No centro da Alemanha, em frente ao mítico castelo alemão de Sababurgo, que inspirou o conto “A Bela Adormecida”, existe uma floresta que está ameaçada pelas mudanças climáticas: o parque natural de Reinhardswald. Devido a uma praga de besouros, os abetos (árvores coníferas típicas da região) estão desaparecendo. As temperaturas mais altas que o normal e o clima seco oferecem as condições ideais para a proliferação dos insetos.
Patrimônio ambiental e cultural
Por conta das secas que assolam a região, as árvores ficam debilitadas e com pouca resina, substância que utilizam para combater os insetos. Segundo o pesquisador Peter Meyer, o besouro pode perfurar a árvore e colocar ovos sob a casca, fazendo com que as larvas se alimentem da árvore e interrompam o fornecimento de água.
Nos últimos anos, essa região da Alemanha está enfrentando uma seca histórica. Em 2018, foi registrada a temporada mais quente desde que se iniciaram os registros, há aproximadamente 140 anos. Já em outras localidades, chuvas fortes provocaram inundações mortais.
Além da importância para o meio ambiente, as florestas e bosques são parte integrante do patrimônio cultural da Alemanha. Essas localidades pitorescas serviram de cenário para contos de fadas como "Chapeuzinho Vermelho", "Branca de Neve" e "João e Maria", entre outros. Compiladas pelos Irmãos Grimm no século XIX, essas histórias clássicas foram traduzidos para mais de 160 idiomas e ainda são populares entre as crianças em todo o mundo.
Mas, de acordo com algumas medições, as florestas alemãs estão vivendo seu pior momento em décadas. Mais árvores morreram em 2020 do que em qualquer outro ano, de acordo com um relatório do governo. O estudo examinou 10 mil árvores em todo o país e descobriu que apenas 21% tinham uma copa intacta, um indicador da saúde de uma árvore, a menor porcentagem desde que os estudos começaram há 37 anos. A crise ambiental foi uma das principais pautas discutidas nas eleições recentes no país e deve continuar a ocupar o centro dos debates após a formação do novo governo.
Uma dessas histórias, a do flautista de Hamelin, se mostrou tão instigante que acabou se tornando objeto de pesquisa de uma série de historiadores, que consideram a possibilidade de o incidente relatado ter base em algum acontecimento real.
Diz a lenda que, certa vez, um flautista foi contratado para acabar com a praga de ratos que havia em Hamelin. Imediatamente, hipnotizados com a melodia tocada, os animais saíram pelos portões da cidade em direção à ruína.
Contudo, as pessoas que viviam no local se recusaram a pagar pelo trabalho do flautista, que decidiu se vingar atraindo as crianças com os sons de sua flauta. Assim, meninos e meninas seguiram o músico em transe para fora da cidade e nunca mais foram vistos.
Um caso real?
Na fachada da casa do flautista, como é chamado um dos principais pontos turísticos da cidade, construído em 1602, há uma placa com a seguinte inscrição: "Em 26 de junho de 1284, no dia de São João e São Paulo, 130 crianças nascidas em Hamelin foram retiradas da cidade por um flautista vestido com roupas multicoloridas. Depois de passar pelo Calvário perto de Koppenberg, desapareceram para sempre."
De acordo com uma matéria da BBC, um outro registro antigo de Hamelin, que sugere a ocorrência de um sequestro no local, é uma inscrição datada de 1384 que diz: "já se passaram 100 anos desde que nossas crianças partiram".
Mais antiga ilustração sobre a lenda / Crédito: Domínio Público/Augustin von Moersperg
Há ainda um manuscrito do século 15, chamado Luneburg, que referencia uma narrativa semelhante: a de que 130 jovens (ou crianças) desapareceram em 26 de junho de 1284, após seguirem um flautista até uma região chamada Calvário ou Koppen.
Teorias
De acordo com Wibke Reimer, coordenador de projetos do Museu Hamelin, há diversas teses sobre a história do flautista. Uma das principais delas sugere que os jovens da cidade migraram para a Europa Oriental em razão da recessão econômica.
"Nesse cenário, o flautista desempenhava o papel do chamado localizador ou recrutador. Eles eram responsáveis por organizar as migrações para o leste, e dizem que usavam roupas coloridas e tocavam um instrumento para atrair a atenção dos colonos (clientes em potencial)", afirma Reimer.
