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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: Contos Jataka.



Bibliografia: KHAN, Noor Inayat. Contos Jataka. São Paulo: Odysseus, 2003.

 

O livro Fábulas Budistas: 20 Contos Jataka, recontado por Noor Inayat Khan, é uma obra delicada e profunda que resgata a antiga tradição literária indiana sobre as vidas passadas de Buda. Publicada originalmente em 1939, a coletânea utiliza metáforas de animais e figuras humanas para transmitir ensinamentos universais de sabedoria, compaixão e altruísmo. É um livro que encanta pela simplicidade narrativa, mas que carrega um peso moral e histórico arrebatador devido ao legado de sua autora.

A Essência dos Contos Jataka

Os contos tradicionais Jataka pertencem ao cânone do budismo e narram as encarnações anteriores de Sidarta Gautama antes de atingir a iluminação. Nesta edição, Noor Inayat Khan selecionou e adaptou vinte dessas fábulas.

  • Protagonistas Variados: Buda manifesta-se como um rei compassivo, um elefante generoso ou uma lebre sacrificial.
  • Mensagens Centrais: Cada narrativa foca no poder da integridade, no respeito por todas as formas de vida e na superação do egoismo.
  • Acessibilidade: A escrita é fluida e direta, tornando os ensinamentos orientais acessíveis para crianças e adultos.

Quem foi Noor Inayat Khan?

A biografia da autora adiciona uma camada profunda de significado à leitura da obra.

  • Origem Nobre: Nascida em 1914, era filha de um mestre sufi indiano e descendente da realeza muçulmana.
  • Heroína de Guerra: Durante a Segunda Guerra Mundial, ela atuou como operária de rádio infiltrada pela resistência aliada na França ocupada.
  • Legado de Coragem: Capturada pela Gestapo, recusou-se a revelar informações e foi executada no campo de concentração de Dachau, em 1944.
  • Coerência de Vida: A doçura e o sacrifício pessoal presentes nos contos que ela editou em 1939 refletem os valores que ela mesma praticou até o fim de sua vida.

Pontos Fortes da Obra

  • Estética e Fluidez: O texto flui como uma fábula clássica de ninar, ideal para leituras rápidas ou reflexivas.
  • Universalidade: Apesar de ser uma obra de base budista, as lições de bondade, justiça e amizade comunicam-se com qualquer pessoa, independente de religião.
  • Resgate Histórico: Edições nacionais recentes costumam incluir ricas seções biográficas detalhando a jornada heroica de Noor.

Para quem é recomendado?

O livro é altamente recomendado para leitores que buscam narrativas curtas e reconfortantes, interessados na cultura oriental ou entusiastas de biografias sobre figuras marcantes da Segunda Guerra Mundial. É um livro pequeno e visualmente belo que funciona tanto como introdução à filosofia budista quanto como um tributo à própria nobreza humana.

 


sábado, 14 de maio de 2022

Misteriosa carruagem dourada chegou a costa da Índia.

Misteriosa carruagem dourada chega à costa na Índia. Mas de onde ela veio?

É feita de folha de estanho e recebe um revestimento de cor dourada. Parecia um puja mandir sobre rodas.

Algo bastante espantoso aconteceu na Índia, onde um pedaço de escombros enigmático apareceu no porto marítimo de Sunnapalli, no estado de Andhra Pradesh, na terça-feira, quando o ciclone Asani estava atingindo a região.

Os residentes surpresos que vivem ao longo de uma praia nadaram para recuperar o que se revelou ser uma misteriosa carruagem dourada. Falando à agência noticiosa ANI, um funcionário disse que a carruagem poderia ter vindo de outro país, acrescentando que os serviços secretos e oficiais superiores tinham sido informados.

Segundo SI Naupada: “Pode ter vindo de outro país. Informamos os serviços secretos e funcionários superiores”.

