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terça-feira, 25 de maio de 2021

Encontradas anotações de Ana Bolena.

ANOTAÇÕES SECRETAS DE 485 ANOS: O LIVRO PERDIDO DE ANA BOLENA

A rainha consorte da Inglaterra, decapitada em 1536, fazia parte de um grupo secreto de mulheres que repassavam a antiga obra entre gerações

ALANA SOUSA PUBLICADO EM 25/05/2021

Retrato de autor desconhecido de Ana Bolena, rainha consorte da Inglaterra
Retrato de autor desconhecido de Ana Bolena, rainha consorte da Inglaterra - Domínio Público

Acusada de adultério, traição, incesto e bruxaria, Ana Bolena teve um fim cruel nas mãos do marido, o monarcaHenrique VIIIMãe de Elizabeth I e rainha consorte, a inglesa virou lenda após sua morte brutal.

Decapitada e descartada como lixo, até hoje, tem quem acredite que o cadáver de Bolena continue com o paradeiro incerto. Sabe-se que apenas após cortar a cabeça da soberana, que perceberam que não havia caixão para guardar o corpo, assim, colocaram-na em um saco de flechas.

segunda esposa de Henrique VIII, da dinastia Tudor, não conseguiu gerar um herdeiro masculino para o trono, instigando a fúria do marido, que a traía constantemente com outras mulheres do reino.

Pintura de Ana Bolena na Torre de Edouard Cibot (1799-1877) / Crédito: Édouard Cibot, via Wikimedia Commons / Domínio Público

 

Extremamente religiosa, Ana tinha livros de oração que foram ordenados para serem destruídos após a sua execução. No entanto, alguns exemplarres com inscrições escondidas foram analisados em maio de 2021 e revelaram detalhes importantes sobre a antiga rainha.

Segredos revelados

Apenas três exemplares dos livros de oração de Bolena sobreviveram ao longo dos séculos, sendo que dois estão em Hever — possível local de seu nascimento — e outro está na Biblioteca Britânica.

Intitulado ‘Livro das Horas’, Kate McCaffrey, ex-administradora do Castelo de Hever, foi autorizada a estudar de perto os documentos históricos. Para a sua surpresa, haviam inscrições que passaram despercebidas por anos.

Analisando as antigas páginas do livro de orações, McCaffrey se deparou com três sobrenomes: GageWest e Shirley. Os nomes ainda fazem referência a outro, de uma família de Kent, Guildford de Cranbrook. O fato que pode parecer irrelevante, na verdade, revelou algo histórico.

Parte do livro de orações de ana Bolena / Crédito: Castelo e jardins de Hever

 

A pesquisadora contou ao ITV que o livro fora passado entre gerações de mulheres, que assinavam seus nomes e mais tarde entregavam a outra guardiã. As moças eram conectadas por regiões ou linhagens de família, acrescentou McCaffrey.

Em uma das páginas, a frase escrita por Ana Bolena: "lembre-se de mim quando você orar, que a esperança o guiou dia a dia".

“É claro que este livro foi passado entre uma rede de conexões confiáveis, de filha para mãe, de irmã para sobrinha”, disse ela. “Se o livro tivesse caído em outras mãos, quase certamente perguntas teriam sido levantadas sobre a presença da assinatura de Ana

Para evitar que algum indesejado tivesse posse do objeto sagrado, “o livro foi passado com cuidado entre um grupo de mulheres”, conta a estudiosa. Além de guardarem anotações de outras mulheres, jovens eram encorajadas também a escrever — algo que agregava valor para elas.

Kate McCaffrey com o livro de orações / Crédito: Castelo e jardins de Hever

 

A especialista teve um trabalho complicado para encontrar os vestígios deixados por Bolena no livro de orações. Para alcançar o resultado necessário, McCaffrey utilizou luz ultravioleta e programas de edição de fotos, que ofereceram um olhar mais minucioso sob as páginas.

“Em um mundo com oportunidades muito limitadas para as mulheres se envolverem com a religião e a literatura, o simples ato de marcar este horário e manter o segredo de sua usuária mais famosa foi uma pequena forma de gerar um senso de comunidade e expressão”, falou Kate.

Acredita-se que o ‘Livro das Horas’ tenha sido levado por Bolena até o local de sua decapitação, permanecendo com ela até seu último suspiro. Depois, o item teria sido salvo e guardado por parentes da rainha consorte, que repassaram para outras mulheres.

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/anotacoes-secretas-de-485-anos-o-livro-perdido-de-ana-bolena

sábado, 11 de abril de 2020

Conheça Maria Bolena.

