BIBLIOGRAFIA: KLEIN, Shelley. As mulheres mais
perversas da História. São Paulo: Planeta do Brasil, 2004.
O livro As
Mulheres Mais Perversas da História, escrito por Shelley Klein e publicado
no Brasil em 2004 pela Editora Planeta, apresenta perfis biográficos de 15
mulheres cujos atos criminosos marcaram épocas distintas. A obra explora
imperatrizes, filhas e donas de casa envolvidas em crimes graves como
parricídio, fratricídio e infanticídio.
Sobre a
Obra
Autoria e Edição: Escrito por Shelley Klein, com
280 páginas em sua edição brasileira original.
Abordagem central: Analisa a dualidade entre o
horror gerado por crimes cometidos por mulheres e o contexto social de
pressões e influências — muitas vezes exercidas por homens — que
antecederam os atos.
Perfil das figuras: Reúne desde figuras da realeza e
imperatrizes romanas até pessoas comuns em momentos de rupturas extremas.
Contextualização histórica: O texto tenta ir além do puro
choque, examinando se os atos cruéis merecem total condenação ou se as
circunstâncias de vida revelam dinâmicas de poder e opressão.
Quebra de expectativa: Mostra que a violência extrema
não é exclusiva dos homens, embora o impacto social e o horror público em
relação a criminosas mulheres costume ser diferenciado.
Estrutura e Conteúdo do Livro
Perfis Biográficos: O livro narra a vida de figuras
históricas que cometeram atrocidades.
Variedade de Perfis: Inclui desde imperatrizes
romanas poderosas até donas de casa.
Crimes Focados: Destaca casos de envenenamento,
tortura e assassinatos frios.
Abordagem Direta: Cada capítulo foca em uma
personagem específica de forma cronológica.
Pontos Fortes da Obra
Desmistificação: Prova que a crueldade humana não
escolhe gênero.
Fluidez: A escrita jornalística torna a
leitura rápida e muito envolvente.
Contexto Histórico: Explica o cenário político e
social de cada época retratada.
Falta de Profundidade: Os capítulos curtos deixam o
leitor querendo mais detalhes históricos.
Sensacionalismo: Algumas passagens focam
excessivamente nos detalhes chocantes dos crimes.
Dualidade de Julgamento: O livro oscila entre apontar a
maldade pura e justificar atos pelas pressões masculinas da época.
O livro é ideal para fãs de true
crime e curiosos por recortes biográficos obscuros. Não funciona como
um estudo acadêmico. instigante sobre o lado sombrio da história humana.
Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher tem origens controversas. De acordo com uma versão popular, a data foi estabelecida em 1907, para marcar o 50º aniversário de um protesto de trabalhadoras da indústria têxtil de Nova York que teria sido brutalmente reprimido. Mas há um problema com essa história: nem o protesto de 1857 nem o tributo do 50º aniversário podem realmente ter acontecido.
Marcha de mulheres na Rússia
Na verdade, um estudo feito na década de 1980 pelas pesquisadoras Liliane Kandel e Françoise Picq sugere que a suposta manifestação foi um mito de origem inventado na década de 1950 nos Estados Unidos. A iniciativa teria sido parte de um esforço para separar o Dia Internacional da Mulher de suas raízes socialistas.
Inicialmente, o Dia Internacional da Mulher era comemorado em outra data. Em 19 de março de 1911 (40º aniversário da Comuna de Paris, um governo socialista radical que governou brevemente a França em 1871), foi realizado o primeiro Dia Internacional da Mulher, atraindo mais de 1 milhão de pessoas para comícios na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, a maioria das tentativas de reforma social foi interrompida, mas as mulheres continuaram a marchar e se manifestar nessa data em vários países da Europa.
Historiadores apontam que as raízes da data atual estão em uma marcha de mulheres que aconteceu em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no antigo calendário russo), em São Petersburgo. Naquele dia, milhares delas foram às ruas para protestar contra as condições de vida no país. Esse evento acendeu a fagulha da Revolução Russa.
Em reconhecimento da importância da marcha, Vladimir Lenin, primeiro chefe de governo da Rússia soviética, decretou que o Dia da Mulher seria considerado um feriado nacional. Mais tarde, comunistas da Espanha e da China também passaram a comemorar a data. Até meados da década de 1970, a data era celebrada principalmente nos países socialistas. Em 1975, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu oficialmente a data de 8 de março como Dia Internacional da Mulher.
