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sábado, 23 de maio de 2020

Em 1498, era queimado, Girolamo Savonarola, que tentou acabar com a renascença.

EM 1498, ERA QUEIMADO NA FOGUEIRA GIROLAMO SAVONAROLA, O HOMEM QUE TENTOU ACABAR COM A RENASCENÇA

Há 522 anos, morria o pregador incendiário, que mandara queimar quadros renascentistas
LETÍCIA YAZBEK PUBLICADO EM 23/05/2020
Savonarola, por Moretto da Brescia, 1524
Savonarola, por Moretto da Brescia, 1524 - Wikimedia Commons
Em 23 de maio de 1498, por ordem do papa Alexandre VI, o frei dominicano Girolamo Savonarola ia (morto) à fogueira.
Assim, com um toque de ironia, terminava a carreira de um pregador literalmente incendiário.O campeão das fogueiras das vaidades, em que queimava insubstituíveis obras de arte renascentista — meros produtos da soberba humana, segundo ele. 
Um rebelde moralista.
Vindo de uma tradicional família de Ferrara, Itália, Girolamo Savonarola nasceu em 21 de setembro de 1452. Entrou para a Ordem Dominicana em 1474, e logo ficou indignado com a corrupção e os excessos da nobreza e da Igreja na Itália renascentista. No convento, passou a relatar suas ideias em tratados filosóficos, inspirado por Aristóteles e São Tomás de Aquino.
Girolamo Savonarola, por Fra Bartolommeo / Crédito: Wikimedia Commons

Em 1481, foi enviado para pregar em Florença, no centro do Renascimento, onde passou a criticar fortemente a imoralidade da sociedade sob o domínio dos Médici, que mandavam na república desde o início do século 15. Os gastos exorbitantes e as festas suntuosas de Lorenzo de Médici, o Magnífico, despertaram sua ira. O frei estava decidido a combater a corrupção e resgatar o sentido da fé católica, custasse o que custasse. 
No púlpito da igreja de São Marcos, Savonarola profetizava a chegada do juízo final. Os sermões logo passaram a atrair milhares, que se aglomeravam horas antes do início da pregação, ansiosas para ouví-lo condenar o mundo e pregar o Paraíso.
Fogueira das vaidades
Após a morte de Lourenço de Médici, em 1492, Savonarola atingiu seu auge. Expulsou de Florença o sucessor, Pedro de Médici, e se tornou líder da cidade. Em 1494, quando o rei Carlos VIII da França invadiu a Itália e ameaçou atacar Florença, as profecias do frei pareciam se realizar. O desespero fez aumentar ainda mais sua popularidade.
Savonarola escrevendo em reclusão / Crédito: Wikimedia Commons

Savonarola implementou novas regras no convento de São Marcos, obrigando todos os frades a levar uma vida sem luxo e ostentação, e formou a Congregação Toscana, com as cidades de Fiesole e Pisa.
Até então, o frei tinha a indiferença do Vaticano. Mas quando, em 1495, passou a declarar que Carlos VIII seria a salvação da Igreja e que Florença devia se aliar ao monarca francês, o papa Alexandre VI, que se opunha à política francesa, o convocou a explicar a suposta origem divina de suas motivações. Saiu de lá com a ordem de não mais pregar. 
Ignorando o pontífice, Savonarola retomou seu trabalho. Proibiu o jogo, a bebida e as festas, e passou a tentar extinguir o que hoje chamamos de Renascença (o nome só surgiu no século seguinte). Nas fogueiras das vaidades, conduzia a destruição pública de espelhos, acessórios da moda, cosméticos e qualquer objeto que fosse considerado “causador de pecado”, incluindo livros — como Bocaccio e Dante. E obras de arte. E isso foi feito com autorização de alguns desses artistas, como Lorenzo di Credi e ninguém menos que Sandro Botticelli, que renegara seu passado para seguir o frei. Ele é o autor da obra abaixo:
O Nascimento da Vênus sobreviveu / Crédito: Wikimedia Commons
A queda 
Em retaliação, o papa Alexandre VI excomungou Savonarola e desfez a Congregação Toscana, em 1497. A família Médici voltou ao poder e diversos grupos populares se voltaram contra o frei, que perdia sua influência.
Preso e torturado, Savonarola confessou que havia inventado suas visões e profecias. Oficialmente, assim, era um herege. Foi julgado e, junto a seus seguidores Domenico da Pescia e Silvestro Maruffi, condenado à morte. Como padres, lhes foi concedido o direito de serem queimados mortos, não vivos.
A execução de Savonarola e seus seguidores / Crédito: Wikimedia Commons

Em 23 de maio de 1498, os três foram enforcados e, só então, incinerados na Piazza della Signoria, no centro de Florença.
Uma das figuras mais controversas da história do cristianismo, Savonarola foi, nos anos seguintes à sua morte, considerado um santo pelo povo de Florença. Em 1523, Martinho Lutero deu-lhe o título de mártir e precursor do protestantismo. Para outros, principalmente a partir do Iluminismo, não passou de um impostor, louco e fanático medieval, uma figura se movendo na direção oposta do progresso histórico.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sandro Botticelli - 1445-1510.


SANDRO BOTTICELLI - (1445 - 1510).

Botticelli foi considerado o artista que melhor expressou, através do desenho, um ritmo suave e gracioso para as figuras pintadas. Os temas de seus quadros - quer tirados da Antiguidade grega, quer tirados da tradição cristã - foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão da graça divina. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi era seu nome completo. Terá nascido em Florença em 1445, pois em 1447 o curtidor Mariano di Vanni Filipepi declara que nessa época seu filho Sandro (diminutivo de Alessandro) tem dois anos. E num inventário de bens, do ano de 1458, em que os filhos eram mencionados para fins tributários, Mariano diz que Sandro "tem 13 anos, aprende a ler e é doentio".

Aos 13 anos, Sandro começa a enfrentar o problema da escolha de uma carreira ou de uma profissão. Pouco se sabe, porém, de como se desenrolou sua adolescência, Alguns biógrafos afirmam que o pai o teria confiado a um ourives, de nome Botticello, que lhe teria transmitido os segredos da arte e o apelido ("botticello" significa "barrilzinho", "garrafinha"). Entretanto, documentos da época atribuem a alcunha a um irmão mais velho de Sandro, chamado Antônio, também ourives. O final do nome seria mais tarde transformado em 1, na suposição de que se tratava de nome de família. (Os nomes de família eram geralmente no plural - portanto terminados em 1- na época.). Seja como for, o certo é que, aos 17 anos, Sandro Botticelli foi apresentado a Filippino Lippi, artista de talento e prestígio, para com ele iniciar-se na arte da pintura. Logo, porém, o jovem distinguiu-se do mestre. Ao contrário do traço denso de Lippi, as figuras de Botticelli são tênues, suaves, quase imateriais, os rostos sem sorriso, as expressões contemplativas. Não que Botticelli fosse incapaz de retratar a realidade: conscientemente, preferia não cingir-se às leis da óptica, já que se propunha a "apresentar e não a representar" uma realidade interior. A pintura de Botticelli traduz uma convicção pessoal - o sentido da arte é puramente espiritual, religioso, simbólico - que exclui a representação realista. De qualquer modo, para seus contemporâneos, Botticelli foi um artista menor, mais conhecido por seu temperamento - "agradável e brincalhão" - que pelo valor de suas obras, Foram necessários quatro séculos para que seu mundo poético e requintado fosse descoberto - no apogeu romântico dos anos 1800 - e plenamente reconhecido.

Na época em que Botticelli viveu, a pintura representava para a Igreja um instrumento de propagação da fé. Para os nobres e grandes burgueses que controlavam a política e a economia, era uma expressão de poder e, muitas vezes, uma tentativa de "suborno": um quadro votivo certamente amenizaria o julgamento de Deus quando a alma do patrono da obra se apresentasse ante Ele. Assim, retratos e alegorias dos poderosos de então, narração de episódios bíblicos e outros temas religiosos constituíam os motivos predominantes - se não exclusivos - da pintura do "Quattrocento", como os italianos chamavam ao século XV. E nas repúblicas em que se dividia a Itália de então os artistas dependiam da proteção dos papas ou dos aristocráticos e cultivados governantes. Em Florença, por exemplo, nenhum pintor ou escultor teria prestígio se não caísse nas boas graças dos Medicis. Botticelli teve essa sorte. No dia 18 de dezembro de 1469, Lourenço de Medicis incumbiu o pintor Piero Pollaiuolo de uma importante obra de arte: executar sete quadros que representassem as "Sete virtudes", para ornamentar o salão do Tribunal da Mercatanzia. Mas o ourives Antonio Filipepi não concordava inteiramente com a decisão. Ele, que havia executado o primeiro estudo para uma das virtudes - a "Caridade" -, achava essa uma boa ocasião para introduzir no mecenato dos Medicis seu irmão mais jovem, Sandro, contando com a ajuda de Tommaso Soderini - pessoa de absoluta confiança de Lourenço de Medicis, senhor e governador de Florença. Meio ano depois, Soderini resolveu encomendar a Sandro a Fortaleza, primitivamente solicitada a Pollaiuolo. Houve alguma resistência, é verdade. A corporação florentina de médicos e droguistas - que também representava os pintores - enviou a Soderini uma petição para que no futuro o governo não viesse novamente a cancelar encomenda feita a um pintor para favorecer a outro. Mas a autoridade inflexível de Lourenço, o Magnífico, não dava margem a debates muito prolongados. E Sandro teve sua oportunidade. Fez jus a ela:  sua obra mostrou-se flagrantemente superior a qualquer das seis pintadas por Pollaiuolo. Desde então, Sandro passou a desfrutar da honra de servir aos Medicis.