Fotografia das ruas de Hamelin, na Alemanha / Crédito: Wikimedia Commons/Dewi König
A praga da dança
Contudo, talvez a mais curiosa das teorias é a que diz ter ocorrido na região um surto de dança coletiva, fenômeno medieval registrado em certas ocasiões após uma série de pandemias e desastres naturais. A praga da dança, também conhecida como Dança de São Vito, teria surgido no século 11, na Europa.
Foi registrado, no século 13, um incidente como esse na cidade de Erfurt, que fica ao sul de Hamelin. Na ocasião, um grupo de jovens teria ficado rodopiando de maneira descontrolada, de modo que muitos acabaram chegando bem longe dali: a 20 km de distância, já em outro povoado. Um dos registros, inclusive, afirma que algumas crianças, morreram de tanto dançar, enquanto outras acabaram ficando com tremores crônicos.
Na ilustração, o flautista encanta um grupo de crianças / Crédito: Domínio Público/Kate Greenaway
Uma única data
Porém, há algo que nenhuma das teorias conseguiu explicar, segundo Reimer: "Não explicam a data específica citada em que as crianças desaparecem, e o sentimento local de trauma", disse o coordenador. "Aconteceu algo que as autoridades encobriram? Algo tão traumático que se transmitiu oralmente durante tanto tempo na memória coletiva do povo, durante décadas e até séculos?", questionou.
Ele pontua que o dia 26 de junho, que repetidas vezes aparece nos documentos como a data do evento, marca também as celebrações pagãs do solstício de verão.
Além disso, a apuração ainda enfatiza que o fato de a documentação dizer que as crianças seguiram o músico até o Koppen, traduzido como "montanhas", sugere uma outra hipótese: é possível que o flautista, quem simbolizaria um xamã pagão, estivesse levando os jovens de Hamelin para realizar as festividades daquela data quando uma facção cristã os atacou.
SANGUE E CANIBALISMO: A HISTÓRIA REAL DE CHAPEUZINHO VERMELHO
O conto original narra acontecimentos bem mais macabros do que aqueles da história infantil que conhecemos
PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 20/04/2020
Ilustração de Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau - Divulgação
A garota de cabelos dourados que usa retalhos de tecido vermelho como uma capa e um capuz ficou famosa no mundo inteiro. Na história, a menina desobedece sua mãe e fala com um estranho enquanto levava doces para sua avó doente.
Chapeuzinho sofre as consequências de seus atos através de um encontro inesperado com o Lobo Mau na casa de sua avó, que passando-se pela velhinha abocanha a menina. Mas, a história não foge dos finais felizes dos contos infantis, as duas são salvas por um caçador e o Lobo aprende uma lição.
Origens.
Existem muitas teorias por trás dessa história e versões bem mais adultas para o roteiro do conto infantil. O escritor Charles Perrault foi o primeiro a mencionar a história de Chapeuzinho Vermelho, em 1697, fazendo com que a narrativa chegasse à Europa pela primeira vez. O conto tinha suas origens no norte dos Alpes e apresentava algumas imagens muito cruéis.
No ano de 1812, os irmãos Grimm reformularam a história para que ela ficasse mais adaptável para o mundo infantil, tirando toda a parte sangrenta da primeira versão, eles deixaram a história como conhecemos hoje.
Na lenda, a protagonista adolescente acabou de entrar na vida adulta, por isso a cor de sua capa é vermelha, remetendo ao sangue de sua primeira menstruação. Nas duas versões, sua mãe pede várias vezes que a filha não fale com ninguém, algo que a garota desobedece imediatamente, quando um lobo sugere que a menina pegue um atalho para levar flores para sua avó. As versões começam a mudar, quando o Lobo chega à casa da velhinha.
Ilustração da Chapeuzinho Vermelho sendo enganada pelo Lobo Mau / Crédito: Divulgação
Na narrativa dos Grimm, o animal tranca a senhora no armário e veste suas roupas para enganar a jovem quando chegasse. Porém, na história original, o bicho mata a avó, corta seu corpo, coloca em um prato como jantar e mantém seu sangue em uma garrafa como um vinho.
Mais sangue e carnificina em episódios de canibalismo, quando o vilão oferece para a menina a carne que está em seu prato. Sem questionar, a jovem o faz. Logo após o ato, o Lobo gargalha da menina informando que ela tinha acabado de cometer um dos maiores pecados: o canibalismo. Logo após, o animal devora Chapeuzinho. Sem nenhum caçador para salvá-la dessa vez.
