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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Chile.


Chile.

A Independência do Chile.
Em 25 de maio de 1810, o mesmo dia em que e instalava em Buenos Aires a Primeira Junta Autônoma, no Chile, iam para a prisão, várias personagens que serão considerados precursores do governo próprio e independente. Em 18 de setembro do mesmo ano mencionado, organizou-se uma Junta de nove membros. A aristocracia chilena estava contra o Brigadeiro Garcia Carrasco, por seu empenho em punir às personagens. A Junta rejeitou a nomeação de dois Capitães Gerais proferida pelo Conselho de Regência instalado na Península, reiterou seu direito de governar e liberalizou notavelmente o comércio exterior. O mais famoso chefe na primeira etapa da independência chilena foi José Miguel Carrera. Seus irmãos: Luis e José, participaram dos acontecimentos do ano 10, enquanto que José Miguel encontrava-se na Espanha. José Miguel Carrera iniciou uma escalada para o alto do poder, começando por desfazer-se de um dos principais líderes civis do movimento que vinha crescendo: Martínez de Rozas. O objetivo foi conseguido, e em 5 de outubro de 1814, entraram triunfantes em Santiago as tropas realistas, comandadas pelo general Osório. Terminava a primeira etapa chamada de Pátria Velha, da luta chilena pela independência. As duas batalhas decisivas foram as de Chacabuco e Maipú, que acabariam definitivamente com o poder realista e a 14 de fevereiro de 1817, os vencedores entravam em Santiago, ao completar um ano da batalha de Chacabuco, o Chile proclama-se independente: 12 de fevereiro de 1818.

imagem fonte: rtundisi.wordpress.com


Batalha de Iquique – Chile X Perú.
O "Huáscar" adentrando o porto de Valparaíso, 1879.

Na Batalha de Iquique, de 21 de maio de 1879, Os navios peruanos Huáscar e Independencia furaram o bloqueio de Iquique, entrando em combate com os barcos Esmeralda e Covadonga, dois dos mais velhos barcos da frota chilena. O Huáscar afundou o Esmeralda, enquanto o Covadonga forçou o Independencia a encalhar na praia de Punta Gruesa (alguns historiadores consideram esta uma batalha a parte).
O capitão Arturo Prat, da corveta Esmeralda, foi elevado a mártir pela marinha chilena. A marinha peruana perdeu um importante encouraçado e viu a reputação do capitão Miguel Grau crescer entre amigos e mesmo inimigos: ele resgatou os sobreviventes da Esmeralda e escreveu condolências à viúva do capitão Prat. Agora só restava ao Peru o Huáscar para conter a invasão chilena.
Por seis meses, o Huáscar vagou pelos mares atrapalhando os planos chilenos, no que hoje é conhecido como "Correrías del Huáscar". Numa demonstração impressionante de maestria no comando do navio, o capitão Grau conseguiu conter toda a frota chilena, recuperar alguns barcos peruanos e causar estragos a diversos portos usados pela marinha chilena, sendo elevado ao posto de contra-almirante. Alguns de seus feitos foram:
Afundou 16 barcos chilenos
Capturou os barcos Emilia, Adelaida Rojas, E. Saucy Jack, Adriana Lucía, Rimac, e Coquimbo
Causou danos aos portos de Cobija, Tocopilla, Platillos and Mejillones, Huanillos, Punta de Lobo, Chanaral, Huasco, Caldera, Coquimbo & Tatal
Injuriou os barcos chilenos Blanco Encalada, Abtao, Magallanes, e Matías Cousiño
Recuperou os barcos peruanos Clorinda e Caquetá
Destruiu baterias de artilharia em Antofagasta
Destruiu cabos de comunicação entre Antofagasta e Valparaiso
A marinha chilena levou um dia todo navegando com seis navios para conseguir encurralar o Huáscar, e depois, duas horas de combate sangrento para captura-lo, com seus barcos Blaco Encalada, Covadonga e Cochrane, na Batalha de Angamos, em 8 de outubro de 1879. Junto com o navio, morreu o almirante Grau. Com a ruína do Huáscar, a campanha naval terminava, com o Chile controlando os mares dali em diante.

