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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: O Cotidiano no Imaginário Medieval.


O Cotidiano no Imaginário Medieval de José Roberto Mello.


ROMANCES ARTURIANOS - 1ª obra crônica em 1135, Geoffrey de Monmouth, Inglaterra, história dos reis da Bretanha, onde o reinado de Artur constituía o ponto alto. Em 1148, poema da vida do Mago Merlim, Vita Merlini, cujas profecias compusera também em 1135, inserindo as no texto da história. Não se sabe se o autor acreditava nas lendas. Em 1155, foi traduzido para o anglo-normando por Wace.

No século XII foi traduzido para o inglês, por Layamon - tem 200 manuscritos com cópias da obra, mas 50 datados do século XII. 40 anos depois aparecem as obras francesas, a principal é de Chretien de Troyes e a autora Maria de França, estrangeira escrevia na corte Inglesa. Compôs contos curtos em verso entre 1160 e 1178 o único arturiano é o Lai de Lanval - herói acusado pela rainha Guinevra.

Troyes, grande autor do século XII, dedicou-se aos clássicos e depois aos bretões. A partir de 60 usa Artur e cria.

Cligés, Erec et Enide, Yvain ou Le Chevalier au lion (Y van ou o cavaleiro do leão), Lancelot ou Le Chevalier à La Charrete (Lancelote ou o cavaleiro da carroça) e Perceval ou Le Conte dou Graal (Percival ou o conto do Graal), ficou inacabado, gerou outras continuações que procuravam esclarecer o mistério do Graal.

Os personagens e as histórias, lendas agruparam-se em ciclos como ex: Lancelot e Tristão e Isolda em prosa no início do século XIII. Depois de Troyes, surge Roberto de Boron da Borgonha - criou um ciclo em verso entre 1191 – 1200, mas restou-se apenas 2 obras. Le Roman de I'Estoire dou Graal - romance da história do Graal, também conhecido como Roman de Joseph d'Arimathie e Merlin (Mérlim), historiadores o passaram para a prosa no século XIII e criaram o ciclo Lancelot em prosa ou Graal Vulgata integrado por 5 romances.

A Estória toda inicia na Palestina, surgimento do Graal, (Jesus bebeu nele na última ceia, José de Arimatéia recolheu seu sangue na Cruz), vinda para Grã Bretanha, e custódia no castelo de Corbenic.

Merlin - conta o nascimento do mago, a corte de Londres com Uter Pen Dragon, pai de Artur, sua morte e o advento deste no trono.

Lancelot - começo com lutas entre Claudas, senhor da Terra Deserta (o Berr, na França) e os reis Ban de Banoic, pai de Lancelot e seu irmão Bohors de Gaunes, pai de Lionel e Bohors. A estória da carroça, o resgate de Guinevra raptada por Meleagant é só um narrativo. O que acontece é que a infância e a juventude do herói, vai até o nascimento e infância do seu filho Galaad.

Galaad - personagem principal da obra Quest del saint Graal, onde o jovem Galaad chega a corte de Artur e anuncia as aventuras do Graal, na festa de Pentecostes, e vai até a morte dele.

A Morte do Rei Artur - é o retorno dos sobreviventes e o relato das aventuras é o romance final do ciclo, anexada mais tarde a Estoire del Saint Graal e Merlin.

Geoffrey de Monmouth - encerra o domínio dos bretões com a traição de Moidret, narrativa diferente (cunho dramático e realista), dramas da sociedade arturiana, jogo de sentimentos dominam, ódio, amor, ciúme, fidelidade, até o trágico desfecho na planície de Salisbury.

Demanda do Sato Graal - é uma versão portuguesa do século XIV.

Mais tarde, introduções e continuações foram acrescentadas a Percival e a Merlim.

A lenda de Tristão tem origem céltica e foi atraído para o ciclo arturiano e diversificado por 2 autores Thomas e Béroul, depois tomou o rumo de prosa. Surgem obras arturianas de nome similar às francesas.

Capítulo 5 - Mancha fosforecente num dos ombros exibido or Havelock o dinamarquês, provando ser da realeza. Artur criado incógnito por um vassalo de seu pai, Uter, arrancou da pedra a espada que ninguém mais conseguia, provando ser da realeza, ele possuía também outros atributos como o porte, a beleza, fisionomia nobre, sendo ele reconhecido por qualquer um. A concepção literária compara-se a imagem popular fornecida por tratados políticos e outras fontes, mas não dá grande ênfase ao espírito de justiça, um dos principais requisitos do governante. Artur aparece algumas vezes desempenhando a função judicial. Bravura cavalheiresca, prodigalidade. Observa-se o espírito feudal como na ação do rei que deveria distribuir dons e presentes aos seus homens, virtude antiga dos chefes das tribos germânicas dos séculos V e VI., do outro lado o monarca avaro que em vez de dar tomava os bens de seus homens.

Santo Graal, completude, vida eterna, felicidade, encontrá-lo é encontrar a si mesmo.

Intervenção divina - punição divina para o rei que esquece de suas virtudes, epidemias, fracasso nas guerras, discórdias internas. Quando isto acontece costumava aparecer alguém para aconselhar o rei como Merlim o fazia.

No Lancelot, Artur fracassa na guerra e é visitado por um sábio que lhe explica as derrotas, e Ter ignorado uma das regras de ouro da boa governanta, o socorro a um vassalo necessita do (o rei Ban pai de Lancelot, atacado por Claudas da Terra Deserta).

Funções: governante real, manter a paz e a justiça, proteger os fracos contra os poderosos e o reino contra os inimigos (tal a essência da promessa de Artur no juramento da coroação (Merlim)).