Especulações nos meios de comunicação social sugeriram que se tratava então de uma carruagem dourada antiga que pode ter pertencido a uma cidade subaquática desconhecida. Contudo, apesar de haver muitas cidades antigas submersas ainda para se descobrir, não há qualquer razão para presumir que este objeto em particular seja antigo.

carruagem dourada
A polícia suspeita que possa ser de origem de Mianmar. Imagem: ANI

De onde pode ter vindo a carruagem dourada?

“O objeto, que mais parecia um puja mandir flutuante, estava com a inscrição de uma data, 16-01-2022, no mesmo. Os habitantes locais puxaram-no para terra, e depois a polícia assumiu o seu controle. No entanto, todos ficaram sem saber como é que ele chegou até aqui.

De acordo com um relatório do PTI, a polícia suspeitava que poderia ser de origem mianmar. É feita de folha de estanho e recebe um revestimento de cor dourada. Parecia um puja mandir sobre rodas, disse o SI.

Não havia ninguém a bordo da carruagem, acrescentou o oficial. Entretanto, é provável que a corrente marítima bruta devido à tempestade ciclônica Asani tenha contribuído para fazer flutuar a carruagem à deriva”, informa o News 18.

As autoridades indianas estão levando o caso a sério e convocaram um esquadrão antibombas para garantir que a ‘embarcação’ não representava perigo para o público, o que não aconteceu. Dessa forma, planejam agora recrutar especialistas para examinar a carruagem na esperança de descobrir onde começou a sua viagem selvagem.

“O ciclone Asani continua perturbando as operações de voo no Visakhapatnam de Andhra e no Chennai de Tamil Nadu, já que todos os voos IndiGo foram cancelados na quarta-feira de manhã. O estado também recebeu chuvas durante a manhã enquanto o ciclone se dirigia para a costa norte de Andhra Pradesh”, relata o Hindustan Times.


Fonte : ancientpages

Tradução : Fatos Curiosos

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O Templo Kailashanatha, nas Cavernas Ellora, Maharashtra, Índia


O templo Kailashanatha é o maior dos templos hindus cortados em rocha nas Cavernas Ellora, Maharashtra, Índia. Construído: 685-705 AD

Discovery Channel Sudeste Asiático Incrível Índia
Fonte: Desconhecido / DM para crédito

Kailasanatha - templo talhado na rocha, Índia
O Templo Kailasanatha em Ellora é um dos maiores templos monolíticos do mundo e realmente uma das obras-primas mais impressionantes do patrimônio arquitetônico. Este complexo de templos monolíticos foi escavado em uma única rocha enorme.
A construção do templo demorou cerca de cem anos, começando no século VI, durante o reinado de Dantidurga e terminando sob Krishnaraja, o Primeiro. Ao contrário de outras estruturas semelhantes, esculpidas em calcário solto ou tufo, os construtores locais tiveram que lidar com a pedra mais dura da Terra - o basalto.


Boa pesquisa.

 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Bombeiros desinfetam estrangeiros com jatos de cloro no meio da rua, na Índia.

