CRIPTAS E RUÍNAS DE TÚNEIS SÃO ENCONTRADAS EM ANTIGA CAPELA DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS
Na Polônia, pesquisadores estão realizando uma intensa investigação para desvendar os mistérios da poderosa ordem militar
ALANA SOUSA PUBLICADO EM 19/09/2020
Antiga capela dos Cavaleiros Templários - Divulgação/Małgosia Krakowska
A ordem mais poderosa da cristandade, os Cavaleiros Templários exerceram grande influência durante a Idade Média. Até hoje relíquias e detalhes sobre a intensa — e breve saga —, dos combatentes são alvos de estudo e curiosidade. No entanto, ainda há muito o que se descobrir.
Menos conhecidas do grande público, capelas e fortes construídos no oeste da Polônia estão sendo objeto de pesquisa para arqueólogos, que buscam encontrar segredos da ordem militar que ainda não foram revelados.
Com início em 2019, uma série de escavações está em andamento em uma das mais enigmáticas pousadas dos Templários — no local, existe até mesmo o rumor que o Santo Graal estaria escondido há séculos.
De acordo com Przemysław Kołosowski, arqueólogo que luta para preservar a herança medieval da aldeia de Chwarszczany, sete criptas, fortificações e um possível túnel secreto foram localizados pelos pesquisadores.
Utilizando um radar de penetração no solo descobriu-se que, sob a capela de Santo Estanislau, estão enterrados corpos de alguns dos lendários cavaleiros. “Segundo lendas e documentos medievais, existia um poço nas proximidades da capela. Diz-se que o poço servia de entrada para um túnel secreto”, afirmou Przemysław Kołosowski em entrevista à CNN.
As investigações ainda continuarão para que, com sorte, no futuro, o túnel e mais vestígios da Ordem medieval sejam encontrados.
A mais poderosa ordem de cavaleiros da cristandade foi também uma das mais breves
CARLO CAUTI PUBLICADO EM 08/02/2020
Representação dos Cavaleiros Templários - Divulgação/Crusades Wallpapers
A ordem de cavaleiros mais poderosa da cristandade foi também uma das mais curtas: com dois séculos de existência, foi aniquilada pelo rei da França, Filipe IV, o Belo, que atacou os Templários para roubar seus bens. Rica e controladora da cobrança de impostos, a organização era obstáculo para a consolidação da França.
O reinado estava quebrado e precisava de recursos. E, na lógica do rei, os cavaleiros, cuja função de protetores da Terra Santa tinha se esgotado, podiam ser sacrificados – ainda que, para isso, ele tivesse de forçar a maioria a confessar, sob tortura, crimes jamais cometidos.
Acusados pelo rei de heresia e sodomia, os cavaleiros que viviam no país foram executados em 1307, enquanto o grão-mestre, Jacques de Molay, e seu vice, Geoffroy de Charny, foram presos, à espera de subir o cadafalso em 1313.
Na ilha dos Judeus, no rio Sena de Paris, ambos enfrentaram uma massa furiosa de pessoas, que acreditaram nas acusações falsas do rei.
De Molay, já resignado, apoiou-se na trave de madeira, onde seria queimado, e jogou a grande manta branca com a cruz vermelha, símbolo dos Templários, para longe do seu corpo.
Com o gesto, o cavaleiro salientava que, naquele momento, o homem seria destruído, mas não a Ordem do Templo que ele representava. Apesar de todo o simbolismo e nobreza da atitude de seu líder, o fato é que terminava ali a aventura da mais influente de todas as Ordens de cavalaria.
TEMPLÁRIOS: ANJOS PARA OS CRISTÃOS, DEMÔNIOS PARA OS MUÇULMANOS
Os árabes ficaram aterrorizados com os guerreiros cristãos que vinham tomar Jerusalém dos “infiéis”
ISABELLE SOMMA PUBLICADO EM 22/10/2019
- Crédito: Wikimedia Commons
“Glorioso seja Alá, o criador e autor de todas as coisas! Qualquer um que tenha tido conhecimento do que diz respeito aos franj apenas pode glorificar e santificar Alá, o Todo-Poderoso, pois neles se veem animais que são superiores em coragem e fervor para lutar, e em nada mais, assim como bestas são superiores em força e agressividade”.
Esse trecho de Osama Ibn Mounkidh, diplomata e cronista sírio que em sua autobiografia fez várias descrições dos cruzados, resume a opinião dos árabes muçulmanos sobre os franj — os cruzados que partiram do Ocidente no século 11 para a conquista da Terra Santa.
A truculência e a intolerância dos recém-chegados chocaram os habitantes do Líbano, da Síria e da Palestina e provocaram uma enorme comoção em todos os cantos do mundo islâmico. Afinal, os invasores católicos eram responsáveis por saques, massacres, atos de crueldade contra mulheres e crianças e — por Alá! — até canibalismo.
Para os árabes muçulmanos, a invasão dos cavaleiros de Cristo era, por si só, uma barbaridade. Não havia ocorrido desentendimento algum que justificasse as campanhas militares dos cristãos ocidentais e muito menos a selvageria com a qual os combates eram travados.
A desculpa dos invasores provocou ainda mais espanto: eles estavam ali para retomar os locais considerados santos pelos cristãos. Do ponto de vista árabe, o argumento era incoerente, já que os principais pontos de peregrinação cristãos estavam abertos a eles, como a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém.
Os cristãos de rito oriental — como ortodoxos, armênios, maronitas e siríacos — formavam o maior grupo na cidade, sagrada para muçulmanos e judeus. E, apesar de Jerusalém ser governada por muçulmanos, não havia restrição às práticas religiosas não islâmicas. A opção religiosa nunca impediu que judeus e cristãos ocupassem cargos importantes nos califados. No serviço público, os seguidores de Jesus Cristo eram até maioria.
