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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Dia 16 de agosto é dia de São Roque.


Roque de Montpellier

Santo

Descrição

Descrição

Roque de Montpellier é um santo da Igreja Católica Romana, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos, cirurgiões, e dos cães. É também considerado por algumas comunidades católicas como protetor do gado contra doenças contagiosas. Wikipédia




Falecimento16 de agosto de 1327, Voghera, Itália
PadroeiroDos inválidos, dos cirurgiões e dos cães
Morte16 de agosto de 1327 (32 anos) em MontpellierFrança


 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Castrati: quando meninos eram castrados pela igreja católica.

CASTRATI: QUANDO MENINOS ERAM CASTRADOS PELA IGREJA CATÓLICA

Na Itália, entre os séculos 16 e 18, garotos eram mutilados para que atingissem extensões vocais femininas ao cantarem em grandes óperas religiosas
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 21/01/2020
Garotos cantando no coro da Igreja de Nova York em 1937
Garotos cantando no coro da Igreja de Nova York em 1937 - Getty Images
Na Igreja Católica, a lei oficial estabelecia que a amputação — de qualquer órgão — era ilegal. As exceções eram apenas para os procedimentos indispensáveis para salvar uma vida. No entanto, uma proibição feita pelo Papa Sisto V, no século 16, fez com que essa determinação não fosse seguida à risca pela instituição.
O pontífice baniu mulheres de cantarem em público. O impedimento causou problemas, principalmente, nas óperas religiosas realizadas na Itália naquela época. Como o coro continuaria tendo vozes mais finas se as moças não poderiam participar e os meninos, quando cresciam, deixavam de ter tais extensões vocais? A solução encontrada foi drástica.
Para enfrentar tal problema, garotos passaram a ser castrados a fim de manter uma voz mais fina. Antes da adolescência e da puberdade, mais ou menos aos seus 10 ou 11 anos, eles eram obrigados a passar por tal procedimento. Levando em conta as possibilidades científicas da época, a mutilação poderia leva-los à morte.
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Carlo Scalzi, um famoso castrati / Crédito: Wikimedia Commons
A técnica, porém, não era novidade. Em civilizações antigas, era comum castrar os homens — ou seja, remover o pênis. Os eunucos, como ficaram conhecidos, possuíam funções específicas em cada civilização. Territórios como China, Oriente Médio e até a Europa já haviam utilizado a prática em diferentes períodos.
Mas foi entre os séculos 16 e 18, na Itália, que ato atingiu seu ápice. Acredita-se que, naquela época, pelo menos quatro mil meninos foram castrados para esse fim.
Por ser um procedimento ilegal dentro da Igreja, não é possível determinar o número exato tanto de pessoas que passaram por isso quanto das que morreram em decorrência da cirurgia. Outro problema é que isso acontecia, geralmente, em cirurgiões clandestinos, que poderiam utilizar ópio como sedativo.
O método de preservar a voz dos meninos fazia com que os hormônios sexuais não conseguissem chegar à corrente sanguínea. Isso poderia causar transtornos para eles no crescimento. Os garotos provavelmente seriam mais baixos e alguns até mesmo tinham uma deformação causada pelo crescimento dos braços e das pernas em detrimento do tronco. A barba também não poderia ser desenvolvida e muitos tiveram osteoporose.
As cordas vocais cresciam minimamente, mas o peito e o diafragma seguiam seu curso normal de desenvolvimento. Assim, a voz poderia atingir um nível diferenciado, sendo distinta tanto do som normal dos garotos quanto das mulheres.
Pode-se questionar os motivos que levaram os pais desses jovens a deixar que a Igreja os mutilassem de tal maneira. Muitos desses meninos eram órfãos, ou ainda vindos de famílias muito pobres que viam na instituição uma oportunidade de sobrevivência aos seus filhos. Sem a possibilidade de cria-los, pais entregavam as crianças a conservatórios a fim de que eles pudessem praticar o canto.
Alessandro Moreschi, o último castrati / Crédito: Wikimedia Commons

Em 1870, o procedimento da castração para o canto foi proibido na Itália, mas alguns casos isolados ainda passaram a acontecer principalmente nas óperas das igrejas. Mas em 1902, Leão XIII encerrou a prática, e em 1913, o último castrato deixou o coro da Capela Sistina (seu nome era Alessandro Moreschi).

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A lista de livros proibidos pela Igreja Católica.

INDEX: A LISTA DE LIVROS PROIBIDOS PELA IGREJA

Leitores e autores de mais de 4 mil títulos foram perseguidos
JEANNE CALLEGARI PUBLICADO EM 02/01/2020
Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa - Getty Images
Maquiavel, Galileu, Kepler, Descartes, Voltaire, Victor Hugo, Jean-Paul Sartre. O que pensadores, cientistas e escritores de épocas tão diferentes têm em comum? Esses são apenas alguns dos autores incluídos no Index Librorum Prohibitorum, da Igreja Católica, a maior e mais influente lista de livros proibidos da História.
O índice vigorou por mais de 400 anos, entre 1559 e 1966 — baniu títulos imorais e, principalmente, contrários aos pontos de vista da doutrina cristã. Até o século 18, quando o índice já perdia influência, leitores que ousassem possuir as obras vetadas corriam o risco de ser julgados pelos tribunais da inquisição como hereges. Para os autores, as penas eram mais graves. Que o diga o teólogo Giordano Bruno, executado na fogueira em 1600.
Tentativas de controlar a informação aparecem na História desde a Antiguidade. Na Grécia e em Roma, políticos e sacerdotes se preocupavam com o que a população deveria ou não pensar. Sócrates, no século 4 a.C., foi obrigado a tomar cicuta, entre outros motivos, por "corromper a juventude" ao defender ideias como atribuir ao reconhecimento da ignorância a base da sabedoria. 
Crédito: Getty Images

