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terça-feira, 28 de junho de 2022

Encontrados documentos que confirmam a causa da morte de D. Pedro I.

Encontrados documentos que confirmam a causa da morte de D. Pedro I

Descoberta serve para acabar com boatos de que o monarca teria morrido de sífilis
POR HISTORY CHANNEL BRASIL EM 28 DE JUNHO DE 2022 ÀS 15:34 HS
Encontrados documentos que confirmam a causa da morte de D. Pedro I-0

Novos documentos encontrados em Portugal confirmam a causa da morte de D. Pedro I  (1798-1834). O material aponta que o primeiro imperador do Brasil realmente morreu de tuberculose. A descoberta serve para acabar de vez com boatos de que o monarca teria morrido de sífilis.

Tratamento com mercúrio.

Previamente desconhecidos, esses documentos foram encontrados pela pesquisadora e escritora brasileira Cláudia Thomé Witte no arquivo mantido pelo Visconde de Almeida (1807-1874). O material foi então repassado para o também pesquisador e escritor Paulo Rezzutti, biógrafo de personalidades da monarquia brasileira. Analisando os documentos com a ajuda do médico português Pedro de Freitas, eles não encontraram indícios de que D. Pedro I sofresse de alguma doença sexualmente transmissível.

D. Pedro I

A vida sexual agitada de D. Pedro I teria contribuído para o boato a respeito da sífilis. Em entrevista ao Estadão, Freitas disse que acredita também que os rumores podem ter surgido do fato de que D. Pedro I foi submetido a tratamento com mercúrio, substância utilizada na época para tratar a doença. Mas, no caso do imperador, os documentos indicam que a opção pelo uso do medicamento foi feita para tentar conter a eliminação de sangue pela tosse.

Os documentos apontam ainda que D. Pedro I foi submetido a pelo menos 14 tratamentos quando estava no fim da vida. Entre eles, estavam sessões de sanguessugas e sangrias, ingestão de tônicos em vinho e medicamentos como aloés, ruibarbo e digitális. Além disso, ele recebeu morfina e ópio para o tratamento da dor.

Recentemente, autoridades de Portugal autorizaram o empréstimo do coração de D. Pedro I ao Brasil para as comemorações do bicentenário da Independência. Quando morreu, ele pediu em testamento que o órgão ficasse na cidade do Porto. O resto do corpo do monarca está sepultado na cripta do Monumento à Independência, em São Paulo.

FONTES
 
ESTADÃO
IMAGENS
 
DOMÍNIO PÚBLICO, VIA WIKIMEDIA COMMONS
fonte: history.uol.com.br

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Portugal pode emprestar o coração de Dom Pedro I ao Brasil para o bicentenário da independência.

PORTUGAL PODE EMPRESTAR O CORAÇÃO DE D. PEDRO I AO BRASIL PARA O BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Órgão está preservado em uma igreja no Porto, enquanto o resto do corpo se encontra em São Paulo
Por History Channel Brasil em 11 de Maio de 2022 às 21:54
Portugal pode emprestar o coração de D. Pedro I ao Brasil para o bicentenário da Independência-0 

Quando morreu, em 1834, D. Pedro I pediu em testamento que seu coração fosse enterrado na cidade do Porto, em Portugal (onde governou como D. Pedro IV). Isso porque durante a guerra civil que o imperador travou contra o seu irmão D. Miguel, ele contou com a bravura dos habitantes daquele local. Agora, o órgão pode ser emprestado ao Brasil durante as comemorações do bicentenário da Independência do nosso país, proclamada pelo monarca.

Coração de D. Pedro I

O coração de D. Pedro I está armazenado há 185 anos na Igreja da Lapa, no Porto. Preservado em formol, ele fica guardado em um vaso de prata que está trancado dentro de uma espécie de cofre. O órgão foi visto em público pela última vez em 2015, quando a Câmara do Porto, responsável pelas chaves da urna, autorizou que o coração fosse mostrado para um documentário sobre o imperador. 

Segundo informações da Agência Lusa reproduzidas pelo jornal O Globo, o embaixador brasileiro em Portugal, George Prata, confirmou que as autoridades brasileiras manifestaram a vontade de trazer o órgão ao Brasil de forma temporária. "Se não trouxer riscos, seria interessante ceder o coração a título devolutivo", afirmou Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, ao jornal português Expresso.

O corpo de D. Pedro I havia sido inicialmente sepultado no Panteão da Dinastia de Bragança, em Lisboa, mas foi transferido para o Brasil em 1972 como parte da celebração de 150 anos de Independência. Seus restos mortais repousam na cripta do Monumento à Independência, em São Paulo. 

