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sábado, 2 de maio de 2020

Em 2011, Osama Bin Laden era executado pelos Estados Unidos.

OPERAÇÃO ÁRDUA: NESTE DIA, EM 2011, OSAMA BIN LADEN ERA EXECUTADO PELOS ESTADOS UNIDOS

O líder da Al Qaeda morreu há exatos 9 anos no Paquistão, após um esforço de um grupo de elite dos EUA
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 02/05/2020
Local de morte de Osama Bin Laden, em Abbottabad
Local de morte de Osama Bin Laden, em Abbottabad - Wikimedia Commons/Getty Images
Quando a Al Qaeda realizou o maior atentado contra o território dos EUA na História, em 11 de setembro de 2001, Osama Bin Laden se tornou o principal alvo do país. O fundamentalista islâmico era líder da associação terrorista e se escondia no Paquistão.
A morte de Bin Laden foi resultado da Operação Lança de Neptuno, uma articulação dos SEAL da Marinha dos EUA, um grupo militar de elite. Após tentativas falhas de capturar o extremista, a CIA encarregou a missão a um especialista em Oriente Médio. Com a investigação de suspeitos de trabalharem para Bin Laden, os militares foram levados para Abbottabad, onde se descobriu o paradeiro do saudita.
Assim, foi elaborado um plano de invasão do complexo em que Osama estava, com o objetivo inicial de capturá-lo vivo. A casa era autossuficiente, com queima de lixo interno e sem saída de pessoas: parecia impossível entrar.
Câmeras e satélites.
Porém, por meses, investigações através de câmeras e satélites não conseguiam comprovar que o homem que vivia em Abbottabad era realmente Bin Laden, porém, com cooperação do Paquistão, eles criaram base suficiente para acreditar numa invasão da fortaleza. Com uma maquete em tamanho real da casa, agentes da SEAL treinavam planos de ocupação, que eram sigilosos e exclusivos à CIA.
Fortaleza de Bin Laden / Crédito: Wikimedia Commons

Após diversas reuniões com Barack Obama e círculos de inteligência e guerra, foi discutida a autenticidade da identidade do homem de Abbottabad, até que, em maio de 2011, deu-se início ao processo.
Com helicópteros de reforço, para a segurança dos estadunidenses em território estrangeiro, um trajeto conclusivo foi traçado, com auxílio do Serviço Especial da marinha britânica. 23 SEALS (mais reservas), quatro helicópteros (Black Hawk e Chinook), um tradutor e um cão farejador foram dispostos para saírem do Afeganistão e chegarem ao local.
O plano era: os Hawk-1 iriam pairar sobre o complexo e os SEALs, desceriam por cordas, invadindo a fortaleza, enquanto outros ficariam de tocaia no perímetro. Mais seis operadores e o líder do projeto subiriam o telhado.
Planta da fortaleza de Bin Laden / Crédito: Wikimedia Commons

Rapidamente os planos encontraram obstáculos: o helicóptero não conseguiu permanacer no ar e caiu no interior do complexo (enquanto tudo era acompanhado na Casa Branca por Obama, Biden, Clinton e sua equipe). O outro Hawk pousou ao lado da fortaleza, sendo enviado um dos Chinooks reserva.
Com o reforço, foi possível invadir a casa, e iniciar as buscas por Bin Laden. Inicialmente, as autoridades executaram seu filho Khalid, e então Abu Ahmed e Abrar Kuwaiti, que trabalhavam como mensageiros.
A operação durou cerca de 40 minutos, resultando na morte de Osama Bin Laden ao invés de sua captura. No entanto, segundo o relato de Mark Owen (pseudônimo de operação de Kevin Maurer) no livro Não Há Dia Fácil, o terrorista sequer resistiu à invasão de seu quarto. Além disso, também foi relatado que seu fuzil AK-47 estava guardado e sem balas.
Bin Laden teria sido abatido inicialmente com um tiro que rasgou seu rosto, disparado pelo primeiro militar que entrou no cômodo. Depois, Owen entrou e se deparou com o homem caído e sangrando. Em seguida, ele levou um último tiro, que o matou. Os agentes coletaram amostras de DNA do corpo, para confirmar identidade, no entanto, uma criança que estava no complexo afirmou se tratar do líder da Al Qaeda.
Osama Bin Laden / Crédito: Wikimedia Commons