Nos oito anos que se seguiram à realização da Fortaleza, Botticelli recebeu numerosas encomendas da parte da Igreja e da corte dos Medicis. Em Florença, a prosperidade trazida por Lourenço, o Magnífico, traduzia-se também na multiplicação de oportunidades artísticas. Botticelli aproveitou algumas delas. São desse período os quadros que reproduzem o drama bíblico de Judite, que seduziu e degolou Holofernes, e São Sebastião, encomendado pela igreja florentina de Santa Maria Maior. Essa tela é um bom exemplo do sentido espiritual e simbólico que Botticelli atribuía à arte: o mártir aparece como que desligado da paisagem distante que o circunda e mesmo sua figura nada tem de realista; há um requintado jogo de luminosidades sobre um corpo ascético, lançado verticalmente em toda a altura do quadro, sem contornos precisos que o delimitem no espaço. Os compromissos de Botticelli com os Medicis traduzem-se mesmo nas obras religiosas do pintor. Na Adoração dos Reis Magos, realizada mais ou menos à mesma época, o artista reproduz fisionomias de vários membros daquela família, entre eles Juliano, irmão de Lourenço. Guaspare di Zanobi dei Lama, o aristocrata que encomendou a tela, exigiu também que seu rosto aparecesse como o de seu homônimo Gaspar) um dos três reis. Aliás, o próprio Botticelli aproveitou para retratar-se num canto da obra. Na Itália, às vésperas do Renascimento, os artistas eram inevitavelmente compelidos a participar da vida dos poderosos e a representá-la em suas criações. Por exemplo, Juliano de Medicis encomendou a Botticelli o desenho do estandarte que o nobre iria ostentar num torneio de cavalaria. A vitória de Juliano - de resto, previamente combinada - acentuou ainda mais a honra conferida ao pintor pela realização do estandarte.

Mais tarde, por volta de 1483, Botticelli reproduzirá a face de Juliano em seu Marte e Vênus. A respeito existem algumas controvérsias: segundo uns, a tela seria uma alusão aos amores de Juliano com Simonetta, "a Bela", esposa de Marco Vespucci; segundo outros, o quadro representaria Lourenço e sua amante Lucrécia Donati. A maioria, porém, acredita que Marte seja realmente Juliano. Em 1478, o artista terminara a Alegoria da Primavera para a Villa di Castello, residência de verão dos Medicis. A figura mítica da Primavera está cercada de alegorias tiradas da antigüidade - as três Graças, o deus Mercúrio - e de sutis simbolismos que evocam o mundo clássico. Em nenhum momento Botticelli se preocupa em reproduzir fielmente a anatomia dos personagens; a perspectiva desempenha um papel secundário; a paisagem quase não conta. Tais características do estilo de Botticelli - tão presentes nessa tela - exprimem as divergências fundamentais entre sua concepção e a do contemporâneo Leonardo da Vinci: para este, a pintura - "cosa intellettuale" - possuía uma função quase científica, de pesquisa e busca do conhecimento; para Botticelli, o belo está, ao contrário, fora da realidade e da experiência e a pintura é uma comunicação com Deus. Nesse sentido, sua concepção - confessadamente mística - o aproxima dos pintores medievais, para quem o mundo visível era a emanação de Deus. Botticelli na época vivia uma boa situação. O pai havia herdado um casarão na Via Nuova, deixado por seu irmão, também curtidor, mas de melhor situação financeira. Foi aí que Sandro instalou seu estúdio - longe do centro da cidade, onde poucos artistas teriam interesse de viver.

Porém, sua fama crescente atrai vários alunos. Um deles é o filho de Filippino Lippi, que Botticelli adotara como seu, desde a morte do pai, ocorrida quando o garoto tinha l0 anos. Um episódio ocorrido no estúdio de Botticelli serve para dar uma idéia. Um de seus discípulos, Biagio, havia produzido boa cópia da Virgem e o Menino com Oito Anjos, quadro do mestre. Certo dia, Botticelli disse a Biagio ter encontrado comprador para a reprodução. "Precisamos colocar o quadro num lugar alto e bem iluminado, para que se destaque aos olhos do comprador, quando ele chegar amanhã. Assim, ele pagará logo o preço tratado." Em seguida, dá a Biagio o nome e o endereço do comprador. Biagio sai exultante. Botticelli e outro discípulo, Jacopo, recortam então vários pedaços de papel colorido e os colam sobre as cabeças dos anjos. A distância, os recortes davam a impressão de serem chapéus típicos da época, de maneira que a Virgem parecia estar presidindo a uma reunião da Senhoria - o conselho dos líderes da comunidade. No dia seguinte, quando Biagio chega com o comprador, quase desmaia ao dar com o quadro transformado em caricatura. Mas o comprador não parece ter notado nada de estranho. Elogia a obra e confirma o negócio. Biagio sai com ele para receber os 6 florins de ouro tratados. Ao voltar, os recortes de papel haviam sido removidos. O jovem esfrega os olhos e pede explicações. Muito sérios, Botticelli e Jacopo juram que tudo só podia ter sido uma alucinação de Biagio. Este, confuso, nem percebera a brincadeira, da qual até o comprador fora cúmplice. Se bem que a anedota não faça muita honra aos dotes humorísticos de Botticelli, fornece algumas indicações sobre a vida nos estúdios dos pintores da época: os aprendizes ajudavam o mestre em tudo, mas, em compensação, tinham o direito de vender reproduções das obras dele por preços acessíveis a colecionadores de posses limitadas.

Em 1478, uma conspiração instigada pelo Papa Sisto lV atira o clã dos Pazzi contra os Medicis. Juliano é apunhalado e morto. Lourenço, embora ferido, consegue escapar e, apoiado pela população e pela maioria da nobreza, enceta feroz vingança. Os Pazzi são perseguidos e trucidados. Por sua vez, o papa nega haver encorajado a conspiração. Um espião dos Medicis, entretanto, desmascara o pontífice. Este ensaia a guerra, mas a habilidade política de Lourenço, seus recursos militares, fazem com que Sisto mude de idéia e resolva, por ora, seguir uma política de paz e união. Todos esses acontecimentos políticos foram importantes para a carreira de Botticelli. Seu prestígio junto aos Medicis estava então no auge e ele recebeu a honrosa incumbência de registrar com sua arte o episódio da execução dos Pazzi - uma honraria macabra que não pode ser apreciada hoje: quando as forças papais finalmente conseguiram extinguir o domínio dos Medicis, a obra foi destruída, em 1494.

Antes disso, durante o armistício, um dos primeiros gestos de Sisto lV fora o de contratar artistas florentinos para a decoração da Capela Sistina. Assim, em obediência a um contrato firmado a 27 de outubro de 1481, seguiram para Roma alguns dos melhores pintores de Florença; Botticelli, Ghirlandaio, Perugino e Cosimu Rosselli. Botticelli ficou um ano em Roma, onde produziu duas obras que figuram na Capela: Tentação de Cristo e de Moisés e Punição dos Rebeldes. Esses afrescos já evidenciam uma mudança na visão de mundo de Botticelli, que se acentuará na década seguinte com o episódio da condenação de Savonarola - o frade dominicano queimado vivo na Piazza della Signoria, em Florença, como punição por seus sermões contra a decadência dos costumes, o luxo e a vaidade dos nobres. Os afrescos da Capela Sistina estão imbuídos de um sentido oculto, acessível apenas aos que conheciam sua linguagem ambivalente e secreta: Moisés salvando os judeus do cativeiro e conduzindo-os à Terra Prometida, por exemplo, é um predecessor e símbolo do Cristo que viera salvar a humanidade do pecado e conduzi-la à Pátria Celeste. As obras da Capela Sistina documentam ainda a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, entrelaçando cristianismo e leis mosaicas. De volta a Florença, em 1482, o artista está no apogeu de sua carreira. Não tem mãos a medir para atender a todas as encomendas que recebe. Segundo o costume da época, seus discípulos o ajudam na preparação dos materiais, na pintura de detalhes mais fáceis; em alguns casos, ao mestre cabe apenas a tarefa de pintar as fisionomias e alguns remates.

A Alegoria da Primavera e O Nascimento de Vênus haviam contribuído para elevar ainda mais o prestígio de Botticelli entre os Medicis. E Lourenço encomenda-lhe 19 ilustrações, gravadas em madeira, para uma edição da "Divina Comédia". Outras 96 gravuras, também solicitadas por Lourenço, não chegaram a ser impressas, provavelmente por causa de uma das muitas medidas de contenção de gastos que, de vez em quando, eram adotadas em Florença. Do mesmo período é a Virgem do Magnificat. Nessa obra, Botticelli utiliza a forma circular chamada rondo.

Em 1492 morreu Lourenço. Seguiu-se então um período de agitação política, agravada pela ascensão de Savonarola, o frade dominicano quq vinha empreendendo um movimento de reforma semelhante ao que Lutero levaria a cabo mais tarde. Mas Savonarola, ao contrário de Lutero, via e explorava todas as implicações políticas de suas idéias. Impôs a Florença uma austera repressão à vida mundana. Chegou a transformar o carnaval em festa de caridade em que se destruíam livros julgados licenciosos. Entretanto, seus desafios ao Papa Alexandre VI - pai de César e Lucrécia Bórgia - acabaram por levar Savonarola à fogueira, acusado de heresia. Botticelli jamais tomou partido - ao menos publicamente - na questão. Mas o movimento afetou-o bastante. O pintor, - que antes homenageara o heroísmo como superação da adversidade material e triunfo sobre o destino, passou a concebê-lo como virtude espiritual, essencialmente cristã. Por outro lado, "populariza" seus trabalhos: eles passam a acolher cada vez mais elementos populares, tornando-se acessíveis ao grande público e não só a uma elite de iniciados. O que traduz uma fidelidade às lições de Savonarola, segundo o qual o povo simples e virtuoso de Florença salvaria aquela sociedade da decadência de nobres e ricos. Da mesma forma, se antes Botticelli buscara fixar em suas criações o mundo esteticamente perfeito da antiguidade clássica, passou depois a querer fixar o mundo moralmente perfeito dos mártires cristãos - seu heroísmo, sua abnegação, sua fé, mesmo diante da tortura e da morte, como foi o caso, a seus olhos, do próprio Savonarola.