Fontes
 
O Globo e G1
Imagens
 
Câmara do Porto/Reprodução
nossa fonte: history.uol.com.br

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Como a imperatriz Leopoldina encarava as traições de Dom Pedro I?

COMO A IMPERATRIZ LEOPOLDINA ENCARAVA AS TRAIÇÕES DE DOM PEDRO I?

O governante era infiel à esposa, tendo como amante favorita Domitila de Castro, a Marquesa de Santos — mas a deslealdade teve troco

VANESSA CENTAMORI PUBLICADO EM 16/07/2020

Wikimedia Commons
Wikimedia Commons - Pintura da jovem Maria Leopoldina, Imperatriz Consorte do Brasil

Com a edição especial da novela Novo Mundo, muitos telespectadores se perguntam se a imperatriz Leopoldina realmente sofreu tanto nas mãos de Dom Pedro I. E a resposta é: sim, muito.

Porém, ela respondia às inúmeras infidelidades com bastante elegância, inteligência e, acima de tudo, atitude política — sendo uma figura crucial para o nosso processo de Independência

Leopoldina na novela Novo Mundo / Crédito: Divulgação/Rede Globo 

 

Casamento conturbado

Leopoldina era uma princesa austríaca, que teve que deixar seu local de nascimento aos 20 anos de idade para conhecer seu marido, com quem já tinha se casado na Áustria, por procuração, antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente. A realeza se dirigiu ao Rio de Janeiro, chegando por lá em 5 de novembro de 1817. 

Após alguns anos de convivência, Leopoldina já percebeu que o marido tinha gênio forte e apresentava momentos de fúria que assustavam a princesa. No entanto, logo em 1819 eles tiveram a primeira filha, Maria II. Depois dela, vieram mais seis crianças, das quais dois meninos morreram de modo precoce e trágico. 

Não bastassem as perdas dos filhos, Leopoldina teve que suportar as famosas traições do marido, que virou regente do Brasil. Mas a mais conhecida era Domitila de Castro, que seria mais tarde a Marquesa de Santos.

Apesar de ter fisgado D. Pedro de vez, com quem trocou cartas eróticas, a própria Domitila também foi traída, já que o governante também dormiu com a irmã dela, Maria Benedita de Canto e Melo, a baronesa de Sorocaba. 

Dona Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Tristeza e angústia 

Perante o comportamento do marido, a princesa austríaca escrevia para a irmã, Maria Luísa da Áustria, para desabafar. Em uma das cartas, ela contou que o caráter de D. Pedro I era "extremamente exaltado".

Leopoldina o atribuía ainda um "tratamento contraditório, duro e injusto em relação a todas as mudanças, de modo que tudo que denote levemente liberdade lhe é odioso". "Assim só posso continuar observado e chorando em silêncio”, relatou na carta. 

Já quanto às traições, a austríaca se mostrava bastante ressentida na questão amorosa, tanto que a historiadora Mary Del Priore a descreveu como “uma figura absolutamente solitária”, em entrevista à AVH. Del Priore também considera que ela tinha ciência de que estava em uma relação conjugal onde exercia apenas papel de reprodutora.

Dona Leopoldina, então Princesa Real-Regente do Reino do Brasil,na reunião do Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822 /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Uma resposta estratégica 

Além de não ser um marido afetuoso, D. Pedro I, quando ainda era regente, não dava liberdade política para Leopoldina. E nem econômica. Em uma correspondência de setembro de 1820, a então princesa escreveu ao pai, Francisco I, solicitando um empréstimo de 24 mil florins.

A questão era que ela mantinha várias despesas com salários e pensões de famílias necessitadas e dos criados. A austríaca informou à figura paterna que o dinheiro mensal não era pago regularmente e quando acontecia, Dom Pedro retinha a fortuna para suas despesas.

Além de criticar a mão fechada do regente, ela comentava ao pai naquele mesmo ano que faltava firmeza política no marido. Como resposta, Leopoldina tentou convencer D. Pedro ao máximo de suas opiniões políticas.

Já havia passado o Dia do Fico, 9 de janeiro de 1822. O Brasil se agitava no caminho da independência e ela relatou ao pai que o marido tinha declarado que ficaria em terras brasileiras como governante. 

