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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Onna-Bugeisha: as mulheres samurais do Japão feudal.

ONNA-BUGEISHA: AS MULHERES SAMURAIS DO JAPÃO FEUDAL

Treinadas para executar um papel estratégico na sociedade, esta classe de guerreiras foi comum até o período Sengoku
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 21/10/2019
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- Reprodução
Da ascensão ao ocaso, os samurais moldaram valores que ainda são caros aos japoneses da atualidade. Nas narrativas sobre os guerreiros, ficção e realidade se misturam para aumentar o mistério em torno deles. Menos comentado é o papel das mulheres que pertenciam a essa classe dos guerreiros.
Denominadas Onna-Bugeisha, elas raramente aparecem em textos antigos. As histórias priorizavam clãs e guerreiros do sexo masculino. No entanto, essas mulheres treinavam o manuseio de espadas e costumavam ser nomeadas Jitō (cabeça da terra), nome dado a pessoas que cuidavam e protegiam as terras enquanto os homens estavam ausentes.
Onna Bugeisha / Crédito: Reprodução

Durante os períodos Heian e Kamakura, entre os séculos 8 e 14, as guerreiras ajudaram a colonizar novos territórios – e, consequentemente, se envolviam em lutas. Para tanto, elas treinavam o uso das notórias naginatas. Era esperado, por exemplo, que elas protegessem as aldeias e principalmente suas famílias. No final do período Heian, uma mulher em particular ganharia notoriedade. Era Tomoe Gozen.
Grande parte do que se sabe sobre Gozen vem dos relatos presentes na crônica Heike monogatari (O Conto dos Heike), que narra a guerra de Genpai. De acordo com a obra, a combatente era uma excelente arqueira e domava cavalos selvagens sem dificuldade.
Suas habilidades ganharam ênfase durante a batalha de Yokotogawara, conflito no qual matou sete samurais. Em outros combates liderou exércitos bem-sucedidos. Foram tantas façanhas que Tomoe se tornou um dos símbolos das guerreiras.
Assim como os samurais homens, as mulheres guerreiras perderam espaço no século 19, com a Restauração Meiji, que tirou o poder dos xoguns e o devolveu à família real. O novo governo, controlado por burocratas da oligarquia que havia derrubado o xogunato, iniciou uma série de reformas para modernizar o Japão e formar exércitos organizados à moda ocidental.

Saiba mais sobre o Japão Feudal:
1. Cultura japonesa 7: A Era Meiji: os samurais assumiram o papel central na revolução que sacudiu o Japão feudal, de Masayuki Fukasawa, Masaomi Ise e Yoshiyasu Irimajiri (2018).
2. O fogo entre a névoa, de Renée Ahdieh (2018).
3. Secrets of the Samurai: The Martial Arts of Feudal Japan, de Oscar Ratti e Adele Westbrook (2019).
4. História Concisa do Japão, de Brett L. Walker (2017). 
5. Segredos Dos Samurais. As Artes Marciais Do Japão Feudal, de Oscar Ratti (2006).

domingo, 20 de outubro de 2019

Samurais em ação: foto marca a última guerra que moldou o destino do Japão.

SAMURAIS EM AÇÃO: FOTO MARCA A ÚLTIMA GUERRA QUE MOLDOU O DESTINO DO JAPÃO

Fotógrafo italiano captou samurais nos bastidores da guerra civil que fez nascer o Japão moderno
FABIO MARTON PUBLICADO EM 20/10/2019
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- Bastidores do confronto / Crédito: Wikimedia Commons
Ninguém nunca vai ver uma foto de um cavaleiro ocidental. Mas de seus análogos no Japão, os samurais, elas existem em abundância.
De fato, a primeira fotografia da história do Japão é de um de seus chefes, o daimiô (senhor feudal) Shimazu Nariakira, em 1857. Os Shimazu controlavam o Domínio de Satsuma, a ilha de Kyushu, ao sul do território principal do Japão, Honshu.
Os samurais acima respondiam a Shimazu Hisamitsu, irmão do primeiro fotografado, que controlou informalmente o clã após sua morte. A foto foi tirada pelo ítalo-britânico Felice Beato, um fotojornalista famoso por suas imagens do Oriente, que havia chegado ao Japão em 1863 e foi pego em meio à maior revolução da história do país.
Os personagens da foto planejavam uma batalha da Guerra de Boshin, em 1868 ou 1869. Foi uma revolta contra a modernização e ocidentalização do país conduzida pelo xogunato, para restabelecer o poder do Imperador.
Por mais de dois séculos, antes mesmo da consolidação do poder absoluto pela família Tokugawa, o imperador não mandava em nada. Era o xogum, espécie de ditador militar, quem controlava o destino do país. Os xoguns mantiveram o Japão fechado para o resto do mundo.
Mas tudo isso havia mudado em 1854, quando um navio americano abriu fogo na Baía de Edo (hoje Tóquio), demonstrando o perigo do atraso causado pelo fechamento. O xogum abriu o país — e isso tocou nos brios nacionalistas de samurais e seus senhores. A guerra foi paradoxal. Foi travada por samurais, mas com canhões, navios a vapor e fuzis de repetição.
Os tradicionalistas por trás do imperador venceram porque tinham mais armas modernas (note o samurai num uniforme ocidental). Antes mesmo do fim da guerra, o imperador empoderado pelos tradicionalistas abraçava a modernização ocidental. Em seu reinado, Meiji tornou o Japão uma potência industrial.

