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domingo, 10 de julho de 2022

O Pós 2ª Guerra e a Guerra Fria.

 A Guerra Fria.

Inicia após a 2ª Guerra Mundial.

Estados Unidos e URSS – brigam por poder político, econômico e militar no mundo.

URSS = socialista, Partido Comunista, igualdade social e falta democracia.

USA = capitalista, economia de mercado, democracia e propriedade privada.

De 1940 a té 1989 = tentaram implantar as suas políticas em outros países.

A guerra fria não houve combate militar, ocorreu no campo ideológico e os dois possuíam armas nucleares, por isso era perigoso.

A paz armada = é a definição de um período onde os dois países foram para uma corrida armamentista, espalharam exércitos nos países aliados. O equilíbrio garantiu a paz. Formação de dois blocos militares. Os dois blocos militares tinham o objetivo de defender os seus interesses militares entre os sócios.

OTAN = organização do Tratado do Atlântico Norte, 1949. O líder era os USA e os aliados = Europa Ocidental, Canadá, Itália, Inglaterra, Alemanha Ocidental, França, Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria e Grécia.

Pacto de Varsóvia = o líder era a URSS, em defesa de países socialistas: Cuba, China, Coréia do Norte, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Tchecoslováquia e Polônia.

A Corrida Espacial = ocorreu com os dois países ao mesmo tempo. USA e URSS correram para os avanços espaciais. Em 1957, a URSS lança um foguete Sputnik com um cão para o espaço. Em 1969, os USA mandam astronautas ao espaço, e eles chegam na Lua.

A Caca as Bruxas = os USA combate ao comunismo usando meios de comunicação para divulgar o “american way of life”. Americanos foram presos por defender ideias socialistas. Isso se espalhou pelo mundo para dizer que o socialismo era ruim. Os URSS com o Partido Comunista perseguiu, prendeu e matou quem não seguia as regras. Ocorria investigação e espionagem de ambos os lados. A CIA pelos USA e a KGB pelos URSS.

A Divisão da Alemanha = após a segunda guerra, foi dividida a Alemanha. A República Democrática em Berlim era soviética e socialista. A República Federal em Bonn era a parte capitalista. Em 1961 - Fizeram o Muro de Berlim. E ele será derrubado em 1989.

A Cortina de Ferro = em 1946, Churchill, Ministro Britânico, discursou nos USA e chamou a “cortina de ferro”, a influência da URSS. Churchill defendia que a URSS era inimiga dos valores e da democracia.

Plano Marshall e Comecon = são planos econômicos. Os USA tinha o Plano Marshall que emprestava dinheiro para reconstruir os países atingidos pela guerra. Os URSS, tinha o Comecon, em 1949 garantia dinheiro aos países socialistas.

Guerra da Coreia = 1951 – 1953, quando ocorre a pressão para virar socialista. O sul resiste com o apoio militar dos USA. A Coreia é dividida. O Norte é socialista e o Sul capitalista.

Guerra do Vietnã = 1959 – 1975, intervenção direta. Os USA tem dificuldade de enfrentar os vietcongs que são apoiados pelos URSS. Os USA são derrotados. O Vietnã é socialista.

Fim da Guerra Fria = atraso econômico e crises no socialismo. Em 1989 cai o muro de Berlim. A Alemanha é reunificada. O Presidente dos URSS Gorbachev acelera o fim do socialismo. As reformas econômicas e acordos com os USA com mudanças políticas. O capitalismo sai vitorioso.

Bem Estar = Welfare State = o Estado social garante a educação, saúde, habitação, renda e segurança social a todos. Os direitos sociais surgem depois da 2ª guerra. A Inglaterra usa na saúde e educação. Intervém na economia, regula atividades produtivas, assegura a geração de riquezas e diminui a desigualdade social, originado dos conflitos sociais pelo capitalismo. Exemplo: a crise de 29. O capitalismo livre de controle gerava desigualdade social. Os conflitos ameaçavam a estabilidade política. Os direitos reformam o bem estar e compatibiliza o capitalismo e a democracia. As lutas não acabam, mas são direcionadas. A crise está em harmonizar gastos públicos com economia capitalista. Desunião entre capital e trabalho. Ocorre a privatização de empresas públicas.

Bem estar no Brasil = a Era Vargas, 1930 – 1945, auge da ditadura militar, 1964 – 1985, gastos públicos, comunicação, energia elétrica, construção de estradas e empresas públicas. Em 1970 – a classe empresarial critica o intervencionismo estatal. O povo pede a desestatização. Ocorre a transição para a democracia. Momento do estado pagar as dívidas sociais, não ocorre. Em 1985, sucede o governo democrático com político neoliberal e privatizam as empresas estatais.

A Questão Palestina = em 1948, o povo na palestina, árabes, islâmicos e sunitas confrontam o Estado de Israel. Em 1950, surge Yasser Arafat criando AI – Fatah e domina a OLP organização pela liberdade Palestina. Com princípios de não reconhecer o Estado de Israel, nem o direito dos judeus viverem na Palestina. Em 1970, árabes usam o petróleo como pressão política e econômica. O Golfo Pérsico fornecia mais petróleo que todos no planeta. Nova crise do petróleo por um golpe de estado pela CIA dos USA para modernizar e implantar valores ocidentais, ocorre o choque com a sociedade islâmica, ocorre o domínio dos aiatolás em 1979 com líderes religiosos e sua teocracia e ódio aos americanos. Em 1986, a OLP, tem líder Arafat contra Israel chama a atenção do mundo com precárias condições dos palestinos. Criam a intifada, guerra das pedras, jovens, velhos e crianças enfrentam judeus com paus e pedras. Podendo ocorrer a qualquer momento de acordo com comandos palestinos.

Ditaduras Latino-Americanas = a independência deu origem a vários estados independentes, mas não deu fim a independência econômica. Continuou a desigualdade social e a exclusão econômica. Depois da 2ª guerra o sucesso da Revolução Cubana, inspira movimentos de transformação política. Os USA preocupava-se com agitações políticas que abalassem a hegemonia. Entre 1960 – 1970, movimentos foram atacados pelas elites. Pediram ajuda aos USA para acabar com movimentos revolucionários.

