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quinta-feira, 29 de maio de 2025

Livro: A Vida Quotidiana na Babilônia e na Assíria.

 

Bibliografia: CONTENAU, Georges. A Vida Quotidiana na Babilônia e na Assíria. Coleção A Vida Quotidiana em Todos os Tempos. Lisboa: Livros do Brasil, 1959. 

 

A Vida Quotidiana na Babilônia e na Assíria (1950), escrito pelo renomado arqueólogo e orientalista Georges Contenau, é um clássico da história antiga. A obra afasta-se dos relatos focados apenas em reis e guerras, oferecendo uma janela imersiva para o dia a dia, os costumes e a mentalidade dos povos mesopotâmicos.

Pontos Fortes

  • Foco no Homem Comum: Em vez de listar apenas dinastias, Contenau detalha a rotina familiar, vestimentas, alimentação e até as relações de comércio e direito da época.
  • Base Arqueológica Sólida: O livro utiliza uma vasta gama de descobertas de tabletes de argila, selos cilíndricos e escavações para embasar suas descrições.
  • Visão Panorâmica: Descreve com vivacidade o ambiente urbano, a arquitetura das casas, os templos e a grandiosidade das cidades banhadas pelos rios Tigre e Eufrates.

Limitações

  • Linguagem Acadêmica: Por ser uma obra traduzida de meados do século XX, pode apresentar um ritmo mais lento e descritivo para leitores não habituados a textos históricos densos.
  • Desatualização de Dados: Algumas das teorias e cronologias refletem a arqueologia da época; descobertas mais recentes na região adicionaram novas perspectivas àquelas civilizações.

Para quem é recomendado?

É uma leitura indispensável para estudantes de história, antropologia, entusiastas do Oriente Próximo antigo e pesquisadores que buscam compreender a base das primeiras sociedades complexas da humanidade.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Descobertas inscrições do Rei Babilônico Nabonido, na Arábia Saudita.

Inscrições antigas do rei da Babilônia Nabonido, descobertas na Arábia Saudita

Arqueólogos da Comissão de Patrimônio da Arábia Saudita descobriram inscrições rochosas fascinantes na região de Hail (norte da Arábia Saudita) que retratam o rei babilônico Nabonidus.

As inscrições nas rochas datam de 540 aC e fornecem mais evidências de que havia uma ligação cultural entre a Arábia Saudita e a maioria das antigas civilizações do Oriente Próximo.

O rei Nabonido foi o último rei do Império Neo-Babilônico. Ele governou de 556 aC até a queda da Babilônia para o Império Aquemênida sob Ciro, o Grande, em 539 aC.

A descoberta inclui uma inscrição em uma das rochas basálticas que representa o rei babilônico Nabonido segurando um cetro na mão. Crédito: SPA

“Nabonido, o último rei nativo da Babilônia, elevou sua capital a uma condição de magnificência que não conhecia antes. Esta cidade sobreviveu, com mas poucas mudanças, durante o domínio dos reis de Achémen da Pérsia, e a partir do tempo de Heródoto, a Babilônia tornou-se famosa em todo o mundo antigo. Naquela época, Ashur Nínive , as grandes capitais da Assíria, haviam deixado de existir; mas Babilônia ainda estava em sua glória, e as descrições da cidade chegaram até nós nas obras de escritores clássicos. ” 1

Quando Ciro, o Grande, invadiu a Babilônia, o rei Nabonido foi levado ao cativeiro e a capital teve que se render. Antes da invasão do Império Aquemênida, o Rei Nabonidus “havia coletado muitas das imagens de culto em todo o país para a capital, sem se preocupar que, com isso, arrancou os deuses de suas antigas habitações”. 1

Ciro, o Grande, conquistou o respeito dos babilônios ao restaurar os deuses em seus santuários locais, Ciro ganhou popularidade e conquistou completamente o sacerdócio, de longe o setor político mais poderoso da comunidade. Assim, aconteceu que Babilônia não lutou mais para manter sua liberdade, e todo o território de que ela havia desfrutado foi incorporado sem resistência ao império persa. ” 1

O Harran Stela representando o rei Nabonidus orando para a lua (ou seja, Sîn), o sol e Vênus. Crédito: Jona Lendering – CC BY 3.0

De acordo com o Arab News , as antigas inscrições nas rochas da Babilônia descobertas na Arábia Saudita retratam “o rei da Babilônia segurando um cetro na mão e na frente dele uma série de símbolos religiosos. A inscrição também continha um texto cuneiforme com cerca de 26 linhas, tornando-se o texto escrito mais longo encontrado até agora no Reino. ”

No momento, há pouca informação sobre as descobertas, já que os cientistas devem agora examinar as inscrições nas rochas e compará-las com outras descobertas semelhantes feitas na área vizinha.

O local da parede onde as inscrições babilônicas foram descobertas era “conhecido no passado como Fadak, representa um local importante no noroeste da Arábia desde o primeiro milênio aC até o início da era islâmica. Um grupo de desenhos, inscrições rupestres e primeiros escritos islâmicos foram encontrados nas encostas de suas montanhas. O local também contém um conjunto de castelos, fortes e paredes, além de instalações de água que dão outra dimensão à sua importância cultural. ” 2

É uma descoberta arqueológica significativa que fornecerá informações históricas valiosas sobre o contato cultural e comercial entre a Península Arábica e as civilizações mesopotâmicas.