É verdade que havia um grau de desigualdade entre os seguidores das diferentes religiões, marcada pela exigência do pagamento de um tributo, conhecido como jizya. Os cristãos e judeus eram obrigados a pagar e a taxa era calculada de acordo com a riqueza do contribuinte: quanto mais rico, maior o imposto. Os pobres eram isentos.
Mas, segundo a historiadora Carla Obermeyer, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a quantia raramente era recolhida. Os peregrinos cristãos também eram recebidos em Jerusalém sem nenhuma restrição.
Eles podiam visitar a Via Dolorosa, o Monte das Oliveiras e a Igreja do Santo Sepulcro sem serem incomodados. Eles gozavam de liberdade de culto, assim como judeus e cristãos orientais de todos os segmentos.
Por outro lado, o respeito pela crença alheia não era uma característica dos recém-chegados, que chamavam de “cachorro depravado” o profeta Maomé.
“Os muçulmanos ficavam obviamente ofendidos com essa calúnia. E, como reverenciavam Jesus como um dos profetas enviados por Alá, os muçulmanos ficavam perplexos com o obstinado apego dos cristãos a uma ideia de Deus que contradizia explicitamente a descrição de Alá — a da Trindade cristã”, afirma David Waines, autor de An Introduction to Islam (Uma Introdução ao Islã, inédito no Brasil). Para os muçulmanos, Alá não pode ser dividido em três – Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é único e onipotente.
Crianças em espetos
A imagem dos cruzados se deteriorou mais após a conquista de Antióquia e principalmente de Maara, cidades da Síria, na época. Como não tinham como se defender, os habitantes de Maara fizeram um apelo aos invasores cristãos.
Em troca da rendição, pediram para que fossem poupados. O acordo foi fechado. Mas, nas primeiras horas de 11 de dezembro de 1098, o exército cruzado entrou na cidade e desconsiderou o tratado.
Os habitantes foram massacrados durante três dias e os sobreviventes tornaram-se escravos. E até o que parecia inimaginável aconteceu: cristãos ocidentais devoraram infiéis árabes.
Os Cavaleiros Templários / Crédito: Wikimedia Commons
“Em Maara, os nossos faziam ferver os pagãos adultos em caldeira, fincavam as crianças em espetos e as devoravam grelhadas”, descreve o cronista franco Raul de Caén. Os relatos de canibalismo dos invasores se espalharam por todo o mundo islâmico, assim como a comoção dos seguidores de Alá com o destino de seus irmãos de fé.
Os cruzados bem que tentaram justificar o comportamento antropofágico, argumentando que, no cenário hostil da guerra, não tinham escolha. Segundo o historiador britânico Steven Hunciman, entre os cristão reinava a fome “e o canibalismo era a única solução”.
A justificativa, mesmo que verdadeira, era de difícil compreensão para os árabes, e o episódio de canibalismo, narrado tanto por cristãos como por muçulmanos, enterrou de vez qualquer chance de uma saída pacífica. Isso porque os guerreiros fanáticos e maltrapilhos eram conhecidos por terem hábitos pouco ortodoxos para a população do Oriente, qualquer que fosse a religião.
Entre esses costumes, se destacava o desprezo pelo banho. Os orientais não se surpreendiam que, além de violentos e sujos, ele fossem canibais.
“Na maior parte dos padrões, a sociedade islâmica deve ser considerada mais urbana e educada que a Ocidental no período da Baixa Idade Média (do século 12 ao 15) tanto na vida intelectual como nos valores do dia a dia”, afirma o historiador Marshall Hodgson em The Venture of Islam (A Aventura do Islã).
Segundo ele, os árabes eram urbanos e alfabetizados, enquanto a grande parte dos cruzados se formava de iletrados que vinham de sociedades agrárias, no período feudal. Por isso, os costumes de invasores e invadidos eram discrepantes, provocando estranhamento maior entre os árabes.
Ossama Ibn Mounkidh / Crédito: Wikimedia Commons
Outro relato do cronista Ossama Ibn Mounkidh ilustra bem a diferença entre as duas civilizações. Ele conta que um médico franco se prontificou a cuidar de uma mulher que estava definhando em consequência da febre.
De pronto, diagnosticou que havia um demônio na cabeça da paciente e sugeriu que a raspassem. A saúde da mulher, claro, piorou. Em seguida, ele cortou, em formato de cruz, a cabeça com uma navalha até que os ossos do crânio aparecessem. Aplicou sal e em minutos a mulher morreu.
Em tempo: ela tinha apresentado melhora com o tratamento oferecido por um médico oriental, que receitara apenas uma dieta sem mostarda e alho.
Exemplos de intolerância
Com todas essas notícias se espalhando pelo mundo muçulmano no fim do século 11, ainda assim eles respeitavam os cultos de cristãos no período das Cruzadas.
“Não era o que acontecia entre os invasores”, afirma John Esposito, professor de religião da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, e autor de What Everyone Needs to Know about Islam (O que Todos precisam Saber sobre o Islã). Não é à toa que até hoje os cavaleiros da fé são retratados no Oriente como exemplos de intolerância.
A tomada de Jerusalém, em 1099, ilustra bem esse sentimento. Para os cruzados, a batalha pela cidade era um autêntico ato de fé. Eles acreditavam ver anjos que os guiavam e, em seguida, combatiam a seu lado. Principais alvos: lugares sagrados. Até queimaram sinagogas e mesquitas com fieis judeus e muçulmanos dentro. O local onde Maomé teria ascendido aos céus, o Domo da Rocha, foi depredado.