AMANTE DO MARIDO DA IRMÃ E BANIDA DA CORTE: CONHEÇA MARIA BOLENA

Irmã da esposa de Henrique VIII, a singular figura inglesa chegou a ter casos de amor com dois monarcas da Europa
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 11/04/2020
Maria Bolena
Maria Bolena - Wikimedia Commons
Nascida por volta de 1500, Maria Bolena era filha de Thomas Bolena. Ela recebeu uma boa educação desde cedo, sabendo desde ciências até arte. Na maior parte de sua vida, morou na Inglaterra; mas, com o casamento de sua irmã com o rei, ela passou a se envolver com comitivas, sendo enviada ao exterior aos 15 anos como dama de companhia da família de Henrique VIII.
Durante a passagem pelo exterior, Henrique, Thomas e o Rei Luís XII da França fizeram acordos matrimoniais que levaram ao casamento de Maria com o monarca francês. Garantindo posição na corte, a inglesa ascendeu socialmente. Porém, em pouco tempo, a nova rainha tornou-se viúva, retornando à Inglaterra e casando-se de novo com Charles Brandon.
Maria era considerada a mais bela entre as irmãs Bolena - apesar de não existir nenhuma pintura autêntica. Porém, seus conhecimentos e beleza singular lhe renderam diversos amantes em vida, incluindo o genro, Henrique VIII. Em 1520, Maria Bolena se casou com William Carey, um cavaleiro de parentesco distante com o Rei da Inglaterra.
Ana Bolena / Crédito: Wikimedia Commons

Em pouco tempo de casamento, ela e o rei começaram o caso extraconjugal. Os dois de esforçaram para manter o relacionamento em segredo, mas isso tornou-se impossível quando Maria ficou grávida pela segunda vez. O jovem Bolena, nascido em 1525, gerou grande debate. Muitos ainda negam a paternidade do rei, que não reconheceu o filho, mas é dito que o garoto era a cara do monarca Tudor.
Existem boatos de que Maria teria engravidado mais uma vez, no entanto, a falta de registros da criança leva a crer que ela morreu pouco tempo depois de seu nascimento. Em pouco tempo, um surto de uma patologia misteriosa conhecida como Doença do Suor tomou a Europa, trazendo graves consequências para Carey, que morreu em 1528. Sem ajuda financeira e dois filhos, Maria ficou sozinha. Então, deixou a corte inglesa para se casar com um plebeu de nome Stafford, soldado de Calais.
Como Stafford era parente do Duque de Buckingham, que fora executado anos antes por traição, o novo casamento gerou alvoroço no seio da família. Como consequência, a cerimônia ocorreu sem consentimento dos parentes dela ou permissão de Thomas Bolena ou Ana, que era rainha na época. Diante do reboliço, Maria foi oficialmente expulsa da corte.
Henrique VIII / Crédito: Wikimedia Commons

Pouco se sabe sobre o fim da misteriosa vida de Maria Bolena após ser chutada pelos monarcas, o que inclui a causa ou local preciso de sua morte. Mesmo que saibamos que ocorreu em 1543, sequer existem registros conhecidos do local de seu sepultamento. Figura singular da História, sua vida envolveu uma série de ascensões e quedas, marcadas por uma irreverência independente que, pelo jeito, era de família.

sábado, 4 de abril de 2020

A vida íntima de Henrique VIII.

CASAMENTOS FRUSTRADOS, MORTE E AMANTES: A VIDA ÍNTIMA DE HENRIQUE VIII

Apesar de esconder muito bem seus casos amorosos, a obsessão sexual do monarca parecia insaciável. Afinal, quantas mulheres se envolveram com ele?
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 04/04/2020
Foto do monarca Henrique VIII
Foto do monarca Henrique VIII - Domínio Público
Seria leve demais dizer que Henrique VIII teve uma vida conjugal um tanto quanto agitada. Desesperado por um herdeiro, ele anulou seu casamento com Catarina de Aragão para se juntar com a nobre e ambiciosa Ana Bolena.
Entretanto, a união gerou apenas uma filha e o monarca resolveu condenar e executar sua amada por adultério e traição. Assim, ele casou, novamente com Joana Seymour, que lhe deu o tão sonhado filho. Mas ela acabou morrendo no parto.
As esposas de Henrique VIII / Crédito: Wikimedia Commons