Simbolismo.
Em cada personagem existe um significado oculto para problemas reais. A figura do Lobo Mau representa a selvageria e o mundo sexual, algo que a mãe de Chapeuzinho temia que ela passasse na vida adulta. A senhora que foi devorada, representa a passagem do antigo para a nova fase da vida da menina, que agora não seria mais a mesma. Chapeuzinho é a ingenuidade das jovens garotas que acabam sendo corrompidas pela maldade do mundo.
A moral da história original, apesar de brutal, é bem realista e servia como um alerta para as jovens tomarem cuidado com os predadores que poderiam se aproveitar delas, mesmo aqueles que pareciam ser amigáveis e dignos de sua confiança.
MADRASTA MÁ E FLORESTA MACABRA: MARIA SOPHIA VON ERTHAL, A BARONESA QUE INSPIROU BRANCA DE NEVE
A personagem, que inspirou narrativas bizarras e mágicas, muito se parece com Erthal
NICOLI RAVELI PUBLICADO EM 19/04/2020
Maria Sophia von Erthal (à esquerda) e Branca de Neve (à direita) - Divulgação
É fato que a história da Branca de Neve faz parte da vida de adultos e crianças e que já foi contada milhares de vezes, em versões macabras e encantadoras. A princesa de pele branca como a neve já foi citada em inúmeras peças teatrais e filmes.
Entretanto, pouco se sabe sobre a origem da história. De acordo com pesquisadores, a narrativa da baronesa Maria Sophia von Erthal teria inspirado os Irmãos Grimm dar vida ao conto da princesa.
Ilustração de Maria Sophia von Erthal / Crédito: Divulgação
Maria cresceu em um grande castelo localizado em Lohr am Main, a cerca de 100 quilômetros de Bamberg, na Baviera. Ela era filha do príncipe Philipp Christoph, dono de terras do século 18.
Vida real e o conto.
Segundo o historiador Karlheinz Bartels, o conto reproduziu a vida da burguesa em diversos momentos. Após a morte da baronesa Von Bettendorff, Christoph casou-se novamente. No entanto, a nova esposa sempre alegava que não gostava de seus enteados.
O dado lembra bastante a madrasta presente na narrativa da Branca de Neve. Assim como a princesa, Maria também sofreu nas mãos da companheira do pai, conhecida por sua característica ameaçadora.
Além disso, o castelo que abrigava Erthal era famoso por ter um espelho com uma superfície extremamente lisa e uniforme, algo incomum no período. Vale lembrar que na narrativa da princesa, a madrasta má sempre questiona a um espelho falante "Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?".
O conto também descreve uma floresta misteriosa, da mesma maneira que a cidade de Lohr abriga uma mata marcada por ladrões e animais selvagens. Para completar o cenário, Branca de Neve percorreu sete colinas em direção a cabana dos anões que era próxima a uma mina.
Pode-se alcançar uma mina em Lohr após cruzar sete colinas. Não obstante, diversas crianças trabalhavam no local – o que pode ser comparado aos anões.
Entretanto, alguns pontos cruciais da história da princesa não fazem parte da trajetória de Maria, como a curiosa maçã envenenada, um príncipe encantado e o caixão de vidro. Além disso, a vida da burguesa revelou um final que não é mencionado no conto: a mulher, que era cega desde jovem, morreu solteira aos 71 anos.
A lápide.
Sua lápide, que estava em uma igreja de Bamberg, na Alemanha, foi levada para um hospital construído pelo irmão da falecida. Mais tarde, devido a restauração da instituição, a estrutura foi doada ao Museu Diocesano localizado na mesma cidade.
No acervo, ela foi restaurada e exposta. A partir de então, Holger Kempkers, diretor do local, alegou que a trajetória de Sophia tornou-se o núcleo da Branca de Neve.
Apresentação da lápide da Branca de Neve / Crédito: Divulgação/Press Office Archdiocese of Bamburg
Foi então que os Irmãos Grimm deram vida ao conto da Branca de Neve em 1812. Mais tarde, em 1937, Walt Disney criou a animação que deu fama à história. A partir de então, a filmagem teve diversas adaptações.
“Os irmãos Grimm transformaram em literatura as histórias que ouviram da população local”, afirmou Kempkers. Além disso, ele também alegou que há informações de que Maria foi a modelo para a personagem Branca de Neve.