Mesmo cristãos orientais morreram em massa porque conviviam em harmonia com fieis de outras religiões. O massacre nas ruas de Jerusalém teve como saldo 100 mil pessoas assassinadas — algumas queimadas vivas, outras degoladas.
Até então a dinastia fatímida, que dominava a região invadida, não havia esboçado nenhuma reação. Os fatímidas, assim chamados porque diziam descender de Fátima, filha de Maomé, e de Ali, quarto califa, estavam perdidos em uma crise interna.
O caos político no Oriente muçulmano vinha de longa data. Desde o início do século 10, o mundo islâmico se dividia entre duas facções rivais: a dinastia fatímida, com capital no Cairo, e a abássida, em Bagdá. Essa rivalidade política também se estendia à disputa pela liderança do mundo islâmico no sentido religioso
Os fatímidas eram xiitas, enquanto os abássidas, sunitas — e todos defendiam linhas de sucessão distintas de Maomé.
Os cruzados se rendem perante o Saladino / Crédito: Wikimedia Commons
Os relatos do que estava acontecendo nas terras invadidas pelos cristãos ocidentais, no entanto, começaram a provocar revolta entre os muçulmanos. Logo depois da queda de Jerusalém, um orador não identificado fez um discurso em uma mesquita de Bagdá:
“Vocês ousam vacilar à sombra de uma vida frívola como a de uma flor no jardim. Enquanto seus irmãos sírios têm por única morada o lombo dos camelos ou as entranhas dos abutres? Quanto sangue derramado!”, descreve Amim Maalouf, cristão de origem libanesa em seu clássico As Cruzadas Vistas pelos Árabes.
É verdade que durante muito tempo os fatímidas e os abássidas ficaram nas capitais de seus impérios sem esboçar reação. Mas o castigo por tão pouca disposição em defender seus irmãos não demoraria a chegar.
O último califa fatímida morreu sem mesmo saber que já havia sido destronado por Saladino, líder da contraofensiva muçulmano em 1171. Os abássidas sofreram muito mais nas mãos dos mongóis. Hulagu, neto de Gengis Khan, arrasou Bagdá em 1258 e determinou que a família real fosse pisoteada pelos cavaleiros de seu exército.
Quase um século depois da chegada dos cruzados, os muçulmanos finalmente se organizaram para uma retaliação. Sob a liderança de Saladino, retomaram a cidade Jerusalém e colocaram grande parte dos invasores para correr.
Diferentemente de seus inimigos, Saladino ofereceu a possibilidade de exílio aos invasores. Mas, para isso, tiveram de vender suas riquezas para obter a liberdade. Os pobres foram redimidos do pagamento.
Outra atitude de Saladino foi lacrar nove das dez portas da Igreja do Santo Sepulcro. A única que ficou aberta ganhou uma chave, que foi confiada a duas famílias de árabes muçulmanos: os Nuseibeh e os Joudah. Ainda hoje, a chave do local sagrado permanece em poder delas.
Há mais de 20 anos, diariamente Wajeeh Nuseibeh abre e fecha a igreja e depois devolve a chave à outra família, que a guarda. A tradição parece fazer bastante sentido.
TORTURA E FALSAS CONFISSÕES: A BRUTAL QUEDA DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS
Na primeira década do século 14, os Templários foram perseguidos por um rei francês que deu início ao fim da ordem militar
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 08/10/2019
Os cavaleiros foram parar na fogueira - Divulgação
Houve um tempo em que os Cavaleiros Templários eram reverenciados por toda a Europa por sua ferocidade, riqueza e poder como ordem militar. Entretanto, a trajetória dos templários foi rapidamente destruída e a ordem, devastada. Foi um movimento histórico marcado pela espionagem, conspiração e tortura.
No centro desse movimento de retaliação aos templários, estava o Rei Felipe IV, da França, que iniciou uma campanha de combate à ordem no ano de 1307. O monarca enviou ordens envelopadas aos seus oficiais espalhados pelo reino, que seriam abertas em um mês, comandando a prisão dos cavaleiros em um momento propício.
Anos antes, os Templários eram uma força com grande apoio, pela solenidade do papa Bonifácio VIII, que os adorava. Os guerreiros eram membros de uma ordem que respondia apenas ao papado, mas Bonifácio já fora até sequestrado pelo Rei da França, o que exigiu uma renovação na ordem política de Roma.
Então, quando Bonifácio morreu, em 1303, foi proclamado papa Clemente V, um francês tolerante com as intenções de Felipe. Por isso, foi possível desgastar a imagem dos Templários e, em 13 de outubro de 1307, iniciar as campanhas de perseguição e prisão dos cavaleiros, num momento extremamente sangrento da história europeia.
Uma grande motivação do monarca francês para essa perseguição era o enriquecimento dos cofres reais. Isso porque na época, a Ordem dos Cavaleiros Templários já acumulava bens e Felipe os tornou alvo como assim o fez com os comerciantes lombardos, que foram extorquidos pelas forças militares francesas. Os cavaleiros, individualmente, estavam sob voto de pobreza; mas a ordem ficara fortemente enriquecida com as pilhagens no Oriente Médio e acúmulo de uma grande frota de navios e outras propriedades.
Ao mesmo tempo, o século 14 já fora marcado pela disseminação de templários em outras áreas da vida socioeconômica europeia, possuindo membros, que não eram cavaleiros, mas sim, por exemplo, banqueiros. O grupo, em Londres, "operava um sistema de crédito e finanças nacionais e internacionais", observa o historiador britânico Stephen Howarth.
