Durante escavações nos desertos de Omã, no Oriente Médio, arqueólogos fizeram uma descoberta rara. Os pesquisadores se depararam com um antigo jogo de tabuleiro feito de pedra. Estima-se que o artefato tenha cerca de quatro mil anos.
Jogo Real de Ur
O jogo foi encontrado nas ruínas de uma sala na localidade de Ayn Bani Sa'dah, no vale de Qumayrah. De acordo com os pesquisadores, seu tabuleiro apresenta marcas de pelo menos treze quadrados, cada um com um recuo central. Com base em outros jogos similares encontrados em sítios arqueológicos do Oriente Médio, acredita-se que ele seja uma espécie de antepassado do gamão.
Um dos cinco tabuleiros do Jogo Real de Ur encontrados pelo arqueólogo Leonard Woolley em uma necrópole entre 1922 e 1934
"O exemplo mais famoso de um tabuleiro de jogo baseado em um princípio semelhante foi encontrado nas sepulturas de Ur (na Babilônia)", afirmou Piotr Bieliński, arqueólogo da Universidade de Varsóvia, na Polônia. Originário da Mesopotâmia, o Jogo Real de Ur era feito para dois jogadores. Eles jogavam dados para mover as peças ao redor do tabuleiro antes que seu oponente o fizesse. Como nas regras do gamão, os jogadores podiam impedir o progresso do adversário capturando suas peças e devolvendo-as ao início.
Além do jogo de tabuleiro, os arqueólogos também encontraram as ruínas de uma torre dentro de um assentamento da Idade do Bronze, bem como evidências de fundição de cobre. “Isso mostra que nosso assentamento participava do lucrativo comércio de cobre pelo qual Omã era famoso na época", afirmou Bieliński.
Fontes
Daily Mail
Imagens
J.Sliwa/Universidade de Varsóvia e Museu Britânico, via Wikimedia Commons
Criado há cerca de cinco mil anos no Egito, o Senet é um dos jogos de tabuleiro mais antigos do mundo, uma espécie de antepassado do gamão. No início, ele era só um passatempo popular, mas com o tempo se transformou em um meio para os vivos tentarem se comunicar com os mortos. Uma versão do jogo que pertence ao acervo do Museu Egípcio Rosacruz, nos Estados Unidos, pode dar pistas a respeito de como aconteceu essa transição.
Os tabuleiros mais antigos já encontrados indicavam que, quando surgiu, o jogo era um mero entretenimento. Mas há cerca de 4.300 anos, tumbas egípcias passaram a ser decoradas com imagens de vivos disputando partidas de Senet com os mortos. Textos da época sugerem que nessa época a atividade passou a ter conotações místicas de comunicação com o além-túmulo.
O próprio jogo foi se modificando nos milênios seguintes para se adaptar à função de se comunicar com os mortos. Há cerca de 3.300 anos, algumas casas dos tabuleiros passaram a exibir hieróglifos de pássaro, que simbolizavam a alma. O tabuleiro pertencente ao Museu Egípcio Rosacruz parece ter sido criado em um momento de transição no processo em que a prática adquiria esse caráter místico.
O tabuleiro do museu não contém os hieróglifos que simbolizam a alma, mas apresentam outros caracteres com conotação sobrenatural. Um deles é o hieróglifo que simboliza a água. Segundo os arqueólogos, ele representa o rio ou lago que os espíritos atravessavam em direção ao Duat, o reino dos mortos. "Pode ser uma das primeiras vezes que esse aspecto da jornada pela vida após a morte foi representado no tabuleiro", disse Walter Crist, arqueólogo da Universidade de Maastricht, na Holanda, que publicou um estudo sobre o artefato no The Journal of Egyptian Archaeology. A idade do tabuleiro em questão é uma incógnita, mas Crist acredita que, por suas características únicas, tenha sido feito há 3.500 anos.
