- 9 fevereiro 2018
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domingo, 15 de novembro de 2020
domingo, 8 de novembro de 2020
Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil.
OS ENIGMAS DE LUZIA, O MAIS ANTIGO FÓSSIL HUMANO JÁ ENCONTRADO NO BRASIL
Encontrada em Lagoa Santa, Minas Gerais, com idade estimada em 11.500 anos, Luzia é um dos fósseis mais antigos do continente americano
GIOVANNA GOMES PUBLICADO EM 08/11/2020

A descoberta do fóssil de Luzia representa um dos feitos mais importantes da arqueologia brasileira. O achado, que tem em torno de 11.500 anos, foi muito estudado pela comunidade científica desde os anos 90. Porém, mesmo com tantas pesquisas, ainda hoje existem controvérsias quanto à verdadeira aparência da mulher e seu povo de origem.
O fóssil de Luzia foi encontrado em 1974 por Annette Laming-Emperaire, uma arqueóloga francesa, na Lagoa Santa, em Minas Gerais. Mais tarde, em 1995, foi recuperado pelo antropólogo brasileiro Walter Neves e recebeu o nome de Luzia em homenagem a Lucy, famoso fóssil de australopiteco de 3,2 milhões de anos.

Características
Luzia era uma mulher na faixa dos 20 anos quando morreu e possuía 1,50m de altura. Neves defendia a tese de que ela era parecida com os aborígenes australianos e os negritos de Nova Guiné e, assim, seria bem diferente dos indígenas modernos. A partir desta ideia, o bioantropólogo britânico Richard Neave, deu vida reconstrução mais famosa da face de Luzia, em 2003.
Dessa forma, o brasileiro acreditava que a América foi colonizada em mais de uma leva, sendo que, para ele, o povo de nossa ancestral teria sido extinto ou absorvido por outros.
Depois disso, os antropólogos Rolando González-José, Frank Williams e William Armela, contestaram a teoria de Neves. Eles afirmaram que o crânio poderia ser classificado como um paleoíndio típico. O próprio Neves mudou de opinião quando, no ano de 2005, uma pesquisa confirmou que ela era parecida com os atuais índios 'botocudos'.
Uma pesquisa recente, publicada na revista Science, foi realizada por um grupo de arqueólogos liderado por Eske Wileslev, professor das universidades de Cambridge e Copenhague. O estudo surgiu a partir da realização de testes de DNA de esqueletos do continente, tanto antigos quanto recentes e, mais uma vez, Luzia foi apontada como semelhante aos índios modernos.

Não só ela, mas todos os fósseis se mostraram semelhantes aos índios modernos da América do Norte, local onde foi iniciada a colonização asiática da América.
No dia 2 de setembro um grave incêndio destruiu tanto a estrutura quanto grande parte da coleção do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
O fóssil de Luzia encontrava-se no prédio, o que deixou a muitos receosos de que havia sido consumido pelo fogo. No entanto, 80% do esqueleto foi encontrado e levado para restauração. Em 17 de janeiro de 2019, após as reformas, o museu reabriu para o público.
fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/luzia-o-mais-antigo-fossil-humano-ja-encontrado-no-brasil
terça-feira, 24 de março de 2020
Parente mais antigo dos seres humanos pode ter sido encontrado na Austrália.
PARENTE MAIS ANTIGO DOS SERES HUMANOS PODE TER SIDO ENCONTRADO NA AUSTRÁLIA
Com 555 milhões de anos, o ser é o primeiro a ter um organismo bilateral — característica presente nos seres humanos
CAIO TORTAMANO PUBLICADO EM 24/03/2020

Com metade do tamanho de um grão de arroz, Ikaria warioota é o nome de uma criatura que teve seu fóssil descoberto em uma pedra ao sul da Austrália, que existiram há 555 milhões de anos.