A Alegoria da Calúnia coincide com a culminância desse período de intensa religiosidade. Dentro de uma composição severa, a figura da Calúnia - apresentada como repugnante - impõe-se à fraqueza do julgamento humano, que a prefere em detrimento da Verdade. É uma alusão à perseguição contra Savonarola. E sua Natividade contém até uma inscrição, em grego, que identifica o período seguinte à morte do frade como o segundo cataclismo do Apocalipse. Em seus últimos anos de vida, Botticelli afastou-se quase por completo da vida cotidiana de Florença. Praticamente recluso, preferia a meditação solitária, entregue à sua fé e ao estudo dos ensinamentos de Savonarola.

A Natividade é um bom exemplo da indiferença do pintor pelos gostos estéticos do começo do século XVI. Em tudo oposto às novas tendências da época - afirmadas nos trabalhos de Michelangelo, Leonardo da Vinci e Raffaello -, Botticelli ignora de propósito as leis da perspectiva, cria uma tela devota, ornamentada até o excesso, ingênua e popular nos seus elementos decomposição, ritual e estranha ao mesmo tempo. É possível que algumas de suas obras-primas se encontrem justamente nessas últimas criações: as pinturas diminutas, quase em miniatura, como Episódios da Vida de São Zenóbio, que data de 1500 aproximadamente. Mesmo certas distorções expressionistas contidas nessa tela - evolução exagerada para aquele tempo e orientada em direção oposta ao "stil nuovo" dos gênios da Renascença - resultam paradoxalmente conservadoras para os padrões do século XVI. Com justiça, Botticelli é considerado um pintor do século XIV, muito mais próximo de um Fra Angelico que de um Leonardo. Ao passo que este afirmava que a arte traduz uma visão atual do mundo, Botticelli defendia a teoria filosófica da Igreja - o neoplatonismo - segundo a qual a perfeição da arte clássica prenunciava a Revelação iminente de Cristo. Por isso, ao pintar no fim de sua vida as cenas culminantes do cristianismo - a Natividade, o Enterro, a Crucificação -, ele permanece fiel a um ideal religioso. Sua arte se supõe eterna, livre da história e do conhecimento humano. É o pintor de seu século que mais se afasta tia experiência dos sentidos.

Pobre, solitário, esquecido, Botticelli morreu em maio de 1510. Foi "redescoberto" pelos pintores românticos ingleses do século XIX, para os quais a melancolia irreal de seus personagens veio novamente representar a expressão da beleza idealizada.

"NASCIMENTO DE VÊNUS "

Sua criação mais famosa, Nascimento de Vênus, retoma um tema da Antiguidade pagã, mas Botticelli transforma Vênus, a deusa do amor, no símbolo da pureza e da verdade. Sempre conservara uma atitude de adoração pagã pelos deuses da antigüidade - Vênus, Apolo, Diana, Mercúrio -, sentiu crescer sua religiosidade - o que se refletirá na sua pintura.

No Nascimento de Vênus, que Botticelli exprimiu sua metamorfose. Casta, na sua nudez luminosa, a deusa não sugere amor físico, mas simboliza o primado da verdade e da pureza. Na sua quietude, revela claramente a transição do artista para uma fase de recolhimento e rígida retidão moral. A pobreza de ornamentos é o descarte de todo o supérfluo, a busca apenas do autêntico e essencial. Não é Vênus propriamente que nasce no quadro de Botticelli: é a alma cristã que emerge das águas do Batismo. É a alegoria poética da humanidade que se põe ante a vida.


resumo do Curso de História da Arte. arquivo pessoal.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Descoberto manuscrito de Leonardo da Vinci em biblioteca de Nantes.


O jornal francês Presse Ocean identificou um manuscrito sobre o vôo dos pássaros como obra nunca divulgada de Leonardo da Vinci na biblioteca de Nantes, e especialista do gênio italiano confirmou a informação nesta terça.

O estudioso Carlo Pedretti explicou ao jornal que "se trata de notas sobre o ar e o vento, relacionadas ao estudo sobre o vôo dos pássaros" e que foi escrito em torno de 1504, mesma época que da Vinci começou a pintar a Monalisa.

O texto faz parte do acervo da biblioteca Demy de Nantes desde o final do século XIX, mas só na semana passada que foi vinculado a Leonardo da Vinci. A descoberta ocorreu graças à pista fornecida por um jornalista do Presse Ocean que acabava de fazer uma viagem a Milão e leu uma biografia do artista do Renascimento.

A diretora da biblioteca, Agnès Marcetteau, que trabalhava no local há mais de 20 anos declarou que até então nenhum estudioso tinha perguntado sobre o documento. O manuscrito foi descoberto dentro da coleção Labouchère, composta por pelo menos 3 mil peças. 07 de dezembro de 2010.

Fonte:http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4831157-EI238,00-.html

sexta-feira, 1 de junho de 2001

Obra: "Nascimento da Vênus" de Sandro Botticelli.


O RENASCIMENTO

O Renascimento, Arte e arquitetura do, movimento artístico que se manifestou na pintura, escultura e arquitetura, em toda a Europa, aproximadamente de 1400 a 1600. Os traços principais da arte renascentista são a imitação das formas clássicas da antigüidade greco-romana e a preocupação com a vida profana, o humanismo e o indivíduo.
O Renascimento corresponde, na história da arte, à era dos grandes descobrimentos, refletindo o desejo, da época, de examinar todos os aspectos da natureza e do mundo. Durante o Renascimento, os artistas continuaram a merecer o status, herdado da Idade Média, de meros artesãos. Mas, pela primeira vez, começaram a se impor domo personalidades independentes, comparáveis a poetas e escritores. Os pintores e escultores renascentistas investigaram novas soluções para problemas visuais formais e muitos deles realizaram experiências científicas. Neste contexto, surgiu a perspectiva linear na qual as linhas paralelas eram representadas em ponto de fuga.
Os pintores passaram a ser mais exigentes com o tratamento da paisagem, dedicando maior atenção à representação de árvores, flores, plantas, distância entre montanhas e os céus com suas nuvens. O efeito da luz natural e o modo como o olho percebe os diversos elementos da natureza, tornaram-se novas preocupações. Assim nasceu a perspectiva aérea, na qual os objetos perdem os contomos, a cor e o sentido de distância à medida que se afastam do campo de visão. Os pintores do norte de Europa, especialmente os flamengos, revelaram-se mais avançados que os italianos na representação das paisagens e introduziram o óleo como nova técnica pictórica, contribuindo para o desenvolvimento desta arte em todo o continente. Embora o retrato se consolidasse como gênero específico em meados do século XV, os pintores do Renascimento alcançaram o auge com a pintura histórica ou narrativa. Em uma paisagem ou moldura de fundo, figuras relatavam passagens da mitologia clássica ou da tradições judaico-cristãs. Dentro de um contexto, o pintor representava homens, mulheres e crianças em poses reveladoras de emoções e estados de espírito.
O renascimento das artes coincidiu com o desenvolvimento do Humanismo que estudava e traduzia textos filosóficos. O latim clássico foi revalorizado. A par desta renovação de idéias, ocorreu o período de descobrimentos de novas terras. As embarcações se lançaram em busca de novos caminhos marítimos, colhendo, como resultado, diferentes rotas para a Ásia e a imensidão das Américas. Pintores, escultores, arquitetos e navegadores sentiam o mesmo anseio de aventura, o desejo de ampliar conhecimentos e obter novas soluções. Assim, tanto Leonardo da Vinci e Michelangelo, como Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral descobriram mundos novos e surpreendentes.

O RENASCIMENTO NA ITÁLIA

O berço do Renascimento foi a Itália, extraordinário depósito de ruínas clássicas. Encontram-se vestígios do Império Romano em quase todas as cidades italianas. Os sarcófagos de mármore, decorados com relevos, são o exemplo mais comum. O idioma, uma corruptela do latim falado pelos antigos romanos, foi sistematizado no século XIV por Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio. As primeiras manifestações do Renascimento italiano ocorreram em Florença. Três ourives e escultores, Brunelleschi, Ghiberti e Donatello, realizaram inovações que romperam com as convenções da arte gótica. Donatello, que também trabalhou em Veneza, Pádua, Nápoles e Roma veiculou, por toda a Itália, as novas formas estéticas. Na pintura, Masaccio introduziu um conceito naturalista e expressivo, assim como a perspectiva linear e aérea. O introdutor, em Veneza, do ideário renascentista foi Bellini. Mais tarde, Veneza disputou com Florença o privilégio de ser o centro do movimento que modificou o pensamento humano. Após esta extraordinária explosão criativa, foi pouco significativa a produção artística italiana no começo do século XV. Mas surgiram os nomes mais destacados do Renascimento e que influenciaram toda a obra ocidental posterior: Leonardo da Vinci (1452-1519) e Michelangelo (1475-1564). Pintor, escultor, arquiteto, engenheiro e cientista, Leonardo da Vinci foi importante, principalmente, na pintura onde introduziu o conceito de perspectiva atmosférica. Michelangelo, pintor, escultor, arquiteto e poeta, transformou-se em um dos maiores criadores que o mundo já conheceu. Entre os artistas quatrocentistas, destacam-se Filippo Brunelleschi, Lorenzo Ghiberti, Donatello, Masaccio, Paolo Uccello, Fra Angelico, Pisanello, Jacopo Bellini, Gentile Bellini, Giovanni Bellini, Andrea Mantegna, Piero della Francesca, Leon Battista Alberti, Antonio del Pollaiuolo, Andrea dei Verrocchio, Sebastiano del Piombo, Giorgione, Tiziano e Sandro Botticelli. Entre os artistas quinhentistas, destacam-se Leonardo da Vinci, Donato Bramante, Rafael, Michelangelo, Giorgione, Tiziano e Correggio. No norte europeu, as manifestações artísticas do gótico tardio foram contemporâneas dos descobrimentos marítimos e das mudanças de visão de mundo produzidas na itália. Países como Alemanha, Holanda e Inglaterra foram menos receptivos ao incipiente Renascimento.

