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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

As catacumbas dos capuchinhos que abrigam mais de 8 mil cadáveres.

 AS CATACUMBAS DOS CAPUCHINHOS QUE ABRIGAM MAIS DE 8 MIL CADÁVERES

Na Itália, o antigo local ainda guarda mais de mil múmias e possuem em suas criptas uma curiosa tradição de embalsamento — que foi enterrada por um tabu em relação à morte apenas quebrado recentemente

INGREDI BRUNATO PUBLICADO EM 26/11/2020

Fotografia das catacumbas sicilianas
Fotografia das catacumbas sicilianas - Wikimedia Commons

As Catacumbas dos Capuchinhos ficam na região de Sicília, na Itália, e guardam em si muito da História do país, tendo sido construídas originalmente como uma extensão do cemitério dos membros da Ordem dos Frades Capuchinhos. 

Todavia, ao longo das décadas enterrar seus entes falecidos nas criptas se tornou um símbolo de status, com as famílias nobres pagando uma certa taxa pela permanência de seus parentes no local. Isso resultou na extensão das catacumbas até que chegassem nas dimensões atuais. 

Atualmente, o local é alvo não apenas de pesquisadores, mas também de interessados no ramo do turismo macabro. Para adaptar o local à circulação de pessoas, foram colocadas grades que impeçam os turistas de tirarem fotos com os cadáveres, e placas avisando que é proibido tirar fotos. Apesar disso, é possível conhecer parte do conteúdo das catacumbas através de mais de um programa de televisão que foi explorá-la levando as câmeras. 

Fotografia das catacumbas / Crédito: Wikimedia Commons 

 

História 

As Catacumbas dos Capuchinhos tem uma tradição de embalsamento e outras técnicas de preservação dos corpos mortos. Na época que era usada apenas para o enterro dos monges, eles já tinham o costume de desidratar os cadáveres e lavá-los em vinagre, para então colocá-los ou nas prateleiras do local, ou em armários de vidro lacrados. 

Os corpos dos frades eram vestidos com vestes clericais, já quando começaram a ser enterradas outras pessoas, a roupa dos cadáveres passou a depender dos desejos da família e, em geral, seguir a moda do período. 

Para organizar os corpos, as catacumbas são divididas entre as seguintes seções: Monges, Padres, Profissionais, Homens, Mulheres, Virgens e Crianças. Entre os enterrados, existem também algumas pessoas famosas, como o pintor siciliano Giuseppe Velásquez e os escultores Lorenzo Marabitti e Filippo Pennino. 

Foto do corredor das mulheres / Crédito: Wikimedia Commons

 

Últimos anos 

Os últimos enterros a serem feitos nas criptas datam de 1920. No total, as Catacumbas dos Capuchinhos abrigam oito mil cadáveres e 1.252 múmias. Também é interessante observar que as técnicas de embalsamento evoluíram. 

Muitos mortos de depois de 1900 foram embalsados pelo professor Alfredo Salafia, que tinha uma fórmula especial para conseguir preservar os cadáveres de forma impressionantemente efetiva. Usando glicerina, uma solução de álcool e uma de formalina, ele era capaz de desidratar o corpo sem ressecá-lo demais, matar as bactérias e fungos que poderiam decompô-lo e ainda manter sua rigidez. 

Outra curiosidade das criptas italianas é que nem todos os cadáveres estão dispostos da forma mais comum, em prateleiras ou caixões de vidro: alguns, na verdade, foram deixados em poses. Um exemplo são dois meninos em uma cadeira de balanço, que estão assim pelo desejo da família de vir fazer uma oração semanal segurando as mãos dos falecidos, para que pudessem “participar” dela. 

“Por muitos anos, o assunto da morte foi tabu [na Sicília]. Agora, dada a importância científica do que está surgindo com essas múmias, as pessoas estão entendendo que, na Sicília, a morte sempre fez parte da vida. E por séculos, muitos sicilianos usaram a mumificação para garantir que houvesse uma relação constante entre a vida e a morte”, disse a antropóloga Dario Piombino-Mascali em uma publicação do Archaeology News Network em 2013. 