Fonte : ancientpages

Texto Original : Jan Bartek 

Tradução : Fatos Curiosos

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Babilônios usavam cálculo do Teorema de Pitágoras mil anos antes da criação da teoria.

 BABILÔNIOS USAVAM CÁLCULO DO TEOREMA DE PITÁGORAS MIL ANOS ANTES DA CRIAÇÃO DA TEORIA, AFIRMA CIENTISTA

Descoberta em 1894, uma placa de argila revelou que a relação geométrica era usada há cerca de 3,7 mil anos para dividir terras

PAMELA MALVA PUBLICADO EM 10/08/2021

Fotografia da placa com cálculos de geometria aplicada
Fotografia da placa com cálculos de geometria aplicada - Divulgação/ Universidade de Nova Gales do Sul

Em meados de 1894, estudiosos encontraram uma placa de argila datada entre 1900 e 1600 a.C., na região que hoje conhecemos como o Iraque. Apenas recentemente, todavia, pesquisadores conseguiram decifrar as escritas no artefato de 3,7 mil anos.

Segundo o Live Science, a placa conhecida como Si.427 revelou que os antigos babilônios já entendiam o Teorema de Pitágoras pelo menos mil anos antes do nascimento do próprio filosofo e matemático Pitágoras de Samos. Dessa forma, a tabuleta pode ser o primeiro exemplo conhecido de geometria aplicada na história da humanidade.

"É geralmente aceito que a trigonometria — o ramo da matemática que se preocupa com o estudo de triângulos — foi desenvolvida pelos antigos gregos que estudavam o céu noturno", explicou Daniel Mansfield, matemático da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, e descobridor do significado da tabuleta, em comunicado.

Mas os babilônios desenvolveram sua própria 'prototrigonometria' alternativa para resolver problemas relacionados à medição do solo, não do céu”, narrou o pesquisador.

De acordo com o especialista, a placa conta com o desenho de um campo pantanoso, que estaria sendo dividido igualmente entre alguns ricos babilônios. Foi a partir da relação entre os catetos e as hipotenusas dos triângulos de terra que os negociantes do passado dividiram as propriedades igualmente entre si na placa de argila.

Fotografia da placa antiga / Crédito: Divulgação/ Universidade de Nova Gales do Sul

 

“Isso vem de um período em que a terra está começando a se tornar privada — as pessoas começaram a pensar sobre a terra em termos de 'minha terra e sua terra', querendo estabelecer um limite adequado para ter relacionamentos positivos de vizinhança”, explica Mansfield. “E é isso que este tablet diz imediatamente . É um campo sendo dividido e novos limites são feitos.”

Ainda mais, segundo o especialista, "é fácil ver como a precisão era importante na resolução de disputas entre indivíduos tão poderosos". Isso porque, além dos cálculos, a placa ainda menciona a disputa entre um homem rico, chamado Sin-bel-apli, e uma rica proprietária de terras, que desejavam dominar tamareiras presentes nas propriedades.

"Ninguém esperava que os babilônios estivessem usando os triplos pitagóricos dessa forma", explicou Mansfield, que, em 2017, descobriu uma outra tabuleta do mesmo período — a Plimpton 322, que conta com outra tabela trigonométrica. "É mais semelhante à matemática pura, inspirada nos problemas práticos da época."

Parte do acervo do Museu Arqueológico de Istambul, a placa Si.427 não conta com a representação aritmética do Teorema de Pitágoras. Ainda assim, ela mostra a forma sofisticada como os babilônios compreendiam a relação entre os lados de um triângulo.

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/babilonios-usavam-calculo-do-teorema-de-pitagoras-mil-anos-antes-da-criacao-da-teoria-afirma-cientista.phtm

domingo, 13 de setembro de 2020

Os zigurates da Babilônia.

PERTO DOS DEUSES: CONHEÇA OS IMPRESSIONANTES ZIGURATES DA BABILÔNIA

Com o objetivo de aproximar os babilônicos dos deuses, o zigurate era a construção que mais simbolizava a antiga civilização

REDAÇÃO PUBLICADO EM 13/09/2020

Representação de um antigo zigurate
Representação de um antigo zigurate - Divulgação

Uma grande marca do reinado de Nabucodonosor II foram os vários zigurates que ele mandou erigir. Zigurate é uma espécie de templo em forma de pirâmide com vários andares. O mais famoso de todos é um da época do rei, o Etemenanki, que serviu de inspiração para a Torre de Babel bíblica. A estrutura original havia sido construída por Hammurabi, mas foi restaurada por Nabucodonosor.

Se, para os babilônicos, a cidade era o lugar onde moravam os deuses, os zigurates eram a residência deles. Os deuses babilônicos, por sinal, foram criados à imagem e semelhança dos homens. "Eles tinham a mesma aparência, qualidades e defeitos, eram movidos a paixão e ódio como os humanos", diz Kátia Pozzer. "Toda a vida na Terra era comandada pela vontade dos residentes dos céus e dos infernos." 

Ilustração mostra os Jardins Suspensos da Babilônia / Crédito: Divulgação


A palavra "Zigurate" vem do acádico ziqqurratu, que significa "construção de prédio alto". O mais famoso de todos foi levantado na Babilônia e dedicado ao deus Marduk, o Etemanki, cuja tradução literal é "a casa da fundação do céu e da terra." Foi ele quem deu origem ao mito escrito na Bíblia sobre a Torre de Babel.