Confira obras que exploram a história do Japão feudal e dos samurais:
1. Cultura japonesa 7: A Era Meiji: os samurais assumiram o papel central na revolução que sacudiu o Japão feudalm, de Masayuki Fukasawa, Masaomi Ise e Yoshiyasu Irimajiri (2018).
2. Samurai, de Shusako Endo (2017).
3. O Guerreiro do Japão: O Treino e os Exercícios do Samurai, de F. J. Norman.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Japão, 1543: oriente encontra ocidente.

JAPÃO, 1543: ORIENTE ENCONTRA OCIDENTE

Como, há 475 anos, 3 marinheiros portugueses encontravam samurais e mudavam a História para sempre
FABIO MARTON PUBLICADO EM 23/09/2019.
A chegada dos portugueses
A chegada dos portugueses - Wikimedia Commons
Em 23 de setembro de 1543, após um dia de tempestades, uma multidão acordou Nishimura Oribenojo, chefe de uma aldeia na ilha de Tanegashima, extremo sul do Japão. Havia uma aparição na praia. Homens de cara peluda, nariz comprido, olhos esquisitos e cabelos sujos, marrons e enrolados.
Usavam chapéus enormes, calças bufantes e jaquetas pretas. Calçavam sapatos fechados até a canela. Com os estrangeiros estranhos, havia muitos chineses, que os japoneses conheciam bem, e o chefe se dirigiu a um deles. De acordo com o livro Teppoki (algo como A História das Armas de Fogo), do japonês Nanpo Bunshi, travaram o seguinte diálogo:
- Não sabemos de onde vieram. Parecem esquisitos, não?
- São comerciantes dos bárbaros do sul. Quando bebem não usam copos e, quando comem, usam os dedos, e não palitos, como nós. Eles demonstram seus sentimentos sem nenhum autocontrole e não conhecem a escrita ou o uso dela. Esses comerciantes têm o hábito de viajar de lugar em lugar, trocando as coisas que têm pelas que não têm. Eles não são realmente estranhos. E, aliás, são bastante inofensivos.
O chinês acertou no fato de os europeus comerem com a mão - na época, talheres eram uma novidade. E, ainda hoje, os japoneses são notavelmente contidos. Talvez os estranhos marinheiros portugueses fossem analfabetos também na sua própria língua. Mas, definitivamente, sabiam usar copos - e, a História mostraria, eram tudo, menos inofensivos.
O comércio nanban.
Os portugueses se chamavam Francisco Zeimoto, Antônio Peixoto e Antônio da Mota. Bárbaros do sul - em japonês, nanban - é como os ocidentais ficariam conhecidos a partir daí. O comércio português seria chamado de “comércio nanban”. O nome foi dado pelos chineses porque os portugueses sempre chegavam pelo sul - e porque, para eles, não passavam de um bando de bárbaros irritantes e sujos.
Os 3 bárbaros haviam pegado carona em um junco chinês em Malaca (Malásia), cidade conquistada por Portugal em 1511. Queriam conhecer Cipangu, terra lendária descrita por Marco Polo - que nunca foi ao Japão.
Japoneses atirando com armas produzidas localmente Domínio público
Os estrangeiros foram levados ao daymio, o senhor feudal da ilha, Tanegashima Tokitaka. Tokitaka mostrou-se curioso, mas especialmente por um item - as armas que os portugueses traziam consigo. A pedido do daymio, os portugueses dispararam contra alvos usados para treinar arqueiros. “O respeito pelos portugueses deve ter aumentado nesse momento. De bárbaros do sul, eles subitamente se tornaram portadores de uma nova mágica”, escreve o historiador dinamarquês Olof G.
Lindin em Tanegashima: The Arrival of Europe in Japan (Tanegashima: A Chegada da Europa ao Japão). Tokitaka tomou medidas imediatas - pediu que o ensinassem a atirar e comprou as armas por 2 mil ryos (moedas de ouro de 16,5 g). Fazia sentido. O Japão estava em guerra civil, sem poder central, desde 1467.
O imperador era uma peça decorativa. O xogum, o daymio com maior poder militar, que fazia as vezes de ditador, não tinha o controle de todo o país. Nesse cenário, os portugueses deram suas aulas de tiro e foram embora da ilha carregando seu pagamento. Mas por causa deles, uma nova era estava começando no Japão.
O interesse.
Oficialmente, a primeira nau portuguesa chegou em 1550. O próprio navio, com mais de mil toneladas, causou um segundo choque nos japoneses e, como as armas de fogo, acabaria copiado e produzido em massa. No plano comercial português, o Japão tinha uma função secundária em relação a Índia e China. Da Índia, eles compravam especiarias, e da China, seda e porcelana. Ambas iam parar na Europa.
No Japão, vendiam um pouco de tudo - vinho, azeite, arcabuzes, canhões, salitre, óculos, lunetas e sabão. De volta, levavam prata e cobre, com que pagavam os produtos indianos e chineses. Apenas algumas peças de artesanato, presentes de luxo, chegavam à Europa.