Na era cristã, a seleção dos evangelhos que entrariam na Bíblia já demonstra o esforço da Igreja em moldar a doutrina. Os concílios de Niceia e Roma, no século 4, foram decisivos, assim como decretos papais posteriores. Textos como o Evangelho de Tomé (hoje tido por muitos especialistas como o mais antigo) e o de Judas passaram a ser considerados apócrifos. "A decisão sobre o que seria incluído ou não era política", diz André Barroso, professor de História da Religião e Filosofia da Unicamp.
"O Evangelho de João, por exemplo, quase ficou de fora. Mas como seria muito estranho colocar as Cartas de João (que os padres aprovavam) e não reconhecer seu evangelho, ele acabou passando." A própria Bíblia menciona o expurgo de publicações. O Atos dos Apóstolos (19:19) cita uma fogueira de livros de "magia", trazidos por cristãos recém-convertidos, avaliados em "50 mil peças de prata". Um decreto do papa Gelásio I do fim do século 5 é tido como uma espécie de precursor do Index.
Entre os séculos 18 e 19, os regimes absolutistas perdem terreno na Europa, na esteira da Revolução Francesa. Diante do Iluminismo, a Igreja também enfrenta resistência. Autores como David Hume e Denis Diderot são vetados, mas, na prática, o Vaticano perde poder para impor a censura. Em 1917, a Congregação do Index é incorporada ao Santo Ofício. Lá, a lista permaneceu até 1965, quando após nova mudança de nome, nasce a Congregação para a Doutrina da Fé. 
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Livro de 1564 com a lista do Index Librorum Prohibitorum / Crédito: Wikimedia Commons
No ano seguinte, o Index foi extinto — já não era atualizado desde 1948. A última edição alcançou 4 mil títulos. "A Igreja não fez uma retratação. Ela reconheceu que o mundo mudou", afirma André Barroso. Ou seja, tais livros ainda são perigosos, mas a legislação canônica não trata mais do tema.
Autoridades do clero ainda hoje podem emitir um admonitum, advertência sobre os riscos de determinada obra (seja qual for a mídia). Foi o que aconteceu quando Dan Brown lançou o Código Da Vinci, em 2003, ficção que atacava a Opus Dei.
Se a Igreja Católica deixou de listar títulos indesejados, nem de longe isso significa o fim da censura. A perseguição pode ser comum em outras religiões — Salman Ruhsdie passou a ser ameaçado de morte por fundamentalistas islâmicos depois de publicar Os Versos Satânicos, em 1989 — e mesmo governos democráticos usam brechas legais para conter informações indesejadas. Sem mencionar a pressão política e financeira. De qualquer forma, na era da internet, é tarefa cada vez mais difícil controlar a informação.
Por vários séculos, porém, a Igreja não precisou formalizar as proibições. Na Idade Média, a maioria da população era analfabeta, e os livros, raríssimos. Os exemplares eram reproduzidos a mão por monges. O latim, língua exclusiva às obras até o século 16, era dominado apenas por clérigos e um ou outro nobre. A partir da prensa de Johannes Gutenberg, porém, a coisa muda de figura. Não por acaso, o primeiro livro que ele imprimiu foi a Bíblia (em latim), em 1455.
Em pouco tempo, a capacidade das prensas era de 3,6 mil páginas impressas por dia. Muito mais do que permitiam técnicas anteriores ou as mãos calejadas dos monges copistas. A novidade se espalhou com rapidez e, em 1500, os equipamentos da Europa Ocidental já produziam mais de 20 milhões de exemplares.
A oferta (que já não se limitava ao latim) alimentava a procura. E disparou o sinal amarelo dos governos constituídos, que passaram a regulamentar a atividade das gráficas. Na Londres de meados do século 16, o trabalho de impressão foi restrito a duas universidades e às 21 prensas já existentes na cidade. Na França, em 1546, o gráfico Etienne Dolet foi queimado, acusado de disseminar o ateísmo.
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Crédito: Getty Images
Longe dos olhos do público, os membros do clero tinham debates acalorados sobre o que deveria ou não ser incluído no Index. O trabalho começava com uma denúncia: os católicos podiam sugerir livros que achassem perigosos.
Dois consultores eram nomeados para analisar cada obra. Suas conclusões eram então apresentadas aos cardeais da Congregação do Índex, em seus três ou quatro encontros anuais. Um relatório da discussão era produzido e submetido à aprovação do papa.
Pesquisadores que tiveram acesso a esses relatórios, abertos pelo Vaticano nos anos 1990, estimam que o número de livros denunciados e investigados pela Igreja era pelo menos o dobro dos que efetivamente foram proibidos. O Mein Kampf, de Adolf Hitler, analisado por três anos, acabou inocentado.
Com a Reforma protestante, iniciada por Martinho Lutero, em 1517, a Igreja é posta em xeque. Teólogo respeitado, quando abandona o catolicismo, Lutero traz consigo quase todo o clero da Alemanha. Para que a manobra desse certo, porém, era preciso mobilizar a população a seu favor. Assim, ele traduz a Bíblia para o alemão e converte a edição das Escrituras em idiomas locais numa bandeira protestante.
As versões ajudaram a alfabetizar muitos fiéis. Antes disso, nem o baixo clero tinha acesso aos textos sagrados. "Era o que a Igreja temia: que novos cismas pudessem acontecer no seio da religião", diz André. É no contexto da Contra-Reforma, portanto, que surge o primeiro Index Librorum Prohibitorum.
Em 1559, o papa Paulo IV vetou cerca de 550 obras e seus autores. Listas do tipo já haviam aparecido nos Países Baixos, em Veneza e em Paris, mas foi mesmo com o Index que a censura deslanchou. Até para os católicos, porém, o primeiro índice foi considerado muito restritivo.
Uma nova versão, o Index Tridentino (mais liberal), foi lançada em 1564. Essa relação foi a base para as futuras edições até 1897, quando Leão XIII definiu o Index Leonino. Cada papa podia emendar a lista, mas as citadas acima tiveram maior destaque.
Condenação de Galileu, em 1633 / Crédito: Wikimedia Commons

O primeiro alvo dos vetos, claro, foram Lutero e outros teólogos protestantes. A partir de 1571, foi criada a Sagrada Congregação do Índex, encarregada de avaliar os livros denunciados em Roma. Além de proibir autores, a comissão sugeria correções para certas obras, que poderiam ser publicadas se ajustadas.
Nietzsche e vários autores ateus acabaram de fora da relação: desde o Index Tridentino, obras notadamente heréticas, que contrariavam o dogma católico, eram proibidas por definição, sem necessidade de reafirmar isso na lista.
A Igreja adotou ainda uma forma de censura prévia: o imprimatur. Quem quisesse ter o aval da instituição podia submeter seus livros ao bispo, que recomendava (ou não) a publicação, na íntegra ou com alterações. Na primeira  página ou na capa, vinha o selo de imprimatur (do latim, "imprima-se").
Mecanismo similar foi utilizado por outras igrejas, como a Anglicana. Isaac Newton, por exemplo, teve de pedir autorização ao arcebispo de Canterbury para publicar seus Princípios da Matemática.
Nos primeiros séculos de atuação, o Index e a inquisição se complementavam. Alguns processos admitiam direito de defesa. Outros corriam de forma sumária. Uma retratação pública, eventualmente, poderia evitar penas mais duras. Galileu recuou da defesa do heliocentrismo e escapou da morte.
No século 19, esse deixou de ser um dogma, e as obras do italiano saíram do Index. Também a freira Faustina Kowalska, que escreveu sobre as visões que tivera de Jesus e Maria, foi reabilitada. Seu relato, proibido em 1959, permaneceu assim por 20 anos, mas acabou liberado. Ela foi canonizada em 2000.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Edgardo Mortara: refém da Igreja Católica.