Para os babilônicos, os templos tinham de ser altos porque a maior parte das divindades morava no céu. Assim, oz zigurates facilitariam a descida deles à terra, para assim, ajudarem os homens a sofrer menos.

Os detalhes 

Além da função religiosa, ele também tinha missão científica. Os escribas observavam o que viam em tabletes de argila. Sabe-se que os babilônicos conheciam Saturno, Júpiter, Marte, Vênus, Mercúrio, o Sol e a Lua. 

Além disso, o templo era feito em forma de pirâmide escalonada, com bancos em cada andar. Era quadrado, com 91 m de cada lado (as fundações existem até hoje). Seu interior era marcado por tijolos secos ao sol. As paredes externas, erguidas com tijolos cozidos de 15cm de espessura.

Pensando nisso, acredita-se que o zigurate teria oito andares e 90 m de altura, equivalente a um prédio de 30 andares. Teriam sido necessários 36 milhões de tijolos e 3 mil homens trabalhando durante dois anos para sua construção.

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/perto-dos-deuses-conheca-os-impressionantes-zigurates-da-babilonia

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Os misteriosos Jardins Suspensos da Babilônia.

OS MISTERIOSOS JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA

A mais intrigante das Sete Maravilhas segue instigando historiadores e a nossa imaginação
REDAÇÃO PUBLICADO EM 13/07/2020
Ilustração dos jardins suspensos
Ilustração dos jardins suspensos - Wikimedia Commons
Após dias escaldantes pelo deserto, um viajante que chegava à cidade da Babilônia de 570 a.C. acabava intrigado com um ruído de cachoeira. Atraído pelo som, dava de cara com uma montanha tropical de seis terraços apoiados em pilastras.
Representação dos antigos jardins / Crédito: Wikimedia Commons

Lá em cima, esculturas imponentes de touros e dragões surgiam entre as árvores, mas as pessoas circulavam à vontade. Uma escadaria convidava a juntar-se a elas no paraíso.
Teria o sol do deserto cozido os miolos do viajante?
Eis uma polêmica entre os historiadores. Tudo o que se sabe sobre os Jardins da Babilônia vem de relatos de gregos somente do século 2 a.C., como Strabo e Diodoro. Segundo eles, o monumento foi erguido por Nabucodonosor II, entre 605 a 560 a.C., como um presente à esposa, Amytis.
Porém, uma versão bem diferente surgiu em 2013 com a pesquisadora Stephanie Dalley, do Reino Unido. Segundo ela, o local original foi no norte do Iraque e a construção, uma obra do monarca assírio Sennacheribe.
Esqueleto oco.
Quem chegava aos jardins pela primeira vez era surpreendido com árvores maiores, plantadas dentro de colunas ocas, cheias de terra e feitas de tijolos de barro. E, para que a água não resultasse em danos na estrutura, elas eram impermeabilizadas com camadas de junco, piche e até chumbo, que sustentavam uma estrutura quadrada de 124 metros de largura, 26 de altura e entre cinco e sete andares.
Nada era mais abundante que as plantas. Existiam centenas de espécies de árvores e várias produzem frutos: amêndoas, tâmaras, nozes, peras, ameixas, pêssegos e damascos.
Outras apenas enfeitavam e davam sombra, como cedros, ciprestes, abetos, acácias, carvalhos e salgueiros. Também existiam flores, como roseiras e azaleias. A produção do jardim era aproveitada e vendida na cidade.
Homens trabalhando
Uma equipe de especialistas cuidava do jardim. Eram escravizados “recrutados” entre os jardineiros mais experientes das cidades conquistadas na Mesopotâmia. Ao mesmo tempo, guardas do Exército protegiamm as entradas e saídas.
Por todos os lados e andares, a água descia em cascata, de uma piscina lá de cima. Ninguém sabia como tanta água chegava até lá porque o sistema é interno: ela era levada por baldes presos a uma polia desde outra piscina, no solo, alimentada pelo Rio Eufrates.
Escravos se revezavam para mover as manivelas e manter a cachoeira em ação. Das quedas, o sol fazia surgir uma névoa que mantém o clima diferente do resto da região.
Além disso, os poderosos Nabucodonosor e Amytis aproveitavam a sombra de um dossel e tomavam cerveja para aliviar as preocupações e se aproximarem de seus deuses. Os babilônicos faziam cerveja de trigo e cevada, considerada uma bebida nobre, sagrada e afrodisíaca. Pelos terraços, encontraram-se gregos, indianos, egípcios, judeus e persas que tenham permissão do rei para passar um dia no balneário.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Pratos típicos da Babilônia.

