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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: Revolução Farroupilha: a História, os heróis e os símbolos. De: Roberto Marchetti.

 


O livro "Revolução Farroupilha: a história, os heróis e os símbolos", de Norberto Marchetti (lançado originalmente em 2011), é uma obra de caráter informativo e didático que busca sintetizar os dez anos de conflito (1835-1845) no Rio Grande do Sul. 

 

Diferente de tratados puramente acadêmicos, o autor organiza o conteúdo para facilitar a compreensão dos elementos que formaram a identidade gaúcha. A obra estrutura-se em três pilares principais: 

1. A História e as Causas

  • Marchetti detalha o descontentamento da elite estancieira com as altas taxações imperiais sobre o charque, que perdia competitividade para o produto importado do Uruguai e Argentina. 
  • O livro narra o desenrolar militar desde a invasão de Porto Alegre em 20 de setembro de 1835 até o Tratado de Poncho Verde, que selou a paz em 1845. 

2. Os Heróis

  • O autor dedica espaço considerável aos perfis biográficos de líderes centrais, como:
    • Bento Gonçalves: O principal articulador e líder da revolta.
    • Giuseppe e Anita Garibaldi: O casal que simbolizou a conexão internacional dos ideais republicanos.
    • Antônio de Souza Netto: O proclamador da República Rio-Grandense. 
  • A narrativa destaca a bravura e o sacrifício pessoal dessas figuras, reforçando a ideia do "espírito de bravura" gaúcho. 

3. Os Símbolos

  • Este é um diferencial da obra, que explica a origem e o significado de elementos como a bandeira tricolor (verde, vermelho e amarelo), o brasão e o hino oficial. 
  • O autor também conecta esses elementos históricos às tradições contemporâneas, como a Semana Farroupilha, que mantém viva a memória do conflito como um marco cultural. 

Análise Crítica
A obra é frequentemente recomendada para leitores que buscam um panorama abrangente e visual da revolução. Embora não aprofunde tanto em revisões críticas recentes — como o papel controverso dos Lanceiros Negros — ela cumpre o papel de ser um guia acessível sobre a historiografia oficial e o legado cultural da guerra.

 Bibliografia:

MARCHETTI, Norberto. Revolução Farroupilha: a História, os heróis e os símbolos. Porto Alegre: Companhia Riograndense de Artes Gráficas (CORAG), 2011. 

Livro: História do Rio Grande do Sul. De: Moacyr Flores.

 


O livro "História do Rio Grande do Sul", de Moacyr Flores, é considerado uma obra clássica e didática fundamental para compreender a formação do estado gaúcho. Publicado originalmente na década de 80 e atualizado em diversas edições por editoras como a Martins Livreiro, o texto funciona como um manual abrangente que evita o rigor acadêmico excessivo para focar em uma linguagem acessível e realista. 

Principais Temas e Estrutura

A obra organiza a trajetória do estado em painéis cronológicos e temáticos que abrangem desde o período pré-colonial até a contemporaneidade: 

 

  • Povos Nativos e Reduções: Análise das culturas indígenas e o impacto das missões jesuíticas, incluindo o processo de destruição destas.
  • Formação Portuguesa: Detalha a ocupação lusitana no extremo sul e as disputas territoriais com a Espanha.
  • Período Monárquico: Foca em temas como a Revolução Farroupilha — especialidade do autor — e o papel de estancieiros e charqueadores.
  • Imigração e Colonização: Estuda a chegada de alemães e italianos e como isso alterou a estrutura socioeconômica gaúcha.
  • República e Política: Examina o desenvolvimento da sociedade burguesa e os movimentos políticos no estado. 

Características da Obra

  • Didatismo: O livro originou-se das aulas de História Regional ministradas pelo autor na PUCRS, mantendo um tom educativo ideal para estudantes e o público em geral. 
  • Análise Crítica: Flores busca traçar relações entre eventos de diferentes épocas, fugindo de uma narrativa meramente linear ou ufanista. 
  • Relevância Historiográfica: É citada em diversas plataformas, como Skoob e Amazon, como uma síntese interpretativa que ajuda a consolidar a identidade cultural do Rio Grande do Sul

 Bibliografia:

FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1996.

sábado, 26 de março de 2022

Mergulhadores localizaram o navio presídio da Revolução Farroupilha afundado em Porto Alegre.

