Mostrando postagens com marcador Prostituição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Prostituição. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de abril de 2020

As 10 maiores assassinas da história.

DE ELIZABETH BÁTHORY A AMELIA DYER: AS 10 MAIORES ASSASSINAS DA HISTÓRIA

Ciúme, dinheiro, poder e até bruxaria fizeram estas mulheres deixarem um rastro de sangue
SIMONE BITAR PUBLICADO EM 10/04/2020
Pintura de Caravaggio: Judite e Holofernes, de 1599
Pintura de Caravaggio: Judite e Holofernes, de 1599 - Wikimedia Commons
Catherine Monvoisin, também conhecida como La Voisin, é considerada a maior serial killer da história: matou entre mil a 2,5 mil pessoas na França no século 17. Já a Condessa Sangrenta fez 650 vítimas — a maioria servos que trabalhavam em seu castelo na Hungria. E a italiana Giulia Tofana envenenava suas vítimas (cerca de 600 homens), que morriam de forma lenta. 
Conheça as histórias das maiores assassinas que o mundo já conheceu:
1. Anna Månsdotter (1841-1889, Suécia).
Crédito: Wikimedia Commons

Condenada, com o filho Per, pelo assassinato de sua nora, Hanna Johansdotter, em 1889. Per pegou prisão perpétua, mas foi solto em 1913, depois de 23 anos atrás das grades. O caso nunca foi totalmente esclarecido. Depois do falecimento do marido, Anna ficou morando com Per. Seus outros dois filhos não chegaram à idade adulta. Havia boatos de que mãe e filho tinham um caso amoroso. Anna molestava o filho desde pequeno. Livre da figura do marido e sob o julgamento da vizinhança, que falava em incesto, arranjou que Per se casasse com Hanna - que escrevia à família reclamando da sogra.

2. Catherine Monvoisin (1640-1680, França).
Crédito: Wikimedia Commons

Catherine, também conhecida como La Voisin, foi queimada na Praça Grève, em Paris em 1680, acusada de tentar envenenar o rei. Conhecida por praticar quiromancia, fazer abortos e vender fórmulas medicinais, inclusive de venenos poderosos, tinha uma extensa rede de clientes - entre os quais a Madame de Montespan, amante do rei da França, que depois de ser trocada por outra começou a planejar o regicídio. Suspeita-se que matou entre mil e 2,5 mil pessoas — mesmo com o número mais modesto, é a maior serial killer da história humana.

3. Elizabeth Báthory (1560-1614, Hungria).
Crédito: Wikimedia Commons

A Condessa Sangrenta é uma das maiores serial killers de todos os tempos. Ao ser presa, a polícia encontrou com ela uma agenda com o nome das vítimas. Eram 650. Foi condenada pelo assassinato de 80 jovens, a maioria servos que trabalhavam em seu castelo. Há relatos de que tinha uma jaula construída para seções de tortura.
Bissexual e epilética, teve ataques de fúria na infância. Sabia falar latim, húngaro e alemão — e chamava atenção pela beleza física. Casou-se aos 15 anos, com o conde Ferenc Nasdady, oficial do Exército famoso pela crueldade contra inimigos.

4. Darya Nikolayevna Saltykova (1730-1801, Rússia).
Crédito: Wikimedia Commons

Matou pelo menos 139 pessoas, incluindo crianças de 10 a 12 anos. As maiores vítimas foram os servos, principalmente mulheres mais jovens que ela. Torturou grávidas e crianças. Quebrava os ossos ou jogava as vítimas sem roupa na neve. Os assassinatos se davam por motivos torpes. Em 1762, dois camponeses que viviam na propriedade de Saltykova fugiram e conseguiram uma petição para apresentar à czarina Catharina II, que resolveu investigar a nobre. Em 22 de outubro de 1768, foi condenada e enforcada na Praça Vermelha, em Moscou.

5. Bárbara dos Prazeres (1770-1830, Portugal).
Crédito: Wikimedia Commons

Acusada de sequestrar e matar crianças, nunca foi pega. Casada, a portuguesa chegou ao Rio de Janeiro aos 18 anos, mas logo se apaixonou por outro homem. Para viver a paixão, matou o marido. Depois se livrou do amante, ao descobrir uma traição, e virou prostituta.
Fazia ponto no Arco do Telles, embaixo da imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, daí o apelido. Pegou sífilis e tomava remédios indicados por curandeiros. Só que as receitas precisavam de sangue. Começou matando animais e depois crianças. Ficava de tocaia na roda dos enjeitados, na Santa Casa de Misericórdia.

6. Giulia Tofana (1635-1659, Itália).
Crédito: Wikimedia Commons

Era hábil com venenos. Inventou um dos mais famosos da Renascença, o Acqua Toffana, mistura de arsênico, chumbo e uma planta chamada beladona. Pequenas doses diárias eram capazes de matar a vítima de forma discreta e lenta, num período de dois anos.
Giulia teria aprendido o ofício com a mãe, e fez disso um negócio. Vendia o veneno a mulheres decididas a colocar fim em casamentos infelizes. Descoberta, confessou ser responsável pela morte de mais de 600 homens. Foi condenada e executada junto com a filha Girolama Sperla, parceira nas atividades, e mais três auxiliares.