imagem: www.bepeli.com.br


Gravuras que Orientavam as Caravanas no Chile.
Pronta para o embarque os fardos eram amarrados ao dorso dos animais por faixas de tecido. Frágeis, as lhamas nunca carregavam mais de 25 quilos não podiam, portanto, ser montadas. Um sino de madeira ia no pescoço da lhama - guia, que conduzia a caravana. A rainha do deserto, considerada, foi domesticada por volta de 1000 a.C., a lhama (Lama glama), possibilitou a rede de trocas nos Andes, entre o deserto e a costa. Essa parenta americana do camelo fornecia lã, carne e insubstituíveis serviços como animal de carga. Para elas, só havia uma caravana.
O esforço era tão grande que nunca mais viajavam de novo. Apesar de dóceis, os animais tinham lá seus caprichos e não andavam mais do que 30 quilômetros sem impor uma parada para descanso. E, mesmo que a cota fosse cumprida, se recusavam terminantemente a caminhar à noite. Havia viagens de todos os tamanhos. As que faziam transporte de uma aldeia a outra duravam apenas alguns dias. As que precisavam atravessar o deserto até o litoral podiam levar meses. 0 traje dos caravaneiros incluía poncho de lã ou de algodão pois a temperatura variava de 45 graus Celsius no verão a 10 graus negativos no inverno. 0 gorro de quatro pontas, multicolorido, fazia parte da indumentária tiwanaku - o povo indígena da etnia aimará que dominou o deserto entre os anos 500 e 1000. Nos pés, sandálias de couro de lhama. Sempre que as lhamas empacavam, o que costumava acontecer a cada fim de tarde, o grupo parava numa paskana, refúgio onde havia água.
FONTE: REVISTA SUPER INTERESSANTE, págs. 30, 31, 32, 33, 34 e 35. JANEIRO DE 1999.


Gravuras que Orientavam as Caravanas no Chile.
Os viajantes acendiam fogueiras e refeições a base de charque, chuño (batata seca) e o peixe salgado. Dormiam, assim, como os animais, em covas rasas que protegiam do vento. Só com a dominação inca, por volta de 1450, séculos depois de extinto o império tiwanaku, as mulheres começam a ser presença obrigatória nas caravanas. Preocupados com a solidão dos homens nas longas viagens, os reis peruanos decidiram que as famílias teriam de acompanhá-los. Do altiplano andino para os vales e para a costa iam couro, charque, chuno (batata seca), quinoa (um cereal), lã, roupas e cerâmica produzidos nas montanhas. Durante o império tiwanaku, a rota incluía o transporte de alucinógenos das selvas tropicais e objetos de culto feitos nos Andes. 0 sal era levado do Salar de Uyuni, na Bolívia. Milho, frutas e ají (um tipo de pimenta) eram levados dos vales férteis do norte para os Andes e para a costa; peixe seco e mariscos partiam do litoral para os vales e para o altiplano. Minérios como o cobre e a turquesa também saíam da costa para as terras altas.

Com 4 quilômetros de extensão e 420 desenhos, a cadeia de morros conhecida como Cerros Pintados é o mais importante sítio arqueológico do país. Aparentemente, foi um dos principais pontos de parada dos viajantes que atravessavam o deserto. Os arqueólogos começam a decifrar o que suas gravuras indicavam. O desenho que é uma seta apontando para baixo e tem 12 metros de comprimento. Provavelmente sinalizava água. Em outro desenho as seis figuras alinhadas podem ser soldados simbolizando conflitos pelo controle da rota. Em outro desenho mostra o tubarão no meio do deserto avisa que o litoral está a apenas dois dias de caminhada. O quarto desenho é um círculo á direita diz que andando reto, a partir dele, chega-se a um poço. A Quinta figura é de mais de 30 metros é um lagarto estilizado e na tradição andina, a animal atrai chuva. A posição em que se encontram os desenhos dão a impressão de um caminho marcado.
Penas de pássaros tropicais encontradas em múmias de 6000 anos na costa do Chile revelam que o hábito de atravessar o deserto é antigo. Mas os geogfifos só começaram a ser pintados por volta do quinto século da nossa era, quando Tiwanaku começou a expandir seus domínios para além das margens do Lago Titicaca, na Bolívia. Esse povo percebeu a enorme utilidade das caravanas e criou, entre os anos 500 e 1000, a vasta malha rodoviária ou melhor "lhamaviária" do Atacama. O controle da distribuição de produtos era centrado na capital do império, hoje em ruínas, chamada Tiwanaku, que fica nas montanhas bolivianas. Era uma metrópole rica, principalmente em cultura. Seus templos, feitos com pedras entalhadas, estão entre os mais importantes patrimônios arqueológicos das Américas. Ali, o poder principal era o religioso.