O RENASCIMENTO NA HOLANDA

Uma das obras-primas da miniatura cortesã, Riquíssimas horas do duque de Berty (c. 1416), realizada pelos irmãos Limbourg, contém iluminuras que prenunciam van Eyck e revelam uma atenção pelo detalhe naturalista até então desconhecido. O pintor flamengo Jan van Eyck foi o criador da pintura renascentista em Flandres e na Holanda. Van Eyck combina, com talento e habilidade, um estilo que é o contraponto da arte que Masaccio realizava, nesta mesma época, na Itália. Sua obra Retábulo de Gent, conduída em 1432, é uma das mais extraordinárias do Renascimento. Apesar da ousadia de van Eyck, as inovações no uso da luz surgem com outro pintor, Robert Campin, conhecido como o Mestre de Flémalle. Destacam-se também Rogier van der Weyden, Dirk Bouts, Hugo van der Goes, Hans Memling e Jerônimo Bosch.

O RENASCIMENTO NA FRANÇA
Leonardo da Vinci viajou para a França em 1516 a pedido do próprio rei, mas, devido a sua idade avançada, morreu antes de realizar trabalhos de importância. Os franceses foram resistentes em aceitar as inovações artísticas oriundas da Itália. Apenas no século XVl, conseqüência da presença de muitos artistas italianos na corte de Francisco I, a França começou a adotá-las. A obra do Château de Fontainebleau é o ponto central da arte renascentista francesa.



O RENASCIMENTO NA ALEMANHA
Capazes de fundir a herança medieval com a nova estética. Entre os mais destacados estão Konrad witz, Albrecht Dürer e Matthias Grúnewald.

O RENASCIMENTO NA ESPANHA

Na Espanha, os pintores renascentistas nunca chegaram a alcançar o nível artístico da Itália e dos países do norte da Europa, embora se ligassem às duas tradiçòes. Os mecenas espanhóis confiaram a pintores e escultores estrangeiros as obras mais importantes. A confirmação deste fato é Tiziano, sem residência fixa no país, ter sido o pintor da corte espanhola no século XVI. Na arquitetura, edifícios no estilo renascentista remontam ao final do século XVI. Um exemplo é EI Escorial, complexo arquitetônico próximo de Madri, construído por Felipe li. Artistas destacados dessa época são Diego de Si loé, Alonso Berruguete, Juan de junj e Pedro Berruguete.

O RENASCIMENTO EM PORTUGAL

Apesar da esmagadora vigência do estilo manuelino como ideologia estética, o Renascimento revelou-se, em Portugal, através de gravuras de livros impressos com tarjas decorativas, iluminuras, bronzes, tapeçarias, pinturas e jóias. A arte que refletiu, em primeiro lugar, o novo movimento foi a pintura já que, nos quadros manuelinos, quase sempre as figuras são do gótico - tardio, de origem flamenga, enquanto os espaços em que elas se situam são renascentistas. Na arquitetura, a nova estética italiana constituiu um obstáculo ao mestres - pedreiros habituados aos sistemas construtivos góticos. A escultura compreendeu a renovação formal e criou um novo universo plástico que se reflete na Igreja Matriz de Caminha, cuja capela e o fronteiro portal lateral são obras claramente protorenascentistas. A pintura da Alemanha brilhou no Renascimento.

 SANDRO BOTTICELLI - (1445 - 1510)

Botticelli foi considerado o artista que melhor expressou, através do desenho, um ritmo suave e gracioso para as figuras pintadas. Os temas de seus quadros - quer tirados da Antiguidade grega, quer tirados da tradição cristã - foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão da graça divina. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi era seu nome completo. Terá nascido em Florença em 1445, pois em 1447 o curtidor Mariano di Vanni Filipepi declara que nessa época seu filho Sandro (diminutivo de Alessandro) tem dois anos. E num inventário de bens, do ano de 1458, em que os filhos eram mencionados para fins tributários, Mariano diz que Sandro "tem 13 anos, aprende a ler e é doentio".


Aos 13 anos, Sandro começa a enfrentar o problema da escolha de uma carreira ou de uma profissão. Pouco se sabe, porém, de como se desenrolou sua adolescência, Alguns biógrafos afirmam que o pai o teria confiado a um ourives, de nome Botticello, que lhe teria transmitido os segredos da arte e o apelido ("botticello" significa "barrilzinho", "garrafinha"). Entretanto, documentos da época atribuem a alcunha a um irmão mais velho de Sandro, chamado Antônio, também ourives. O final do nome seria mais tarde transformado em 1, na suposição de que se tratava de nome de família. (Os nomes de família eram geralmente no plural - portanto terminados em 1- na época.). Seja como for, o certo é que, aos 17 anos, Sandro Botticelli foi apresentado a Filippino Lippi, artista de talento e prestígio, para com ele iniciar-se na arte da pintura. Logo, porém, o jovem distinguiu-se do mestre. Ao contrário do traço denso de Lippi, as figuras de Botticelli são tênues, suaves, quase imateriais, os rostos sem sorriso, as expressões contemplativas. Não que Botticelli fosse incapaz de retratar a realidade: conscientemente, preferia não cingir-se às leis da óptica, já que se propunha a "apresentar e não a representar" uma realidade interior. A pintura de Botticelli traduz uma convicção pessoal - o sentido da arte é puramente espiritual, religioso, simbólico - que exclui a representação realista. De qualquer modo, para seus contemporâneos, Botticelli foi um artista menor, mais conhecido por seu temperamento - "agradável e brincalhão" - que pelo valor de suas obras, Foram necessários quatro séculos para que seu mundo poético e requintado fosse descoberto - no apogeu romântico dos anos 1800 - e plenamente reconhecido.



Na época em que Botticelli viveu, a pintura representava para a Igreja um instrumento de propagação da fé. Para os nobres e grandes burgueses que controlavam a política e a economia, era uma expressão de poder e, muitas vezes, uma tentativa de "suborno": um quadro votivo certamente amenizaria o julgamento de Deus quando a alma do patrono da obra se apresentasse ante Ele. Assim, retratos e alegorias dos poderosos de então, narração de episódios bíblicos e outros temas religiosos constituíam os motivos predominantes - se não exclusivos - da pintura do "Quattrocento", como os italianos chamavam ao século XV. E nas repúblicas em que se dividia a Itália de então os artistas dependiam da proteção dos papas ou dos aristocráticos e cultivados governantes. Em Florença, por exemplo, nenhum pintor ou escultor teria prestígio se não caísse nas boas graças dos Medicis. Botticelli teve essa sorte. No dia 18 de dezembro de 1469, Lourenço de Medicis incumbiu o pintor Piero Pollaiuolo de uma importante obra de arte: executar sete quadros que representassem as "Sete virtudes", para ornamentar o salão do Tribunal da Mercatanzia. Mas o ourives Antonio Filipepi não concordava inteiramente com a decisão. Ele, que havia executado o primeiro estudo para uma das virtudes - a "Caridade" -, achava essa uma boa ocasião para introduzir no mecenato dos Medicis seu irmão mais jovem, Sandro, contando com a ajuda de Tommaso Soderini - pessoa de absoluta confiança de Lourenço de Medicis, senhor e governador de Florença. Meio ano depois, Soderini resolveu encomendar a Sandro a Fortaleza, primitivamente solicitada a Pollaiuolo. Houve alguma resistência, é verdade. A corporação florentina de médicos e droguistas - que também representava os pintores - enviou a Soderini uma petição para que no futuro o governo não viesse novamente a cancelar encomenda feita a um pintor para favorecer a outro. Mas a autoridade inflexível de Lourenço, o Magnífico, não dava margem a debates muito prolongados. E Sandro teve sua oportunidade. Fez jus a ela:  sua obra mostrou-se flagrantemente superior a qualquer das seis pintadas por Pollaiuolo. Desde então, Sandro passou a desfrutar da honra de servir aos Medicis.

Nos oito anos que se seguiram à realização da Fortaleza, Botticelli recebeu numerosas encomendas da parte da Igreja e da corte dos Medicis. Em Florença, a prosperidade trazida por Lourenço, o Magnífico, traduzia-se também na multiplicação de oportunidades artísticas. Botticelli aproveitou algumas delas. São desse período os quadros que reproduzem o drama bíblico de Judite, que seduziu e degolou Holofernes, e São Sebastião, encomendado pela igreja florentina de Santa Maria Maior. Essa tela é um bom exemplo do sentido espiritual e simbólico que Botticelli atribuía à arte: o mártir aparece como que desligado da paisagem distante que o circunda e mesmo sua figura nada tem de realista; há um requintado jogo de luminosidades sobre um corpo ascético, lançado verticalmente em toda a altura do quadro, sem contornos precisos que o delimitem no espaço. Os compromissos de Botticelli com os Medicis traduzem-se mesmo nas obras religiosas do pintor. Na Adoração dos Reis Magos, realizada mais ou menos à mesma época, o artista reproduz fisionomias de vários membros daquela família, entre eles Juliano, irmão de Lourenço. Guaspare di Zanobi dei Lama, o aristocrata que encomendou a tela, exigiu também que seu rosto aparecesse como o de seu homônimo Gaspar) um dos três reis. Aliás, o próprio Botticelli aproveitou para retratar-se num canto da obra. Na Itália, às vésperas do Renascimento, os artistas eram inevitavelmente compelidos a participar da vida dos poderosos e a representá-la em suas criações. Por exemplo, Juliano de Medicis encomendou a Botticelli o desenho do estandarte que o nobre iria ostentar num torneio de cavalaria. A vitória de Juliano - de resto, previamente combinada - acentuou ainda mais a honra conferida ao pintor pela realização do estandarte.