Existe um país onde as mulheres não podem dizer seu nome. Esse lugar é o Afeganistão. Lá, por motivos culturais, a identidade feminina é um tabu, mas uma campanha quer mudar essa situação.
No Afeganistão, o nome das mulheres não costuma aparecer nas certidões de nascimento, de casamento ou óbito. De acordo com a tradição do país, as famílias afegãs forçam as meninas a manter suas identidades em segredo desde crianças. Geralmente, elas são conhecidas apenas como mãe, filha ou irmã do homem mais velho da família.
Em muitas partes do Afeganistão, usar publicamente o nome de uma mulher pode até ser considerado um insulto. Também é comum que homens relutem em dizer como se chamam suas irmãs, esposas ou mães, pois isso é visto como uma vergonha ou desonra. Muitas mulheres não dizem seus nomes nem aos seus médicos durante consultas. Elas podem até mesmo ser agredidas caso revelem suas identidades.
Por lei, só nome do pai é registrado nas certidões de nascimento afegãs. Em entrevista à BBC, o sociólogo afegão Ali Kaveh afirmou que esse costume está enraizado na sociedade fortemente patriarcal do país. Segundo ele, a 'honra' masculina não força apenas as mulheres a manter seus corpos escondidos, mas também seus nomes.
Agora, uma campanha nas redes sociais batizada de WhereIsMyName?" ("Onde está meu nome?") está chamando a atenção para essa situação. Liderada por uma afegã de 28 anos chamada Laleh Osmany, a manifestação tem o objetivo de recuperar o que ela classifica de "direito mais básico" das mulheres. Segundo ela, o movimento está mais perto de convencer o governo afegão a registrar os nomes da mãe e do pai nas certidões de nascimento. A campanha recebeu o apoio de personalidades do Afeganistão como a parlamentares e artistas, mas ainda há muita resistência na sociedade para que haja uma mudança de fato.
ATRAÇÃO DE CIRCO NOS PRIMEIROS MESES DE VIDA: A CRUEL SAGA DE ANNIE JONES, A MULHER BARBADA
Apresentada em espetáculos insólitos como uma "aberração", Jones sofreu até os dias finais
CAIO TORTAMANO PUBLICADO EM 04/05/2020
Annie Jones, a Mulher Barbada - Wikimedia Commons
A figura das mulheres barbadas como atrações circenses são comuns até nos dias atuais, e devem muito a sua popularidade a figuras como Annie Jones, uma das "atrações" mais bem sucedidas da história de todos os tempos. Todavia, sua vida pessoal também foi marcada pela melancolia.
Annie nasceu em 1865, Virginia, nos Estados Unidos. Quando saiu da barriga de sua mãe, as pessoas perceberam que o bebê tinha pelo no queixo. Intrigados com a situação, acabaram assustando os seus pais. A reação inicial dos familiares foi uma só: espanto. No entanto, depois de um tempo, perceberam que poderiam usar da excentricidade de sua filha para ganhar dinheiro.
Com menos de um ano de idade, os pais de Annie a levaram até o famoso showman P. T. Barnum, famoso por ser dono de um excêntrico circo. De imediato, ele percebeu que a garotinha poderia ser a nova galinha dos ovos de ouro.
Como consequência, Jones logo alcançou um espaço de prestígio dentre as atrações de Barnum; ela era uma estrela do show business antes mesmo de saber andar. O empresário fez questão de firmar contrato com os pais da menina, oferecendo um acordo com uma duração de três anos, que resultaria em 150 dólares por semana. Assim, aceitaram. Mas era só o inicio do pesadelo da pobre Annie.
Apesar de seu contrato inicial ter sido de somente três anos, Jones passou muito mais tempo com Barnum, e seus apelidos foram mudando ao longo dos anos, passando de Bebê Esaú para Senhora Esaú e então o imortal Mulher Barbada.
Annie Jones / Crédito: Divulgação
A intenção era de que sua apresentação fosse impactante, então os produtores do show, e principalmente Barnum, focaram no contraste que sua figura feminina deveria fazer com o fato de ela ser completamente barbada. Vestindo roupas bem femininas, e tocando o bandolim, as apresentações de Annie eram as mais marcantes da época. Como consequência, além de ser exposta em um verdadeiro show de horrores, a garota também acabou sendo alvo de um lunático.
Sequestro.
