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sábado, 21 de setembro de 2019

Em análise histórica, o Êxodo bíblico tem mais ligação com a Babilônia do que com o Egito.

EM ANÁLISE HISTÓRICA, O ÊXODO BÍBLICO TEM MAIS LIGAÇÃO COM A BABILÔNIA DO QUE COM O EGITO

De acordo com os especialistas, dizer que os judeus partiram do Egito em direção a Canaã não é tão simples assim
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 21/09/2019.
Travessia do Mar Vermelho
Travessia do Mar Vermelho - Reprodução
Praticamente todo mundo que já teve contato com o texto bíblico conhece a passagem do Êxodo, em que Moisés guia seu povo da escravidão no Vale do Nilo até a Terra Prometida. Porém, quando os historiadores, partindo das fontes da época, vão analisar esse momento da História do Antigo Oriente Próximo, as informações apontam para outro lado. Vamos entender essa História.
A primeira vez que aparece o nome Israel.
No século XIII a.C., governou o Egito um faraó chamado Merhenptah, um grande líder militar que conduziu o Egito numa rápida expansão pelo território do Oriente Antigo, incluindo a importante região do Levante, ou corredor sírio-palestino. Como é comum na época, perto de sua morte, Merhenptah ordena a inscrição de uma estela de pedra marcada com os grandes feitos militares do faraó. Há um trecho deste monumento que é interessantíssimo:
Trecho do texto / Crédito: Reprodução
No texto, aparece “Israel foi destruída e não prospera mais”. Esta é a primeira ocorrência conhecida do nome “Israel” num documento. Porém, isto não é o que mais se destaca entre os especialistas em Egito, principalmente se levarmos em conta o funcionamento do hieróglifo. Neles, existem os determinativos, símbolos que acompanham as palavras na parte escrita, mas não são pronunciadas em fala, e destacam a classe da palavra, expondo uma categoria a qual faz parte o nome.
 No caso específico, o nome Israel é acompanhado por um determinativo (na imagem acima, está marcada com a indicação “det.”) em que aparecem duas pessoas sentadas sobre três linhas verticais e uma quarta linha que toca uma espécie de losango arredondado.
Segundo os especialistas em hieróglifos, este determinativo indica que o nome é relativo a uma pequena comunidade, de caráter mais tribal e sem complexidade econômica e social, nem um Estado ou identidade social. Ou seja, a partir desse documento, concluímos que na época não havia propriamente uma cidade e um culto a um deus estruturadamente, além de ser inconcebível a noção de um “povo israelita” à época. Outros nomes possuem determinativos que indicam esse tipo de cidade, em que os glifos de humanos sentados são acompanhados por uma montanha. Isso, somado à completa falta de vestígios de uma migração em massa do Egito ao Levante, passando pelo Sinai e o Mar dos Juncos (“mar vermelho”), fundamentaria a hipótese de que nunca houve uma fuga do Egito.
Estrela de Merhenoptah / Crédito: Reprodução
Com a crise da Idade do Bronze, há um misterioso processo de desestabilização em massa dos Impérios na região. Muitos acabam e outros, como o Egito, se desestruturam. Com isso, o Egito recua do Levante e possibilita o desenvolvimento da comunidade e da cidade. Por um tempo, Israel consegue se desenvolver autonomamente. Porém, pouco tempo depois, outra carta entra nesse baralho: a Babilônia, ponto chave para entendermos esse evento, segundo historiadores.
 Em disputa com a Assíria, o Império Babilônio inicia empreendimentos de expansão pelo Oriente e conquista o Levante, e assim, Israel. E, neste momento, a Babilônia investe numa ferramenta de dominação que consistia no deslocamento de blocos populacionais de um lugar para outro como uma espécie de escravo. Neste caso, é visível um tom mais próximo da narrativa bíblica.
Mapa da dominação da Mesopotâmia / Crédito: JW
A crise da Babilônia.
Não é à toa que a Babilônia aparece na Bíblia como um grande inimigo. Ao mesmo tempo, a Pérsia aparece como um presente divino, e Ciro, como um libertador. Com o tempo, o poder babilônico começa a se deteriorar e em 539 a.C., a cidade da Babilônia é destruída pelos persas e o império é oficialmente extinto. Para os hebreus, esse é um momento de libertação, o que os faz criar uma narrativa bastante positiva sobre os persas.
A chave desse processo está no fato de que os historiadores concordam que é a partir de 539 que se inicia o esforço de compilação e escrita de textos populares na tradição sírio-palestina num único unificado: ou seja, é nessa época que criam a Bíblia Hebraica. Segundo esse pensamento, o texto bíblico teria sido criado pelos deuteronomistas durante esse momento de transição em que os judeus fogem da Babilônia, destruída, em direção a Canaã. Essas pessoas, portanto, seriam um povo sem terra, sem um rei e sem o templo de culto ao seu deus. Seria necessário criar algo que desse coesão para essa sociedade não se perder no esquecimento. Para isso, cria-se um livro que serve como referência para todos sobre como pensar e agir.
 Monumento a Ciro da Pérsia / Crédito: Wikimedia Commons