Pesquisadores do Museu Nacional de História Natural Smithsonian afirmam que este é o ser de organismo bilateral mais antigo já registrado. A bilateralidade confere a ele uma frente e uma traseira, definindo claramente lado esquerdo e direito em seu organismo, assim como humanos, porcos, aranhas e borboletas.
Isso torna o Ikaria o ancestral mais antigo na cadeia evolutiva dos humanos, um ancestral muito distante. Não somente um fóssil foi encontrado, bem como mais de 100 fósseis da espécie, que estavam em tocas.
Organismos bilaterais teriam evoluído durante o período ediacarano (571 a 539 milhões de anos atrás). Ikaria tem uma extremidade larga e outra pequena, o que quer dizer que tinha em seu corpo uma parte da frente e uma traseira, uma forma mais simplista de todos os animais com cabeça e caudas que vemos hoje em dia.
domingo, 9 de fevereiro de 2020
Por que os humanos que migraram da África para a Europa ficaram brancos há milhares de anos.
Por que os humanos que migraram da África para a Europa ficaram brancos há milhares de anos
Marcos González DíazBBC

O estudo do esqueleto humano mais antigo encontrado no Reino Unido contradiz a crença popular de que a maioria dos europeus sempre teve a cor da pele branca.
Uma análise genética do esqueleto de 10 mil anos revelou que a pigmentação de sua pele era de "escura a negra". O fóssil ficou conhecido como "homem de Cheddar" em virtude do local onde ele foi encontrado, em Cheddar, no Reino Unido.
Seu rosto foi reconstruído graças a um scanner de alta tecnologia e mostra um fenótipo totalmente oposto à pele branca que caracteriza muitos dos britânicos.
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"A combinação de uma pele muito escura com olhos azuis não é o que normalmente imaginamos, mas essa era a aparência real dessas pessoas", diz Chris Stringer, do Museu de Ciências Naturais de Londres, onde a imagem do "homem de Cheddar" foi exposta, na quarta-feira.
Segundo Yoan Dieckmann, da equipe da Universidade College, de Londres, responsável pelo estudo, a pele clara que associamos aos europeus modernos, principalmente do norte, seria um fenômeno relativamente recente.
Então em que momento a pele desses ancestrais começaram a mudar de cor e por que isso aconteceu?
Migração da África
Segundo especialistas, existem dois fatores principais que explicam essa transformação.

O primeiro deles é a mobilidade geográfica das populações modernas, que estavam na África há 150 mil anos e tinham pele escura.
"Aquelas populações, que seriam nossos ancestrais diretos, começaram a migrar. Elas chegaram na Europa, por exemplo, há cerca de 45 mil anos", explica Víctor Acuña, professor da Escola Nacional de Antropologia e História do México.
Alguns estudos genéticos concluíram que a pigmentação da pele mais clara começou a ficar mais comum em algumas regiões europeias por volta de 25 mil anos atrás.
A descoberta do "homem de Cheddar", que viveu há 10 mil anos, indica que esse embranquecimento só ocorreu muito tempo depois em locais como as ilhas britânicas.

Em 2014, análises de outros fósseis humanos de 7 mil anos encontrados em León, na Espanha, concluíram que os restos também pertenciam a um homem de pele negra e olhos azuis.
Proteção contra o sol
O segundo fator, e o mais importante, é aquele que explica por que ao atingir essas áreas do planeta a pele dos humanos tende a clarear.
"Os seres humanos, diferentemente de outros primatas, têm muito pouco pelo no corpo. Por isso pensamos que a pigmentação da pele era uma barreira aos efeitos negativos dos raios ultravioletas que é tão intensa na África", diz Acuña.

Quando migraram para regiões no norte do planeta, onde os raios solares são muito mais escassos, elas não precisavam mais da pigmentação, uma proteção natural contra possíveis queimaduras e doenças como o câncer de pele.
Como explica Acuña, "em zonas com pouco sol, ter cor da pele mais clara permitia uma melhor absorção da luz ultravioleta, que é vital para a obtenção de vitamina D".