"Meu esposo declarou que ficará aqui; embora pensemos diferentemente em alguns aspectos, é melhor que me cale e observe silenciosamente", escreveu ela, de modo enganoso, já que jamais se calou diante do esposo. Como sabemos, Leopoldina agiu de modo bastante influenciador.

Aproveitando que em agosto de 1822 D. Pedro I tinha ido para São Paulo, ela ficou como Princesa Regente Interina do Brasil. Aquilo só foi possível pela insistência da mulher. Nessa deixa, a princesa voltou a interferir nos "negócios do cônjuge" e presidiu uma reunião do Conselho de Ministros, assinando o decreto da Independência, que declarou  o Brasil separado de Portugal. 

Ou seja, só faltava então a aprovação do esposo para a emancipação ser oficial. O trabalho árduo já tinha sido iniciado por ela. E como uma cereja no topo do bolo da independência, Leopoldina ainda escreveu a D. Pedro, pedindo que ele deveria anunciar a emancipação de uma vez por todas. A vitória foi dela: em 7 de setembro de 1822, nas margens do Rio do Ipiranga, o português nos deixou independentes. 

fonte: aventurasnahistoria.com.br

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Arqueóloga fala sobre os restos mortais de Dom Pedro I e suas esposas.

SEGREDOS DA CRIPTA: ARQUEÓLOGA DÁ DETALHES SOBRE OS RESTOS MORTAIS DE D.PEDRO I E SUAS ESPOSAS

A arqueóloga Valdirene Ambiel revela à AH impressões e curiosidades históricas sobre os restos do imperador, da Imperatriz Leopoldina e de Dona Amélia

VANESSA CENTAMORI PUBLICADO EM 22/08/2020

Valdirene com o crânio de D. Pedro I
Valdirene com o crânio de D. Pedro I - Maurício Paiva

Em abril de 1982, a arqueóloga Valdirene Ambiel, até então com apenas 11 anos de idade, fez uma marcante visita à Cripta Imperial, do Parque da Independência, no Ipiranga. Na companhia de seu pai, ela presenciou a chegada dos restos mortais de D. Amélia, segunda esposa de Dom Pedro I

Aquele episódio ficou registrado para sempre na memória da pesquisadora, que relembra muito bem o período de infância. Ambiel brincava no espaço e via que o local da cripta estava interditado "normalmente por problemas causados pela umidade", segundo ela.

"[Eu] temia que estes problemas pudessem de alguma forma prejudicar a preservação dos remanescentes humanos, bem como do material associado", conta, em entrevista à Aventuras na História. "Desejava que alguém fizesse algo para melhorar as condições do local. E principalmente para preservar os despojos dos imperadores. Entretanto, em minha infância e adolescência, eu nunca imaginei ser uma destas pessoas", acrescenta. 

Valdirene com os restos de D. Leopoldina / Crédito: Prof. Dr. Luiz Roberto Fontes

 

Experiência única

Ambiel foi quem estudou em 2012 os remanescentes humanos dos primeiros imperadores do Brasil como parte de sua dissertação de mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP). 

Ela se dirigiu à Cripta Imperial, onde estavam os restos não só de Dona Amélia, como também de Dom Pedro I e a primeira esposa dele, a Imperatriz Leopoldina. O estudo (que pode ser acessado aqui) foi produzido em parceria com várias instituições e especialistas — de biógrafos e escritores a um médico legista e um arquiteto. Além disso, Ambiel também contou com um engenheiro civil, e demais pesquisadores de dentro e fora do meio acadêmico.

A primeira tarefa foi abrir o sarcófago de Leopoldina. Quando a tampa de granito fora removida de modo parcial, houve uma surpresa: a urna era mais recente e não a descrita por documentos do Instituto Histórico Geográfico de São Paulo, que falavam do translado dos restos da imperatriz, realizado em 1954. 

Notando a substituição das urnas, Ambiel e sua equipe contataram então os órgãos responsáveis pelo Monumento à Independência, mas não houve resposta. "Muitas pessoas, inclusive do meio acadêmico, já haviam nos alertado da possibilidade de não haver nada nos sarcófagos, o que seria uma questão extremamente grave, uma vez que estes remanescentes humanos deveriam estar sepultados ali", conta a pesquisadora. 

Detalhes de Leopoldina

Apesar do contratempo, para a sorte de todos, os despojos de Dom Pedro I e suas esposas estavam sim presentes. Leopoldina, que foi a primeira a ser estudada, estava, segundo a pesquisa, com um vestido branco com bordados "em forma de folhas em verde na altura do peito" e mangas fofas com detalhes da fauna brasileira. 

