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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Por que Israel e Palestina estão em um território tão disputado?

POR QUE ISRAEL E PALESTINA ESTÃO EM UM TERRITÓRIO TÃO DISPUTADO?

Foram dezenas de conquistadores e donos de um pequeno trecho semiárido. Do que eles estavam atrás?
REDAÇÃO PUBLICADO EM 04/10/2019

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- Reprodução

Parece só um trecho de terra seca, montanhosa e pedregosa. A mais notável vista natural é um lugar chamado Mar Morto. E, ainda assim, rei após rei, conquistador após conquistador, o território disputado entre Israel e a Palestina é um dos lugares mais cobiçados da História. Afinal, o que há de tão especial com essa terra?
O nome original da região era Canaã, situada no Levante, bem no centro do Crescente Fértil, que é uma grande meia lua de áreas adequadas ao plantio, da Mesopotâmia até o Egito. Na Idade do Bronze, isso colocava Canaã num cabo de guerra entre o Egito e diferentes invasores da Mesopotâmia.
Também é uma faixa de terra que liga três continentes: Ásia, África e Europa. Quem quisesse se expandir de um para outro tinha que passar por lá. E assim fizeram todos os que aparecem na faixa abaixo da matéria.

O Mar Morto / Crédito: Wikimedia Commons

Importantes símbolos 
Essa insegurança constante moldou o caráter de um povo e sua religião. Foi nesse clima de ameaça que surgiu o culto a um deus único, que havia prometido essa terra a seu povo escolhido – e o ajudou, segundo os livros sagrados, a conquistá-la pessoalmente. Uma religião hostil às demais religiões, como não era comum. Algo que permitiu sua sobrevivência como uma identidade própria, no lugar de se diluir nos costumes dos dominadores.
E esse se tornaria um outro fator a atrair olhares para lá. “A Terra de Israel é o berço das religiões monoteístas: inicialmente o judaísmo, depois o cristianismo e mesmo o islã, que não se originou naquele lugar – e sim na Península Arábica –, mas que considera a cidade de Jerusalém como o terceiro local sagrado da fé muçulmana (atrás apenas de Meca e de Medina, ambas localizadas na Arábia Saudita)”, afirma o professor Gabriel Steinberg Schvartzman, doutor em língua hebraica, literatura e cultura judaicas pela Universidade de São Paulo (USP).
A cidade de Jerusalém guarda alguns dos mais importantes símbolos das três religiões. Nela encontrase o Muro das Lamentações, as ruínas do Segundo Templo, que foi o lugar mais importante para a religião judaica. Sobre elas fica a Mesquita de Al-Aqsa, que marca o lugar onde Maomé teria sido levado por um anjo em sua visita aos céus. E, em outra parte da cidade, a Igreja do Santo Sepulcro, onde o corpo de Jesus teria sido deixado pelos três dias entre sua morte e ressurreição.

O Muro das Lamentações / Crédito: Wikimedia Commons

Toda vez que um lado fica insatisfeito com o tratamento que o dono atual dá a seus monumentos ou peregrinos de sua religião, um novo conflito tem início. As cruzadas foram justificadas pela destruição da Igreja do Sagrado Sepulcro pelo sultão Al-Hakim. A Mesquita de Al-Aqsa está no brasão do Hamas, o partido radical religioso (e terrorista, segundo Israel) palestino que quer retomar Jerusalém – e a mesquita.
Por difícil que pareça acreditar hoje, o clima de pé de guerra teve uma longa pausa. Durante o domínio do Império Otomano (1299- 1922), entre 1517 e 1917, houve a chamada Pax Ottomanica.
“Era um império multiétnico, multilinguístico e multirreligioso, em que judeus e cristãos conviveram razoavelmente bem, junto aos muçulmanos. Notáveis locais governaram a província com alto grau de autonomia frente a Constantinopla. Fiéis das três religiões conviviam sem grandes incidentes”, observa Monique Sochaczewski Goldfeld, pós-doutora em história pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e autora do livro Do Rio de Janeiro a Istambul: Contrastes e Conexões entre o Brasil e o Império Otomano (1850-1919).
Quando Donald Trump assinou a transferência da embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém, reconheceu a última de uma longa série de conquistas. E enfureceu aos conquistados.

quarta-feira, 7 de novembro de 1990

A Questão Judaico Palestina - O conflito entre Israel e Palestina.