A Bravura Cavalheiresca - para proteger o povo, Artur, fora as lutas do início do reinado para a afirmação de seu poder e as do final, contra Lancelot, Roma e o sobrinho Mordret, nada mais fez, ele era o mais poderoso chefe da cristandade, foi solicitando pessoalmente a combater o gigante Frollo, um dos governantes da Gália Romana. Lancelot tentou afastar Artur oferecendo-se para lutar em seu lugar. Artur dirigia a corte, caçava e aguardava as batalhas que lhe batessem a porta. Não iam em qualquer uma pois ele era o rei e precisava se proteger e não deixar o reino só.

Historiador E. K. Peters, colocou Artur na galeria dos regentes inúteis, por inatividade, inércia, há uma indagação sobre isso. Tem-se dois fatores a própria essência da função real, e um costume original da cultura deles. Rei, intermediário entre as forças terrenas e sobrenaturais indispensável na sociedade. Reino, sem rei ou com ele, criança, as desordens na Grã Bretanha, subsequentes a morte de Uter Pendragon ai estavam para demonstrá-la. A sociedade gostava de ressaltar os modelos de cavaleiros nos reinos como Ricardo Coração de Leão, e Eduardo I da Inglaterra.

Cavaleiro - liberdade de ir e vir, ao sabor da aventura, preso ao mundo aventuroso. No século XI, entravam numa elite num grupo chamado ordem da cavalaria.

Cavalaria - origem militar e econômico, com o desenvolvimento do emprego do cavalo de guerra, época carolíngia séculos VIII e IX, o equipamento era caro, o cavalo, a armadura, escudo, lança e espada. E precisavam ainda de alimentação adequada e tempo para treinamento, isto servia somente para abonados. Após o primeiro período o grupo torna-se fechado e selecionado, a ordem da cavalaria, ingressa mediante um ritual. A igreja influenciou a ordem codificando-a e dando uma função perante a sociedade.

Lancelot - a sua educadora é a fada Niniane, que mostra e explica o sentido da instituição da cavalaria.

Padrão ético para cavaleiros - coragem, força, lealdade, piedade e justiça.

Autores medievais - não sabem ao certo mas inclinam-se para o lado do senso comum, onde qualquer um com bons atributos tornava-se um cavaleiro e de outro lado, a hereditariedade, filho de peixe peixinho é, ou eleição escolha natural.

Percival - cuja a mãe desiludida com a cavalaria, por Ter perdido o marido, criara o filho longe de tudo, principalmente das armas, mas na sua adolescência encontrou com cavaleiros de Artur, despertou a vocação e abandonou o lar para seguir seu destino.

Padrão moral - especialista nas armas, defensor dos fracos, viúvas, injustiçados e a Santa Igreja.

Simbologia e igreja - a simbologia do equipamento na parte nobre consiste de lança, escudos, cota de malhas, elmo e espada, é relacionada com a proteção a igreja.

O povo representado pelo cavalo pois deve suportar materialmente o cavaleiro para melhor lutar, já a igreja lhe dá o amparo espiritual.

Padrão ético - tipo atlético da época, bem de corpo, sarado, musculoso, belo, cabelos louros, encaracolados, valente e bravo.

Defeitos - deslealdade, felonia, covardia e traição.

Paz de Deus - proibia combates a certos perímetros.

Trégua de Deus - confinando-os combates a certos períodos do ano.

Código ético - indicado a circunstâncias e os indivíduos contra os quais poderiam ser empregadas as armas. Aos poucos a cavalaria foi sendo cristianizada com um cerimonial organizado em regras.

Cruzadas - a tarefa dos cavaleiros era combater infiéis, toma do primeiro ciclo da literatura francesa, canções de gesta.

São Bernardo de Claraval, século XII nas ordens militares, na terra Santa, a dos cavaleiros do Hospital de S. José de Jerusalém ou Hospitalárias e a dos cavaleiros do tempo, ou templários e etc.

Monge cavaleiro com ideal laico e religioso, retomado no ciclo Vulgata do Graal, o autor distingue dois tipos a cavalaria terrena e a cavalaria celestial com a influência da igreja. A terrena dos homens e a celestial dos anjos.

LEGENDÁRIO CÉLTICO. Folclore, Lendas e Tradições.

Fonte (s): Livro de Taliesin – Lendário poeta do século VI.

Maravilhas da Bretanha (De Mirabilibus Brittanniae) de Nennius, início do século IX.

Tradição local: a impressão das patas do cão de Arthur, cujo nome era Cabal, na maior pedra em um conjunto rochoso no Breconshire.

Túmulo do filho de Arthur, chamado Amr, nas nascentes do rio de mesmo nome, atual Rio Gamber no Herefordshire.

Aparecimento de estórias sobre Merlin em Gales no século IX.

Manuscritos do final do século XII em diante, como Livro Negro de Carmarthen (c. 1200) e o Livro Vermelho de Hergest (c. 1400).


Por: Prof. Vanessa.

Livro: História é Vida: As sociedades antes da Escrita, Antigas e Medievais.

 


O livro "História é Vida: As Sociedades Antes da Escrita, Antigas e Medievais", de Antônio Alfredo Mercadante, é uma obra didática que explora a trajetória das sociedades humanas desde os períodos pré-históricos até a Idade Média. Publicado originalmente pela editora Mercado Aberto em 1990, o volume busca contextualizar o desenvolvimento humano de forma integrada à vida cotidiana e à formação cultural.

Conteúdo e Estrutura

O livro é dividido em seções que abrangem marcos fundamentais da humanidade:

  • A Pré-História: Foca no homem antes da invenção da escrita, abordando o estilo de vida nômade, a caça, a coleta e a transição para a agricultura e o sedentarismo.
  • Antigo Oriente Médio e Extremo Oriente: Examina as primeiras grandes civilizações que surgiram em regiões como a Mesopotâmia e o Egito, destacando a organização social e o surgimento de códigos de escrita complexos.
  • Sociedades da Antiguidade e Idade Média: Discute a formação de estruturas políticas e sociais que moldaram a base do pensamento ocidental e oriental.