Ainda quando era apenas uma criança, um pseudocientista sequestrou Annie; seu paradeiro era desconhecido por algumas semanas. Barnum ajudou as autoridades no começo das investigações. Isso porque uma de suas principais fontes de renda corria risco de desaparecer para sempre. Depois de um tempo, Jones foi encontrada sendo exibida em uma feira de uma igreja. No entanto, seus pais teriam mais dores de cabeça.
Ao ser abordado por autoridades, o sequestrador afirmou que a criança era dele. Assim, o caso foi levado para o tribunal. Antes de testemunhar, o juiz da seção separou Annie do resto das pessoas. O resultado foi imediato; quando a garota entrou no local e viu os pais no recinto, correu direto para eles. Após isso, ficou fácil declarar o homem culpado por sequestro e fazer com que a menina retornasse para sua família. Lá estava ela de volta ao circo.
Até hoje não se tem certeza sobre o que teria causado a anomalia de Annie, provavelmente ela sofria de hirsutismo, uma condição que, ao afetar mulheres, as deixam suscetíveis com o crescimento de pelos em partes e quantidade iguais aos de homens.
Apesar de toda a fama, Annie não teve uma vida longa, ou muito menos feliz. A Mulher Barbada casou com um homem chamado Richard Elliot, que também trabalhava para Barnum.
O problema é que a estrela do circo tinha apenas 15 anos na época, enquanto Elliot já era um homem formado — não existe registro específico que revele sua verdadeira idade. Assim, os pais dela não aceitaram a controversa união.
Apesar da desaprovação, o casamento entre eles durou 15 anos; até que decidiram se separar em 1895. Não muito tempo depois, Annie se casou pela segunda vez com um homem chamado William Donovan.
Com ele, pela primeira vez, Jones deixou o circo de Barnum, e passou a viajar com o marido realizando performances em casal por um tempo enquanto estavam na Europa. Mas parecia que a vida amorosa da mulher estava destinada ao fracasso.
A união durou cerca de 4 anos: Donovan faleceu de maneira inesperada. A morte e a solidão obrigaram a mulher a voltar para Nova York, o único lugar que conseguiu chamar de casa durante a sua vida era O Maior Show da Terra, o espetáculo de P. T. Barnum.
P. T. Barnum é tido como um dos maiores empresários de seu tempo / Crédito: Wikimedia Commons
O freak show, ou literalmente Show de Aberrações, foi como as pessoas enquadraram o trabalho de Annie Jones até o fim de sua vida. Ela pessoalmente lutou muito para que essa denominação fosse eliminada. Infelizmente, não sobreviveu tempo suficiente para qualquer mudança em sua realidade. Com 37 anos, a mulher foi mais uma das vítimas da tuberculose.
Vitória histórica no Sudão: proibida a mutilação genital feminina
É um momento histórico no Sudão. Uma nova lei criminaliza a mutilação genital feminina, uma prática prejudicial que infelizmente ainda é praticada em 9 em cada 10 mulheres. O Sudão entra em uma nova era pelos direitos de meninas e das mulheres.
Nos últimos dias, o novo governo do Sudão proibiu a prática de mutilação genital feminina, um movimento saudado como uma grande vitória das ativistas dos direitos das mulheres. A ONU estima que 88% das mulheres sudanesas entre 15 e 49 anos foram submetidas à forma mais invasiva da prática, que envolve a remoção parcial ou total da genitália feminina externa. A maioria das mulheres sudanesas sofre o que a Organização Mundial de Saúde chama de circuncisão tipo III, uma forma extrema em que os lábios interno e externo são removidos, e geralmente o clitóris.
A crença tradicional no Sudão é que cortar os órgãos genitais externos de uma menina garante honra à família e perspectivas de casamento. No entanto, a mutilação pode causar infecções e, nos piores casos, infertilidade ou complicações durante o parto e até a morte. Também reduz significativamente o prazer sexual. O uso da prática no Sudão foi uma das razões pelas quais pesquisadores da Fundação Thomas Reuters classificaram o país como um dos piores países pelos direitos das mulheres.
Uma novidade que vem graças à alteração da chamada Lei Criminal , aprovada na semana passada pelo governo de transição do país, que chegou ao poder apenas no ano passado após a expulsão do ditador de longa data Omar Hassan al-Bashir. Com a nova lei, aqueles que praticam mutilação genital feminina são condenados a três anos de prisão e multa.