Por Vanessa Candia.

Prof. de História. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Após tremores vulcânicos, navios afundados na 2ª guerra, emergem no Oceano.

JAPÃO: APÓS TREMORES VULCÂNICOS, NAVIOS AFUNDADOS NA SEGUNDA GUERRA EMERGEM NO OCEANO

O surpreendente caso aconteceu em Iwo Jima; confira vídeo

PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 20/10/2021.

Restos de navios da Segunda Guerra no mar japonês
Restos de navios da Segunda Guerra no mar japonês - Divulgação/ANNnewsCH

Nesta quarta-feira, 20, tremores de um vulcão no Monte Suribachi, localizado a oeste da ilha de Iwo Jima, no Japão, fizeram com que uma frota de 24 navios usados na Segunda Guerra Mundial, emergisse do fundo do oceano.

As embarcações foram afundadas durante a marcante batalha de Iwo Jima, logo ao final da Guerra, no ano de 1945. Na ocasião, na luta contra os EUA, os japoneses usaram os navios para proteger outros barcos que descarregavam armas ou soldados.

De acordo com informações do portal britânico Metro, mais de sete décadas depois de afundarem, imagens dos restos das embarcações foram capturadas por satélites. Atualmente, os navios estão sob camadas de cinzas vulcânicas, em decorrência das atividades sísmicas na região.

Navios vistos no Japão / Crédito: Divulgação/ANNnewsCH

 

Segundo especialistas, Iwo Jima ainda pode ser alvo de novos tremores nos próximos dias, já que a atividade vulcânica não diminuiu.

O que faz com que o risco de uma “grande erupção” aumente. Como revelou Setsuya Nakada, profissional do Centro de Promoção de Pesquisas de Vulcões do Japão.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/japao-apos-tremores-vulcanicos-navios-afundados-na-segunda-guerra-emergem-no-oceano.phtml

terça-feira, 21 de julho de 2020

Os túneis de Hitler.

TÚNEIS DO MEDO: A ENORME CIDADE SUBTERRÂNEA DE HITLER

Em meados de 1940, o Führer criou um projeto ambicioso, que, se completo, abrigaria mais de 20 mil pessoas no subsolo
PAMELA MALVA PUBLICADO EM 21/07/2020
Escadas presentes em um dos túneis de Osówka
Escadas presentes em um dos túneis de Osówka - Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka
Projetos, esquemas e rascunhos de bombas eram apenas alguns dos arquivos protegidos por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Com dezenas de planos mirabolantes na cabeça, o austríaco sonhava com o esconderijo perfeito.
Assim, em meados de 1940, ele teve uma ideia suntuosa, que sairia do papel em pouco tempo. Aos pés das montanhas Sowie, no sudoeste da Polônia, o complexo subterrâneo de Osówka daria início ao Projeto Riese — gigantesco, em alemão.
Na fronteira com a República Tcheca, então, dezenas de túneis subterrâneos seriam escavados, em um projeto arquitetônico ambicioso. Tudo, é claro, supervisionado por Albert Speer, ministro da produção de armamentos e amigo pessoal de Hitler.
Um dos bunkers construídos em Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Esconderijo perfeito
As plantas do Projeto Riese chegavam aos pés de uma ideia megalomaníaca. Com dezenas de bunkers enormes, interligados por túneis bastante longos, a ideia era criar uma verdadeira cidade subterrânea, com cerca de 35 km2.
Caso fosse terminada e realmente utilizada pelos simpatizantes de Hitler, a área teria a capacidade de abrigar 20 mil pessoas. Entre os possíveis ocupantes, muitos seriam soldados e cientistas alemães, focados em produzir ainda mais projetos do Führer.
Além de bunkers imponentes, a cidade subterrânea ainda contaria com fábricas de bombas. Nelas, Hitler poderia colocar em prática as temidas bombas atômicas nazistas que, por sorte, nunca saíram do papel.
Artefatos encontrados em Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Papéis e documentos.
Em meados de 1943, Albert Speer deu início às primeiras construções do complexo subterrâneo. Naquela época, a Baixa Silésia, região polonesa onde a estrutura tomou lugar, ainda fazia parte da Alemanha.
Abandonado às pressas ao final da Segunda Guerra, o complexo de Osówka é um dos maiores do Projeto Riese e conta com um salão principal de 8 metros. Em seus túneis, uniformes, máscaras de gás, armas de grande calibre, gás e picaretas resistem ao tempo.
O que se sabe hoje sobre os enormes bunkers, no entanto, é resultado de longas e minuciosas pesquisas históricas. Isso porque, ao final do conflito, Hitler mandou destruir todos dos documentos e plantas do projeto.
Uma das entradas de Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Sangue e suor.
Abaixo da terra, os túneis de Osówka se estendem como teias, todos escavados pelos escravos do nazismo à época. Vindos do campo de concentração de Gross-Rosen, mais de 13 mil judeus trabalharam nas obras complexas. Estima-se que, graças às condições insalubres, cerca de 5 mil deles morreram na construção.
O enorme número de mortes, no entanto, seria ainda maior caso os bunkers tivessem sido terminados. Em suas memórias, Albert Speer escreveu que a preocupação de Hitler com a própria sobrevivência chegava a “níveis insanos”.
Dessa forma, acredita-se que o projeto atingiria medidas absurdas. Se a guerra tivesse durado mais dois anos, segundo alguns estudiosos, o Projeto Riese estaria funcionando em sua totalidade, considerando o ritmo das construções.
O Complex Rzeczka, um dos 7 bunkers nazistas / Crédito: Wikimedia Commons