PROFESSOR RECRIA CARDÁPIO DE 4 MIL ANOS ATRÁS, COM PRATOS TÍPICOS DA BABILÔNIA

A iniciativa surgiu durante a quarentena e está chamando atenção nas redes sociais
PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 06/07/2020
Refeição babilônica feita por Bill Sutherland
Refeição babilônica feita por Bill Sutherland - Divulgação/Twitter
Durante o período de isolamento social, que acontece devido à pandemia de coronavírus, muitas pessoas estão se arriscando na cozinha. Não foi diferente com o professor de biologia da Universidade de Cambridge, Bill Sutherland. Entretanto, o cardápio do homem foi um tanto peculiar.
Sutherland decidiu reproduzir receitas descobertas em escavações arqueológicas, que datam 4 mil anos. Bill cozinhou seguiu os passos de uma receita que fazia sucesso na babilônica antiga. A receita original havia sido escrita numa pedra, que segundo os pesquisadores pertence ao ano de 1750 a.C.
O interesse do professor surgiu após a leitura de uma publicação sobre a cultura babilônica, a partir disso o homem montou quatro pratos. Assim, todo o processo foi descrito em suas redes sociais e despertou curiosidade.
Confira:
Ensopado de borrego: "Isso foi simples e delicioso", afirmou o professor.
O segundo prato é chamado tuh’u, feito com carne, sal, alho, rúcula, cerveja, cebolas e especiarias. “Achei que ficou lindo e saboroso. Talvez eu devesse ter cozinhado mais para desfiar melhor”, concluiu Bill Sutherland em seu Twitter. 
A terceira receita é chamada de pašrütum e não leva carne, contudo, essa opção não agradou muito o paladar do professor que escreveu: "Parece bom, mas é um pouco entediante".

Por último, o prato tratava-se de um caldo originalmente feito com sangue de ovelha "Ok, eu trapaceei e usei molho de tomate no lugar do sangue. É peculiar, mas deliciosa. Uma sopa saborosa", finalizou Sutherland. 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Qual foi o império mais poderoso da antiguidade? Foram muitos...

QUAL FOI O IMPÉRIO MAIS PODEROSO DA ANTIGUIDADE?

Mongóis, persas, romanos, egípcios e chineses: todos eles comandaram vastos territórios e sangrentos exércitos. Entenda o que é necessário para determinar qual desses foi o mais poderoso
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 01/02/2020
Rei Xerxes da Pérsia, no filme 300
Rei Xerxes da Pérsia, no filme 300 - Warner Bros. Pictures
Do khanato ao shahnato, muitas foram as formas de chamar os grandes estados dominadores, que em geral recordamos pelo termo romano, “império”.  Na Antiguidade, foram muitos os que dominaram vastas regiões pelo mundo: destacam-se Suméria, Acádia, Babilônia, Assíria (Mesopotâmia), Fenícia, Hititas (Oriente Médio), Elam, Aquemênida, Partas, Média (Pérsia), Egito, Kerma, Mali (África), Indus, Shunga (Índia), China (Ásia), Macedônia, Roma, Selêucidas (Europa), Mongólia, Xiongnu (Estepes centrais), entre outros.
A título de precisão, partiremos do conceito de império estabelecido pela antropóloga Carla M. Sinopoli em seu artigo, "A Arqueologia dos Impérios", de 1994. De acordo com a estudiosa, trata-se de um "tipo de estado territorial e expansivo e incorporador, envolvendo relações nas quais um estado exerce controle sobre outras entidades sociopolíticas... As diversas políticas e comunidades que constituem um império geralmente mantêm algum grau de autonomia”. Diante de tamanha gama de diferentes impérios, pensar em um mais poderoso exige um ponderado balanceamento.
“Ao comparar diferentes impérios, os historiadores enxergam que o processo de crescimento teve algumas semelhanças e algumas diferenças entre os impérios. O Império Persa Aquemênida sob Ciro, o Grande, cresceu substancialmente em menos de 30 anos e atingiu sua maior extensão em 75 anos. A República Romana foi fundada no século 6 a.C., mas o Império Romano não alcançou sua maior extensão até 117 d.C.”, afirma Steven Schroeder em "Comparando a Ascensão e Queda dos Impérios", artigo para a Khan Academy. 
Em relevo do sarcófago de Marco Aurélio, representação da guerra dos romanos com os marcomanos / Crédito: Getty Images
Portanto, esse balanceamento exige uma compreensão de fatores relevantes na comparação entre os impérios. Ao mesmo tempo em que se revela a necessidade de compreender os estados antigos ao longo do tempo, situando posições de auge e queda desses impérios e entendendo que grandes unidades políticas podem estar em um quadro menos poderoso dependendo da época em que o observamos.
Extensão.
Um fator relevante para mensurar o poder de um império é sua distribuição geográfica. Sem dúvidas, o império mais vasto que o mundo antigo conheceu foi o Mongol, de Gengis Khan e sucessores. Outros impérios, como o Inca, também se estenderam por vastos lugares ao comparar com o famoso Império Romano.
O khanato mongol foi “o maior império histórico em termos de território contíguo. O núcleo do Império Mongol era a estepe da Eurásia que se estende por muitos milhares de quilômetros das montanhas Khingan, no leste, para os Cárpatos no oeste (McNeill 1964). Os mongóis eram guerreiros das estepes e podiam estender rapidamente sua influência sobre toda a região (Barfiard, 1994)”, afirmam Peter Turchin, Jonathan M. Adams e Thomas D. Hall em "East-West Orientation of Historical Empires and Modern States". Segundo os autores, em termos de tamanho, a Mongólia vence, seguida de Rússia, da China Mancchu e dos Xiongnu.
Porém, a extensão de um império, por si só, não demonstra completamente o poder de um estado. A Rússia foi um gigantesco império, mas muito disso se deu pela facilidade de ocupar regiões gélidas e pouco habitadas. Entre os fatores de poder relevantes nessa análise, podemos citar as redes mais complexas e estruturadas de administração interprovincial.
Tamanho do Império Mongol / Crédito: Getty Images