Diante deste cenário, o papa Clemente convocou o mestre templário Jacques de Molay para, supostamente, discutir uma nova Cruzada. Em seguida, cerca de 60 cavaleiros foram para a França e participaram de uma série de reuniões.
Jacques de Molay / Crédito: Youtube
Enquanto isso, os agentes secretos de Felipe espalharam diversos rumores sobre a Ordem pela França, além de se infiltrar na comitiva para criar um dossiê de acusações escandalosas contra ela. Entre as acusações, estavam: adorar gatos, tolerar roubos e perjúrios para enriquecer a ordem e beijar o umbigo durante as cerimônias secretas de iniciação.
Com base nessas calúnias bem estruturadas, Felipe tinha justificativas para prosseguir com suas perseguições: além da perseguição aos templários, era legítimo o interrogatório e a tortura nesse período. "Você deve prometer perdão e favor se eles confessarem a verdade, mas, se não, deve informar a eles que eles serão condenados à morte".
Foram 138 templários torturados em Paris, a maioria confessando as alegações criadas pela equipe do Rei. Foram muitas técnicas usadas para coagir confissões dos Templários, incluindo fome, insônia, queimaduras, interrogatórios incansáveis e até “um dispositivo que puxou os braços amarrados da vítima atrás dele até que ele foi levantado do chão e seus ombros deslocados”, como afirma Charles G. Addison em 1842.
Em Paris, os inquisidores do rei torturaram 138 templários, a maioria dos quais acabou confessando. Muitos foram submetidos a “tortura por fogo”, que Addison descreve com detalhes fortes: “suas pernas estavam presas em uma armação de ferro e as solas dos pés eram untadas com gordura ou manteiga; eles foram colocados diante do fogo e uma tela foi puxada para trás e para frente, de modo a moderar e regular o calor. Tal foi a agonia produzida por esta operação de torrefação, que a vítima ficou louca”.
Felipe, o Belo / Crédito: Wikimedia Commons
Então, enfrentando torturas insuperáveis, muitos templários confessaram pecados: Molay admitiu renunciar aoCristo. Assim, outros também o fizeram. Em 1309, então, o papa iniciou uma investigação da Ordem, que perdurou até 1311: enquanto isso, o papa decidia pela continuidade ou abolição do grupo.
Durante os julgamentos, 54 templários foram mandados para a fogueira contra suas supostas ações heréticas. Em um dos casos, o cadáver enterrado de um cavaleiro foi retirado do túmulo e carbonizado. Diante do cenário sangrento, as opções eram confessar ou morrer.
Em 1312, o papa chegou a uma conclusão: ele deveria abolir a Ordem Templária, e assim o fez. A perseguição não foi encerrada, mas os poderes de Molay e seus cavaleiros foram dizimados pelo projeto do Rei Felipe.
Você pode saber mais sobre os guerreiros no livro Historia Dos Cavaleiros Templarios E Do Templo, de Charles Addison - https://amzn.to/2VpdXd6
ORDEM DE MALTA: A SOBERANA IRMANDADE DE MONGES-GUERREIROS
De origens que remontam às Cruzadas, a irmandade controla atualmente a menor nação do planeta. E segue com a missão milenar de ajudar vítimas de conflitos e desastres em mais de 120 países
CARLO CAUTI PUBLICADO EM 20/09/2019.
- Crédito: Reprodução
Siyah şeytanlar. Era assim – os demônios de preto – que os soldados otomanos chamavam os cavaleiros da Ordem de Malta, uma irmandade de monges-guerreiros vestidos de preto e famosos pela habilidade em batalha (e pela sobrevivência) após um milênio de guerras, intrigas, fugas e perseguições.
No passado, a Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta (esse é o nome oficial da organização) era formada por clérigos nobres cavaleiros – que antecipariam o atual movimento internacional da Cruz Vermelha.
Hoje, a ex-potência militar de tradição aristocrática controla um Estado soberano e sem território, com apenas alguns palácios em Roma, e segue católica, fiel ao papa. Porém, sua força está nas relações diplomáticas que a irmandade mantém com mais de 120 países pelo mundo (católicos ou não), tendo representação inclusive na Organização das Nações Unidas, como Observadora Permanente. A Ordem de Malta, a mais antiga instituição humanitária do planeta, tem uma história com diversos capítulos fascinantes. A começar pelo nome.
Os Cavaleiros Hospitalários.
Seus membros, que hoje são chamados de Cavaleiros de Malta, surgiram como os Cavaleiros Hospitalários. Depois, se tornaram os Joanitas, Hierosolimitanos, Rodes e apenas a Religião. Mudanças de nome geradas pelas peripécias geográficas que a Ordem enfrentou no decorrer dos séculos.
Tudo começou na Alta Idade Média, justamente no tempo em que surgiam outras ordens monástico-militares. Seu fundador, o monge italiano Gerardo Sasso, e mercantes da república marinara de Amalfi, na Itália (que dominava o Mediterrâneo oriental na época), obtiveram do califa do Egito a autorização para construir um hospital para forasteiros e peregrinos em Jerusalém, dedicado a São João Batista, o futuro patrono da Ordem.
Com o início da Primeira Cruzada (1096-1099), aquela obra de caridade na Terra Santa passou a atrair cada vez mais adesões entre os “soldados de Cristo”, que chegavam à região para lutar contra os muçulmanos. Até que, em 1113, uma declaração oficial do papa Pascoal II autorizava a criação formal da Ordem Religiosa de São João, em Jerusalém – uma congregação independente das autoridades eclesiásticas locais que se tornaria o primeiro exemplo de organização internacional de beneficência e caridade.