EDGARDO MORTARA: REFÉM DA IGREJA CATÓLICA

A triste vida do menino judeu italiano que foi tomado dos braços de seus pais pela Igreja Católica, para ser criado como cristão; causando um escândalo que marcou o fim de uma era
MARIA CAROLINA CRISTIANINI PUBLICADO EM 19/09/2019.
Quadro de 1862, por Moritz Daniel Oppenheim. Na vida real, padres não estavam presentes
Quadro de 1862, por Moritz Daniel Oppenheim. Na vida real, padres não estavam presentes - Getty Images
Os fatos ocorridos na casa da família Mortara entre 23 e 24 de junho de 1858 abalaram muito mais do que a cidade italiana de Bolonha, onde o pequeno Edgardo, seus pais e irmãos moravam. Aos meros 6 anos, ele era retirado dos braços da família e levado a Roma para viver sob a guarda do papa Pio IX.
Era uma ação de resgate. Ou assim viam seus captores. Aos 4 meses de vida, o bebê havia sido batizado em segredo. Isso tornava o menino, aos olhos da Igreja, um católico. Uma criança católica não poderia ser criada por família de outra fé. E os Mortara estavam entre os cerca de 200 judeus de Bolonha, uma pequena comunidade que praticava sua fé quase em segredo, sem rabino ou sinagoga.
O mundo estava diante da questão: vale mais a família ou a alma? Deveria Edgardo voltar para os pais, Momolo e Marianna, ou permanecer sob a vigilância e educação católicas? Estaria o abuso em afastar um menino do seio da família ou em forçar um cristão a ser criado como judeu? Ao menos poderia uma conversão assim ser considerada legítima? 
Batismo de emergência.
Nascido em 27 de agosto de 1851, Edgardo era o sexto filho entre os oito de Momolo e Marianna. Aos 4 meses de idade, como era tristemente comum então, adoeceu gravemente. Na década de 1850, cerca de 40% das crianças não chegavam aos 5 anos.
Anna Morisi era uma empregada católica que trabalhava na casa da família. Ela era analfabeta, mas uma coisa havia aprendido dos padres: crianças que não são batizadas não vão para o Céu.
O bebê, então, iria para o limbo, ou pior. Assim, ela tinha uma emergência em suas mãos. E fez o ritual ela própria. Mas o menino sobreviveu. E seu ato chegou ao conhecimento do padre Pier Feletti, o inquisidor de Bolonha.
Anna nem deveria estar ali. Os Estados Papais, dos quais Bolonha fazia parte, proibiam que judeus tivessem empregados cristãos. Mas a relação de trabalho acontecia mesmo assim, como forma de garantir tarefas domésticas feitas enquanto os judeus observavam o shabat – algo fora de cogitação com uma funcionária doméstica judia.
Na prática, as autoridades faziam vista grossa. Anna veio da aldeia vizinha de San Giovanni in Persiceto aos 18 anos, queria juntar dinheiro para um dote e futuro casamento. Ficou na casa dos Mortara até ser contratada por outra família de Bolonha em 1857. Pouco depois, se casou e voltou para seu local de origem. Mas, naquele mesmo 1857, em outubro, chegaria aos ouvidos de Feletti rumores sobre o batismo de Edgardo.
Casos como esse não eram raridade na Itália do século 19, e o contexto costumava ser o mesmo do ocorrido com Edgardo. Na tentativa de evitar algo assim, e correr o risco de perder os direitos sobre os filhos, muitas famílias judias faziam suas empregadas assinarem declarações negando terem batizado quaisquer de suas crianças. Precaução que a família Mortara não tomou.
Depois de identificar Anna Morisi por trás dos rumores, e receber permissão do Santo Ofício, Feletti começou o interrogatório. Ela declarou que, diante da doença de Edgardo, salpicou água em sua cabeça, dizendo: “Eu batizo você em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Uma transcrição da conversa foi enviada para Roma. Junto, um pedido de permissão para remover o menino do convívio familiar e trazê-lo para ser criado pela Igreja.
Pio IX em 1871, por George Peter Alexander Healy / Crédito: Wikimedia Commons  
Não há registro exato sobre o quanto o papa Pio IX se envolveu nas discussões do Santo Ofício sobre o assunto ou se estava mesmo ciente da investigação inicial de Feletti.
A realidade era que, de acordo com a bula papal Postremo mense, de 1747, era ilegal tirar uma criança judia dos pais para o batismo – a não ser que ela estivesse morrendo, quando as considerações sobre salvar a alma superavam o direito dos pais. Essa exceção era pensada para uma criança que seria perdida pelos pais diante da fatalidade. Caso isso não se concretizasse, a Igreja se responsabilizaria por educá-la segundo o cristianismo.
Cena dolorosa.
Feletti ficou incumbido da remoção e transporte de Edgardo para a Casa dos Catecúmenos, em Roma, que recebia os recentemente convertidos ou aqueles em processo de aceitar o catolicismo. Um destacamento dos carabinieri, sob a liderança de Pietro Lucidi e Giuseppe Agostini, chegou ao apartamento dos Mortara no anoitecer de 23 de junho de 1858. Logo, Lucidi anunciou: “Senhor Mortara, sinto muito em informá-lo de que foi vítima de traição”.
O que se seguiu não é difícil de imaginar. Marianna, a mãe do garoto, se pôs a gritar, correndo para o quarto do filho e esbravejando que seria preciso matá-la primeiro. O próprio carabiniere Lucidi relatou depois: “Teria preferido mil vezes ser exposto a perigos muito mais sérios no desempenho de minhas tarefas do que ter que testemunhar uma cena tão dolorosa”.
A única esperança era apelar ao próprio Feletti, que recebeu Angelo Padovani, tio de Marianna e membro relevante da comunidade judaica de Bolonha, e Angelo Moscato, cunhado de Marianna. Sem resultado: o inquisidor alegou estar apenas executando ordens e não deu detalhes. Cedeu apenas ao pedido de que o garoto permanecesse mais um dia com a família. Dois homens ficaram de vigia para evitar fuga.
Toda a manhã de 24 de junho foi usada pela família em tentativas de derrubar as ordens de Feletti, sem sucesso. Perto do meio-dia, os Mortara decidiram tornar a separação o menos dolorosa possível. Os irmãos de Edgardo foram levados para visitar parentes, enquanto Marianna concordou, não sem relutar, em passar a tarde com uma família amiga. De acordo com relatos da época, o momento da retirada de Edgardo, às 20h, levou dois policiais às lágrimas. E Momolo ao desmaio.
Sem saber qual era o destino do garoto, a família focou os primeiros esforços na busca de apoio em outras comunidades judaicas pela Itália, incluindo Roma, e no exterior. Inicialmente ignorados pelo governo papal, os recursos de Momolo passaram a chamar a atenção depois que jornais reportaram o caso. Era um grande trunfo para os opositores do governo papal.
A Igreja sabia disso. Tanto que Giacomo Antonelli, cardeal secretário de Estado, organizou um encontro com o pai de Edgardo no começo de agosto de 1858. Prometendo que a questão seria encaminhada ao papa, permitiu que Momolo visitasse o filho regularmente. Uma demonstração, para David I. Kertzer, autor do livro O Sequestro de Edgardo Mortara, de que o caso do menino não era uma questão qualquer.
Não demorou até que os Mortara identificassem a responsável pelo batismo em segredo. Encontrada em San Giovanni in Persiceto, Anna contou tudo o que dissera a Feletti. A ideia de batizar Edgardo surgira após uma conversa com o vendedor Cesare Lepori. Ao mencionar a doença do garoto, Lepori teria ensinado o passo a passo do batismo. Anna guardou o segredo até Aristide, irmão de Edgardo, morrer com um 1 ano de vida em 1857.
Na época, a empregada de um vizinho disse a Anna que ela deveria ter feito o batismo. E então, para se defender, ela deu com a língua nos dentes, contando a história anterior. Ela chegou a concordar com o registro formal do relato, mas fugiu.
Abuso ou milagre?
Duas narrativas distintas seguiriam o caso Mortara por anos. Em parte, por causa da falta de provas e de relatos imparciais sobre o que acontecia nos encontros entre o pai e o menino, ocorridos entre a metade de agosto e a metade de setembro de 1858.
