diário: "O outro, muito mais jovem, é muito mais leve [do que Buksh], alto e com um semblante sério e bonito. Seu pai é um médico nativo em Agra. Os dois beijaram meus pés".  

Retrato da Rainha Vitória / Crédito: Getty Images

 

Em pouco tempo a Rainha Vitóri ademonstrou afeição por Karim e ordenou que o ensinassem a falar a língua inglesa. Um ano depois, o rapaz foi promovido de cargo: "Eu particularmente desejo manter seus serviços, pois ele me ajuda no estudo do Hindustani, o que me interessa muito, e ele é muito inteligente", escreveu a monarca em seu diário. 

Segundo a biógrafa de Karim, Sushila Anand, ele se tornou o primeiro escriturário pessoal indiano da rainha e com o passar tempo Vitória criou uma forte conexão com o rapaz, que se tornou uma espécie de confidente. Mais tarde, Karim era responsável por outros servos indianos e suas contas.

Além disso, o assistente da rainha foi realocado para ocupar o antigo quarto de John Brown — criado favorito de Vitória, que morreu anos antes. Entretanto, a rápida ascensão de Karim gerou tensão entre os membros da Casa Real, que se recusavam a tratá-lo amigavelmente. A situação se agravou quando Albert Edward, Príncipe de Gales (mais tarde Eduardo VII), convidou a rainha para a sua casa em Sandringham.

Na ocasião, Karim recebeu um assento ao lado dos demais criados da corte. Insultado com a situação, o rapaz se retirou do local, e a rainha, por sua vez, ficou ao seu lado. Outra pessoa que não gostou nada dessa relação foi o filho da rainha, o Príncipe Arthur, Duque de Connaught e Strathearn, que chegou a criticá-lo para o secretário particular da rainha.

Desavenças na Casa Real

Boa parte dos moradores da Casa Real demonstravam repúdio e indignação pela maneira como a soberana tratava o criado indiano. As desconfianças contra Karim aumentaram quando o cunhado do rapaz vendeu um dos broches de Vitória para um joalheiro em Windsor. Entretanto, ela não viu maldade no ato, embora todos acreditassem que ele havia a roubado. 

Em julho de 1889, um mês após o incidente, Karim passou a usar uma sala de estar privativa, para o desconforto dos outros moradores do castelo. No mesmo ano, Vitória escreveu à Lord Lansdowne, sob influência de Karim, para que Tyler fosse promovido de cargo. Após a insistência da monarca, o rapaz foi nomeado como Inspetor Geral Interino das Prisões. 

 Pintura real de Abdul Karim / Crédito: Wikimedia Commons

 

No início de 1890, Karim ficou gravemente doente. Preocupada com a saúde de seu assistente, a rainha ordenou que o médico real da família cuidasse de sua saúde. Após o especialista operar o rapaz, Vitória passou a visitá-lo duas vezes ao dia, para averiguar o seu estado de saúde. 

Após a recuperação de Karim, a rainha ordenou que o artista Heinrich von Angeli pintasse um retrato do indiano. Em julho daquele mesmo ano, ela concedeu terras na Índia para o confidente, pois não confiava em sua família para cuidar dele após a sua morte. Com o passar do tempo, Karim e a monarca passaram a trocar correspondências, que eram assinadas pelo rapaz em urdu. A rainha, por sua vez, assinava as cartas como "sua mãe afetuosa, VRI" ou "sua mãe verdadeiramente dedicada e amorosa, VRI". 

Cada vez mais os membros da Casa Real passaram a destratar Karim e chegaram a suspeitar que ele pudesse ter ligação com Rafiuddin Ahmed, um ativista político indiano residente em Londres que estava ligado à Liga Patriótica Muçulmana. No entanto, nunca comprovaram nenhuma das acusações contra Karim.

Últimos anos de vida

Em 1899, em seu 80º aniversário, Vitória nomeou Karim como comandante da ordem, isto é, um intermediário de patente e cavaleiro, entretanto, naquele mesmo ano, o rapaz retornou à Índia. Um ano mais tarde, ele foi até Londres, onde se deparou com a rainha visivelmente debilitada.