CORONAVÍRUS: NA ÍNDIA, BOMBEIROS DESINFETAM ESTRANGEIROS COM JATOS DE CLORO NO MEIO DA RUA

A ação polêmica foi registrada por vídeos amadores; o governador de Bareli já afirmou que o caso será investigado
CAIO TORTAMANO PUBLICADO EM 30/03/2020
Cena em que bombeiros higienizam imigrantes no contexto do coronavírus
Cena em que bombeiros higienizam imigrantes no contexto do coronavírus - Divulgação/ Twitter
Na cidade de Bareli, ao norte da Índia, autoridades locais estão utilizando um metódo muito contraditório para higienizar trabalhadores imigrantes. Nas ruas, estão sendo executados banhos com jatos de cloro no contexto da pandemia do coronavírus.
A ação, entretanto, causou polêmica e o governador da cidade disse que iria investigar os responsáveis pela medida. 40 trabalhadores foram parados pelo corpo de bombeiros de Bareli, e a equipe começou a desinfecção.
Com a maior quarentena de todo o planeta, a Índia promoveu o distanciamento de mais de um bilhão de pessoas por conta do novo coronavírus. Desde que a epidemia teve início, turistas e imigrantes estão relatando casos de xenofobia.
Alguns dos imigrantes relataram mal-estar depois de terem sido atingidos com os jatos de cloro. O hipoclorito de sódio, misturado com a água e projetado nos estrangeiros, pode causar alergia nos olhos e na pele, ainda mais quanto jorrados de uma mangueira industrial com alta pressão e força.
Confira o polêmico vídeo abaixo:

sábado, 21 de março de 2020

Casos de gripe aviária são confirmados na Alemanha, Índia e Filipinas.

DOENÇAS
Casos de diferentes subtipos de gripe aviária foram confirmados nos últimos dias na Alemanha, Índia e Filipinas. A doença ataca principalmente as aves, mas pode infectar também mamíferos, como os seres humanos. De acordo com as autoridades dos três países, os casos registrados afetaram apenas pássaros.
Na Alemanha, o caso confirmado envolve o vírus H5N8. A doença foi registrada em uma fazenda de frangos na Saxônia. Todos os animais foram sacrificados e foi estabelecida uma quarentena para evitar a proliferação da gripe aviária. de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o risco de contaminação humana nesse caso é considerado  baixo. Na Índia, as autoridades também confirmaram o registro de gripe aviária em diferentes regiões do país, embora o subtipo da doença não tenha sido especificado.  
Já nas Filipinas, foram registrados casos de H5N6, cepa de vírus altamente infecciosa. A doença atingiu uma fazenda de codornas na província de Nueva Ecija e provocou a morte de cerca de 1500 aves. Outros 12 mil pássaros foram sacrificados para evitar novas infecções. 
De acordo com William Dar, secretário de agricultura das Filipinas, há risco de as codornas infectadas contaminarem humanos por meio de secreções. Apesar disso, essa chance é considerada pequena. Não houve registros de infecções humanas quando a mesma cepa do vírus atingiu o país em 2017. 

Imagem: Shutterstock.com

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Humanos da Índia sobreviveram à erupção do Vulcão Toba há 74 mil anos, afirmam cientistas.

HUMANOS DA ÍNDIA SOBREVIVERAM À ERUPÇÃO DO VULCÃO TOBA HÁ 74 MIL ANOS, AFIRMAM CIENTISTAS

Segundo a teoria da catástrofe de Toba, a população humana foi drasticamente reduzida, levando a quase extinção da espécie
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 26/02/2020

Ferramentas de pedra encontradas na Índia
Ferramentas de pedra encontradas na Índia - Universidade de Queensland

De acordo com um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications, populações humanas que viviam na Índia há 74 mil anos sobreviveram à erupção do vulcão Toba. Acreditava-se que essa catástrofe teria reduzido drasticamente o número de humanos na Terra e quase extinguido a espécie.
A recente teoria baseia-se em descobertas feitas na região que datam de um período após a erupção. Ferramentas feitas de pedra foram encontradas na Índia, o que sugere que alguns desses humanos conseguiram prosperar, migrando, após o drástico período, para a Eurásia.
“Embora as cinzas de Toba tenham sido identificadas pela primeira vez no Vale do Son nos anos 80, até agora não tínhamos evidências arqueológicas associadas, então o local de Dhaba preenche uma grande parte lacuna cronológica”, explica o pesquisador Jagannath Pal, da Universidade de Allahabad, na Índia.
Segundo o principal autor da pesquisa, Chris Clarkson, da Universidade de Queensland, as ferramentas encontradas em Dhaba eram muito semelhantes às usadas pelo Homo sapiens na África, em um período próximo.
“O fato de esses kits de ferramentas não desaparecerem no momento da super-erupção de Toba ou mudarem drasticamente logo depois indica que as populações humanas sobreviveram à chamada catástrofe e continuaram a criar ferramentas para modificar seus ambientes”, conclui.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Harappa, a primeira civilização da Índia.