Em segundo lugar vinham os criadores de lhamas. "Os mais ricos tinham rebanhos de até 50.000 animais", afirma o antropólogo Alan Kolata, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. O que movia os caravaneiros, além do desejo de consumir produtos de outras regiões, era a possibilidade de espalhar seu credo. Por isso, algumas expedições incluíam sacerdotes. "Foi uma expansão mais religiosa do que política", conta Luis Briones. Aproveitando características comuns entre a sua mitologia e as dos povos do deserto, que em sua maioria também eram aimarás, os tiwanakotas exportaram a própria cultura pacificamente. Após 500 anos de tranqüilidade, o império começou a perder força, aparentemente em conseqüência de uma seca prolongada, que arrasou a agricultura. Então, várias culturas de grupos menores floresceram no deserto. E acabaram com o sossego. Algum geogliifos chegaram a retratar disputas pelo controle das rotas. Depois de encontrar escudos de couro com o formato de um retângulo acinturado em Chiu - Chiu, perto da cidade de Calama, os arqueólogos concluíram que certos desenhos podiam representar tropas de soldados.

Quando os incas chegaram à região, vindos do Peru, por volta de 1450, adotaram uma única estrada, que atravessava o deserto de norte a sul, e abandonaram, aos poucos, as trilhas caravaneiras. O golpe final no antigo costume veio com a conquista espanhola, em 1537: as lhamas foram trocadas por mulas, que viajavam mais rápido e carregavam mais peso. Os imponentes e enigmáticos geoglifos do deserto são os vestígios mais importantes que restam dos povos e das religiões que vingaram por ali. Ao tentar decifrá-los, os arqueólogos levam a América de encontro ao seu pouco conhecido passado.

Depois de duas semanas cozinhando a quase 40 graus no deserto, o chileno Luis Briones e a canadense Persis Clarkson fizeram, há um ano, a maior descoberta arqueológica da década na região do Atacama. Acharam 200 geoglifos até então desconhecidos. Não foi fácil. " Acampávamos em lugares onde não há uma gota d'água e passávamos horas caminhando pelas antigas trilhas, sob o sol", conta Briones. Mas a dupla de arqueólogos está mais do que habituada aos rigores do Atacama.

Briones, de 59 anos, nasceu no deserto, numa mina de salitre perto de iquique, a principal cidade do norte chileno. Adolescente, já acompanhava escavações arqueológicas, com um primo mais velho - Lautaro Nuñez, um dos mais importantes pesquisadores da área no pais. Persis vem de outro mundo. Nasceu no Canadá e parece um alien na paisagem árida. Loura, bem-humorada, 44 anos, adora o deserto. Ex-estudante de Geologia, virou arqueóloga " para fugir das aulas de química inorgânica " e, desde o ano passado, coordena com Briones o trabalho de contextualização dos geoglifos chilenos. Para achar novos desenhos, eles contam com uma aliada poderosa a cobertura de pedras da região, que impede que as figuras sejam tragadas pela areia. Uma vez localizadas, as obras recebem uma faxina. Com pincéis, os pesquisadores retiramo p6 que atrapalha sua visualização e recolhem amostras para datação.


As próprias caravanas foram gravadas em alguns morros. Há 5.000 geoglifos conhecidos, mas ninguém tem idéia de quantos já foram destruídos. Por terremotos – comuns na região, pela exploração de minérios no deserto ou simplesmente pelo soterramento. No caso das figuras que estão à beira da estrada, somam-se outros inimigos incontroláveis: os turistas.

FONTE: REVISTA SUPER INTERESSANTE, págs. 30, 31, 32, 33, 34 e 35. JANEIRO DE 1999.


Arqueologia no Chile.

Figuras gigantes, gravadas há 1000 anos no meio do nada, desafiam os arqueólogos do Chile. O Gigante do Atacama, um desenho com mais de 100 metros de comprimento, esta imagem representa Wiracocha, divindade que passou dos Tiwanakotas para os Incas, dois impérios que controlaram o deserto antes dos europeus chegarem. Os sinais de trânsito milenares e as mensagens das pedras.