 

MERGULHADORES LOCALIZAM NAVIO PRESÍDIO DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA AFUNDADO EM PORTO ALEGRE

O navio Presiganga está acomodado no fundo do Rio Jacuí com a proa para o Sul, tem aproximadamente 60 metros de comprimento e sua parte superior está a aproximadamente 4 metros da superfície.
Foto: Divulgação

Na quarta-feira (23), uma equipe mergulhou no navio Presiganga, afundado no Rio Jacuí no período da Revolução Farroupilha, estando ele a aproximadamente 150 metros da ponte do vão móvel, em Porto Alegre.

Presiganga eram os navios presídio utilizados pelos governos brasileiro e português nas décadas de 1830 a 1860 e administrados pela Marinha. Seu nome teria origem no termo inglês “press-gang” (grupos que recrutavam marinheiros à força entre a população), que foi abrasileirado para “presiganga” no Rio de Janeiro.

Em 1830, o Presiganga que foi alvo desta expedição no Rio Jacuí recebeu alguns alemães suspeitos de conspirarem contra o governo, entre eles o major Otto Heise. Recebeu tanto os imperiais presos na tomada de Porto Alegre, quanto os revolucionários presos na sua retomada. Entre os imperiais presos, estava o major Manuel Marques de Souza, futuro conde de Porto Alegre.

O mergulhador Geraldo Senna mostra espada de aproximadamente 200 anos recuperada no naufrágio do Presiganga no Rio Jacuí | Foto: Divulgação

Do lado republicano, foram logo em seguida presos Pereira Coruja e Vicente Ferreira Gomes. Para lá, também foram enviados nomes como Jerônimo Gomes Jardim, Onofre Pires, Pedro Boticário e até Bento Gonçalves, entre outros farroupilhas. Até cidadãos norte-americanos suspeitos de auxiliarem os rebeldes, como Frederic Engerer, sócio do cônsul norte-americano em Porto Alegre, tiveram o mesmo destino.

O local do naufrágio havia sido identificado pelo antropólogo Marlon Borges Pestana em agosto de 2020 e, nesta semana, uma expedição utilizando sonares especiais cedidos pela Equinautic no Cisne Branco foi até lá, conseguiu efetivar o mergulho e recuperar alguns artefatos, como uma espada do período farrapo. Agora, o fato está sendo relatado à Marinha do Brasil para emissão de autorização para os próximos mergulhos. O navio Presiganga está acomodado no fundo do Rio Jacuí com a proa para o Sul, tem aproximadamente 60 metros de comprimento e sua parte superior está a aproximadamente 4 metros da superfície.

Capitaneado por Flávio Longaray Ramirez, a expedição contou como os mergulhadores José Amadeu Silva De Freitas Freitas e Geraldo Senna, que além também navegam pelas águas do Guaíba, Lagoa dos Patos e pelo Brasil. (O Sul)

fonte: poa24hrs.com.br

domingo, 1 de março de 2020

Revolução Farroupilha: Em 1845, o fim da guerra contra o Império do Brasil.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA: 175 ANOS DO FIM DA GUERRA CONTRA O IMPÉRIO DO BRASIL