PESQUISADOR DA USP CRIA O PRIMEIRO GAME DE ARQUEOLOGIA DO BRASIL
O jogo tem o intuito de mergulhar os usuários no universo das histórias da Era Medieval
GIOVANNA DE MATTEO PUBLICADO EM 18/08/2020
Jogo "Triunfos de Tarlac" - Triunfos de Tarlac/Divulgação
Segundo o Jornal da USP, os Triunfos de Tarlac, jogo de tabuleiro e estratégia, desenvolvido pelo pesquisador Vinicius Marino Carvalho, do Laboratório de Estudos Medievais (Leme), em parceria com o Grupo de Pesquisa Arise (Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas) da USP, foi inspirado em um manuscrito cujo título em irlandês é “Caithréim Thoirdhealbhaigh”, que em português significa “Os Feitos de Combate”, ou “Triunfos de Tarlac”.
O game se passa durante o reino de Tarlac, o Rei de Thomond, que ocupava a costa oeste da Irlanda, região conhecida atualmente como condado de Clare. Mais precisamente, o jogo leva o usuário até a Irlanda do século 13 e 14, quando os comerciantes ingleses tentavam expandir seus negócios a partir da criação de reinos vassalos da coroa inglesa na região.
Guerras entre dinastias, assassinatos, fome e catástrofes climáticas, como a Era do Gelo, são desafios que os jogadores poderão enfrentar durante as partidas. “A cada turno, novas tragédias acontecem, eventos fracassam e os jogadores vão poder ver como isso afetava os reinos. Em tese, como a economia e o ambiente afetavam as ações humana”, disse Marino.
Neste universo, cada jogador terá que controlar um clã, no qual o objetivo será gerir reinos e dominar os adversários.“O jogo está em fase de testes, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2021”, completou o criador.
O game será lançado em mídia física, em fomato de tabuleiro, e em uma versão virtual no software Tabletop Simulator. “Nossa ideia é produzirmos pelo menos uma versão 100% gratuita — com materiais que possam ser baixados e impressos pelos jogadores”, explicou.
Criado há cerca de cinco mil anos no Egito, o Senet é um dos jogos de tabuleiro mais antigos do mundo, uma espécie de antepassado do gamão. No início, ele era só um passatempo popular, mas com o tempo se transformou em um meio para os vivos tentarem se comunicar com os mortos. Uma versão do jogo que pertence ao acervo do Museu Egípcio Rosacruz, nos Estados Unidos, pode dar pistas a respeito de como aconteceu essa transição.
Os tabuleiros mais antigos já encontrados indicavam que, quando surgiu, o jogo era um mero entretenimento. Mas há cerca de 4.300 anos, tumbas egípcias passaram a ser decoradas com imagens de vivos disputando partidas de Senet com os mortos. Textos da época sugerem que nessa época a atividade passou a ter conotações místicas de comunicação com o além-túmulo.
O próprio jogo foi se modificando nos milênios seguintes para se adaptar à função de se comunicar com os mortos. Há cerca de 3.300 anos, algumas casas dos tabuleiros passaram a exibir hieróglifos de pássaro, que simbolizavam a alma. O tabuleiro pertencente ao Museu Egípcio Rosacruz parece ter sido criado em um momento de transição no processo em que a prática adquiria esse caráter místico.
O tabuleiro do museu não contém os hieróglifos que simbolizam a alma, mas apresentam outros caracteres com conotação sobrenatural. Um deles é o hieróglifo que simboliza a água. Segundo os arqueólogos, ele representa o rio ou lago que os espíritos atravessavam em direção ao Duat, o reino dos mortos. "Pode ser uma das primeiras vezes que esse aspecto da jornada pela vida após a morte foi representado no tabuleiro", disse Walter Crist, arqueólogo da Universidade de Maastricht, na Holanda, que publicou um estudo sobre o artefato no The Journal of Egyptian Archaeology. A idade do tabuleiro em questão é uma incógnita, mas Crist acredita que, por suas características únicas, tenha sido feito há 3.500 anos.
A ilha de Lindisfarne é famosa por ter sido um dos principais centros do cristianismo na Grã-Bretanha. Lá, um mosteiro foi fundado pelo monge irlandês Santo Edano, em 634. No ano de 793, o local foi palco da primeira invasão viking em terras britânicas. Agora, um artefato que pode estar relacionado à presença dos guerreiros nórdicos na região foi encontrado por arqueólogos.
Durante um trabalho de escavação aberta ao público, a mãe de um membro da equipe de arqueólogos se deparou com um pequeno objeto brilhante. Mais tarde, o delicado artefato de vidro azul foi identificado como uma peça de um jogo de tabuleiro viking chamado hnefatafl (ou "mesa do rei"). Decorada com entalhes brancos e contendo no topo uma espécie de "coroa" formada por cinco pequenas bolas, os especialistas acreditam que a peça representava a figura do rei.