As vestes, segundo Ambiel, não tinham identificação ou cuidados de preservação. "Havia muita cal, provavelmente ainda do funeral de 1826, uma vez que a Imperatriz sofreu muita febre antes de entrar em óbito, fato que pode ter acelerado o processo de decomposição", observa a especialista. 

Despojos de D. Leopoldina  / Crédito: Valter Diogo Muniz

 

Outra questão curiosa é que não havia luvas na imperatriz. Uma possível hipótese para explicar isso seria a cerimônia do beija-mão, na qual — como o nome já diz — se beijava as mãos de pessoas importantes em sinal de referência. Isso era feito, inclusive, mesmo após a morte. 

De acordo com a arqueóloga, quem reforçou esse costume era D. João VI, que queria se aproximar de seus súditos. "A cerimônia do beija-mão, era um costume antigo da realeza europeia, mas em desuso no século 19, exceto por D. João VI, rei de Portugal", explica."Esta tradição foi mantida no Império do Brasil, por D. Pedro I".

Ilustração da Imperatriz Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Entretanto, Ambiel conta que esse ritual não ocorreu com Leopoldina devido ao rápido processo de decomposição do corpo da imperatriz. Em outras palavras, beijar uma mão decomposta ficou fora de cogitação.

Entretanto, segundo a pesquisadora, o cadáver da falecida havia passado por um preparo à base de espírito de vinho, modo de conservar os mortos muito usado desde o século 16. Só que, no caso da majestade — que morreu por conta da evolução de um quadro infeccioso — como visto, a febre muito elevada acelerou o processo. 

Dom Pedro I e governos pouco democráticos 

O translado dos despojos de Dom Pedro I ocorreu em 1972, justamente no Sesquicentenário da Independência do Brasil. Nesse período, o nosso país estava em período de ditadura militar, sob o comando de Emílio Garrastazu Médici. Portugal, por sua vez, também vivia sob uma ditadura, tendo à frente o premier Marcello Caetano.

Visto isso, a vinda dos restos do imperador virou motivo para celebração de cunho nacionalista. "Podemos observar que muita propaganda sobre o traslado foi feita", comenta a pesquisadora, que acrescenta: "este foi um período muito complicado do regime militar brasileiro. E o governo lusitano também estava em situação não muito diferente". 

Valdirene Ambiel preparando o esqueleto de D. Pedro I para encaminhar para exame de tomografia  / Crédito:  Valter Diogo Muniz

 

Apesar da grande valorização do acontecimento pelas ditaduras, os restos do soberano mesmo assim "davam pena", de acordo com Ambiel. "O corpo do imperador estava totalmente desarticulado, e sem nenhuma posição anatômica mantida. Isso para mim representa a maior falta de respeito, não com a figura de um monarca, mas antes de tudo, falta de respeito com um ser humano", lamenta. 

Os restos de Dom Pedro I vieram para o Brasil em três urnas, como era tradição de nobres e clero da Igreja Católica. Mas, só a urna de madeira de lei com as coroas de Brasil e Portugal, e ornamentos religiosos foi mantida. A placa de chumbo, bem como, a urna de madeira rudimentar foram retiradas, e colocadas sob a responsabilidade do Departamento de Patrimônio Histórico do Município de São Paulo.

Pintura de Dom Pedro I, de autoria de Simplício Rodrigues de Sá / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Medalhas, botões e outros artefatos do monarca, assim como um fragmento de tecido do manto e brincos de Leopoldina, também foram encontrados no estudo e entregues ao Museu da Cidade de São Paulo, que administra o Monumento à Independência.

Dona Amélia 

A maior revelação sobre a segunda esposa de Dom Pedro I foi que os remanescentes dela estavam mumificados. A especialista explica que esse fenômeno ocorreu devido ao embalsamento feito no corpo da dama, após sua morte, em 1873. 

Um reembalsamento foi realizado depois, em 1982. Para entender como esse último processo ocorreu, foi realizada uma análise das substâncias da espuma de uma das três urnas funerárias que guardavam os restos de D. Amélia.

Valdirene realizando reembalsamamento em D.Amélia / Crédito:  Valter Diogo Muniz

 

O fato de o corpo ter sido fechado com essa tripla proteção das urnas, segundo Ambiel, pode ter contribuído para a preservação do mesmo. E ainda, diferentemente do que ocorreu com Dom Pedro I e Leopoldina, Amélia não tinha consigo presença de cal ou sedimentos que pudessem atrapalhar o processo. 

