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quarta-feira, 1 de abril de 2020

As atrocidades da Ditadura de Francisco Franco.

ASSASSINATOS, PERSEGUIÇÕES E ESTUPROS: AS ATROCIDADES DA DITADURA DE FRANCISCO FRANCO

Com o apoio de militares, da Igreja e de outros países autoritários, o governante instaurou um regime de medo e opressão na Espanha entre 1936 e 1975
PAMELA MALVA PUBLICADO EM 01/04/2020
Francisco Franco, de terno, em meio aos seus apoiadores
Francisco Franco, de terno, em meio aos seus apoiadores - Wikimedia Commons
Em diversas partes do mundo, o século 20 foi marcado por regimes essencialmente militares. Golpes, guerras e governos ditatoriais foram eternizados em grande parte dos continentes, por mais diplomáticos que os países fossem.
Na Europa, por exemplo, o longo e duradouro histórico de monarquias não foi o suficiente para abafar militares sedentos pelo poder. Esse foi o caso da Espanha, que, nas mãos de Francisco Franco, sofreu um duro regime autoritário.
Marcado por revoltas, diversas atrocidades e um mau comando, a ditadura erguida pelo governante ficou conhecida como franquismo e perdurou entre 1936 e 1975. Seu fim chegou à galopes, no mesmo ano da morte de Franco.
Carta escrita por Francisco, anunciando o fim da Guerra Civil / Crédito: Wikimedia Commons
A carta de aval.
O ditador só chegou ao poder após o fim da Guerra Civil Espanhola, em 1936. O país tentava se recuperar de um conflito agressivo, que deixou centenas de milhares de mortos — os números, até hoje, são especulações.
Com a ajuda de importantes aliados, como a Itália fascista e a Alemanha nazista, Fernando Franco conseguiu instaurar um forte governo ditatorial, pôs fim à Segunda República Espanhola e declarou-se comandante do Reino da Espanha. Em pouco tempo, ele passou a liderar um regime militar em plena Segunda Guerra Mundial.
Uma vez no poder, o ditador tinha militares e grupos conservadores — conhecidos como Movimento Nacional — ao seu lado na luta contra os últimos resquícios da república espanhola. Com essas influências, foi mais do que fácil para Franco construir um governo nacionalista, conservador e com diversas características fascistas.
Mesmo após a derrota do Eixo na Segunda Guerra, o franquismo seguiu firme e forte. Perdeu muito de seu cunho fascista, mas continuava opressor. Começou, então, uma onda agressiva de assassinatos, crimes e autoritarismo.
Quem manda sou eu.
Franco começou por reprimir todo e qualquer partido político que não o seu. A partir daí, frente a medidas nacionalistas e que beneficiavam o clero, a Igreja Católica espanhola caiu nas graças do franquismo e passou a apoiar a ditadura massacrante.
A repressão às minorias foi o segundo passo. Com grande parte dos nomes mais influentes da nação ao seu lado, Franco passou a perseguir diversos grupos étnicos, como os catalães e os bascos.
Apoiadores de Franco em manifestação / Crédito: Wikimedia Commons

O Terror Branco, como ficou conhecido o período fatal, então, direcionou seus rifles às classes contrárias ao regime. De repente, protestantes,  livres-pensadores e intelectuais estavam na mira da ditadura.
Ao mesmo tempo, a política interna e externa da Espanha não poderia piorar. Franco não era o melhor dos líderes que o país já viu e a economia sofria com o mau gerenciamento. Mais do que nunca, o desenvolvimento estava congelado.
Foi nesse momento que Francisco pediu ajuda para um antigo conhecido: os Estados Unidos. Em um acordo inteligente, o ditador trocou milhões de dólares norte-americanos por bases militares em território espanhol.
Com a parceria, a roda da economia espanhola voltou a girar e, na década de 1960, o país voltou a crescer. Antes disso, no entanto, Franco fez jogadas estratégicas para garantir o seguimento de suas políticas. Em 1947, por exemplo, ele sancionou a Lei de Sucessão, que previa uma monarquia após a morte do ditador.
Rua da Espanha dominada por militares armados / Crédito: Wikimedia Commons

Represión Franquista
Comandante de centenas de militares posicionados em todos os cantos da Espanha, Franco manchou a europa com o sangue de mais de 150 mil mortos durante o Terror Branco. A violência nas ruas era brutal, e ninguém mais estava seguro.
O franquismo logo passou a ser conhecido pelos estupros, assassinatos, perseguições e sequestros cometidos durante a chamada Represión Franquista. Nas ruas, homens com enormes rifles andavam tranquilamente, enquanto civis se escondiam, com medo.
Em 1975, com a morte de Franco, o regime ditatorial chegou ao fim. Suas cicatrizes, entretanto, persistiram até 2006, quando grupos apoiadores de Francisco ainda se reuniam para homenageá-lo — comemoração que foi proibida em 2007.
Ainda em 2006, em uma de suas últimas tentativas de deixar o franquismo nos livros de história, o Parlamento Europeu condenou o regime de Franco. Segundo os parlamentares, existiam evidências suficientes para provar que a ditadura instaurada na época violava os direitos humanos.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Concordatória: a prisão de Francisco Franco para padres.