Crédito: Reprodução
“Os membros da Ordem precisavam fazer voto de pobreza, castidade e obediência, e tinham duas missões: defender a fé cristã na Terra Santa, contra os muçulmanos, e ajudar os peregrinos construindo hospitais. Essa segunda era a missão principal. Por isso, ficou conhecida como a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários”, explica o professor Charles Dalli, historiador da Universidade de Malta.
Como símbolo da nova instituição, foi escolhida a cruz de oito pontas de Amalfi, que representava as oito beatitudes evangélicas do “Discurso da Montanha” de Jesus. E como lema, a frase em latim Tuitio Fidei et Obsequium Pauperum, cuja tradução é “defesa da fé e serviço aos pobres”.
Logo, o segundo grão-mestre hospitalário, o cavaleiro francês Raymond du Puy, general do lendário rei de Jerusalém Godofredo de Bulhão, dividiu a Ordem em três classes: religiosos, trabalhadores e combatentes – o que espelhava, aliás, as três classes sociais da Idade Média. “Os Hospitalários começaram a se estruturar, obtendo doações de europeus ricos, ganhando terras enormes e melhorando suas capacidades de combate.
Com isso, se espalharam por toda a Terra Santa, permanecendo por mais de 200 anos nos Reinados Cruzados de Além-Mar”, diz Emanuel Buttigieg, historiador e professor, também da Universidade de Malta. Segundo ele, esses monges-guerreiros foram os protagonistas de épicas batalhas e de brilhantes negociações diplomáticas. “Criaram o primeiro sistema de saúde pública da história, até para quem não era cristão.”
Do outro lado do Mar Mediterrâneo, em Roma, os papas olhavam com atenção para a Ordem, mantendo seus membros sempre em consideração: ao longo dos séculos, a Igreja concedia isenções e privilégios à Ordem, incrementando suas riquezas (a prática de captar recursos entre os reinos cristãos do Ocidente já era levada com habilidade pelos cavaleiros em toda a Europa).
A Ordem se tornou muito rica e conseguiu expandir suas atividades por todo o continente, criando uma rede de representações diplomáticas (chamadas de Comendas), que também administravam bens e posses. Entretanto, em 1291, a epopeia cruzada terminou. A última resistência cristã na Terra Santa foi em São João de Acre, onde os Cavaleiros Hospitalários, juntos dos Templários e dos Teutônicos, lutaram pela última vez lado a lado contra os muçulmanos. Perdendo a batalha.
O Ocidente recuava e um pequeno grupo de diabos negros se refugiou na Ilha de Chipre. Tal mudança gerou a primeira tormenta na instituição: sem a Terra Santa para defender, as ordens cavalheirescas entraram em crise de identidade, e os monges-guerreiros Hospitalários tiveram de se reinventar. Com tantas riquezas acumuladas, mas nenhum objetivo para justificá-las, o risco mais provável era de que a Ordem fosse suprimida.
Justamente o que aconteceu, de forma sangrenta, com os Templários, a mais rica entre todas as ordens religiosas de cavalaria. “Mas, diferentemente dos Hospitalários (que ajudavam os peregrinos), os Templários tinham apenas uma missão: lutar contra os islâmicos. Quando os cristãos foram embora da Terra Santa, eles se encontraram sem um objetivo e com muitas riquezas”, afirma Dalli. Um alvo fácil para reis com as contas públicas quebradas, como Filipe IV, da França.
Rota para Rodes.
A nova ocasião para aventuras chegou em 1306, quando o genovês Vignolo de' Vignoli propôs à Ordem conquistar o arquipélago Dodecaneso, ocupado pelos turcos. Os Hospitalários aceitaram e atacaram a ilha de Rodes. O sucesso da operação gerou um novo objetivo para os cavaleiros: a defesa da cristandade no mar. Em dois séculos na ilha, a Ordem se tornou uma potência naval contra os turcos e um grande alívio para a Igreja Católica.
Cavaleiros / Crédito: Reprodução
“Os cavaleiros se estruturaram na ilha como uma nação soberana governada pelo grão-mestre, príncipe de Rodes, e pelo Conselho, que cunhavam moedas, reorganizaram suas próprias Forças Armadas e mantiveram relações diplomáticas com outras nações. Algo que continuará ao longo dos séculos seguintes”, diz Buttigieg.
“E, para manter a tradição, construíram um hospital na ilha. Além disso, voltaram a ter uma missão: lutar contra os turcos. De força militar terrestre, os cavaleiros, então, criaram uma grande frota naval, muito bem treinada. E devastaram todo o litoral sul da Turquia, atrasando muito o avanço islâmico no Mediterrâneo. Isso ajudou os reinos cristãos da Europa Ocidental.”
A mudança também se deu em termos de imagem: muitos filhos menores de nobres famílias europeias, que, por tradição, teriam sido forçados a seguir uma vida monástica para não arruinar o patrimônio familiar, se tornaram guerreiros sob as insígnias dos Hospitalários. Isso fez da Ordem uma confraria de nobres europeus, aumentando seu status social e reconhecimento internacional.
Com todo esse cosmopolitismo, em 1319, a Ordem se organizou na base das regiões de proveniência e dos idiomas falados por seus cavaleiros. Surgiram assim as línguas, os oito grupos estruturados em: grão-priorados, baliados e comendas. Cada língua tinha como chefe um representante (Peleiro) com direito a um cargo no governo – mais um resultado inédito para os cavaleiros, que se tornaram, assim, a primeira organização internacional com bases europeias.
Avanço dos turcos.