Os portugueses manteriam o monopólio do comércio com os japoneses até 1592, quando os próprios japoneses começam a mandar seus navios para a China - os navios do selo vermelho (shuinsen), caravelas feitas com a ajuda dos portugueses. Se os japoneses achavam os ocidentais um bando de bufões, os ocidentais adoraram os japoneses. De acordo com a historiadora Renata Cabral Barnabé, da USP, “a visão foi das melhores, principalmente entre os padres. São Francisco Xavier chegou a dizer que os japoneses eram os melhores dentre os povos já conhecidos fora da Europa. Alexandre Valignano, jesuíta das Índias Orientais, afirma serem eles comparáveis aos europeus e em certos pontos até melhores”.
Falando em padres, os japoneses acabaram por importar outra especialidade ocidental: o cristianismo. Em 15 de agosto de 1549, o jesuíta Francisco Xavier, a bordo de um junco chinês, desembarcou em Tanegashima. Após visitar diversos daimyos e se desentender com monges budistas, são Francisco (canonizado em 1622) tentou falar com o imperador Ogimachi.
Para isso, percorreu metade do país a pé, descalço e no inverno, acompanhado de outro padre e de um japonês convertido, que servia de intérprete. Seu plano era encher o monarca de presentes e, se o Todo Poderoso permitisse, quem sabe convertê-lo. Mas, após a épica jornada, acabou barrado na porta.
Frustrado, decidiu gastar seus presentes com daimyos mais receptivos e conseguiu fundar missões em Bungo, Yamaguchi e Hirado (atual Nagasaki). Em dezembro de 1551, deixou o Japão, prometendo voltar, só que morreu numa colônia portuguesa em dezembro de 1552. Mas a missão de Francisco Xavier deu frutos.
Em 1563, Omura Sumitada, que havia oferecido aos portugueses o porto de Nagasaki dois anos antes, tornou-se o primeiro daimyo a se converter. E forçou todos os seus cortesões a virar cristãos e começou a queimar templos e relíquias budistas. A partir de então, ordens conflitantes começaram a partir de Kyoto, a capital imperial.
Em 1559, o xogum Ashikaga Yoshiteru deu autorização para a pregação do cristianismo. Seis anos depois, o imperador Ogimachi emitiu uma ordem banindo a religião na capital. Mas nem o xogum nem o imperador tinham tanto poder quanto os daimyos em suas comunidades. Eles é que permitiam ou proibiam a religião de acordo com suas conveniências. Assim, os europeus e suas armas tornaram-se aliados (ou inimigos) importantes para os senhores feudais.
Para um deles, essa relação foi particularmente estratégica. Extrovertido, pouco afeito a cerimônias, Oda Nobunaga era esquisitão para os padrões japoneses. E essa sua “esquisitice” foi seu maior trunfo. Os samurais tinham o respeito e a fama, mas o grosso das tropas era formado por ashigaru, soldados pagos da classe trabalhadora. Até Nobunaga, os ashigaru eram vítimas fáceis dos samurais. Ele treinou seus ashigaru a lutarem de forma semelhante aos lanceiros da Europa.
Mais importante, os equipou com arcabuzes, que então já eram produzidos no Japão. Em 1573, na batalha de Mikatagahara, a cavalaria mais temida do Japão, do daimyo Takeda Shingen, foi destruída pelos camponeses de Nobunaga.
No mesmo ano, suas tropas e as de seu servo Toyotomi Hideyoshi conquistaram Kyoto, dando fim ao xogunato Ashikaga. Nenhum dos dois se tornou xogum: o título coube a um protegido de Nobunaga, Tokugawa Ieyasu, que acabou com os últimos focos de resistência na Batalha de Sekigahara (1600).
Seita perigosa.
Ironicamente, o novo xogunato, permitido pelas armas europeias, foi a sentença de morte das relações amistosas com o Ocidente. Hideyoshi considerava os cristãos uma seita perigosa e proibiu missionários em 1587, sem muito efeito. Em 1596, o galeão espanhol San Felipe naufragou em Tosa com vários missionários.
Um deles, mais linguarudo, afirmou que a conversão era o primeiro passo para a conquista do Japão. Hideyoshi conhecia a história recente da Espanha nas Américas e nas Filipinas. O resultado foram os “26 mártires do Japão”, 6 europeus e 20 japoneses cristãos crucificados em Nagasaki, a cidade mais cristã do país.
Tokugawa Ieyasu tentou manter uma política de ”Europa sem cristianismo” e viu uma chance no comércio com protestantes, mais pragmáticos: focados no comércio e menos interessados em pregar. Em 1600, o inglês William Adams (1564-1620) aportou no Japão e se tornou uma figura importantíssima para o xogum - ajudou Ieyasu a construir caravelas e organizar suas tropas -, a ponto de ser proibido de deixar o país e ser declarado samurai, o único caso na História de um samurai estrangeiro.
Os sucessores de Ieyasu foram progressivamente mais duros com os cristãos, vistos como desagregadores da unidade nacional. Em 1635, o Japão fechou os portos para os estrangeiros, com exceção de Nagasaki, aberto a um comércio limitado com os holandeses, e passou a oferecer recompensas a quem denunciasse cristãos. Era o início do isolamento do país, o sakoku, que duraria até 1853. Em 1853, uma carta e um canhonaço de um navio americano abriram o país na marra.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Japão feudal: a lendária vingança dos 47 ronins.