Derivado do jogo de guerra romano Ludus Latrunculorum, o hnefatafl era jogado na Grã-Bretanha, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia antes da chegada do xadrez, nos séculos XI a XII. De acordo com o arqueólogos, o objeto possivelmente data de algum período entre os anos 700 e 900. Os especialistas acreditam que a peça fazia parte de um conjunto que teria sido usado para jogar uma variação britânica do hnefatafl, inspirada na versão viking do jogo.
"Tenho certeza que muitas pessoas se perguntarão se essa peça foi descartada por um viking durante o ataque a Lindisfarne", disse Lisa Westcott Wilkins, diretora administrativa da DigVentures, iniciativa responsável pelas escavações. Apesar de a hipótese ser fascinante, ela acredita que o mais provável é que o objeto fizesse parte de um conjunto que pertencia a membros da elite do norte da Grã-Bretanha antes mesmo de os vikings invadirem o local. "É incrível pensar que quando os vikings chegaram aqui eles poderiam, em teoria, ter se sentado com os monges de Lindisfarne para jogar um jogo familiar para ambas as culturas", completou.
EGITO ANTIGO: 10 BRINQUEDOS E JOGOS LÚDICOS COMUNS NA ANTIGUIDADE
Conheça 10 passatempos populares na infância do Egito Antigo
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 18/06/2019
Jogo dos chacais contra cães - Met Museum, EUA
1. Boneco de pano
Crédito: Ancient Egypt Museum
Assim como hoje, bonecos feitos de pano imitando pessoas eram comuns no Egito. Em geral, era feitos de linho e preenchidos com trapos de pano e papiro.
Eles eram ornamentados com detalhes com pedras, linhas e outros materiais que sofisticavam o utensilio. Há exemplares conhecidos, como o acima, que provavelmente possuíam um enfeite pendurado na cabeça para simular cabelos.
Isso pode ser observado devido à presença de uma pedra azul fincada na lateral da cabeça, onde ele seria encaixado. Exemplar do Período Ptolomaico.
2. Bola
Crédito: Reprodução
Apesar das claras diferenças entre as bolas egípcias e as nossas, ainda é possível afirmar que esse brinquedo já era estava presente em jogos lúdicos entre jovens.
As bolas antigas eram, em geral, feitas de blocos ou fragmentos de tecido, folhas de palmeira secas, plantas rígidas e tiras de couro, que compunham um bloco robusto unido por filamentos de corda. Muitos exemplares, porém, eram feitos de paredes sólidas e unificadas com maior precisão, sendo ocas por dentro e preenchidas com ar.
3. Dados
Crédito: Reprodução
Muitos dados já foram encontrados em escavações no Egito. Entre os mais comuns, foram descobertos os clássicos dados de seis faces, muitos também utilizando a marcação de pontinhos — provavelmente para marcar numerações — bem parecidos com os nossos dados contemporâneos.
Há também uma diversidade de dados em formato icosaedro (um tipo de poliedro), como os atuais d20 de RPG. O uso dos dados poliédricos não é muito bem elucidado ainda pela arqueologia, mas muitos se referem a eles como parte de jogos do tabuleiro e como partes de rituais ou sessões de adivinhação oracular.
4. Ratinho de cerâmica
Crédito: British Museum
Trata-se de um boneco em formato de rato feito de cerâmica cozida, com uma articulação na área da mandíbula, feita de madeira, para movimentação. Essa articulação era operada pelo fio conectado à lateral da cabeça do rato. Infelizmente, não se sabe em que ocasião era utilizado.
5. Gato de madeira
Crédito: British Museum
Esse felino – pode ser tanto um gato quanto uma leoa – é feito de madeira com dentes encaixados feitos de bronze.
Havia uma corda que passava sobre a cabeça do boneco e se articulava com a mandíbula do animal, que se mexia para baixo e para cima. O exemplar encontrado desse boneco remete ao Novo Império.
6. Jogo da Cobra
Crédito: Wikimedia commons
O jogo da cobra, ou também conhecido como mehen em egípcio médio, era uma placa em formato circular com um padrão lacunar imitando o animal.
