Recentemente, arqueólogos revelaram que começaram a explorar túneis ocultos sob o templo Chavín de Huántar, na região de Áncash, nos Andes. Estima-se que a rede de passagens subterrâneas tenha cerca de 3 mil anos. Agora, pesquisadores sugerem que as estruturas eram usadas durante rituais com substâncias psicodélicas.
Misterioso povo.
Algumas das câmaras escuras e isoladas podem ter sido usadas para privação sensorial, enquanto as galerias maiores parecem ter sido utilizadas para a adoração de ídolos, segundo John Rick, arqueólogo da Universidade de Stanford que lidera a pesquisa. “As galerias têm uma diversidade de funções pelo que podemos dizer, (mas) todas estão relacionadas à atividade ritual”, disse ele em entrevista ao Live Science.
Imagem: Agência Andina/Divulgação
Os arqueólogos acreditam que Chavín de Huántar era um centro religioso usado pelo misterioso povo Chavín, que viveu nas partes norte e central do que hoje é o Peru entre 3.200 e 2.200 anos atrás. O complexo fica em uma região localizada a cerca de 450 quilômetros ao sul de Lima, a 3200 metros de altitude.
Até agora, foram descobertas no local pelo menos 35 passagens que se conectam entre si. Em uma das galerias foram encontradas duas vasilhas de pedra, uma delas com o formato de um condor. Richard Burger, especialista em pré-história sul-americana que não participou da pesquisa, disse que os recipientes provavelmente eram usados para moer drogas psicodélicas para cerimônias religiosas.
FONTES
LIVE SCIENCE
IMAGENS
ALISONRUTHHUGHES, VIA WIKIMEDIA COMMONS (CC BY-SA 4.0)
Uma equipe de arqueólogos da Universidade de Stanford escavou uma rede de passagens subterrâneas de 3 mil anos, na região de Áncash, nos Andes peruanos. Os túneis estavam ocultos sob o templo Chavín de Huántar, que já funcionou como centro administrativo e religioso da região.
Galeria do Condor
No total, foram descobertas pelo menos 35 passagens que se conectam entre si. Segundo os pesquisadores, todas foram construídas entre o ano de 1200 e 200 antes de Cristo, em uma região localizada a cerca de 450 quilômetros ao sul de Lima, a 3200 metros de altitude.
John Rick, um dos responsáveis pela descoberta, disse que durante as escavações ele conseguiu entrar por uma passagem de aproximadamente 40 centímetros de diâmetro e descobriu vasilhas antigas. Acredita-se que os artefatos foram depositados como oferendas no fechamento da galeria há 3 mil anos.
“O vídeo que gravamos nos revelou que, dentro do edifício, há algo que não foi visto nem tocado e nem conhecido durante 3 mil anos. Existe uma nova galeria. Há traços de épocas mais antigas que nunca havíamos visto, e não havia apenas uma vasilha de pedra: havia duas, e uma delas tem a forma de um condor", disse Rick. Devido a esta descoberta, o complexo foi chamado de Galeria do Condor. O sítio Chavín de Huántar é Patrimônio da Humanidade desde 1985.
Conheça as cavernas artificiais de Ventanillas de Otuzco na cidade de Cajamarca no Peru
Não muito longe da cidade de Cajamarca existe um fascinante sítio arqueológico conhecido como Ventanillas de Otuzco que está situado sobre uma rocha vulcânica.
Muitos lugares antigos no Peru são tão bonitos como valiosos para a história. Não muito longe da cidade de Cajamarca existe um fascinante sítio arqueológico conhecido como Ventanillas de Otuzco que está situado sobre uma rocha vulcânica. O que torna Ventanillas de Otuzco único são as suas grutas artificiais que há muito interessam aos estudiosos.
Localizadas a 2.650 metros acima do nível do mar, as cavernas artificiais de Ventanillas de Otuzco tiveram seu uso por volta de (200 d.C. -800 d.C.) pela Cultura Cajamarca para enterrar os seus mortos. Esta necrópole pré-Inca tem uma arquitetura única com centenas de janelas para cada indivíduo falecido. Cada uma destas grutas tem uma entrada que é retangular ou quadrangular, com uma altura de 50 a 60 centímetros.