Mais tarde, por volta de 1483, Botticelli reproduzirá a face de Juliano em seu Marte e Vênus. A respeito existem algumas controvérsias: segundo uns, a tela seria uma alusão aos amores de Juliano com Simonetta, "a Bela", esposa de Marco Vespucci; segundo outros, o quadro representaria Lourenço e sua amante Lucrécia Donati. A maioria, porém, acredita que Marte seja realmente Juliano. Em 1478, o artista terminara a Alegoria da Primavera para a Villa di Castello, residência de verão dos Medicis. A figura mítica da Primavera está cercada de alegorias tiradas da antigüidade - as três Graças, o deus Mercúrio - e de sutis simbolismos que evocam o mundo clássico. Em nenhum momento Botticelli se preocupa em reproduzir fielmente a anatomia dos personagens; a perspectiva desempenha um papel secundário; a paisagem quase não conta. Tais características do estilo de Botticelli - tão presentes nessa tela - exprimem as divergências fundamentais entre sua concepção e a do contemporâneo Leonardo da Vinci: para este, a pintura - "cosa intellettuale" - possuía uma função quase científica, de pesquisa e busca do conhecimento; para Botticelli, o belo está, ao contrário, fora da realidade e da experiência e a pintura é uma comunicação com Deus. Nesse sentido, sua concepção - confessadamente mística - o aproxima dos pintores medievais, para quem o mundo visível era a emanação de Deus. Botticelli na época vivia uma boa situação. O pai havia herdado um casarão na Via Nuova, deixado por seu irmão, também curtidor, mas de melhor situação financeira. Foi aí que Sandro instalou seu estúdio - longe do centro da cidade, onde poucos artistas teriam interesse de viver.


Porém, sua fama crescente atrai vários alunos. Um deles é o filho de Filippino Lippi, que Botticelli adotara como seu, desde a morte do pai, ocorrida quando o garoto tinha l0 anos. Um episódio ocorrido no estúdio de Botticelli serve para dar uma idéia. Um de seus discípulos, Biagio, havia produzido boa cópia da Virgem e o Menino com Oito Anjos, quadro do mestre. Certo dia, Botticelli disse a Biagio ter encontrado comprador para a reprodução. "Precisamos colocar o quadro num lugar alto e bem iluminado, para que se destaque aos olhos do comprador, quando ele chegar amanhã. Assim, ele pagará logo o preço tratado." Em seguida, dá a Biagio o nome e o endereço do comprador. Biagio sai exultante. Botticelli e outro discípulo, Jacopo, recortam então vários pedaços de papel colorido e os colam sobre as cabeças dos anjos. A distância, os recortes davam a impressão de serem chapéus típicos da época, de maneira que a Virgem parecia estar presidindo a uma reunião da Senhoria - o conselho dos líderes da comunidade. No dia seguinte, quando Biagio chega com o comprador, quase desmaia ao dar com o quadro transformado em caricatura. Mas o comprador não parece ter notado nada de estranho. Elogia a obra e confirma o negócio. Biagio sai com ele para receber os 6 florins de ouro tratados. Ao voltar, os recortes de papel haviam sido removidos. O jovem esfrega os olhos e pede explicações. Muito sérios, Botticelli e Jacopo juram que tudo só podia ter sido uma alucinação de Biagio. Este, confuso, nem percebera a brincadeira, da qual até o comprador fora cúmplice. Se bem que a anedota não faça muita honra aos dotes humorísticos de Botticelli, fornece algumas indicações sobre a vida nos estúdios dos pintores da época: os aprendizes ajudavam o mestre em tudo, mas, em compensação, tinham o direito de vender reproduções das obras dele por preços acessíveis a colecionadores de posses limitadas.

Em 1478, uma conspiração instigada pelo Papa Sisto lV atira o clã dos Pazzi contra os Medicis. Juliano é apunhalado e morto. Lourenço, embora ferido, consegue escapar e, apoiado pela população e pela maioria da nobreza, enceta feroz vingança. Os Pazzi são perseguidos e trucidados. Por sua vez, o papa nega haver encorajado a conspiração. Um espião dos Medicis, entretanto, desmascara o pontífice. Este ensaia a guerra, mas a habilidade política de Lourenço, seus recursos militares, fazem com que Sisto mude de idéia e resolva, por ora, seguir uma política de paz e união. Todos esses acontecimentos políticos foram importantes para a carreira de Botticelli. Seu prestígio junto aos Medicis estava então no auge e ele recebeu a honrosa incumbência de registrar com sua arte o episódio da execução dos Pazzi - uma honraria macabra que não pode ser apreciada hoje: quando as forças papais finalmente conseguiram extinguir o domínio dos Medicis, a obra foi destruída, em 1494.
Antes disso, durante o armistício, um dos primeiros gestos de Sisto lV fora o de contratar artistas florentinos para a decoração da Capela Sistina. Assim, em obediência a um contrato firmado a 27 de outubro de 1481, seguiram para Roma alguns dos melhores pintores de Florença; Botticelli, Ghirlandaio, Perugino e Cosimu Rosselli. Botticelli ficou um ano em Roma, onde produziu duas obras que figuram na Capela: Tentação de Cristo e de Moisés e Punição dos Rebeldes. Esses afrescos já evidenciam uma mudança na visão de mundo de Botticelli, que se acentuará na década seguinte com o episódio da condenação de Savonarola - o frade dominicano queimado vivo na Piazza della Signoria, em Florença, como punição por seus sermões contra a decadência dos costumes, o luxo e a vaidade dos nobres. Os afrescos da Capela Sistina estão imbuídos de um sentido oculto, acessível apenas aos que conheciam sua linguagem ambivalente e secreta: Moisés salvando os judeus do cativeiro e conduzindo-os à Terra Prometida, por exemplo, é um predecessor e símbolo do Cristo que viera salvar a humanidade do pecado e conduzi-la à Pátria Celeste. As obras da Capela Sistina documentam ainda a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, entrelaçando cristianismo e leis mosaicas. De volta a Florença, em 1482, o artista está no apogeu de sua carreira. Não tem mãos a medir para atender a todas as encomendas que recebe. Segundo o costume da época, seus discípulos o ajudam na preparação dos materiais, na pintura de detalhes mais fáceis; em alguns casos, ao mestre cabe apenas a tarefa de pintar as fisionomias e alguns remates.

A Alegoria da Primavera e O Nascimento de Vênus haviam contribuído para elevar ainda mais o prestígio de Botticelli entre os Medicis. E Lourenço encomenda-lhe 19 ilustrações, gravadas em madeira, para uma edição da "Divina Comédia". Outras 96 gravuras, também solicitadas por Lourenço, não chegaram a ser impressas, provavelmente por causa de uma das muitas medidas de contenção de gastos que, de vez em quando, eram adotadas em Florença. Do mesmo período é a Virgem do Magnificat. Nessa obra, Botticelli utiliza a forma circular chamada rondo.

Em 1492 morreu Lourenço. Seguiu-se então um período de agitação política, agravada pela ascensão de Savonarola, o frade dominicano quq vinha empreendendo um movimento de reforma semelhante ao que Lutero levaria a cabo mais tarde. Mas Savonarola, ao contrário de Lutero, via e explorava todas as implicações políticas de suas idéias. Impôs a Florença uma austera repressão à vida mundana. Chegou a transformar o carnaval em festa de caridade em que se destruíam livros julgados licenciosos. Entretanto, seus desafios ao Papa Alexandre VI - pai de César e Lucrécia Bórgia - acabaram por levar Savonarola à fogueira, acusado de heresia. Botticelli jamais tomou partido - ao menos publicamente - na questão. Mas o movimento afetou-o bastante. O pintor, - que antes homenageara o heroísmo como superação da adversidade material e triunfo sobre o destino, passou a concebê-lo como virtude espiritual, essencialmente cristã. Por outro lado, "populariza" seus trabalhos: eles passam a acolher cada vez mais elementos populares, tornando-se acessíveis ao grande público e não só a uma elite de iniciados. O que traduz uma fidelidade às lições de Savonarola, segundo o qual o povo simples e virtuoso de Florença salvaria aquela sociedade da decadência de nobres e ricos. Da mesma forma, se antes Botticelli buscara fixar em suas criações o mundo esteticamente perfeito da antigüidade clássica, passou depois a querer fixar o mundo moralmente perfeito dos mártires cristãos - seu heroismo, sua abnegação, sua fé, mesmo diante da tortura e da morte, como foi o caso, a seus olhos, do próprio Savonarola.

A Alegoria da Calúnia coincide com a culminância desse período de intensa religiosidade. Dentro de uma composição severa, a figura da Calúnia - apresentada como repugnante - impõe-se à fraqueza do julgamento humano, que a prefere em detrimento da Verdade. É uma alusão à perseguição contra Savonarola. E sua Natividade contém até uma inscrição, em grego, que identifica o período seguinte à morte do frade como o segundo cataclismo do Apocalipse. Em seus últimos anos de vida, Botticelli afastou-se quase por completo da vida cotidiana de Florença. Praticamente recluso, preferia a meditação solitária, entregue à sua fé e ao estudo dos ensinamentos de Savonarola.