JAPÃO FEUDAL: A LENDÁRIA VINGANÇA DOS 47 RONINS

Mesmo tendo plena consciência das consequências, os guerreiros feudais reagiram ao suicídio forçado de seu daimiô
VITOR LIMA PUBLICADO EM 10/09/2019.
Ilustração de um guerreiro
Ilustração de um guerreiro - Getty Images
No início do século 18, o Japão era governado por Tokugawa Tsunayoshi, bisneto de Tokugawa Ieyasu, um dos principais responsáveis pela unificação do país e o primeiro xogum de seu clã. Tsunayoshi pouco lembrava o bisavô, o destemido senhor da guerra que havia eliminado todos os inimigos e submetido o país à força de sua espada. Livre de grandes preocupações políticas ou militares, Tsunayoshi gastava seu tempo promovendo estudos religiosos e incentivando a arte.
Guerreiros aposentados.
Sem guerras para lutar, os samurais haviam perdido sua função primordial. Os membros da corte levavam uma vida de luxo e ócio, e eram frequentes os casos de corrupção. Sem grandes realizações, Tsunayoshi seria conhecido como o xogum cachorro, pois uma de suas medidas mais notáveis foi estabelecer a pena de morte a quem matasse cães.
Por ter nascido em um ano do cachorro do horóscopo chinês, o xogum passou a protegê-los. A cidade de Edo, sede do governo, ganhou um imenso canil, que abrigava animais abandonados, alimentados com arroz e peixe pagos pelo povo. Esse marasmo só seria quebrado em 1701 por um incidente que entraria para a história dos samurais: a vingança dos 47 ronins.
Ou quando Tsunayoshi escolheu Asano Takuminokami Naganori, um jovem daimiô de uma região rural do Japão, como um dos encarregados de entreter os enviados da família imperial em Edo. Para exercer a nova função, Asano devia ser treinado por um alto funcionário designado pelo xogunato, Kira Yoshinaka, especialista em cerimoniais.
Tokugawa Tsunayoshi / Crédito: Wikimedia Commons
Durante as aulas, Kira passou a humilhar Asano constantemente, ridicularizando seu pouco conhecimento sobre questões de etiqueta. Certo dia, Asano perdeu as estribeiras, desembainhou a espada e avançou sobre Kira, ferindo-o na face, antes de ser contido pelos guardas.
Qualquer ato de violência nos recintos do Castelo de Edo era considerado uma grave ofensa ao xogum. Por isso, Asano foi condenado a cometer suicídio, praticando o ritual do seppuku, em março de 1701. Ele tinha 34 anos. Suas terras foram confiscadas e seus samurais tornaram-se ronins, samurais sem um senhor para servir.
O ardil dos samurais.
Indignados com as circunstâncias do suicídio de Asano, 47 dos ronins juraram vingar a morte de seu mestre. Liderados por Oishi Kuranosuke Yoshio, ex-conselheiro de Asano, os ronins decidiram aguardar o momento oportuno para atacar Kira, pois este, ciente da possibilidade de vingança, havia reforçado sua segurança.
Para não despertar suspeitas, os ronins dispersaram-se e passaram a viver como se tivessem abandonado completamente o código de conduta dos samurais. Oishi, por exemplo, vivia em tavernas e cercado de prostitutas, o que levou sua mulher a pedir divórcio.
O líder dos 47 ronins, Oishi Kuranosuke Yoshio /
Crédito: Wikimedia Commons
Certo dia, Oishi estava caído na rua de tanto beber. Um samurai da província de Satsuma que passava ali perto se enfureceu, ao ver o estado degradante de Oishi. Além de estar largado na vida, aparentemente nada tinha feito para se vingar da morte do senhor feudal a quem servira. O samurai chutou o rosto de Oishi e cuspiu nele com desprezo. A cena foi testemunhada por espiões de Kira, que vinha sendo informado sobre a rotina de Oishi. Kira concluiu que nada tinha a temer e voltou à sua rotina.
Percebendo que Kira havia afrouxado sua segurança, os 47 ronins decidiram entrar em ação. Já havia se passado um ano e meio desde a morte de Asano. Na madrugada de 14 de dezembro de 1702, durante uma forte nevasca, os 47 guerreiros atacaram a mansão de Kira em Edo.
A grande desonra.
Armados com espadas e arcos, eles se dividiram em dois grupos, um liderado por Oishi, que atacou pelo portão principal, e o outro por Chikara, o filho mais velho de Oishi. Um tambor começou a tocar e os dois grupos atacaram simultaneamente, pegando os guardas de Kira desprevenidos. Em pouco tempo, os ronins conseguiram eliminar vários guardas e controlar a situação. Mas onde estava Kira? Nenhum sinal.
Os ronins durante o ataque / Crédito: Wikimedia Commons
Ao vasculhar a casa, Oishi percebeu que a cama de Kira ainda estava quente e, por isso, ele não poderia ter ido longe. Após nova busca, os ronins descobriram uma passagem secreta que levava a um pátio, onde Kira havia se refugiado com algumas mulheres e dois guardas.
Eles foram mortos pelos ronins, enquanto Kira se encolhia de medo. Oishi verificou se o homem era mesmo Kira, pois ainda tinha no rosto a cicatriz do ferimento causado por Asano. Oishi ajoelhou-se e, em respeito ao elevado grau hierárquico de Kira, explicou-lhe que os guerreiros de Asano estavam ali para se vingar da morte do mestre. Convidou Kira a morrer com dignidade, por seppuku, oferecendo-lhe a adaga utilizada por Asano para se matar.
Kira, no entanto, nada disse e não parava de tremer. Oishi então deu ordem a um dos ronins para que o decapitasse. Em seguida, os guerreiros levaram a cabeça de Kira até o templo de Sengakuji, em Edo, e a ofertaram ao túmulo de Asano.
Final feliz.
Após cumprirem o planejado, os 47 ronins entregaram-se às autoridades. Conforme já esperavam, foram condenados à morte, por terem matado um funcionário do governo e desafiado o poder do xogum. No entanto, em vez de serem executados como criminosos, os guerreiros receberam o direito de cometer seppuku, em reconhecimento à lealdade demonstrada ao antigo mestre. O seppuku coletivo ocorreu em 4 de fevereiro de 1703. Os ronins foram sepultados no templo de Sengakuji, ao lado do túmulo de Asano.
Ao tomar conhecimento de tudo, o samurai de Satsuma – o mesmo que havia cuspido em Oishi na rua, por considerar que ele não agia como um verdadeiro guerreiro – foi a Sengakuji para pedir perdão por seu equívoco. Ele também cometeu suicídio e foi enterrado ao lado dos ronins.
Para o samurai Yamamoto Tsunetomo, autor de Hagakure, uma compilação de pensamentos publicada em 1716, os ronins não agiram como verdadeiros samurais ao esperar o momento adequado para atacar Kira. “E se, nove meses depois da morte de Asano, Kira tivesse morrido de alguma doença? A resposta óbvia é: os 47 ronins teriam perdido a única chance que tinham de vingar seu mestre”, escreveu Tsunetomo.
Nesse caso, os ronins seriam lembrados como um bando de bêbados e covardes. E o pior: teriam desonrado para sempre o nome do clã Asano. Segundo Tsunetomo, os ronins deveriam ter atacado Kira logo após a morte de Asano, mesmo que as chances de vitória fossem mínimas.
Túmulos dos ronins no templo de Segakuji / Crédito: Wikimedia Commons
As críticas de Tsunetomo aos ronins não são a visão predominante no Japão. A maioria dos japoneses considera os 47 ronins como heróis, exemplos de coragem e lealdade. O templo de Segakuji, que fica na região central da atual cidade de Tóquio, atrai até hoje milhares de peregrinos que vão reverenciar os ronins.
A ação desses guerreiros tornou-se ainda mais marcante por ter sido uma espécie de canto do cisne dos samurais. A partir de então, a classe social que governava o Japão entraria em irreversível decadência.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