Os investigadores não conseguiam compreender porque é que não foi possível encontrar esqueletos completos dentro das grutas ao examinar a necrópole. As escavações no local e nas proximidades indicavam Ventanillas de Otuzco como local de sepultamento secundário. Dessa forma, a ausência de esqueletos completos sugere que Ventanillas de Otuzco era uma necrópole. Bem como um local ritual que simbolizava o culto dos mortos e dos antepassados de Cajamarca.
Quando o povo de Cajamarca enterrou os seus mortos, não os colocou imediatamente dentro deste cemitério. O cadáver foi enterrado pela primeira vez no chão. Posteriormente alguns ossos e crânios foram depositados nos nichos esculpidos nas rochas de Otuzco, possivelmente para fins de veneração.
O primeiro estudo e investigação documentada de Ventanillas de Otuzco foi feita por Julio César Tello (1880 – 1947), o pai da arqueologia peruana, que é considerado como o primeiro arqueólogo indígena da América do Sul. Tello, que explorou muitos sítios antigos no Peru, é creditado, portanto, com a descoberta da cultura Paracas e da cultura Chavin.
Passagens Secretas
O Ventanillas de Otuzco é um complexo funerário e mausoléu milenar localizado a cerca de trinta minutos do centro de Cajamarca, Peru. Crédito: Elisolidum – CC POR 4,0
Em tempos mais recentes, os cientistas que examinaram as criptas escondidas dentro da rocha vulcânica descobriram que os nichos eram construídos sob a forma de galerias. Os nichos se ligavam então a partir do interior, uns com os outros.
Ventanillas de Otuzco tem 337 janelas. Todos estes buracos levam a um corredor que se liga ao coração da massa rochosa onde existem mais nichos, na sua maioria simples. Embora existam também múltiplos nichos que constituem passagens com nichos laterais.
A lenda diz que através de algumas janelas, é possível entrar em galerias escuras e misteriosas, cujo fim inatingível inspirou a imaginação do homem na criação de passagens secretas que uniriam Cajamarca com o departamento de Cusco.
Batalha de Cajamarca
Os estudantes da história antiga peruana estão familiarizados com a horrível Batalha de Cajamarca, durante a qual Francisco Pizarro e os seus conquistadores se confrontaram com Atahualpa e uma enorme força de guerreiros incas. Atahualpa foi capturado, oferecido para encher uma sala com um tesouro como resgate pela sua libertação e Pizarro aceitou. Finalmente, cerca de 24 toneladas de ouro e prata foram trazidas para os espanhóis de todo o Império Inca.
Embora Atahualpa tivesse fornecido o resgate mais rico da história do mundo, Pizarro de forma traiçoeira o colocou em julgamento por conspiração para derrubar os espanhóis, por mandar assassinar o seu meio-irmão Huascar. Bem como várias outras acusações menores. Dessa forma, um tribunal espanhol condenou Atahualpa à morte.
Em 29 de Agosto de 1533, o imperador foi amarrado a uma estaca e ofereceu então a opção de ser queimado vivo ou estrangulado por garrote se ele se convertesse ao cristianismo. Na esperança de preservar o seu corpo para mumificação, Atahualpa escolheu este último, e um colar de ferro foi apertado à volta do seu pescoço até à sua morte. Esta execução do último imperador inca Atahualpa venceu a resistência nativa.
Fabricação de cerâmicas
O povo pré-Inca Cajamarca é hoje recordado pela sua magnífica necrópole, Ventanillas de Otuzco, uma atração turística popular.No entanto, não esqueçamos que a cultura de Cajamarca produziu magníficas cerâmicas.É uma cerâmica fina, esbranquiçada ou de cor creme. A decoração é feita com um pincel e atinge um efeito floral, cursivo ou caligráfico, após um primeiro momento de simples ornamentação.
Aqueles que desejam viajar no tempo e admirar Ventanillas de Otuzco podem ter em mente que a época ideal para visitar Ventanillas de Otuzco é de maio a setembro.O que corresponde, portanto, a uma época do ano com pouca chuva.
Um crânio alongado peruano de dois mil anos que pertence ao acervo do Museu de Osteologia da cidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, intriga pesquisadores. O fato mais surpreendente não é seu formato (fruto de uma prática comum em civilizações pré-incaicas), mas a presença de um implante de metal fundido com os ossos cranianos. Isso poderia indicar que povos sul-americanos antigos eram capazes de realizar procedimentos cirúrgicos avançados.