A pesquisadora é líder do chamado “Projeto Múmias de Sicília”, que busca criar perfis para cada um dos indivíduos mumificados nas Catacumbas dos Capuchinhos. Para tanto, os corpos são radiografados e submetidos a análises para descobrir seu sexo, idade e data de falecimento. 

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/turismo-macabro-as-catacumbas-dos-capuchinhos-que-abrigam-mais-de-8-mil-cadaveres

domingo, 6 de outubro de 2019

Império da morte: catacombes, a Paris dos mortos.

IMPÉRIO DA MORTE: CATACOMBES, A PARIS DOS MORTOS

Com ruas, surpresas e riscos, as profundezas da capital francesa são quase outra (e perigosa) cidade
TEXTO DIEGO INGLEZ DE SOUZA / ILUSTRAÇÃO PEDRO KASTRO PUBLICADO EM 06/10/2019
Crânios por todas as partes
Crânios por todas as partes - Reprodução
Há outro mundo abaixo da capital francesa. Minas desativadas, catacumbas com milhões de ossos, estações de metrô abandonadas, bunkers nazistas e até uma "praia". Paris ainda se chamava Lutécia, como a batizaram os romanos, e o subsolo da cidade já era agitado. Seus túneis abrigaram membros da Resistência Francesa durante a 2ª Guerra e hoje são cenário de festas. É dali que sai um dos produtos mais conhecidos da França: os famosos cogumelos parisienses.
Desde o Império Romano, o solo de Paris, farto de calcário e gipsita, foi usado como fonte de material de construção. Durante a Idade Média, as pedras de calcário grosso locais serviram para construir a grandiosa Catedral de Notre Dame, além de conventos, pontes e muralhas de defesa.
Conforme a cidade crescia e o material da superfície se esgotava, os mineiros cavavam sob a terra e o resultado foi um imenso complexo de galerias subterrâneas que acabaria por ter vários usos ao longo do tempo. Elas ficaram conhecidas como carrières (jazidas).
Ossos de vítimas da revolução francesa / Crédito: Reprodução
O fim do século 18 foi crucial para a história da França e também para o subsolo parisiense. Antes da Revolução Francesa (1789), vários desabamentos de prédios deram o alarme: os vazios deixados pela mineração tornavam o subsolo instável e comprometiam a segurança e o crescimento da cidade. Na antiga rue d"Enfer, a ("rua do inferno"), perto do atual bulevar St. Michel, houve dois grandes desabamentos com dezenas de vítimas, o maior deles em 17 de dezembro de 1774.
O segundo foi em 4 de abril de 1777, por coincidência o mesmo dia em que se criou a Inspetoria Geral das Carrières. A IGC, dirigida por engenheiros e militares, surgiu para cartografar, avaliar os riscos e estabilizar as carrières para evitar novas tragédias. As inscrições do nome das ruas nas galerias recuperadas pela IGC revelam uma geografia paralela da cidade, referências há muito desaparecidas, enterradas pelo tempo. Uma espécie de Google Earth pelo lado de dentro.
Cadáveres
Na mesma época, os cemitérios da cidade estavam muito além de sua capacidade, e o acúmulo de restos mortais gerava graves problemas de saúde pública. O Cimetière des Innocents amontoava cadáveres 2,5 m acima do nível da rua.