Estilo e Proposta Didática

A obra é frequentemente utilizada como material de apoio escolar, apresentando um texto acompanhado de ilustrações, desenhos e mapas em preto e branco para auxiliar na visualização histórica. A série "História é Vida" também possui volumes dedicados às sociedades modernas e contemporâneas, mantendo uma abordagem que valoriza a memória histórica como um processo vivo e contínuo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Livro: As Brumas de Avalon, 1 A Senhora da Magia.

Nesse vídeo vou falar sobre o Livro: As Brumas de Avalon 1 Senhora da Magia. Uma breve resenha ou ficha de leitura contada.

Acessa: https://youtu.be/PXpXntvP_34

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BIBLIOGRAFIA: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon: 1 A Senhora da Magia. São Paulo: Planeta, 1983. Muito obrigada e boas artes. Thank you, Gracias, 좋은 작품 감사합니다.

sábado, 9 de abril de 2022

Como era a vida das pessoas na Idade Mèdia.

BREVE E MUITO DIFÍCIL: COMO ERA A VIDA DAS PESSOAS NA IDADE MÉDIA

Nos tempos medievais era pouco comum que alguém chegasse aos 50 anos de idade
Por History Channel Brasil em 12 de Maio de 2022 às 21:22
Breve e muito difícil: como era a vida das pessoas na Idade Média-0 

Vira e mexe nos deparamos com posts nas redes sociais dizendo que na Idade Média as pessoas viviam melhor do que atualmente. Na verdade, não é bem assim. Homens e mulheres medievais precisavam trabalhar arduamente no campo para poder sobreviver e ainda por cima tinham uma baixa expectativa de vida.

Desgaste físico prematuro

Por uma série de fatores, as condições de vida medievais eram extremamente severas. Em seu livro “A vida cotidiana na Idade Média”, o historiador espanhol Rubén Andrés Martín, afirma que as pessoas comuns daquela época geralmente sofriam de um prematuro desgaste físico. Naquele tempo, era pouco comum que alguém chegasse aos 50 anos de idade.

Idade Média

Segundo Martín, entre os problemas mais frequentes dos cidadãos estavam os desgastes nos ossos, lesões mal curadas, desnutrição e raquitismo. A presença da fome, pestes e a exposição contínua a mudanças bruscas no clima eram as principais causas da baixa expectativa de vida, que era ainda pior entre as mulheres. Uma em cada 10 mulheres morria no parto (e entre 25 e 30% das crianças morriam ao nascer).

Mesmo a vida das pessoas ricas não era tão confortável. Em entrevista ao jornal La Nación, Martín disse que a qualidade de vida e alimentação de um nobre era pior do que a de alguém da classe média atual. Os ricos não contavam com comida variada, suas casas eram modestas e ele contavam com poucos objetos pessoais e peças de vestuário. "Uma pessoa de classe média hoje em dia tem um guarda-roupa melhor do que um rei da época", afirmou.

Quanto ao trabalho, a vida era regida pelo sol, de modo que se trabalhava mais no verão e menos no inverno. "Não havia sentido em ter pressa porque o mundo se movia de acordo com o ritmo de Deus, e isso significava que no verão havia muito trabalho, mas era uma época feliz, porque os frutos eram colhidos, o que significava renda em dinheiro", disse Martín. "No inverno os dias eram mais curtos e essas pessoas descansavam. Muitas vezes, nas representações do calendário, nos meses de inverno (os camponeses) não costumam aparecer trabalhando, aparecem sentados, comendo, tranquilos, não havia tanto volume de trabalho", completou.

Fontes
 
La Nación
Imagens
 
iStock
nossa fonte: history.uol.com.br

domingo, 27 de dezembro de 2020

Mapa com Impérios da Idade Média.


Mapa com Impérios da Idade Média.

Este mapa apresenta os 3 grandes impérios da Idade Média. 

A data mostra como era feita a divisão dos territórios em 800 d.C..

fonte: arquivo pessoal.

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Demônios e Gênios do Mundo Islâmico Medieval.

 

História Islâmica

Demônios e Gênios do Mundo Islâmico Medieval

Texto de: Adam Ali

Em todo o mundo medieval, havia uma forte crença em seres sobrenaturais. Se você vivesse no Oriente Médio, havia dois textos medievais importantes que você poderia consultar para aprender sobre criaturas como o Ghul ou o Rei da Quinta-feira. Muitos tinham estranhos poderes e formas de pesadelo e seriam chamados de gênios, demônios ou diabos.

Oprincipal guia para os seres sobrenaturais islâmicos chamava-se Ajaib al-Makhluqat wa Gharaib al-Mawjudat, ou Maravilhas das Coisas e Aspectos Milagrosos das Coisas Existentes. Seu autor foi Zakariyya al-Qazwini (1203-1283), e seu trabalho era muito popular no Oriente Médio medieval. Essa popularidade é atestada pelos muitos manuscritos desta obra de diferentes épocas que sobreviveram tanto no árabe original quanto nas traduções persa e turca. O livro está dividido em duas partes principais: tratando do celeste / supra-terrestre e do terrestre. Na primeira parte, o autor discute fenômenos celestiais, como o sol, a lua, os planetas, as estrelas e os habitantes do céu (ou seja, os anjos).