Cirurgia craniana milenar
Acredita-se que o crânio pertenceu a um guerreiro ferido na cabeça durante uma batalha. O implante de metal teria sido inserido durante um procedimento cirúrgico para tratar o ferimento. Segundo representantes do museu, o paciente sobreviveu à cirurgia. “Com base no osso quebrado ao redor do reparo, é possível ver que ele está bem fundido. A cirurgia foi bem-sucedida", disseram.
Além desse potencial implante, o crânio possui um orifício sob o metal, possivelmente criado por meio de um procedimento cirúrgico conhecido como trepanação. Essa técnica foi usada por diversos povos do mundo durante milhares de anos para tratar casos de traumatismo craniano, dores de cabeça, ataques epiléticos e doenças mentais. Estudos anteriores já apontavam que os incas aplicavam esse tratamento.
Mas nem todos estão convencidos da autenticidade da peça. John Verano, professor de antropologia da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, disse ao site Live Science que o crânio pode ter sido forjado. Ele levantou a hipótese que o implante de metal pode ter sido colocado posteriormente para valorizar a peça. Já Kent Johnson, professor de antropologia da universidade SUNY Cortland, de Nova York, disse que o implante de metal pode ser autêntico, mas que serão necessárias análises mais detalhadas para comprovar a teoria.
O fato de o crânio ser alongado também tem uma explicação. Por milhares de anos, grupos humanos de várias partes do mundo modificaram crânios de forma intencional amarrando a cabeça de bebês com tecido ou prendendo a cabeça deles entre dois pedaços de madeira. Pesquisadores acreditam que geralmente a prática representava o pertencimento a um grupo étnico ou social. Isso fortalecia o sentido de coletividade e comunidade entre o grupo.
Fontes
Live Science e Daily Mail
Imagens
Museu de Osteologia da cidade de Oklahoma/Divulgação
IMAGENS: A IMPRESSIONANTE MÚMIA MILENAR ENCONTRADA AMARRADA NO PERU
Restos mortais eram de uma pessoa que pertenceu à civilização pré-inca
FABIO PREVIDELLI | @FABIOPREVIDELLI_ PUBLICADO EM 30/11/2021
Imagem da múmia amarrada - Universidade Nacional Mayor de San Marcos
Uma escavação arqueológica em uma tumba subterrânea no sítio de Cajamarquilla, no Peru, acabou revelando uma múmia em uma situação única: ela estava amarrada com cordas e cobrindo o rosto com as mãos.
Ainda não foi possível identificar se os restos mortais pertenciam a um homem ou uma mulher, porém, sabe-se que a pessoa viveu entre 1.200 e 800 anos atrás e que, certamente, pertenceu à civilização pré-inca, que desenvolveu-se no litoral peruano, próximo às montanhas.
Equipe durante expedição/ Crédito: Universidade Nacional Mayor de San Marcos
A escavação está sendo conduzida pelo arqueólogo Pieter Van Dalen Luna, da California State University San Marcos. “A principal característica da múmia é que todo o corpo era amarrado por cordas e com as mãos cobrindo o rosto”, relatou.
Pieter ainda explicou que a posição na qual a múmia foi encontrada é bastante comum em rituais de velórios do sul do país. A equipe ainda afirmou ter encontrado oferendas ao lado do esqueleto, o que indica que o falecido tinha certa relevância social.
Pesquisadores perto da múmia/ Crédito: Universidade Nacional Mayor de San Marcos
A múmia amarrada/ Crédito: Universidade Nacional Mayor de San Marcos
Pesquisadores que fizeram parte das buscas/ Crédito: Universidade Nacional Mayor de San Marcos
ARQUEÓLOGOS ENCONTRAM 29 ESQUELETOS COM MAIS DE MIL ANOS NO PERU
25 dos indivíduos pertenceriam à cultura mochica, enquanto os demais seriam da civilização wari
REDAÇÃO PUBLICADO EM 26/10/2021
Um dos esqueletos encontrados - Divulgação / vídeo / AFP
Recentemente, um grupo de arqueólogos encontrou 29 ossadas de indivíduos que viveram há mais de mil anos em Huaca Santa Rosa de Pucala, na região costeira de Lambayeque, no Peru.
Entre os achados estavam os restos mortais de três crianças, que se revelaram peças fundamentais para auxiliar pesquisadores a entenderem a história de uma civilização anterior aos incas: a wari.