Amélia de Leuchtenberg, ou Dona Amélia / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Além disso, Valdirene Ambiel conta que, entre as três figuras históricas analisadas, seu sentimento ao investigar os restos mortais, se deu em medidas equivalentes ao trio de imperadores.

"Com relação à emoção, nisso foram iguais", reflete Ambiel. "Pessoas, seres humanos como nós, que tiveram suas vidas, seus valores. Erros e acertos, qualidades e defeitos, assim como cada um de nós nos dias atuais. Diferente de iconografias em livros, quadros em museus, naquele momento, nós os vimos como seres humanos".

fonte: aventurasnahistoria.com.br

domingo, 23 de janeiro de 2022

Isabel Maria de Alcântara, filha de Dom Pedro I com a Marquesa de Santos.

5 CURIOSIDADES SOBRE ISABEL MARIA DE ALCÂNTARA, A FILHA DE D. PEDRO COM A MARQUESA DE SANTOS

Embora tenha sido fruto do famoso caso extraconjugal, Isabel viveu uma vida de princesa e só descobriu a verdade muito depois

INGREDI BRUNATO PUBLICADO EM 04/09/2020

Representação de Isabel Maria de Alcântara
Representação de Isabel Maria de Alcântara - Wikimedia Commons

Isabel Maria de Alcântara (não confundir com sua irmã mais nova, Maria Isabel de Alcântara) foi a filha mais velha de D.Pedro I, o imperador do Brasil, com a nobre Domitila de Castro Canto e Melo, que não era sua esposa, mas sim sua famosa amante, a Marquesa de Santos. 

O caso entre o imperador e a marquesa ficou muito famoso na época e é abordado até hoje quando se fala da família real brasileira. A menina, nascida em 23 de maio de 1824, seria a primeira dos cinco filhos que o casal teve ao todo. 

1. Ela não foi assumida imediatamente pelo pai 

Isabel Maria nasceu no Rio de Janeiro, e foi a princípio registrada como filha de pais incógnitos. Quem cuidou dela quando era bebê foram seus avós maternos, pais da Marquesa de Santos, alegando que a criança havia sido deixada na frente da porta deles. 

O mistério sobre a identidade do bebê terminou de forma oficial quando Isabel estava perto de seu aniversário de dois anos de idade: naquele ano, D. Pedro I assumiu publicamente sua paternidade, e ainda assinou um decreto concedendo um título da nobreza à filha. 

A partir de então, a menina se tornou a Duquesa de Goiás, tendo sido a primeira a única a receber esse título. Para selar as notícias, houve uma festa de gala na glamurosa residência que o Imperador tinha mandado construir para a Marquesa de Santos. Claro que apesar da festa ser supostamente para Isabel, pelo fato dela ainda ser um bebê, provavelmente os adultos aproveitaram bem mais. 

Pintura de D.Pedro I, pai de Isabel Maria de Alcântara / Crédito: Wikimedia Commons 

 


2. Ela foi expulsa do palácio real 

O início da vida da Duquesa de Goiás foi de grande luxo. Ela frequentava o palácio real e era educada juntamente com suas irmãs, que eram filhas de D.Pedro I com sua esposa de fato, a imperatriz Leopoldina. Basicamente, não recebia tratamento diferente do prestado a uma princesa brasileira. 

Quando Dona Leopoldina morreu, não muito depois, a menina foi levada para morar no Palácio de São Cristóvão, a residência real, de forma definitiva. Nessa época, Isabel Maria tinha ainda três anos. 

Dois anos depois, seu pai se casou novamente, e a nova imperatriz, vinda de fora do Brasil, trouxe consigo novas regras: não queria a presença da menina bastarda em São Cristóvão. Foi assim que a pequena Duquesa de Goiás foi enviada para um palácio de verão em Niterói, e nem bem teve tempo de se acostumar ao lugar, seu pai decidiu mandá-la para a ainda mais longe: para estudar na Europa.


3. Estudou em um colégio interno de freiras 

Isabel Maria foi enviada para França, com uma carta de recomendação dizendo que sua instrução deveria ser “a melhor possível para fazer uma freira, com a menor despesa possível, sem contudo faltar à decência devida a uma filha de Sua Majestade, posto que bastarda”. 

Durante a viagem, é possível dizer que a duquesa se safou da morte por sorte, pois ocorreu um surto de febre na embarcação em que estava, e a garota inclusive alegou que estava com dor no peito. Na época, morrer por conta de febre não era algo tão incomum, tendo sangue azul ou não. Então é possível imaginar que o episódio foi preocupante.