Na segunda parte, al-Qazwini fala sobre os quatro elementos, a Terra e sua divisão em sete climas, e descreve os mares, rios e montanhas. Ele então discute os três reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. Em sua descrição do reino animal, o autor delineia o caráter e a anatomia do homem e no final desta seção há um capítulo sobre monstros, demônios, gênios [também conhecidos por jinns ou djinns] e diabos.

Muitos dos manuscritos sobreviventes também são amplamente ilustrados com tabelas geométricas e miniaturas que representam plantas, animais e vários monstros. A maior parte desta coluna será baseada nas informações apresentadas por al-Qazwini em seu capítulo sobre Gênios e monstros. Vou discutir o que são gênios, apresentar algumas anedotas do capítulo sobre gênio e o diabo e, finalmente, descrever certos tipos de gênios, demônios e monstros.

Na última parte deste artigo, também incluirei alguns demônios, monstros e gênios mencionados no Kitab al-Bulhan (Livro das Maravilhas ou Livro das Surpresas); um manuscrito do final do século XIV transcrito e compilado (e possivelmente ilustrado) por Abd al-Hasan al-Isfahani. O livro provavelmente foi compilado em Bagdá durante o reinado do sultão Ahmad Jalayirid (1382-1410). No entanto, a maior parte de seu conteúdo foi escrito durante o século VIII por Abu Maʿshar al-Balkhi (787-886 CE).

O códice original do Kitab al-Bulhan se desfez e algumas de suas páginas foram perdidas, e as outras se misturaram e foram encadernadas em uma ordem aleatória e incoerente. O manuscrito é composto de textos que tratam de tópicos de astrologia, astronomia e geomancia. “A seção mais interessante…” do Kitab al-Bulhan, de acordo com Stefano Carboni, é “…uma série de ilustrações extraordinárias em páginas inteiras que requerem interpretação porque a única maneira de entender o assunto – além, é claro, de ter familiaridade suficiente com sua iconografia para decifrar corretamente a cena representada na pintura – é lendo seu título colocado em letras grandes no alto da página. Não há texto (e nunca houve) associado a essas obras, o que torna esta seção intrigante, fascinante e única neste período de desenvolvimento da ilustração islâmica em livros”. A parte do livro que Carboni está descrevendo contém uma série de ilustrações retratando demônios e gênios. Além do título, não há texto e, como afirma Carboni, resta interpretar essas imagens.

Quem são os Gênios?

Temos alguma familiaridade com os djinn, que são chamados de gênios na cultura ocidental, por meio de histórias folclóricas das Mil e uma Noites, como Aladdin. No entanto, a ideia de gênio e a crença neles nas sociedades islâmicas têm raízes muito mais profundas que antecedem o Islã. Os árabes pré-islâmicos acreditavam em gênios muito antes da chegada do Islã. Os gênios eram as “ninfas e sátiros” do deserto. Eles representavam a natureza e o selvagem, os domínios ainda não dominados pela humanidade e hostis aos humanos.

De acordo com a antiga crença árabe, os espíritos assombravam locais escuros e desolados no deserto e aguardavam o viajante desavisado. As pessoas precisavam se proteger desses seres. Pouco antes da chegada do Islã, alguns dos gênios se receberam status mais elevados, tornando-se vagos deuses impessoais que estavam relacionados à divindade suprema. Os habitantes de Meca do início do século VII ofereciam sacrifícios a eles e buscavam sua orientação e ajuda. Alguns estudiosos acreditam que os gênios foram inicialmente conceituados como demônios malévolos, enquanto outros argumentaram que eles foram os primeiros deuses e deusas (frequentemente associados à natureza) de povos como os sumérios e acadianos que foram suplantados por novas divindades e sistemas de crenças mais sofisticados, mas eles não foram totalmente descartados e continuaram a ocupar uma posição como seres sobrenaturais menores.

Gênios antigos

Embora as origens dos gênios pareçam estar nos desertos da Arábia, a crença neles realmente tomou forma nas aldeias e cidades do Oriente Médio. Na verdade, os nômades que percorriam os desertos temiam os gênios muito menos do que os povos sedentários das planícies e desertos remotos, que representavam o desconhecido e o perigo para eles. Por exemplo, Pazuzu era um gênio primordial, um demônio do vento que os habitantes das cidades sumérias temiam há 6.000 anos. O vento era frequentemente associado aos gênios e os povos antigos do Oriente Médio acreditavam que essas criaturas viajavam nele. De acordo com a mitologia assíria e babilônica, Pazuzu era filho de Hanpa, que era o senhor de todos os demônios, talvez um “antigo Satã”. Alguns estudiosos afirmam que Pazuzu, associado ao vento frio do nordeste, foi uma das forças elementais mais malévolas do mundo antigo. Ele limpou os desertos e carregou doenças e trouxe desolação e fome em seu rastro. Pazuzu, como os posteriores gênios do período muçulmano, foi descrito como um híbrido de humano e animal. Ele tinha cabeça de leão ou cachorro, chifres, barba, asas de pássaro, cauda de escorpião e um pênis ereto, às vezes em forma de serpente.

Estatueta antiga do demônio Pazuzu no Louvre – foto por PHGCOM / Wikimedia Commons

Outros gênios/demônios antigos incluíam Rabisu e Labaratu. O primeiro se escondeu em lugares remotos e emboscou viajantes desavisados ​​(como veremos, é assim que um dos djinns do Oriente Médio islâmico, o ghul, operava) e o último, a filha do deus do céu Anu, vivia em pântanos ou montanhas e matava crianças. Outros antigos demônios da Mesopotâmia mantinham relações sexuais com humanos. Todos esses seres antigos serviram como protótipos do djinn da Arábia e, mais tarde, do mundo muçulmano. No Hijaz, a região da Arábia Ocidental onde o Islã nasceu, uma função dos gênios era inspirar poetas e adivinhos a produzirem belos versos poéticos e potentes e também prever o futuro. Tanto poetas quanto adivinhos detinham um status especial na Arábia pré-islâmica e exerciam uma influência significativa em suas sociedades. Aqueles que eram “loucos” receberam um status de proteção especial, pois se pensava que eram majnun, que significa “possuídos por um gênio”.