A Natividade é um bom exemplo da indiferença do pintor pelos gostos estéticos do começo do século XVI. Em tudo oposto às novas tendências da época - afirmadas nos trabalhos de Michelangelo, Leonardo da Vinci e Raffaello -, Botticelli ignora de propósito as leis da perspectiva, cria uma tela devota, ornamentada até o excesso, ingênua e popular nos seus elementos decomposição, ritual e estranha ao mesmo tempo. É possível que algumas de suas obras-primas se encontrem justamente nessas últimas criações: as pinturas diminutas, quase em miniatura, como Episódios da Vida de São Zenóbio, que data de 1500 aproximadamente. Mesmo certas distorções expressionistas contidas nessa tela - evolução exagerada para aquele tempo e orientada em direção oposta ao "stil nuovo" dos gênios da Renascença - resultam paradoxalmente conservadoras para os padrões do século XVI. Com justiça, Botticelli é considerado um pintor do século XIV, muito mais próximo de um Fra Angelico que de um Leonardo. Ao passo que este afirmava que a arte traduz uma visão atual do mundo, Botticelli defendia a teoria filosófica da Igreja - o neoplatonismo - segundo a qual a perfeição da arte clássica prenunciava a Revelação iminente de Cristo. Por isso, ao pintar no fim de sua vida as cenas culminantes do cristianismo - a Natividade, o Enterro, a Crucificação -, ele permanece fiel a um ideal religioso. Sua arte se supõe eterna, livre da história e do conhecimento humano. É o pintor de seu século que mais se afasta tia experiência dos sentidos.
Pobre, solitário, esquecido, Botticelli morreu em maio de 1510. Foi "redescoberto" pelos pintores românticos ingleses do século XIX, para os quais a melancolia irreal de seus personagens veio novamente representar a expressão da beleza idealizada.


" NASCIMENTO DE VÊNUS "

Sua criação mais famosa, Nascimento de Vênus, retoma um tema da Antiguidade pagã, mas Botticelli transforma Vênus, a deusa do amor, no símbolo da pureza e da verdade. Sempre conservara uma atitude de adoração pagã pelos deuses da antigüidade - Vênus, Apolo, Diana, Mercúrio -, sentiu crescer sua religiosidade - o que se refletirá na sua pintura.

No Nascimento de Vênus, que Botticelli exprimiu sua metamorfose. Casta, na sua nudez luminosa, a deusa não sugere amor físico, mas simboliza o primado da verdade e da pureza. Na sua quietude, revela claramente a transição do artista para uma fase de recolhimento e rígida retidão moral. A pobreza de ornamentos é o descarte de todo o supérfluo, a busca apenas do autêntico e essencial. Não é Vênus propriamente que nasce no quadro de Botticelli: é a alma cristã que emerge das águas do Batismo. É a alegoria poética da humanidade que se põe ante a vida.

Fonte dessa imagem: Revista Feminina Cláudia, 1999.


BIBLIOGRAFIA

STRICKLAND, Carol. Arte Comentada - Da Pré - História ao Pós - Moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.  
O Livro da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

segunda-feira, 5 de março de 2001

Simmel e Delumeau e o Renascimento.



Simmel e Delumeau.


Como em Simmel, a Renascença reforça a individualidade ?


Segundo Simmel, a Renascença produziu a individualidade, pois reaparecem os traços pessoais, desenvolve a liberdade pessoal, a singularidade própria e a auto - responsabilidade. Focaliza mais o eu interno do homem, pois apresenta a ideia voltada para o interno. As manifestações estavam começando e faltavam mais informações para eliminar as sombras e resquícios do medievo. O indivíduo percebe sofisticação da própria individualidade, vai reconhecer o valor interno e externo dele mesmo, da singularidade pessoal. A cultura moderna mostra o indivíduo livre, produto do liberalismo racional da Inglaterra e França.

Qual a dimensão explicativa da individualidade e da liberdade para entender o período moderno.

a) Como a continuidade conforme Delumeau.

Não houve corte com a Idade Média e o Renascimento. O que houve foram aspectos que desenvolveram-se como: Homens que não pertenciam às classes dirigentes impuseram-se à admiração ou à atenção de todos, personalidades expandiram-se melhor, guerras sangrentas, dogmas e autoridade da Igreja Romana posta em causa, progresso econômico e aumento do luxo e a urbanização, crescente alastramento da cultura, sociedade menos móvel e mais hierarquizada, mais disciplinada e mais camponesa, desenvolvimento da arte do retrato e a afirmação das personalidades individuais e contestação de valores das hierarquias sociais. Discussão da noção de nobreza, da legitimidade da autoridade do Estado. 

Emancipação do indivíduo, romantismo na arte e na literatura com temas melancólicos, amorosos, sofridos e sobretudo com o tema da morte. Inquietações e renovações, apego ao religioso contra o inferno de alguns e heresia de outros, assim como: divindades pagãs, exaltação da magia e da astrologia, a igreja com problemas que não consegue combater, implicações morais no destino do indivíduo, presença da astrologia nas artes sacras, favorecimento da expansão de personalidades fortes, crítica à astrologia, discussão sobre o livre arbítrio, afirmação de uma filosofia de liberdade e discussão das mentalidades nas sociedades do Ocidente.

b) Como a transição e ruptura conforme Simmel.

Rompe com o medievalismo que reprimia as características da individualidade. O individualismo torna-se realidade, impondo-se enfatizando o valor da sua própria singularidade. O individualismo se fundamenta da igualdade pela liberdade que expressava o ser mais profundo da humanidade. O homem deveria se conhecer, assim como conhecer seus direitos: de ser livre e igual.


Por: Prof. Vanessa.

quarta-feira, 28 de abril de 1999

Renascimento.

Renascimento.


É um nome dado a um período da história que se prolongou por cerca de 300 anos, tendo começado na Itália mais ou menos em 1300. A renascença difundiu-se por toda a Europa durante os séculos XV e XVI e aboliu costumes e instituições que haviam dominado a Europa durante quase mil anos. As novas idéias e atitudes que então surgiram ainda influenciaram nossas vidas. Quando a renascença teve início, a Europa encontrava-se dividida em grandes estados feudais pertencentes a nobres ricos. A maioria da população era constituída de servos que trabalhavam na terra para os senhores feudais. Quase tudo na vida girava em torno da religião e a igreja católica era a força mais poderosa da Europa. A medida que se desenvolvia a renascença, os reis e os príncipes foram apossando-se das terras feudais e constituindo fortes governos nacionais. O comércio intensificou-se. Muitas pessoas trocaram o campo pelas cidades em formação. A reforma protestante enfraqueceu o poder da igreja católica e dividiu o cristianismo em vários credos. Os historiadores do séc. XIX acreditavam que o conhecimento morrera durante a Idade Média e renascera no séc. XIV e XV; por este motivo chamaram este período de renascença ou renascimento.

O ESPÍRITO DA RENASCENÇA.

A renascença foi uma época de aventura e curiosidade. Os homens tornaram se fascinados com o mundo a sua volta e empreenderam viagens arriscadas para explorar as terras desconhecidas; fizeram estudos científicos sobre as plantas e os animais, e realizaram ousadas experiências nos campos da astronomia e da física; e, mais do que tudo, estudaram o próprio homem.

RENASCENÇA NA ITÁLIA.

Durante a Idade Média a localização da Itália as margens do mar mediterrâneo transformou o país em um importante centro de comércio. Com expansão do comércio, muitas cidades estados italianas tornaram-se ricas. Uma nova classe média formada por comerciantes e banqueiros assumiam o poder. Esses homens encorajaram o desenvolvimento do saber e tornaram-se os principais protetores da arte e da cultura. Durante todo o séc. XIV os artistas e escritores italianos procuram desenvolver novos estilos para expressar as novas idéias de sua época. A arte e a literatura renascentistas alcançaram o apogeu na Itália durante o século XVI. Os historiadores chamam esse período de alta renascença.

ARQUITETURA RENASCENTISTA

Pelos vitrais coloridos, a luz escoa em raios tímidos, que se abrem em leque no interior sombrio. Sombrio e misterioso: um vasto espaço delineado por finos pilares, que se enfeixam e se recurvam para o alto, formando arcos em ponta. Todo o conjunto – os pilares, a abóbada, os arcos - tendem para cima, e parecem não acabar nunca. Mergulhadas na escuridão, as pontas dão a ilusão de unir-se no infinito. O ambiente é de recolhimento, convida à meditação: é a enorme Catedral de Milão (Itália), a segunda igreja do mundo em tamanho. Templo gótico típico, o início de sua construção data de 1386, no começo do Renascimento, movimento de renovação cultural que eclodiu na Europa cm meados do século XIV. Também do Renascimento, situada em Florença, mais ao sul de Milão, é a Capela dos Pazzi: um espaço central quadrado, com uma cúpula elevada, e alargado por espaços baixos abobadados. Ao contrário da sombria Catedral de Milão, seu interior é claro e bem proporcionado. As paredes são brancas, divididas por pilares cinzentos, terminados em capitéis coríntios, ao gosto grego. Seu propósito é o de decorar o templo, propósito visado também pelos medalhões de cerâmica esmaltada, que acentuam a forma, a proporção e o caráter clássico da construção. Para entrar no edifício, transpõe-se um gracioso pórtico, adornado de colunas clássicas.

A Capela dos Pazzi é . toda luminosidade, graça, leveza. As linhas puras e retas da arquitetura greco-romana serviram como ponto de partida para a criação de um estilo, que dominou todo o Renascimento italiano: o estilo renascentista, propriamente dito. As duas formas arquitetônicas - gótica e renascentista - conviveram durante mais de duzentos anos, após o que seriam de certa forma eclipsadas pelo barroco. Se no principio rivalizavam entre si, logo mais passaram a completar-se. Os adornos, os elementos decorativos, a forma das colunas góticas desapareceram, em favor da decoração renascentista. Contudo, muitas das grandes obras renascentistas não poderiam ter surgido sem o conhecimento da técnica do gótico. O célebre arquiteto Brunelleschi talvez não tivesse vencido o concurso, em 1418, para o melhor desenho de cúpula para a Catedral de Florença, se não tivesse profundos conhecimentos técnicos sobre a construção da abóbada gótica. Em suma, pelo Renascimento adentro, o que preponderou nas construções religiosas e leigas da Itália foi o estilo renascentista, mas a técnica da construção gótica foi de grande valia para os feitos dos grandes arquitetos italianos.