Na versão de Momolo Mortara, apoiada pela comunidade judaica na Itália e pela Europa, o garoto teria viajado de Bolonha a Roma aos prantos e desejava voltar para casa o mais rapidamente possível. Marianna estaria sendo torturada mentalmente com o afastamento do filho. 
Já os fatos contados pela ótica da Igreja falavam de um ordenamento divino. O batismo teria tirado Edgardo de uma vida de erro. Agora ele compartilhava da salvação cristã e se via perturbado pela negação dos pais em se converterem como ele.
Edgardo Mortara fotografado já adulto, como padre ordenado / Crédito: Reprodução 
Todas as versões católicas ainda falavam de uma fervorosa e rápida aceitação do cristianismo. Era comum dizer que Edgardo havia se transformado em prodígio. Uma testemunha ocular chegou a mencionar, ao jornal católico L'armonia Della Religione Colla Civiltà (A Harmonia da Religião com a Civilização), que o suposto ex-judeu teria aprendido o catecismo perfeitamente em poucos dias.
Um dos mais importantes artigos a favor da Igreja foi publicado no periódico jesuíta La Civiltà Cattolica (A Civilização Católica), em novembro de 1858 – na sequência citado pela Europa. Falava de uma criança implorando ao reitor dos catecúmenos para não mandá-la de volta, pois desejava crescer em uma casa cristã. O artigo ainda atribuía a seguinte frase a Edgardo: “Eu sou batizado, eu sou batizado e meu pai é o papa”.
De acordo com Kertzer, quem apoiava os argumentos pelo ponto de vista da Igreja parecia não se dar contar de que tudo parecia “muito bom para ser verdade". “Se Edgardo de fato disse a seu pai que não queria voltar com ele, que agora ele considerava o papa como seu verdadeiro pai e queria dedicar a sua vida para converter judeus, essa mensagem parece não ter ficado registrada em Momolo”.
Liberais, protestantes e judeus pelo continente ridicularizaram a imprensa católica. Um folheto publicado em Bruxelas, em 1859, concluiu: “Entre o milagre de um apóstolo de 6 anos de idade que quer converter judeus e o choro de uma criança que se mantém pedindo por sua mãe e suas irmãzinhas, nós não hesitamos por um momento”.
Guerra ideológica.
Diante dos pedidos da família, que se destroçava em Bolonha, Momolo Mortara deixou Roma. Mas não as tentativas de reaver o filho. Com a ajuda de Carlo Maggi, um juiz católico aposentado, um relatório foi criado para ser entregue ao papa.
No documento, constavam: uma declaração de Lepori, negando ter ensinado a Anna Morisi a prática do batismo, e um depoimento do médico da família Mortara, Pasquale Saragoni, reconhecendo a doença de Edgardo, mas negando que ele tivesse corrido risco de vida. Um relatório seguinte, de outubro, ainda incluiu o depoimento de oito mulheres e um homem, todos católicos, corroborando as alegações do médico e acusando Anna de atos de roubo e de ter comportamento sexual impróprio.
Na mesma época, Momolo decidiu que era hora de voltar a Roma, agora levando Marianna. A esperança era que a presença da mãe fizesse mais pressão sobre a Igreja e impressionasse a criança. Mas, antes de um possível encontro, o garoto foi levado para Alatri, a cerca de 100 quilômetros. Os Mortara seguiram seu rastro e acabaram presos, despachados para Roma. Então a Igreja cedeu e o menino foi trazido de volta para ver os pais.
As versões sobre o que aconteceu então têm um grande contraste. Pelas palavras de Marianna: “Ele perdeu peso e se tornou pálido; seus olhos estavam cheios de terror… Eu disse a ele que ele tinha nascido judeu como nós e, como nós, deveria sempre permanecer um [judeu], e ele respondeu: ‘Si, mia cara mamma, eu nunca me esqueceria de dizer o Shemá todos os dias’”. Do outro lado, segundo La Civiltà Cattolica, Marianna teria ficado furiosa ao ver um medalhão no pescoço de Edgardo com a imagem da Virgem Maria, arrancando-o.
Sem progresso em Roma, os pais voltaram para Bolonha em dezembro de 1858, e logo depois se mudaram para Turim. O caso já tinha se tornado uma enorme controvérsia na Europa e nos Estados Unidos, célebre não só para judeus mas para protestantes – o New York Times publicou mais de 20 artigos sobre o assunto apenas em dezembro de 1858. No Reino Unido, a revista Spectator apresentou a situação como evidência de que os Estados Papais tinham “o pior governo do mundo – o mais insolvente e o mais arrogante, o mais cruel e mais mesquinho”.
Edgardo Mortara, à direita, como sacerdote agostiniano/ Crédito: Wikimedia Commons 
Pio IX, tendo ou não se envolvido pessoalmente na decisão de tomar Edgardo dos pais, foi surpreendido pela repercussão internacional. E insistiu que o retorno de uma criança batizada para sua família não cristã era incompatível com a doutrina da Igreja.
A desaprovação da atitude do papa tornou-se uma questão diplomática. Napoleão III, imperador da França, via a situação como vergonhosa – o governo devia muito à guarnição francesa em Roma desde a aparição, em 1815, do Risorgimento (renascimento), movimento pela unificação da Itália. “Os Estados Papais eram tão odiados que só podiam ser defendidos por baionetas francesas”, diz Bruce Shelley em sua História do Cristianismo.
Inicialmente visto com bons olhos pelos liberais, Pio IX chegou a formular, em março de 1848, uma Constituição para os Estados Papais que dava à população certa participação no governo. Até mudar sua postura radicalmente com o assassinato de seu ministro da Justiça, Pellegrino Rossi. Uma revolução se formou em Roma e Pio fugiu. Só teve as rédeas da cidade e do governo de volta com a ajuda militar da França. Preferiu, a partir daí, manter o absolutismo.
O escândalo ao redor do caso Mortara insuflou os ânimos dos liberais italianos e enfraqueceu a posição da Igreja na diplomacia internacional. Diante da postura inflexível, o movimento pela unificação da Itália ousou avançar contra o território da Igreja. Entre 1859 e 1860, diversas áreas dos Estados Papais foram parar nas mãos dos nacionalistas. No ano seguinte, Vittorio Emanuele II seria proclamado rei da Itália.
A guarnição francesa seria retirada por conta da Guerra Franco-Prussiana (1870–1871),  algo que talvez não fosse possível sem os golpes na reputação da Igreja. Roma seria deixada para os italianos e se renderia em 20 de setembro de 1870. Era o fim dos Estados Papais.
Fato consumado.
Enquanto a Itália era revolucionada, o garoto seguiu seu destino. Em 13 de maio de 1859 veio a confirmação de que Edgardo havia se mudado para a basílica San Pietro in Vincoli, ainda em Roma, onde o papa decidiu que ele seria educado. Em dezembro, a família Mortara teve sucesso em pedir um inquérito sobre o caso.
Feletti, identificado como o autor da ordem de retirada de Edgardo dos pais, foi preso em 1860, julgado e absolvido – por agir de acordo com instruções do então governo. Aos 13 anos, no início de 1865, Edgardo se tornou noviço e adicionou o nome do papa ao seu: Pio Edgardo Mortara. Ainda houve contato com os pais por carta, mas a situação permaneceu inalterada. Aos 19 anos, foi viver na Áustria, sob um nome falso. Em 1873, na França, foi ordenado padre.
Momolo Mortara passou o resto da vida viajando pela Europa e falando sobre os fatos ocorridos com seu filho e família. Morreu em 1871. No mesmo ano da morte de Pio IX, 1878, Marianna Mortara foi até a França para encontrar o filho. Edgardo se mostrou desapontado pela recusa da mãe à conversão ao cristianismo. Ele acabaria morrendo em Liège, na Bélgica, em 1940.
A postura intransigente do papa, pondo tudo a perder, talvez  tenha vindo de um sincero apego ao garoto. De acordo com as memórias de Edgardo, escritas em 1888, Pio IX dedicava parte de seu tempo ao menino e chegou a dizer: “Meu filho, você me custou caro e eu tenho sofrido muito por sua causa”. Dirigindo-se a outros presentes na situação, continuou: “Os poderosos e os sem poder tentaram tirar esse menino de mim, e me acusaram de ser bárbaro e impiedoso. Eles choraram pelos pais dele, mas falharam em reconhecer que eu, também, sou seu pai”. 