Isso explica por que, na própria Europa, as diferenças na cor da pele começaram a ocorrer. As peles mais claras tornaram-se mais frequentes no norte, enquanto no sul a população apresentava tons mais variados.
Em suma, a cor da pele desempenhou um papel fundamental na época em que essas gerações poderiam se adaptar ao meio ambiente de forma natural.
10% de antepassados
Com essa explicação, é óbvio que essa característica da evolução humana não se reduz somente aos ancestrais dos britânicos.
De fato, como destaca Acuña, essa tendência a uma pigmentação cada vez mais clara não foi registrada apenas entre aqueles que chegaram ao norte da Europa.
Direito de imagemEPA
"Os estudos indicam que processos evolutivos similares ocorreram também em populações que chegaram ao leste da Ásia e da África. Nesses locais também houve notáveis mudanças na pigmentação da pele das pessoas", diz o professor Acuña.
O especialista confirma que a atual população da Europa poderia ser portadora de não mais de 10% dos genes dos antepassados do grupo ao qual pertence o "homem de Cheddar".
"Aquela primeira população teve contato com outras, que migraram posteriormente. Essas 'desapareceram' como cultura arqueológica ao ser assimilada por outros grupos", disse Acuña à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Estima-se que o "homem de Cheddar" migrou da Europa continental para as ilhas britânicas ao final da Era de Gelo.
Seus restos foram encontrados em uma caverna próxima a Cheddar, na Inglaterra, em 1903, mas apenas com os avanços tecnológicos do século 21 que os cientistas conseguiram conhecer os primeiros ingleses.
nossa fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Por que crânio descoberto na Etiópia pode mudar o que sabemos sobre evolução humana.
Pallab Ghosh
BBC News - 29 agosto 2019


Pesquisadores descobriram um crânio quase completo de um ancestral do homem que viveu há 3,8 milhões de anos na Etiópia.
A descoberta, publicada na revista científica Nature, desafia a ideia que temos sobre evolução humana.
E pode nos fazer repensar a tese de que os humanos vieram de uma espécie em particular de primata, a que pertence Lucy - cujos restos mortais foram encontrados em 1974.
O crânio foi encontrado pelo professor Yohannes Haile-Selassie em um local chamado Miro Dora, na região de Afar, na Etiópia.
O cientista, ligado ao Museu de História Natural de Cleveland em Ohio, nos EUA, afirmou que reconheceu imediatamente o significado do fóssil.
"Pensei comigo mesmo: 'Meu Deus, estou vendo o que acho que estou vendo?'. E, de repente, estava pulando de um lado para o outro, foi quando percebi que era o que tinha sonhado", contou à BBC News.
Segundo Haile-Selassie, trata-se do melhor exemplar encontrado até agora de um ancestral do homem, semelhante a um primata, chamado Australopithecus anamensis - o mais antigo data de 4,2 milhões de anos atrás.
'Ícone da evolução'
Acreditava-se que o A. anamensis era o ancestral direto de uma espécie mais avançada, conhecida como Australopithecus afarensis, que por sua vez era considerada ancestral direta dos primeiros seres humanos do gênero Homo, que inclui todos os homens modernos.
Direito de imagemCLEVELAND MUSEUM OF NATURAL HISTORY
A descoberta do primeiro esqueleto afarensis, em 1974, gerou comoção.
Os pesquisadores decidiram chamar o fóssil de Lucy, inspirados na música Lucy in the Sky With Diamonds, dos Beatles, que estava tocando no local da escavação.
Aclamada como "o primeiro primata capaz de andar em pé", Lucy atraiu a atenção do público.
À revista Nature, o professor Fred Spoor, do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, afirmou, no entanto, que o anamensis "parece prestes a se tornar outro ícone célebre da evolução humana".
A razão da empolgação é que agora podemos dizer que as duas espécies - anamensis e afarensis - existiram no mesmo período de tempo.
Ou seja, o primeiro não evoluiu diretamente para o segundo de maneira linear, como se supunha anteriormente.