O BERÇO RENASCENTISTA

O Renascimento iniciou-se na Itália, particularmente em Florença, e foi precedido por uma fase de transição, que, pelos fins do século XIII, já paulatinamente ia substituindo a arte gótica. Foi o florentino Fibppo Brunelleschi (1377-1446) quem apresentou a nova concepção renascentista na arquitetura.

Ele assimilara, durante longo tempo, as formas clássicas e góticas e adaptara-as à sua época, edificando as igrejas do Espírito Santo, de São Lourenço e a cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença. Contudo, não foi na época de Brunelleschi que a arquitetura renascentista atingiu seu ponto culminante. Foi um pouco mais tarde, na primeira metade do século XVI. E também não foi em Florença, onde nascera, mas em Roma, que atingiu a sua plenitude. E em Roma, durante toda a primeira metade do século XVI - a Alta Renascença - um arquiteto talentoso como Giuliano da Sangallo (1445-1516) uniu seu gênio ao do pintor Rafael Sanzio (1483-1520) para, juntos, dirigirem os trabalhos da Basílica de São Pedro. Em Roma o arquiteto Bramante, cujo, verdadeiro nome é Donato D'Agnolo (1444 - l5l4), criou um tipo todo original de abóbada para a Igreja de Santa Maria das Graças, e ainda deu lições ao escultor, pintor e arquiteto Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Em Roma, Vignola - como se chamava artisticamente Giacomo Barrochio (1507-1573) - edificou a Igreja de Jesus, que, pelo movimento de suas linhas e pela abundância de adornos, já prenunciava o barroco, estilo que vigorou no século seguinte.

Contudo, embora o centro fosse Roma, a arquitetura renascentista não se restringia à antiga cidade. Em Mantua, o arquiteto Leon Battista Alberti (1404-1472), autor de um tratado - De Re Aedificatoria (A Arte de Edificar), onde define a beleza como harmonia e proporção -, procurava resolver o conflito entre a igreja de piano direcionai e a igreja de plano central, acrescentando uma nave a uma estrutura central, na Igreja de Santo André. No norte da Itália, Andrea Palladio (1518-1580) realizava um trabalho tão importante e original que acabou influenciando a arquitetura inglesa dos séculos XVII e XVIII. Todos eles dedicavam-se, sobretudo, à edificação de construções religiosas, das quais a mais ambiciosa é, sem diivida, a Catedral de São Pedro, em Roma. Foi iniciada por Bramante em 1506, continuada por Michelangelo, acrescentada por Carlo Maderno (1556-1629) e adornada de colunatas externas por Giovanni Lorenzo Bernini (1598-1680).

NO RESTO DA EUROPA

Pela mesma época desenvolveu-se, fora da Itália, um estilo arquitetônico misto, combinação de renascentista e gótico. Os primeiros elementos renascentistas introduzidos nas construções dos países europeus, nos da Europa setentrional, foram os motivos de decoração. Mais tarde, por volta de 1540, a arquitetura nesses lugares passou inspirar-se diretamente nas fontes clássicas. Surgiu então, na França, uma arquitetura renascentista inconfundível, cujos melhores exemplos são a fachada interna do Museu da Louvre, obra de Pierre Lescot (isto?-1578), e o Castelu de Anet, de Philibert Delorme (1515?-1570). Exatamente nos castelos - sobretudo o de Blois e o de Fontainebleau - a influência clássica é mais relevante. Na Inglaterra, às construções indubitavelmente góticas, como as Universidades de Oxford e Cambridge e a Biblioteca de Samuel Pepys, foram acrescentadas edificações novas, de clara inspiração românica.

Na Alemanha, a influência renascentista italiana introduziu-se lentamente. A construção alemã mantinha-se fiel à tradição gótica, mas ainda assim os edifícios da primeira metade do século XVI apresentam uma rica superestrutura ornamental, com motivos decorativos renascentistas. Essa mescla - planta gótica, ornatos renascentista - verifica-se principalmente nas construções seculares, de modo mais harmonioso nos magníficos castelos de Heidelberg e Trogau. Nas igrejas, mantém-se as linhas góticas tradicionais. Em Portugal, o gótico aliou-se a elementos mouros, preludiando o estilo português renascentista conhecido como manuelino, nome derivado do soberano Manuel, o Venturoso. Os arquitetos espanhóis interpretaram o renascimento à sua maneira: desprezaram a simplicidade e a harmonia de equilíbrio dos edifícios italianos, e, ao lado de enfeites renascentistas, empregavam com profusão e fantasia motivos árabes, sobretudo na ornamentação de igrejas e palácios. E como seu trabalho era semelhante às obras de um ourives (platero, em espanhol), esse estilo recebeu o nome de Plateresco. Seus exemplos mais típicos encontram-se em Toledo (Hospital de Santa Cruz), em vários palácios de Castela e na célebre Universidade de Salamanca. Ao sul da Espanha, em Andaluzia, a arquitetura foi mais sóbria, com uma estrutura harmoniosa e uma decoração em estilo coríntio. Comprovam essa fidelidade aos cânones clássicos as catedrais de Málaga, Jaén e Granada. E não só na Europa ocidental o núcleo artístico florentino deixou marcas profundas: alguns edifícios que compõem o Kremlin, em Moscou, são obra de arquitetos florentinos.

OS PRÉDIOS SECULARES.

Durante a Renascença dois tipos de construção secular destacaram-se na Itália: o palazzo ou palácio, e a villa. Os palácios, nos inícios do Renascimento, constituíam uma edificação intermediária entre a fortaleza, e a casa senhorial. Sua estrutura particular era uma conseqüência das contínuas lutas políticas que se desencadeavam nas cidades: não raro, os membros de um partido atacavam o palácio de um rival. Por isso, os palácios constituíam verdadeiros blocos de pedra maciça. Em muitas cidades italianas era comum que esses palácios fossem também estabelecimentos comerciais. Os grandes mercadores e suas famílias habitavam o primeiro andar do edifício, enquanto que o –térreo era ocupado por lojas e armazéns. O palácio da ilustração, que serve como exemplo típico do "palazzo" renascentista, é o Strozzi, construído em Florença, em 1489, pelo arquiteto Benedetto da Maiano (1442-1497), para o rico mercador Filippc Strozzi. O edifício tem um suntuoso pátio interno central, ladeado de pórticos e colunatas. Daí partem amplas escadarias, rumo aos aposentos dos donos, distribuídos pelo primeiro e segundo andar. A fachada, inteiramente revestida de pedras, ostenta três faixas horizontais, divididas por frisos e coroadas por cornijas clássicas (ornatos que se colocam sobre um friso, formando saliências). Além das cornijas, o único enfeite da sóbria fachada são as pedras dispostas em semicírculo sobre as janelas.

No andar térreo, ficava a guarnição que protegia o palácio. Como esta parte, por estar no rés-do-chão, se achava mais exposta a possíveis ataques, as janelas são de reduzidas dimensões, oferecendo maior segurança. Ainda no térreo, a pavimentação e o revestimento das paredes internas são de pedra áspera e rústica, enquanto ,nos andares superiores, onde ficavam os aposentos dos senhores, a mesma pedra era utilizada com os mesmos propósitos, mas depois de polida e embelezada. Não há, praticamente, no palácio, um recanto aconchegante, para uma conversação ou um descanso. O que há são enormes salas, enormes dormitórios, enormes corredores. Pequenas certamente são as instalações do último andar, onde fitavam os criados. Para subirem até lá, eram obrigados a escalar uma infindável escada em espiral. Além do Strozzi, há na Itália outros belos palácios renascentistas, como o Vecchio, em Florença. Em Veneza, o estilo ( renascentista mesclou-se ao bizantino e ao gótico, dando como resultado uma forma mista, cuja maior expressão é o Cà d' Oro, edificado entre 1421 e 1437. A "'villa" nada mais é senão uma adaptação da velha domus romana. Com sua loggia (galeria) e seus amplos terraços, situa-se no centro de um imenso jardim. O mais característico exemplo dessa construção é a Villa Capra, em Vicenza, obra do arquiteto Palladio.


nossa fonte: renascimento.com

Abaixo outra matéria sobre Renascimento.


O RENASCIMENTO

O Renascimento, Arte e arquitetura do, movimento artístico que se manifestou na pintura, escultura e arquitetura, em toda a Europa, aproximadamente de 1400 a 1600. Os traços principais da arte renascentista são a imitação das formas clássicas da antigüidade greco-romana e a preocupação com a vida profana, o humanismo e o indivíduo.

O Renascimento corresponde, na história da arte, à era dos grandes descobrimentos, refletindo o desejo, da época, de examinar todos os aspectos da natureza e do mundo. Durante o Renascimento, os artistas continuaram a merecer o status, herdado da Idade Média, de meros artesãos. Mas, pela primeira vez, começaram a se impor domo personalidades independentes, comparáveis a poetas e escritores. Os pintores e escultores renascentistas investigaram novas soluções para problemas visuais formais e muitos deles realizaram experiências científicas. Neste contexto, surgiu a perspectiva linear na qual as linhas paralelas eram representadas em ponto de fuga.