A fila real não demorou muito para andar, e logo Henrique estava casado com Ana de Cleves — a união durou apenas alguns dias. Sua quinta esposa, Catarina Howard, teve o mesmo destino de Ana Bolena. Por fim, ele acabou com Catarina Parr, que sobreviveu as loucuras obsessivas do monarca.
Porém, muito se engana quem pensa que as conturbadas relações do monarca bastaram apenas a essas seis mulheres, longe disso. Henrique VIII também investiu em alguns romances fora desse eixo. Dois desses casos são particularmente conhecidos por nós: Elizabeth Blount e Maria Bolena — irmã de Ana.
A relação com Bessie.
Elizabeth Blount foi a primeira amante do rei. Ela nasceu em Shropshire, na Inglaterra, em 1502. Mais conhecida como Bessie, ela chegou a Corte como dama de honra da esposa do monarca, Catarina de Aragão. Foi assim que eles se aproximaram e, posteriormente, se envolveram amorosamente.
O relacionamento dos dois durou um tempo relativamente longo, em comparação com os outros amores do rei. Em julho de 1519, Blount deu à luz a Henrique Fitzroy. Mais tarde, ele foi criado como Duque de Richmond e Somerset — sendo o único filho fora do casamento reconhecido por Henrique VIII.
A paixão pela irmã de Ana Bolena.
Irmã mais velha de Ana, Maria Bolena foi outra a se envolver com Henrique VIII. Em fevereiro de 1520, o monarca compareceu ao casamento de Maria com o mercador William Carey.
O momento exato em que Maria tornou-se amante do rei não é claro, mas sabe-se que tanto Ana quanto ela já eram conhecidas por Henrique por serem filhas de Tómas Bolena que, junto com o estadista Thomas Wolsey, haviam planejado a magnífica reunião anglo-francesa no Campo do Pano de Ouro.
Assim como não há uma certeza quando a união começou, tampouco se sabe quanto ela durou e como ela terminou. Muitos especulam que os amantes se separaram antes do nascimento de Henrique Carey — suposto filho de Maria com William —, em 1526.
Embora, muitos historiadores deixarem em aberto a possibilidade da criança ser herdeira do monarca, Maria Bolena jamais teve a mesma fama, riqueza e poder de Bessie.
Henrique Fitzroy, filho de Henrique VIII com Elizabeth Blount / Crédito: Wikimedia Commons

Mais tarde, em 1522, um casamento foi arranjado entre Bessie e Gilbert Tailboys, o 1.º Barão Tailboys de Kyme. Assim, ela se aposentou da Corte por um tempo e teve mais dois filhos. Seu marido morreu em 1530.
Após as perdas, ela se casou novamente com Edward Clinton, 1.º Conde de Lincoln. Por um breve momento, ela foi dama de companhia da quarta esposa de Henrique VIII, Ana de Cleves — mas, por problemas de saúde, ela deixou o cargo.
A maioria das outras mulheres que se envolveram com o monarca o conheceram enquanto o mesmo tentava ter um herdeiro com Catarina de Aragão. A primeira entre elas seria Ana Hastings, irmã do duque de Buckingham. O amigo íntimo de Henrique, William Compton, teria sido o intermediário desse affair, mas o caso teria acabado depois do monarca descobrir que Ana havia se envolvido com Compton.
Havia também a misteriosa Jane Popincourt — uma francesa, que foi professora de suas irmãs —, que foi impedida de entrar na França por Luís XII. Mas o romance entre ela e Henrique teria sido muito mais sigiloso, o que impediu que ele tivesse a mesma repercussão do de Bessie e de Maria Bolena.
O rei também teria se entrelaçado amorosamente com Maria Berkeley, que se casou, em 1526, com Thomas Perrot — que havia sido cavaleiro de Henrique. Acredita-se que Maria fazia parte da casa de Catarina, e que eles aproveitaram alguns momentos a sós para consumarem uma relação.
Ainda há outras mulheres que possivelmente se envolveram com o rei, mas por ele ser um homem muito particular e que sempre procurou tomar medidas para esconder seus rastros, é provável que todos os casos amorosos de Henrique VII jamais venham à tona.

terça-feira, 10 de março de 2020

O que aconteceu com o cadáver decapitado de Ana Bolena?

O QUE ACONTECEU COM O CADÁVER DECAPITADO DE ANA BOLENA?