CONCORDATÓRIA: A PRISÃO DE FRANCISCO FRANCO PARA PADRES

Durante a ditadura espanhola, religiosos contrários ao regime foram encarcerados em uma prisão especial – e se revoltaram com as condições
VITOR LIMA PUBLICADO EM 05/06/2019.
Encarcerados, os padres sofreram na prisão
Encarcerados, os padres sofreram na prisão - Crédito: Getty Images
A ditadura de Francisco Franco (1939-1975) tinha como elemento central uma interpretação extremamente conservadora do catolicismo, que era a religião oficial do Estado. Não havia separação entre Igreja e Estado e os padres ficaram encarregados da educação, atuando como ideológos e censores, denunciando os “vermelhos” escondidos.
Era em parte vingança: durante a Guerra Civil (1936-1939), a Igreja fora sido alvo dos republicanos, com saques e massacres, e defendida pelas forças falangistas de Franco (ainda que essas também tenham matado padres do lado inimigo). 
Mas nem todo o clero estava com Franco. Particularmente mais perto do fim do governo, nos anos 60, alguns padres passaram a tirar símbolos do regime das Igrejas e fazer críticas severas em suas missas. Inicialmente, os rebeldes, recebiam uma multa e, caso o pagamento não fosse realizado, eles eram enviados para uma prisão especial.
As lideranças religiosas que se opusessem ao regime ficavam reclusas em um cárcere especial, pois a Constituição não permitia que padres dividissem celas com presos comuns. Essa era a concordata entre o governo e a Igreja. Assim, o ditador inaugurou Cárcel Concordataria de Zamora, para prender padres. 
“O regime de Franco, que deu tanto poder à Igreja, terminou seus dias perseguindo padres. Os mais indisciplinados foram parar na prisão concordatória, em Zamora, reservada especialmente para o clero”, diz o historiador Francisco Fernández Hoyos no artigo La Cárcel Concordataria de Zamora: Una Prisión para Curas en la España Franquista (A Prisão Concordatória: Um Cárcere para Padres na Espanha Franquista).
Um dos primeiros a serem isolados foi o padre Alberto Gabicagogeascoa. Após denunciar as torturas do período e pedir por liberdade de expressão durante um sermão, foi sentenciado a cumprir três meses e um dia em Concordata. Em seguida, sacerdotes bascos e outros párocos de diferentes partes da Espanha foram enviados para o local.
Alguns dos padres que ali estavam reclusos não concordavam com a ordem presente na Constituição. Desde o começo, exigiam que fossem transferidos para prisões comuns. E, como não cooperavam com os guardas, o clima era de constante conflito. Como forma de protesto, os párocos faziam até greve de fome - uma das tentativas de chamar atenção para a situação.
Em um documento, os sacerdotes descreveram como viviam. “Eles reclamaram do tratamento recebido do diretor da prisão e afirmaram que as condições em Zamora nem sequer atendem aos padrões de uma prisão regular: era impossível dormir ou ter qualquer privacidade, devido à rigorosa supervisão das autoridades, e era impossível realizar exercícios físicos”, diz Nicola Roney no artigo A Prison for Priests in a Catholic State: “The Cárcel Concordatoria” in Zamora During the Franco Dictatorship. Além disso, alguns detidos foram cruelmente torturados.
Em 1971, muitos encarcerados tentaram escapar da prisão. Assim construíram um túnel de 15 metros. Contudo, a tentativa foi em vão. Os guardas descobriram a ideia dos padres.
Em novembro de 1973, a situação ficaria ainda mais caótica: os párocos colocaram fogo no altar e destruíram objetos do local. Aos poucos, os prisioneiros foram sendo transferidos de Concordata, os últimos saíram em 1976.
A maioria se desconverteu. A Igreja Católica nunca pediu perdão pelo acontecido, e os antigos carcereiros do local não foram punidos.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Terminava a Guerra Civil Espanhola e começava a ditadura franquista.