150 anos do fim da Guerra Boshin, a última batalha dos samurais.

150 ANOS DO FIM DA GUERRA BOSHIN, A ÚLTIMA BATALHA DOS SAMURAIS

Uma guerra entre samurais com fuzis, canhões e navios a vapor consolidou o Japão como um país moderno unificado. Era o fim de quase 700 anos de feudalismo e o começo de uma grande potência
TIAGO CORDEIRO PUBLICADO EM 27/06/2019
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- Crédito: Reprodução
O Japão nasceu há 151 anos, em 1868. Ou melhor: o Japão, país unificado, com um governo central moderno, só surgiu então. Antes disso, cada região era controlada por seu daimiô, seu senhor feudal, que tinha autonomia em quase tudo, menos guerra, no que respondia ao xogum – e, na prática, não havia guerra fazia dois séculos e meio. Tóquio chamava-se Edo e era a sede do domínio dos Tokugawa. O arquipélago havia atravessado 221 anos de quase total isolamento do mundo.
Com a Guerra de Boshin, um sistema de governo e de vida ruiu. O imperador, em geral uma figura apenas simbólica desde o século 11, voltou a ter poder e passou a aceitar, de bom grado, as novidades trazidas pelo resto do globo – um caso que, veremos adiante, não é sem ironia. Os mais expressivos representantes da velha ordem, os samurais, seriam extintos. Era o fim de uma era.
O dilema colonial.
Foi Matthew C. Perry, almirante britânico a serviço do presidente americano Millard Fillmore, que forçou o fim do sakoku, o “fechamento”, política isolacionista que vinha desde 1633. O país não tinha comércio exterior e não aceitava visitantes.
Perry tinha ordens para estabelecer contato diplomático – custasse o que custasse. Fez isso em duas visitas nada amistosas, realizadas em 1853 e 1854. Posicionou seu esquadrão armado com canhões, primeiro na baía de Edo (futura Tóquio) e depois perto da atual Yokohama.
E “pediu” para aceitarem sua visita, sob óbvia ameaça militar. Conseguiu o que parecia impossível: que os japoneses assinassem um tratado comercial, o primeiro de vários. Começou então um período de grande tensão, em que as lideranças se viam forçadas a aceitar os diplomatas e mercadores ocidentais.
Tokugawa Yoshinobu a caminho de Edo / Crédito: Wikimedia Commons
Quem assinava era o xogum. Suserano de todos os daimiôs, não era rei ou primeiro-ministro, estava mais para generalíssimo. O cargo era concedido pelo imperador, e o poder dos imperadores não ia além da formalidade dessa concessão.
E o xogum, ironicamente, devia seu poder ao Ocidente. Séculos antes, o Japão havia travado diálogo com o outro lado do mundo. Foi em 1543, com a visita de três marinheiros portugueses à ilha de Tanegashima, apresentando aos japoneses as armas de fogo ocidentais, que seriam produzidas massivamente pelos japoneses, ganhando o mesmo nome do local do contato.
Seria com os arcabuzes tanegashima que o Japão seria unificado, nas seis décadas seguintes, com o poder terminando nas mãos da família Tokugawa. Temendo que esse poder lhe escapasse – e preocupado com a pregação missionária cristã -, o xogum Tokugawa Iemitsu, que assumiu o poder em 1623, proibiu o contato com estrangeiros, inclusive a construção de navios oceânicos, e as armas de fogo, que ficaram guardadas em seu arsenal, para o caso de uma guerra externa.
A exceção eram alguns poucos comerciantes holandeses, que eram admitidos num porto só, Nagasaki. Graças a eles, o Japão tinha uma vaga ideia de que estava ficando para trás.
Tensões se acumulam
E também tinham uma ideia do que os aguardava. A poderosa China travara uma guerra com os britânicos ao tentar impedir a epidemia de ópio, vendido pelos europeus. O resultado foi ser forçada a assinar o Tratado de Nanquim, fazendo concessões impensáveis para o país que chamava (e chama) a si prórpio de Zhonghuá, o Império do Centro (do mundo).
Samurai em vestes típicas e com katana na cintura apontando um fuzil de repetição moderno / Crédito: Reprodução
No início da década de 1860, o xogum tentava se equilibrar na corda bamba da modernização estrangeira, ganhar os avanços sem entregar o país. “Entre a população, antes da abertura forçada, havia um intenso interesse a respeito do Ocidente. Mas uma parcela menor, ainda que muito influente, era xenofóbica e não queria nenhum tipo de contato com o mundo exterior”, afirma David Howell, professor de história japonesa na Universidade Harvard.
Em 1862, o comerciante britânico Charles Lennox foi morto com espadas e lanças porque chegou perto demais da comitiva do nobre Shimazu Hisamitsu, demonstrando o que foi visto como desrespeito aos samurais – e samurais tinham o direito por lei de matar quem os desrespeitasse. Kagoshima foi bombardeada pela Marinha britânica, e o governo foi forçado a pagar uma indenização.