Eis que surge um desafio: a queda de Constantinopla, em 1453. Um choque para todo o mundo cristão. O Império Otomano estava pronto para invadir a Europa inteira e viu na ilha de Rodes uma entrada suculenta, iniciando um ataque sob a liderança do sultão Maomé II, em 1480, com dezenas de milhares de homens e centenas de navios, um dos maiores cercos jamais realizados. Porém, mesmo em forte desvantagem numérica, os Cavaleiros Hospitalários resistiram, forçando os turcos a se retirar. Parecia milagre.
A Europa festejou, mas não enviou sequer um homem ou navio para ajudar os cavaleiros. Com isso, os otomanos tentaram nova investida em 1503. Mas fracassaram de novo. Já em 1522, sob a liderança de Solimão, o Magnífico, e após seis meses de confronto, a situação se tornou insustentável para a Ordem. Só que os cavaleiros, habilidosos na diplomacia, conseguiram negociar sua rendição com os turcos, mantendo a honra das armas e o compromisso de poupar a vida das populações de Rodes. Era o início do segundo exílio da Ordem.
Crédito: Reprodução
Seus membros, protegidos pelo papa Adriano VI, iniciaram a busca de uma nova sede, abrindo uma difícil negociação com o imperador Carlos V. O soberano do Sagrado Império Romano e do Império Espanhol estava até disposto a conceder uma ilha aos cavaleiros. Entretanto, pretendia que o grão-mestre Philippe Villiers de l’Isle-Adam lhe jurasse fidelidade eterna.
Um ato contrário à tradição de independência supranacional da Ordem. Parecia que a conversa estava destinada ao fracasso, no entanto, mais uma vez, a lendária diplomacia dos cavaleiros conseguiu um acordo. Em 1530, em troca do presente simbólico de um falcão, que representava a submissão da Ordem ao Império, foi concedida aos cavaleiros a ilha de Malta. Uma pequena rocha no meio do Mar Mediterrâneo, árida, pobre, mas estratégica.
Foi lá que os nobres monges-guerreiros puderam recomeçar. E transformaram a ilha de Malta em sua fortaleza, aumentaram a potência de sua frota naval, se prepararam para lutar de novo contra os turcos e assumiram um novo nome: os Cavaleiros de Malta.
Bastião da cristandade.
Enquanto isso, o sultão Solimão estava mobilizando seu grande império para atacar a Roma dos papas. E mais uma vez os cavaleiros Hospitalários se opuseram às miras dos otomanos. Liderados pelo 49° grão-mestre, Jean de La Vallette, em maio de 1565, a Ordem enfrentou o chamado Grande Cerco de Malta: era a chegada de 40 mil homens e de 500 navios turcos cercando a ilha para lutar contra apenas 7 mil cavaleiros e tropas auxiliares. A batalha durou até setembro e, contra qualquer previsão, os Cavaleiros de Malta tiveram uma grande vitória.
“Os turcos ficaram tão irritados pela obstinação demonstrada pelos cavaleiros que decidiram pregar os prisioneiros em cruzes de madeira e deixá-las boiando no mar. O grão-mestre La Vallette respondeu mandando decapitar os prisioneiros turcos e atirar suas cabeças por canhões contra o acampamento inimigo”, conta Buttigieg.
A defesa de Malta deu aos reinos cristãos do Ocidente o tempo de se preparar e, em 1571, ocorreu o confronto final com os turcos, em Lepanto, na batalha naval que decidiu o destino da Europa. A frota da Ordem de Malta participou do combate. Mas, antes de as frotas ocidentais chegarem à costa da Grécia para enfrentar os otomanos, La Vallete já havia dado sua contribuição à cristandade: o líder militar ordenou seus espiões infiltrados em Constantinopla a incendiar o arsenal turco, destruindo boa parte da frota inimiga – e garantindo a vitória dos cristãos.
Crédito: Reprodução
Graças a esse triunfo militar, o futuro parecia tranquilo e próspero para a Ordem. A gratidão para La Vallette foi tamanha que a nova capital de Malta foi chamada de Valletta. O local, além de se tornar uma poderosa fortaleza, atraiu os mais importantes arquitetos e artistas da época, que transformaram a cidade na pérola do Mediterrâneo.
Chegada de Napoleão.
Até que, em pouco mais de dois séculos, a calmaria na Ordem de Malta deu lugar a uma nova tormenta: Napoleão Bonaparte, que conquistou a ilha em junho de 1798, sem disparar um único tiro. Os cavaleiros tinham como regra não lutar contra os cristãos e não opuseram resistência, ficando mais uma vez sem pátria, sem exército e empobrecidos.
Quem os acolheu desta vez foi um aliado tão inesperado quanto polêmico: o instável czar da Rússia, Paulo I, que conseguiu se eleger grão-mestre mesmo sem a aprovação do papa. A decisão gerou estranheza, já que ele não era católico, mas ortodoxo, além de ser casado e ter filhos. O que explica é que o russo era obcecado pelos ideais românticos da cavalaria medieval – a ponto de mandar pintar em todos os seus retratos oficiais uma decoração no estilo maltês e criar um patriarcado ortodoxo da Ordem exclusivamente dedicado aos nobres russos.
O período na Rússia foi o mais improvável para os Cavaleiros de Malta. O apoio do czar, entretanto, foi o que salvou a instituição.
Quando, em 1801, Paulo I foi assassinado, seu filho Alexandre I renunciou a qualquer prerrogativa sobre a Ordem, que voltou a ser livre. Até que, em 1834, foi acolhida pelo Vaticano, que lhe concedeu a soberania sobre alguns edifícios no centro da cidade, como o Palácio Magistrale, em Via Condotti, e a Vila Magistrale, na colina do Aventino.