A chuva e a neve faziam escorrer a carne apodrecida dos corpos pelas ruas e pelo solo, atingindo o lençol freático. A solução foi transferir os esqueletos para as galerias, dando origem às célebres catacombes, concebidas e organizadas como um monumento à morte.
Placas com versos alusivos à efemeridade da vida e evocando os antigos cemitérios permeiam os arranjos dos ossos de aproximadamente 6 milhões de mortos parisienses, rigorosamente anônimos entre trabalhadores, revolucionários, poetas, pintores... Hoje trata-se de uma concorrida atração da cidade, visitada por turistas, que fazem fila para conhecer o império da morte.
O espaço e o percurso é de 1,7 km - a única parte oficialmente visitável dos mais de 300 km de catacumbas não sancionadas e potencialmente letais - mas ainda assim invadidas por aventureiros. 
Muitos degraus nos túneis das carrières dão uma boa noção do que eram no princípio e de como foram as intervenções da IGC. Além de um leve aroma de formol e da água que escorre diretamente do "céu" da carrière - o teto escavado na pedra -, nada incomoda fisicamente o visitante. A iluminação é precária, mas permite examinar milhares de crânios, fêmures e tíbias - quebrados, perfurados por tiros, vandalizados e recobertos por todo tipo de mofo, poeira e pátina de 200 e tantos anos. É proibido tocar nelas.
Visitantes no subsolo / Crédito: Reprodução
Port Mahon é um destaque do percurso e leva a um célebre personagem das catacumbas. Beausejour, cujo verdadeiro nome era Decure, ex-militar e funcionário da IGC, que esculpiu entre 1777 e 1782 maquetes dos fortes e portos da ilha de Minorca, onde esteve cativo dos ingleses. Ironicamente, Decure morreu vítima de um desabamento enquanto escavava uma escada que permitiria o acesso dos visitantes à sua obra.
Outra figura célebre da história do submundo parisiense é a de um porteiro do hospital militar de Val-de-Grace. Philibert Aspairt teria se perdido em 1793 nas galerias em busca do licor do Convento de Chartreux. Seus restos mortais foram achados 11 anos depois, segundo o monumento construído em sua memória. Há quem duvide de sua existência, baseando-se na hipótese de a fábula ter sido inventada pela IGC para desestimular visitantes indesejados.
Modernização
Por causa dos acidentes, a extração dos minerais do subsolo é proibida desde 1815. Os subterrâneos foram ocupados por redes de esgotos e de distribuição de água com a modernização da cidade promovida a partir de 1860 pelo barão Haussmann. Desde sua implantação, os esgotos estão abertos ao público.
Lá se aprende sobre o plano de saneamento do engenheiro Belgrand e se veem as diversas máquinas que auxiliam o penoso, porém essencial, trabalho dos égoutiers, os sujeitos que limpam os esgotos. Há várias fases de tratamento da matéria in natura. Quando a coisa é bruta, o odor e a imagem não são de fácil digestão.
Para abastecer a população de água limpa, poços foram perfurados. Eles seriam aproveitados posteriormente para a instalação de banhos e piscinas públicos. Diversas brasseries instalaram-se sobre as galerias, já que seus vazios úmidos e frescos eram propícios para a fabricação de cervejas e o cultivo de cogumelos, que nasciam no esterco dos cavalos que circulavam nas ruas. Surgia o popular "champignon de Paris".