Embora sua execução tenha sido meticulosamente planejada, ninguém decidiu o que seria feito com o corpo da rainha consorte da Inglaterra
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 10/03/2020
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Wikimedia Commons
Ana Bolena teve um ano muito difícil em 1536. Primeiro, quando estava grávida, descobriu que seu marido estava tendo um caso com Joana Seymour, uma de suas damas de companhia. Alguns acreditam que o choque ao descobrir a traição, fez com que Ana sofresse um aborto espontâneo no início de fevereiro.
O nascimento do menino salvaria sua vida, no entanto, como ela não conseguiu produzir um herdeiro masculino para o trono, seu marido decidiu substituí-la. Ana se viu presa na Torre de Londres em 2 de maio, acusada de adultério e incesto. Seu casamento foi anulado no dia 17 daquele mês e ela seria decapitada dois dias depois.
Para acrescentar todo o insulto moral que passou, ninguém ao menos se deu ao trabalho de enterrá-la dignamente. Embora a execução em si tenha sido meticulosamente planejada, ninguém se deu conta que não havia um caixão para o corpo, a ficha só caiu com o rolar da cabeça de Ana.
Depois de um tempo, um velho saco de flechas foi utilizado para enfiar o cadáver. Ela e o irmão foram então enterrados em um túmulo não marcado em frente ao altar da Capela Real de São Pedro ad Vincula, e seria completamente esquecida pelos próximos 300 anos. Somente com um reparo na Torre, em 1876, que Ana, talvez, tenha ressurgido.
Alguns ossos foram descobertos sob o altar durante as reformas. Eles pertenciam a uma mulher entre 25 e 35 anos de idade que teve sua cabeça decapitada, muitos acreditam que seria Ana. No entanto, Henrique VIII descartou sua quinta esposa, Catarina Howard, da mesma maneira e jogou seu cadáver sob a pilha de corpos acumulados sob o altar. Outas mulheres foram decapitadas e enterradas no mesmo lugar, incluindo Margaret Pole, Joana Gray e a viscondessa de Rochford.
Apesar de cinco mulheres sem cabeça terem sido enterradas no local, apenas quatro corpos foram descobertos — os restos mortais de Catarina Howard aparentemente desapareceram. Independente da incerteza, a rainha Vitória exumara os corpos e os colocou em caixões individuais. Assim receberam um enterro apropriado embaixo do altar.
A rainha Vitória exumara os corpos e os colocava em caixões individuais / Crédito: Wikimedia Commons

Porém, como nenhum teste de DNA foi feito nos corpos, muitos ainda não acreditam que o corpo de Ana Bolena tenha sido realmente encontrado, e que os restos possam pertencer a outra pessoa e, ainda assim, ter sido creditado a ela. O que corrobora com a teoria de que ela e seus parentes tenham sido sepultados em um outro lugar.

domingo, 8 de março de 2020

Os últimos dias angustiantes de Ana Bolena.

OS ÚLTIMOS DIAS ANGUSTIANTES DE ANA BOLENA

Acusada de alta traição, a rainha teve que passar por contratempos até finalmente ser decapitada
CAIO TORTAMANO PUBLICADO EM 08/03/2020
Ana Bolena na Torre de Londres
Ana Bolena na Torre de Londres - Wikimedia Commons
Depois de uma acusação completamente questionável por parte da corte do rei Henrique VIII, Ana Bolena (segunda esposa do monarca) foi condenada à morte por alta traição, após conspirar sobre a morte do rei, e por ter se envolvido com outros cinco homens — um deles, inclusive, seria o seu irmão.
Muitos historiadores acreditam que Ana foi vítima de uma conspiração, só não sabem com exatidão quem teria sido o autor dessa fraude. Pode ter sido seu marido, que queria um herdeiro homem para a Inglaterra, ou Thomas Cromwell, com quem ela teve um desentendimento pelo alinhamento amigável com a França.
Henrique VIII (esq.) e Thomas Cromwell (dir.) / Crédito: Wikimedia Commons

Bolena tinha pouca esperança de que sua inocência fosse provada, mesmo que os depoimentos das supostas traições não condissessem com os lugares que ela estava. Ela morreria ou na fogueira, ou por decapitação por um exímio cavaleiro.
A execução dela estava agendada para o dia 18 de maio, na Torre de Londres ( notório local de execuções na Londres antiga). A rainha estava preparada para morrer nesse dia, se confessando pela uma última vez com o capelão da torre. Entretanto, a execução foi atrasada depois das ordens de Thomas Cromwell, que não permitia nenhum “estranho” durante o acontecimento.
Ele se referia aos diplomatas estrangeiros que iriam presenciar a morte de uma rainha da Inglaterra por conta de seus supostos amantes. Esse acontecimento certamente geraria comoção, e faria Henrique parecer o vilão da história.
No dia seguinte, lá estava Ana para ser executada, levada dos aposentos no qual esperava a sua coroação anos antes, até o cadafalso onde encontraria seu inevitável destino. Suas vestes não mentiam, de cor vermelha — para simbolizar o martírio — a rainha sabia que estava sendo injustiçada.
Em seu discurso antes de morrer, Bolena dizia não estar fazendo um sermão, mas sim estar lá para morrer. Além disso, disse que não questionaria a decisão por ter sido passada nas mãos da lei. Surpreendentemente, não guardou rancor de seu antigo marido: “Não estou aqui para acusar alguém, nem para falar sobre o motivo de minha acusação. Peço a Deus que salve o rei e que viva muito para reinar por um lugar mais misericordioso”.
A execução foi limpa e certeira, o cavaleiro designado para tal só precisou de um golpe de espada para decapitar a rainha. Suas damas de companhia recolheram os restos de seu corpo e levaram para uma capela nas redondezas.
Ninguém se dispôs a oferecer um caixão para a antiga rainha, assim, um guarda da realeza buscou um baú de madeira para que os restos fossem depositados. Seu corpo despedaçado foi enterrado ao lado dos restos de seu irmão, o Lord Rochford.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