“Este é um grande passo para o Sudão e seu novo governo”, disse Nimco Ali, da Five Foundation, uma organização que luta pelo fim da mutilação genital em todo o mundo. “A África não pode prosperar a menos que cuide de meninas e mulheres”
A mutilação genital é praticada em pelo menos 27 países africanos, bem como em algumas áreas da Ásia e do Oriente Médio. Além do Sudão e do Egito, também foi confirmado na Etiópia, Quênia, Burkina Faso, Nigéria, Djibuti e Senegal.
Na Nigéria, essa prática foi banida em 2015. Seguindo o exemplo nigeriano, a Gâmbia também o fez logo em seguida.
“A lei ajudará a proteger as meninas dessa prática bárbara e permitirá que elas vivam com dignidade”, disse Salma Ismail, porta-voz de Cartum no Fundo das Nações Unidas para a Infância. “E ajudará as mães que não querem cortar suas filhas, mas sentem que não têm escolha, que não podem dizer” não “.”
O Ministério de Relações Exteriores do Sudão saudou a decisão de explicar que é “um importante desenvolvimento positivo”, mas a plena aplicação desta lei exige esforços conjuntos e estreita coordenação com grupos comunitários e organizações da sociedade civil.
“Não se trata apenas de reformas legais”, disse Ismail. “Há muito trabalho a ser feito para garantir que a sociedade o aceite”.
A aprovação da lei que proíbe mutilações não será suficiente para pôr fim à prática, que em muitos países, incluindo o Sudão, está imbuída de crenças culturais e religiosas, considerada um pilar da tradição e do casamento e até apoiada por algumas mulheres.
“Esta prática não é apenas uma violação dos direitos de todas as crianças, é prejudicial e tem sérias conseqüências para a saúde física e mental de uma garota”, acrescentou Abdullah Fadil, representante da UNICEF no Sudão. “É por isso que governos e comunidades precisam agir imediatamente para acabar com essa prática. Temos que trabalhar muito com as comunidades para aplicá-lo. A intenção não é criminalizar os pais e precisamos fazer mais para conscientizar os diferentes grupos, incluindo parteiras, profissionais de saúde, pais, jovens, sobre a emenda e promover a aceitação, disse Abdullah Fadil.
DE ELIZABETH BÁTHORY A AMELIA DYER: AS 10 MAIORES ASSASSINAS DA HISTÓRIA
Ciúme, dinheiro, poder e até bruxaria fizeram estas mulheres deixarem um rastro de sangue
SIMONE BITAR PUBLICADO EM 10/04/2020
Pintura de Caravaggio: Judite e Holofernes, de 1599 - Wikimedia Commons
Catherine Monvoisin, também conhecida como La Voisin, é considerada a maior serial killer da história: matou entre mil a 2,5 mil pessoas na França no século 17. Já a Condessa Sangrenta fez 650 vítimas — a maioria servos que trabalhavam em seu castelo na Hungria. E a italiana Giulia Tofana envenenava suas vítimas (cerca de 600 homens), que morriam de forma lenta.
Conheça as histórias das maiores assassinas que o mundo já conheceu:
1. Anna Månsdotter (1841-1889, Suécia).
Crédito: Wikimedia Commons
Condenada, com o filho Per, pelo assassinato de sua nora, Hanna Johansdotter, em 1889. Per pegou prisão perpétua, mas foi solto em 1913, depois de 23 anos atrás das grades. O caso nunca foi totalmente esclarecido. Depois do falecimento do marido, Anna ficou morando com Per. Seus outros dois filhos não chegaram à idade adulta. Havia boatos de que mãe e filho tinham um caso amoroso. Anna molestava o filho desde pequeno. Livre da figura do marido e sob o julgamento da vizinhança, que falava em incesto, arranjou que Per se casasse com Hanna - que escrevia à família reclamando da sogra.
2. Catherine Monvoisin (1640-1680, França).
Crédito: Wikimedia Commons
Catherine, também conhecida como La Voisin, foi queimada na Praça Grève, em Paris em 1680, acusada de tentar envenenar o rei. Conhecida por praticar quiromancia, fazer abortos e vender fórmulas medicinais, inclusive de venenos poderosos, tinha uma extensa rede de clientes - entre os quais a Madame de Montespan, amante do rei da França, que depois de ser trocada por outra começou a planejar o regicídio. Suspeita-se que matou entre mil e 2,5 mil pessoas — mesmo com o número mais modesto, é a maior serial killer da história humana.