De acordo com a tradição muçulmana, o gênio é um dos três seres inteligentes criados por Deus, os outros dois sendo anjos e humanos. Eles são mencionados no Alcorão e nas tradições proféticas. Al-Qazwini coloca o gênio na cosmologia muçulmana no início do processo de criação e diz que Deus criou os anjos da luz, os humanos do barro e o gênio das chamas do fogo. Ele também criou shayatin (v. Shaytan – significando diabos/demônios) a partir da fumaça do fogo. Existem várias categorias de gênios, incluindo ifritShaitanmarid e djinn; esses termos geralmente se sobrepõem e as categorias não são bem definidas. Como humanos, eles têm livre arbítrio e podem ser bons ou maus, porém os shayatin estão sempre associados a Iblis, o próprio Satanás.

Há uma antiga mesquita em Meca chamada Masjid al-djinn ou Mesquita do Gênio e, de acordo com a tradição islâmica, é dedicada aos gênios que aceitaram a mensagem do profeta Muhammad quando ele pregou para eles. Deus é frequentemente referido no Alcorão como Rab al-Alamin, que significa o Senhor dos Mundos, abrangendo todos os mundos e universos possíveis que poderiam existir, incluindo o dos humanos e o dos gênios. O Alcorão também menciona frequentemente os humanos e os gênios juntos como os dois tipos de criação que poderiam receber revelações divinas e aceitá-las ou rejeitá-las.

Al-Qazwini afirma que os gênios são imperceptíveis aos sentidos humanos. No entanto, eles podem “engrossar” suas constituições e assumir formas corporais, tendo a capacidade de mudar de forma. Ele também menciona que os gênios foram criados muito antes de Adão e os humanos e que eles habitavam a Terra antes da queda de Adão. Eles tinham reis, profetas, religiões e leis, muito parecidos com os humanos. No entanto, muitos deles se perderam e encheram a terra de corrupção.

Em resposta a essas transgressões, al-Qazwini diz que Deus enviou seus exércitos celestiais de anjos para puni-los. Depois de ferozes batalhas entre os anjos e os gênios, os últimos foram expulsos de suas casas para os cantos mais distantes do mundo, enquanto muitos outros foram feitos prisioneiros. Entre esses prisioneiros estava um jovem gênio chamado Azazel (um claro paralelo aqui com um dos líderes dos anjos caídos no livro apócrifo de Enoque). Azazel foi criado entre os anjos e alcançou seu conhecimento, aconselhou-os e viveu entre eles por um longo tempo até se tornar um de seus chefes.

Esta situação continuou até a criação de Adão. Quando Deus ordenou a todos os anjos que se prostrassem diante de sua nova criação, Azazel recusou-se por arrogância e foi após este ponto que seu nome mudou para Iblis (um dos nomes que designam Satanás na tradição islâmica) e ele se tornou o inimigo do homem e amaldiçoado por Deus. A implicação no texto é que ele também se tornou o líder de todos os demônios e gênios renegados, tornando-se a personificação do mal, da contenda e desobediência. Al-Qazwini menciona que Iblis teve cinco filhos: Birah, o senhor das catástrofes; al-A’war, o senhor do adultério, da luxúria e da sedução; Masut, o senhor das mentiras; Dasem, o senhor da contenda (especialmente entre casais); e Zalnabur, o senhor dos mercados e trapaãs no comércio.

Tipos de Gênios

Tanto al-Qazwini quanto al-Isfahani têm seções em suas obras nas quais listam vários tipos de gênios, demônios e monstros. Em uma seção de seu capítulo sobre os gênios, Al-Qazwini fornece descrições de algumas dessas criaturas. Por outro lado, o Kitab al-Bulhan tem apenas uma série de ilustrações de gênios acompanhadas de títulos. Stefano Carboni fornece algumas boas interpretações dessas imagens em seu artigo, “O ‘Livro das Surpresas’ (Kitab al-bulhan) da Biblioteca Bodleian”. Usarei o artigo de Carboni para completar as descrições e características de alguns dos demônios apresentados pelo Kitab al-Bulhan.

ghul

Al-Qazwini afirma que al-ghul (o ghoul) é um dos mais famosos e comuns entre os gênios. O ghul foi descrito de várias maneiras. Al-Qazwini o descreve como tendo uma aparência não natural e aterrorizante. Ele diz que tem uma forma humanoide fundida com a de uma besta e o descreve como uma criatura vil com deformidades e aparência não natural. O Léxico Árabe-Inglês de E.W. Lane (essencialmente uma compilação baseada em dicionários árabes medievais) afirma que o ghul “é uma “espécie de goblin, demônio, diabo” e que é “terrível na aparência, tendo presas ou algo semelhante”. Outros relatos da Península Arábica descrevem o ghul como uma combinação de homem, pássaro e camelo. De acordo com essa descrição, ele tem uma cabeça humana com um olho de Ciclope no meio. Em vez de boca, tem bico; seu corpo é de camelo ou avestruz com asas de galinha e tem garras de avestruz ou cascos de mula em vez de pés. O ghul também é um metamorfo e pode assumir a forma de homens, gatos, cavalos, jumentos, camelos, touros, corujas e de um cão multicolorido (uma de suas formas mais frequentemente mencionadas).