As linhas na encosta se organizam e uma imagem de 115 metros de comprimento aparece com nitidez. O gigante ao longe carrega uns discos em volta da cintura e das pemas. De sua cabeça saem doze raios. Os braços estão dobrados para cima, como quem abençoa o viajante (e não há dúvida de que o viajante, naquele lugar inóspito, precisa de bênção). Antes mesmo que o olhar consiga percorrer por inteiro a figura colossal, surgem as perguntas: quem a terá desenhado ali, no meio do nada? Para quê?

Enigmáticos desenhos como esse, espalhados pelo Deserto do Atacama, norte do Chile, desafiam os arqueólogos há décadas. Alguns são enormes - chegam a ter mais de 200 metros de comprimento -, mostrando arranjos geométricos, animais da região, seres humanos e outros, não tão humanos, que sugerem estranhas divindades. Já houve quem atribuísse gravuras ainda maiores, encontradas no Peru, à influência de ETS. Para Luis Briones Morales, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Tarapacá, no Chile, um dos maiores especialistas do assunto, a explicação, no entanto, é mais terrena. O totem de raios na cabeça teria sido gravado naquele local para sinalizar aos que andavam por lá 1000 anos atrás que o lar estava próximo. É só uma hipótese, mas o professor Briones fala dela com entusiasmo.

De fato, a ideia de que os geoglifos (escrituras na terra, em grego) tenham sido monumentais placas de trânsito é tão ou mais fascinante que a possibilidade de que eles sejam obras de extraterrestres. É que, se Briones estiver certo, eles iluminam um pedaço quase desconhecido da pré-história americana : os 500 anos durante os quais a civilização Tiwanaku controlou uma região que englobava o oeste da Bolívia - onde ficava a sua capital -, o norte do Chile e o noroeste da Argentina. Depois de construir complexos sistemas de irrigação e instituir uma vasta rede de intercâmbio através do deserto com os povos da costa, o império Tiwanaku, considerado pacifico e de grande religiosidade, desapareceu, misteriosamente, perto do ano 1000 d.C. Mais tarde, os incas, que, vindos do Peru, dominaram a mesma área, adoraram os deuses tiwanakotas, tal como, na Antiguidade, os romanos incorporaram as divindades gregas. 'A cultura que fez os desenhos não existe mais. Por isso, talvez nunca consigamos traduzi-los", disse Briones. Mas o esforço vale a pena. Ao decifrar os geoglifos deixados ao longo das trilhas, os cientistas ajudam a recuperar a grandeza da civilização que encheu os vales e montanhas do Atacama de estradas e de símbolos.

Os estudos de Briones e outros colegas, como a antropóloga Persis Clarkson, da Universidade de Winnipeg, no Canadá, levam a crer que os geoglifos demarcam urna rede de estradas, usadas por homens e lhama, que cortou o deserto entre os anos 500 e 1500 da nossa era. Participar de urna das caravanas que andavam por ali descendo da Bolívia pela Cordilheira do Andes e algumas vezes cruzando o Chile até chegar ao litoral, era uma aventura perigosa. Imagine as conseqüências de um desvio de rota num lugar onde a água é artigo de luxo. "Saber a localização das fontes era fundamental", diz Briones. "E o cálculo das possibilidades de chegar a elas tinha de ser preciso." Acredita-se que muitos murais podem ter sido feitos para ajudar nessa orientação. Como os desenhos de sapos ou lagartos, animais sagrados associados à água, que foram encontrados em lugares onde havia chance de achá-la.

Figuras rituais, aliás, aparecem bastante entre os geoglifos, embora praticamente a metade seja constituída por formas geométricas. "os Tiwanakotas eram muito religiosos e não separavam a vida espiritual da terrena", diz Luis Briones. Mas nem sempre a associação entre as duas jurisdições é tão fácil de detectar. Os arqueólogos ainda deverão apanhar muito até descobrir o real signflicado da maioria das imagens e entender por que cada urna está no lugar em que está. "Se alguém desenterrar uma placa de trânsito das nossas daqui a 1000 anos, é possível que jamais descubra a sua função", compara Briones, ao volante de um velho jipe na Rodovia Panamericana, que corta o Atacama. Fora complicar mais as coisas, o império Tiwanaku quase não foi estudado. O pouco que se conhece dos geoglifos chilenos se deve ao trabalho quase solitário de Briones, que ganhou no ano passado o auxilio de Persis Clarkson. Relacionando as gravuras do Atacama com a decoração de cerâmicas e estampas de tecidos achados na região, eles estão começando a fazer um "quem é quem" dessa galeria de arte ao ar livre.