Abandono e herança.
Apesar do tamanho das construções e de sua importância histórica, acredita-se que, a partir de correspondências de Albert Speer, apenas 10% dos túneis tenham sido descobertos. Isso porque, atualmente, escavar a área é bastante caro.
Dessa forma, enquanto universidades não demonstram tanto interesse em descobrir mais túneis, explorações privadas e milionárias tomam conta dos artefatos encontrados. A motivação deles, todavia, é encontrar ainda mais tesouros, como a Sala de Âmbar, saqueada pelos soldados da SS durante a Segunda Guerra. 
Os túneis nazistas, contudo, se estendem além do esperado. A mais de 60 metros abaixo do castelo de Książ, que estava sendo reformado para ser a futura residência de Hitler, dois andares de galerias também foram construídos. Junto de Osówka, a estrutura deixa clara a urgência do Führer em encontrar um abrigo permanente durante o conflito.
Confira mais imagens da cidade subterrânea:
Carrinhos usados para a retirada de entulho / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Uma dos enormes túneis de Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Máscara de gás encontrada em Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Arma e local de tiros em Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

Um dos túneis ainda com estruturas de madeira em Osówka / Crédito: Divulgação/Cidade subterrânea de Osówka

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Bombas com doenças tinham como alvo a população americana na 2ª guerra.

PESTE BUBÔNICA E CÓLERA: O PLANO DO JAPÃO PARA DEVASTAR OS EUA DURANTE A SEGUNDA GUERRA

Bombas com doenças graves tinham como alvo a população americana
PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 07/05/2020
Submarinos I-400, responsáveis por transportar os aviões modelo Aichi M6A até a costa americana
Submarinos I-400, responsáveis por transportar os aviões modelo Aichi M6A até a costa americana - Wikimedia Commons
O ano de 1945 marcou o fim da Segunda Guerra. O Japão estava no meio de um cenário alarmante após o lançamento de bombas nucleares em seu território, pelos Estados Unidos. Antes dos tristes episódios em Hiroshima e Nagasaki, o país também estava se preparando para a possibilidade de uma guerra atômica.
A tensão entre os países já era alta após a Marinha Imperial Japonesa Air Service cometer o fatídico ataque a base americana de Pearl Harbor, em 1941, deixando inúmeros americanos mortos e feridos.
Esse ataque foi decisivo para a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, fazendo com que o Japão continuasse planejando investidas contra os EUA, porém, dessa vez, pretendiam atacar de outra maneira: através da propagação de doenças terríveis.
Após o ataque a Pearl Harbor, o cientista Shirō Ishii desenvolveu uma espécie de bomba para acometer uma guerra biológica, chamada de Operação Cherry Blossoms at Night (Flor de Cerejeira, em tradução livre). Esse plano, que pretendia devastar o sul da Califórnia, foi criado pela unidade Unidade 731, um grupo de pesquisa liderado pelo próprio Ishii.
Shirõ Ishii, microbiologista japonês responsável pela fabricação de armas biológicas / Crédito: Divulgação

A Unidade 731 foi criada com o propósito de pesquisar e desenvolver armas químicas e biológicas para serem utilizadas na Segunda Guerra. Para a criação de uma nova bomba, foram testadas várias doenças, tais como: peste bubônica, cólera, varíola, botulismo, antraz, dentre outras.
Com isso, os japoneses tinham como objetivo causar mortes, não apenas pelo raio de explosão das bombas, mas também infectar a população de uma região inteira nos Estados Unidos com doenças altamente contagiosas.
Aichi M6A, modelo de avião que soltaria as bombas na região ao sul da Californa, Estados Unidos / Crédito: Divulgação

Inúmeros equipamentos.
Shirō Ishii passou os meses finais da Segunda Guerra Mundial planejando e preparando os detalhes da missão. A Operação Cherry Blossoms at Night exigia grandes equipamentos de guerra, incluindo submarinos, aeronaves e soldados para levar esses aparelhos até os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, eles sabiam que se a operação acontecesse, não ficariam vivos.
Em 25 de março de 1945, a operação de Ishii estava pronta para ser colocada em prática. Cinco submarinos seriam equipados com bombas biológicas para deixarem a costa do Japão e viajarem pelo Oceano Pacífico. Eles estariam repletos de bombas com pulgas portadoras de peste que tinham a capacidade de dizimar a população da Califórnia através do contágio. 
O que deu errado.
Após a aprovação do plano de Ishii por autoridades japonesas, os militares estabeleceram uma data para a operação: 22 de setembro de 1945. Todavia, a Operação Cherry Blossoms at Night nunca iria acontecer.
Em 15 de agosto e 1945, o Japão anunciou sua rendição na segunda guerra mundial, muito por conta das duas bombas nucleares lançadas pelos Estados Unidos em território japonês, como uma espécie de vingança pelo ataque a base de Pearl Harbor.
Com isso, não apenas um contexto para o ataque como também a logística para tal, foram comprometidos. Ao longo da história diversas doenças foram utilizadas como armas em guerra, mas a operação pretendia levar a destruição e o sofrimento a um novo nível de brutalidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Desmond Doss: o soldade da 2ª guerra que salvou 100 homens.

DESMOND DOSS: O SOLDADO DA SEGUNDA GUERRA QUE SALVOU 100 HOMENS

Mesmo sem uma arma, o homem agiu com bravura ao ser enviado para o campo de batalha e resgatar seus colegas feridos
NICOLI RAVELI PUBLICADO EM 27/04/2020
Desmond Doss, soldado da Segunda Guerra Mundial
Desmond Doss, soldado da Segunda Guerra Mundial - Divulgação
Diferente do primeiro conflito mundial, a Segunda Guerra já foi tema de diversos filmes, como Até o Último Homem, dirigido por Mel Gibson, que conquistou os prêmios de melhor filme, direção, edição, mixagem de som, edição de som e ator, com Andrew Garfield.
O longa-metragem conta a história de Desmond Doss, um homem que deseja se alistar para o exército americano a fim de salvar as vidas dos soldados que iriam a combate durante a guerra. Todavia, existem determinadas partes do filme que não condizem com a verdade, enquanto outras chegam próximas à realidade.
Cena do filme Até o Último Homem, no qual Desmond Doss é interpretado por Andrew Garfield / Crédito: Divulgação