Cena do filme Branca de Neve / Crédito: Divulgação
“Hoje, quando você faz um filme sobre uma pessoa histórica, também há ficção. Então, neste caso, acho que existe uma base histórica, mas também há elementos fictícios”, completou.
ENTRE DEMÔNIOS E A GUILHOTINA: A SANGUINÁRIA HISTÓRIA DE JOÃO E MARIA
O conto original, escrito pelos Irmãos Grimm, relata uma versão obscura — e diferente do que estamos habituados
DANIELA BAZI PUBLICADO EM 28/01/2020
Ilustração de João e Maria - Reprodução
A história de João e Maria é um conto de fadas que ultrapassa gerações. Publicada pela primeira vez em 1812, de autoria dos Irmãos Grimm, a narrativa fala de dois irmãos que foram abandonados na floresta por seu pai e a madrasta devido a falta de dinheiro para sustentar todos e, enquanto procuravam o caminho de volta para casa, acabaram sendo capturados por uma bruxa que tinha o objetivo de "assá-los" após comerem sua casa feita de doces.
As crianças conseguem fugir da mulher, atirando-a no forno, e reencontram seu pai que havia acabado de perder a mulher, voltando para casa felizes com o dinheiro encontrado na casa da bruxa. Entretanto, esta não seria a versão original da história.
O conto real tinha o nome de "As Crianças Perdidas", e se passa na Idade Média. Longe de ser um conto infantil: é uma representação das dificuldades passadas na época devido à falta de comida. Por isso, era comum que os pais matassem seus filhos ou os abandonassem por não conseguirem sustentar os familiares.
Ilustração feita em 1927 para o conto João e Maria / Crédito: Wikimedia Commons
Ao invés de João e Maria, o nome dos irmãos era Jean e Jeanette e, assim como a versão dos Grimm, foram largados na floresta por seus pais. Para encontrarem seu caminho de volta para casa, as crianças sobem em uma árvore e avistam dois telhados, sendo um branco e o outro vermelho.
Jean e Jeanette decidem se encaminhar para a casa de telhado vermelho, e encontram com uma doce e gentil senhora que afirmava ser dona da casa e recebeu as crianças. Seu único pedido foi para que não fizessem barulho, pois seu marido atacaria caso descobrisse o que estava acontecendo.
O homem em questão era um demônio, e sentiu o cheiro dos jovens que rezavam constantemente para encontrar seus pais, que acabaram sendo aprisionados para que fossem devorados. Jean seria o primeiro e, por estar muito magro, recebia comida todos os dias de sua própria irmã para que se tornasse mais apetitoso ao monstro.
No conto dos Irmãos Grimm, João e Maria encontram uma casa feita inteiramente de doces / Crédito: Reprodução
Quando o demônio iniciou os testes para saber se o garoto já estava pronto, Jeanette conseguiu ajudar seu irmão a enganá-lo com um rabo de rato, que disfarçava como próprio dedo. A tentativa funcionou por duas vezes até serem descobertos. Como consequência, o diabo decidiu que criaria uma guilhotina para cortar a cabeça de Jean.
Ao optar por um passeio, as crianças chamaram a adorável senhora que os havia recepcionado e perguntaram como o objeto funcionava. Os irmãos puderam enganá-la e em seguida cortaram a cabeça da idosa, fugindo com a carroça do demônio cheio de ouro e prata. A figura diabólica foi enfurecida atrás de Jean e Jeanette.
Uma lavadeira que morava ali perto percebeu toda a situação e decidiu ajudar as crianças. Ela enganou o demônio fingindo auxiliá-lo a passar pelo rio, mas acabou puxando a ponte improvisada fazendo com que ele caísse na água e morresse afogado. Com isso, Jean e Jeanette conseguiram encontrar o caminho de volta para casa e entregar toda a fortuna roubada para seus pais, vivendo felizes para sempre.
5 CONTOS MACABROS — NEM TÃO CONHECIDOS — DOS IRMÃOS GRIMM
As obras insólitas eram destinadas ao público infantil e continham conteúdos mórbidos, como assassinatos e canibalismo
VICTÓRIA GEARINI PUBLICADO EM 16/11/2019
Retrato dos irmãos Grimm - Wikimedia Commons
Jacob e Wilhem, os irmãos Grimm, foram escritores alemães que dedicaram suas vidas à escrever fábulas que, mais tarde, ganharam readaptações mais tranquilas da Disney e inspiraram alguns dos mais famosos contos infantis do mundo.