Em Paris, a duquesa, que tinha então seis anos, passou a estudar em um colégio interno destinado a filhas de aristocracia francesa. As freiras responsáveis pela educação no internato disseram mais tarde que a garota era educada e ia bem em todas as disciplinas, apesar de ser “dada a variações de humor” quando era obrigada a estudar, o que pode ser uma maneira de falar que fazia certa birra. 

Marquesa de Santos, mãe de Isabel Maria de Alcântara / Crédito: Wikimedia Commons

 


4. Criada pela madrasta

D. Pedro I acabou vindo para a Europa não muito depois, tendo abdicado do trono do Brasil e deixando para seu filho mais novo, que viria a ser D. Pedro II. Foi assim que Isabel Maria teve a oportunidade de viver mais uma vez com o pai. 

Embora a esposa do imperador ainda fosse a Dona Amélia, agora, por algum motivo, a imperatriz estava mais tolerante à presença da garota, e acabou se tornando uma figura materna para a duquesa.


5. Ela não sabia que era bastarda 

Isabel Maria foi separada tão jovem de sua mãe que não tinha mais qualquer conexão com ela. Para a duquesa, ela sempre fora uma filha do imperador, vivendo em palácios e rodeada pela nobreza. Suas origens eram um segredo, e não por acaso, mas por ordens do próprio D. Pedro I. 

Assim, foi apenas aos 24 anos (quando seu pai já estava morto) que a duquesa foi contatada pela irmã, Maria Isabel de Alcântara, e seu marido, o conde de Iguaçu. Segundo conta a história, teria sido um choque para moça descobrir que era fruto de uma relação extraconjugal. 

Para provar suas afirmações, o conde de Iguaçu enviou cartas que D.Pedro I e a Marquesa de Santos enviavam um para o outro. Não quaisquer cartas, no entanto, porém aquelas em que falava da filha primogênita, Isabel Maria de Alcântara. 

A duquesa viveu uma vida longa, tendo morrido apenas aos 74 anos de idade.

fonte: aventurasnahistoria.com.br

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

O fim da relação de Dom Pedro I com a Marquesa de Santos.

O QUE CAUSOU O FIM DA RELAÇÃO DE D. PEDRO I COM A MARQUESA DE SANTOS?

O casal permaneceu junto durante sete anos, entre 1822 e 1829

REDAÇÃO PUBLICADO EM 05/02/2022

A Marquesa de Santos e o imperador D. Pedro I
A Marquesa de Santos e o imperador D. Pedro I - Wikimedia Commons / Francisco Pedro do Amaral / Google Cultural Institute

Domitila de Castro, também conhecida como Marquesa de Santos, entrou para a história do Brasil como amante do imperador D. Pedro I, tendo mantido um relacionamento durante sete anos com o monarca. Mas o que fez com a relação do casal chegasse ao fim?

A historiadora Mary del Priore, quem escreveu um livro sobre o triângulo amoroso entre DomitilaPedro e sua esposa, a imperatriz Leopodina, respondeu essa questão em entrevista à revista Istoé em 2016. 

Uma grande (e conflituosa) paixão

Para a autora de "A Carne e o Sangue", publicado em 2012, os amantes foram unidos por um sentimento muito forte, ainda que a relação tenha sido repleta de altos e baixos.

Retrato de Domitila de Castro  / Crédito: Wikimedia Commons / José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP

 

"O sentimento que os uniu foi muito forte. Uma paixão, sem dúvida. E duradoura, zelosa, plena de afetos e cuidados: pequenos e grandes presentes, delicadezas, apelidos e diminutivos típicos da linguagem amorosa e uma grande atração sexual que deixou muitas marcas na documentação", disse Priore, referindo-se às inúmeras cartas trocadas pelos amantes, as quais sobreviveram ao tempo.

A historiadora também disse na entrevista que, por outro lado, o relacionamento também foi marcado por brigas, "sobretudo por ciúmes dele, que a vigiava o tempo todo. Ela ressalta, inclusive, um episódio em que Pedro chegou "a disparar num tenente que frequentava os salões da marquesa".

A imperatriz Amélia de Leuchtenberg / Crédito: Wikimedia  Commons / Friedrich Dürck

 

Motivo da separação

De acordo com Mary, a separação do casal se deu "indiscutivelmente" com "a chegada da nova imperatriz, Amélia de Leuchtenberg", três anos após a morte de Leopoldina. Ela explicou que "até encontrar a nova esposa", Pedro não era capaz de "se afastar de Domitila", referindo-se ao novo matrimônio sempre como uma forma de "sacrifício".