A infância de Desmond.
Durante a infância, o garoto e seu irmão viviam em constantes brigas. Em um dos embates, Doss chegou a atirar uma pedra na cabeça de Harold, fazendo com que o menino ficasse desacordado.
Por um momento, pensou que havia matado o próprio irmão. O episódio, que não terminou em tragédia, fez com que ele se tornasse devoto, seguindo os Dez mandamentos adventistas. “Sim, havia uma gravura dos Dez Mandamentos na sala de sua casa, e ele ficou muito comovido com as figuras de Caim e Abel”, afirmou Robert Schenkkan, que produziu o roteiro do filme.
Foi dessa maneira que nasceu a concepção de que matar alguém era pecado. Diante dessas informações, os produtores do filme fizeram questão de seguir, nessa cena, a história real, sem alterar os fatos.
Entretanto, no filme, o pai de Desmond é retratado como um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, o que não condiz com a realidade. De acordo com Schenkkan, William Thomas Doss era, na verdade, um carpinteiro.
Desmond Doss, soldado do exército americano / Crédito: Divulgação 

Dessa maneira, ele não sofria de depressão devido aos estresses pós-traumáticos proporcionados pela guerra. Todavia, o roteirista alegou que o homem realmente tinha problemas com álcool, assim como é relatado no longa-metragem.
O relacionamento com Dorothy.
No decorrer das cenas, Desmond vai até o hospital para doar sangue a um acidentado. Na unidade, ele conhece a jovem Dorothy, interpretada por Teresa Palmer.
Para a felicidade dos amantes de romance, o roteirista disse que o futuro casal realmente havia se conhecido no hospital, mas isso não aconteceu logo após Doss ajudar um acidentado. Não obstante, os dois começaram a namorar antes do homem se alistar no exército e continuaram com o relacionamento mesmo após a decisão de Desmond.
Dorothy e Desmond Doss / Crédito: Divulgação 

Mais tarde, durante um dia de folga do treinamento, eles decidiram se casar antes do soldado ser encaminhado para o campo de guerra. O pedido foi negado, o que resultou no adiamento do casamento para o dia 17 de agosto de 1942.
O motivo para Doss não pegar em armas.
Já no treinamento do exército, Desmond relembra – em uma das cenas do filme – um momento de quando era criança, no qual seu pai e sua mãe discutem enquanto William pega uma arma. Consequentemente, o garoto interfere na briga para tirar o revolver de sua mão. Segundo o filme, esse é um dos motivos do soldado não pegar em armas.
Na realidade, seu pai havia pegado a arma durante uma briga com seu cunhado. Mais tarde, a mãe de Desmond pediu que o marido a entregasse e pediu que o filho a jogasse no rio.
Segundo o roteirista, a mudança foi realizada para torná-lo mais humano. “Ele não era um santo. Podia ficar bravo como qualquer pessoa. Era capaz de pensar em atos violentos. Por isso, sua decisão de imperativo de consciência é ainda mais impressionante”.
O treinamento e o julgamento.
“O treinamento de Desmond na verdade foi mais extenso, e sua companhia viajou para múltiplos locais nos Estados Unidos. Aí, quando foram mandados para o exterior, primeiro estiveram em Guam antes de chegar a Okinawa”, afirmou Schenkkan sobre uma das partes encurtadas no filme.  
Além disso, Doss realmente era ridicularizado por não aceitar pegar em uma arma. “Exageramos as surras que ele levou, mas os outros soldados jogavam seus sapatos nele enquanto rezava”, completou o roteirista.
Não obstante, seu principal torturador, Smitty, interpretado por Luke Bracey, é ficcional. Na realidade, um dos comandantes foi obrigado a dispensá-lo por questões psiquiátricas.
Da mesma maneira, o longa-metragem trás as informações sobre seu julgamento, quando Desmond enfrentou a corte marcial devido a seus valores. “Dramatizamos um pouco a participação de seu pai no julgamento”, alegou Schenkkan.
Como já citado anteriormente, o pai de Desmond não havia participado da Primeira Guerra Mundial. Assim, ele não obteve da ajuda de um companheiro de combate a fim de evitar que seu filho fosse preso. Em Até o Último Homem, a carta realizada pelo colega de William chega na hora do julgamento de Doss.
“O pai de Desmond tinha um conhecido no Departamento de Guerra, e esse contato escreveu a carta que levou o comandante a recuar”, afirmou o roteirista. Além disso, o homem afirmou que a carta não chegou tão dramaticamente como o filme indica.
A luta em Okinawa.
O batalhão foi encaminhado a outras batalhas antes de chegar a Okinawa, mas essa é a única que é mostrada no filme, já que foi a mais sangrenta do conflito no Pacífico, resultando na morte de mais de 80 mil soldados. Assim como as filmagens abordam, os soldados precisavam escalar paredão de pedras por meio de uma corda. Uma vez no topo, podiam avistar seus inimigos.
Como Doss era contra armas, não possuía uma. Por consequência, corria desarmado em meio ao combate a fim de ajudar os feridos. Para os japoneses, ele era somente mais um americano e poderia ser morto a qualquer momento.
Cena de Desmond Doss resgatando um soldado / Crédito: Divulgação 

Com o passar do tempo, Desmond passa a conquistar o respeito e admiração de seus colegas, inclusive de Smitty, que é um personagem fictício. Nas cenas seguintes, o soldado Ralph Morgan é ferido durante uma explosão e perde as duas pernas e um dos paramédicos se recusa a ajudá-lo, mas Doss não desiste do colega e volta para resgatá-lo. Segundo Schenkkan, isso aconteceu na realidade e o homem sobreviveu.
Todavia, ele não foi o único que foi salvo pelo soldado. Ao cair da noite, os americanos precisavam se retirar, deixando os feridos para trás. Mas isso não impediu que Desmond voltasse ao local de batalha para salvar outros combatentes durante 12 horas.
Desmond Doss durante evento governamental / Crédito: Divulgação 