3. Elizabeth Báthory (1560-1614, Hungria).
Crédito: Wikimedia Commons
A Condessa Sangrenta é uma das maiores serial killers de todos os tempos. Ao ser presa, a polícia encontrou com ela uma agenda com o nome das vítimas. Eram 650. Foi condenada pelo assassinato de 80 jovens, a maioria servos que trabalhavam em seu castelo. Há relatos de que tinha uma jaula construída para seções de tortura.
Bissexual e epilética, teve ataques de fúria na infância. Sabia falar latim, húngaro e alemão — e chamava atenção pela beleza física. Casou-se aos 15 anos, com o conde Ferenc Nasdady, oficial do Exército famoso pela crueldade contra inimigos.
Matou pelo menos 139 pessoas, incluindo crianças de 10 a 12 anos. As maiores vítimas foram os servos, principalmente mulheres mais jovens que ela. Torturou grávidas e crianças. Quebrava os ossos ou jogava as vítimas sem roupa na neve. Os assassinatos se davam por motivos torpes. Em 1762, dois camponeses que viviam na propriedade de Saltykova fugiram e conseguiram uma petição para apresentar à czarina Catharina II, que resolveu investigar a nobre. Em 22 de outubro de 1768, foi condenada e enforcada na Praça Vermelha, em Moscou.
5. Bárbara dos Prazeres (1770-1830, Portugal).
Crédito: Wikimedia Commons
Acusada de sequestrar e matar crianças, nunca foi pega. Casada, a portuguesa chegou ao Rio de Janeiro aos 18 anos, mas logo se apaixonou por outro homem. Para viver a paixão, matou o marido. Depois se livrou do amante, ao descobrir uma traição, e virou prostituta.
Fazia ponto no Arco do Telles, embaixo da imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, daí o apelido. Pegou sífilis e tomava remédios indicados por curandeiros. Só que as receitas precisavam de sangue. Começou matando animais e depois crianças. Ficava de tocaia na roda dos enjeitados, na Santa Casa de Misericórdia.
6. Giulia Tofana (1635-1659, Itália).
Crédito: Wikimedia Commons
Era hábil com venenos. Inventou um dos mais famosos da Renascença, o Acqua Toffana, mistura de arsênico, chumbo e uma planta chamada beladona. Pequenas doses diárias eram capazes de matar a vítima de forma discreta e lenta, num período de dois anos.
Giulia teria aprendido o ofício com a mãe, e fez disso um negócio. Vendia o veneno a mulheres decididas a colocar fim em casamentos infelizes. Descoberta, confessou ser responsável pela morte de mais de 600 homens. Foi condenada e executada junto com a filha Girolama Sperla, parceira nas atividades, e mais três auxiliares.
7. Amelia Dyer (1837-1896, Inglaterra).
Crédito: Wikimedia Commons
Um termo tétrico da era vitoriana: baby farming (algo como plantação de bebês). Era um golpe no qual mães solteiras, desesperadas pelo estigma atribuído na época, pagavam para uma família adotá-los ou encaminhá-los para a adoção.
O pagamento, obviamente, não dava para cobrir as despesas de uma vida inteira. Amelia então cortava custos. Matando crianças que estavam sob sua responsabilidade por mais de 20 anos, deixava que morressem por desnutrição ou maus-tratos. Terminou enforcada em 1896 numa prisão de Londres, enquanto cumpria pena por um único crime. Acredita-se que 400 crianças morreram por suas mãos (ou ausência delas).
8. Catalina de Los Ríos y Lisperguer (1604-1665, Chile).
Crédito: Wikimedia Commons
Aos 18 anos, matou o pai colocando veneno na comida, feita por ela. A tia desconfiou e denunciou o crime, mas o caso foi abafado. Catalina foi julgada em 1660, e condenada por 14 assassinatos de negros e índios que trabalhavam em suas terras. Pelos negros pagou o dobro do que pelos índios.
A chilena conhecida como La Quintrala, por causa dos cabelos vermelhos, ficou sob a tutela da avó, que logo lhe arrumou um noivo. Catalina não gostou, e fez com que um escravo o matasse. O crime foi descoberto, e o escravo, morto por isso. Ela pagou apenas uma multa.
9. Marie Madeleine Marguerite d'Aubray (1630-1676, França).
Crédito: Wikimedia Commons
Uma das primeiras assassinas por envenenamento em série. Matou o pai, o irmão e as duas irmãs. Depois acabou com a vida do marido, da filha dele e de outros familiares. Marie começou a pesquisar sobre venenos logo que se casou.