Tá... Mas e o Egito?
Nesse esforço de se criar uma memória social sobre o passado, que fundamente a coesão entre os diferentes e crie um tecido social unido para a ocupação da Terra Prometida (que lhes foi privada com a invasão babilônica), as elites sacerdotais que se responsabilizaram pela compilação dos textos para a formação da Bíblia remeteram toda a tragédia que os hebreus passavam para um passado longínquo. O Egito aparece como elemento de criação de um “outro” ao mesmo tempo em que serve como história para naturalizar a situação de êxodo pela qual passam e, portanto, naturalizar também a vitória na conquista da Terra Proibida.
Assim, remetendo o êxodo a um tempo rememorável e antigo, os hebreus podem projetar o êxodo da Babilônia no passado e, assim, forjar a ideia de que o povo hebreu é uma grupo antigo e de grande tradição de resistência. Com isso, se cria uma espécie de mito fundacional que não se passaria no tempo presente, mas numa história sobre o passado que pode ser contada e auxiliar a vida. É assim que o Egito se torna o personagem principal de uma fuga que na verdade partiu da Babilônia.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Versões de fatos da Bíblia e da Arqueologia.



A fonte é Revista Super Interessante, Choque de versões, O que dizem a Bíblia e a arqueologia sobre os eventos do Velho Testamento. Vinícius Romanini, Julho, 2002, pág. 44 e 45.

sábado, 18 de abril de 2009

Êxodo.


Moisés e a Travessia do Mar Vermelho.
                                                              1 – Moisés e Ramsés.



2 – O Mar Vermelho, Terra de Gósen de um lado e o Golfo de Aqaba.



3 – eles partiram de Gósen através de Sucote, terminando na praia de Nuweiba.



4 – a Praia de Nuweiba, vista por uma foto de satélite, da ravina que conduzia para a única saída.



5 – chegando a praia de Nuweiba.



Praia de Nuweiba.


Praia de Nuweiba, vista lateral.


8 – verificando as medidas de profundidade do sonar, Wyatt descobriu uma ponte de terra sub aquática exatamente entre a praia de Nuweiba e o lado saudita.
















fonte: ppsinternet.com.br, wyatt.museum.com,


Boa pesquisa.

segunda-feira, 13 de abril de 1992

O Êxodo e os 40 anos no deserto - 1445 a 1406 a.C..