Amine Descoberta com o Ghoul, da história de Sidi Nouman, das Mil e Uma Noites

ghul é descrito como um devorador de homens e habita os desertos e terras devastadas e aparece para viajantes solitários que passam por essas áreas remotas, especialmente nas horas entre o crepúsculo e o amanhecer. Ele fica em uma emboscada, esperando o viajante desavisado entre as rochas, penhascos e cavernas e se lança sobre ele, arrasta-o para seu covil e o devora. Ele também pode assumir uma aparência semelhante a um humano, a fim de acalmar suas vítimas com uma falsa sensação de segurança para atraí-las para longe de seu caminho e para sua armadilha. Diz-se também que ghulas femininas às vezes atraem viajantes, seduzem-nos e se prostituem com eles.

Em relação à sua origem, al-Qazwini afirma que eles eram gênios que costumavam bisbilhotar ouvindo o que se passava no céu (de acordo com a tradição islâmica, esse conhecimento roubado do céu foi a inspiração que os adivinhos receberam desses demônios quando procuraram ver o futuro) e quando o fizeram, foram atingidos por meteoritos ou estrelas cadentes e queimaram e foram horrivelmente desfigurados e despencaram para a Terra para se tornarem ghuls.

Robert Lebling menciona em seu livro, Legends of the Fire Spirits, que apesar de sua propensão para o mal e para comer carne humana e carniça e sua natureza maligna, o ghul pode ser benevolente com os humanos. Nos contos e lendas, se o herói consegue se esgueirar por trás da ghula (ghul feminino) e sugar seu seio pendular, muitas vezes jogado sobre ela enquanto ela trabalhava em seu moinho manual, ele se torna seu “filho do peito” e ela se torna sua protetora, mesmo de outros ghuls. Existem fortes paralelos com as tradições pré-islâmicas e islâmicas de “relações de leite”, ou seja, dois bebês não aparentados se tornando irmãos se amamentarem da mesma mãe. Um herói inteligente também pode contar com a ajuda de um ghoul. De acordo com Lebling, essas criaturas respondem à cortesia e “em troca de um pouco de cuidado ou de um pedaço de goma de aroeira, muitas vezes estão prontas para carregar o herói para onde ele quiser”.

A Si’lah

si’lah é uma variante do ghul. Este gênio é frequentemente referido no feminino. Ela reside em selvas e matagais e prepara uma emboscada para suas vítimas. Ela é descrita como um gênio malvado e sádico que tortura sua presa, brinca com ela e a faz dançar antes de consumi-la.

si’luwa é uma variante do s’ilah do Iraque. Ela é um demônio da água ou espírito da água que habita os rios, córregos e canais da Mesopotâmia. Ela tem a forma de uma mulher e é coberta por cabelos longos, tem seios pendentes que vão até os joelhos e, em alguns relatos, é descrita como tendo uma cauda de peixe em vez de pernas. Ela prepara armadilhas e caça humanos para comer e também busca amantes humanos. As crenças locais afirmam que a si’luwa é o produto da mistura de humanos com demônios do rio.

Al-Qazwini menciona que o lobo caça a si’lah à noite. Quando uma si’lah é capturada por um lobo, ela grita enquanto o lobo a dilacera e implora para ser salva, oferecendo mil dinares a seu salvador. O autor afirma que as pessoas ignoram esses apelos porque sabem que é a si’lah. Na verdade, Lebling afirma que os lobos são os únicos animais que os gênios temem. Ele diz que os gênios não podem escapar dos lobos afundando no chão, o que permite que os lobos os ataquem com seus dentes e garras. Isso parece sugerir que, de acordo com algumas lendas, o lobo tem algum tipo de efeito neutralizante em alguns dos poderes dos gênios. Lebling explica que essa aversão aos lobos é uma das razões pelas quais os gênios nunca assumem a forma de lobo quando mudam de forma. É por esta razão que os dentes do lobo e outras partes do corpo foram (e às vezes ainda são) usados ​​como talismãs protetores em partes do mundo muçulmano, como o Iraque.

Vários gênios retratados em Ajaib al-Makhluqat wa Gharaib al-Mawjudat

O Ghaddar

Al-Qazwini menciona este gênio brevemente e afirma que seu tipo habita o Iêmen e as regiões costeiras do Egito. Ele atrai suas vítimas para si e então as ataca. O resultado dessa agressão pode ser leve ou grave. Lebling afirma que este demônio tortura suas vítimas violentamente ou apenas as aterroriza. Al-Qazwini é mais explícito, ele diz que este gênio fica satisfeito aterrorizando sua vítima até um estado de choque. Um resultado mais extremo de um encontro com o ghaddar, de acordo com al-Qazwini, é que esse monstro agride sexualmente suas vítimas e que raramente há qualquer esperança para sobreviventes de tal ataque porque o ghaddar tem um falo como um chifre de touro que pode matar um humano. Este gênio deve ter uma aparência aterrorizante, infelizmente al-Qazwini não descreve nenhuma de suas características físicas além de seu falo.

Delhab / Delhan

O autor de ‘Ajaib al-Makhluqat afirma que este gênio vive nas ilhas dos mares. Tem a forma de um homem montado em um avestruz. Devora a carne dos náufragos e marinheiros que o mar lança nas margens das ilhas que habita. Al-Qazwini menciona um relato em que o Delhab atacou um navio. Os marinheiros tentaram lutar contra ele. No entanto, o demônio soltou um grito que os fez largar as armas e caírem de cara no chão encolhendo-se, levando todos eles.

O Shiqq

Este demônio assume a forma metade humana (podemos presumir que a outra metade é bestial ou monstruosa). Lebling diz que esta criatura tem uma forma de “meio ser humano (como um homem dividido longitudinalmente)”. O shiqq também atrapalha os viajantes. Existe uma lenda famosa que conta a história de um encontro entre um shiqq e Alqamah ibn Safwan ibn Umayyah (do clã Omíada da tribo Coraixita). Alqamah lutou quando o demônio o atacou, e a disputa entre os dois terminou quando ambos se acertaram com golpes fatais.