Esta constatação foi feita a partir da reinterpretação que o novo fóssil oferece sobre um fragmento de crânio de 3,9 milhões de anos descoberto anteriormente.
O fragmento era atribuído a um anamensis, mas os cientistas perceberam agora que, na verdade, são os restos mortais de um afarensis, empurrando a origem dessa espécie mais para trás no tempo.
Aparentemente, as duas espécies coexistiram durante pelo menos 100 mil anos.
Cleveland Museum of Natural History
I thought to myself 'Oh my goodness, am I seeing what I think I'm seeing?'
O que aconteceu provavelmente foi que um pequeno grupo de anamensis se isolou da população principal e, com o tempo, evoluiu para afarensis por causa do processo de adaptação às condições locais. As duas espécies conviveram bem por um tempo até os anamensis remanescentes morrerem.
A descoberta é importante por indicar que podem ter ocorrido outras sobreposições temporais entre espécies, aumentando o número de possíveis rotas evolutivas até os primeiros seres humanos.
Em resumo, embora essa descoberta não refute que a espécie de Lucy deu origem ao gênero Homo, faz repensar o papel de outras espécies recentemente designadas.
'Protótipos'
O professor Haile-Selassie diz que "estão abertas as apostas" sobre qual espécie é o ancestral direto do homem.
"Durante muito tempo, o afarensis foi considerado o melhor candidato a ancestral da nossa espécie, mas não estamos mais nessa situação", explicou.
"Agora, podemos olhar para todas as espécies que podem ter existido na época e analisar qual pode ter sido mais parecida com o primeiro humano."
Direito de imagemP.PLAILLY/E.DAYNES/SPL
O termo "elo perdido" enlouquece os antropólogos quando ouvem alguém, especialmente jornalistas, usá-lo para descrever um fóssil que é meio primata, meio humano.
Há muitas razões para a irritação, mas a principal delas é o reconhecimento de que existem muitos elos na cadeia da evolução humana e a maioria, se não quase todos, ainda estão faltando.
O anamensis é a mais nova de uma série de descobertas recentes mostrando que não há uma escalada linear de evolução até chegar ao homem moderno.
A verdade é muito mais complexa e interessante - diferentes "protótipos" de ancestrais humanos teriam sido "testados" em lugares distintos, até que alguns foram resistentes e inteligentes o suficiente para suportar as pressões provocadas pelas mudanças no clima e escassez de alimentos - evoluindo assim até chegar a nós.
nossa fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-49507708
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Evidência mais antiga de um humano fora da África é descoberta na Grécia.
PRÉ-HISTÓRIA
Uma descoberta feita em uma caverna da Grécia pode mudar tudo o que se sabia sobre a migração humana para a Europa. Lá foi encontrado um crânio de 210 mil anos, a mais antiga evidência da presença do homo sapiens fora da África. Isso indica que os homens modernos deixaram aquele continente antes do que se imaginava.
No mesmo local, foi encontrado um crânio neandertal cerca de 40 mil anos mais jovem. De acordo com os pesquisadores, a descoberta sugere que essa migração específica do homo sapiens não foi bem sucedida. Isso porque a população a qual esse indivíduo pertencia foi substituída por neandertais, que ocuparam a mesma caverna. Além disso, não há evidências genéticas de que os humanos pioneiros que viveram naquele lugar deixaram descendentes.

Anteriormente, evidências de migrações humanas modernas fora da África também foram descobertas em Israel, onde foi encontrada uma mandíbula que tem entre 194 e 177 mil anos de idade. "Acreditamos que esses primeiros migrantes não contribuíram realmente para os seres humanos modernos que vivem fora da África hoje, mas morreram e provavelmente foram substituídos pelos neandertais", disse Katerina Harvati, paleoantrópologa da Universidade de Tübingen, que liderou o projeto.