Os pintores passaram a ser mais exigentes com o tratamento da paisagem, dedicando maior atenção à representação de árvores, flores, plantas, distância entre montanhas e os céus com suas nuvens. O efeito da luz natural e o modo como o olho percebe os diversos elementos da natureza, tornaram-se novas preocupações. Assim nasceu a perspectiva aérea, na qual os objetos perdem os contomos, a cor e o sentido de distância à medida que se afastam do campo de visão. Os pintores do norte de Europa, especialmente os flamengos, revelaram-se mais avançados que os italianos na representação das paisagens e introduziram o óleo como nova técnica pictórica, contribuindo para o desenvolvimento desta arte em todo o continente. Embora o retrato se consolidasse como gênero específico em meados do século XV, os pintores do Renascimento alcançaram o auge com a pintura histórica ou narrativa. Em uma paisagem ou moldura de fundo, figuras relatavam passagens da mitologia clássica ou da tradições judaico-cristãs. Dentro de um contexto, o pintor representava homens, mulheres e crianças em poses reveladoras de emoções e estados de espírito.

O renascimento das artes coincidiu com o desenvolvimento do Humanismo que estudava e traduzia textos filosóficos. O latim clássico foi revalorizado. A par desta renovação de idéias, ocorreu o período de descobrimentos de novas terras. As embarcações se lançaram em busca de novos caminhos marítimos, colhendo, como resultado, diferentes rotas para a Ásia e a imensidão das Américas. Pintores, escultores, arquitetos e navegadores sentiam o mesmo anseio de aventura, o desejo de ampliar conhecimentos e obter novas soluções. Assim, tanto Leonardo da Vinci e Michelangelo, como Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral descobriram mundos novos e surpreendentes.

O RENASCIMENTO NA ITÁLIA

O berço do Renascimento foi a Itália, extraordinário depósito de ruínas clássicas. Encontram-se vestígios do Império Romano em quase todas as cidades italianas. Os sarcófagos de mármore, decorados com relevos, são o exemplo mais comum. O idioma, uma corruptela do latim falado pelos antigos romanos, foi sistematizado no século XIV por Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio. As primeiras manifestações do Renascimento italiano ocorreram em Florença. Três ourives e escultores, Brunelleschi, Ghiberti e Donatello, realizaram inovações que romperam com as convenções da arte gótica. Donatello, que também trabalhou em Veneza, Pádua, Nápoles e Roma veiculou, por toda a Itália, as novas formas estéticas. Na pintura, Masaccio introduziu um conceito naturalista e expressivo, assim como a perspectiva linear e aérea. O introdutor, em Veneza, do ideário renascentista foi Bellini. Mais tarde, Veneza disputou com Florença o privilégio de ser o centro do movimento que modificou o pensamento humano. Após esta extraordinária explosão criativa, foi pouco significativa a produção artística italiana no começo do século XV. Mas surgiram os nomes mais destacados do Renascimento e que influenciaram toda a obra ocidental posterior: Leonardo da Vinci (1452-1519) e Michelangelo (1475-1564). Pintor, escultor, arquiteto, engenheiro e cientista, Leonardo da Vinci foi importante, principalmente, na pintura onde introduziu o conceito de perspectiva atmosférica. Michelangelo, pintor, escultor, arquiteto e poeta, transformou-se em um dos maiores criadores que o mundo já conheceu. Entre os artistas quatrocentistas, destacam-se Filippo Brunelleschi, Lorenzo Ghiberti, Donatello, Masaccio, Paolo Uccello, Fra Angelico, Pisanello, Jacopo Bellini, Gentile Bellini, Giovanni Bellini, Andrea Mantegna, Piero della Francesca, Leon Battista Alberti, Antonio del Pollaiuolo, Andrea dei Verrocchio, Sebastiano del Piombo, Giorgione, Tiziano e Sandro Botticelli. Entre os artistas quinhentistas, destacam-se Leonardo da Vinci, Donato Bramante, Rafael, Michelangelo, Giorgione, Tiziano e Correggio. No norte europeu, as manifestações artísticas do gótico tardio foram contemporâneas dos descobrimentos marítimos e das mudanças de visão de mundo produzidas na itália. Países como Alemanha, Holanda e Inglaterra foram menos receptivos ao incipiente Renascimento.

O RENASCIMENTO NA HOLANDA

Uma das obras-primas da miniatura cortesã, Riquíssimas horas do duque de Berty (c. 1416), realizada pelos irmãos Limbourg, contém iluminuras que prenunciam van Eyck e revelam uma atenção pelo detalhe naturalista até então desconhecido. O pintor flamengo Jan van Eyck foi o criador da pintura renascentista em Flandres e na Holanda. Van Eyck combina, com talento e habilidade, um estilo que é o contraponto da arte que Masaccio realizava, nesta mesma época, na Itália. Sua obra Retábulo de Gent, conduída em 1432, é uma das mais extraordinárias do Renascimento. Apesar da ousadia de van Eyck, as inovações no uso da luz surgem com outro pintor, Robert Campin, conhecido como o Mestre de Flémalle. Destacam-se também Rogier van der Weyden, Dirk Bouts, Hugo van der Goes, Hans Memling e Jerônimo Bosch.

O RENASCIMENTO NA FRANÇA.

Leonardo da Vinci viajou para a França em 1516 a pedido do próprio rei, mas, devido a sua idade avançada, morreu antes de realizar trabalhos de importância. Os franceses foram resistentes em aceitar as inovações artísticas oriundas da Itália. Apenas no século XVl, conseqüência da presença de muitos artistas italianos na corte de Francisco I, a França começou a adotá-las. A obra do Château de Fontainebleau é o ponto central da arte renascentista francesa.

O RENASCIMENTO NA ALEMANHA
Capazes de fundir a herança medieval com a nova estética. Entre os mais destacados estão Konrad witz, Albrecht Dürer e Matthias Grúnewald.

O RENASCIMENTO NA ESPANHA

Na Espanha, os pintores renascentistas nunca chegaram a alcançar o nível artístico da Itália e dos países do norte da Europa, embora se ligassem às duas tradiçòes. Os mecenas espanhóis confiaram a pintores e escultores estrangeiros as obras mais importantes. A confirmação deste fato é Tiziano, sem residência fixa no país, ter sido o pintor da corte espanhola no século XVI. Na arquitetura, edifícios no estilo renascentista remontam ao final do século XVI. Um exemplo é EI Escorial, complexo arquitetônico próximo de Madri, construído por Felipe li. Artistas destacados dessa época são Diego de Si loé, Alonso Berruguete, Juan de junj e Pedro Berruguete.

O RENASCIMENTO EM PORTUGAL

Apesar da esmagadora vigência do estilo manuelino como ideologia estética, o Renascimento revelou-se, em Portugal, através de gravuras de livros impressos com tarjas decorativas, iluminuras, bronzes, tapeçarias, pinturas e jóias. A arte que refletiu, em primeiro lugar, o novo movimento foi a pintura já que, nos quadros manuelinos, quase sempre as figuras são do gótico - tardio, de origem flamenga, enquanto os espaços em que elas se situam são renascentistas. Na arquitetura, a nova estética italiana constituiu um obstáculo ao mestres - pedreiros habituados aos sistemas construtivos góticos. A escultura compreendeu a renovação formal e criou um novo universo plástico que se reflete na Igreja Matriz de Caminha, cuja capela e o fronteiro portal lateral são obras claramente proto renascentistas. A pintura da Alemanha brilhou no Renascimento.

Arte e o Renascimento.

O Renascimento tem como marca o retorno a Arte Clássica. Influências políticas e sociais, a ideologia do Estado Centralizado, fortalecido, o poder real, do século XV até o XVII, a arte como propaganda. A influência social é múltipla, aliança do rei com a burguesia que o beneficia financeiramente e o nobre protege a burguesia. O nobre mora em castelo ou palácio (Hotel), a mansão é da burguesia, a palavra mansão é inglesa. O rei faz a arte da corte, e a festa e o nobre é pintado em trajes de corte, quando o nobre ia na corte tinha que usar um traje. O que irritava a burguesia era ceder tudo aos nobres porque tem que dar tudo a quem é mais nobre.


Os burgueses não podiam vestir aqueles trajes e só podiam usar preto ou marrom e os nobres usavam dourado, amarelo e outras cores berrantes. A realeza usava vermelho, púrpura ou bordô. O nobre que tivesse parentesco ganhava uma autorização p/ usar outras cores. “Nobresse Obje” São as obrigações da nobreza, como cada um protegia um artista, faz parte, tem que fazer se não renuncia e perde o título. O burguês não tem estas obrigações, por isso podemos observar que aparecem 2 tipos de arte. O burguês gosta de paisagens repousantes porque ele corre muito, tem vida dinâmica e precisa da arte relaxante. Os nobres vivem relaxando e por isso não precisam da arte repousante, gostam de caça e tem palácios floridos, na arte mostra a caça. O burguês não tem jardim e gosta de quadros com flores. A burguesia se torna culta só no século XVIII.


A aristocracia tem influência sobre a arte. A reforma Protestante enfraqueceu a igreja e o Concílio de Trento diz que a igreja tem que patrocinar a arte para recuperar os fiéis. Se torna multi racional, todos podem frequentar, a arte antes era voltada aos brancos e agora aparecem santos negros e índios (São Martin). Antes a igreja era só p/ brancos. Nossa Senhora é a mãe da humanidade, pode aparecer branca, negra, etc ... porque é a mãe dos homens e a igreja tem que mostrar isso aos fiéis. Nossa Senhora Aparecida é representada como negra, de estátua negra, mas ela não era negra. A Acrópole é a arte mais famosa. Na época do Renascimento, não era tão reconhecida e Roma vai ser a capital cristã. Atenas não era penetrável porque o domínio turco não deixava que entrassem na Grécia. A inspiração grega chega através de Roma.

fonte: resumo do Curso de História da Arte. Arquivo pessoal.