Restos mortais encontrados na região costeira de Lambayeque / Crédito: Divulgação / vídeo / AFP
O local onde foram encontrados os esqueletos, que fica 750 quilômetros ao norte de Lima, seria, de acordo com os especialistas, um antigo centro cerimonial.
Segundo informações do portal de notícias G1, três crianças e um adolescente que foram sepultados na frente do templo teriam sido sacrificados às divindades dos waris. No entanto, esta é a primeira vez em que arqueólogos encontram indícios da presença desta cultura em uma região tão distante de sua principal área de influência.
Outro exemplar dos achados / Crédito: Divulgação / vídeo / AFP
"Essas descobertas nos permitem repensar a história da região de Lambayeque, especialmente as ligações com as ocupações wari e mochica na área”, afirmou Edgar Bracamonte, líder das escavações.
Segundo ele, das 29 ossadas, 4 pertenciam a indivíduos wari, enquanto as demais seriam da era mochica. Estes últimos teriam vivido entre 100 e 700 DC na costa norte do Peru.
Ossada encontrada na região / Crédito:Divulgação / vídeo / AFP
Já a cultura wari habitou a região central dos Andes peruanos entre os séculos 7 e 13, sendo que o local dos sepultamentos, que possui o curioso formato da letra 'D', foi construído no século 9.
Presente do bicentenário: a Unesco nomeia o Observatório de Chankillo como Patrimônio Mundial
Nesta terça-feira, 27 de julho, a Unesco deu continuidade à sessão de nomeação do Patrimônio Mundial, onde foi decidido em favor do Observatório Peruano
As treze torres de Chankillo vistas do ar. Este lugar foi construído para determinar com precisão a passagem do tempo. Foto: Edgar Asencios.
Antes de qualquer cultura do mundo, Chankillo o fez. Este observatório, possivelmente o mais antigo do mundo, está em Áncash, Peru, aguardando o apoio do Estado; que, por sua vez, está prestes a celebrar o tão esperado Bicentenário. A Unesco foi declarada Patrimônio da Humanidade na terça-feira, 27 de julho pela manhã.
Embora a vez de avaliar o pedido de Chankillo estivesse marcada para segunda-feira, dia 26, pela manhã (horário do Peru), ela foi adiada para terça-feira, dia 27. Quando chegou a hora de decidir se o sítio arqueológico nacional seria considerado Patrimônio Mundial, o ministro da Educação da China Tian Xuejun, que presidia a mesa, perguntou se havia alguma objeção ou comentário. Não havia nenhum.
Como não houve objeções, Chankillo foi imediatamente declarado Patrimônio da Humanidade, com o que a Unesco parabenizou o Peru. Em seguida, apareceu um vídeo onde o ministro da Cultura, Alejandro Neyra, dizia que a nomeação do observatório “contribui para o fortalecimento da identidade nacional”.
Chankillo
O observatório de Chankillo foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. (Fonte: El Comercio)
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O observatório de Chankillo foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. (Fonte: El Comercio)
“ A inscrição do Complexo Arqueoastronômico de Chankillo como Patrimônio da Humanidade contribui para o fortalecimento de nossa identidade nacional e ratifica nosso compromisso com a proteção e gestão sustentável de nosso patrimônio cultural e natural ”, afirmou.
O pano de fundo para o compromisso
A transmissão da sessão da Unesco para nomear Chankillo como Patrimônio Mundial foi desenvolvida ao vivo pelo YouTube.
Mais sobre Chankillo
Localizadas a 365 quilômetros de Lima, no litoral, as treze torres de Chankillo são um observatório preciso com o qual os antigos habitantes da região construíram cerca de 245 anos antes de Cristo. Quase cinco décadas depois, o local foi abandonado após um ataque. Mas ele resistiu.
A pesquisa indica que, além de ser um observatório, Chankillo também era um centro cerimonial. Sabe-se que várias sociedades podem ter ocupado este centro, além das que construíram o local. Por enquanto, espera-se que com a eventual nomeação da Unesco Chankillo obtenha os recursos do Estado para se preservar e atrair turistas. O Estado, afirma Iván Ghezzi, o principal investigador de Chankillo, não investiu neste centro.
“ Temos a ideia de um circuito turístico, portanto, existem áreas que devem ser restauradas para que o público possa usufruí-las. É necessária uma obra de conservação, restauração e instalação de infraestrutura ”, disse Ghezzi em entrevista ao El Comercio.