Saiba mais
O sequestro de Edgardo Mortara, David I. Kertzer, Editora Rocco, 1998
História do cristianismo: uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI., Bruce Shelley, Editora Thomas Nelson Brasil, 2018

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Presidente das Filipinas decreta o fim da Igreja Católica.

PRESIDENTE DAS FILIPINAS DECRETA O FIM DA IGREJA CATÓLICA: “DESAPARECERÁ EM 25 ANOS”

Rodrigo Duterte fez uma série de ataques à Igreja e criticou os abusos cometidos pelo clero
ALANA SOUSA PUBLICADO EM 26/02/2019
Rodrigo Duterte
Rodrigo Duterte - Reprodução
Rodrigo Duterte fez uma declaração polêmica nesta segunda-feira, 25, contra a Igreja Católica, dizendo que “ela desaparecerá em quase 25 anos” e que “as pessoas a esquecerão”. O presidente filipino é conhecido por fazer comentários severos ao clero.
Duterte é batizado como católico, mas constantemente ataca esta religião, se referindo aos bispos como “tolos inúteis” e “filhos da p***”. Em novembro do ano passado, chegou a acusar o bispo filipino Pablo Virgilio David de usar drogas ilegais, além de incitar seus compatriotas a matar os bispos católicos do país.
“Quando eles ficam com tesão eles vão atrás de freiras. Se eles são gays, eles vão atrás de garotos jovens. Quem precisa de uma religião como essa?”, questionou Duterte sobre o clero. Ele disse também que a maioria dos bispos católicos são gays, e que eles deveriam “sair ao ar livre, cancelar o celibato e se permitir ter namorados”.
Rodrigo ainda descreveu a Santa Igreja como "a instituição mais hipócrita" do mundo, argumentando que seu Deus é diferente daquele em que os católicos acreditam.
A maioria da população da Filipinas, cerca de 80%, se identifica como católicos romanos.

domingo, 2 de dezembro de 1990

A Ressurreição.