Quebrando a tradicional passividade do cargo, o imperador Komei, no trono desde 1846, deu uma ordem. Em 1863, ele decretou que os bárbaros deveriam ser todos expulsos. O xogum não mexeu uma palha para colocar o comando em prática. E, certamente, nem tinha condições.
Chamados de bárbaros, europeus eram ameaçados e civis desarmados foram atacados – grupos de samurais mataram 11 marujos franceses em Sakai, em 8 de março de 1868 e, duas semanas depois, atacaram o embaixador britânico Harry Parkes, que escapou com vida em três diferentes ocasiões, sempre graças à ação de seus guarda-costas contra samurais armados com espadas.
A queda da casa Tokugawa
A guerra parecia iminente. Só não começou antes porque, num curto período de tempo entre o fim de 1866 e o início de 1867, morreram o imperador, Komei, e o xogum Tokugawa Iemochi. Komei foi sucedido por seu filho de 14 anos, Mutsuhito – que, após sua própria morte, dentro da tradição japonesa, assumiria o nome histórico de Meiji (em vida, Komei era chamado Osahito).
Já a morte do xogum deu início a uma transição mais violenta: o sucessor, Tokugawa Yoshinobu, renunciaria antes do fim de 1867, concluindo os 265 anos de controle da família Tokugawa do regime militarista. Aproveitando-se da confusão, o imperador retomou as tentativas de seu pai em reclamar para si o poder nacional. Tornar-se um monarca real, não nominal.
A essa altura, a questão dos estrangeiros havia se tornado mero pretexto. Ambos os lados queriam o mesmo: o poder, pela via das armas ocidentais. Naquele momento, durante toda a guerra e seu governo, a Era Meiji, o imperador agia influenciado pelos clãs Chosu, Satsuma e Tosa, que liderariam o combate. “O imperador Meiji fez o que lhe foi dito”, afirma Anne Walthall, professora de história japonesa da Universidade da Califórnia.
Samurais em vestes tradicionais, portando armas de fogo e feridos por elas na Batalha de Ueno / Crédito: Reprodução
Ao renunciar, Tokugawa Yoshinobu esperava assumir uma posição de peso no governo do novo imperador. Não foi o que aconteceu. Os nobres adversários dele conseguiram que a casa Tokugawa fosse declarada extinta – para isso, membros dos clãs que governavam Choshu e Satsuma chegaram a invadir o palácio imperial, em Quioto, para ditar decretos que Meiji assinara. Em Edo, a partir de onde os Tokugawa governavam, o castelo do clã chegou a ser cercado e tudo em volta, queimado. Daí para a guerra foi um passo.
O xogunato tinha tudo para se sair melhor. Ainda contava com o apoio de boa parte das regiões que formavam o país, com seus nobres e seus exércitos de samurais. Em 26 de janeiro, suas forças atacaram a entrada sul de Quioto. Eram 15 mil homens contra os 5 mil soldados dos líderes de Choshu e Satsuma.
Mas os homens de Choshu e Satsuma estavam mais bem armados, com rifles Minié e quatro canhões Armstrong. No segundo dia de batalha, o imperador enviou sua bandeira para ser hasteada entre os soldados que defendiam Quioto. Foi quando surgiu, oficialmente, o exército imperial.
O gesto era inédito, porque, tradicionalmente, era o xogunato que controlava todas as forças militares do país. Sentindo-se incapaz, moralmente, de lutar contra seu próprio imperador, o xogun que havia acabado de renunciar, Tokugawa Yoshinobu, se retirou do campo de batalha. Boa parte dos soldados o seguiu, e o que parecia uma vitória certa para o xogunato acabou representando a primeira vitória militar dos aliados do imperador.
Canhões e samurais
A deserção do xogum não impediria que seus aliados travassem a Guerra do Ano do Dragão (é o que quer dizer Boshin). Ela se estenderia por 17 meses, entre janeiro de 1868 e junho de 1869.
Engana-se quem está imaginando um conflito de samurais com espadas contra exércitos modernos. Ao longo do conflito, ambos os lados apostaram na modernização do arsenal, no começo cheio de katanas e dos arcabuzes do sécuo 16.
No início, o Exército imperial contava com armamentos mais modernos, em especial o já citado fuzil Minié, fabricado na França. Eram armas superiores se comparadas aos fuzis alemães Gewehr, usados pelos adversários.
Feitos na Inglaterra, os canhões Armstrong do imperador eram carregados pela culatra, o que era muito mais rápido que o método tradicional, pela boca, e seu cano era raiado, como o de um fuzil, fazendo a bala sair girando, aumentando em muito a precisão. Os homens do xogum ainda dependiam principalmente de canhões de madeira medievais, que ficavam imprestáveis depois de disparar três vezes.
Nos últimos meses, samurais e soldados comuns (chamados ashigaru) portavam ícones do faroeste: fuzis de repetição Spencer e revólveres Smith & Wesson.