Com isso, a Ordem manteve as vantagens de um Estado soberano, com ordenamento jurídico próprio e a permissão de imprimir selos e conceder passaportes, mesmo sem território e fronteira. “E então os cavaleiros voltaram para suas raízes: uma ordem religiosa, cujo objetivo é criar hospitais para peregrinos. Os privilégios concedidos pelo papa foram utilizados para criar uma nova e poderosa força humanitária internacional”, explica o professor Dalli.
E novos desafios não faltaram para os trens-hospitais dos cavaleiros, que salvaram centenas de milhares de vítimas do grande terremoto de Messina, em 1908, das duas guerras mundiais e de tantos outros conflitos armados e desastres naturais. Hoje, a Ordem de Malta mantém cerca de 12.500 membros espalhados por todo o planeta, sempre operando em nome da caridade cristã.
CAVALEIROS TEMPLÁRIOS: TESOURO DE MUITOS HERDEIROS
As lendárias relíquias da Ordem mais famosa da História circularam pelo mundo, e o paradeiro permanece um grande mistério
CARLO CAUTI PUBLICADO EM 19/09/2019.
- Pixabay
Uma das lendas que circulam em torno da Ordem de Malta a aponta como detentora da riqueza dos Templários. De fato, com a bula papal Ad Providam, do dia 2 de maio de 1312, seguida pelo Concílio de Vienne, foi ordenado que todos os bens dos Templários fossem transferidos aos Hospitalários.
Mas não foi bem isso o que aconteceu. Além da França, onde o rei obteve uma forte contrapartida econômica dos cavaleiros, outros reinados e ordens se beneficiaram.
Em Portugal, por exemplo, as propriedades dos Templários acabaram nas mãos do rei Dinis I, que criou a Ordem de Cristo: a nova congregação de cavalaria que tinha como missão lutar contra os mouros, mas acabou ajudando no fortalecimento da frota naval, que nos dois séculos seguintes garantiu ao reino lusitano um papel de protagonista na epopeia dos Grandes Descobrimentos, como o do Brasil.
O mesmo ocorreu na Espanha, onde a Ordem Militar de Nossa Senhora de Montesa, criada para conter a ameaça muçulmana, ficou com os bens dos Templários. Na Alemanha, as posses foram entregues à Ordem Teutônica.
No Reino Unido, até passaram para a Ordem de Malta, porém, no século 16, os bens foram confiscados pelo rei Henrique VIII após ruptura com a Igreja de Roma e a criação da Igreja da Inglaterra. No fim das contas, o mítico tesouro dos Templários acabou disperso em vários lugares do mundo.
MORRER E MATAR POR CRISTO: 10 FATOS CURIOSOS SOBRE OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS
Guerreiros acima das leis, castos e pobres. Conheça a mais poderosa ordem de cavaleiros da cristandade
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 08/09/2019.
- Reprodução
Os cavaleiros templários faziam parte de uma ordem militar da Cavalaria no período da Idade Média. Durante os anos de 1118 e 1312 d.C., sua função era, principalmente, proteger cristãos peregrinos que estavam indo até Jerusalém.
Eles faziam votos de pobreza, obediência e castidade. Conheça 10 fatos curiosos sobre a lendária ordem.
Jamais se renda.
Seguindo normas muito estritas, os cavaleiros nunca poderiam se render enquanto a cruz vermelha ainda sobrevoasse o campo de batalha. Todos eles dariam suas vidas pela ordem, o que significa que eles não recuavam quase que de forma alguma.
Os treinamentos.
É sabido que os membros da organização sempre estavam armados e treinados. No entanto, não havia nenhum tipo de padrão para os treinos desses homens. Acredita-se que isso acontecia porque já era esperado que os cavaleiros já tivessem recebido capacitação anteriormente.
Cavaleiros?
Mesmo que conhecidos por seus cavaleiros, a Ordem dos Templários contava com muito mais pessoas do que apenas estes. Existiam centenas de cavaleiros, mas a maioria era formada por soldados de infantaria, como escudeiros, padres, trabalhadores e até mesmo mulheres.
Crédito: Reprodução
As mulheres.
Elas não podiam se tornar cavaleiros, já que não havia a possibilidade de que estas lutassem, mas as mulheres podiam fazer parte da organização por outras formas. A maioria, eram freiras que ajudavam nos “empreendimentos espirituais”, fazendo orações, e oferecendo assistência médica e psicológica aos soldados.
Poder territorial.
Os templários possuíam inúmeras terras, tornando-se muito poderosos com o passar dos anos. Regiões como Inglaterra, Portugal, Boêmia, a ilha de Chipre, entre outros, faziam parte do poderio da ordem. Assim, eles tinham muitos recursos à sua disposição.
Criação de um banco.
Os mosteiros templários eram lugares seguros e, por isso, passaram a ser usados como um tipo de banco. Pessoas guardavam riquezas, objetos de valor, faziam empréstimos e até emitiam cheques. O sistema ficou tão famoso que inúmeros reis deixaram suas fortunas nesses locais.
Código secreto.
Ao moldarem esse sistema bancários, os cavaleiros precisavam compartilhar os dados financeiros ou confidenciais com outras seitas da ordem. Por isso, criaram um código secreto que, na época, era impossível de ser decifrado. O símbolo foi baseado em uma variante da Cruz de Malta.
Crédito: Reprodução
Acima da lei.
Uma das vantagens de ser um cavaleiro templário residia no fato de que eles estavam acima de todas as leis locais e regionais — respondendo apenas ao papa. Além disso, eles não pagavam a maioria dos impostos das regiões em que ficavam.