HÁ 80 ANOS, TERMINAVA A GUERRA CIVIL ESPANHOLA E COMEÇAVA A DITADURA FRANQUISTA. ENTENDA O CONFLITO!

Ao ser auxiliado por figuras como Hitler e Mussolini, e com a subida ao poder de seu grupo, Francisco Franco deu início à ditadura na Espanha
REINALDO JOSÉ LOPES PUBLICADO EM 01/04/2019
Tropas de Franco durante o fim do conflito
Tropas de Franco durante o fim do conflito - Getty Images
Em 1939, chegava ao fim o conflito armado ocorrido na Espanha, que levou à morte de aproximadamente 400 mil pessoas. A Guerra Civil Espanhola se encerrou com o fim da Segunda República e a subida ao poder de um grupo de cunho fascista liderado pelo general Francisco Franco, denominado "Movimento Nacional". Franco foi auxiliado por figuras como Hitler e Mussolini no andamento dos conflitos, e a subida ao poder de seu grupo levou ao início da ditadura Franquista.
É cômodo dizer que uma guerra era inevitável, depois de ter ocorrido. No entanto, o caso do conflito que dividiu a Espanha, a partir de julho de 1936, foi um desastre há muito anunciado. Por várias décadas, não existiu entendimento na política espanhola, e o quadro só piorou no início de 1930. O grande problema era a polarização: o país tinha se dividido no campo ideológico. Direita e esquerda viam-se em posições irreconciliáveis. Cada lado se considerava o verdadeiro representante do que a Espanha deveria ser, situação que levou vários historiadores a usar a expressão “duas Espanhas”. Aliás, “duas” é pouco.
É mais correto falar em inúmeras “Espanhas”, porque diversos grupos disputavam o poder. Havia, por exemplo, dois movimentos monarquistas; organizações totalitaristas como a Falange, inspiradas no fascismo e no nazismo; vários partidos socialistas e comunistas; e – fenômeno típico do país – muitos anarquistas, que desprezavam a ordem política tradicional.
Mais soldados em ação.
A divisão, porém, era mais profunda: estendia-se pelas regiões industrializadas, como o norte e a Catalunha (onde a maioria do povo era favorável à República e pendia para a esquerda), e áreas rurais e tradicionalistas, como a Andaluzia e a Galícia, com grande massa de camponeses explorados pelos senhores de terras e da Igreja.
Some-se a isso um panorama internacional também polarizado, no qual os países democráticos (como a própria Espanha, a França e o Reino Unido) estavam se tornando minoria diante de ditaduras de direita ou de esquerda (Alemanha, Itália e União Soviética). O desastre começou quando o primeiro governo republicano foi formado, após a abdicação do rei Afonso XIII, em outubro de 1931. Dominado por socialistas e liberais esquerdistas, suas primeiras medidas foram expulsar os jesuítas do país e tirar das mãos da Igreja o sistema educacional, o que enfureceu os conservadores. Além disso, o governo priorizou a regularização das condições de trabalho no campo e a reforma agrária – um golpe doloroso para os latifundiários.
As medidas de orientação esquerdista não duraram muito. No fim de 1933, novas eleições levaram ao poder uma coalizão de centro-direita, que desfez ou minimizou boa parte das últimas reformas. No ano seguinte, rebeldes anarquistas e operários levantaram-se contra o governo nas Astúrias e na Catalunha. As rebeliões foram reprimidas pelo exército, mas outros levantes, incluindo ataques ao clero católico, continuaram durante os meses seguintes, até que as urnas recolocaram no poder as forças liberais e de esquerda, com a Frente Popular, em fevereiro de 1936.
Uma série de assassinatos políticos de ambos os lados manteve as tensões. Muitos dos principais militares espanhóis, que não simpatizavam com o novo rumo que a República havia tomado, foram mandados para comandos distantes – como aconteceu com o próprio Francisco Franco, enviado para as ilhas Canárias. Ao lado de outros generais poderosos e da direita, Franco planejou um golpe militar contra a República, incitando rebeliões em quartéis de todo o país. O plano entrou em ação em 18 de julho de 1936, mas falhou em boa parte da Espanha. O que deveria ter sido um pronunciamento (nome dado pelos espanhóis a um golpe militar) começou a se transformar em uma guerra civil.
Contando com um exército forte e uma direita unida, o ditador Francisco Franco  dominou o país no ano de 1939. Como consequência, a Espanha viveu sob um regime ditatorial até 1975, ano em que o tirano faleceu.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A queda da república: Guerra Civil Espanhola.