Após a morte da monarca, seu filho, Edward VII, dispensou Karim e seus parentes da corte, no entanto, permitiu que ele fosse o último a ver o corpo da soberana. Além disso, boa parte das correspondências trocadas entre ambos foram queimadas e Karim voltou para Índia. 

Em 1909, ele veio a falecer, aos 46 anos de idade, em sua propriedade em Agra. Karim deixou duas esposas e como não tinha filhos, seus sobrinhos e demais parentes, herdaram suas riquezas e propriedades.

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/briga-real-a-conturbada-saga-do-indiano-abdul-karim-na-corte-da-rainha-vitoria

sábado, 7 de março de 2020

Encontro de dinastias: a reação inesperada da Rainha Vitória ao conhecer Dom Pedro II.

ENCONTRO DE DINASTIAS: A REAÇÃO INESPERADA DA RAINHA VITÓRIA AO CONHECER DOM PEDRO II

Em 1871, dois dos principais e mais longevos monarcas do mundo se encontraram, no entanto, a monarca foi surpreendida com uma das características do brasileiro
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 07/03/2020
Dom Pedro II e Rainha Vitória em pinturas oficiais
Dom Pedro II e Rainha Vitória em pinturas oficiais - Wikimedia Commons
Entre os líderes monárquicos do século 19, poucos se prestigiaram e governaram mais que o Imperador do Brasil, dom Pedro II, e a Rainha da Inglaterra, Vitória. As duas figuras icônicas foram mandatários de seus países por décadas se encontraram em duas ocasiões.
Os encontros ocorreram em uma das jornadas do monarca brasileiro pelo mundo, segundo constata o jornalista histórico Laurentino Gomes, que comentou o caso em sua conta oficial no Facebook. “D. Pedro II se encontrou duas vezes com a rainha Vitoria na viagem que fez a Londres em junho de 1871”.
Com apenas 45 anos naquela época (apesar de, nas anotações da rainha britânica, constar erroneamente que ele tinha 44), ele surpreendeu Vitória, que o achou, apesar de bonito e simpático, muito envelhecido e grisalho para sua idade.
Dom Pedro II viajou para muitos lugares da Europa / Crédito: Domínio Público

Segundo Laurentino, essas foram as palavras de Vitória em seu diário pessoal (traduzidos do original em inglês): “Muito alto, largo e robusto, um homem bonito, mas muito grisalho, embora com apenas 44 anos… O Imperador anda por toda parte e vê tudo, mas não vai para dentro da sociedade. Ele levanta 5 e já sai às 6”.
Dom Pedro, durante seu governo, realizou diversas viagens ao redor do mundo, conhecendo diversos líderes mundiais diferentes em seus momentos de pausa da vida pública (característica, inclusive, que foi criticada pela população, que não via sentido em um monarca usar dinheiro da Casa Real para viajar no lugar de governar). Reconhecido e admirado em diversos locais por onde passou, Pedro era tido como um líder amigável.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Sara Forbes Bonetta: a Princesa Africana que foi dada de presente para a Rainha Vitória.

SARA FORBES BONETTA: A PRINCESA AFRICANA QUE FOI DADA DE PRESENTE PARA A RAINHA VITÓRIA

A pequena descendente capturada da tribo Egbado pelo rei Ghezo foi entregue em 1850 para a monarca britânica como "um presente do Rei dos negros à Rainha dos brancos”
DANIELA BAZI PUBLICADO EM 29/02/2020
Sara Forbes Bonetta, princesa da tribo Egbado
Sara Forbes Bonetta, princesa da tribo Egbado - Wikimedia Commons
Sara Forbes Bonetta, inicialmente chamada como Aina, nasceu por volta de 1843 em Oke-Odan, na Nigéria, era membro da família real da tribo Egbado e ficou reconhecida após ser dada de presente para a rainha Vitória na década de 1850.
No ano de 1848, com apenas cinco anos, a jovem Aina presenciou sua aldeia ser invadida pelo exército do reino de Daomé, que causou a morte de seus pais. Após se tornar órfã, a garota foi levada como escrava para a corte do rei Ghezo, e rumores da época dizem que ela também teria sido capturada com o objetivo de servir como sacrifício humano.
Sara Forbes Bonetta / Crédito: Domínio Público