TÃO DESENVOLVIDA QUANTO O EGITO E A MESOPOTÂMIA: HARAPPA, A PRIMEIRA CIVILIZAÇÃO DA ÍNDIA

Uma das maiores da Antiguidade, a história da cidade enigma está apenas começando a ser desvendada
BETO GOMES PUBLICADO EM 17/02/2020
Harappa
Harappa - Reprodução
O vaivém de peregrinos é intenso, frenético, louco. Eles chegam aos montes, vindos de pequenos vilarejos vizinhos, nos vales ao leste do Paquistão. As ruas, tomadas por mercadores itinerantes, ganham, aos poucos, o colorido dos artistas performáticos e das trupes de circo. Músicos ajudam a entreter as multidões. Luzes e sons misturam-se.
Mulheres procuram peregrinos mais experientes, para dar a eles as oferendas religiosas que serão repassadas a divindades de lugares distantes – tudo para garantir que, no futuro, seus filhos sejam saudáveis e, de preferência, do sexo masculino. À primeira vista, esse é apenas mais um ritual de cultura popular, desses que o tempo insiste em manter vivos.
 E é mesmo. Conhecido por sang – algo como feira de encontro –, é realizado até hoje nas grandes cidades do Vale do Rio Indo, perto da fronteira entre o Paquistão e a Índia. Mas esconde uma curiosidade. Remete a uma das civilizações mais desenvolvidas de toda a Antiguidade, um povo que viveu ali há milhares de anos. Não eram egípcios nem mesopotâmios, tampouco chineses.
Esse povo esquecido atingiu um surpreendente grau de desenvolvimento, comparável ao dos célebres vizinhos. A diferença é que não ficaram tão conhecidos – pelo menos nos dias de hoje –, embora tenham interagido com algumas dessas culturas avançadas. Eles eram a civilização do Vale do Indo, ou civilização harappiana, nome derivado de sua principal cidade, a capital Harappa.
 Por volta de 3000 a.C., numa época em que Egito, Mesopotâmia e China começavam a esbanjar desenvolvimento e a ocupar o centro do mundo, os harappianos floresciam no Vale do Rio Indo. Como as potências vizinhas, também dominavam técnicas e conhecimentos inimagináveis para aquele período da história. No seu auge, entre 2600 a.C. e 1900 a.C., espalharam-se por mais de 1500 vilas e estenderam-se por uma área duas vezes maior que o próprio Egito Antigo e a Mesopotâmia.
Crédito: Reprodução