Nesse quesito, poucos se aproximam dos inventores dessa forma de política: a Acádia sargônica e a Babilônia de Hammurabi. Nesse quesito, a dinastia de Ur III, ainda suméria, é importante, mas está longe de ter sido um poderoso império.
Outro tema relevante, hoje em dia, é pensar impérios que mantiveram não só a fama, mas também um legado político-cultural proeminente. Como os reinos do Egito Faraônico, conhecido mundialmente, e o Império Romano, um dos fatores formativos mais importantes do Mediterrâneo.
O mais famoso.
Sem dúvidas, o Império Romano é o mais famoso da História. Sua estrutura militar e administrativa possibilitou não apenas que ele fosse um dos impérios mais expansivos do mundo, mas também o fez o mais vindouro, sobrevivendo incríveis 10 séculos.
“À medida que Roma expandia sua influência sobre cada vez mais áreas, suas instituições políticas se mostraram resilientes e adaptáveis, permitindo incorporar populações diversas. [...] Embora o sistema de votação possa parecer uma estratégia deliberada para capacitar os ricos, na verdade era um reflexo da estrutura militar romana”, explica Steven Schroeder no artigo "The Roman Republic", para a plataforma Khan Academy.
O Império Romano / Crédito: Getty images

“Roma se tornou o estado mais poderoso do mundo no primeiro século a.C. por meio de uma combinação de poder militar, flexibilidade política, expansão econômica e mais do que um pouco de boa sorte. Essa expansão mudou o mundo mediterrâneo e também a própria Roma”.
Muito mais que Roma.
Roma, indubitavelmente, foi muito poderosa. No entanto, ela não foi a capital com maior poder na Antiguidade, podendo ser considerada apenas a cidade-estado que mais influenciou o Ocidente. Porém, em termos de poderio militar, dois impérios se destacam: em armas, a China da Dinastia Han derruba os romanos; já em termos de capacidade de conquista e dominação (não necessariamente expansão, mas poderio bélico), a Macedônia de Alexandre é quase incomparável.
Todavia, nenhum desses dois foi o mais poderoso império da Antiguidade, seja por quanto tempo existiu ou pela articulação política na dominação de vastos territórios. É necessário mencionar outros fatores importantes para chegar a resposta.
Em termos de abrangência e influência, algo que extrapola a dominação territorial, o império mais vultoso aglomerado político era o gigantesco Califado Omíada, que não só comandou grandes territórios, mas também manteve relações duradouras e benéficas com diversos cantos do mundo. Já em termos de riqueza, o Mali foi um dos mais importantes impérios.
Alexandre, o Grande, esculpido no Monte Athos / Crédito: Getty Images
O poder dos xás.
Tópicos de suma relevância na categorização do poderio dos impérios antigos são os vetores de centralização do poder, rapidez de expansão, projeto de dominação e contingente populacional dominado. Por mais que muitos disputem, porém, nenhum império atingiu as dimensões que os persas, principalmente os Arquemênidas de Dário e Ciro, tinham.
Parte do segredo dos persas era sua rede administrativa que integrava as elites de cada província a uma hierarquia que, sem precisar apelar às armas, trazia benefícios mútuos que facilitavam a dominação. De acordo com a Sociedade do National Geographic, “Dario reconheceu que uma área tão grande precisava ser adequadamente estruturada e organizada para funcionar com eficiência. Ele estabeleceu um sistema de províncias e governadores, e um serviço postal que atravessou o império para estabelecer uma comunicação ampla.”
Um importante helenista estudioso da Pérsia, David Asheri, afirmou que uma questão relevante para a formação de um império tão poderoso como foi o Aquemênida era a ideologia da Monarquia Universal.
De acordo com essa vertente, o território de direito de Ciro era, virtualmente, o mundo inteiro e, consequentemente, as diferenças diversas ente os muitos povos do mundo conhecido eram irrelevantes, pois a dominação persa não se pautaria numa identidade, mas numa visão paternalista do xá. Tanto que a lígnua geral do império sequer era o persa, mas o aramaico, enquanto em outros temas, cada povo deveria praticar suas próprias culturas.
A monarquia universal Aquemênida, como consequência, dominou a maior população em um único império da História. Segundo o Guinness Records Book, a Pérsia de Ciro comandou 49,4 das 112,4 milhões de pessoas do então mundo conhecido da época.
Gravuras de soldados persas na capital aquemênida / Crédito: Getty Images
Ou seja, a Pérsia dominou surpreendentes 44% dos indivíduos do mundo. Essa atitude, na visão de gregos como Heródoto, era absurda: os xás se achavam superiores a Zeus e pretendiam dominar territórios para além da suposta necessidade de cada povo; isso é hybris, a manutenção de um caos que foge da realidade natural.
Afirmar, categoricamente, que a Pérsia foi o mais poderoso império do mundo, sem a ponderação anteriormente feita - e a compreensão de que em outros aspectos existem poderes mais consolidados do que o aquemênida -, parece precipitado. Afinal, muitos outros impérios antigos foram estratofericamente poderosos.
Porém, tudo indica que o Império dos xás também foi um dos mais poderosos da História: “Rein Taagepera, que compilou estatísticas úteis para estudantes sobre a duração e o tamanho dos impérios antigos[...] escreve que, no mundo antigo, o Império Aquemênida era o maior império.” reafirma N.S. Gill, especialista em História Antiga da Universidade de Minnesota em entrevista ao ToughCo.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Em 1986, Saddam Hussein tentou reconstruir a Babilônia das ruínas.