Durante a Guerra dos Farrapos, o ditador argentino Juan Manuel de Rosas enviou emissários à Canabarro, oferecendo aliança contra Dom Pedro II, contudo, a resposta do líder dos Farrapos entrou para a história como uma das mais patrióticas declarações
M. R. TERCI PUBLICADO EM 01/03/2020
Tela mostra a Guerra dos Farrapos
Tela mostra a Guerra dos Farrapos - Wikimedia Commons
A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos irrompeu no Rio Grande do Sul em setembro de 1835 e durou até o ano de 1845. De caráter republicano, portanto, contrário ao governo imperial brasileiro, os revoltosos buscavam maior autonomia para as províncias, menos impostos e iguais vantagens em relação aos produtos de outros países, especialmente em relação ao comércio de couro e charque, importantes produtos da economia do Rio Grande do Sul.
Contudo, enquanto ardiam ferozes as chamas do conflito, um perigo externo ameaçava a fronteira do país ao Sul. Venham comigo, pelos caminhos mais escuros da história, descobrir como um ardil argentino saiu pela culatra e finalizou com 10 anos da mais intensa e cruenta das guerras civis sul-americanas.
O ditador argentino Juan Manuel de Rosas, que sonhava com a restauração territorial do antigo vice-reino do Prata, estava interessado na manutenção da peleja sulista que ameaçava o Império do Brasil e com toda certeza provocaria a separação da província rio-grandense.
Nesse sentido, o maquiavélico caudilho enviou emissários à Canabarro, líder dos farrapos, oferecendo aliança e disponibilizando tropas e armamento pesado para combater as forças imperiais de Dom Pedro II. A resposta de Canabarro entrou para a história como a mais patriótica declaração de brasilidade que se viu:
“Senhor,” – respondeu Canabarro ao emissário – “o primeiro de vossos soldados que transpuser a fronteira, fornecerá o sangue com que assinaremos a paz com os Imperiais. Acima de nosso amor à República está nosso brio de brasileiros. Quisemos ontem a separação de nossa pátria; hoje, almejamos a sua integridade. Vossos homens se ousarem invadir nosso país, encontrarão, ombro a ombro, os republicanos de Piratini e os Imperiais do Senhor Dom Pedro II”.
Nada mais foi preciso. O perdão e a anistia plena aos revoltosos se processou por intermédio dos comandantes legalistas Caxias, Osório e Porto Alegre, que diante da resposta de Canabarro a Rosas, instaram junto a sua Majestade Imperial para obter o indulto, pois levavam em conta a importância dos revolucionários e sua utilidade para o país, porque a guerra na fronteira já se prenunciava e o uso da cavalaria farroupilha aliado ao profundo conhecimento da região seria indispensável na Guerra do Prata.
Guerra dos Farrapos, de 1893 / Crédito: Wikimedia Commons

Chegara ao fim a mais importante das guerras civis sul-americanas, epopeia de sacrifícios inauditos, de atos de bravura inigualáveis, peleja notória pela sua longa duração, pela beleza de seus ideais e pelo valor de seus campeões.
Giuseppe Garibaldi, conhecido como herói de dois mundos, devido à sua participação em conflitos na Europa e na América do Sul, general cuja liderança possibilitou a unificação da Itália e que também atuou como comandante da marinha farroupilha, contou, certa vez, a seu amigo e biógrafo Alexandre Dumas:
“Eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações. ”
Na iminência da Guerra contra Rosas, o Rio Grande do Sul era a linha de frente.

M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos (1835-1845).


Este texto é um resumo bem completo sobre a Revolução Farroupilha. A fonte é: Jornal Zero Hora, Caderno do Vestibular, Tempos de Guerra I (1835-1930), Revolução Farroupilha (1835-1845). 

quinta-feira, 20 de setembro de 2001

Como surgiram as comemorações farroupilhas?

Como surgiram as comemorações farroupilhas?


Em setembro, as pessoas colocavam as suas bombachas e as suas pilchas e iam ao trabalho, escolas, rodeios, fandangos e festejavam o 20/09, como data mais importante para a gauchada. A data foi lembrada pelo Instituto Histórico e Geográfico, Pela Brigada Militar e pelos jornais. 

Em setembro de 1947, o amor as tradições, levou um grupo de jovens do Colégio Júlio de Castilhos, a realizar um movimento para preservar essa cultura. Fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas e fizeram a primeira Ronda Crioula em 07/09. Foram pilchados a cavalo até a Av. João Pessoa, onde o Fogo simbólico é aceso na Pira da Pátria, que seria extinto. Acenderam uma tocha, e saíram galopando e gritando “Viva a Revolução”. Foram até a escola e acenderam um candeeiro crioulo que ficaria até o dia 20/09. Os alunos permaneceram na escola até a noite, com gaiteiros, violeiros, declamadores e muita gente. No dia 20/09, a Ronda Crioula foi encerrada, com um Baile no Teresópolis Tênis Clube. A ronda era o trabalho dos peões para cuidar o gado. Acendiam fogueiras, tomavam chimarrão, cantavam e contavam causos ou histórias. 