Com o aparecimento do metrô, em 1900, o subsolo passou a fazer parte da rotina dos moradores - e ficou ainda mais com cara de queijo suíço. Redes de água, esgotos, eletricidade, gás, vapor, correio pneumático a ar comprimido e, mais recentemente, trens metropolitanos embaralham-se entre o pavimento e as carrières.
O canal de Saint Martin conduz barcos e passageiros por quilômetros sob a terra e a Coluna da Bastille. Até mesmo um córrego, o Bièvre, desapareceu da paisagem, engolido pelas entranhas da cidade.
Mais crânios / Crédito: Reprodução
A partir dos anos 1930, com o aumento da tensão política internacional, abrigos antiaéreos começaram a ser instalados debaixo da terra. Estações de metrô foram transformadas em abrigos. Algumas foram fechadas no começo da 2ª Guerra e nunca mais reabriram - são as estações fantasma. Durante o conflito, os alemães construíram bunkers, de onde controlavam a ocupação de Paris, como o da Gare de l"Est, mantido preservado e oculto até os anos 1990. As forças da Resistência Francesa também se organizavam no subsolo, no Posto de Comando Rol, de onde partiram ações contra os invasores nazistas em 1944.
No pós-guerra, as caves e criptas de St. Germain-des- Près e do Quartier Latin foram ocupadas pelos jovens estudantes e pelo jazz. Era o começo da catafilia, a atração pelas catacumbas da cidade. As tampas de poços da IGC, os trilhos de um anel ferroviário desativado - a Petite Ceinture - e outras entradas clandestinas levam para o mundo subterrâneo, proibido para os mortais desde 1955.
Nos anos 1980, festas underground nas catacumbas se popularizaram. Abrigaram diversas manifestações musicais (rock, punk, reggae) e chamaram a atenção do poder público, que passou a bloquear as entradas e reprimir a frequência.
O mote dos jovens de maio de 1968 Sous le pavé la plage (Sob o pavimento, a praia), mais que um simples aforismo, pode ser uma referência direta a um dos espaços frequentados pelos catafilistas: a praia, uma grande sala com chão de areia decorada com uma reprodução da famosa onda do gravurista japonês Hokusai.
Gilles Thomas um dos maiores especialistas nas catacumbas. É representante de um movimento de cidadãos, técnicos e intelectuais voluntários que defendem sua preservação e promovem o estudo das catacumbas como uma fonte de história.
Thomas estabelece uma distinção entre os catafilistas, os turistas que descem pela primeira vez, e os cataclastes, que não respeitam o lugar e deixam marcas de suas efêmeras passagens. No encalço destes estão os cataflics, os membros da Eric (Equipe de Busca e Intervenção Judiciária), num trocadilho que mistura a gíria da superfície para policial (flic).
Muito material foi produzido sobre as carrières. Há livros, guias e filmes. Na internet, não faltam mapas, fotos e vídeos de festas e de percursos. Talvez seja o roteiro mais indicado (pelo menos, o mais seguro) para você fazer esse mergulho. Visitas clandestinas são proibidas e punidas com multa. Sem falar no risco de se perder por ali - e de se tornar mais uma pilha de ossos anônima esquecida nas catacumbas.

