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terça-feira, 11 de agosto de 2020

De onde vem a teoria que Jesus se casou com Maria Madalena?

DE ONDE VEM A TEORIA DE QUE JESUS SE CASOU COM MARIA MADALENA?

A mulher que, na Bíblia, foi a primeira a testemunhar a ressurreição de Cristo, ganhou muitos rótulos controversos

VANESSA CENTAMORI PUBLICADO EM 11/08/2020

Aparecimento de Jesus Cristo a Maria Magdalena (1835) por Alexander Andreyevich Ivanov
Aparecimento de Jesus Cristo a Maria Magdalena (1835) por Alexander Andreyevich Ivanov - Wikimedia Commons

Maria Madalena é uma das mulheres mais rotuladas dos registros históricos cujos temas são bíblicos. De um lado, é chamada de santa e testemunha de um milagre. De outro, é prostituta e pecadora — e até esposa de Jesus Cristo. Mas de onde será que veio essa polêmica narrativa, na qual Madalena teria vivido um romance com o próprio Deus vivo?

Na Bíblia, essa história não está explícita, mas aparece em alguns dos primeiros textos cristãos. Um estudo divulgado em 2014 e feito pelos pesquisadores Barrie Wilson e Simacha Jacobovic, da British Library, identificou um desses documentos. 

O texto, que tem cerca de 1500 anos, é chamado de Lost Gospel ("o gospel perdido", em português). Ele diz até que Jesus e Madalena tiveram dois filhos e eram casados, sendo, portanto, marido e mulher. Porém, esse não é o único registro de uma eventual relação entre os dois. 

A conversão de Maria Madalena, por Paolo Veronese / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O que diz a Bíblia? 

Segundo a pesquisa, ainda que de modo sutil, a própria história de Jesus, registrada na Bíblia, também dá pistas da representatividade que Maria Madalena pode ter tido na vida do mestre do cristianismo. Um episódio exemplar está em João 20:11-13, quando Jesus aparece para Maria, enquanto ela está chorando ao lado do túmulo vazio.

“Mulher, por que você está chorando?”, Cristo pergunta. De modo curioso, a palavra grega gunē (mulher) do texto original também pode ser traduzida como “esposa”. A seguir, Cristo chama Madalena gentilmente de “Maria”, ao que ela responde, “Rabboni” (mestre). 

A Bíblia mostra ainda que Maria Madalena teve grande importância na vida e ministério de Jesus. Segundo Lucas, depois que ele expulsou demônios da pecadora, ela passou a fazer parte de um grupo de mulheres que viajava com o mestre e seus 12 discípulos, “proclamando as boas novas do reino de Deus”. 

Outros registros 

Um outro documento significativo para a história de Maria Madalena como esposa é o Evangelho de Maria, segundo informou o site History. O texto, que não é oficialmente reconhecido pela Igreja, é do século 2 d.C e foi identificado no Egito em 1896. Em termos de conhecimento e influência, Madalena aparece no documento acima dos discípulos de Jesus. 

Já nos Evangelhos Gnósticos, atribuídos aos primeiros cristãos daquele mesmo século, a personagem ganha ainda mais destaque. Em um dos textos do conjunto, chamado de Evangelho de Filipe, ela é descrita como companheira de Jesus. É dito ainda que ele a amava mais do que os outros discípulos. 

De modo bastante ocultado, mais uma informação completava dizendo que Jesus costumava beijar Maria "muitas vezes" na ____. O resto da frase estava ilegível, mas especialistas acreditam que o termo se refere à boca da dama. 

Uma descoberta incrível

Segundo informou o The Huffpost, em 1980, em Talpiot, nos arredores de Jerusalém, arqueólogos fizeram outra descoberta impressionante. Era um túmulo de 2 mil anos, onde estavam dez ossuários, dos quais seis deles tinham inscritos. Um dizia em hebraico/aramaico “Jesus filho de José”. Já outro, Maria”; e ainda, mais um, “Yose” — um apelido referido nos Evangelhos para um dos irmãos de Jesus (Marcos 6 : 3, Mateus 13:55). 

A maior revelação foi ainda que havia mais uma quarta caixa com o nome “Mateus” e uma quinta com o nome “Mariamene”, uma versão grega de “Maria”, associada à Maria Madalena. O mais intrigante foi que em um sexto compartimento, feito para uma criança, tinha o nome “Judá, filho de Jesus”, registrado.

A confirmação da autenticidade do local nunca foi confirmada por falta de pesquisas, mas as coincidências são bem chocantes e foram registradas no livro O Evangelho Perdido, do jornalista e escritor Simcha Jacobovici.