Ergueram cidades amplas e muito bem planejadas, com sistemas de drenagem sofisticados e prédios muito complexos. Eram artesãos habilidosos, que se destacavam principalmente por seus trabalhos com cerâmica e argila. O conhecimento avançado traçou os rumos de Harappa. Seus habitantes abriram rotas comerciais que os levaram ao Golfo Pérsico, à Ásia Central e à Mesopotâmia.
Por outro lado, as cidades harappianas viraram centros de comércio do mundo antigo. O artesanato local espalhou-se, tendo sido encontrado até nos sítios arqueológicos mesopotâmios.
Textos antigos dessa civilização, as inscrições cuneiformes, comprovam o contato entre as duas culturas. Falam sobre o comércio com povos originários da distante Índia. Assim como ainda acontece atualmente, naquela época os moradores dos pequenos vilarejos harappianos iam para as grandes cidades em dias de festivais para comprar, vender ou trocar produtos, participar de cerimônias e até para rever familiares.
Democracia e religião
Apesar de ser a maior das quatro civilizações da Antiguidade, o Vale do Indo só foi descoberto em 1920, quando arqueólogos escavaram parte das ruínas de Harappa e Mohenjo-daro, as duas maiores cidades da região, áreas que hoje correspondem às províncias paquistanesas de Punjab e Sindh, respectivamente.
Mesmo assim, ainda há muito a ser escavado e, principalmente, desvendado. Questões básicas sobre esses povos continuam sem respostas. Vários sítios arqueológicos permanecem intocados, incluindo grandes cidades, e sua escrita está longe de ser decifrada. Alguns pontos, porém, são dados como certos.
 A semelhança entre as plantas e a arquitetura das cidades harappianas, por exemplo, mostram que o Vale do Indo mantinha uma estrutura social e econômica uniforme. A economia era baseada na produção agrícola e nas atividades comerciais. O povo era pacífico, embora possuísse armas, como lanças e espadas. Não havia reis nem teocratas – prova disso é a inexistência de palácios e templos suntuosos, mesmo nas ruínas das grandes cidades.
Essa organização social não exclui, no entanto, a participação e a influência de líderes religiosos na sociedade. É provável que eles tenham sido a chave para manter unida uma civilização tão abrangente, que não tinha como característica usar a força para subjugar outros povos. Apesar de não haver provas arqueológicas da existência desses líderes, estudos indicam que eles formavam uma elite, que manteve a hegemonia por meio da religião e de rituais sagrados.
Crédito: Reprodução

O apogeu
A cidade de Harappa viveu seu boom econômico entre os séculos 2800 a.C. e 2600 a.C. Foi nesse período que os artesãos desenvolveram técnicas avançadas de manipulação de argila e outras matérias-primas, criando tijolos simétricos de barro e objetos refinados de cerâmica cobertos por uma espécie de esmalte. A fabricação de produtos têxteis também decolou no período. Enquanto os egípcios notabilizavam-se pela manufatura de peças de linho, os harappianos teciam com algodão.
 Surgiu nessa época ainda o sistema formal de escrita do lugar, estampada em vasos e selos de argila. Esses objetos, ilustrados com figuras geométricas ou com representações de animais, parecem também ter tido uso comercial ou administrativo. Seriam usados pela elite e funcionavam como um mecanismo de controle econômico e demonstração de poder político. Alguns pesquisadores, como Mahadevan, acreditam que eles também indicavam os títulos de seus usuários e até nomes e profissões.
Para os harappianos, seria algo útil numa cidade que chegou a ter cerca de 80 mil habitantes, segundo as estimativas do arqueólogo americano Jonathan Mark Kenoyer, um dos maiores especialistas do mundo na Civilização Antiga do Vale do Indo e um dos líderes dos grupos de escavações na região. Esses e outros segredos de Harappa, no entanto, continuam escondidos atrás de um enigma: a indecifrável escrita do Vale do Indo.
A queda 
Depois de quase 2 mil anos de existência, essa civilização começou a entrar em declínio. A mais aceita das teorias combina uma série de motivos. O primeiro seria a incapacidade da elite em manter a ordem num território tão vasto e povoado, que por volta de 1900 a.C. já se estendia para além das planícies do Rio Ganges. “Essa falta de autoridade levou a uma reorganização da sociedade em toda a região do Vale do Indo”, escreveu Kenoyer em artigo publicado na revista Scientific American. Prova disso é o desaparecimento gradual de símbolos característicos da região, como os selos, vasos e pesos usados na taxação e comércio de produtos.
 Outro fator importante para a queda da civilização harappiana foram as alterações climáticas que ocorreram ao longo dos séculos, ligadas provavelmente ao desflorestamento para obtenção de matérias-primas. Em 2000 a.C., um dos rios da região, o Sarasvati, começou a secar e deixou várias cidades sem uma base viável de subsistência. Essas populações teriam migrado para áreas agrícolas e cidades como Harappa e Mohenjo-daro, superpovoando lugares que não tinham estrutura para receber mais pessoas. Por consequência, os mecanismos de manutenção das rotas comerciais acabaram comprometidos.
Artefato da civilização / Crédito: Reprodução