No longa-metragem, ele pede: “Deus, me ajude a ajudar só mais um”, e repete a frase diversas vezes. Uma vez com os feridos em seus braços, Desmond levava um por um até a corda, onde os amarava e baixava até a superfície do penhasco. Segundo o dramaturgo, a única diferença com a realidade é que seus companheiros que estavam embaixo do penhasco mandaram reforços.  
Ademais, o filme retrata que Doss se perde em uma das cavernas que os japoneses utilizavam como esconderijo e chega até mesmo a ajudar um inimigo. “Ele nunca mencionou ter entrado no sistema de cavernas, mas em mais de uma ocasião cuidou de soldados japoneses feridos”, relatou Schenkkan.
Não se sabe, ao certo, quantos homens foram salvos pelo combatente. Nas contas de Desmond, 50 homens foram salvos. Já para seus colegas, foram mais de 100. Para isso, eles chegaram a um acordo de 75 combatentes que foram salvos.
A busca incansável.
Após o ato de bravura de Doss, seus colegas passaram a respeitá-lo e até mesmo esperaram sua oração acabar para depois retornar à batalha. A tropa recusava subir o paredão de pedras sem o homem.
Batalhão de Desmond Doss no filme Até o Último Homem / Crédito: Divulgação 

“É verdade, eles se recusaram a ir sem ele!”, afirmou Schenkkan. Novamente na batalha, uma granada é jogada em direção a Desmond, e ele a chutou para longe para não ferir seus companheiros.
Segundo o roteirista, isso realmente aconteceu. “Ele ficou gravemente ferido e foi transferido de Okinawa para uma série de hospitais”. Durante a transferência, sua Bíblia foi perdida, assim como é mostrado no filme. “E sua companhia realmente voltou ao campo de batalha e procurou até achá-la”, comentou Schenkkan.
Entretanto, ao invés de recuperá-la antes mesmo de Doss ser levado por um helicóptero, ele a recebeu de volta durante uma condecoração realizada presidente Harry Truman, na qual o combatente foi enaltecido com uma Medalha de Honra.
Desmond Doss recebendo a Medalha de Honra do presidente Harry Truman / Crédito: Divulgação 

Além disso, Robert declarou que teve que cortar alguns rechos da realidade, uma vez que os considerou inverossímeis, como é o exemplo de quando Desmond saiu de sua maca, ferido, cedendo o seu lugar para outro soldado que estava machucado.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

O horror vivido por crianças sequestradas pelo 3º Reich.

INFÂNCIA ARRANCADA AOS POUCOS: O HORROR VIVIDO POR CRIANÇAS SEQUESTRADAS PELO TERCEIRO REICH

Durante toda a Segunda Guerra Mundial, meninos e meninas foram tirados de suas casas para, então, iniciar uma trajetória fria e cruel
PAMELA MALVA PUBLICADO EM 16/04/2020
Fila de crianças polonesas em campo de trabalho nazista
Fila de crianças polonesas em campo de trabalho nazista - Wikimedia Commons
Durante toda a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista não mediu esforços para ocupar e manter a Polônia sob seus domínios. Naquela época, centenas de milhares de homens, mulheres e crianças poloneses foram mortos sem qualquer misericórdia.
Em novembro de 1939, como mais uma das medidas tomadas no conflito, Hitler decretou que Heinrich Himmler cuidaria dos territórios ocupados. Dessa forma, o homem ficou encarregado de todas as políticas que envolviam os poloneses.
No novo cargo, Himmler emitiu um documento que definia o sequestro de crianças da Polônia em detalhes. Publicado em maio de 1940, o texto previa diversas restrições e, no final, acabou abrindo portas para um pesadelo sem fim.
Criança sendo arrancada dos braços da família / Crédito: Wikimedia Commons

O começo obscuro.
Inicialmente, o documento produzido por Himmler determinava que as crianças polonesas teriam uma educação bastante limitada. Elas aprenderiam a escrever apenas o próprio nome e teriam aulas sobre supremacia alemã.
Caso os pais de um pequeno quisessem que ele estudasse mais do que isso, deveriam pedir permissão para as tropas da SS. A criança apenas receberia a aval para aprender caso tivesse um bom valor racial. Aquelas com o verdadeiro valor alemão seriam levadas para o país e receberiam novos nomes.
De forma geral, o plano, que foi aprovado por Hitler, era erradicar os poloneses a médio longo prazo, retirando as crianças de suas casas e transformando-as em pequenos alemães. No total, entre 1940 e 1945, cerca de 200 mil crianças polonesas foram sequestradas, enquanto outras 30 mil de diferentes etnias eram tiradas de suas casas.
Na grande maioria das vezes, os pequenos eram arrancados dos braços de seus pais, ou eram sequestradas à força. Orfanatos e famílias adotivas eram alguns dos alvos preferidos. Os jovens também eram levados após seus pais serem assassinados.
Czesława Kwoka, uma das crianças mortas em Auschwitz / Crédito: Wikimedia Commons
A luta pela vida.
Entre os muitos destinos que os pequenos poderiam tomar, 10 mil foram enviados e morreram nos campos de concentração em Zwierzyniec, Zamość, Auschwitz e Majdanek. Grande parte delas não conseguiu sobreviver ao deslocamento.
Em condições violentas e impiedosas, os meninos e meninas eram transportados por vagões de gado e ficavam sem comer ou beber por dias. Centenas morreram de frio no inverno e de asfixia no verão. Alguns — os mais sortudos — foram comprados de volta pelos próprios pais.
Ainda assim, a grande maioria das crianças que sobreviviam às condições insalubres eram levadas aos campos de educação infantil. Nas instituições, eram julgados, testados e selecionados, e, no final, tinham identidades destruídas.
Nos campos de educação, como os alemães chamavam, as crianças eram classificadas, através de testes psicológicos e exames médicos, por seu valor alemão. Aqueles de menor valor eram enviados para Auschwitz ou Treblinka. 
A vida nas sombras.
Uma vez selecionadas como crianças de alto valor, os pequenos entre seis e doze anos eram enviados a lares especiais e recebiam novas certidões de nascimento. A partir daí, eram obrigados a aprender alemão e esquecer a vida na Polônia.
Os menores, entre dois e seis anos, iam para abrigos, onde eram observados por um certo período. Em ambos os casos, as crianças eram classificadas mais uma vez e, se fossem qualificadas, eram colocadas para adoção.
Batismo de uma criança adotada por alemães / Crédito: Wikimedia Commons
Entretanto, os pequenos não podiam respirar aliviados nem mesmo quando eram adotados pelas famílias alemãs. Dependendo dos novos pais, eles poderiam até apanhar caso demonstrassem suas origens polonesas.
Em Auschwitz, entre 200 e 300 crianças de Zamość foram assassinadas por injeções de fenol. Algumas ainda foram vítimas das câmaras de gás e, em outros casos, os jovens morriam devido às condições precárias em que viviam.
Além das enviadas para os campos de concentração, muitas crianças eram usadas como cobaias em testes e experimentos científicos. Assim, eram submetidas a fortes medicamentos, produtos químicos e substâncias desconhecidas. 
Após o fim da guerra, com a libertação dos campos, diversos jovens poloneses foram interrogados pelos exércitos dos Aliados, como forma de investigar os sequestros. Nesse processo, os Julgamentos de Nuremberg, ocorridos entre 1947 e 1948, determinaram que os acontecimentos configuravam genocídio.
No final, por maiores que fossem os esforços para devolver os pequenos às suas casas, apenas 10 a 15% dos sequestrados voltaram para suas vidas normais. Milhares ficaram apenas na memória de um dos episódios mais cruéis que a humanidade já viu.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

