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domingo, 28 de junho de 2020

O poderoso Império de Mansa Muça, o homem mais rico que já existiu.

O PODEROSO IMPÉRIO DE MANSA MUÇA, O HOMEM MAIS RICO QUE JÁ EXISTIU

Responsável por domínios diversos na África e pela disseminação do islamismo, esse império foi um dos mais importantes da História
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 28/06/2020

Mansa Muça
Mansa Muça - Wikimedia Commons

O Império do Mali (1235-1670) foi o maior que a África já viu. Composto por forças militares e riquezas raras, a entidade política, que fora governada pelo homem mais rico da História, Mansa Muça no século 14, entrou nos livros como uma potência na região do Saara fundada por Sundiara Queira em 1235 e expandiu costumes por todo o Norte da Áfica, chegando a ter como centro Tombuktu, uma das cidades mais importantes.
Seu líder mais famoso foi Muça I, o mansa (espécie de imperador) que colaborou com diversas dominações malinesas para além do território do antecessor Império de Gana, e ficou globalmente famoso por suas viagens, incluindo a Haje (peregrinação a Meca) promissora e a conquista de incontáveis riquezas.
Os feitos do Emir do Mali foram relatados por diversos estudiosos árabes, principalmente porque o mundo muçulmano apontou todos os olhos ao Império, diante das dimensões. Nomes como al-Umari, Ibn Khaldun, Al-Ducali e Ibn Batutta escreveram sobre a história de Mansa Muça e sua linhagem. Afinal, seu tio-avô havia fundado aquele que, em sua época, era a maior referência de poder político do mundo conhecido.

Peregrinação de Mansa Muça / Crédito: Getty Images


Seu governo ficou conhecido como a Era de Ouro do Mali, quando aprofundou e disseminou costumes islâmicos e tornou o império um expoente da fé em Allah. Além  disso, também desenvolveu o comércio e as relações diplomáticas do país. A potência era temida e respeitada por toda a África, o que fazia com que o monarca tivesse muito cuidado. Ele sempre encarregava um porta-voz para proferir as ordens nas instâncias do governo.
Poder.
Muça chegou ao poder de forma incomum. O processo se deu através de uma articulação para torná-lo vice-rei, e assim herdeiro, durante uma das viagens do monarca anterior.
Esse mandatário, que não fora retratado nos escritos, teria, inicialmente, realizado a litúrgica peregrinação à cidade sagrada dos muçulmanos, Meca, e, depois, comandaria uma comissão que alcançou — apesar de seu ceticismo — aquele que era o “oceano que circunda a Terra”, segundo al-Umari, ou seja, o Atlântico.
Um dos feitos mais relevantes de Muça, que colocou o Mali no centro da geopolítica muçulmana, foi uma peregrinação em 1324, em que, com uma procissão de 60 mil homens e 12 mil escravos, chegou a Meca oferecendo presentes e alianças com os mais diversos territórios.
A haje de Muça criou uma serie de aliados. Por onde passava, oferecia ouro e auxílio. Sua influência no Egito dominado pelos turcos, onde acampou por três dias, alterou completamente a economia.

Ápice do Império Mali / Crédito: Wikimedia Commons


O Império de Muça também disseminou uma etiqueta tradicional que implicava numa série de reverências a ele, exigindo grandes demonstrações de submissão. "Ninguém foi autorizado a aparecer em presença do rei com suas sandálias. Ninguém foi autorizado a espirrar na presença do rei, e quando o próprio rei espirrou, os presentes batem em seus peitos com as mãos”, afirma Nehemia Levtzion, em Ancient Ghana and Mali.
Enquanto ocorria a peregrinação, o Império continuou atuando no sentido de retomar dominações e criar novos núcleos de expansão, incluindo a cidade de Gao, tomada pelo general Sagmandia enquanto o rei viajava. Com o retorno do rei, a corte foi recomposta em Niani e os escribas, sacerdotes e arquitetos retomaram as ações em peso.
Por isso, seu governo ficou marcado por grandes obras de infraestrutura e de mesquitas nos grandes centros. Ordenou construções em seu palácio que possibilitaram maior articulação com outros impérios e admiração da comunidade local, incluindo salões impressionantes. Influenciou o desenvolvimento do grande centro africano, Tombuktu, com prédios religiosos, bibliotecas e instâncias administrativas.
Houve um gigantesco avanço do desenvolvimento urbano e da articulação entre as cidades. O Império se tornou mais coeso e articulado. Além disso, o povoamento do país aumentou e, como consequência, a produção, e o Delta do Níger se tornou um dos polos do mundo.

Iluminura de Mansa Muça / Crédito: Wikimedia Commons


Outro marco importante do Império do Mali sob Mansa Muça foi a globalização de Tombuktu. Diante de seu poder, a mais relevante localidade do Norte da África, se tronou polo comercial, cultural, intelectual, diplomático e, inclusive, religioso.
Os fluxos de comércio das caravanas do Saara passaram a ter o local como entreposto importante e, com isso, as universidades e centros de socialização se tronaram expoentes de disseminação do islamismo. Foi reerguida lá, nessa época, a importante Universidade de Sancoré.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Mansa Musa: a pessoa mais rica do Império de Mali.

MANSA MUSA: A PESSOA MAIS RICA QUE JÁ EXISTIU NA HISTÓRIA

A fortuna do imperador africano era tão grande que historiadores e economistas nunca conseguiram calcular a quantia exata de sua riqueza
DANIELA BAZI PUBLICADO EM 20/12/2019
Mansa Musa governou o Império Mali de 1312 até sua morte em 1337
Mansa Musa governou o Império Mali de 1312 até sua morte em 1337 - Wikimedia Commons
O rei africano Mansa Musa, que governou o Império Mali no século 14 é, até hoje, a pessoa mais rica da história. Assumindo o poder em 1312, Musa recebeu o título de Mansa, que significa rei, e foi o responsável por expandir as riquezas de Mali.
Até então, o império se preocupava, principalmente, com a venda de produtos como ouro e sal, que eram altamente valorizados na época. Seus principais clientes eram de regiões como Europa, África e Oriente Médio. A extensão do território de Mali era de aproximadamente 1,2 milhão km².
Atlas Catalão em que mostra o imperador Mansa Musa / Créditos: Wikimedia Commons
A enorme fortuna de Mansa vem da quantidade imensurável de ouro do Império de Mali. Economistas e historiadores nunca conseguiram calcular a quantia exata de sua riqueza, mas acreditam passar facilmente dos três trilhões de dólares.
Segundo a revista Money, Musa é “mais rico do que qualquer pessoa possa descrever”. Apesar de toda sua fortuna, ele era praticamente desconhecido até o ano de 1314, quando fez uma luxuosa caravana até a cidade de Meca com mais de 60 mil homens, entre civis, soldados e escravos.
Gravura feita em 1670 em que retrata a viagem de Musa para Meca / Créditos: Getty Images
 Durante a viagem, o imperador fez uma parada no Cairo, onde decidiu doar uma certa quantia de ouro. Entretanto, a quantidade foi tanta que levou o Egito a uma crise inflacionária, demorando 12 anos para que a economia local conseguisse se recuperar.
Musa morreu em 1337, após 27 anos no poder, deixando diversas construções importantes como escolas, mesquitas, bibliotecas e museus. Uma de suas mesquitas, a Djinguereber, ainda existe nos dias atuais e pode ser visitada. Mansa chegou a ser ilustrado no Atlas Catalão, em 1375, após ser considerado uma figura de referência importante para estudar o período medieval.