Entretanto, no ano de 1850, o capitão britânico Frederick E. Forbes, que havia recém chegado à corte africana, conseguiu resgatá-la após convencer o monarca a enviar a criança como um presente para a rainha Vitória, mesmo com a escravidão já tendo sido abolida na Inglaterra em 1834.
Segundo Frederick “Ela seria um presente do Rei dos negros à Rainha dos brancos”. O militar acabou a renomeando com seu próprio sobrenome, tornando-a Sara Forbes Bonetta, sendo Bonetta uma homenagem a seu navio, o HMS Bonetta.
A rainha Vitória e o príncipe Albert ficaram extremamente surpresos com o presente inusitado, e acolheram a garota no Palácio de Windsor, financiando seus estudos em uma escola na região de Freetown, em Serra Leoa, quando a mesma tinha oito anos.
Rainha Vitória, interpretada por Jenna Coleman, e Sara Forbes Bonetta, interpretada por Zaris-Angel Hator, na série Vitória / Crédito: Divulgação

Apesar de receber uma educação de qualidade, a princesa se sentia muito infeliz e retornou para a Inglaterra em 1855, já com 12 anos. Em pouco tempo, a nova Sara se tornou fluente em inglês e demonstrou um grande talento para a música, impressionando cada vez mais a monarca que a nomeou como sua afilhada.
No ano de 1862, Vitória arranjou um casamento para Bonetta com o capitão africano James Pinson Labulo Davies, 15 anos mais velho que a garota. Além de ser marinheiro, o homem também atuava como comerciante, empresário, estadista, filantropo e chegou a dar aulas para a jovem durante sua estadia em Freetown.
Sara e seu marido, James Pinson Labulo Davies / Crédito: Wikimedia Commons

Eles acabaram se casando em agosto do mesmo ano e mudaram-se para a Nigéria, tendo três filhos: Victoria Davies, em 1863, Stella, em 1873, e Arthur Davies, em 1871. Apesar da distância, Forbes continuou a manter contato com a rainha, tendo a visitado em 1867 para lhe apresentar sua filha mais velha, que também se tornou afilhada da soberana.
Sara morreu em 4 de agosto de 1880, aos 37 anos, após contrair tuberculose. Em sua homenagem, seu marido acabou erguendo um obelisco de dois metros e meio para preservar sua memória.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Escândalo na corte: a singular amizade entre a Rainha Vitória e o servo Abdul Karim.

ESCÂNDALO NA CORTE: A SINGULAR AMIZADE ENTRE A RAINHA VITÓRIA E O SERVO ABDUL KARIM

A relação se tornou uma das maiores polêmicas da corte britânica, que tentou apagar o episódio por puro preconceito
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 17/02/2020
Abdul e Vitória
Abdul e Vitória - Crédito: Reprodução
Após um esforço realizado pela corte britânica, uma singular amizade foi apagada da História por muito tempo. Trata-se da relação desenvolvida entre a Rainha do Reino Unido, Alexandrina Victória, ou Rainha Vitória, e seu criado da Índia Britânica, o servo Adbul Karim.
O episódio é conhecido atualmente graças à influência da escritora Shrabani Basu, que se deparou com um relato dessa história em um livro e, depois, encontrou um retrato de Abdul numa exposição na Casa de Veraneio da Rainha. A imagem era estranha: Abdul, mesmo servo da rainha, vestia-se como um nobre.
Basu encontrou um dos poucos retratos conhecidos que sobreviveram à grande queima de arquivos promovida pela nobreza inglesa para apagar da História a imagem do servo, que foi o confidente da monarca mais poderosa de sua época.
Estudos sobre Vitória indicam que Abdul chegou à Inglaterra num momento vazio de sua vida. Isso porque seu servo favorito, o escocês John Brown, havia morrido quatro anos antes. Abdul, que era um funcionário qualquer da Prisão da Índia, tornou-se a principal referência pessoal da rainha, que o chamou de Indian Jon Brown.
Abdul em 1893 / Crédito: Historic England Archive

