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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: Os Grandes Enigmas de Nossa História. Golpe de 35, Os Muckers, Balaiada e O Contestado.



 A obra "Os Grandes Enigmas de Nossa História" (especificamente o volume que reúne o Golpe de 35, Os Muckers, Balaiada e O Contestado) faz parte de uma coleção histórica coordenada por Nilson Lage e publicada pela editora Otto Pierre na década de 1980.

O livro adota uma abordagem que mistura o rigor da pesquisa histórica com uma narrativa voltada para o grande público, focando em episódios de conflito social e político que marcaram o Brasil.
Resumo dos Temas Abordados
Cada capítulo explora as tensões e os "enigmas" (visões contraditórias ou pouco divulgadas) de revoltas brasileiras:
  • O Golpe de 35 (Intentona Comunista): Analisa o levante político-militar de 1935 liderado pela ANL (Aliança Nacional Libertadora) contra o governo de Getúlio Vargas. O texto costuma focar nas falhas de articulação e na subsequente repressão que serviu de pretexto para o Estado Novo.
  • Os Muckers (1873-1874): Relata o violento conflito religioso e social ocorrido na colônia alemã de Sapiranga (RS). A obra explora o papel de Jacobina Maurer como líder messiânica e como a comunidade foi dizimada por tropas oficiais após ser estigmatizada como fanática.
  • Balaiada (1838-1841): Examina a revolta popular no Maranhão, movida pela extrema pobreza e abusos de poder local. O livro destaca a participação de artesãos (balaios), vaqueiros e negros escravizados (liderados por Cosme Bento).
  • O Contestado (1912-1916): Aborda a guerra na região de fronteira entre Paraná e Santa Catarina. O foco é a resistência de camponeses expulsos de suas terras para a construção de uma ferrovia, sob a liderança messiânica de monges como José Maria.
Análise Crítica
  • Narrativa: O livro evita o tom puramente acadêmico, preferindo um estilo que prende a atenção ao destacar as figuras humanas e os dramas sociais por trás dos fatos.
  • Historiografia: Reflete o pensamento histórico do início dos anos 80, buscando dar voz a movimentos populares que, durante muito tempo, foram tratados apenas como "baderna" ou "banditismo" nos livros didáticos tradicionais.
  • Edição: Como é uma obra de 1981/1982, é mais facilmente encontrada em Sebos

sábado, 3 de novembro de 1990

Messianismo e movimentos messiânicos.

Messianismo.

Messianismo é a crença na vinda ou no retorno de uma pessoa dotada de poderes especiais que trará paz e a prosperidade na Terra, inaugurando uma nova era.
Está presente desde a Antiguidade em diversas religiões, inclusive politeístas. Encontramos referências ao Messianismo entre os caldeus e os persas.
Dentre as religiões monoteístas, os judeus, nos escritos do profeta Isaías, lemos referências à figura de um enviado especial, ungido por Deus.
O Messianismo, porém, não é exclusivo das religiões. Muitas lendas apontam para um redentor puramente humano, ainda que tenha características especiais, cuja missão é restaurar o mundo.

Messianismo Judaico.

O Messianismo judaico consiste na crença que um Messias virá libertar os judeus e os reconduzirá à Terra Prometida. O fato dos judeus terem um enorme histórico de perseguição cristalizou a fé num futuro Salvador.

Messianismo Cristão.

Herdeiros das tradições judaicas, os cristãos identificam na pessoa de Jesus, o seu Messias. Agora, seus seguidores esperam pela segunda vinda de Jesus.
A partir da obra de Santo Agostinho, “Cidade de Deus”, escrita em 410, o Messianismo, na Igreja Católica, ganhou interpretações místicas. Ao invés da redenção acontecer na cidade terrena, a prosperidade completa só ocorrerá na Cidade Celeste, no Paraíso.

Messianismo na História.

Entretanto há mitos fundacionais que remetem à figura de um ser especial para explicar a origem de um determinado povo ou nação.
Um exemplo disso seria a lenda do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda, de origem britânica. Somente Artur, ignorando que era um príncipe, conseguiu mover a espada Excalibur da pedra que a prendia e assim foi reconhecido e proclamado rei dos bretões. Igualmente, apenas o novo rei escolhido será capaz de retirar Excalibur do lago e inaugurar outro reino de riqueza e paz.

Messianismo Português: Sebastianismo

Em Portugal, o Messianismo se manifesta na figura do rei Dom Sebastião (1554-1578).
Desaparecido precocemente na Batalha de Alcácer-Quibir (1578), no Marrocos, o corpo do monarca nunca foi encontrado. Desta maneira, o mito de que o rei Dom Sebastião voltaria e restauraria o Império Português permaneceu no imaginário coletivo e chegou ao Brasil.