EM 1986, SADDAM HUSSEIN TENTOU RECONSTRUIR A BABILÔNIA DAS RUÍNAS

No auge da guerra Irã-Iraque, o ditador resgatou o passado de Nabucodonosor — registrando seu nome nos tijolos originais
DANIELA BAZI E JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 08/12/2019
Saddam em uma conferência de imprensa no ano de 1983
Saddam em uma conferência de imprensa no ano de 1983 - Getty Images
Construída por volta de 2300 a.C., a cidade da Babilônia é o berço da escrita e literatura, além de ser uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e ter encantado milhares de pessoas com seus jardins suspensos.
Fascinado pela cidade, o ditador iraquiano Saddam Hussein decidiu reconstruí-la no topo das antigas ruínas, gastando milhões de dólares no auge da Guerra do Iraque contra o Irã, como uma forma de homenagear o rei Nabucodonosor — pelo qual Hussein era obcecado.
BABILÔNIA DE SADDAM
Violando qualquer norma de preservação do patrimônio histórico, a construção de um dos três palácios originais sobre suas ruínas foi levada a cabo, mesmo que ninguém soubesse exatamente como eram os antigos edifícios da Babilônia. A réplica, construída em 1986 com grande apoio da população iraquiana, teve um custo total de cinco milhões de dólares.
Imagem aérea da construção, em maio de 1992 / Créditos: Getty Images

A ideia era que o palácio estivesse em pé antes do início do primeiro festival de artes da Babilônia, em setembro de 1987. Observando um dos tijolos originais, contendo o nome de Nabucodonosor II e a data de 605 a.C., Hussein ordenou que uma inscrição sua também marcasse a história do local.
Hoje, visitando a Babilônia reconstruída, podemos ler em um de seus tijolos: '' No reinado do vitorioso Saddam Hussein, presidente da República, que Deus o mantenha, o guardião do grande Iraque, renovador de seu renascimento e construtor de sua civilização. A reconstrução da grande cidade da Babilônia foi realizada em 1987''.
BASE MILITAR
Pichações feitas no palácio de Saddam Hussein / Créditos: Getty Images

Segundo o Ministro da Cultura do Iraque, Abdulamir al-Hamdani, que descreve a cidade como “Babilônia de Saddam”, a construção foi feita de forma errada e sem consultas externas. “O local ficou negligenciado após a invasão do Iraque em 2003, liderada pelos EUA. Mas os danos foram infligidos por soldados americanos e poloneses, que o usaram como base militar".
Situação atual de um dos grandiosos salões do palácio / Créditos: Getty Images

Atualmente, a Babilônia se encontra aberta para receber turistas do mundo inteiro. Entretanto, 16 anos após a execução de Saddam, a grandiosa construção está completamente abandonada. As paredes dos enormes salões estão pichadas e cacos de vidros quebrados são vistos pelo chão. E os poucos iraquianos que visitam a fortaleza são famílias e grupos de adolescentes que se reúnem nas varandas para fumar narguilé.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Placas cuneiforme raras são encontradas no Iraque.

PLACAS CUNEIFORME RARAS SÃO ENCONTRADAS NO IRAQUE

A descoberta ocorreu na cidade de Tell as-Sadoum, na região onde era a Suméria no terceiro milênio, e descreve cenas mitológicas
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 05/12/2019
Alguns dos tabletes encontrados
Alguns dos tabletes encontrados - Universita di Pisa
Arqueólogos revelaram durante escavação no Iraque três porções de arquivos de tabletes de argila escritos em cuneiforme, a maioria em bom estado de conservação. Esse é o resultado de um trabalho colaborativo entre as Universidades de Pisa, Siena e Al-Qadisiyyah. Junto ao material escrito, que data do segundo milênio a.C., foram desenterradas cerâmicas e cretulae (blocos de argilas que serviam de lacre para segurar recipientes).
Uma das áreas escavadas / Crédito: Universita di Pisa

As descobertas ocorreram no sítio de Tell as-Sadoum, no sul do país, que foi identificada como a cidade suméria de Marad. As escavações ocorreram com foco na região do antigo Templo, uma área residencial e um circuito industrial.
 “Em geral, as tábuas testemunham a riqueza e a animada vida econômica e administrativa da cidade antiga na Mesopotâmia e geralmente falam de transações comerciais e de questões administrativas e judiciais”, explana Anacleto D'Agostino, professor contratado de Arqueologia da Mesopotâmia do Oriente Próximo pela Universidade de Pisa.
Lacre em barro com iconografia / Crédito: Universita di Pisa

O sítio possuía estratigrafia de períodos pré-dinásticos até o horizonte neobabilônico. "As tábuas que encontramos, dos períodos de Isin-Larsa e da antiga Babilônia, atualmente em exame, contêm contratos de compra, cartas e fórmulas de datas, além de mencionar nomes de soberanos e referências a algumas cidades", afirmou D’Agostino.
Lacre em barro com iconografia / Crédito: Universita di Pisa

Os selos encontrados revelaram iconografias e símbolos que elucidam o nível de complexidade da sociedade deste sítio. Há retratos de heróis lutando com animais selvagens, criaturas mitológicas, figuras de deuses-rei, entre outras figuras. “Dados os excelentes resultados desta campanha e a importância das descobertas, a perspectiva é continuar o projeto até 2020 com uma nova missão no campo.”