O ÊXODO E OS 40 ANOS NO DESERTO - 1445-1406 A.C.
Na antiguidade os hebreus adotaram o calendário lunisolar cananeu, com um ano composto de doze meses de trinta dias, com cinco ou seis dias intercalares. O ano judaico devia ser periodicamente ajustado ao ciclo solar, sendo que o mês de Nissan (primeiro mês do ano) deve cair sempre na primavera (no hemisfério norte), ou mais precisamente, o equinócio da primavera tinha que estar dentro do mês de Nissan. O ciclo de ajustes era de dezenove anos.
Para este ajuste é preciso determinar a diferença de dias entre um ano solar (aproximadamente 365 dias e 6 horas) e o período de 12 meses lunares (aproximadamente 354 dias e 9 horas): ele equivale aproximadamente a 10 dias e 21 horas. Ou seja, a cada 2 ou 3 anos é necessário acrescentar um mês de 30 dias. Isso gera dois tipos de anos: Cada período de 19 anos tinha 12 anos de 12 meses e 7 anos de 13 meses. Então no período de 19 anos os anos 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º têm um mês a mais. Esse ciclo se repetia a cada 19 anos.
Eis como eram os meses hebraico comparado com o calendário Gregoriano atual: 1º - nisan: começo em 26 de abril. 2º - iyar: começo em 26 de maio. 3º - sivan: começo em 26 de junho. 4º - thamuz: começo em 26 de julho. 5º - av: começo em 26 de agosto. 6º - elul: começo em 26 de setembro. 7º - tisri: começo em 26 de outubro. 8º - marchesvan: começo em 26 de novembro. 9º - casleu: começo em 26 de dezembro. 10º - tebeth: começo em 26 de janeiro. 11º - shebat: começo em 26 de fevereiro. 12º - adar: começo em 26 de março. Para completar o total de 265 dias, eram colocados 5 dias intercalares.
Para esse estudo estou seguindo a cronologia sugerida pela “Manual Bíblico Mac Artur” e pelo “Manual Bíblico” de Ray C. Stedman, que optaram pelo ano de 1445 a.C., para a saída dos israelitas do Egito.
Segundo o Livro do Êxodo, na véspera da saída do Egito, os israelitas celebraram a páscoa que ocorreu no dia 14 de Nissan, que no calendário atual corresponderia ao dia 9 de maio do ano 1445 a.C., ou seja no 14º dia do inicio do ano judeu, tendo a saída do Egito ocorrido no 15º dia do 1º mês do 1º ano, ou seja, no dia 10 de maio do ano 1445 a.C. (Êxodo 12, Números 33-3).
Em sua jornada os israelitas passaram por (1º)-Sucot, (2º)-Etam, (3º)-Piairot, que fica diante de Baal-Sefor e Magdol, onde atravessaram o Mar Vermelho (Êxodo 14: 15-28). Por três dias vagaram pelo deserto de Etan, até (4º)-Mara, (5º)-Elim. No deserto de Sim, entre Elim e o Sinai, no 15º dia do 2º mês do 1º ano (10 de junho do ano 1445 a.C.) encontraram um oásis com 12 fontes e 70 palmeiras. (Êxodo 16: 1). Até aí um mês de jornada. Passara próximo ao (6º)-Mar dos Juncos. No (7º)-deserto de Sim, no 3º mês do 1º ano (entre 26 de junho a 26 de julho do ano 1445 a.C.), Deus envia o maná (Êxodo 16: 1).
Depois passam por (8º)-Dafca, (9º)-Alus. (10º)-Rafidim, combatem Abimelec e encontram Jetro o sogro, Séfora a mulher e o filho de Moisés. Ainda no 3º mês (26 de junho a 26 de julho), chegam ao (11º)-deserto do Sinai. Uma jornada de cerca de dois meses. Ali os israelitas ficam acampam por quase um ano. No alto do monte Sinai, Moisés recebe as taboas da Lei (Êxodo 20: 1-17), onde fica 40 dias e 40 noites. Quando volta Moisés encontra os israelitas adorando um bezerro de ouro. Ele destrói as tábuas da Lei, mas volta ao monte e recebe novas Tábuas.
No 1º dia do 7º mês, (26 de outubro do ano 1445 a.C.) é comemorada a Festa da Aclamação (Levítico 23-24 - Números 28: 1). No 10º dia do 7º mês (4 de novembro de 1445 a.C.) é o Dia da Expiação (Levítico 23: 26 - Números 28-7) e o 15º dia do 7º mês (9 de novembro de 1445 a.C.) é comemorado o dia das Tendas (Levítico 23: 34 - Números 28: 12).