A partir de lá, o tradicionalismo uniu os gaúchos. Em 11/12/1964, uma Lei oficializou a Semana Farroupilha de 14 até 20/09.

nossa fonte: KRAMER, Elva Verlang, História de Porto Alegre. São Paulo: FTD, 2001.

terça-feira, 13 de março de 1990

Documento: Guerra dos Farrapos - 1835.



Documentos da História do Brasil - 

A GUERRA DOS FARRAPOS - 1835

"Compatriotas. O amor à ordem e à liberdade, (...) correr convosco à salvação de nossa querida pátria. (...) Compatriotas! vossos votos justas exigências já estão satisfeitas. Caducou aquela autoridade cujo manto cobria os atentados de homens perversos, que têm conduzido esta benemérita província à borda do precipício. (...), mas sim para garantir as liberdades pátrias de seus ataques, tanto mais terríveis, por isso que eram exercidos à sombra da Carta Constitucional; corresses emfim às armas para sustentar em sua pureza os princípios políticos, que nos conduziram ao sempre memoravel sete d'abril, dia glorioso de nossa regeneração, e total independência. (...) Apressuremo-nos, pois, a manifestar aos nossos irmãos habitantes das mais províncias da união brasileira, os fundamentos das nossas queixas e o dos nossos temores. Conheça o Brasil que o dia 20 de setembro de 1835 foi a consequência inevitável de uma má e odiosa administração; e que não tivemos outro objeto, e não nos propuzemos a outro fim, que restaurar o império da lei, afastando de nós um administrador inepto e faccioso, sustentando o trono do nosso jovem monarca e a integridade do império. Sim, compatriotas, devemos ao Brasil, que neste momento tem seus olhos fitos em nós, esta manifestação tanto mais sincera e pronta, quanto maior é o dever em que nos achamos de desvanecer os temores com que nossos inimigos o quizerem alarmar, acusando-nos de sustentar vistas de desunião e república. Desgraçadamente nesta província, como nas demais do império, existe uma facção retrograda adversa por princípios e interesses à nova ordem de cousas, e inimiga implacável de todos aqueles que professam decidido amor às liberdades pátrias. (...) Compatriotas! O nome da pátria nunca soou em vão aos meus ouvidos, e sempre me prestei voluntário a prestar-lhe meus serviços; (...) Compatriotas! Vós testemunhasses esta verdade, e os cidadãos mais decididos pela causa do povo foram o alvo de uma sistemática perseguição; (...) injustas perseguições; vimos cidadãos armados contra cidadãos; vimos deportações; (...) e vimos finalmente impunes a escandalosa introdução de africanos, e da moeda de cobre, terríveis açoites desta malfadada província. (...) Chegou a época da instalação da nossa Assembléia provincial, e a fala do presidente arrancou a máscara com que cobria uma política hipócrita e rasteira: (...), projetou sobrecarregá-los com um novo e oneroso imposto de dez mil réis anual sobro cada légua quadrada; imposto contrário aos princípios de economia política, (...) Devia-se necessariamente prever o descontentamento (...) Os militares do Brasil regenerado vertem seu sangue para defender a pátria, e não para oprimi-Ia. (...) são estes os mais (...) oprimidos pelo imposto. (...) O governo (...)desapareceu de nossa cena política, a ordem se acha restabelecida. Com esse triunfo dos princípios liberais minha ambição está satisfeita, e no descanso da vida privada a que tão somente aspiro, (...). Respeitando o juramento que prestamos ao nosso Código sagrado, ao trono Constitucional, e à conservação da integridade do Império, comprovareis aos inimigos de nosso sossego e felicidade, (...) património é a liberdade, e que estais na obrigação de defendê-la a custa de vosso sangue e de vossa existência. (...) suas bênçãos se nos acompanharão ao sepulcro se lhes deixarmos o de virtude e patriotismo.

Porto Alegre, 25 de setembro de 1835.

Bento Gonçalves da Silva".

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