O grandalhão que aparece na abertura desta reportagem era Wiracocha, deus do sol e criador do mundo. Diz a lenda que Wiracocha teria emergido das águas do Lago Titicaca, a 3.800 metros de altitude, na Bolívia, para criar o primeiro casal humano. Ali nasceria Tiwanaku, a cidade que se tornaria a sede do império, considerada o centro do mundo. Wiracocha era o símbolo principal do povo do altiplano e a sua representação em lugares estratégicos de algumas trilhas poderia indicar que o caravaneiro estava no caminho certo para Tiwanaku. Ou outra coisa, como um bom lugar para descanso. É como se, numa estrada brasileira, para avisar que faltam poucos quilômetros para se chegar a Brasília, aparecesse na estrada urna efígie gigante de Juscelino Kubitschek, o fundador da cidade. Pode soar estranho, mas, se você considerar que se tratava de um povo sem escrita, comunicar-se por meio de imagens parece uma saída natural.

Em 1968, um conjunto de geoglifos do deserto peruano, perto da cidade
de Nazca - alguns com centenas de metros de extensão -, deixou de ser sitio arqueológico para virar centro de peregrinação de esotéricos. Naquele ano, o suíço Erich von Däniken, então gerente de um hotel nos Alpes, lançou o livro Eram os Deuses Astronautas?, onde relacionava uma série de mistérios do passado á presença de extraterrestres entre as civilizações antigas. Em uma página e meia dedicada a Nazca, Däniken, que não tinha nenhuma formação científica, fez um enorme estrago. Disse que os desenhos eram um campo de aterrissagem para naves alienígenas e que haviam sido feitos a mando de "deuses" ETS. Como os arqueólogos tinham pouco a dizer sobre aqueles geoglifos, a tese pegou.

Em setembro de 1998, Däniken recusou-se a dar entrevista - voltou ao assunto no livro Arrival of the Gods (a chegada dos deuses). A nova obra apenas reafirma a tese anterior. Não leva em conta as novas pistas levantadas pelos cientistas. Estes acreditam que, como no Chile, as linhas geométricas peruanas sinalizavam a água, vital para os agricultores nazca, que moravam à beira do deserto. E a arqueóloga canadense Persis Clarkson, que trabalha no local desde os anos 80, não descarta a possibilidade de que lá também houvesse caravanas.

Entre os desenhos chilenos, os que mais se assemelham aos de Nazca são os da região de Ariquilda, que só podem ser vistos com perfeição do alto. Mas Ariquilda é uma exceção ali. De maneira geral, os geoglifos do Atacama estão em morros, visíveis do chão mesmo. " Não há necessidade de evocar aliens para explica-los", ironiza Clarkson. Sobre Nazca ela ainda não pode dizer o mesmo. Mas não desistiu de buscar uma solução para o quebra-cabeça com os pés bem fincados no chão.

FONTE: Por Cláudio Ângelo, de Arica, Chile. REVISTA SUPER INTERESSANTE, págs. 26, 27, 28 e 29. JANEIRO DE 1999.




Moedas usadas no Chile atualmente.

Boa pesquisa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Estudo revela como a ditadura Pinochet torturava e estuprava mulheres.