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Os 4 milênios da Babilônia, a morada dos deuses.

OS QUATRO MILÊNIOS DA BABILÔNIA, A MORADA DOS DEUSES

A partir da cidade da Babilônia, construiu-se um dos maiores impérios da Antiguidade, com grandes exércitos, aquedutos, estradas e literatura
CLÁUDIA DE CASTRO LIMA PUBLICADO EM 15/10/2019
O Código de Hammu-rabi
O Código de Hammu-rabi - Museè du Louvre
Em 1987, o então ditador iraquiano Saddam Hussein visitou ruínas de um palácio que pretendia reconstruir, localizadas 80 quilômetros ao sul da capital Bagdá. Lá, perguntou ao arqueólogo Donny George, na época diretor de campo do sítio, como os especialistas sabiam quando o palácio havia sido construído. O cientista mostrou para o governante os tijolos originais. Neles estava estampado um nome, Nabucodonosor II, que se sabia haver vivido por volta de 605 a.C..
Saddam quase não falou naquele encontro. Mas ouviu muito sobre a história do local. E fez duas exigências. A primeira era que a reconstrução do palácio começasse num festival de artes que ocorreria em setembro daquele ano. A segunda, que seu nome estivesse inscrito em todos os tijolos, assim como Nabucodonosor fizera mais de 2 500 anos antes.
Ambas denunciavam a megalomania do ditador. E também o fascínio que a avançada civilização que por lá floresceu exercia não só nele, mas em toda a humanidade. A Babilônia, nome tanto de uma cidade quanto de um império, voltava, assim, a ser o centro das atenções.  
O palácio construído por Saddam Hussein / Crédito: Reprodução
Cidades da Mesopotâmia
Essa civilização, que surgiu na planície entre os rios Tigres e Eufrates, não foi a primeira. Antes dos babilônicos, os sumérios já haviam erigido um império na região conhecida como Mesopotâmia. Várias outras civilizações viveram sucessivamente por ali: a assíria, a hitita, a acádica. A história delas começou por volta de 4000 a.C.. "Diferentes grupos populacionais existentes na Mesopotâmia estabeleceram relações entre si.
Eram pastores do deserto, pescadores dos pântanos e agricultores das planícies", diz a historiadora Kátia Paim Pozzer, doutora em História pela Universidade de Sorbonne, em Paris, e professora da Universidade Luterana do Brasil.
"Eles formaram um núcleo de contato com os povos das áreas montanhosas distantes, em busca de matérias-primas inexistentes no sul da região, como pedra, metal e madeira. Iniciou-se, assim, um processo de diferenciação social, em que um grupo conquistou o monopólio sobre a produção de riqueza daquela sociedade."
Foi assim que surgiram os primeiros centros urbanos, como Uruk, que tinham uma instituição principal: o templo. "Os templos exerciam papel religioso, mas também econômico e administrativo", diz Kátia. Para os mesopotâmicos, as cidades eram a morada dos deuses. "Cada divindade do panteão possuía uma residência principal, sua cidade predileta." Babilônia era casa do deus Marduk, que ocupava posto máximo no panteão.
Na região, as várias cidades-estados que surgiram foram marcadas pela pulverização do poder. Disputas sobre a hegemonia política levaram a um êxodo rural. As cidades eram o lugar mais seguro. Fortes foram construídos, muros subiram ao redor delas para evitar invasões. As constantes brigas também exigiram o fortalecimento da autoridade política e militar - e, por isso, surgiram os palácios.
Período paleobabilônico
O primeiro império da Babilônia teve início em uma dessas danças das cadeiras entre as cidades-estados mesopotâmicas. Depois dos sumérios, que foram o povo mais influente na região entre 2900 e 2000 a.C., os amorritas ganharam controle de grande parte da região.
"Eles centralizaram o governo sob cidades-estados individuais e basearam sua capital na cidade da Babilônia", diz o historiador Richard Hooker, professor de Civilizações Antigas da Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos. A cidade, que até então era bem modesta e submetida a outro povo, ganhou importância.
O grande nome do período paleobabilônico foi o de Hammurabi (1792-1750). Dono de grandes habilidades políticas e militares, ele não só ampliou as fronteiras da Babilônia como também elaborou um código de leis que é até hoje citado como um dos principais da história, escrito em uma estela de diorito negro. A Babilônia ocupava então o que hoje são os territórios do sul do Iraque e da Síria.
Tábua sobre a epopeia / Crédito: Reprodução
A justiça e a definição do direito eram tão importantes que estão bem documentados nos milhares de tabletes de argila descobertos nos sítios arqueológicos da Mesopotâmia, embora a maior parte deles seja de caráter contábil-administrativo. Muito da história dos antigos babilônicos, aliás, deve-se ao fato de eles estarem entre os primeiros povos a usar a escrita, chamada de cuneiforme, que era feita com estiletes em argila mole.
A Epopeia de Gilgamesh, uma das formas literárias mais antigas existentes no mundo, foi escrita por volta de 1300 a.C. O texto trata, ao mesmo tempo, de um personagem lendário e histórico. Gilgamesh foi o rei de Uruk no século 28 a.C. e a epopeia conta suas aventuras na busca da eternidade.