Mercenários.
Os templários não se importavam em contratar exércitos mercenários para apoiar suas próprias guerras. Especialmente durante as Cruzadas, eles recrutavam turcopoles, a cavalaria leve da Anatólia, e unidades de arqueiros compostas cristãos ortodoxos do Oriente Médio.
Crédito: Reprodução
Pergaminho Chinon.
O Pergaminho Chinon foi a decisão do Papa Clemente V de exonerar os Cavaleiros Templários de todas as acusações impostas contra eles pelo rei Filipe. O manuscrito só foi encontrado em 2001 e revela como eles foram inocentados de todos os possíveis “crimes” que cometeram.
CONHEÇA O INCRÍVEL TÚNEL DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS QUE FICOU ENTERRADO POR 700 ANOS
Ligando a Fortaleza de Acre ao porto da cidade, a impressionante construção era desconhecida até 1994, quando foi descoberta acidentalmente
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 01/07/2019
- Crédito: Reprodução
Uma das maiores marcas da presença dos Cavaleiros Templários europeus no Oriente Próximo é a série de castelos e fortalezas construídas durante as conquistas que sobreviveram séculos de ocupações da região. Um grande exemplo é a Fortaleza dos Cavaleiros, ou Hosn al-Akrād, complexo ocupado e usado para fins militares durante a Guerra da Síria.
Entretanto, ano a ano são descobertos segredos escondidos nos confins das majestosas estruturas. Uma descoberta que se destacou ocorreu no final do século 20, momento em que muitos dos castelos eram investigados pelo Levante Sírio-Palestino: trata-se do Túnel Templário, medindo 350 metros de extensão que toma os arredores da cidade de Acre (ou Akka, na Galileia). As descobertas são de suma relevância para a compreensão desse período da história e da atividade templária durante a travessia à Terra Santa.
A Fortaleza e o Túnel em no local remetem a conflitos de 700 anos atrás. Em 1187, deu-se fim ao domínio cruzado em Jerusalém, que fora tomada pelo curdo-aiúbida Salah ad-Din, ou Saladino, Sultão da Síria e do Egito. Essa derrota e perda da capital foram os impulsionadores da Terceira Cruzada.
Saladino derrota a Terceira Cruzada / Crédito: Wikimedia commons
Essa Cruzada, comandada por nobres da Inglaterra e da França, acabou por não tomar a capital Jerusalém, mas conseguiram capturar a importante cidade de Acre, antes tomada pelos muçulmanos. Isso se deu por um longo cerco comandado por Guy de Lusignan, que fez com que os habitantes islamitas da cidade se rendessem e permitissem que Acre se tornasse a nova capital dos Estados Cruzados.
Com o constante medo da retaliação dos exércitos de Saladino, os cristãos construíram uma impressionante fortaleza de proteção ao redor da cidade. A cidade portuária, antes da ocupação templária, já possuía uma muralha alta. Entretanto, o desespero dos exércitos europeus os levaram a construir proteções quase impenetráveis ao redor da nova base.
Acre era uma das mais importantes bases portuárias do Mediterrâneo Oriental, localizada em uma região estratégica para o controle da região levantina. Por isso, ao mesmo tempo em que sua dominação era útil, ela fazia dos templários um constante alvo. Quem a ocupava devia sempre estar atento.
Como consequência, os Templários construíram o grande Túnel no subsolo da cidade. Esse Túnel ligava a fortaleza militar ao porto da cidade. Assim, em caso de emergência por ocupações ou destruições causadas por inimigos, existiria uma rota de fuga de fácil acesso. Ao mesmo tempo, o Túnel era uma importante passagem secreta para o fornecimento de suprimentos básicos.
Fortaleza de Acre, Israel / Crédito: Wikimedia commons
E foi o que ocorreu em 1291, quando o sultão egípcio al-Ashrar Khalil atacou Acre e ordenou que a cidade fosse destruída. Para assim impedir uma nova ocupação cristã. Como era de se esperar, as forças muçulmanas transformaram Acre numa cidade desolada, largada às traças e sem maior significância na geopolítica do Levante.
Em 1994, mais de 700 anos depois da destruição da cidade, uma mulher fez uma grande descoberta, ao revelar o Túnel dos Templários de uma maneira, no mínimo, engraçada: ela mandou um encanador da região investigar a razão pela qual a drenagem de sua casa estava bloqueada, quando tropeçou numa grande fortaleza subterrânea medieval. Chamados os especialistas, foi revelado que o Túnel era da época das primeiras Cruzadas, sendo uma rara e bela peça da arquitetura da região e que sobrevivera às invasões quipchacas da Dinastia Bahri.
Arnaldo de Torroja foi um dos 23 grão-mestres da Ordem dos Templários, a congregação cristã que protegia os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa durante a Idade Média. Recentemente, um grupo de pesquisadores se deparou com seu túmulo por acaso. Trata-se do único grão-mestre encontrado até hoje. A descoberta de seus restos foi uma grande coincidência. Uma equipe de pesquisadores fez o achado quando realizava obras de restauração na igreja italiana de San Fermo de Maggiori, em Verona. O sepulcro estava escondido atrás de uma parede.
Antes de chegar a ele, os pesquisadores souberam reconhecer um sinal inconfundível: a cruz dos templários estava talhada na pedra que continha os restos ósseos do grã-mestre envoltos em um sudário de seda.
No entanto, para se descobrir de quem pertenciam os restos, foi preciso esperar que os arqueólogos e antropólogos da Universidade de Harvard realizassem um teste com carbono-14 e um estudo genético dos dentes do templário.