ESTUDO REVELA COMO A DITADURA PINOCHET TORTURAVA E ESTUPRAVA MULHERES

"Obrigaram-me a tomar drogas, sofri estupro e assédio sexual com cães, a introdução de ratos vivos pela vagina e todo o corpo. Obrigaram-me a ter relações sexuais com meu pai e irmão que estavam detidos", afirmou uma das vítimas
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 13/09/2019.
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- Reprodução
O regime ditatorial chileno foi um dos mais sangrentos da América. Segundo a Comissão Nacional sobre a Prisão Política e Tortura do país, quase todas as mulheres, independentemente de idade – sofreram violência sexual na tortura: pelo menos 316 foram estupradas, 11 saíram grávidas da delegacia.
Entre as 3.399 mulheres que depuseram na Comissão, 229 esperavam filhos, muitas delas dando à luz a crianças dos torturadores, originados em estupros e humilhações.
O que se relata disso tudo é que a ditadura de Pinochet tinha como alvo a mulher, que eram tratadas como troféus de guerra. É o que defende a nova obra Así se Torturó en Chile (1973-1990), de Daniel Hopenhayn, que explana as torturas no Chile a partir da documentação.
“De acordo com os depoimentos, as violações hétero e homossexuais foram cometidas de maneira individual ou coletiva. Em alguns casos foi denunciado, além disso, que esse estupro ocorreu diante de familiares, como um recurso para obrigá-los a falar”, declara o Relatório Valech, usado por Hopenhayn.
“A violência sexual contra as mulheres foi furiosa, desequilibrada. Há cenas simplesmente inexplicáveis, que transbordam nossa imaginação sobre a condição humana”, completa o autor.
A ditadura de Pinochet foi extremamente violenta / Crédito: Reprodução
Um dos relatos presentes no livro é, no mínimo, assustador: “Sofri choques elétricos, fui pendurada, posta no pau de arara, sofri simulação de fuzilamento, queimaduras com charutos. Obrigaram-me a tomar drogas, sofri estupro e assédio sexual com cães, a introdução de ratos vivos pela vagina e todo o corpo. Obrigaram-me a ter relações sexuais com meu pai e irmão que estavam detidos. Também a ver e escutar as torturas de meu irmão e pai. Puseram-me na churrasqueira, fizeram cortes com facão na minha barriga. Eu tinha 25 anos”.
O relatório da Comissão reúne depoimentos de 20 mulheres que sofreram abortos após as sessões de tortura, relatos de crianças afetadas por estarem no ventre das mulheres torturadas, 15 presas que tiveram os filhos na prisão e diversas mulheres que sofreram abortos espontâneos e forçados, dos fetos que se desenvolveram após os estupros policiais, além de diversos relatos de estupros forçados com cachorros e outros homens detidos, usados como ferramentas pelos torturadores.
“Eu represento a prova explícita, represento a dor mais forte que minha mamãe viveu em sua vida […] Depois que me contaram, comecei a beber, bebia todo o fim de semana, escondida. Por isso sinto que tenho muitas lacunas na minha adolescência”, disse uma moça de 29 anos, filha de uma menina de 15 anos estuprada em tortura. “Sinto que nós, crianças nascidas como eu, fomos tão prisioneiras e torturadas como as que estiveram presas.”
Venda Sexy, centro da DINA / Crédito: Reprodução
O livro também expõe lugares do Chile que se especializaram na tortura sexual, como o Venda Sexy e La Discotéque, um centro da DINA em Santiago. O trabalho de Hopenhayn comprova que os abusos sexuais dos torturadores chilenos eram sistemáticos e permitidos pela estrutura repressiva, e não apenas um desvio.

Você pode saber mais detalhes sobre o triste episódio no Así se Torturó en Chile (1973-1990), do jornalista Daniel Hopenhayn, 2019.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Pegada humana mais antiga das Américas é descoberta e muda o que se acreditava sobre a migração humana.


PRÉ-HISTÓRIA
Pesquisadores da Universidade Austral do Chile (UACh) encontraram uma pegada humana datada de 15.600 anos de idade em uma localidade a cerca de 820 quilômetros de Santiago. Essa é a impressão de pé mais antiga já descoberta no continente americano (e uma das evidências mais remotas da presença de humanos na região). O fato muda o que se acreditava sobre a migração da nossa espécie para as Américas.
Segundo os estudos preliminares, a pegada, encontrada no sítio arqueológico de Pilauco, na cidade de Osorno, foi deixada por um adulto que andava descalço. Ela mede 26 centímetros de comprimento, o que corresponderia ao tamanho de sapato 40. De acordo com o geólogo Mario Pino, coautor da pesquisa, a marca foi produzida por um homem de cerca de 70 quilos. Os pesquisadores estipularam a idade da pegada por meio de testes com radiocarbono em resíduos orgânicos encontrados nas camadas de solo onde a impressão do pé estava gravada.
A nova descoberta indica que a presença da nossa espécie na América do Sul é anterior ao que se acreditava anteriormente. Karen Moreno, diretora do mestrado em Paleontologia da UACh, disse à CNN que a maioria das evidências apontava que os humanos chegaram na região da Patagônia, no extremo sul do continente, a cerca de 12 mil anos. A cientista é uma das autoras da pesquisa.
Os especialistas afirmaram que a pegada foi impressa sobre um substrato macio, similar ao barro ou gramado, saturado de água. Também foram encontrados diversos artefatos de pedra na mesma camada subterrânea, o que traz novas evidências sobre o início da colonização da América do Sul. O trabalho foi publicado pela revista científica PLOS ONE.
[VÍDEO RELACIONADO: Grande descoberta sobre os princípios da humanidade]

Fontes: CNN, Live Science e Phys.org
Imagem: Karen Moreno, Juan Enrique Bostelmann, Cintia Macías, Ximena Navarro-Harris, Ricardo De Pol-Holz, Mario Pino/PLOS ONE/Divulgação

segunda-feira, 26 de março de 2018

Cientistas desvendam mistério por trás da múmia do Atacama, ou múmia alien do Chile.