O conflito entre Israel e Palestina.

O conflito entre Israel e Palestina estendeu-se por todo o século XX e perdura até os dias atuais, com milhares de mortos e um impasse que parece não chegar ao fim.

Um dos conflitos que mais geram tensões e preocupações em todo o mundo é o que envolve judeus e muçulmanos no território de enclave entre Israel e Palestina. Ambos os lados reivindicam o seu próprio espaço de soberania, embora atualmente esse direito seja exercido plenamente apenas pelos israelenses. Com isso, guerras são travadas, grupos considerados terroristas erguem-se, vidas são perdidas e uma paz duradoura encontra-se cada vez mais distante.
A área de disputa entre os dois lados em questão localiza-se no Oriente Médio, mais precisamente nas proximidades do Mar Mediterrâneo, tendo como foco principal a cidade de Jerusalém, um ponto de forte potencial turístico religioso que é considerado um lugar sagrado para várias religiões, incluindo o islamismo e o judaísmo.
Pode-se dizer que tudo começou com o avanço do movimento sionista judeu (busca pela Terra Prometida). Uma grande quantidade de judeus, a partir da segunda metade do século XIX, migrou em massa em direção aos territórios da Palestina, então habitados por cerca de 500 mil árabes. Essa região é reivindicada pelos judeus por ter sido ocupada por eles até a sua expulsão pelo Império Romano, no século III d.C., dando início à diáspora (dispersão de judeus pelo mundo).
Com a ocupação da área, uma tensão estabeleceu-se entre os povos das duas principais religiões do local, o que desencadeou uma série de conflitos. Após o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Organização das Nações Unidas (ONU), que ficou encarregada de resolver a situação, estabeleceu um Estado duplo entre as duas nações em 1947. Dessa forma, aproximadamente metade do território seria ocupada por cada povo, e Jerusalém, a capital, ficaria sob uma administração internacional. Era a Partilha da ONU.
Mapa das divisões estabelecidas pela Partilha da ONU em 1947
Mapa das divisões estabelecidas pela Partilha da ONU em 1947
No ano seguinte, no entanto, Israel não aceitou o tratado e declarou independência na região, dando início ao processo de ocupação da Palestina. Em 1964, foi criada a OLP (Organização para a Libertação Palestina), liderada por Yasser Arafat, para lutar pelos direitos perdidos por esse povo na região com os acontecimentos então recentes. O principal grupo político da OLP, também controlado por Arafat, era o Fatah, um grupo moderado ainda hoje existente.
Com a reação dos países árabes circundantes, que eram contrários à criação do Estado de Israel, teve início a Guerra dos Seis Dias em 1967. Em apenas seis dias os israelenses tomaram a Faixa de Gaza e a Península do Sinai do Egito, as Colinas de Golã da Síria, Jerusalém Oriental da Jordânia e a Cisjordânia. Mesmo com a resolução posterior da ONU em que Israel deveria devolver tais territórios, estes continuaram sob domínio israelense por um bom tempo.
Mapa dos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias ¹
Mapa dos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias ¹
Em 1973, teve início a Guerra do Yom Kippur, em que os países árabes derrotados na Guerra dos Seis Dias tentaram reaver os seus territórios. Todavia, Israel conseguiu uma nova vitória, pois contava com o apoio indireto dos Estados Unidos. Tais circunstâncias levaram os países árabes a criar a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), um cartel entre os países petrolíferos da região que elevou o preço dessa importante matéria-prima. Por essa razão, o sistema capitalista entrou na maior crise depois de 1929, conhecida como choque do Petróleo.
Em 1979, Israel decidiu pela devolução da Península de Sinai para o Egito após a mediação dos Estados Unidos no sentido de selar um acordo entre os dois países, chamado de Acordos de Camp David. Com isso, os egípcios tornaram-se os primeiros povos árabes a reconhecer oficialmente o Estado de Israel, gerando profunda revolta entre os demais países da região.