No mar, embarcações antigas, tradicionais, de madeira, passaram a coexistir com encouraçados a vapor. Nesse setor, os dois lados estavam em paridade – por isso, várias das principais vitórias do xogunato aconteceram no mar.
Por sua vez, o império adquiriu o Kotetsu (encouraçado), um antigo navio fabricado na França e que pertencera aos confederados americanos. Havia sido utilizado durante a Guerra Civil dos Estados Unidos e se mostraria decisivo na Batalha da Baía de Hakodate, um marco da vitória das forças imperiais japonesas.
O imperador Meiji recebendo a Constituição Japonesa na câmara do novo Palácio Imperial, em 11 de fevereiro de 1889 / Crédito: Reprodução
Os uniformes dão uma ideia da situação do país: alguns samurais, de ambos os lados, usavam seus uniformes tradicionais, coloridas armaduras de ferro esmaltado, portando espadas curvadas e lanças, enquanto outros, nos mesmos exércitos, adotavam roupas ocidentais, em geral calças e camisas de algodão azul escuro.
Do lado imperial, o uso de vestuário ocidentalizado era acrescido, no caso dos oficiais, de perucas compridas nas cores branca, preta ou vermelha, de acordo com a região de onde o militar vinha. Os capacetes dos soldados podiam ser cônicos, de diferentes alturas, ou arredondados, ou mesmo substituídos por faixas.
Manobras diplomáticas
No dia 28 de janeiro de 1868, enquanto acontencia a retirada em Quioto, o xogunato vencia a batalha naval de Awa. E convencia os ministros dos países estrangeiros, reunidos no porto neutro de Hyogo, a apoiar o antigo sistema de governo. Afinal, o imperador anterior já tinha manifestado o desejo de expulsar os estrangeiros, e Meiji podia fazer o mesmo.
Demoraria alguns meses para o imperador conseguir uma vitória diplomática e convencer o mundo exterior a apoiar seu governo. Enquanto isso, o xogunato se mantinha na luta, na expectativa de que os franceses mandassem reforço militar. Mas os estrangeiros se manteriam distantes do conflito: Inglaterra e França vendiam armas e mantinham oficiais como consultores. Mas não tomaram partido. Assinaram um termo concordando com a não intervenção.
A primeira etapa da Guerra Boshin acabou rapidamente. Em 4 de julho de 1868, depois de apenas seis meses de conflito, Saigo Takamori venceu a Batalha de Ueno, um último esforço do xogunato para manter o controle sobre os arredores de Edo. A partir dali, por um ano, o Japão se dividiu em dois.
Isolados, os representantes do xogunato se isolaram em Hokkaido, onde chegaram a formar uma república. O restante do país, em geral, aderiu ao imperador. Mas a vitória final só aconteceria meses depois, com a derrota da República de Ezo.
Essa fase contou com momentos dramáticos. Em Aizu, hoje um distrito de Fukushima, 15 mil combatentes cercaram o Castelo Tsuruga, onde ficava instalado um grupo de byakkotai, o batalhão dos Tigres Brancos. Eram 300 jovens samurais, de no máximo 17 anos.
Formavam uma força de reserva, mas 20 deles se viram isolados dentro do castelo depois que as forças do xogunato se dispersaram na Batalha do Passo Bonari. Depois de um mês de cerco, em outubro de 1868, os byakkotai receberam a proposta de se render e sair pacificamente. Preferiram a morte e cometeram suicídio coletivo.
Nasce um império
Em 26 de outubro de 1868, já na segunda fase da guerra, Edo foi rebatizada como Tóquio e transformada em capital, enquanto o imperador renegociava os acordos comerciais do passado. Era o início oficial da Era Meiji.
Ilustração de uma rua com prédios ao estilo ocidental, feitos de tijolos, em Ginza, Tóquio, em 1872 / Crédito: Reprodução
Restava exterminar a república rebelde. Não foi difícil. Mal armado e cercado por samurais que faziam questão de lutar com espadas ou os velhos arcabuzes tanegashima, o presidente Enemoto Takeaki sofreu uma série de derrotas militares, até que acabou cercado e se rendeu ao perder a Batalha de Hokkaido, em 26 de junho de 1869 – data que marca o fim da Guerra Boshin.
O imperador havia vencido, com relativamente poucos mortos: em torno de 3.500, para uma movimentação de tropas envolvendo cerca de 120 mil pessoas.
Em 1873, o imperador aboliu a classe dos samurais. Foram rebatizados de shizoku (famílias guerreiras), perderam o direito de portar armas em público e de matar civis que os ofendessem. Os ex-samurais assumiram funções no Exército moderno ou se dedicaram a outras profissões, como professores.
Em 1877, uma revolta de ex-samurais seria liderada por Saigo Takamori, um grande general da facção imperial na Guerra Boshin. Que não era um tradicionalista: só havia rompido com o governo por achar que mais verba era necessária para a modernização do exército. A Revolta de Satsuma iria de 29 de janeiro até 24 de setembro de 1877, quando Takamori decidiu cometer seppuku, o suicídio ritual. Seria o último suspiro do samurai. E do Japão antigo.