As 10 maiores fake news sobre o terceiro Reich.

AS 10 MAIORES FAKE NEWS SOBRE O TERCEIRO REICH

Lendas urbanas, informações erradas e mitos que as pessoas deviam parar de repetir
RODRIGO TRESPACH PUBLICADO EM 09/04/2020
Adolf Hitler saudando seus membros, cercado por símbolos nazistas
Adolf Hitler saudando seus membros, cercado por símbolos nazistas - Getty Images
10. A suástica é um símbolo do mal.
Também chamada de cruz gamada, ela é muito mais antiga do que o nazismo. É um símbolo universal, encontrada amplamente decorando casas e templos na Grécia e Roma antigas e até na África Central e entre os índios norte-americanos. Seu significado varia muito de povo para povo. Para os greco-romanos, era relacionada a moinhos de água, mas usada principalmente como elemento decorativo. Os budistas e hinduístas ainda fazem uso amplo do símbolo, que não tem qualquer conotação negativa. Ao contrário do que talvez você tenha ouvido, uma suástica apontando em sentido anti-horário (ou horário) não é do mal (a dos nazistas era em sentido horário). Em sânscrito svastika significa algo como existência de felicidade. 

9. Hitler era judeu.
Crédito: Wikimedia Commons

A ironia pode ser irresistível, mas não tem base na realidade. A dúvida surgiu porque a avó de Hitler era mãe solteira. Durante os julgamentos de Nuremberg, seu ex-assessor Hans Frank afirmou que o pai do ditador era filho de um judeu para qual a avó trabalhou como doméstica na cidade de Graz. O problema é que não havia judeus em Graz. Eles só puderam entrar em 1860, quando Alois Hitler, o pai do ditador, tinha mais de 20 anos. Em 2010, um teste de DNA sugeriu que ele teria ascendência semita, mas foi bastante contestado — os pesquisadores nem disseram o que eles testaram, de onde tiraram o DNA. 

8. Só os judeus foram mortos pelos nazistas.
Nazismo não era apenas contra judeus, mas também a decadência moral e a poluição genética. Os primeiros exterminados pelo regime foram deficientes físicos e mentais, para evitar que passassem seus genes. Embora os judeus tenham se tornado as mais conhecidas vítimas do nazismo, ciganos, homossexuais, maçons, comunistas e até testemunhas de jeová também estavam entre os assassinados pela política de Hitler. Mais de 100 mil gays foram presos e pelo menos 10 mil executados.
Cada tipo de prisioneiro usava uma insígnia diferente no uniforme. Judeus, famosamente, a estrela amarela. Homossexuais, um triângulo rosa — que foi um símbolo inicial do movimento gay, até a adoção do arco-íris, nos anos 1970, já que o primeiro era muito deprimente.

7. Nazistas criaram a ideia de uma raça superior.
Hitler induziu diversas pessoas a seguirem sua linha de raciocínio / Crédito: Getty Images

Eles a levaram ao extremo, mas não foram seus inventores. No mundo inteiro, era fácil achar gente defendendo a superioridade dos brancos. A palavra "eugenia", em nome da qual os nazistas proibiram casamentos entre judeus e alemães e mataram deficientes mentais, foi criada pelo primo em segundo grau de Charles Darwin, Francis Galton. Os Estados Unidos foram o primeiro país no mundo a criar leis de eugenia. Ninguém menos que Winston Churchill as defendeu em livro, duas décadas antes de o nazismo nascer. 

6. Auschwitz e os outros eram campos de concentração
Campo de concentração é um local onde se mantém prisioneiros de guerra ou políticos em massa. As condições variam muito, desde um quase retiro rural aos gulags soviéticos. Mortos em campos de concentração são vítimas colaterais. Nazistas tinham campos de concentração, usados para prender soldados de países ocidentais. Que eram surpreendentemente bem tratados, aliás, pois a Alemanha havia assinado a Convenção de Genebra, dispondo sobre o tratamento de prisioneiros de guerra.
O propósito dos campos como Treblinka, Sobibor e Auschwitz era matar as pessoas desde que chegavam (Auschwitz começou como um campo regular e ganhou depois instalações letais). Tinham uma estrutura industrial para isso. O certo é dizer que são campos de extermínio. Como a União Soviética não havia assinado a Convenção de Genebra, prisioneiros soviéticos iam para os campos de extermínio, não concentração.