No 1º dia, do 1º mês do 2ª ano (26 de abril do ano 1444 a.C.), é construído o tabernáculo para guardar as tábuas da Lei (Êxodo 40: 1-7). No 14º dia do 1º mês do 2º ano (9 de maio do ano 1444 a.C.) é comemorada a primeira páscoa fora do Egito (Números 9: 1-5). No 1º dia do 2º mês do 2º ano (26 de maio de 1444 a.C.) Moisés promove o primeiro recenseamento de todos os israelitas que saíram do Egito, que apontou 603.550 homens de 20 anos para cima (Números 1: 1-28). Considerando mulheres, jovens, crianças, velhos e acompanhantes, o grupo de Moisés deveria ser composto por cerca de 2.500.000 pessoas.
No 14º dia do 2º mês do 2º ano (9 de junho de 1444 a.C). é celebrada uma páscoa suplementar (Números 9: 11). No 20º dia do 2º mês do 2º ano (19 de junho de 1444 a.C.), acontece a partida do Sinai (Números 10: 11), ou seja um ano, um mês e 10 dias depois da saída do Egito.
Então passaram por (12º)-Cobrot-ataava e (13º)-Haserot. Dalí partiram para o deserto de Farã, na entrada de Canã. A Bíblia não diz quanto tempo levou essa jornada, mas deve ter sido de um a dois meses. Os israelitas estavam prontos para entrar na Terra Prometida. Então Moisés manda 12 homens, um de cada tribo, para explorar região (Números 13: 1-24). Do deserto de Sim, passaram por Roob e Emat. Pelo Negueb Chegaram a Hebrom e ao vale Escol. Depois de 40 dias os batedores voltam contando que o povo que a habita a região é poderoso e as cidades fortificadas, impedindo sua conquista. Os israelitas se revoltam contra Moisés. Por não crerem na promessa de Deus, nenhum dos que saíram do Egito entrará na Terra Prometida, incluindo Moisés e Aarão. Somente Josué e Caleb, por ficarem sempre fieis a Deus terão esse privilégio. Então são condenados a passar 40 anos vagando pelo deserto. (Números 14: 35)
Então reiniciam a jornada retornando para o sul em direção ao mar de Suf. Passam por (14º)-Retma, (15º)-Reon-Farés, (16º)-Lebna, (17º)-Ressa, (18º)-Ceetata, (19º)-Monte Séfer, (20º)-Harada, (21º)-Macelot, (22º)-Taat, (23º)-Taré, (24º)-Matca, (25º)-Hesmona, (26º)-Moserot, (27º)-Benê-Jacã, (28º)-Hor-Gadgad, (29º)-Jetebata, (30º)-Ebrona e (31º)-Assiongaber, no golfo de Acaba, próximo ao Mar Vermelho.
Depois de 39 anos da saída do Egito a narrativa retorna. Não se sabe por onde andaram nem o que fizeram em todo esse tempo. No 1º mês do 40º anos (26 de abril e 26 de maio de 1406) os israelitas então em (32º)-Cades, novamente no deserto de Sim. Ali morre Mirian irmã de Moisés, com 125 anos de idade. Na montanha de (33ª)-Hor, no território de Edon, no 1º dia do 5º mês, do 40º ano (26 de agosto de 1406), morre Aarão, irmão de Moisés, com 123 anos (Números 20: 22 - 30: 37). Eleazer é escolhido como novo sacerdote.
Então passam por (34º)-Salmona, (35º)-Finon, (36º)-Obot, (37º)-Jeabarim, já no território de Moab (Números 21-11 e 33-44). Invadem Amon e conquistam terras até Jaboc. Depois vão para (38º)-Dibm-Gad, (39º)-Elmon Deblatain, chegando aos (40º)-mortes de Abarim, defronte ao monte Nebo. Finalmente chegam às (41º)-Estepes de Moab, junto ao rio Jordão, na entrada para Jericó (Números 22: 1 e 33: 48).
Acampam as margens do Rio Jordão, entre Bet-Jesimot e Abel-Setin, nas estepes de Moab (Números 33: 49). Ai as mulheres de Moab prostituem-se com os israelitas. Os israelitas atacam e vencem os midianitas. Moisés promove o segundo recenseamento, contando 601.630 homens (Números 27: 1). Como Moisés fora impedido por Deus de entrar na Terra Prometida, Josué, filho de Nun, é escolhido como comando dos israelitas. É feita a partilha das terras de Canaã, e determinada com que região cada tribo ficará. No 1º dia do 11º mês do 40º ano (26 de fevereiro de 1405 a.C.), um mês e 15 dias antes de completa os 40 anos da saída do Egito, Moisés faz um discurso de despedida. Os israelitas estão no deserto se Arabá, diante de Suf, entre Fará e Tofel (Deuteronômio 1: 3), depois de terem vencido os amorreus e os moabitas. Moisés morre no Monte Nebo, no vale de Moab defronte a Bel-Fogor (Deuteronômio 37: 7). Então Josué atravesse o rio Jordão e prepara-se para a tomada de Jericó.
FONTES:
BIBLIA DE JERUSALÉM - Ed. Paulus - São Paulo-SP, 2016.
MANUAL BÍBLICO MAC ARTHR - Tomaz Nelson - Rio de Janeiro-RJ, 2019.
STEDMAN, Ray C. - Manual Bíblico - Pão Diário - Curitiba-PR, 2019.

Boa pesquisa.