A cruel saga das esposas de Henrique VIII.

DECAPITADAS, DIVORCIADAS E ATÉ MESMO APOSENTADAS: A CRUEL SAGA DAS ESPOSAS DE HENRIQUE VIII

Considerado o pior monarca da história da Inglaterra, as mulheres de Henrique passaram por situações desesperadoras
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 15/02/2020


As esposas do monarca sanguinário
As esposas do monarca sanguinário - Wikimedia Commons

Entrando para a História como um cruel monarca que dividiu o país levando a confrontos e mortes durante séculos, Henrique VIII foi considerado o pior monarca da Inglaterra pela Associação dos Escritores Históricos do Reino Unido. 
Parte do título se deve a cruel saga em que submeteu suas seis esposas (apenas três reconhecidas pela lei), decapitando algumas delas como forma de divórcio. Entenda o que aconteceu com cada uma delas. 
1. Catarina de Aragão.


Crédito: Wikimedia Commons


A primeira esposa de Henrique VIII fez parte de seu casamento mais duradouro. Casou-se com ela por paixão, depois que seu irmão – e primeiro marido de Catarina – morreu. A relação durou 23 anos e rendeu uma filha, Mary. Após esse tempo, sem que tivessem um filho homem, Henrique foi até o papa, alegando que o casório era inválido e que exigia uma anulação, nunca concedida. O monarca, então, fundou a Igreja Anglicana e deixou Catarina, provavelmente já com o objetivo de tornar Ana Bolena sua amante.
2. Ana Bolena.


Crédito: Wikimedia Commons


Ana era irmã de uma amante do rei, Maria. Ao abandoná-la, Henrique começou um caso com Ana e se casou com ela, pois a moça, sabendo da índole do monarca, disse-lhe que apenas com cortejos e um casamento, os dois dormiriam juntos. Ana Bolena, então, se tornou figura importante da Igreja da Inglaterra, que sofria fortes represálias de Roma.
No entanto, acabaria sofrendo após encontrar o mesmo osbtáculo que as primeiras esposas: não conseguiur gerar um herdeiro para o monarca, como sucessor. Rapidamente Henrique VIII perdeu o interesse em Ana Bolena, divorciou-se dela e a decapitou.
3. Jane Seymour


Crédito: Wikimedia Commons


Dez dias depois da morte de Ana, Henrique já estava casado com uma de suas damas, Jane. Assim, muitos acreditam que eles tinham um caso durante o segundo casamento do rei. Diferente das esposas anteriores, Jane conseguiu gerar um filho homem para o trono real, porém, complicações no parto fizeram com que ela morresse doze dias após o nascimento da criança.
Jane foi a única esposa de Henrique VIII a ter um enterro próprio de uma rainha, na Capela de São Jorge, Windsor.
4. Ana de Cleves


Crédito: Wikimedia Commons


Era uma princesa alemã casada por seis meses com Henrique VIII de maneira não oficial. Isso porque ela era casada com outro nobre inglês, o que foi usado como argumento para a anulação do matrimônio. Dessa vez, a esposa concordou com o fim do casamento, recebendo uma grande recompensa financeira. Ana viveu toda sua vida no castelo de Hever, que pertencia aos Bolena, e manteve uma boa relação com Henrique até o fim da vida do monarca.
5. Catherine Howard


Crédito: Wikimedia Commons


Aos 49 anos Henrique casou-se novamente, mas com uma menina de 16 anos. Seu casamento foi curto, durando apenas um ano, pois Catherine foi acusada de adultério, o que acabou na sua condenação, três meses após assumir o cargo de rainha. Como consequência acabou sendo decapitada. 
6. Catarina Parr


Crédito: Wikimedia Commons


A última esposa de Henrique VIII teve papel importante de restauração da ordem da corte britânica. Henrique chegou a declará-la sucessora do trono quando o rei foi à guerra. Quando morreu, Catarina foi autorizada a morar em seu palácio com o título de Rainha Viúva.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

A execução de Ana Bolena: teria ela realmente sido adúltera?