5. Todos os alemães eram nazistas
Crédito: German War Department

Ninguém era obrigado a se filiar ao partido — ainda que isso tivesse óbvias vantagens. O maior general da Alemanha nazista, Erwin Rommel, não era filiado — e acabou sendo forçado a se matar sob suspeita de participar de uma conspiração para assassinar Hitler. Outros oficiais — como o almirante Canaris — simplesmente boicotavam o regime nazista tanto quanto podiam. Alguns membros do partido praticaram resistência passiva, como Oscar Schindler. E o grupo estudantil Rosa Branca chegou a realizar passeata contra o nazismo nas ruas de Munique. 

4. O exército alemão era formado apenas por alemães
Havia muitos estrangeiros nas forças alemãs, inclusive as SS. Muçulmanos dos Bálcãs, simpatizantes espanhóis, franceses, ingleses e mais. Até mesmo judeus da Finlândia ajudaram os nazistas. Quase no fim da guerra, cerca de 10% do Exército alemão estacionado França era formado por soldados russos, fugidos do regime soviético. Após o Dia D, Yang Kyoungjong, um coreano, foi capturado pelos americanos entre as forças nazistas, servindo na França. Ele havia lutado pelo Japão, depois no Exército Vermelho, por fim a Wehrmacht. Morreu em 1992.

3. Os nazistas esconderam ouro roubado
Os nazistas de fato esconderam muito ouro roubado — mas não no chão, como se fossem piratas de filmes (piratas reais também não faziam isso). A maior parte dele foi escondida nos cofres da Suíça e da Suécia durante a guerra. Depois do conflito, outra parte foi levada para os Estados Unidos e para a URSS. Tudo com o consentimento dos respectivos governos. 

2. O Brasil tinha o maior número de nazistas fora da Alemanha
Os membros do Partido Nazista no Brasil eram menos de 3 mil. Todos alemães nativos, não descendentes, porque esses eram vistos como mestiços degenerados, que perderam sua cultura, e ninguém nem se dava ao trabalho de conferir seus ancestrais. Nos Estados Unidos, somente a Liga Germano-Americana tinha 25 mil filiados com fortes vínculos com o nazismo — eles desfilavam com bandeiras americanas ao lado da suástica. Antes da guerra, o nazismo era tido por uma ideologia tolerável, se antipática.

1. Alemães são arianos
Essa é uma das maiores bizarrices nazistas. Arianos eram invasores do Cáucaso que, há quase 4 mil anos, conquistaram a Índia e a Pérsia — Irã, nome que a Pérsia assumiu em 1935 quer dizer terra dos arianos. Teóricos do século 19 levantaram a hipótese de que esses conquistadores também chegaram à Europa, porque lá se fala línguas indo-europeias, aparentadas ao sânscrito, hindi e persa (incluindo o português). Uma migração do Cáucaso é o coerente com o que se acredita ainda hoje, ainda que a palavra ariano se refira apenas à leva asiática. Mas os nazistas tinham outra parte: para eles, só no norte da Europa os arianos se mantiveram puros — isto é, os alemães seriam mais arianos do que povos com real ligação com os arianos, os indianos e iranianos. Isso tem zero base na realidade.

sábado, 14 de março de 2020

Linha Maginot: a mais poderosa e tragicamente inútil fortificação da história.

LINHA MAGINOT: A MAIS PODEROSA — E TRAGICAMENTE INÚTIL — FORTIFICAÇÃO DA HISTÓRIA

A rede de fortalezas era destinada a proteger a França da Alemanha. A ideia parecia ótima, mas os alemães não tiveram problemas para ultrapassá-la
FABIANO ONÇA PUBLICADO EM 14/03/2020

Um forte da linha Maginot, na França
Um forte da linha Maginot, na França - Wikimedia Commons

Para evitar a invasão germânica, os franceses construiram um enorme complexo de fortalezas militares que se interligavam chamado Linha Maginot. Estendendo-se ao longo da fronteira da França com a Alemanha, a linha totalizava 200 km, desde a fronteira com a Suiça até a floresta de Ardennes, na Bélgica.
Cento e oito grandes fortes subterrâneos guardavam a linha de 15 em 15 km. Havia 410 casamatas para infantaria, 152 torres móveis e 1 536 cúpulas fixas e 339 peças de artilharia. Tudo estava interligado por 100 km de galerias subterrâneas.
As obras da Linha Maginot foram iniciadas, em 1929, após um grande lobby de André Louis René Maginot, ministro da guerra francês. Natural da Lorena, ele testemunhara sua terra natal ser arrasada na Primeira Guerra Mundial e via com desconfiança o reerguimento da Alemanha. Ele não veria o fim de sua obra.
Em 1932, aos 55 anos, morreu de febre tifoide. Em maio de 1940, os alemães declararam guerra à França e, em vez de atacar a poderosa linha, a contornaram, passando pela Bélgica. Menos de 2 meses depois, a França capitulava e as guarnições da Linha Maginot tiveram que se render, muitas sem ter disparado nenhum tiro.
Para evitar uma grande explosão, os paióis de munição eram divididos em 3 áreas separadas. A principal, a M1, tinha 7 câmaras e abrigava 3 mil projéteis. A segunda, ao pé de cada bloco de combate, chamada M2, guardava 2,8 mil. E a terceira, dentro da própria sala de combate, tinha espaço para mais 600 projéteis.

Entrada para as tropas / Crédito: Wikimedia Commons

A fortaleza possuía apenas 2 entradas. Uma para as tropas e 1 para as munições. As 2 ficavam localizadas atrás da fortaleza, voltadas para a França, escondidas por bosques. Ainda assim, ambas as entradas eram protegidas por peças antitanque, que ficavam apontadas para a estrada de acesso.
Pensando nos ataques com gás da Primeira Guerra, os fortes possuíam um sistema de ventilação que expelia o ar do forte em caso de um ataque deste tipo. O sistema ainda limpava o ar da fumaça dos canhões e do cheiro das máquinas a diesel. O ar era renovado com filtros de ar, com o tamanho das atuais máquinas de lavar louça.