Os helicópteros Chinook embarcaram operadores e apreensões, e o cadáver do extremista foi tratado como troféu. Os EUA não pretendiam se manter mais tempo no Paquistão: poderia causar ainda mais atrito num local que não estava em guerra.
A invasão, considerada ilegal, foi relevada pelo governo. Os SEALs chegaram a Jalalabad, Afeganistão, em 90 minutos, sendo encaminhados para a Base Aérea de Bagram via helicóptero (Hercules c-130). O corpo do criminoso foi pesado, fotografado e analisado.
Todavia, a morte de Bin Laden levantou suspeita. Isso porque muitos não acreditavam que o episódio teria acontecido. Organizações como a Irmandade Muçulmana e alguns jornais divulgaram teorias conspiratórias dizendo que a operação teria sido mentirosa. O mistério só foi confirmado dias depois, quando a Al Qaeda divulgou uma nota de luto confirmando o assassinato do líder.
Equipe do presidente Obama acompanha operação / Crédito: Wikimedia Commons

Sem nações que quisessem sepultar o cadáver, Bin Laden foi velado segundo as tradições muçulmanas e sepultado no Mar Arábico, ao ser lançado de um helicóptero envolto em toalhas brancas.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Onde foi parar o corpo fuzilado de Osama Bin Laden?

ONDE FOI PARAR O CORPO FUZILADO DE OSAMA BIN LADEN?

Morto em 2011, o grande inimigo dos Estados Unidos teve um final controverso
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 11/01/2020
Retrato de Osama Bin Laden
Retrato de Osama Bin Laden - Getty Images
Entre as muitas dúvidas sobre a trajetória de Osama Bin Laden, está o destino dado ao seu corpo após a morte por fuzilamento no Paquistão, em 2 de maio de 2011. Segundo os oficiais norte-americanos, o corpo de Bin Laden foi tratado com respeito e de acordo com a tradição islâmica, sendo enterrado no mar poucas horas depois de sua morte.
Fuzilado a tiros durante uma operação no Paquistão denominada Netuno Spear, Bin Laden foi levado ao Afeganistão para exames de DNA e testes de reconhecimento facial — uma fotografia de seu corpo foi enviada à sede da CIA em Virgínia, chegando a uma taxa de semelhança de 95%.
Bin Laden no canal Al-Jazeera / Crédito: Getty Images

Após isso, o corpo de 1,93 metros de altura foi levado para o convés do porta-aviões norte-americano USS Carl Vinson. Enrolado em um lençol branco, ele teria sido colocado em uma prancha e jogado em direção ao mar da Arábia. Segundo um agente de defesa dos Estados Unidos, "(...) um oficial militar leu observações religiosas preparadas, que foram traduzidas para o árabe por um falante nativo".
Por que no mar?
Muçulmanos questionaram o enterro no mar, afirmando que ele só seria apropriado no caso de alguém que faleceu em viagem marítima. Mohammed Qudah, professor de direito islâmico da Universidade da Jordânia, argumentou à agência de notícias Associated Press que o enterro de Bin Laden no mar faria sentido caso não houvesse ninguém para receber o corpo e enterrá-lo segundo a tradição.
"Não é verdade nem correto afirmar que não havia ninguém no mundo muçulmano pronto para receber o corpo de Bin Laden", afirmou Qudah. Duas razões para o enterro foram dadas pelos norte-americanos: não havia tempo para negociar com outras nações, e eles não queriam que seu local de descanso virasse um santuário.
"As autoridades americanas me dizem que a última coisa que eles querem é que seu local de enterro se torne um santuário terrorista. Para evitar isso, uma fonte informada me diz, a intenção é enterrar seu corpo no mar - não deixando local definitivo para o descanso final de seu corpo", registrou Jonathan Karl, da ABC, na época.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

É verdade que os USA criaram Osama Bin Laden?