A Ressurreição.

imagem: evangelistas.

Se tivermos que aceitar literalmente todas as profecias contidas na Bíblia, deveremos estar convencidos da possibilidade de que, no Segundo Advento do Senhor, os corpos físicos de todos os santos, que foram enterrados e decompostos, voltarão novamente ao estado original de vida na carne. Já que esta profecia é de Deus, os homens de fé devem aceitá-la. Contudo, esta profecia não pode persuadir a razão dos homens modernos, nossa vida de fé, afinal de contas, acabou caindo em um grande caos. Ressurreição significa voltar a vida. Necessitamos de voltar a vida porque certa vez morremos. Para conhecer o verdadeiro significado da ressurreição, devemos compreender o conceito bíblico de vida e morte.

CONCEITO BÍBLICO DE VIDA E MORTE.

Em Lucas 9.60, lemos que Jesus disse a um discípulo, o qual antes queria ir enterrar seu pai, que “ deixasse que os mortos enterrassem seus próprios mortos” . nestas palavras de Jesus, encontramos dois diferentes conceitos de vida e morte.

O primeiro é o conceito de vida e de morte com respeito à morte do corpo físico, que é a expiração de vida física; este era o caso do pai do discípulo, que devia ser enterrado. A vida, que é o contrário desta espécie de morte, é o estado do corpo físico que mantém suas funções fisiológicas.

E o segundo conceito é o de vida e morte com respeito as pessoas que se reuniram para o enterro do pai, as quais Jesus indicou estarem mortas. Por que, pois, Jesus indicou que estes homens, que de fato estavam vivos, estavam mortos? Era porque eles estavam em um estado separado do amor de Deus, isto é eles estavam sob o domínio de Satanás. Portanto, morte, neste caso, não significa a expiração da vida física, mas sim o estado sob o domínio satânico, separado do seio do amor de Deus. Consequentemente, o significado de vida, contrário a esta espécie de amor é o estado de viver ativamente sob o domínio do infinito amor de Deus.

Por isto, por mais ativo que seja o corpo de um homem, enquanto permanecer sob o domínio de Satanás, separado do de Deus, está morto no verdadeiro sentido, do ponto de vista do padrão do valor original doando na criação. Se é que os homens devem viver na carne eternamente na Terra, não haveria necessidade alguma de criar o mundo invisível no início, para o qual os homens espirituais devem ir depois da morte física. O mundo invisível não foi criado depois da queda humana, para que os espíritos dos homens decaídos pudessem ir viver lá; ao invés, tinha sido criado antes da criação dos homens para que os espíritos, depois de terem cumprido a finalidade da criação, pudessem ir viver lá para sempre, removendo sua carne depois de sua vida física na Terra.

O relacionamento entre o homem terreno e um homem espiritual é semelhante ao que existe entre uma lagarta e uma borboleta. Se o homem não tivesse caído, haveria de saber que a remoção da carne não é a separação eterna dos entes queridos, pois todos os homens terrenos foram criados para se comunicarem livremente com os homens espirituais, assim como se comunicam entre si. Além disto, se soubessem como o mundo espiritual é belo e feliz, estariam ansiosos por ver o dia da partida deste mundo para o outro.

A GRANDE DÚVIDA.

A pergunta que muitos fiéis em um determinado momento faz é a seguinte:

TEREMOS UMA VIDA APENAS OU TEREMOS VÁRIAS VIDAS CONSECUTIVAS ?

Teremos uma vida apenas e depois dela iremos para junto de Deus onde ele nos ressuscitará para uma vida em plenitude. Pois somente Deus nos perdoará por todos os nossos pecados cometidos em vida, por que realmente só ele ama, de uma maneira inexplicável, à todos nós, sem definição de raça, cor, inteligência, ignorância ou conta bancária. Padeiros, faxineiras, advogados, mendigos, prostitutas, padres, crianças, velhos, animais e etc. A proposta dada pela ressurreição é que o homem vive uma única vez aqui na terra.
O SIGNIFICADO DA RESSURREIÇÃO.

Até agora o homem entretinha a idéia errônea de que a expiração da vida física do homem era a morte causada pela queda. Consequentemente, acreditávamos que a ressurreição dos santos falecidos seria realizada pela restauração de seus corpos físicos, já decompostos, ao estado original. De acordo com o Princípio da Criação, esta espécie de morte não foi causada pela queda dos antepassados humanos. O corpo do homem foi originalmente criado para tornar-se pó depois de envelecer e morrer. Portanto, o corpo humano, uma vez tornado pó, não pode ser ressuscitado ao seu estado original. Não será necessário ao homem espiritual tomar de novo sua carne, já que há um vasto mundo espiritual para onde ele deve ir e lá viver para sempre. Então a ressurreição significa os fenômenos que ocorrem no processo de restauração do homem, de acordo com a providência da restauração, do estado de Ter caído sob o domínio satânico, de volta para o domínio direto de Deus. Desta forma, quando nos arrependemos de nossos pecados, fazendo-nos cada vez melhores, dia a dia, estamos nos aproximando da ressurreição.

Para chegar a ressurreição a pessoa passa por vários estágios até encontrar-se com Deus, sempre indo em frente. A pessoa morre e desprende-se de todo o material deixando até o corpo, que é visto pelos nossos olhos. Neste momento a pessoa já está passando por dimensões e influências de sua própria vida vivida. Cada alma passa por um processo de evolução para reunir e completar os fragmentos de sua própria vida. Deus não julga. A pessoa julga sua própria vida. No ato de falecimento a pessoa encontra-se com Deus e é acolhida por ele. Deus oferece como presente o seu amor, oferece o que falta para a pessoa entrar na espera divina. Em seguida a pessoa passa por um purgatório que é um processo dinâmico e central e a criatura vai evoluindo até chegar na plenitude da vida, mas a pessoa precisa aceitar que Deus à salve.