MÚMIA

Cientistas das universidades de Stanford e San Francisco, nos Estados Unidos, resolveram o mistério em torno da denominada múmia "alienígena" do Atacama, restos mumificados de uma estranha criatura de somente 15 centímetros de altura e fisionomia humanoide.  Ela foi encontrada em 2003 no deserto do Atacama, no Chile. 
Segundo os resultados publicados na revista científica Genome Research, o estudo do DNA da múmia revelou que se trata do corpo de uma menina, mais precisamente de um bebê, que pode ter nascido morta ou ter morrido pouco tempo depois de nascer.
A estranha fisionomia de seu corpo, que tem uma cabeça em forma de cone e somente 10 pares de costelas, seria o resultado de uma série de graves mutações genéticas. É uma conclusão científica que desbanca as teorias que asseguravam que Ata, nome dado à múmia, era um extraterrestre. 
“O genoma de Ata a identificou como sul-americana, com variações genéticas da região andina, habitada pelos índios chilotes”, explicou Garry Nolan, autor do estudo e professor de microbiologia da Universidade de Stanford. A menina sofria de nanismo e sérios transtornos de crescimento. 
Fonte: ABC 
 Imagem: Emery Smith/Staford University

nossa fonte: https://seuhistory.com/noticias

Abaixo notícia referente ao mesmo assunto mas com fonte e data diferente.

A TRISTE HISTÓRIA POR TRÁS DA MÚMIA ALIEN DO CHILE

Foram necessários 15 anos para descobrir a cruel verdade por trás do minúsculo e distorcido cadáver achado no Atacama
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 25/02/2020
O estranho esqueleto foi apelidado de 'Ata'
O estranho esqueleto foi apelidado de 'Ata' - Divulgação / Dr Emery Smith
Em 2003, numa aldeia abandonada no Deserto do Atacama, Chile, pesquisadores encontraram um pequeno e esqueleto que levantou debates e alvoroçou os que acreditam que, sim, eles estão entre nós. O tamanho dos ossos e principalmente do crânio fez com que chegasse a aparecer num documentário sobre alienígenas. A realidade, porém, é bem mais próxima ao solo terrestre. E é triste. 
O esqueleto foi apelidado de Ata. Ele tem 15 centímetros de comprimento, 10 pares de costelas (ao invés dos 12 normais), e um crânio alongado e deformado. Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que ele tinha entre 6 e 8 anos de idade quando morreu — sua vida, dadas suas deformidades, medicamente inconcebível. 
O esqueleto alien / Crédito: Divulgação/Emery Smith

Em 2013, um estudo realizado por Garry Nolan, da Universidade de Stanford, Califórnia, e outros pesquisadores da Universidade da Califórnia, concluiu que Ata era humano. Ainda assim, os pesquisadores não responderam que tipo de mutação causaria um de nós ser tão deformado. 
Já em 2018, outro estudo coordenado por Nolan enterrou os sonhos dos caçadores de alienígenas. As análises afirmaram que Ata é na verdade um feto humano de uma garota descendente de chilenos que foi abortada ou morreu logo após o parto.
O tamanho do corpo foi explicado por diversas mutações genéticas que resultaram em malformações e aceleraram o desenvolvimento dos ossos enquanto ainda era um feto.
O crânio alongado de Ata / Crédito: Divulgação/Emery Smith

Além disso, Nolan também explicou que Ata pode ter sofrido de hérnia diafragmática congênita, um defeito congênito que impede o desenvolvimento do diafragma e leva ao óbito. “Ela estava tão mal formada que não conseguiria se alimentar", disse Nolan em entrevista ao Guardian. "Em sua condição, ela teria acabado em uma UTI neonatal, mas, dado onde foi encontrada, isso não estava disponível."
Outro detalhe que torna a história bem menos misteriosa: ela não data dos tempos dos incas, e tem no máximo 40 anos. Os cientistas acreditam que no futuro, seu trabalho possa ajudar pacientes com malformações nos ossos.

terça-feira, 21 de dezembro de 1993

Selo do Chile.