É VERDADE QUE OS EUA CRIARAM OSAMA BIN LADEN?

Esta é uma que todo mundo tem a resposta (errada) na ponta da língua
EDUARDO COSOMANO PUBLICADO EM 03/01/2020
Osama Bin Laden em uma de suas raras fotografias
Osama Bin Laden em uma de suas raras fotografias - Getty Images
Vamos falar de uma em que todo mundo acredita, a ponto de nem pensar nela como teoria da conspiração. Citada por fontes sérias sem confirmar, como se fosse sólida como o fato de Hitler ser nazista. Que Osama bin Laden é uma cria da CIA.
Pois é, é uma teoria da conspiração, não um fato histórico. Se havia uma coisa no mundo com que a CIA e Bin Laden pudessem concordar é que nunca trabalharam juntos. Não há qualquer documento ou afirmação da época que indique isso. Analistas de inteligência independentes, como Peter Bergen e Steve Coll, bem que tentaram, mas não acharam – e seria um baita impulso para suas carreiras se achassem. Nunca “vazou” nada nesse sentido.
A acusação se refere à Guerra do Afeganistão (1979-1989). No conflito entre radicais islâmicos, os mujahidins, e invasores soviéticos que tentavam defender um governo socialista, a CIA apoiou os primeiros – massivamente, com um orçamento que chegou a US$ 630 milhões em 1987. E Osama, que organizou um grupo de voluntários árabes, tentou fazer o mesmo, tentando “guiar” os afegãos para uma sociedade teocrática após a vitória.
Osama bin Laden / Crédito: Divulgação

O terrorista árabe sempre foi visceralmente antiocidental. Em 1989, o repórter John Simpson, da BBC, topou com ele por acaso – Osama tentou subornar seu motorista afegão para assassiná-lo. Não quer dizer, porém, que Osama não tenha se beneficiado indiretamente da mão aberta do Tio Sam. Ele fez amigos no Afeganistão. Os líderes mujahidins Jalaluddin Haqqani e Gulbuddin Hekmatyar eram os dois maiores beneficiários das mesadas da CIA.
Ambos eram amigos pessoais de Osama. Haqqani inclusive ajudou-o a escapar do Afeganistão em 2001 e, até sua morte, no último dia 3 de setembro, comandou um grupo insurgente contra o governo afegão instalado pelos EUA. É bem provável que sem esses amigos – e seus bolsos recheados pelo governo americano – ele não tivesse se tornado quem se tornou.
Osama também foi financiado diretamente por dinheiro dos EUA. Só não do governo. Em 1984, ele e o palestino Abdullah Azzam criaram a Maktab al-Khidamat (“Direção de Serviços Afegãos”), uma ONG para patrocinar suas ações no Afeganistão. Azzam abriu escritórios em 33 cidades americanas, após fazer um tour pelo país, incluindo passagem por Nova York, Los Angeles, Kansas City e San Diego. A ONG que seria o germe da Al-Qaeda mudaria de nome ao longo dos anos, mas suas últimas fachadas só foram fechadas a partir de 2001.
Quando a CIA patrocinou terroristas.
Além dos senhores da guerra que não são Bin Laden, os EUA definitivamente patrocinaram terroristas. Em alguns casos, de forma ainda hoje nebulosa, como o apoio aos neofascistas italianos que enfrentaram os comunistas nos anos 1960 e 1980 e explodiram uma bomba numa praça em Milão em 1969, matando 17. O governo da Itália tem certeza, mas a CIA nunca admitiu. Outras ações terroristas, porém, estão amplamente provadas. O cubano Luiz Posadas Carriles foi treinado pela agência e passou décadas organizando atentados em Cuba.
Em 1976, chegou a derrubar um avião civil, eliminando 76 civis. Seu parceiro Orlando Bosch chegou a participar da Operação Condor, série de assassinatos políticos na América do Sul. E há o famoso escândalo Irã-Contras. Quando a CIA vendeu armas ao Irã para financiar os Contras, grupo antigoverno da Nicarágua que recorria ao terrorismo.