"Nele são evidenciados os princípios éticos e morais daquela sociedade e a dor e a solidão dos homens diante do sofrimento e da morte", afirma Kátia Pozzer. Os babilônicos não acreditavam em vida após a morte. Era preciso aproveitar o mundo aqui.
Os banquetes eram fartos e os convidados, extremamente bem recebidos. "Havia uma conduta apropriada para a recepção de um convidado, segundo os hábitos da época: troca de apresentações e de palavras amistosas, oferecimento de vestimentas limpas e novas, unção do corpo com óleos perfumados e, claro, bebida e comida em abundância.
No decorrer do banquete era realizado um brinde que anunciava uma espécie de duelo, que poderia ser uma disputa de oratória ou um enfrentamento armado, cujo encerramento era, em princípio, pacífico", afirma Kátia.
Depois da comida, mais diversão. Lutadores se enfrentavam, saltimbancos faziam piruetas e músicos tocavam. "Ocasionalmente, eles mantinham relações sexuais enquanto tocavam seus instrumentos", diz Kátia.
Zigurates
Outra marca do reinado de Nabucodonosor II foram os vários zigurates que ele mandou erigir. Zigurate é uma espécie de templo em forma de pirâmide com vários andares. O mais famoso de todos é um da época do rei, o Etemenanki, que serviu de inspiração para a Torre de Babel bíblica. A estrutura original havia sido construída por Hammurabi, mas foi restaurada por Nabucodonosor.
Se, para os babilônicos, a cidade era o lugar onde moravam os deuses, os zigurates eram a residência deles. Os deuses babilônicos, por sinal, foram criados à imagem e semelhança dos homens. "Eles tinham a mesma aparência, qualidades e defeitos, eram movidos a paixão e ódio como os humanos", diz Kátia Pozzer. "Toda a vida na Terra era comandada pela vontade dos residentes dos céus e dos infernos." Ishtar foi a mais célebre das deusas da Mesopotâmia.
Ilustração mostra os Jardins Suspensos da Babilônia / Crédito: Reprodução
Para ela, o rei construiu a porta de Ishtar, famoso portão ricamente adornado com tijolos azuis e baixos-relevos de figuras de animais e da deusa. Marduk era o padroeiro da Babilônia - a ponto de a Torre de Babel ter sido dedicada a ele.
Para ela, o rei construiu a porta de Ishtar, famoso portão ricamente adornado com tijolos azuis e baixos-relevos de figuras de animais e da deusa. Marduk era o padroeiro da Babilônia - a ponto de a Torre de Babel ter sido dedicada a ele.
A privilegiada posição da capital do império também a transformou num importante centro comercial, base de uma rota que cortava a Mesopotâmia toda e seguia até o Egito. "Embora cada cidade tivesse um dialeto levemente diferente, os moradores podiam entender facilmente uns aos outros", diz o linguista Guy Deutscher, professor do Departamento de Culturas Mesopotâmicas Antigas da Universidade de Leiden, na Holanda.
O começo do fim
A morte de Nabucodonosor em 562 a.C. desencadeou um processo de declínio de um império que jamais voltaria a se reerguer. Seu filho e sucessor Amel-Marduk reinou por apenas dois anos antes de ser assassinado por seu cunhado Neriglissar, que por sua vez morreu três anos mais tarde, e seu filho Labashi-Marduk, que era provavelmente apenas uma criança, só foi aceito como rei por algumas das cidades da Babilônia. Resultado: acabou morto em pouco mais de um mês em uma conspiração por parte da nobreza do império.
Um herói de guerra, sem sangue nobre, exigiu para si o trono. Era Nabonido, um sujeito com um filho já crescido, Bel-shar-usur (citado na Bíblia como Baltazar). Embora não tenha sido aceito logo de cara por algumas cidades do império, ele se mostrou um ótimo articulador político: tratou de mandar a filha para ser sacerdotisa do deus da lua Sin na cidade de Ur e reconstruiu um importante templo em Harran, na Síria.
Nabonido resolveu estreitar ligações com os árabes e mudou-se para o norte da península Arábica por dez anos. Deixou seu filho Bel-shar-usur como governante na Babilônia.
Na mesma época, os persas emergiam na região. Exércitos das duas potências enfrentaram-se em vários locais até que Ciro, o rei persa, conquistou a capital e capturou o rei Nabonido. Ciro libertou os descendentes dos antigos hebreus expulsos de Jerusalém por Nabucodonosor e declarou seu próprio filho, Cambisses, como rei da Babilônia.
"Porém, depois de um ano o negócio foi desfeito e os territórios da Babilônia viraram uma vasta província sob o governo persa", escreveu Paul Collins. "O centro do mundo oriental transferiu-se para Susa, a capital persa", afirma Hooker.
Por volta de 332 a.C., Alexandre, o Grande queria a Pérsia, governada pelo rei Dario. Quando Alexandre chegou à Babilônia, foi recebido como um herói - os habitantes da região não aguentavam mais as humilhações sofridas durante o domínio persa, que incluiu a destruição dos símbolos sagrados. Foi na Babilônia que Alexandre morreu, acredita-se que de virose. E com o tempo o próprio império teria o mesmo destino.

Saiba mais com a obras:
1. Sociedades do Antigo Oriente Próximo, Ciro Flamarion Cardoso, 1995.
2. From Egypt to Mesopotamia, de Paul Collins, 2008.