Testava suas descobertas em inválidos internados em hospitais e muitas vezes nos empregados da sua casa. Quando os crimes levantaram suspeitas da polícia, ela fugiu para a Inglaterra e depois para os Países Baixos. Por fim se refugiou num convento em Liège, na Bélgica. Foi presa em 1676, torturada e condenada à morte.
10. Anna Margaretha Zwanziger (1760-1811, Bavária).
Crédito: Wikimedia Commons
Ré confessa da morte de quatro pessoas. Órfã, foi adotada aos 10 anos e teve boa educação. Cinco anos depois, casou com um advogado bêbado e virou prostituta para sustentar os filhos. Depois da morte do marido, empregou-se como doméstica na casa de juízes.
Um deles, separado, precisava de uma governanta. Mas o casal se reconciliou. A mulher morreu quatro meses depois, envenenada por Anna. Três anos depois, quando já havia matado a mulher de outro juiz, que acabara de dar à luz, e envenenado mais dois hóspedes, acabou presa e condenada à morte.
Em um pequeno povoado da Polônia, chamado Miejsce Odrzańskie, não nasceu nenhum menino nos últimos 10 anos. O prefeito da cidade até mesmo ofereceu uma recompensa a quem consiga conceber um menino. Moradores mais antigos estão preocupados, pois a agricultura, principal atividade econômica do povoado, requer um esforço físico pesado. Com a falta de mão de obra masculina, muitas garotas já trabalham em fazendas locais.
Os habitantes do local acreditam que a falta de nascimentos de meninos trate-se somente de uma simples coincidência, relacionada com a significativa redução da população após a Segunda Guerra Mundial. O povoado possuía 1200 habitantes logo após o conflito, mas hoje tem apenas 272. Na última década, só houve 12 nascimentos na localidade e todas essas crianças são meninas.
"Da minha parte, decidi recompensar os pais do primeiro menino que nascer. Não vou revelar exatamente o que eles irão ganhar, mas garanto que o presente será atraente", disse o prefeito Rajmund Frischko. Ele sugere ainda que pode dar o nome de uma rua à primeira criança do sexo masculino nascida na cidade ou plantar um carvalho e batizá-lo em homenagem ao menino.
Os cientistas investigam as possíveis causas por trás dessa anomalia demográfica na província polonesa. Por sua vez, autoridades da região estão sugerindo métodos criativos e bem-humorados para gerar meninos de maneira natural, como dietas ricas em cálcio ou a colocação de um machado debaixo do leito conjugal no momento da concepção, prática que remonta às tradições da região.
Além dos trabalhos nas fazendas, as garotas da cidade estão monopolizando atividades que antes eram dominadas pelos homens. A brigada voluntária de incêndio, por exemplo, é formada exclusivamente por jovens do sexo feminino.
Since no boys have been born in Miejsce Odrzańskie in nearly a decade, girls are trained to fight fires, perform first aid, and... they are great at it!
Go girls, be whatever you want to be! Happy #DayoftheGirl!
JULIA PASTRANA, A MULHER MACACO MEXICANA QUE FOI EMBALSAMADA E EXPOSTA EM GALERIAS
Atração de circo desde muito jovem, a garota tinha uma condição genética rara e não teve sossego nem após a morte
PAMELA MALVA PUBLICADO EM 31/03/2020
Julia Pastrana, a Mulher Macaco - Wikimedia Commons
Se hoje o entretenimento gira em torno da indústria cinematográfica, as coisas no passado eram bastante diferentes. Entre os séculos 19 e 20, o circo e suas aberrações eram o show preferido das pessoas.
Todos os tipos de indivíduos passavam pelos palcos improvisados abaixo das tendas coloridas. A diversidade era tanta, que muitas das atrações recebiam nomes bizarros, com o objetivo de chamar atenção do público.
Esse foi o caso de Julia Pastrana, a Mulher Macaco. Devido a uma condição genética rara — conhecida como hipertricose terminal —, a mexicana tinha seu rosto e corpo cobertos por cabelos pretos lisos.
Transformada em atração de circo durante grande parte de sua curta vida, Julia não teve sossego nem depois da morte. Muito além de seus 26 anos, ela foi tratada como uma peça de museu por anos a fio.