Chile - Correo aereo - $20 - La Araucana.
Antartica Chilena - decreto nº 1747 de 6-XI-1940.
Canto 1º Chile fértil província y señalada.
En la región Antártica famosa - 1533-1594.
Afonso de Ercilary Zúñiga.
Casa de Moneda de Chile - R$ 15,00.


Boa pesquisa.

 

quarta-feira, 16 de dezembro de 1992

Repúblicas Andinas: Povos e Países 21.





Fonte: Repúblicas Andinas. Coleção: Povos e Países 21, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1973.

Repúblicas Andinas ou América Andina, são um conjunto de países que são cortados pela Cordilheira dos Andes. São eles: A Bolívia, o Chile, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Venezuela.

 


 

terça-feira, 15 de dezembro de 1992

Repúblicas Andinas: Povos e Países 22.





Fonte: Repúblicas Andinas. Coleção: Povos e Países 21, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1973.

Repúblicas Andinas ou América Andina, são um conjunto de países que são cortados pela Cordilheira dos Andes. São eles: A Bolívia, o Chile, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Venezuela.


 

quarta-feira, 30 de outubro de 1991

Santiago, no Chile.


Praça das Armas.


Cerro San Cristóban.


Calçadão no centro.


Cerro Santa Lúcia.


Avenida Hoggins.


Palácio La Moneda.


Praça das Armas.


Subida do Cerro San Cristóban.


Museu Bellas Artes.


Cerro Sán Cristóban.

Boa pesquisa.

 

terça-feira, 16 de janeiro de 1990

A Batalha de Iquique no Chile.



Na Batalha de Iquique, de 21 de maio de 1879, Os navios peruanos Huáscar e Independencia furaram o bloqueio de Iquique, entrando em combate com os barcos Esmeralda e Covadonga, dois dos mais velhos barcos da frota chilena. O Huáscar afundou o Esmeralda, enquanto o Covadonga forçou o Independência a encalhar na praia de Punta Gruesa (alguns historiadores consideram esta uma batalha a parte).

O capitão Arturo Prat, da corveta Esmeralda, foi elevado a mártir pela marinha chilena. A marinha peruana perdeu um importante encouraçado e viu a reputação do capitão Miguel Grau crescer entre amigos e mesmo inimigos: ele resgatou os sobreviventes da Esmeralda e escreveu condolências à viúva do capitão Prat. Agora só restava ao Peru o Huáscar para conter a invasão chilena.


O "Huáscar" adentrando o porto de Valparaíso, 1879.

Por seis meses, o Huáscar vagou pelos mares atrapalhando os planos chilenos, no que hoje é conhecido como "Correrías del Huáscar". Numa demonstração impressionante de maestria no comando do navio, o capitão Grau conseguiu conter toda a frota chilena, recuperar alguns barcos peruanos e causar estragos a diversos portos usados pela marinha chilena, sendo elevado ao posto de contra-almirante. Alguns de seus feitos foram:
  • Afundou 16 barcos chilenos
  • Capturou os barcos Emilia, Adelaida Rojas, E. Saucy Jack, Adriana Lucía, Rimac, e Coquimbo
  • Causou danos aos portos de Cobija, Tocopilla, Platillos and Mejillones, Huanillos, Punta de Lobo, Chanaral, Huasco, Caldera, Coquimbo & Tatal
  • Injuriou os barcos chilenos Blanco Encalada, Abtao, Magallanes, e Matías Cousiño
  • Recuperou os barcos peruanos Clorinda e Caquetá
  • Destruiu baterias de artilharia em Antofagasta
  • Destruiu cabos de comunicação entre Antofagasta e Valparaiso
A marinha chilena levou um dia todo navegando com seis navios para conseguir encurralar o Huáscar, e depois, duas horas de combate sangrento para captura-lo, com seus barcos Blaco Encalada, Covadonga e Cochrane, na Batalha de Angamos, em 8 de outubro de 1879. Junto com o navio, morreu o almirante Grau.

Com a ruína do Huáscar, a campanha naval terminava, com o Chile controlando os mares dali em diante.

Nossa fonte: wikipedia,