 Outra teoria diz que teria havido uma simples dispersão da população para outras regiões. Mas é improvável. “Vestígios arqueológicos encontrados em escavações recentes mostram que as cidades continuavam habitadas entre 1900 a.C. e 1300 a.C.”, escreveu Kenoyer. Uma terceira tese aponta que os harappianos foram aniquilados pelos indo-arianos a partir do segundo milênio antes de Cristo. De fato, o período entre 2000 a.C e 1300 a.C. foi conturbado, com guerras eclodindo em várias partes do mundo.
 Mesmo assim, não se imagina que os indo-europeus tenham destruído toda a civilização. A maioria dos especialistas acredita que a imigração ariana aconteceu depois que os harappianos entraram em declínio – e a relação entre esses povos foi pacífica. “Quando chegaram à região, os indo-europeus tornaram-se sedentários e seus rebanhos ajudaram a fertilizar os campos agrícolas. Em troca, seus cavalos alimentavam-se da palha da cevada que era produzida pelos agricultores”, argumenta Barbosa.
E por fim há uma hipótese indiana ultranacionalista, que defende a ideia de que a civilização do Vale do Indo deu origem aos védicos, povos que surgiram em seguida aos harappianos e formularam o Rig Veda, a mais antiga escritura sagrada hindu. De acordo com a tese, eles conquistaram os sumérios e expandiram seus domínios para o oeste, influenciando também os povos do Ocidente.
Ufanismo? Pode ser. Mas, se a tese estiver correta, os harappianos mudaram o mundo que nós conhecemos. Como cabe às grandes civilizações da história.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Hampi, na Índia, é inteiramente tombada como patrimônio da Unesco.

Imagine uma cidade inteira tombada como Patrimônio Mundial da UNESCO. Esse é o caso de Hampi, no sul da Índia, um lugar com 26 quilômetros quadrados de extensão que ainda não está na lista de principais destinos turísticos do continente, totalmente diferente da impressão que temos do país com a segunda maior população do mundo.
A história do local, que ficou soterrado por anos, vem sendo descoberta ano após ano. Recentemente, o jornal norte-americano “The New York Times” classificou Hampi como um dos principais destino a se visitar. Dentre as atrações turísticas do local estão o Vitthala Temple, a mais bem preservada construção da cidade, templos construídos no topo de colinas, reservatórios de água, palácios, vales e outras tantas belas paisagens do sul indiano. Um dos principais atrativos é que quase todos os passeios têm acesso gratuito, com exceção do três principais.
Dona de uma riqueza histórica, Hampi também é destino de quem busca aventuras. Eleita a capital indiana do trekking, atividade que consiste em caminhadas em trilhas naturais uma busca de contato com a natureza, pessoas do mundo todo buscam o topo da Matanga Parvata, a mais alta colina da cidade. Além disso, Hampi também é um dos principais cartões-postais da região e cenário de grandes produções de Bollywood, a principal indústria cinematográfica do idioma hindi.
A melhor época do ano para visita é entre outubro e fevereiro, quando o calor é mais ameno. Como quem chega a Hampi não quer ir embora, o setor hoteleiro tem crescido na região. Além dos albergues e guesthouses (casas particulares convertidas em hospedagens de baixo custo), a cidade ganhou recentemente um grande hotel de luxo, com arquitetura inspirada nos antigos palácios locais. Chegar a Hampi, porém, não é tão simples. O aeroporto mais próximo fica em Ballari, a 40 quilômetros de distância.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Indiano que ganhou na loteria encontra tesouro com 2.500 moedas enterrado.