Quando finalmente decidiu se casar, o imperador "a faz retornar a São Paulo, para fazer uma figura mais palatável nas cortes europeias, onde sua ligação com 'madame Santos' era conhecida e considerada escandalosa."

Pedro  I em retrato / Crédito: Wikimedia Commons / Autor desconhecido

 

Pedro se casaria com Domitila?

"Nos meios diplomáticos, corria que ele ia elevá-la a duquesa para poder casar-se com ela. E, de fato, Domitila se prepara para tal, estudando genealogia e querendo tomar as armas de Inês de Castro, dama galega e paixão de dom Pedro I de Portugal", afirmou Priore à revista.

"No livro, demonstro que o casal monta uma farsa: ele escrevia cartas diplomáticas a Domitila, que eram lidas por seus próximos, para provar que estavam separados e, depois, enviava-lhe bilhetes apaixonados em que se confessava morto de saudades."

fonte: aventurasnahistoria.com.br

domingo, 16 de janeiro de 2022

A Casa que a Marquesa de Santos ganhou de Dom Pedro I, no Rio de Janeiro.

A CASA QUE A MARQUESA DE SANTOS GANHOU DE DOM PEDRO I

Localizada no Rio de Janeiro, a residência é uma das construções neoclássicas de maior destaque na região

REDAÇÃO PUBLICADO EM 13/02/2022

Fachada interna da residência de Domitila de Castro
Fachada interna da residência de Domitila de Castro - Divulgação / Facebook / Casa da Marquesa de Santos - Museu da Moda Brasileira

No Bairro Imperial de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, está localizada, até os dias de hoje, uma das propriedades da Marquesa de Santos. A casa de Domitila de Castro, a mais famosa amante de D. Pedro I, foi um presente do imperador, entregue à mulher em meados do século 19. 

Tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), em 1938, a residência que serviu de ponto de encontro do casal atualmente é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, sendo considerada um dos grandes exemplares do estilo neoclássico no estado.

Visão do pátio interno da Casa da Marquesa de Santos / Crédito: Divulgação / Facebook / Casa da Marquesa de Santos - Museu da Moda Brasileira

 

Projeto arquitetônico

De acordo com informações do site Museus do Rio, o Palacete do Caminho Novo, como é conhecida a casa, foi projetado por Jean Pierre Pézerat e conta com pinturas de Francisco Pedro do Amaral. 

A residência, na qual a marquesa viveu entre os anos de 1827 e 1829, foi construída em um terreno próximo ao Paço de São Cristóvão, em um local onde antes exitiam duas chácaras.

Ricos detalhes

Não bastassem as belíssimas pinturas, a casa ainda é repleta de baixos-relevos inspirados na mitologia greco-romana, tanto na decoração externa quanto nos forros dos salões superiores. As obras são de autoria dos irmãos Marc e Zephirin Ferrez, importantes escultores da missão artística francesa.

Na imagem, porta com detalhes em formato de coração e pinturas / Crédito: Divulgação / Facebook / Casa da Marquesa de Santos - Museu da Moda Brasileira

 

Ainda de acordo com o portal, os assoalhos de toda a propriedade são de madeira brasileira trabalhada. A fachada interna conta com duas imponentes escadarias curvas, as quais dão para um grande jardim arborizado. Além disso, quase todas as janelas e portas do palacete apresentam detalhes em vidro e possuem corações. 

Diferentes proprietários

Após um breve período como propriedade de Domitila de Castro, a residência passou pelas mãos de diferentes personalidades ao longo do século 19. Um dos nomes mais notáveis foi o Barão de Vila Nova do Ninho, quem reformou o edifício e o reinaugurou em 1857.

Imagens da parte interna da residência / Crédito: Divulgação / Facebook / Casa da Marquesa de Santos - Museu da Moda Brasileira

 

Mais tarde, entre 1869 e 1882, pertenceu ao Barão de Mauá, que também promoveu adaptações na casa, adicionando novas pinturas à sala de música, localizada no piso superior.

Museu da Moda Brasileira

Como se trata de um construção tombada, surgiu nos últimos anos, uma proposta de transformar o antigo palacete em um local de memória. O terreno, anexo à residência, dá lugar ao Museu da Moda Brasileira, o qual está sendo idealizado pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto Zuzu Angel e com a Fundação Getúlio Vargas.

fonte: aventurasnahistoria.com.br

quarta-feira, 8 de abril de 2020

As verdades reveladas pelo cadáver de Dom Pedro I e de suas 2 esposas.

