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domingo, 7 de julho de 2019

Fotografando a morte: a última imagem no ritual póstumo.

FOTOGRAFANDO A MORTE: A ÚLTIMA IMAGEM NO RITUAL PÓSTUMO

Parentes vivos eram comumente fotografados junto aos mortos — pais segurando seus bebês recém falecidos, irmãos lado a lado e até mesmo famílias inteiras reunidas em redor do defunto
M.R. TERCI PUBLICADO EM 07/07/2019
Estruturas de madeiras faziam com que os corpos mortos ficassem eretos
Estruturas de madeiras faziam com que os corpos mortos ficassem eretos - Reprodução
A morte, no universo ocidental, está oculta em caixas de madeira retangulares e sob lençóis brancos que cobrem os rostos gélidos e sem vida. Mas na Inglaterra vitoriana, entre os anos de 1837 e 1901, a morte se apresentava à vista de todos de muitas maneiras particulares.
Posteriormente à pintura mortuária, a fixação vitoriana com a morte conheceu à jovem arte da fotografia e logo a chamada fotografia post-mortem se popularizou. Acredita-se que o costume teve início quando a Rainha Vitória pediu para que um familiar, recentemente falecido, fosse fotografado, de modo a preservar uma lembrança.
Bebê morto, colocado com as mãos juntas como se estivesse em oração / Crédito: Reprodução

Era concebida com primazia artística e grande engenhosidade, feita para conservar uma imagem natural dos que deixavam este mundo. Estruturas de madeira e metal eram especialmente confeccionadas e posicionadas para sustentar os corpos eretos, sentados ou em pé. Assim os corpos eram preparados meticulosamente, em poses que simulavam as atitudes e gestos dos vivos.
Muitas vezes, a única fotografia de uma pessoa, era justamente aquela tirada após sua morte. Fotos convencionais eram um luxo caríssimo, mas a fotografia post-mortem era considerada necessária. As famílias acreditavam que manter a imagem do ente querido facilitava, à sua alma, viver eternamente.
É possível ver pela coloração das mãos que a mulher de pé está morta / Crédito: Reprodução

Em meados de 1840, Louis Daguerre contribuiu com a disseminação do mórbido costume pela Europa, ao promover avanços nas técnicas da fotografia. De fato, a fotografia post-mortem alcançou tamanha popularização, que muitos fotógrafos se especializavam no ramo. 
Mas, indubitavelmente, o que fez crescer a difusão do estranho costume foi a taxa de mortalidade. Na ausência de catástrofes ou grandes surtos epidêmicos, durante esse século, a falta de estrutura médica fazia com que doenças comuns dizimassem famílias inteiras. As classes trabalhadoras viviam em condições miseráveis, a expectativa de vida de um adulto, até 1901, era de apenas 48 anos. Devido à alta taxa de mortalidade infantil, fotos de crianças mortas eram ainda mais usuais.
Casal posa com a filha morta / Crédito: Reprodução

Os parentes vivos eram comumente fotografados junto aos mortos. Pais segurando seus bebês falecidos, irmãos lado a lado e até mesmo famílias inteiras reunidas em redor do defunto.

M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.

quarta-feira, 6 de maio de 1992

Como retratavam os mortos na Era Vitoriana.








Assim deixavam os mortos em pé para o retratista registrar o momento.


















Durante a era vitoriana, as pessoas homenageavam seus parentes tirando retratos requintados deles - logo após sua morte !!!
Hoje, as fotos da morte vitoriana podem parecer perturbadoras.
Mas para as pessoas do século 19, elas forneciam conforto durante os momentos de luto ...
Já foram consideradas uma forma comovente de lembrar um ente querido perdido.
Na época, as taxas de mortalidade eram tão altas que a maioria das pessoas não podia esperar viver além dos 40 anos.
Mas bebês e crianças eram especialmente vulneráveis ​​a doenças - e era comum que morressem de doenças ainda jovem.
Em muitos casos, os pais não tiveram a chance de tirar uma foto de seus filhos enquanto eles ainda estavam vivos. Então, eles imploraram aos fotógrafos que tirassem fotos de seus filhos mortos - e uma tendência macabra nasceu.
"Não é apenas a fisionomia que é preciosa", disse Elizabeth Barrett Browning, uma poetisa inglesa da era vitoriana, ao contemplar um retrato post-mortem", mas a associação e o senso de proximidade envolvidos na coisa ... a própria sombra da pessoa deitada ali fixada para sempre".
Grupo de estudos, ciências e afins.
Márcia Molina.

Boa pesquisa.