Um passo para dimensões novas nunca vividas, abertas para o novo, abertas para Deus. Após isto ocorre a salvação onde Deus dá a vida em plenitude não só para a dimensão espiritual e sim por completo, por inteiro. Para o mundo inteiro por todas as dimensões. Porque ele é o Deus que perdoa, que ressuscita e que ama.

COMO SE CUMPRE A PROVIDÊNCIA DA RESSURREIÇÃO.

Ressurreição significa os fenômenos que ocorrem no curso da restauração dos homens decaídos para sua própria natureza original doada na criação. Portanto, providência da ressurreição significa providência da restauração. Em outras palavras, já que a providência da restauração é a providência da recriação, a providência da ressurreição também é a providência da recriação. Consequentemente, a providência da ressurreição é operada da seguinte maneira, de acordo com o Princípio da Criação.

Primeiro: na história da providência da ressurreição, as figuras centrais que se encarregaram de certas responsabilidades em suas respectivas missões, embora não pudessem realizar completamente sua própria porção de responsabilidade, ofereceram lealmente o máximo por amor à vontade de Deus. Em proporção às suas realizações, puderam ampliar a base na qual os homens decaídos foram capazes de abrir o seu relacionamento com Deus. Com o passar do tempo, as pessoas das gerações subseqüentes passam a desfrutar de maior benefício das idades, de acordo com a providência da restauração. A providência da ressurreição, portanto, é realizada de acordo com os benefícios da idade.

Segundo: de acordo com o Princípio da Criação, o homem, que foi criado da própria porção de responsabilidade de Deus, foi feito para aperfeiçoar-se pela crença nas palavras de Deus e praticá-las como sua própria porção de responsabilidade. Por isto, ao realizar a providência da ressurreição, deve haver “ palavras” provenientes de Deus para a finalidade da providência, o que é a própria porção de responsabilidade de Deus. Somente pela crença nas palavras e pela prática delas, como a própria porção de responsabilidade do homem, é que a vontade de Deus será cumprida.

Terceiro: à luz do Princípio da Criação, o homem espiritual foi feito para crescer e aperfeiçoar-se somente através de seu corpo físico. Assim, a ressurreição do homem espiritual, de acordo com a providência da restauração, deve também ser realizada somente através da vida física na Terra.

Quarto: o homem foi criado para ser aperfeiçoado passando pelos três estágios ordenados de crescimento, de acordo com o Princípio da Criação. Por isto, a providência da ressurreição para os homens decaídos deve também ser realizada através dos três estágios ordenados do período providencial.
QUEM PREGA?

A Igreja Católica e seus seguidores.

PRIMEIRA RESSURREIÇÃO.

A primeira ressurreição é a ressurreição que possibilita o cumprimento da finalidade da criação pela primeira vez desde o início da história da providência da restauração de Deus. O eu original será restaurado pela remoção do pecado original do homem, através do Segundo Advento do Senhor. Por isso, a esperança de todos os cristãos é compartilhar da primeira ressurreição. Que espécie de pessoas poderão compartilhar dela? Os primeiros a acreditar no Segundo Advento do Senhor, seguindo e servindo a ele, serão aqueles que participarão da primeira ressurreição. Assim fazendo, essas pessoas cooperarão com ele no estabelecimento da condição de indenização, em uma base geral e mundial, no curso da providência da restauração. Assim, eles realizarão a finalidade da criação tendo se tornado homens espirituais do estágio de espírito divino, removendo o pecado original antes que todos os outros homens. Estas são as pessoas que poderão compartilhar da primeira ressurreição.

“só Deus tem o poder de dar a ressurreição aos seus fiéis e só ele o fará a quem o merecer”.
A REENCARNAÇÃO NOS PRIMEIROS SÉCULOS DO CRISTIANISMO.

UM PAI DA IGREJA QUE ACREDITAVA NA REENCARNAÇÃO.

Orígenes nos encanta por sua apurada visão espiritual e sua maneira especialmente lúcida de abordar a mensagem de Cristo. Nascido por volta de 185 de nossa era, em Alexandria, onde ficava a famosa biblioteca, marco único na história intelectual humana, e que foi destruída pela ignorância e sede de poder dos romanos e, depois, por pseudo-cristãos ensandecidos e fanáticos, desde cedo teve contato com a doutrina de Cristo, especialmente com seu pai, Leonídio, que foi martirizado em testemunho de sua fé. Com isso, a família de Orígenes passou a ser estigmatizada, tendo sido seqüestrado todo o patrimônio que lhe pertencia. Para sobreviver, o jovem e brilhante Orígenes passou a lecionar para ganhar o seu sustento.

Mente curiosa e aberta, Orígenes dedicava-se ao estudo e a discussão da filosofia, notadamente Platão e os estóicos. Orígenes bebeu da mesma formação intelectual que viria a ter Plotino, na escola de Amônio Sacas e, com certeza, as doutrinas ditas orientais não lhe eram estranhas, e muito menos a ênfase num conhecimento psíquico direto com o transcendente que era típica da escola de Amônio, fundador do Neoplatonismo e também, um simpatizante (pelo menos em parte) do cristianismo. Por isso, com absoluta certeza, o conhecimento na doutrina Paligenética (da Reencarnação), tão cara a Platão e a Sócrates, lhe era muito familiar em sua fase de formação, e posteriormente ele viria a divulgá-la abertamente – este foi um dos motivos pelos quais foi perseguido pela vertente católica romana, e por isso, temos hoje poucos de seus escritos, mesmo assim, devidamente (maquilados).

Pouco antes do nascimento de Orígenes, um estóico chamado Panteno havia se convertido à mensagens do Cristo e fundará uma escola católica catequética em Alexandria. Em 203 o jovem Orígenes assumiu a direção da escola, atraindo muitos jovens estudantes pelo seu carisma, conhecimentos e virtudes pessoais. Em 231, Orígenes foi forçado a abandonar Alexandria devido à animosidade que o bispo Demétrio (na verdade, um invejoso), lhe devotava. Orígenes, então passou a morar num lugar onde Jesus havia, muitas vezes, estado: Cesaréia, na Palestina, onde prosseguiu suas atividades com grande sucesso.