Os crânios foram encontrados na caverna grega de Apidima nos anos 1970, mas só recentemente foram analisados com profundidade. A classificação de um deles como sendo de um homo sapiens foi recebida com ceticismo por alguns especialistas. O paleoantropologista espanhol Juan Luis Arsuag disse não estar convencido de que o crânio pertencia a um humano moderno. "O fóssil é muito fragmentado e incompleto para uma afirmação tão forte", afirmou. "Na ciência, alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias. Uma caixa craniana parcial, sem a base do crânio e a totalidade do rosto, não é uma evidência extraordinária, na minha opinião", completou.
Fontes: Live Science e The Guardian
Imagem: Katerina Harvati/Eberhard Karls/University of Tübingen/Reprodução
nossa fonte: https://br.historyplay.tv/noticias/evidencia-mais-antiga-de-um-humano-fora-da-africa-e-descoberta-na-grecia
acesso em 11/07/2019.
Abaixo a reportagem por outra fonte e em outra data.
Dois crânios ameaçam mudar a história da nossa espécie.
Um polêmico estudo sugere que os
‘sapiens’ migraram para a Europa muito antes do que se acreditava e foram
substituídos por neandertais.
Um par de crânios encontrado há
décadas em uma caverna no sul da Grécia fez
surgir agora uma tese que obrigaria a jogar no lixo os livros didáticos sobre a evolução humana,
embora muitos especialistas independentes alertem que ainda é cedo para fazer
isso.
Os dois crânios
foram encontrados nos anos 70. Estavam a poucos centímetros um do outro,
incrustados na rocha da gruta de Apidima, em um penhasco salpicado pelas ondas
do Mediterrâneo. Um dos crânios conservava os ossos do rosto e o outro, apenas
a parte de trás da cabeça. Inicialmente, foram atribuídos a neandertais, a
espécie humana prima da nossa que ocupou a Europa durante centenas de milhares
de anos antes de se extinguir misteriosamente há 40.000 anos, exatamente quando
os sapiens chegaram ao
continente.
Agora, uma equipe
de paleoantropólogos voltou a datar os dois crânios e os reconstruiu em três
dimensões para analisar em detalhes sua fisionomia. Os resultados, publicados
nesta quarta-feira na Nature, apontam que o
crânio mais antigo e incompleto tem 210.000 anos e é de um Homo
sapiens, o que o transformaria no membro da nossa espécie mais antigo já
encontrado na Europa.
Essa tese é um
tremendo golpe na versão clássica − que ainda é a mais aceita − sobre a origem
da nossa espécie. Segundo o relato clássico, os sapiens surgiram no
leste da África. Dois dos fósseis mais antigos da nossa espécie datam de
196.000 e 160.000 anos atrás e foram encontrados na Etiópia. A análise de DNA
de populações atuais fixa a origem da espécie em cerca de 200.000 anos atrás.
O
crânio 1 de Apidima com parte de sedimento aderido, supostamente de um ‘Homo
sapiens’ que viveu há 210.000 anos, o mais antigo da Europa. UNIVERSIDAD DE TUBINGA
Em estudos
anteriores, a análise de DNA também mostrou que 100.000 anos depois os sapiens saíram pela
primeira vez de seu berço africano para explorar a Eurásia. Nessa aventura,
encontraram-se com os neandertais e tiveram filhos com eles, mas aquela onda de humanos
sábios não se estabeleceu completamente. Nenhuma das pessoas atuais descende deles, e sim de uma
incursão posterior, há 70.000 anos.
Esta foi a que triunfou e povoou todo o
planeta, enquanto os neandertais desapareceram para sempre.
Há dois anos, uma
equipe de paleoantropólogos desfechou um duro golpe nesse relato clássico ao
apresentar os mais antigos fósseis conhecidos do Homo
sapiens, de 315.000 anos atrás. Foram encontrados no Marrocos, muito longe do
suposto berço da nossa espécie. Aquela descoberta revolucionária abriu caminho
para o que propõe agora o novo estudo dos restos gregos, cujos autores oferecem
um assombroso relato de um capítulo até agora desconhecido de nossa história
como espécie.