quarta-feira, 24 de novembro de 1993

Minamoto Yoritomo, implantou o shogunato no Japão.


Fonte: Gengis Khan. Coleção: Grandes Personagens da História Universal, Volume 17, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1970.

 

terça-feira, 24 de março de 1992

A surpreendente história de Yasuke, o primeiro samurai africano.

 



GUERREIROS SAMURAIS
Por: HISTORY Brasil

Uma das mais surpreendentes histórias do Japão feudal tem como protagonista um guerreiro africano. Chamado Yasuke, ele foi o primeiro estrangeiro a alcançar o status de samurai. Não existem dados nem registros sobre a data ou o local de nascimento dele, que chegou ao país oriental por meio de um jesuíta chamado Alessandro Valignano, em 1579.

A chegada de Yasuke a Quioto, a capital japonesa na época, gerou uma grande comoção popular. Ele alcançou o posto de samurai no reinado de Oda Nobunaga, de quem se tornou amigo próximo. Ambos tinham em comum uma admiração pelas artes marciais e tradições culturais do Japão, como a dança Utenzi e o teatro Noh. 

Yasuke lutou em importantes batalhas junto a seu amigo Oda Nobunaga. Eles se mantiveram unidos até que Akechi Mitsuhide se rebelou contra Nobunaga e colocou fogo em seu palácio. Antes de tirar a própria vida em um ritual suicida chamado Seppuku, ele pediu a Yasuke que o decapitasse e levasse sua cabeça e espada a seu filho.

Após esse fatídico episódio, a lenda de Yasuke chega a seu fim, em 1582. A queda de Nobunaga teve como resultado o exílio do primeiro samurai negro, de quem não se soube mais nada. Quinhentos anos mais tarde, sua história incomum continua causando espanto e admiração. 


Fonte: BBC 

Imagens: Shutterstock.com

fonte: https://history.uol.com.br/noticias/surpreendente-historia-de-yasuke-o-primeiro-samurai-africano.