Eram incluídas algumas peças e esse jogo aparece em alguns registros gráficos e imagens antigas encontradas no Egito, mas até hoje não se sabe ao certo quais eram as regras do jogo. Seu nome, Mehen, é uma referência ao deus de mesmo nome, uma entidade divina associada com as cobras.
7. Cavalo com rodas
Crédito: British Museum
Esse brinquedo existe até hoje. Trata-se de uma representação de um cavalo feita de madeira, muito colorido com tintas diversas, que era, provavelmente, puxado por uma corda presa à boca do animal. É possível ver uma área aberta na região, onde ela seria amarrada.
8. Boneco de Moedor
Crédito: Reprodução
No Egito Antigo, era comum que brinquedos representassem atividades econômicas e exercessem tarefas comuns da comunidade, assim como hoje fazem as bonecas Barbie.
Um exemplo interessante é o caso desse moedor de grãos que foi encontrado. O boneco seguraria uma pedra que é movimentada pelo movimento do corpo, raspando numa superfície de rochosa. O brinquedo tem uma dinâmica pedagógica e lúdica, o resultado é muito semelhante a um verdadeiro moedor profissional de grãos.
9. Chacais contra cães
Crédito: Met Museum
Trata-se de um tabuleiro com uma gaveta para guardar as peças, incluindo cinco estacas com cabeça de cachorros e cinco com cabeças de chacal. O tabuleiro em formato de lâmina de machado possui 58 buracos encaixáveis, o desenho de uma palmeira e o símbolo de shen, que significa ouro.
Não foram encontrados registros sobre o funcionamento e as regras desse jogo, porém alguns historiadores apontam que é possível prever algumas características. Pelas marcações nos buracos, há a hipótese de que existiam, entre os buracos, áreas do tabuleiro associadas ao ganho e outras à perda.
Ao fim, considera-se que esse era um jogo simples de azar. Esta peça pertence ao Médio Reino, 12ª Dinastia.
10. Senet
Crédito: Wikimedia commons
O senet era um jogo de tabuleiro simples, dividido em três fileiras de dez sessões. Os quadrados formados eram preenchidos com símbolos de boa e de má fortuna, de maneira espalhada. Apesar de, novamente, não saberem exatamente as regras desse jogo, conhece-se que se trata de um jogo de estratégia.
Acredita-se numa hipótese de que a vitória nesse jogo é baseada no ato de um jogador conseguir guiar suas peças para o lado oposto, que é o lado do oponente.
Um arqueólogo encontrou no Azerbaijão resquícios de um jogo de cerca de quatro mil anos. As partidas eram disputadas em um "tabuleiro" entalhado no chão de um antigo abrigo rochoso no Parque Nacional Gobustan. No local, havia uma série de buracos perfurados em um padrão específico.
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O antigo jogo é chamado de "58 buracos" ou "Cães de Caça e Chacais". Um conjunto completo, com tabuleiros e peças já havia sido encontrado na tumba do faraó Amenemés IV, que governou o Egito entre os anos 1990 a.C. e 1800 a.C. O arqueólogo Walter Crist acredita que o "tabuleiro" encontrado por ele no Azerbaijão seja ainda mais antigo.
De acordo com Crist, o jogo era popular em todo o antigo Oriente Médio, incluindo o Egito, Mesopotâmia e Anatólia. Tudo indica que o "tabuleiro" encontrado no Azerbaijão pertencia a uma tribo de nômades que pastoreavam gado há quatro milênios. Outros arqueólogos sabiam da existência dos buracos no chão do abrigo rochoso, mas não faziam ideia de que se tratava de um jogo.
As regras de "58 buracos" são desconhecidas. Sementes ou pedras eram usadas como peças movimentadas pelos jogadores em um tabuleiro. Alguns especialistas acreditam que o jogo era parecido com o gamão, mas Crist discorda. Segundo ele, o gamão é derivado de um jogo romano chamado Tabula.
O arqueólogo acredita que os jogos antigos surgiram para cumprir uma espécie de função social. "Um jogo é uma ferramenta de interação, como a linguagem", disse. "É algo como uma singularidade humana, um tipo de abstração — mover peças em espaços vazios no chão não tem nenhum efeito na vida cotidiana, exceto interagir com outra pessoa", completou.