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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Primeiro Ministro Russo renuncia após proposta de Putin para permanecer no poder depois de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO RUSSO RENUNCIA APÓS PROPOSTA DE PUTIN PARA PERMANECER NO PODER DEPOIS DE 2024

O atual presidente da Rússia apresentou hoje, 15, um plano para alterar a constituição do país; Dmitry Medvedev renunciou poucas horas depois do discurso
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 15/01/2020
O presidente russo, Vladimir Putin, discursando em Moscou hoje, 15
O presidente russo, Vladimir Putin, discursando em Moscou hoje, 15 - Getty Images
O premiê russo Dmitry Medvedev renunciou depois do presidente do país Vladimir Putin discursar a favor de reformas na constituição do país. O anúncio foi feito poucas horas depois de Putin apresentar novo plano que contribuiria para sua permanência no poder.
Em seu discurso, o líder russo afirmou que haveria uma votação a respeito de mudanças no poder após o final de seu mandato, em 2024. É uma tentativa de transferir o poder, que hoje está nas mãos do presidente, para o parlamento. Com isso, Putin poderia se candidatar a primeiro-ministro e ainda assim governar a Rússia.
 Segundo Medvedev , “essas mudanças, quando adotadas, introduzirão mudanças substanciais não apenas em toda uma gama de artigos da constituição, mas também em todo o equilíbrio de poder, poder do executivo, poder do legislativo, poder do judiciário”.
Hoje, o presidente pode cumprir apenas dois mandatos consecutivos, como é o caso de Putin. Ele já foi premiê do governo de Medvedev, sendo considerado o grande responsável pelas decisões políticas, mesmo que essa função fosse quase “figurativa” no país.
Com a proposta de transformar o cargo político em um “premiê empoderado”, é possível que o atual líder pudesse permanecer no poder, ainda que isso não tenha sido afirmado durante o discurso.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

19 anos de Governo Putin: o legado do atual presidente russo, que não larga mão do poder.

19 ANOS DE GOVERNO PUTIN: O LEGADO DO ATUAL PRESIDENTE RUSSO, QUE NÃO LARGA MÃO DO PODER

Famoso por seu autoritarismo, o governante tirou a Rússia de uma crise e voltou a brigar com os EUA. Entenda as principais atividades de seu governo
JÂNIO DE OLIVEIRA FREIME PUBLICADO EM 08/05/2019
Vladimir Putin, o inderrubável
Vladimir Putin, o inderrubável - Reprodução
Vladimir Putin é hoje a principal figura da política russa e da Comunidade dos Estados Independentes. Ex-membro da KGB, passou anos vivendo na Rússia soviética e, após o colapso em 1991, entrou com posição de destaque no poder executivo do país. Desde 2000, Putin não deixou de assumir cargos governamentais na federação russa, como presidente ou primeiro-ministro.
Putin assumiu a presidência após o processo de abertura econômica do liberal Boris Yeltsin, em um cenário de forte crise econômica e fiscal. Uma das marcas do governo Putin foi a concretização de um projeto que, ao mesmo tempo, apoiava o capitalismo empresarial e combatia as oligarquias russas que dominavam a produção nacional.
Putin ao assumir a Presidência, em 2000 / Crédito: Reprodução

O líder russo desapropriou boa parte das empresas dessa natureza e muitos oligarcas foram presos. Ele aumentou o poder econômico do Estado e ficou marcado por tirar a Rússia da crise em que estava nos anos 1990.
Putin também realizou reformas políticas que aumentaram seu poder, dando fim prático ao poder híbrido constitucional e abrindo espaço para um autoritarismo flutuante, que acompanhava sua figura, não seu cargo (que mudou várias vezes). Putin ficou famoso pela reabilitação que proporcionou à imagem de Stálin.
Além disso, reestruturou o sistema de transportes de mercadoria e de transmissão de petróleo e gás — principais produtos do país —, dinamizando a economia.
Vladimir Putin e Bashar al-Assad / Crédito: Reprodução

Em termos de política externa, Putin reabriu o conflito da Rússia com os países do Ocidente e com a OTAN, se aproximando de nações de quadro semelhante ao de seu país — potências emergentes de grande dimensão, que deram origem aos BRICS. Houve ainda uma aproximação de ditaduras antiamericanas do Terceiro Mundo, como foi o caso do governo Assad na Síria ou Maduro na Venezuela.
Ao mesmo tempo, Putin fomentou campanhas pelo nacionalismo russo, dentro e fora de seu território, como foi o caso do movimento antiucraniano na Crimeia, que desejava retornar ao Estado Russo, e combateu movimentos rebeldes. O caso mais drástico é o da Chechênia, que passou por um processo de dominação completa do território e destruição dos movimentos independentistas.
Putin na KGB / Crédito: Wikimedia Commons

Nessa linha, Putin conseguiu passar uma emenda que permite que o presidente indique do Kremlin governadores de províncias.
O governo Putin foi também marcado pelo aumento da corrupção e por escândalos de alto nível, como o assassinato não esclarecido dos opositores Anna Politkovskaia e Alexander Litvinenko.