Saiba mais
Les Catacombes de Paris,  Gaspard Duval, 2011.
Paris Souterrain, Emmanuel Gaffard, 2007.
Atlas du Paris Souterrain - La Doublure Sombre de la Ville Lumière, Alain Clément 2001.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

As Catacumbas de São Gennaro em Nápoles, na Itália.


As Catacumbas de São Gennaro. 
Localizadas na cidade de Nápoles, na Itália.




As imagens acima, foram enviadas pela minha amiga (Carolina P.C.) que está lá no dia de hoje 13/08/2019.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

As catacumbas de Paris.





Fonte: Revista Lugares Sinistros, As catacumbas de Paris, páginas 12-15, São Paulo, sem data.

sexta-feira, 25 de junho de 1993

As Catacumbas de Priscila em Roma, na Itália.


AS CATACUMBAS DE PRISCILA
As catacumbas de Priscila são um conjunto de galerias funerárias realizadas pelos primeiros cristãos em Roma. A data de sua construção remonta ao século II, e lá estão sepultados o senador Manio Acilio Glabrio, sua esposa Priscila e filhos, que na época tinham cedido parte das suas quintas situadas à volta da Via Salaril, para a construção das catacumbas e dum cemitério anexo, para os religiosos cristãos que se recusavam a ser sepultados em templos dedicados a deuses pagãos.
As catacumbas de Priscila, um enclave situado no subsolo romano que atravessa grande parte da cidade na sua faceta menos conhecida, são um dos mais importantes cemitérios cristãos conhecidos, pois contêm as primeiras representações bíblicas e ícones cristãos, um lugar onde vários pedaços da história ainda se preservam, entre frescos, pinturas e estruturas da época do Império Romano.
As primeiras referências às Catacumbas de Priscila foram obtidas através de diferentes fontes hagiográficas pertencentes ao século IV. Esta necrópole foi fundada por Priscila, esposa do senador Manio Acilio Glabrio durante a época romana, e o seu nome aparece na lápide do seu túmulo com uma inscrição em latim que diz "Priscilla clarissima foemina."
Uma das principais funções do cemitério e das catacumbas de Priscila era abrigar os restos mortais dos pontífices durante os primeiros séculos do episcopado romano. Algumas das personalidades mais populares sepultadas no local foram o Papa Silvestre, Papa Celestino, Papa Siricius, Papa Marcelino, e os mártires Félix, Felipe, Crescencio, Prisca e Fimete, entre outros, há ainda evidências de que, pelo menos, numa das sepulturas um total de 365 cristãos foram sepultados.
Actualmente, e desde 2013, a Basílica de São Silvestre funciona como Museu de Priscila.
O descobridor das Catacumbas de Priscila foi o maltês e agente da ordem de São João de Jerusalém, Antonio Bossio (1575 -1629 aprox.). A sua primeira investigação, junto com Pompeo Ugonio, data de 19 de outubro de 1594 com a sua obra Roma Sotterranea.
Mais tarde, em 1851, as investigações do cemitério subterrâneo foram retomadas por Giovanni Battista de Rossi, que se dedicou, sobretudo a examinar os monumentos visíveis, foi coadjuvado por Oracio Maruchi que, além de o ajudar nas suas investigações, defendeu a teoria de que a primeira pregação do Apóstolo Pedro tinha ocorrido dentro dessas catacumbas, pois a memória desse acto ainda permanecia lá dentro. através de algumas pinturas murais existentes.
As catacumbas foram estudadas e investigadas por vários especialistas ao longo dos anos, como Francesco Tolotti, Antonio Ferrua e Dani Mazzoleni. Actualmente, e desde a última década do século XX, a pessoa encarregada do estudo é a Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra (PCAS), dependente da Santa Sé. Também realiza, e por lei concordante, a investigação do resto das catacumbas cristãs de Roma e Itália.
As intervenções que têm sido efectuadas nas Catacumbas de Priscila consistem básicamente em escavações e, sobretudo, em restauros conservadores para permitir aprofundar o conhecimento do complexo funerário. Quanto à gestão do cemitério, desde 2015 pertence aos Padres Missionários da Província italiana da Sociedade do Verbo Divino (Verbiti) e anteriormente, era administrado pelas Freiras Beneditinas de Priscila.
Uma visita às catacumbas
As Catacumbas de Priscila estão localizadas na Calle Salaria, 430 (Roma, Itália), a entrada para o seu interior é limitada, podendo ser visitada apenas uma parte delas, enquanto o resto está fechada ao público. O seu acesso faz-se por um claustro situado no convento de Priscila, junto à bilheteira e à livraria ou utensílios religiosos, e a descida de uma escada em espiral leva então à necrópole subterrânea.