No entanto, o conteúdo narrado originalmente pelos irmãos não era nada propício para crianças. Suas histórias, que sempre envolviam personagens fantásticos como fadas, duentes e ogros, abordavam temas considerados "pesados" até para muitos adultos, como assassinatos, canibalismo, nudismo, traições e abandono.
A protegida de Maria é um conto de fadas que narra à história de um casal que tinha uma filha de três anos de idade e viviam atordoados por não conseguirem alimentá-la. Um dia, a Virgem Maria apareceu para o pobre homem que, sem pensar duas vezes, entregou sua filha para a mulher. No entanto, após uma desobediência da garota, a Virgem a expulsa de casa.
Sozinha, a jovem viu-se obrigada a morar na floresta. Procurou abrigo em uma árvore e passou a se alimentar de plantas selvagens e andar nua. Tempos depois, ao encontrar a garota nesse estado deplorável, o rei levou-a para seu castelo e casou-se com ela. No ano seguinte, a Virgem Maria reapareceu e comeu o filho do casal. Isso aconteceu com os demais bebês da jovem, até a rainha confessar sua desobediência e ser condenada a morte.
Este conto dos irmãos Grimm narra a história de um rei que, por conta da idade, estava muito doente. Em seu leito de morte, seu fiel servo prometeu nunca desapontá-lo e, por isso, estaria sempre ao lado do príncipe.
Antes de morrer, o rei pediu que João mostrasse todos os aposentos do castelo para seu filho, mas avisou para tomar cuidado com um quadro da princesa do Telhado de Ouro. A pessoa que olhasse para o retrato iria se apaixonar na mesma hora e, caso isso acontecesse, correria sérios riscos de vida. No entanto, ao encontrar o quadro, o príncipe olhou para ele e apaixonou-se imediatamente pela princesa retratada.
A obra, que contém assassinatos brutais, mostra toda a trajetória de João em meio ao caos tentando proteger o príncipe.
Rumpelstichen apareceu pela primeira vez como o antagonista do conto alemão, O Anão Saltador. Coletado pelos Irmãos Grimm e publicado em 1812, a obra é uma revisão de edições posteriores. O nome faz referência a um tipo de duende e a poltergeist, sendo configurado como um espírito travesso, que faz barulhos e move objetos.
A história se baseia nas travessuras deste ser perverso. Todas as vezes que seu nome é pronunciado, algo de ruim acontece. Além disso, todos os acordos que são feitos com o ele devem ser cumpridos. Caso contrário, ele se vingará da pior forma possível.
A Madrinha Morte é o conto dos Grimm de número 44 e está exposto no Sistema de classificação de Aarne-Thompson. A trama conta a história de um homem pobre com 12 filhos. Quando o seu décimo terceiro filho nasce, o homem se encontra com a Morte e pede para ela ser madrinha de seu filho. Ao atingir a maioridade, a Morte promete tornar o jovem um grande médico em troca de um combinado: se ela aparecesse perto da cabeça do paciente, o médico deveria curá-lo. Caso contrário, deveria deixá-lo morrer.
Quando o rei adoece, ele manda chamar o jovem, que fica com pena de sua situação. O médico tenta enganar sua madrinha que fica irritada com a cura, mas o perdoa. Tempos depois, a filha do rei também cai de cama, mas desta vez o médico repete o ato pois está apaixonado por ela. Furiosa, a Morte não irá perdoar seu afilhado dessa vez.
Este conto narra à história de uma princesa que estava à procura de um marido, e sua exigência era que ele aceitasse morrer junto com ela. Um jovem pobre, que trabalhava no exército de seu pai, aceita a proposta. Após a morte da princesa, ele se arrepende do acordo, mas é trancado dentro do túmulo com quatro velas, quatro pães e quatro garrafas de vinho.
Esperando pela sua morte, ele vê uma cobra se curar com uma folha e, minutos depois, consegue ressuscitar sua amada. No entanto, tempos depois, ela deixa de amá-lo e se apaixona pelo capitão de um navio. Ela planeja a morte do companheiro, mas quando volta ao castelo é condenada à morte e é colocada junto ao capitão em um navio em chamas.