No ano de 1987 chegou ao auge a Primeira Intifada, uma revolta espontânea da população árabe palestina contra o Estado de Israel, quando o povo atacou com paus e pedras os tanques e armamentos de guerra judeus. A reação de Israel foi dura e gerou um dos maiores massacres do conflito, o que desencadeou uma profunda revolta da comunidade internacional em virtude do peso desproporcional do uso da força nas áreas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. No mesmo ano, foi criado o Hamas, que, mais radical, visava à destruição completa do Estado de Israel, ao contrário da OLP, que objetivava apenas a criação da Palestina.
Em meados da década de 1990, a situação aparentava caminhar para o seu fim, quando Yasser Arafat e o então primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin realizaram os Acordos de Oslo, mediados pelo presidente dos EUA à epóca, Bill Clinton. Com isso, foi criada a Autoridade Nacional Palestina, responsável por administrar todo o território da Palestina, envolvendo partes da Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
No entanto, em 1995, Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu, e a extrema-direita ganhou força dentro de Israel. Dessa forma, os judeus não cederam mais para a desocupação das áreas onde ainda resistia a população palestina. Por essa razão, os termos de paz dos Acordos de Oslo resultaram em fracasso.
No ano de 2000, teve início a Segunda Intifada, liderada pelo Hamas. Uma ofensiva palestina foi montada contra Israel, que novamente respondeu duramente, além de demolir casas de palestinos e iniciar a construção do Muro da Cisjordânia ou Muro de Israel em 2002. Os conflitos foram sangrentos e milhares de mortes aconteceram em ambos os lados da guerra, que se estendeu até 2004 com a morte do líder do Hamas. Acordos de paz foram realizados e, assim, teve início a desocupação por parte de Israel da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia, ações que resultaram no recebimento do Prêmio Nobel pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.
Em 2006, a vitória do Hamas sobre o Fatah nas eleições da Autoridade Nacional Palestina elevou novamente a tensão na região, o que se intensificou com o não reconhecimento do pleito por parte dos EUA, União Europeia e outros países ocidentais. Os atentados terroristas, sobretudo com carros-bombas, prosseguiram sobre Israel, que buscava várias tentativas de eliminar o Hamas, incluindo a adoção de embargos econômicos sobre Gaza, o que afetava também a população civil.
Mapa atual dos territórios palestinos, totalmente fragmentados e sem autonomia ²
Mapa atual dos territórios palestinos, totalmente fragmentados e sem autonomia ²
Em 2008, um acordo de cessar-fogo foi realizado entre o Hamas e Israel através da mediação do Egito. No entanto, seis meses depois, o acordo não foi renovado, pois os judeus recusaram-se a findar o bloqueio econômico então adotado. Assim, continuamente, a região continua a ser alvo de novos ataques e disputas.
Em 2014, no entanto, novas ofensivas aconteceram, quando três jovens judeus foram assassinados em um ato atribuído ao Hamas, que negou a autoria. Com isso, um jovem palestino foi assassinado por um extremista judeu, rompendo com a frágil paz da região. Houve ataques dos dois lados, mas Israel, por ter melhores defesas e melhores armamentos, passou a ter vantagens sobre a Palestina. Cerca de 65 soldados israelenses foram mortos, enquanto mais de dois mil palestinos, combatentes e civis foram assassinados no conflito. Por essa razão, muitos países, incluindo o Brasil, passaram a questionar a atuação de Israel na região.
O que se percebe nesse conflito é que a sua resolução está longe de acabar, pois, mesmo com acordos momentâneos de paz, basta uma pequena faísca para reacender novamente as batalhas, elevando novamente o número de mortos. Ao mesmo tempo, vem sendo difícil a criação do Estado Palestino, pois as disputas territoriais ainda são grandes, embora tal Estado seja internacionalmente reconhecido por vários países, incluindo o governo brasileiro.
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¹ Créditos do mapa: Raul654 / Wikimedia Commons
² Créditos do mapa: TUBS / Wikimedia Commons
Bandeira da Palestina à esquerda e de Israel à direita
Bandeira da Palestina à esquerda e de Israel à direita
Publicado por: Rodolfo F. Alves Pena