Messianismo no Brasil.

No Brasil tivemos vários movimentos com características messiânicas.

Segundo Reinado: Revolta dos Muckers

O primeiro deles foi a Revolta dos Muckersem 1874, no Rio Grande do Sul. Nesta ocasião, um grupo de colonos alemães reconheceu Jacobina Mentz Maurer como Jesus Cristo.
Assim, passaram a viver como ela e o marido ordenavam: sem beber e sem utilizar dinheiro para trocas comerciais. Esta seita acabou por dividir a comunidade alemã e só terminou com um banho de sangue promovido pelas tropas estaduais.

Primeira República: Canudos e Contestado

Após a Proclamação da República aconteceram dois movimentos messiânicos que são considerados os maiores do Brasil: Canudos e Contestado. Ambos são semelhantes, tanto pelo número de seguidores quanto pela resposta violenta do governo ao tratar da questão.
Decepcionados com a proclamação da República, camponeses de várias partes do Brasil, se juntam a líderes carismáticos que prometem melhores condições de vida à população.
Em Canudos-BA, um grupo de trabalhadores rurais se agrupa em torno a Antônio Conselheiro. Constroem um grande povoado onde vivem à margem da lei e começam a incomodar os coronéis locais. O grupo é dissolvido após intensas batalhas contra as tropas republicanas.
Canudos Antonio Conselheiro
Charge retratando Antônio Conselheiro rejeitando a República. Revista Ilustrada, 1896.
Por outro lado, a Guerra do Contestado aconteceu nos limites entre os estados do Paraná e Santa Catarina, de 1912-1916.
O governo brasileiro entregou uma grande quantidade de terras para companhias madeireiras estrangeiras. Isso ameaçava os camponeses que passaram a contestar esta decisão ora junto aos governos estaduais, ora ao governo federal.
Reunidos em torno do "monge" José Maria de Santo Agostinho que declarou uma "guerra santa" às tropas federais, os revoltosos resistiram por quatro anos. Apesar de José Maria morrer lutando, seus seguidores ainda continuaram o conflito liderados por Maria Rosa que chegou a comandar 6000 homens em batalha.
Por: Juliana Bezerra nossa fonte: https://www.todamateria.com.br/messianismo/

terça-feira, 31 de julho de 1990

Guerra do Contestado.


Guerra do Contestado.



Não temos a fonte porque recebemos numa época em que não havia muita preocupação com as fontes e sim nos conteúdos.

quinta-feira, 26 de abril de 1990

A Guerra do Contestado – 1912-1916.



A Guerra do Contestado – 1912-1916.

Foi um conflito armado que ocorreu na região sul do Brasil, entre 1912 e 1916. Participaram 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares do governo federal e estadual. O nome Contestado é porque ocorreu uma disputa de território entre o Paraná e Santa Catarina. Uma das causas foi a estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul que estava sendo construída por uma empresa norte americana, com o apoio dos coronéis oligarcas. Muitas famílias camponesas perderam suas terras e casas para a construção da estrada. Isso gerou desemprego. Outro motivo foi a compra de uma região por um grupo ligado a construtora. Ali foi construída uma madeireira, para exportação. Com isso, mais famílias foram expulsas de suas terras. Quando a ferrovia ficou pronta, trabalhadores de várias regiões que estavam lá, ficaram desempregados com o fim da obra. Eles ficaram sem qualquer apoio da construtora ou do governo.


A participação do Monge José Maria.

Nessa época, era comum, em regiões pobres, o aparecimento de lideranças religiosas de caráter messiânico. Diante da insatisfação, aparece o beato José Maria. Ele pregava a criação de um novo mundo com as leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com prosperidade, justiça e terras para trabalhar. Ele reuniu milhares de camponeses sem terras.

Os conflitos.

Os coronéis e os governos estadual e federal, se preocuparam. O governo acusou o beato de inimigo da república e de desestruturar o governo e a ordem da região. Policiais e soldados foram enviados para desarticular o movimento. Perseguiram o beato e seus seguidores. Os camponeses resistiram e enfrentaram armados com espingardas, facões e enxadas. Morreram de 5 a 8 mil rebeldes camponeses e alguns soldados. A guerra terminou em 1916, quando prenderam Adeodato, um dos chefes rebeldes e condenaram a 30 anos de prisão. As forças oficiais e os coronéis combatiam com repressão e força militar.  

Nossa fonte: suapesquisa.com