CONTRADIÇÃO HISTÓRICA: AS VERDADES REVELADAS PELO CADÁVER DE DOM PEDRO I E DE SUAS DUAS ESPOSAS

Além dos restos mortais do imperador, os corpos de Dona Leopoldina e Dona Amélia, foram examinados pela arqueóloga e historiadora Valdirene do Carmo Ambiel
PENÉLOPE COELHO PUBLICADO EM 08/04/2020
Dom Pedro I em pintura oficial
Dom Pedro I em pintura oficial - Wikimedia Commons
O corpo do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, que esteve no comando do império de 1822 até sua abdicação em 1831, passou por uma análise arqueológica em 2012, essa foi a primeira vez que seus restos mortais foram tocados. A exumação fez parte do trabalho de mestrado da arqueóloga e historiadora Valdirene do Carmo Ambiel, para o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, USP.
Em 2010, ela obteve autorizações dos descendentes da família real brasileira para exumar os restos mortais de Dom Pedro I e suas mulheres: Dona Leopoldina e Dona Amélia. Diversas curiosidades e novidades sobre os membros da família real do Brasil foram descobertas nesse processo.
Ambiel é moradora do bairro do Ipiranga em São Paulo, onde os corpos dos monarcas estão enterrados. Ela tomou a iniciativa da pesquisa por estar preocupada com alguns fatores internos no local onde os caixões ficam, como a umidade.
O estudo contou com uma grande equipe formada por historiadores, arqueólogos, físicos e médicos. Eles usaram diversos recursos tecnológicos para fazerem a pesquisa, como exames de tomografia, raios-x, ressonância magnética e uso de infravermelho.
Mãos de Dona Amélia / Crédito: Divulgação 

Dom Pedro I.
Até então, não era de conhecimento público que o monarca havia fraturado quatro costelas ao longo de seus 36 anos, os pesquisadores acreditam que isso possa ter prejudicado um de seus pulmões e agravado seu quadro de tuberculose, que o levou à morte, em 1834. Ele também não fraturou a clavícula em uma queda de cavalo, como havia sido dito anteriormente.
Além disso, descobriu-se que Dom Pedro I foi enterrado com roupas de general do exército português, também foram identificadas medalhas de reconhecimento do país europeu. A única referência feita ao período em que ele governou o Brasil estava na tampa de chumbo de seu caixão, com a seguinte frase: Primeiro Imperador do Brasil, ao lado da menção: Rei de Portugal e Algarves.  
Exumação no caixão de Dom Pedro I / Crédito: Divulgação

Dona Leopoldina.
Outra curiosidade da pesquisa aconteceu depois da exumação dos restos mortais de Dona Leopoldina, a primeira esposa do imperador D. Pedro I. Alguns dados históricos foram colocados à prova.
Segundo a história contada até então, a imperatriz que faleceu em 1826, teria quebrado o fêmur após Dom Pedro I tê-la empurrado da escada, no palácio Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, onde a residência da família real era localizada. No entanto, o exame não encontrou nenhuma fratura no corpo de Leopoldina.
Dona Amélia.
A maior surpresa veio na hora da exumação do corpo de Dona Amélia, a segunda esposa do imperador Dom Pedro I e imperatriz do Brasil de 1829 até 1834. O corpo da mulher, diferente dos outros dois, estava mumificado — o que deixou algumas partes da monarca intactas, como as unhas, cabelos e cílios. O pedido de Amélia havia sido por um funeral modesto, o que aparentemente não foi atendido.
Corpo de Dona Amélia mumificado / Crédito: Divulgação

Para Valdirene do Carmo Ambiel, a mumificação não foi planejada “Acredito que não houve a intenção de se fazer uma múmia. Era preciso dar um preparo prévio ao corpo, para não decompor nos três dias de funeral, que era o costume da época. Depois, o corpo foi colocado em um caixão de madeira, envolto em chumbo, e fechado hermeticamente. Também não passou por tantos traslados. Essa combinação pode ter anulado algumas ações do processo de decomposição.”. Explicou a arqueóloga na época.
Depois do fim das pesquisas que acrescentaram mais informações sobre a família real brasileira, os três corpos foram limpos e retornaram para a cripta do Parque da Independência, no Ipiranga. Para os arqueólogos a intenção é preservar ainda mais a ação do tempo nessas figuras importantes para a história do Brasil.