A QUEDA DA REPÚBLICA: GUERRA CIVIL ESPANHOLA

A defesa bem-sucedida de Madri não foi suficiente para impedir que Franco e seus homens avançassem em todas as frentes de batalha
REINALDO JOSÉ LOPES PUBLICADO EM 08/02/2019. 
Organização anarco-sindicalista da CNT durante a Guerra Civil Espanhola, em Aragão.
Organização anarco-sindicalista da CNT durante a Guerra Civil Espanhola, em Aragão. - Wikimedia Commons
Se o governo republicano concluiu que os combates de novembro de 1936 tinham diminuído o ânimo do exército de Franco, estava enganado. O ano de 1937 começou com mais uma ofensiva nos arredores de Madri e um cenário internacional cada vez mais desfavorável para as tropas legalistas, apesar da ajuda militar soviética.
As potências ocidentais haviam concordado com um embargo armamentista, para arrefecer os dois lados do conflito espanhol. O plano fora arquitetado pelo Reino Unido e pela França e recebeu o apoio da Liga das Nações, a antecessora da Organização das Nações Unidas (ONU). Embora tivessem aderido ao plano oficialmente, Alemanha e Itália continuavam a apoiar Franco com homens e armas. Do lado republicano, se a URSS ainda era fonte de auxílio, os eficientes tanques e aviões cedidos pelos oficiais de Stalin perdiam em número de unidades para os veículos militares e armamentos da Itália e, especialmente, da Alemanha nazista, que serviam às tropas de Franco.

MAIS SOLDADOS EM AÇÃO

Assim, no início do segundo ano da Guerra Civil Espanhola, a estratégia da República de montar seu novo Exército Popular (depois de sofrer milhares de baixas nos combates contra as tropas nacionalistas) tinha como princípio utilizar mais soldados das milícias urbanas e das Brigadas Internacionais. Os legalistas conseguiram mobilizar quantidade suficiente de soldados para entrar em ação. No entanto, os esquerdistas continuavam perdendo nos embates aéreos, de blindados e de artilharia. Não se sabia por quanto tempo a República continuaria a resistir.
Anarquistas durante a Guerra Civil Espanhola Wikimedia Commons
Novos ataques a Madri foram repelidos em janeiro e fevereiro, mas o avanço nacionalista continuou em outras frentes. Em Málaga, por exemplo, cidade que só contava com milícias anarquistas para sua defesa, as tropas franquistas tomaram os bairros, a partir de 8 de fevereiro, e iniciaram uma repressão brutal contra seus adversários políticos – a maioria deles, fuzilados. Outro ataque à Madri, no mesmo mês, culminou na batalha de Guadalajara. Entre 8 de março e 19 de março de 1937, os republicanos tentaram novamente deter o avanço nacionalista perto de Madri. No combate, soldados italianos, enviados por Mussolini, desgarraram-se da força rebelde principal. O exército de Franco e seus aliados sofreram então uma derrota com centenas de baixas e rendições. Contribuiu para a vitória republicana a participação desses italianos, que desertaram para se alistar nas Brigadas. Foram eles que comandaram as ações contra os nacionalistas.
Tropas nacionalistas atacando oposição na Batalha de Guadalajara Wikimedia Commons
Sem conseguir tomar Madri, Franco e Mola decidiram, então, voltar sua atenção para o Norte da Espanha, região altamente industrializada, com forte tradição esquerdista e, também, odiada pelos fascistas por causa da rebeldia dos bascos. Nessa empreitada, a aviação nazista – liderada pela chamada Legião Condor – foi fundamental para o avanço dos rebeldes, mas ao custo de um massacre da população civil da região. Pesados bombardeios mataram milhares de moradores no País Basco e nas Astúrias.
Nenhum ataque foi tão traumático quanto o que atingiu a vila basca de Guernica, em 26 de abril de 1937. Imortalizada pelo pincel de Pablo Picasso, a ação é hoje considerada a primeira experiência de um bombardeio aéreo, cujo único objetivo era a aniquilação total de uma cidade e de seus civis – estratégia que se tornaria comum na Segunda Guerra Mundial. Há relatos de que os alemães receberam ordens expressas para poupar depósitos de material militar, que poderiam ser úteis aos franquistas mais tarde. Três quartos de Guernica ficaram completamente destruídos. O episódio chocou tanto a opinião pública mundial que os nacionalistas, inicialmente orgulhosos do feito, passaram a usar sua máquina de propaganda para afirmar que os nacionalistas bascos é que tinham colocado fogo na cidade (na verdade, os alemães usaram grande quantidade de bombas incendiárias no ataque).
A infantaria tradicional não ofereceu resistência a essa tempestade aérea. Os bascos recuaram para Bilbao, cidade protegida pelo chamado “cinturão de ferro” de fortificações. Mas novos ataques da Legião Condor fizeram o cinturão ruir aos poucos. Os republicanos perderam seus aviões um a um e, no começo de junho, os nacionalistas avançaram para a guerra urbana em Bilbao. Na cidade, ocorreu outra carnificina, com milhares de civis tentando deixar o País Basco por mar. Muitos morreram assim que chegaram às praias, atingidos por disparos vindos de navios alemães.
Anarco feministas durante a Guerra Civil Espanhola Wikimedia Commons
Para tentar ajudar as tropas do norte e acabar com o cerco da capital, as forças republicanas de Madri decidiram organizar uma grande contra-ofensiva no centro do país. Inicialmente, conseguiram repelir os franquistas. Mas exércitos rebeldes, nos pequenos povoados tomados, continuaram a expulsar e matar soldados republicanos. Em poucas semanas, um novo ataque nacionalista fez o quadro voltar à situação anterior, de controle dos nacionalistas. No fim de outubro de 1937, a guerra do Norte foi encerrada, com a vitória dos generais de Franco.
Enquanto os republicanos perdiam batalhas, vertentes esquerdistas de Barcelona envolviam-se numa violenta briga interna. Integrantes do Partido Comunista Espanhol (PCE), de tendências stalinistas, tentaram tomar o controle da central telefônica da Catalunha e entraram em conflito com anarquistas e membros do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), trotskistas e, portanto, contrários ao stalinismo. O conflito transformou-se em combate urbano e, quando terminou, em 7 de maio de 1937, 2 mil pessoas tinham morrido. O PCE usou o incidente para perseguir anarquistas. O episódio aumentou a discórdia entre as esquerdas.