A EXECUÇÃO DE ANA BOLENA: TERIA ELA REALMENTE SIDO ADÚLTERA?

A Rainha consorte de Henrique VIII, a primeira a ser decapitada, foi uma das mais influentes mulheres da corte
CARIN HOMONNAY PETTI PUBLICADO EM 22/10/2019
None
Wikimedia Commons
Em 1536, três anos após casar-se com o rei Henrique VIII, provavelmente com 35 anos, Ana Bolena acabou decapitada, sob a acusação de adultério com cinco homens — entre eles, o próprio irmão.
Não é de estranhar que a vida de Ana, tão cheia de intrigas de alcova, sexo, mortes, mentira e traição, seja, séculos depois, ainda popular no cinema, na internet e na literatura. A mais polêmica versão, com doses maiores de sexo e menores de conspiração, Anne Boleyn: Fatal Attractions (Ana Bolena: Atrações Fatais) mostra uma visão diferente da rainha. 
Na contramão do que alega a grande maioria dos historiadores contemporâneos, partidários da inocência da rainha, o autor George Bernard, professor da Universidade de Southampton, na Inglaterra, acredita que ela pode ter traído Henrique VIII. E até três vezes, talvez por causa da desesperada tentativa de conseguir um herdeiro do rei.
O pesquisador contesta a visão de que a mais famosa dos Bolenas tenha sido vítima de uma armação, seja por parte de Henrique VIII, interessado em ter um filho homem (que ela não dava), seja por parte de nobres inimigos, em busca de mais poder.
Para chegar a essa conclusão, Bernard baseia-se principalmente em um poema de 1536, escrito por Lancelot de Carles, diplomata francês na Inglaterra. Segundo um dos trechos, a infidelidade da rainha veio à tona por acaso, numa discussão entre uma de suas damas de companhia, a condessa de Worcester, e o irmão, que a acusava de adultério.
Na tentativa de se defender, a condessa teria alegado que suas escapadas não eram nada se comparadas às da rainha - ela, sim, ia para cama não só com um músico da corte, mas com o próprio irmão. Pronto, estaria engatilhado o processo que custou a vida de Ana e a de seus cinco supostos amantes. Entre eles, o músico da corte Mark Smeaton, o único réu confesso. Interrogado, disse que dormiu três vezes com a rainha.
Ana menina.
Ana nasceu entre 1500 e 1507. Não se sabe ao certo. Filha de um embaixador, cresceu entre as mais sofisticadas cortes da época. Morou no palácio de Margarida da Áustria, regente dos Países Baixos, e, perto dos 20 anos, foi dama de companhia da rainha Claudia, na França, onde se apaixonou pelos costumes locais.
Em 1521, foi chamada de volta à Inglaterra por causa dos crescentes desentendimentos entre Henrique VIII e o rei francês Henrique I. No ano seguinte, o inglês declararia guerra à França, de olho em territórios do outro lado do canal da Mancha e no controle de portos no mar do Norte.
Ana logo se tornou uma dama de companhia da futura rival, a rainha Catarina de Aragão. Acabou fisgando o coração do nobre Henry Percy. "O amor entre os dois era tão grande que resolveram se casar", contou, então, George Cavendish, servo do todo-poderoso cardeal Thomas Wolsey. Mas o religioso proibiu o namoro. Teria sido uma exigência do rei, já apaixonado por ela.
Na época, o cobiçado papel de amante do monarca era de sua irmã mais velha, Maria Bolena. Com fama de difícil, Ana teria resistido por cinco anos às investidas de Henrique VIII. Determinada, não se contentava como amante. Outra versão, defendida por George Bernard, é que o soberano resistiu aos encantos dela.
Ele temia que, se o caso ganhasse evidência, seriam frustradas as negociações com o papa para o tão desejado divórcio, baseadas até então em argumentos teológicos. Bernard diz que o rei era íntimo de Ana e poderia ter feito sexo com ela se quisesse. Numa das cartas de Henrique a Ana, por exemplo, ele dizia acreditar que logo beijaria os seios dela.
Casamento secreto.
Durona ou não, acabou se entregando ao rei. No início de 1533, descobriu que estava grávida de sua única filha, a futura rainha Elizabeth I. Com a barriga inesperada, a dupla casou-se em segredo. Meses depois, em 23 de maio, Thomas Cranmer, o novo arcebispo de Canterbury, deu o sinal verde para o divórcio entre o monarca e Catarina. Ana finalmente ganhava direito à coroa. No domingo 1º de junho, em trajes de veludo roxo, ela foi coroada com toda a pompa na abadia de Westminster.
Ana com a filha, a futura rainha Elizabeth I / Crédito: Wikimedia Commons
Entre tantas versões da vida de Ana, as maiores polêmicas são seu papel na corte e o fato de ter ou não traído Henrique. "Ela é culpada apenas de comportamento inadequado com os cortesãos", diz o historiador Peter Marshall, professor da Universidade de Warwick. Seu principal argumento é que a traição não foi confessada pela rainha nem por quatro de seus cinco supostos amantes.
"Com medo do castigo divino, os criminosos quase sempre admitiam o delito até minutos antes de morrer. Se fosse culpada, ao insistir em sua inocência, Ana estaria cometendo perjúrio não só aos olhos dos homens, mas aos de Deus. E qualquer pessoa do século 16 acreditaria que isso levaria à condenação eterna."
Filho homem.
O historiador Estevão Martins, da Universidade de Brasília, afirma que o rei se desinteressou por Ana quando ela não produziu um herdeiro homem (o que tampouco havia feito Catarina): "Esse era um motivo para grandes conflitos constitucionais na hora da sucessão". E cita agravantes. Ana enfrentava a resistência de facções políticas, como a nobreza escocesa católica, supostamente disposta a alimentar acusações de adultério. "Eles queriam vê-la morta porque eram contrários à criação da Igreja Anglicana."
Também fala em armação Edmilson Martins Rodrigues, professor de história moderna da PUC-RJ. "Henrique VIII se livrou de Ana porque precisava de apoio de grupos da alta nobreza, inimigos da rainha", diz.
O soberano havia distribuído terras confiscadas da Igreja Católica para a pequena nobreza, responsável pela produção agrícola. Queria, assim, levar o grupo ao Parlamento e ganhar força política. Depois, mudou de ideia e voltou a buscar o apoio da alta nobreza. E Ana era alinhada ao primeiro grupo.
Há também quem defenda que por trás das acusações estava Thomas Cromwell, o mais importante ministro da corte. Ele e a rainha teriam se desentendido quanto aos rumos do confisco das terras da Igreja e da política externa (Cromwell queria se aliar ao Sacro Império Romano-Germânico e ela preferia a França). Essa é a tese de Eric Ives, um dos mais renomados biógrafos de Ana.
Por conspiração, adultério ou uma combinação dos dois fatores, o fato é que ela acordou cedo na sexta feira, 19 de maio de 1536. Antes de amanhecer, assistiu à sua última missa. Por volta das 8 horas, caminhou até o cadafalso da Torre de Londres. Em suas últimas palavras, encomendou a alma a Deus.
Bolena elogiou o rei, provavelmente tentando evitar perseguições a sua família. Foi vendada e decepada a golpe de espada. Dez dias depois, Henrique VIII casou-se com a amante Jane Seymour — união que lhe rendeu o tão esperado herdeiro, o futuro rei Eduardo VI. O soberano ainda teve três outras mulheres, até morrer, em 1547.