Pequeno forte da linha de Maginot atualmente / Crédito: Wikimedia Commons


Várias baterias de artilharia, incluindo canhões de 75 mm e outras peças auxiliares, como metralhadoras e obuses, compunham o poder de fogo de um forte. Geralmente, as peças ficavam em cúpulas de aço especialmente forjadas, que giravam 360º e eram operadas por 2, 3 ou 4 soldados.
Em tempos de guerra, uma típica guarnição de forte era composta de 812 homens: 27 oficiais, 107 cabos, 587 soldados, 161 engenheiros e outros 97 oficiais não combatentes, como médicos e técnicos. Os dormitórios ficavam muitas vezes a 30 metros do solo, mas eram dotados de água corrente. Os dejetos eram tratados com produtos químicos.
A energia elétrica era vital para o funcionamento da fortaleza. Por isso, além dos meios tradicionais para a distribuição dela, cada forte possuía 4 grupos de gerador Sulzer a diesel, cada um com 290 cavalos de força e 250 kilowatts, capazes de operar por até 2 meses. Oito reservatórios de água, num total de 400 m3, garantiriam a sobrevivência da guarnição até a chegada de reforços.

As linhas do "metrô" dentro da fortificação subterrânea / Crédito: Wikimedia Commons


Para transportar a munição — e eventualmente as tropas —, as fortalezas dispunham de pelo menos 4 pequenas locomotivas Vetra de 5,5 toneladas, que puxavam 57 vagonetes pelos trilhos subterrâneos. Esse sistema era comumente chamado de metrô pelos soldados.

quarta-feira, 11 de março de 2020

O cruel programa de eutanásia infantil criado pelo 3º Reich.

O CRUEL PROGRAMA DE EUTANÁSIA INFANTIL CRIADO PELO TERCEIRO REICH

Durante a Segunda Guerra, o governo do Füher decidiu eliminar todas as crianças que nasciam com deficiências físicas e mentais
DANIELA BAZI PUBLICADO EM 11/03/2020
Crianças com deficiência na Alemanha nazista
Crianças com deficiência na Alemanha nazista - Wikimedia Commons
Durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha nazista, foi criado um programa de extermínio de pessoas com deficiências físicas e mentais, consideradas fracas para a cultura da supremacia ariana, sendo classificados como pessoas indignas da vida.
Em uma conferência do Partido Nazista, em Nuremberg, no ano de 1929, Hitler disse "que uma remoção média anual de 700 a 800 mil dos mais fracos de um milhão de bebês significa um aumento no poder da nação e não um enfraquecimento".
Entre a primavera e o verão de 1939, deu-se início a uma operação secreta comandada pelo diretor da chancelaria de Hitler, Philipp Bouhler, e pelo médico assistente do Füher, Karl Brandt, em que os nazistas deveriam assassinar todas as crianças que fossem deficientes.
Karl Brandt em seu julgamento / Crédito: Wikimedia Commons

No dia 18 de agosto do mesmo ano, começou a circular um decreto na Alemanha divulgado pelo Ministério do Interior do Reich, ordenando que todos os profissionais e estabelecimentos de saúde pública denunciassem os casos de pessoas menores de três anos de idade que apresentassem algum tipo de anomalia física ou mental.
Deveriam ser denunciadas crianças com microcefalia, hidrocefalia, malformações no corpo, idiotia, mongolismo ou paralisia, principalmente a cerebral.
Dois meses depois, pais de crianças deficientes passaram a ser influenciados pelas autoridades de saúde pública para que colocassem seus filhos em “clínicas de pediatria” na Alemanha e na Áustria que fossem indicadas pelo governo nazista.
Todavia, esses centros médicos eram, na realidade, os locais em que as crianças seriam mortas devido a suas condições. Elas eram assassinadas por médicos especializados que recrutados unicamente para aquela função, através de doses letais de medicação ou por desnutrição.
O campo de concentração de Auschwitz / Crédito: Getty Images

O caso da primeira criança morta por esse programa é chamado de Caso K. Na ocasião, os pais enviaram um pedido em meados de 1939 ao Gabinete do Führer (KDF), mais conhecido como Hitler Chancelaria, alegando que seu filho, Gerhard Kretschmar, era gravemente incapacitado e precisava receber um “assassinato por misericórdia”.
Por muito tempo o nome da vítima não pode ser divulgado, apesar de ser conhecido pelos médicos alemães, devido às leis de privacidade da Alemanha em relação aos registros médicos, como afirma o historiador alemão Udo Benzenhöfer. A identidade da criança e dos pais só foi publicado em 2007, pelo historiador Ulf Schmidt, na biografia em que escreveu de Karl Brandt, contendo também os locais e as datas de nascimento e morte.
De acordo com o depoimento dos pais, o pedido foi feito no dia 23 de maio de 1939, e eles fizeram uma reunião com Werner Catel, diretor responsável pelo Hospital Infantil da Universidade Leipzig, para que fossem levantadas as chances de sobrevivência do garoto.
Catel disse que autorizou a eutanásia da criança pois seria a melhor opção para todos. Entretanto, agilizar o processo de morte ainda era ilegal no Terceiro Reich, e o médico os aconselhou a enviarem um pedido para o próprio Füher, através de sua chancelaria particular.
Esse primeiro assassinato ocasionou no aumento da utilização da eutanásia como forma de “extermínio eugênico”, que serviu de base para a promulgação da Lei de Prevenção de Filhos Hereditários, em 14 de julho de 1933.
Crianças em escola nazista / Crédito: Wikimedia Commons

Com o aumento dos casos, a operação se ampliou para jovens de até 17 anos, que possuíam as mesmas deficiências e também para adultos logo após. Pelo menos 5 mil crianças de origem alemã foram mortas pela eutanásia nazista durante toda a Segunda Guerra Mundial.
Algumas acabaram, antes de morrer, servindo como objetos de pesquisa pelos médicos do governo de Adolf Hitler. O doutor Heinrich Gross, por exemplo, chegou a realizar autópsias não autorizadas em cérebros de crianças, publicando cerca de 34 artigos sobre doenças mentais, entre os anos de 1954 e 1978.