INDIANO QUE GANHOU NA LOTERIA ENCONTRA TESOURO COM 2.500 MOEDAS ENTERRADO

Duplamente sortudo, o Sr. Pillai — que recebeu 842 mil dólares na loteria — localizou o pote com moedas valiosas em seu terreno
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 09/12/2019
Tesouro de moedas encontrado por Pillai
Tesouro de moedas encontrado por Pillai - Divulgação/Youtube
O Sr. B Rathnakaran Pillai, indiano afortunado que ganhou o equivalente a 842 mil dólares na loteria, encontrou um tesouro enterrado em sua propriedade em Kerala, sudoeste da Índia. Após ganhar o prêmio, o ex-trabalhador de serraria decidiu comprar  um terreno para cultivar legumes, acabando por localizar a panela de barro cheia de moedas.
Pillai com o tesouro encontrado / Crédito: Divulgação/Youtube

O objeto foi detectado enquanto Pillai cavava o solo para plantar mandioca. Pesando mais de 18 kg, a panela continha mais de 2.500 moedas, da época do reino de Travancore, que existiu entre 1729 e 1949. Conhecidas como chuckrams, as moedas datadas do século 19 tinham o símbolo tradicional do reino: uma concha e a imagem de Sree Chithira, o último Marajá de Travancore.
Moedas com emblema / Crédito: Divulgação/Youtube

Acredita-se que o tesouro tenha sido enterrado por um curandeiro. Como afirmou Pillai ao jornal The News Minute, "desenterramos o vaso do local que é o Kanni Moola (canto sudoeste) da casa do curandeiro”. De acordo com a arquitetura hindu, o canto sudoeste é o local mais sagrado de uma residência, e o curandeiro teria colocado sua riqueza lá para mantê-la protegida.
Detalhe identificando o Marajó / Crédito: Divulgação/Youtube

As moedas, entregues por Pillai ao governo, estão no Laboratório de Conservação em Thiruvananthapuram. Apesar de não ter direito ao tesouro, o indiano será recompensado com parte do valor das moedas.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Desastre de Bhopal, na Índia, matou 4 vezes mais que Chernobyl.

DESASTRE DE BHOPAL, NA ÍNDIA, MATOU QUATRO VEZES MAIS QUE CHERNOBYL

Lançando 30 toneladas de veneno no ar, vazamento de gás industrial na Índia atingiu comunidade pobre
SIMONE BITAR PUBLICADO EM 03/12/2019
Homem atingido pelo desastre
Homem atingido pelo desastre - Getty Images
As válvulas de segurança existem para impedir que tanques com produtos químicos explodam com a pressão. No entanto, elas falharam na fábrica de pesticidas Union Carbide.
Na madrugada de 2 para 3 de dezembro de 1984, uma falha de manutenção fez com que o tanque cheio de isocianato de metila começasse a ser enchido de água. Isso causou uma reação química descontrolada, que elevou a temperatura interna a 200°C. O tanque  acumulou pressão e a válvula de segurança fez seu trabalho, abrindo-se automaticamente. E assim liberou 30 toneladas de veneno no ar.
Entre os sobreviventes, muitos ficaram cegos ou sofrem de retardo mental / Créditos: Getty Images/Sandro Tucci
O isocianato de metila é altamente tóxico. Destrói olhos, pele e vias respiratórias. A nuvem de destruição foi levada pelo vento a uma favela próxima, onde a maioria das pessoas estava dormindo. Quem foi acordado tratou de correr, o que só piorou a situação: essas pessoas inalaram mais veneno do que quem ficou parado em casa.
As crianças foram particularmente atingidas porque os gases eram mais pesados que o ar, permanecendo próximos ao chão.
No dia seguinte, os corpos das vítimas cobriram as ruas de Bhopal. Segundo as estimativas mais altas, 25 mil pereceram apenas um dia - isso é quatro vezes mais que o total de vítimas Chernobyl. O governo indiano reconheceu e ressarciu uma quantidade bem menor de pessoas: 5.295 vítimas.