Gênio Shiqq

Os Gênios em Kitab al-Bulhan

Kitab al-Bulhan contém uma série de ilustrações de páginas inteiras retratando vários demônios e gênios. Essas ilustrações representam Iblis (Satanás), os sete reis gênios / demônios (cada um associado a um dia da semana) e, finalmente, há representações de alguns gênios associados a doenças e outras forças de ruptura na vida de alguém. Além de ser associado a um dia da semana, Carboni afirma que cada ilustração dos sete reis gênios também está conectada a um anjo, um planeta e um metal. Ele afirma que os reis são mostrados com seus apoiadores ou coortes e os símbolos talismânicos necessários para exorcizá-los estão contidos no quadro da ilustração.

Iblis

A ilustração do diabo é a primeira desta série. Seu nome, Iblis al-la’in (Iblis, o amaldiçoado), não deixa dúvidas a quem esta imagem retrata. Iblis é mostrado entronizado no centro da página, sentado de frente e de maneira majestosa. Ele é coroado com grandes chifres de carneiro e seus olhos brilham com fogo. Ele é muito maior do que os outros gênios, seus súditos, e parece mais próximo do observador do que eles.

Iblis retratado no Kitab al-Bulhan

Os Reis-Gênios da Segunda e do Domingo

Carboni afirma que os fólios contendo as ilustrações do “Rei do Ouro” do domingo e do “Rei Branco” da segunda-feira estão faltando no Kitab al-Bulhan. No entanto, eles aparecem em cópias otomanas, que dão uma indicação de seu nome e aparência.

Al-Mudhahhab (o dourado) é o rei-gênio do domingo. Ele está associado ao sol. De acordo com a tradição, este rei-gênio possui segredos do ocultismo e conhecimento da transmutação do ouro e também está associado ao brocado de seda. Ele é retratado com um halo dourado flamejante ao redor de sua cabeça e o que parece ser uma nuvem dourada ou lã ao redor de seu pescoço e ombros e está ricamente vestido com o que parece uma camisa de seda e calças de seda.

Al-Malik al-Abyad, ou o rei branco da segunda-feira (às vezes referido como o branco, pai da luz). Ele está associado à lua. O rei branco é um dos cortesãos mais próximos de Iblis. Ele é descrito como um demônio branco com chifres e olhos dourados. Sua cabeça é parcialmente a de um humano, mas mais como uma besta, com presas, orelhas caídas e camadas enrugadas de carne em suas bochechas.

O rei da terça

Al-Malik al-Ahmar, ou o rei vermelho, é o rei-gênio da segunda-feira. Ele está associado ao planeta Marte, o planeta da guerra. Como o antigo deus da guerra do Panteão Romano-Grego, Ares / Marte, este gênio é associado à guerra e descrito como um ser monstruoso cavalgando um leão, armado com uma espada e segurando uma cabeça decepada.

Rei da terça-feira

O rei da quarta-feira

Al-Malik al-Aswad, ou o rei negro, é o rei da quarta-feira. Ele é um poderoso rei-gênio que governa uma multidão de outros djinns. Ele está associado ao planeta Mercúrio. Carboni descreve seus ajudantes como “extraordinários e silenciosos”. Ele é negro e tem chifres, com chamas saindo de sua boca e olhos. Um poderoso feiticeiro, ele também é responsável por ensinar magia a seus seguidores.

O rei da quinta

O rei-gênio da quinta-feira é chamado de Shamhurash. Algumas fontes referem-se a ele como Abu al-Walad, que significa “o pai da criança”. Ele é, portanto, representado segurando uma criança nua. Carboni diz que não está claro se a influência deste gênio na criança é positiva ou negativa. Ele está associado a Júpiter.

O rei da sexta-feira

O gênio rei da sexta-feira é Zawba’a, o demônio de quatro cabeças. Ele é retratado sentado em uma maneira real. Duas das cabeças estão de perfil e duas voltadas para a frente. Todas elas representam algum tipo de animal, ou uma transformação de animais. Este rei-gênio, como os espíritos e demônios da antiga Mesopotâmia, está associado ao vento. O nome Zawba’a significa redemoinho. Ele está associado ao planeta Vênus.

Rei da sexta-feira

O rei do sábado

O último dos sete reis é Maymun, que significa “macaco” em árabe e persa. Ele às vezes é referido como Maymun al-Shahabi (Maymun das nuvens), tornando-o outro demônio associado ao vento e às nuvens, porque ele as usa para voar. Ele está associado a Saturno. Este demônio também é retratado carregando uma criança ou um homem que parece estar dormindo. Isso pode significar que ele é um sequestrador de humanos adormecidos ou incautos. Ele é alado, coberto de pelos e tem o rosto de um macaco com chifres na cabeça. Ele é retratado como descendente das nuvens e seus seguidores também parecem estar habitando as nuvens, tornando-o talvez um líder entre os demônios do vento.

Outros Gênios no Kitab al-Bulhan

Além de Iblis e os sete reis demônios da semana em Kitab al-Bulhan, há também algumas páginas com ilustrações de mais gênios. Esses demônios podem estar relacionados a forças perturbadoras na vida diária, como doenças

Kabus

Um desses gênios perturbadores é Kabus, ou “o pesadelo”. Kabus pode atrapalhar a vida noturna de sua vítima, causando pesadelos e sono agitado. Essa interrupção do sono pode se traduzir em uma vida diária, que é afetada pela fadiga de um sono agitado e sem poder descansar. Na ilustração, Kabus visita sua vítima indefesa enquanto ela está dormindo em seu quarto. Ele desce sobre ela do alto como uma figura escura e ameaçadora pronta para envolvê-lo totalmente, com pouca esperança de escapar de sua influência.

