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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: A Revolução na China. De: Voltaire Schilling.

 


BIBLIOGRAFIA: SCHILLING, Voltaire. A Revolução na China. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984.    

O livro "A Revolução na China: Colonialismo, Maoísmo, Revisionismo", escrito pelo historiador gaúcho Voltaire Schilling e publicado em 1984 pela editora Mercado Aberto, é uma obra concisa e analítica que destrincha a complexidade do processo revolucionário chinês. Com cerca de 120 páginas, o livro integrava a conhecida "Série Revisão" (vol. 14) e cumpre um papel essencialmente didático e crítico. Ele reconstrói a trajetória da China desde a humilhação colonial até as profundas reformas econômicas do final do século XX.

Estrutura e Eixos Temáticos

O subtítulo da obra resume perfeitamente a linha cronológica e ideológica adotada por Schilling:

  • Colonialismo: O autor contextualiza o cenário de degradação da China no século XIX e início do século XX. O país, antes um império imponente, foi fatiado pelas potências imperialistas ocidentais e pelo Japão (período conhecido pelos chineses como o "Século da Humilhação"). Schilling demonstra como a miséria camponesa e a soberania despedaçada criaram o terreno fértil para a revolta.
  • Maoísmo: Foco central do livro. Schilling analisa os 22 anos de guerra civil e resistência que culminaram na tomada do poder pelo Partido Comunista em 1949. O mérito do texto está em explicar a especificidade do Maoísmo: a transferência do sujeito revolucionário (que no marxismo clássico soviético era o operariado urbano) para a gigantesca massa de camponeses chineses. O autor aborda os desafios monumentais de Mao Tse Tung para alimentar milhões de famintos, combater a contra-revolução e unificar um país continental.
  • Revisionismo: Trata-se da ala final e mais instigante do livro (considerando o ano em que foi escrito, 1984). Schilling joga luz sobre as disputas internas pós-Mao e a ascensão de Deng Xiaoping. Ele questiona as consequências da abertura econômica para o Ocidente e debate se essas reformas de mercado desidratavam o espírito da revolução socialista, caracterizando o chamado "revisionismo".

Principais Méritos da Obra

  • Poder de síntese: Explicar um dos maiores eventos do século XX em pouco mais de 100 páginas requer excelente capacidade de recorte histórico, algo que Schilling domina.
  • Conscientização popular: O livro foca fortemente na psicologia de massas e no complexo processo de conscientização política do campesinato chinês.
  • Aparato crítico: Não se trata de uma hagiografia (elogio cego) a Mao, mas sim de um esforço para entender as contradições do regime.

Considerações e Limitações Temporais

Por ter sido publicado em meados da década de 1980, o livro funciona quase como uma "cápsula do tempo" analítica. As indagações que Schilling faz ao final da obra sobre os rumos que a China seguiria no século XXI hoje já possuem respostas históricas consolidadas. A China conseguiu fundir o controle político do Partido Comunista com uma agressiva economia de mercado globalizada, tornando-se a superpotência atual.

Ainda assim, ler este livro hoje permite entender exatamente o embasamento teórico e as dores de parto que geraram o gigante asiático moderno.

Para quem é recomendado?

É uma leitura altamente recomendada para estudantes de História, Relações Internacionais e Ciências Políticas, bem como para qualquer leitor que busque uma introdução rápida, séria e bem fundamentada sobre as engrenagens da Revolução Chinesa de 1949.