domingo, 22 de setembro de 2019

10 fatos curiosos sobre Ana Bolena, uma das mais controversas rainhas inglesas.

10 FATOS CURIOSOS SOBRE ANA BOLENA, UMA DAS MAIS CONTROVERSAS RAINHAS INGLESAS

O rei Henrique VIII anulou seu casamento para se casar com ela. Mas quem era Ana Bolena?
VINÍCIUS BUONO PUBLICADO EM 22/09/2019

A monarca
A monarca - Reprodução

Ela foi educada na França e na Bélgica
Filha do diplomata Tomás Bolena, ela foi mandada, na infância, para a Bélgica. Posteriormente, foi para a residência dos Tudor em Paris, onde finalizou seus estudos, aprendendo o idioma e os maneirismos da corte francesa. Conta-se que algumas pessoas chegavam até a achar que ela era nativa de Paris.
Ela tocava alaúde.
Além de ser exímia dançarina, o interesse da rainha em música ia além: ela tocava o alaúde, instrumento de cordas parecido com o violão e que era bem difundido na Idade Média. Um livro com a inscrição dela está guardado na Royal College of Music em Londres, apesar de não se saber se realmente a pertencia.
Ana Bolena quase se casou com outro homem antes de Henrique VIII.
Tomás Bolena e um primo, Sir Piers Butler, estavam disputando terras na Irlanda que pertenciam a um ancestral comum dos dois. Para acabar com a disputa, foi sugerido que Ana se casasse com James Butler, filho de Piers. A ideia estava florescendo e o próprio Henrique VIII (que, na época, tinha Mary, a irmã de Ana, como amante) já tinha aprovado a união, que acabou não se concretizando. Ela também teve um relacionamento com um homem chamado Henry Pierce.

