BIBLIOGRAFIA: SCHILLING, Voltaire. A Revolução na
China. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984.
O livro "A
Revolução na China: Colonialismo, Maoísmo, Revisionismo", escrito pelo
historiador gaúcho Voltaire Schilling e publicado em 1984 pela editora Mercado
Aberto, é uma obra concisa e analítica que destrincha a complexidade do
processo revolucionário chinês. Com cerca de 120 páginas, o livro integrava a
conhecida "Série Revisão" (vol. 14) e cumpre um papel essencialmente
didático e crítico. Ele reconstrói a trajetória da China desde a humilhação
colonial até as profundas reformas econômicas do final do século XX.
Estrutura e
Eixos Temáticos
O subtítulo
da obra resume perfeitamente a linha cronológica e ideológica adotada por
Schilling:
- Colonialismo: O autor
contextualiza o cenário de degradação da China no século XIX e início do
século XX. O país, antes um império imponente, foi fatiado pelas potências
imperialistas ocidentais e pelo Japão (período conhecido pelos chineses
como o "Século da Humilhação"). Schilling demonstra como a
miséria camponesa e a soberania despedaçada criaram o terreno fértil para
a revolta.
- Maoísmo: Foco central do livro.
Schilling analisa os 22 anos de guerra civil e resistência que culminaram
na tomada do poder pelo Partido Comunista em 1949. O mérito do texto está
em explicar a especificidade do Maoísmo:
a transferência do sujeito revolucionário (que no marxismo clássico
soviético era o operariado urbano) para a gigantesca massa de camponeses
chineses. O autor aborda os desafios monumentais de Mao Tse Tung para
alimentar milhões de famintos, combater a contra-revolução e unificar um
país continental.
- Revisionismo: Trata-se da ala
final e mais instigante do livro (considerando o ano em que foi escrito,
1984). Schilling joga luz sobre as disputas internas pós-Mao e a ascensão
de Deng Xiaoping. Ele questiona as consequências da
abertura econômica para o Ocidente e debate se essas reformas de mercado
desidratavam o espírito da revolução socialista, caracterizando o chamado
"revisionismo".
Principais
Méritos da Obra
- Poder de síntese: Explicar um dos
maiores eventos do século XX em pouco mais de 100 páginas requer excelente
capacidade de recorte histórico, algo que Schilling domina.
- Conscientização popular: O livro
foca fortemente na psicologia de massas e no complexo processo de
conscientização política do campesinato chinês.
- Aparato crítico: Não se trata de
uma hagiografia (elogio cego) a Mao, mas sim de um esforço para entender
as contradições do regime.
Considerações
e Limitações Temporais
Por ter sido
publicado em meados da década de 1980, o livro funciona quase como uma
"cápsula do tempo" analítica. As indagações que Schilling faz ao
final da obra sobre os rumos que a China seguiria no século XXI hoje já possuem
respostas históricas consolidadas. A China conseguiu fundir o controle político
do Partido Comunista com uma agressiva economia de mercado globalizada,
tornando-se a superpotência atual.
Ainda assim,
ler este livro hoje permite entender exatamente o embasamento teórico e as
dores de parto que geraram o gigante asiático moderno.
Para quem é
recomendado?
É uma leitura
altamente recomendada para estudantes de História, Relações Internacionais e
Ciências Políticas, bem como para qualquer leitor que busque uma introdução
rápida, séria e bem fundamentada sobre as engrenagens da Revolução Chinesa de
1949.