Imagem de Julia, a Mulher Macaco / Crédito: Wikimedia Commons
A garota diferente.
Entender a vida de Julia Pastrana é uma questão de análise de documentos, já que tudo sobre ela foi registrado por pessoas do show business. Existem, no geral, duas teorias sobre o início da vida da mulher.
Ainda que as narrativas sejam diferentes, é sabido que Julia nasceu em Sinaloa, no México, em 1834. Diferente de tudo que existia na época, a jovem inevitavelmente foi parar no circo, onde viu sua vida se transformar em um freak show.
Em meados de 1854, já com 20 anos, Julia chegou aos Estados Unidos. Em terras norte-americanas, ela foi admitida pelo circo de J.W. Beach. Foi na estrada que ela conheceu Theodore Lent, com quem fugiu e se casou, em Baltimore, Maryland.
Folheto anunciando Julia como A Indescrita / Crédito: Wikimedia Commons
A sua trajetória no circo, todavia, não acabaria ali e Julia se apresentou por mais alguns anos. Ela recebia um nome novo a cada espetáculo e tinha seu rosto estampado em cartazes e folhetos espalhados por todas as cidades que visitava.
No circo, a mulher era caracterizada como um ser híbrido entre um animal e um humano e era constantemente subjugada. Nas apresentações, ela nunca foi reconhecida por sua inteligência ou seus reais talentos — como a dança e o canto.
A vida na estrada.
Considerada uma das protagonistas dos shows bizarros, Julia viajou por diversos países, fazendo performances em dezenas de tendas. Assim, ela fez turnês pela Europa, América e Ásia, sempre sob a personagem da Mulher Macaco.
Em 1860, em meio a uma turnê em Moscou, na Rússia, um acontecimento prometia mudar a vida de Julia. Ela teve um bebê. Pequeno e indefeso, o menino nasceu com características parecidas com a da mãe.
A criança única, com uma aparência tão singular quanto a da mãe, não sobreviveu, falecendo três dias após o parto. Devastada, a mulher pensou que as coisas não poderiam piorar. Mas ela estava errada novamente. Julia morreu cinco dias depois de seu bebê, vítima de complicações pós-parto.
Ilustração de Julia em livro didático / Crédito: Wikimedia Commons
O show não pode parar
Com um corpo tão distinto, Julia não foi esquecida nem mesmo após sua morte. Para o show business, aquela mulher era espetacular demais para descansar assim tão cedo. Ainda mais quando um médico, Alexander B. Mott, podia jurar de pés juntos que ela era resultado do acasalamento entre um humano e um orangotango.
Assim, os corpos da mulher e de seu bebê foram levados até a Universidade de Moscou, onde foram preservados taxidermicamente. Durante o processo, mãe e filho foram expostos à produtos químicos usados em embalsamentos.
Mesmo que ela não possa ser considerada uma múmia, por não ter sido tecnicamente mumificada, o corpo inerte e petrificado de Julia foi exposto em diversos museus e galerias. Ao lado dela, em caixotes menores, seu filho era alvo de olhares curiosos.
Ilustração de Julia e seu bebê expostos em galeria / Crédito: Wikimedia Commons
Os cadáveres dos dois foram exibidos por mais de cem anos. Julia e seu bebê viajaram para a Noruega, em 1921; e para os Estados Unidos e Suécia, em 1972. Juntos, os dois corpos foram estudados, roubados, danificados, comidos por ratos e armazenados em institutos forenses durante anos.
Depois de décadas servindo como atração para um show de horrores, Julia finalmente conseguiu sua liberdade, mesmo que póstuma, em fevereiro de 2013. Naquele ano, graças a esforços estatais e de artistas mexicanos, a mulher retornou a Sinaloa, onde foi enterrada em uma cerimônia católica, aberta ao público.
MARY ‘TIFOIDE’, A IMIGRANTE IRLANDESA CONDENADA A VIVER 26 ANOS ISOLADA DA SOCIEDADE
A mulher que marcou a história da medicina no mundo, por ser a mais famosa transmissora da febre tifoide, quando infectou 53 membros da alta sociedade — sem sair da cozinha
PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 13/03/2020
Mary Mallon no leito do hospital - Wikimedia Commons
Mary Mallon chegou aos Estados Unidos em 1883, quando ainda era adolescente, saiu de seu país de origem, a Irlanda, para buscar oportunidades, e começou a trabalhar como cozinheira e empregada doméstica. Ela começou sua carreira profissional em Nova York e Long Island, cidades onde ocorreram as primeiras infecções de febre tifoide, causada pala bactéria salmonella, doença que afeta intestinos e sangue, e pode levar à morte, — mas, até então, ninguém associava essa infecção à Mary.