Ana Bolena e Henrique VIII, por Arthur Hopkins. / Créditos: Reprodução

Em sua coroação, ela estava grávida.
Antes mesmo de conseguir a anulação de seu casamento, Henrique VIII já cortejava Ana Bolena, e muitas de suas cartas sobreviveram até hoje. Menos de quatro meses após sua coroação como rainha consorte em 1o de Junho de 1553, Elizabeth nasceu.
O emblema dela era um falcão branco.
Os Bolena se apropriaram do falcão branco, presente no brasão da tradicional casa dos Butler. O poeta Nicholas Udall escreveu alguns versos comparando Ana Bolena à majestosa ave e a nova rainha resolveu usá-la como símbolo pessoal. Foi, inclusive, grafitado na Torre de Londres.
Não se sabe muito sobre suas crenças, mas acredita-se que ela era reformista.
Na época, a Reforma Protestante estava inflamando a Europa. Na Inglaterra, ela se deu justamente pelo rompimento de Henrique VIII com Roma e o Papa. Ainda assim, as regras seguidas ainda eram as católicas, como a exclusividade das bíblias em latim. Ana Bolena foi favorável à tradução delas para o inglês, um pensamento reformista.
Além disso, ela e o marido providenciaram a soltura de Nicholas Bourbon, um professor e poeta francês preso por fazer críticas às teologias católicas vigentes como a adoração de santos. Como gratidão, ele foi para a Inglaterra educar o sobrinho da rainha.
Ela não foi a única a ser executada.
Uma honra que ninguém gostaria de ter. Assim como Catherine de Aragão, ela não conseguiu dar ao rei o que ele mais queria: um herdeiro. Apenas três anos após o casamento que começou com tantas juras de amor, ela foi julgada e condenada por alta traição, adultério e incesto.
Os rumores, nunca comprovados, diziam que ela estava tendo um caso com o irmão, George. Ela foi decapitada em 19 de maio de 1536 e, em menos de um mês, o rei já estava casado novamente com Jane Seymour, que morreu no parto do seu primeiro (e único) filho homem, Edward VI. A esposa de número cinco, Catherine Howard, teve o mesmo infame destino que Ana Bolena.
Dizem que ela tinha 11 dedos.
Com toda a circunstância envolvida em sua ascensão ao trono, era natural que Ana Bolena fizesse alguns inimigos. Um deles, o católico Nicholas Sander, dava descrições detalhadas de como ela era horrível, chegando a dizer, inclusive, que tinha seis dedos na mão direita. É provável que fosse tudo um rumor espalhado pelo religioso, porque não se encontra mais nenhum outro relato disso entre os contemporâneos da rainha.
A filha dela se tornou a Rainha Elizabeth I e reinou sobre a Inglaterra por 44 anos.
Único fruto do casamento, Elizabeth chegou ao trono de maneira conturbada após a morte do meio-irmão Edward. Ela se tornou uma das mais populares monarcas da história britânica, permanecendo no trono por mais de quatro décadas.
Nesse período, venceu a Invencível Armada espanhola, promoveu a exploração e as artes (Francis Drake, Shakespeare e Marlowe são todos desse período) e evitou diversas tramas para matá-la depois do Papa ter declarado que seu reinado era ilegítimo.
Apenas uma imagem dela sobreviveu ao tempo.

A medalha com o rosto de Ana Bolena. / Créditos: Reprodução

Depois que Ana Bolena foi executada, todas as imagens que a representavam foram destruídas, menos uma: uma medalha cunhada em 1534 que contém a efígie da rainha. Há suspeitas de que uma mulher não identificada num quadro do século 16 também seria ela, mas os cientistas, mesmo com o uso de softwares de reconhecimento facial, não quiseram determinar se é ou não por achar os dados inconclusivos.

segunda-feira, 28 de março de 1994

Ana Bolena, esposa do Rei Henrique VIII da Inglaterra.


Ana Bolena, foi esposa do Rei Henrique VIII da Inglaterra. Teve uma filha, Elizabeth I. Foi presa na Torre de Londres, e decapitada. 

Fonte: Vasco da Gama. Coleção: Grandes Personagens da História Universal, Volume 21, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1970.