SAIBA MAIS

Arte e Literatura na Guerra Civil Espanhola, João Cerqueira, Zouk, 2005.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Encontrada sepultura em massa com vítimas da ditadura de Francisco Franco.

ENCONTRADA SEPULTURA EM MASSA COM VÍTIMAS DA DITADURA DE FRANCISCO FRANCO

Todos tinham indício de tortura e execução sumária
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 23/10/2017
O general fazendo uma saudação familiar
O general fazendo uma saudação familiar - Getty Images
Arqueólogos espanhóis encontraram esqueletos de dezenas de vítimas da ditadura franquista no cemitério de Guadalajara, em Castilla-La Mancha. Sob uma lápide, estava uma cova com 4 metros de profundidade, no qual 25 corpos foram empilhados um em cima dos outros. Todos tinham tiros na cabeça e indícios de torturas.
A descoberta foi feita por um time de pesquisadores da associação ARMH (Recuperação de Memória Histórica), num trabalho começado em 2016. Além dos esqueletos, foram também achados uma bala e restos de cartucho de uma arma, que foram usados durante a execução. De fato, foi graças a isso, com um detector de metais, que a sepultura foi achada.

A busca começou com a reabertura do caso do líder sindical Timoteo Mendieta, ex presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores). O caso foi reaberto na justiça a pedido de organizações de direitos humanos e de sua família, que passou 7 décadas tentando achar seus restos. Antes da identificação de Mendieta, a sepultura foi encontrada com um número similar de corpos.
Em 2016, um teste realizado nos restos enviados para um laboratório de Madri revelou que uma das vítimas batia com o DNA de sua filha."Eu só quero os ossos do meu pai. Eu quero poder enterrá-lo e quando eu morrer, ser enterrada ao lado dele", disse Ascensión Mendieta ao EuroneusMandieta foi fuzilado em 1939 após admitir apoio ao lado republicano. 
Um dos esqueletos encontrados / ARMH 
Em 2012 Pablo de Greiff, relator das Nações Unidas havia concluído que o estado Espanhol não reconhece as mortes que ocorreram durante a Guerra Civil e durante a ditadura, pois não existia dados oficiais sobre números de morte ou informações sobre as vítimas. Agora a realidade é outra. Mais de 116 mil corpos tiveram o mesmo destino de Timoteo.
O general Francisco Franco tentou um golpe de estado em 1936, após a derrota do grupo ultraconservador que o apoiavam nas eleições. Não conseguiram dominar o país todo e o que se seguiu foi uma brutal guerra civil, em que ele contou com o apoio da Alemanha nazista e Itália fascista. Com sua vitória em 1939, governaria até a morte, em 1975, num período de brutal repressão.