Em 1907, as coisas começaram a piorar e já havia 30 casos sem explicação de pessoas que estavam contagiadas com essa enfermidade. As autoridades e os membros da saúde das cidades começaram a buscar a causa da doença. A partir daí, o surto incomum foi atribuído a diferentes fatores, como água ou comida contaminada.
Uma grande confusão e pânico começou a se espalhar pelos Estados Unidos naquela época, já que inicialmente o problema geralmente afetava subúrbios e áreas pobres de Nova York, e logo depois isso começou a se espalhar por lares de famílias ricas. E essas pessoas bem remuneradas, tinham condições de contratar uma cozinheira, ou, doméstica, como Mary Mallon.
Ela era uma boa empregada, seus diferentes patrões sempre elogiavam seu jeito com as panelas, por isso nunca reclamavam dela. De 1900 a 1907, a mulher trabalhou em sete casas diferentes. Duas semanas depois que começou a trabalhar na pequena cidade de Mamaronek, os primeiros pacientes com febre tifoide começaram a aparecer.
Quando Mary se mudou para Manhattan, a família para a qual ela começou a trabalhar passou a apresentar sintomas de febre e diarreia. Além disso, a lavadeira que fazia serviços com ela na mesma casa, morreu. E a enfermidade continuou acompanhando a cozinheira. Quando foi trabalhar na família de um advogado, a infecção levou sete dos oito familiares; na próxima casa onze moradores contraíram a doença. Como ela se mudava constantemente, isso não parou de acontecer.
Por um longo período, Mary se ofereceu para cuidar dos doentes, sem saber que na verdade, ela estava deixando a situação cada vez pior. Neste tempo, ela ainda foi cozinheira de mais três famílias e, obviamente, a situação aconteceu com todas.
As coisas começaram a mudar, quando o mesmo aconteceu na família de um famoso banqueiro de Nova York, Charles Warren. Ele alugou uma casa em Long Island e levou Mary como cozinheira. Quando mais seis indivíduos começaram a apresentar os sintomas da febre tifoide, o proprietário da casa ficou com medo e desconfiou que algo poderia estar errado. Por isso, contratou o sanitarista George Soper, que passou a investigar algumas causas. O homem começou a procurar qual poderia ser o motivo da infecção, e após algumas pesquisas na comida, passou a desconfiar da doméstica.
Soper penou para conseguir realizar os exames na mulher, foi difícil achar sua casa, já que ela não tinha um endereço fixo. Quando ele a encontrou, ela se recusou a realizar o teste e o atacou com um garfo, depois ele tentou levar mais um médico para ajudá-lo, em vão, e como última tentativa chamou a polícia e finalmente conseguiram realizar o exame. Mary se recusou desde o começo porque achava que estava sendo perseguida ilegalmente. Segundo o médico que esteve no local, na ambulância, Mary parecia um leão enfurecido. Os exames confirmaram as bactérias na mulher, que disse não lavar as mãos para cozinhar, já que não sabia que isso era necessário.
Riverside, o Hospital abandonado na ilha de North Broter, onde Mary Mallon ficou isolada / Crédito: Wikimedia Commons
Mary passou três anos presa na ilha de North Broter, no Riverside, local que costumava ser um hospital. Lá ela ficou sem ter contato com ninguém, totalmente isolada. Após esse período, foi liberada por não apresentar mais sinais da doença. A condição para que ela fosse solta era não trabalhar mais em cozinhas, o que ela respeitou por um tempo, mas depois de não conseguir emprego, mudou de nome e voltou para o fogão. A mulher infectou mais 25 pessoas nesse tempo, e foi presa novamente depois de cinco anos. Lá ela permaneceu quase sempre sozinha até 1938, quando faleceu aos 69 anos.
Esse caso se tornou imediatamente, um dos mais famosos de Nova Iorque, ganhando destaque na mídia da época. Como a imigrante se mudava muito, e ainda possuía algumas identidades falsas, a quantidade de vítimas que ela fez não é precisa, mas algumas fontes dizem que o número chega a 50 pessoas. E nos registros do sanitarista Soper, os infectados chegam a 122.