Tabi’a

A gênio fêmea, Tabi’a, é retratada segurando uma criança. Carboni afirma que a presença deste gênio é interessante porque suas origens remetem à Cabala. Ela representa a deusa demoníaca Lilith, que busca controlar e enfraquecer os bebês. Ele também argumenta que ela pode ser ligada à demonologia cristã como o personagem da rainha das bruxas. Carboni diz que “esta imagem adquire um significado extraordinário ligando as tradições hebraica, cristã e islâmica”.

Gênio Tabi’a

Humma

Humma é o último dos gênios ilustrados no Kitab al-Bulhan. Humma é “a febre” e, portanto, um portador e propagador de doenças. Na imagem, ele tem três cabeças e está sentado frontalmente com os braços abertos, como se fosse abraçar sua próxima vítima e fazê-la adoecer.

Isso conclui a visão geral dos gênios em Ajaib al-Makhluqat wa Gharaib al-Mawjudat e Kitab al-Bulhan. Estes livros fornecem uma visão geral de alguns dos gênios, mas há um grande número deles não discutidos ou descritos em detalhes nestes textos. Há uma pequena anedota em Ajaib al-Makhluqat que ilustra esse ponto. Nesta história, o profeta e rei Suleiman (Rei Salomão), recebeu domínio sobre o gênio e o shayatin. Eles foram comandados por Gabriel para aparecer diante de Salomão e eles vieram em hordas das cavernas, montanhas, pântanos, desertos, planícies, vales, florestas, ilhas, rios e mares para servir seu novo mestre. Al-Qazwini afirma que eles foram conduzidos a ele, quase como gado pelos anjos e reunidos diante dele. Ele diz que 420 grupos de gênios foram reunidos sob seu domínio. Não está claro se esses grupos foram posteriormente subdivididos em clãs e tribos menores.

A fonte então diz que Salomão olhou para eles e viu que havia multidões dessas criaturas com formas estranhas e assustadoras e também vinham em várias cores, incluindo preto, branco, amarelo, vermelho, azul, e algumas eram multicoloridas e malhadas. Eles assumiram formas humanoides e animais e às vezes transformavam-se nos dois. Eles tinham garras, cascos, chifres, asas, caudas, focinhos, bicos, troncos, presas, penas e peles peludas e se assemelhavam a rebanhos, aves de rapina e animais selvagens tanto predadores quanto herbívoros. Alguns deles caminhavam sobre duas pernas, outros sobre quatro. Tão aterrorizante era a visão que Salomão se prostrou a Deus e pediu-lhe força e poder para contemplar e comandar essas criaturas.

O relato continua e afirma que uma vez que sua oração foi respondida, Salomão começou a questionar os gênios sobre suas origens, pátrias, religiões e atos. Ajaib al-Makhluqat apresenta alguns exemplos dos diálogos que Salomão teve com seus servos djinn. Um deles, um certo Mihr ibn Hafan, era metade cachorro e metade gato com uma tromba. Quando questionado sobre o que ele fazia, Mihr afirmou que ele produzia intoxicantes e tentou os filhos de Adão para o seu consumo. Outro gênio, al-Hilhal ibn Mahlul, era um monstro tenebroso com aparência semelhante à de um cachorro. Ele estava coberto de pele preta e sangue escorria de todos os pelos de seu corpo. Ele foi um causador de derramamento de sangue entre os homens.

Salomão então definiu todos os gênios para várias tarefas. Por exemplo, um grupo, o marada (plural de maarid), foi colocado para trabalhar como ferreiro, pedreiro e carpinteiro e receberam a ordem de construir fortificações. As mulheres também foram colocadas para trabalhar como tecelãs de seda e algodão e encarregadas de produzir tapetes e almofadas. Outros gênios receberam ordens para construir potes, caldeirões, jarros e vasos. Outros grupos e tribos foram postos para trabalhar como açougueiros, cavadores de poços, mergulhadores de águas profundas (para extrair pérolas e tesouros afundados), cavadores de canais, mineiros e domadores de cavalos. Al-Qazwini afirma que o Rei Slomão comandou os vários grupos e espécies de gênios para realizar todas as tarefas mais difíceis, a fim de mantê-los ocupados e impedi-los de espalhar seu mal e corrupção na Terra. Esta anedota exemplifica o quão variados os tipos de gênios são na tradição e folclore islâmicos.

Não diferentemente das bruxas, trolls, goblins e fadas da Europa, essas criaturas fazem aparições no folclore, histórias, lendas e tradições do mundo muçulmano. Em algumas partes, as pessoas ainda atribuem ocorrências diárias à sua influência, intromissão ou assombração. Um dos mais famosos conjuntos de histórias em que os gênios desempenham um grande papel são os contos familiares das Mil e uma Noites, onde eles fazem várias aparições tanto como ajudantes benevolentes quanto como antagonistas do mal aos humanos com quem interagem. A história de Aladim e a Lâmpada Mágica é provavelmente um dos contos mais conhecidos (graças à sua recontagem na forma de um filme) com um djinn (ou um gênio) figurando com destaque como um distribuidor de desejos para seu mestre.

Para ampliar:

Carboni, Stefano, “The ‘Book of Surprises’ (Kitab al-bulhan) of the Bodleian Library,” La Trobe Journal, 91 (2013), 22-34.

Lebling, Robert. Legends of the Fire Spirits: Jinn and Genies from Arabia to Zanzibar. London: I.B. Taurus, 2010.

Fonte: Medievalists.net


nossa fonte: https://historiaislamica.com.br/demonios-e-genios-do-mundo-islamico-medieval