Abdul fomentava diversos interesses da Rainha, que cada vez mais admirava características do servo e de sua cultura. Impressionava-se com a cultura, a comida, a língua de Abdul, além de admirar o relacionamento de seu próximo com a religião e deus. Não demorou muito para que a monarca se interessasse em aprender a língua hindi com Abdul.
Entretanto, o servo não gozava da mesma felicidade que a Rainha Vitória, pois sua vontade era a de retornar a seu país, continuar entre iguais e não mais entre os homens brancos, estrangeiros e colonizadores.
Em terra estranha, Abdul queria voltar à Índia. Tentando fazer com que seu servo continuasse na Inglaterra, Vitória, lhe ofereceu todas as honrarias possíveis. Deu a ele o status de nobreza e o declarou Munshi (professor).
Diante da situação, Karim aproveitou a abertura e pediu que a rainha o ajudasse com o sustento de sua família. Conseguiu uma pensão para o pai e uma reformulação em seu emprego, para que pudesse manter a esposa (mão de Abdul) e a prole.
Rainha Vitória / Crédito: Reprodução

Karim, então, concordou em ficar próximo da monarca. Entretanto, isso conturbou o ambiente da corte - que não sentia o mesmo prazer da rainha nessa relação entre um nobre e um servo. O ultraje e o ciúme da Família Real ficaram cada vez mais tensos. Munshi estava sempre com Vitória, viajou com ela pela Europa e era seu braço direito em banquetes e festas.
Para muitos da corte, era ultrajante o tratamento de um ente do terceiro mundo, como membro da realeza. Arthur, que era príncipe, deixava claro a sua indignação. Os tribunais mostravam-se perturbados pela etnia de Karim. Enquanto isso, ele continuava sentado na mesa dos poderosos.
Quando a rainha morreu, em 1901, o servo estava completamente vulnerável aos ataques da Família Real. O Rei Eduardo VII ordenou o confisco de todas as correspondências e fotografias compartilhadas entre Abdul Karim e a Rainha. O serviçal foi obrigado a assistir à queima das cartas e de todos os registros da participação dele na vida política da monarquia.
Funeral da Rainha Vitória / Crédito: Reprodução

O Munshi foi enviado para a Índia e todos os servos indianos foram expulsos da corte. Tudo que remetia à imagética oriental também foi banido.
Para os sábios indianos que residiam na Inglaterra, restaram os tribunais racistas e hostis que os queriam o mais longe possível. Esses tribunais, que foram responsáveis pela finalização da queima de arquivo com o objetivo de apagar Munshi da História, registram o caso indicando que Abdul era um aproveitador arrogante que usava a rainha.
Para o desgosto dos britânicos, Abdul retornou à Índia satisfeito. Lá se apossou de um largo terreno e viveu o resto da vida de maneira confortável na Índia, ao lado de sua esposa.

quarta-feira, 13 de maio de 1992

Museu da Rainha Victoria e Alberto em Londres.


Victoria and Albert Museum, Londres, Reino Unido
O Victoria and Albert Museum é um museu de artes e ofícios. A extensa coleção inclui itens que são produtos das civilizações e culturas mais desenvolvidas que foram criadas ao longo de 5.000 anos em diferentes continentes.
Os visitantes podem admirar esculturas, pinturas, fotografias, cerâmicas e vidros, móveis, tecidos, vestidos, joias, livros. Um total de aprox. 4,5 milhões de itens. O museu possui uma das mais numerosas coleções de arte asiática do mundo. Destacam-se também as pinturas de John Constable, paisagista inglês, esboços de Rafael, o Hall of Castings com moldes de gesso de obras-primas europeias, incluindo a coluna de Trajano.







































Boa pesquisa.