Mas, nem mesmo lá ele encontraria paz, pois logo veio a onda de perseguição aos cristãos ordenada por Décio. Lá, Orígenes foi prezo e torturado barbaramente, que lhe causou a morte, em 253. O pensamento de Orígenes e sua forma de interpretar o Evangelho foi durante muito tempo causa de acesa polêmica entre os sofistas da igreja de Roma, ao ponto de algumas teses de seu pensamento serem oficialmente condenadas pelo imperador Justiniano que via nelas uma ameaça aos resquícios do pensamento antigo que considerava o imperador romano quase uma divindade e, posteriormente, que teve sua ratificação religiosa feita por um concílio católico-romano, em 553. Orígenes também sofreu o triste e típico caso dos seguidores de um líder que pervertem a mensagem original....

Muito do que escreveu e disse Orígenes foi reinterpretado e corrompido pelos origenistas, o que causou, junto com as condenações de Roma, uma perda em grande parte da sua enorme produção literária. O centro do pensamento de Orígenes é Deus: “Deus não pode ser entendido como corpo, mas como uma realidade transcendente apenas passível de ser palidamente entendida como realidade intelectual e espiritual”, diz ele. Deus não pode ser considerado em sua natureza, por meio das limitações dos seres relativos que somos, pelo simples fato de que nossas percepções e concepções sobre tudo está sempre em transformação, querem maturação querem uma espécie de regressão (basta ver o mundo a nossa volta para nos certificarmos disso).

Qualquer ideia que possamos fazer de Deus é apenas uma projeção antropomórfica de uma dada época em que apenas toca de leve uma idéia ainda maior: (Deus, em sua realidade, é incompreensível e inescrutável. Com efeito, podemos pensar e compreender humanamente qualquer coisa sobre Deus, mas devemos saber que ele é amplamente superior a tudo aquilo que dele pensamos (...)”.

Ou seja, temos uma intuição de Deus, não uma compreensão racional definitiva dele. Aqui ouve-se claramente ecos do pensamento neoplatônico de Amônio Sacas, e Orígenes até mesmo usou a expressão “ acima da inteligência e do ser”. A compreensão da criação do universo por Deus, de Orígenes, nos lembra e muito a das tradições orientais, notadamente as da Índia e a dos mistérios gregos, e, principalmente, Platão e Plotino. Primeiro, deus teria criado seres racionais e livres, todos simples e iguais entre si – e os criou a própria imagem, por serem seres dotados de capacidade de desenvolver a razão. Mas a própria simplicidade original (a ignorância) os levam, por meio da liberdade a que tinha direito, a divergirem o seu comportamento e, em sua busca por instrução, a se diferenciarem entre si (podemos encontrar um retorno a esta ideia no moderno espiritismo kardecista que diz que “ todos os espíritos foram criados simples e ignorantes”, sendo as diferenças entre eles fruto dos percalços escolhas no caminho evolutivo individual de cada um).

O mundo material e o corpo são conseqüências direta disto, pois tornam-se necessários afim de corrigir os erros dos espíritos que se afastaram demasiado de Deus. Mas o corpo não é, em absoluto, algo negativo, como diriam os platônicos e os gnósticos. É, isso sim, o instrumento e o meio mais eficaz para o aprendizado ou para a expiação de erros cometidos anteriormente. A doutrina da reencarnação é uma constante em Orígenes, como o fora anteriormente para Pitágoras, Sócrates, Platão, e toda a tradição Orífica grega até Plotino. Orígenes tinha consciência de indícios desta doutrina no próprio Evangelho, como em Lucas, Mateus e em João.

Igualmente, com os mistérios gregos, adimitia que nosso universo é constituído por uma série de “mundos “ habitados, onde a alma se aperfeiçoa (isto séculos antes de Giordano Bruno e de Kardec). Diz-nos Orígenes: “Deus não começou a agir pela primeira vez quando criou este nosso mundo visível. Acreditamos que (...) antes deste houve muitos outros”. Todos os espíritos se purificarão em sua marcha progressiva pela eternidade em direção a Deus, uma marcha longa e gradual, de correção e expiação, passando, por tanto, por inúmeras reencarnações neste e em outros mundos!

Diz Orígenes: “devemos crer que (...) todas as coisas serão reintegradas em Deus (...). Isso, porém não acontecerá num momento, mas lenta e gradualmente, através de infinitos séculos, já que a correção e a purificação advirão pouco a pouco e singularmente: enquanto alguns com ritmo mais veloz se apressarão como primeiros na meta, outros o seguirão de perto e outros ainda ficarão muito para trás. E assim, através de inúmeras ordens (...) Orígenes exaltou ao máximo a liberdade e o livre-arbítrio de todas as criaturas do mundo, em todos os níveis de sua existência. Em certo sentido, Orígenes tinha uma percepção Holística do mundo.

No próprio estágio final será o livre-arbítrio juntamente com uma compreensão esclarecida do sentido do universo que o espírito irá aderir ao amor de Deus, sábio e senhor de milhares de anos de experiência. Assim, terá cumprido o círculo, partindo do ponto de ignorância absoluta ao de sabedoria absoluta, sempre de e em direção a Deus. Orígenes também teve a suficiente visão e sabedoria para distinguir três níveis de leitura das escrituras: 1) o literal (muito usado ainda hoje pela maioria das igrejas evangélicas no Brasil), 2) o moral e 3) espiritual, que é o mais importante e também o mais difícil. Cada um desses níveis indica um estado de consciência e amadurecimento espiritual e psicológico.
CONCEITO DE REENCARNAÇÃO HOJE.
A proposta dada pela reencarnação é que o homem vive várias vidas até purificar totalmente o seu carma. Cada pessoa tem o direito de escolher a doutrinação que responde e satisfaça o desejo de ter uma vida melhor, plena e realizada. A reencarnação mostra uma nova vida após a morte, esta nova chance de purificar seu espírito e limpar o seu carma. A doutrina da reencarnação diz que tudo que as pessoas fazem de ruim nesta vida, vão automaticamente sofrer na outra. Cada ato bom, cada vez que alguma pessoa pratica o bem ou concerta os seus atos ruins, ela vai queimando seu carma e purificando seu espírito. É chamada a lei do carma e de acordo com essa, cada ser humano ganha na sua vida atual a retribuição de seus atos realizados numa vida anterior. Permanece a idéia e imagem de um Deus bom, pois Deus não é responsável pelo mal, é o homem mesmo.

Fonte de arquivo pessoal.

Aula da Prof. Vanessa.

sábado, 1 de dezembro de 1990