Nesse relato há
outra peça-chave: o segundo crânio encontrado em Apidima, aquele que tem rosto.
Segundo a nova análise, ele data de 170.000 anos atrás e pertence a um
neandertal. Isso significa que houve um grupo de sapiens que saiu da
África muito antes do que sabíamos, chegou até o sul da Europa e se instalou
por lá, embora tenha finalmente perdido a batalha, porque foi substituído por
neandertais.
"Que dois crânios achados a poucos
centímetros um do outro sejam de duas espécies diferentes separadas por mais de
40.000 anos é coisa de romance de ficção", espeta Arsuaga
As provas que sustentam essa
versão são uma datação dos isótopos de urânio e tório acumulados nos fósseis e
uma análise morfológica dos dois crânios. O mais antigo e incompleto, o número
1, foi comparado a dezenas de restos de Homo sapiens e
neandertais de diferentes épocas. Segundo os autores, apresenta características
típicas da nossa espécie, como a ausência do coque occipital, uma protuberância
que os neandertais tinham na nuca.
“Se nossas análises estiverem
corretas, os Homo sapiens entraram na Europa mais de 150.000 anos antes do que
pensávamos, o que levanta muitas possibilidades sobre a origem da nossa espécie
e sobre o que acontecem com eles”, assinala Chris Stringer, pesquisador do
Museu de História Natural de Londres e coautor do estudo. Ele reconhece que
quando enviaram seu estudo para a Nature, uma
das revistas científicas de maior prestígio, “os revisores se mostraram muito
céticos de que um fóssil de humano moderno tivesse sido encontrado ao lado de
um fóssil de neandertal”. Os responsáveis pela publicação os obrigaram a fazer
mais análises comparativas e datações de urânio, que finalmente os convenceram.
Esse estudo, juntamente com outras
evidências anteriores, “demonstra que em mais de uma ocasião os humanos modernos se aventuraram para o norte e o
oeste do planeta, da África até o Oriente Médio e a Europa”, escreve o
paleoantropólogo Eric Delson, do Museu Nacional de História Natural dos EUA, em
uma análise sobre o estudo da equipe de Stringer publicado pela Nature. O trabalho revela as “migrações faltadas” do Homo sapiens, afirma Delson.
“Faltam evidências”
No entanto, nenhum dos
especialistas consultados pelo EL PAÍS aceita as conclusões do estudo.
“Trata-se de uma afirmação extraordinária, mas faltam evidências para
sustentá-la”, opina Juan Luis Arsuaga, codiretor da Fundação Atapuerca. Em 2017,
esse paleoantropólogo participou da datação de isótopos de urânio do crânio 2,
o mais completo, que mostrou uma antiguidade de pelo menos 160.000 anos. O
pesquisador diz que a morfologia do crânio 1 é totalmente compatível, na
verdade, com a de um neandertal primitivo que ainda não tinha desenvolvido suas
características típicas na parte posterior do crânio. “Que dois crânios
encontrados a poucos centímetros um do outro sejam de duas espécies diferentes
separadas por mais de 40.000 anos é coisa de romance de ficção. Não acredito
nos novos dados e vamos contestar esse estudo”, alfineta o paleoantropólogo.
Warren Sharp, do Centro de
Geocronologia de Berkeley (EUA), assinala que a datação do crânio 1 “não se
sustenta”. “As diferentes datações individuais obtidas para esse fóssil
divergem de 335.000 anos atrás a 142.000 anos atrás, o que sugere que o fóssil
perdeu parte do urânio que tinha originalmente. Isto implica que a idade
atribuída a ele é muito antiga”, explica.
Amélie Vialet, pesquisadora do
Museu Nacional de História Natural da França, opina que “a explicação mais
plausível é que os dois crânios tenham ficado presos aos sedimentos da caverna
na mesma época e que ambos sejam neandertais”.
Nossa fonte da reportagem acima: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/10/ciencia
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