Magdalena penitente, por Tintoretto / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Teorias recentes

A ideia que relaciona Maria Madalena com Jesus também aparece em produções cultuais variadas. Um exemplo é o romance de 1955 do escritor grego Nikos Kazantzakis, A Última Tentação de Cristo, e sua versão cinematográfica. E ainda o livro 2003 de Dan Brown, O Código Da Vinci, que mostra como se eles fossem um casal que teve filhos. 

Vale lembrar ainda que os Evangelhos chamam Jesus de “Rabino” (Mateus 26:49, Marcos 10:51, João 20:16). Naquela época, assim como agora, rabinos se casam. E Maria Madalena foi na manhã de domingo para lavar e ungir o corpo crucificado de Jesus (Marcos 16: 1).

Na ocasião, ao que indica uma hipótese defendida por Jacobovici, nenhuma mulher tocaria no corpo nu de um rabino morto — a menos que ela fosse da família. Ou seja, o sangue e o suor de Jesus só podem ter sido lavados pela esposa: supostamente, Maria Madalena. 

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/de-onde-vem-teoria-de-que-jesus-se-casou-com-maria-madalena

sábado, 21 de setembro de 2019

Rica influente ou cortesã do povo? quem foi Maria Madalena?

RICA INFLUENTE OU CORTESÃ DO POVO? QUEM FOI MARIA MADALENA?

A personagem mencionada na Bíblia como uma prostituta pode ter sido uma influente mulher da Galileia
REDAÇÃO PUBLICADO EM 21/09/2019.
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- Reprodução
Ao analisar os vestígios de Magdala, atualmente em Israel, a pesquisadora Jennifer Ristine descobriu novas informações que possibilitam traçar a personalidade social de Maria Madalena.
Na obra Mary Magdalene: Insights From Ancient Magdala, a pesquisadora tenta encontrar respostas para as indagações e refletir sobre o desenvolvimento que levou à imagem de prostituta que a Igreja Católica usa para taxar a personalidade.
Planta baixa da sinagoga de Magdala. / Créditos: Reprodução
Cruzando referências bíblicas e registros históricos, a pesquisadora tentou traçar um perfil de Maria no período em que vivia.
As pesquisas de prospecção, em que se descobre a região norte da malha de Migdal (Magdala), demonstraram que a cidade era, na época de Jesus, um importante e bem desenvolvido ponto para pescadores, ficando marcada por sua estrutura e riqueza. Foram encontrados vestígios de um porto, casas grandes, uma sinagoga do século 1, objetos caros de distinção social e uma representação do templo de Jerusalém em pedra.
Os dados encontrados no sítio nos possibilitam entender que trata-se de um lugar consideravelmente rico da região. Os moradores daquele recinto, partindo da forma de ocupação familiar do território no mundo próximo-oriental, seriam também membros ricos de uma elite regional.
A análise documental indica que Maria Madalena não só poderia ter sido uma mulher rica e influente, bem como originária de um povoado economicamente destacável e bem posicionado em termos de empoderamento: “Jesus [...] [junto a]  Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; [...] e muitas outras, que o assistiram com as suas posses”. (Lucas 8:1-3).
A ideia de que ela seria uma mulher de riquezas aparece em contramão à narrativa de que seria uma prostituta.
A noção de que Maria Madalena era uma prostituta aparece na Idade Média, com o papa Gregorio Magno. Segundo o pontífice, Maria Madalena seria o sincretismo de três diferentes Marias: uma Maria pecadora, que unge os pés do senhor, uma Maria de Magdala, que aparece com os sete demônios no livro de Lucas, e uma terceira Maria, irmã de Lazaro.
Essas três Marias são consideradas entidades completamente diferentes na mitologia ortodoxa. Na descrição à figura de Maria Madalena, união das três Marias que juntas marcam a personagem pelo recurso do pecado, Gregório é o primeiro a usar como descrição a ideia de prostituta.
Porém, essa noção não é exclusiva a Gregório Magno. Antes dele, no século 2, foi  inserida no Talmud (união dos três compilados de textos sagrados entre os judeus) a associação de Maria Madalena como a alcunha de Maria Megaddleda, termo que significa “que carrega cabelos trançados”. O título é usado para indicar mulheres de comportamento impróprio, de má reputação por ser adúltera ou prostituta.
Reprodução
No entanto, ainda há muito que se pesquisar sobre essa polêmica figura. Hoje, conhecemos cerca de 15% da área ocupada de Magdala e todo esse estudo entra em choque com interesses religiosos e políticos ligados tanto à Igreja quanto a Israel, onde fica a cidade. Representações das personagens bíblicas sempre serão assuntos delicados de pesquisa.