As Catacumbas de Priscila têm dois níveis abaixo do solo, o primeiro deles, o nível superior que se encontra aberto ao público, caracteriza-se por ter uma estrutura muito irregular devido à sua função hidráulica passada, pois anteriormente ao seu uso funerário as catacumbas eram usadas para a busca, colecta, distribuição e descarte de águas, e ainda para a extração da pozolana, material utilizado pelos romanos para a construção de seus edifícios.
Nesta antiga necrópole subterrânea é muito fácil um visitante perder-se se os avisos forem ignorados, pois as infindáveis ​​galerias e estreitos corredores tornam-se cada vez mais latentes à medida que entramos no seu interior. O mesmo acontece com as centenas de nichos que surgem entre as paredes das Catacumbas de Priscila. Actualmente os restos das ossadas foram removidas, dando maior importância à memória histórica que se preserva nas pinturas, frescos e estrutura do cemitério.
Na Região Velada, a primeira área por onde ocorre a visita, é o Cubículo Bottai, que consiste numa planta quadrada com uma abóbada de berço, decorada com uma imagem central do Bom Pastor e rodeado de cenas do ciclo de Giona e Noé na arca. Pode-se observar também uma representação do transporte de barris, possivelmente ligado ao emprego dos antigos proprietários.
Em seguida, passa-se ao Arenário Central, cuja origem foi marcada pela extração da pozolana para a construção de edifícios romanos, e da arena, pode-se vislumbrar uma clarabóia que conecta os níveis superior e inferior com o exterior das catacumbas. Nesta área também está presente o Cubículo da Assunção representado com a imagem da Virgem Maria e do Anjo Gabriel.
Depois, os corredores estreitos são deixados para trás para dar lugar ao vasto criptopórtico, esta longa sala é coberta por cinco abóbadas, uma cisterna, a Capela Grega, um corredor e uma planta octogonal, e a principal função desse espaço seria para a realização de reuniões baseadas em rituais fúnebres, e para conectar os diferentes pontos das catacumbas.
Talvez o maior destaque deste enclave recaia sobre a Capela Grega, nomeada pelas suas duas inscrições escritas em grego. Esta capela preserva várias pinturas e frescos com representações do Livro de Daniel, A Adoração dos Magos, A Cura de um Paralítico, A Ressurreição de Lázaro ou a Arca de Noé, e também podemos ainda admirar uma representação de um banquete eucarístico com 6 pessoas à mesa.
Nos frescos da Capela Grega das Catacumbas, encontra-se a representação mais antiga conhecida da passagem bíblica referente aos três Reis Magos do Oriente. Na pedra angular do arco, que dá acesso a três nichos de sarcófagos, podemos ainda apreciar a cena da Adoração, realizada nos séculos II e III, que representa a chegada dos Reis Magos ao nascimento da Natividade, guiados por um estrela que Foi colocada ao lado da Virgem quando os visitantes chegaram à manjedoura, e está praticamente perdida na pintura. Cada um dos Magos carrega nas mãos um presente para o filho de Deus, respectivamente, que está no colo da mãe.
O aspecto dos Reis não é descrito na Bíblia, nem os seus nomes, a primeira vez que a denominação actual aparece, é nos mosaicos de São Apolinário, o Novo, da cidade de Ravenna, pertencente ao século VI. As suas diferentes origens, idades e outros detalhes são criações posteriores, que se configuraram ao longo da história. Actualmente, o dia da Epifania, ou adoração dos Magos, é celebrado no dia 6 de janeiro.
O último trecho do percurso termina nas regiões de origem hidráulica, como o Hypogeum dos Acilios, onde foram encontrados inúmeros vestígios do passado. Esta zona está localizada exatamente abaixo da Basílica de São Silvestre (atual Museu da Priscila), e nele era realizada a coleta de água para abluções e rituais.
O nível inferior é fechado ao público. Actualmente, estão-se realizando diferentes escavações, e este nível, muito mais regular que o anterior, é formado por duas artérias paralelas, uma com mais de 150 metros de comprimento, conectadas a 20 travessas octogonais, e neste nível estão os cubículos de Marcelino e Lázaro, entre outros, conforme relatado pelo investigador Joseph Wilport.
Esta necrópole subterrânea está carregada de símbolos e referências constantes à imortalidade da alma após a morte do corpo, refletida, por exemplo, em várias representações pagãs, além das meramente cristãs, como a fênix, presente num dos cubículos, o que indicaria o renascimento da carne, ou ainda na representação dum pavão, junto com a imagem do Bom Pastor já mencionada, nesta ocasião, e segundo a crença pagã de Santo Agostinho, a carne deste animal seria incorruptível, assim como a alma imortal de quem ali repousa eternamente.
FONTES
Raffaella Giuliani, Barbara Mazzei e S. De Angelis - As Catacumbas de Priscila
Wikipédia - Las catacumbas de Priscila
BBC History - Tras los secretos de las catacumbas de Santa Priscila
WordPress - Catacombe di Priscilla















Boa pesquisa.