7. Amelia Dyer (1837-1896, Inglaterra).
Crédito: Wikimedia Commons

Um termo tétrico da era vitoriana: baby farming (algo como plantação de bebês). Era um golpe no qual mães solteiras, desesperadas pelo estigma atribuído na época, pagavam para uma família adotá-los ou encaminhá-los para a adoção.
O pagamento, obviamente, não dava para cobrir as despesas de uma vida inteira. Amelia então cortava custos. Matando crianças que estavam sob sua responsabilidade por mais de 20 anos, deixava que morressem por desnutrição ou maus-tratos. Terminou enforcada em 1896 numa prisão de Londres, enquanto cumpria pena por um único crime. Acredita-se que 400 crianças morreram por suas mãos (ou ausência delas).

8. Catalina de Los Ríos y Lisperguer (1604-1665, Chile).
Crédito: Wikimedia Commons
Aos 18 anos, matou o pai colocando veneno na comida, feita por ela. A tia desconfiou e denunciou o crime, mas o caso foi abafado. Catalina foi julgada em 1660, e condenada por 14 assassinatos de negros e índios que trabalhavam em suas terras. Pelos negros pagou o dobro do que pelos índios.
A chilena conhecida como La Quintrala, por causa dos cabelos vermelhos, ficou sob a tutela da avó, que logo lhe arrumou um noivo. Catalina não gostou, e fez com que um escravo o matasse. O crime foi descoberto, e o escravo, morto por isso. Ela pagou apenas uma multa.

9. Marie Madeleine Marguerite d'Aubray (1630-1676, França).
Crédito: Wikimedia Commons

Uma das primeiras assassinas por envenenamento em série. Matou o pai, o irmão e as duas irmãs. Depois acabou com a vida do marido, da filha dele e de outros familiares. Marie começou a pesquisar sobre venenos logo que se casou.
Testava suas descobertas em inválidos internados em hospitais e muitas vezes nos empregados da sua casa. Quando os crimes levantaram suspeitas da polícia, ela fugiu para a Inglaterra e depois para os Países Baixos. Por fim se refugiou num convento em Liège, na Bélgica. Foi presa em 1676, torturada e condenada à morte.

10. Anna Margaretha Zwanziger (1760-1811, Bavária).
Crédito: Wikimedia Commons

Ré confessa da morte de quatro pessoas. Órfã, foi adotada aos 10 anos e teve boa educação. Cinco anos depois, casou com um advogado bêbado e virou prostituta para sustentar os filhos. Depois da morte do marido, empregou-se como doméstica na casa de juízes.
Um deles, separado, precisava de uma governanta. Mas o casal se reconciliou. A mulher morreu quatro meses depois, envenenada por Anna. Três anos depois, quando já havia matado a mulher de outro juiz, que acabara de dar à luz, e envenenado mais dois hóspedes, acabou presa e condenada à morte.

"Impuras": a prostituição na Idade Média.

"IMPURAS": A PROSTITUIÇÃO NA IDADE MÉDIA

Profissionais do sexo viviam a margem da sociedade e eram obrigadas a doar uma parte de seus lucros ao clero
VICTÓRIA GEARINI PUBLICADO EM 10/04/2020
Obra representando a prostituição em uma cidade medieval
Obra representando a prostituição em uma cidade medieval - Wikimedia Commons
Durante a Idade Média (entre 476 d.C  a 1453) as prostitutas foram duramente criticadas pela sociedade e passaram a ser consideradas impuras. Atualmente, a profissão ainda é muito atrelada à promiscuidade, sendo considerada um grande tabu pela sociedade.
Durante o período medieval e com a expansão da Igreja Católica a prática passou a ser considerada pecado, para os cristãos. As profissionais do sexo eram obrigadas a doar uma parte de seus lucros para o clero, lei que foi instituída pelo papa Clemente II (1046-1047). Ao mesmo tempo, as prostitutas eram consideradas impuras e pecadoras.
Crédito: Nickolay Stanev e Shtterstock

Na Idade Média os homens não podiam sentir prazeres sexuais e o sexo com suas esposas era exclusivamente direcionados para a procriação. Muitos procuravam mulheres que pudessem inverter esse cenário e com isso a profissão se popularizou ainda mais, mesmo sendo imprópria.
Segundo a pesquisa A Aceitação da Prostituta na Sociedade Medieval Cristã, de Cícera Müller, a sociedade cristã aceitava os serviços sexuais dessas mulheres, mas não as consideravam integrantes da comunidade.
“Elas eram temidas, marginalizadas, representadas como seres cruéis, luxuriosos que povoavam o imaginário da sociedade medieval como um dos principais instrumentos do diabo para fazer o homem cair em tentação”, disse a pesquisadora.
Crédito: Divulgação

A igreja as condenava, mas por muitos anos, o clero financiou alguns prostibulos. Eles usavam o argumento de que isso iria evitar que mulheres consideradas respeitáveis fossem vítimas de estupros e assim continuassem puras.
Em 1254, o rei Luís IX decretou que as prostitutas deveriam ser expulsas das cidades e aldeias francesas, e ainda tomou todos seus bens. Dois anos depois, ele delimitou os locais que elas poderiam frequentar, as confinando em periferias.
O historiador Jacques Rossiaud é especialista no tema. Ele explica em seu livro A Prostituição na Idade Média,  que haviam quatro níveis de prostituição neste período histórico, sendo eles: casas públicas que eram controladas pelo Estado, os bordéis particulares, os banhos e as meretrizes autônomas.
Crédito: Divulgação

Aos 17 anos, as prostitutas da França medieval trabalhavam nas ruas, depois dos 20 anos, vendiam-se em casas de banho e trabalhavam como camareiras e por volta dos 28 anos, muitas viravam pensionistas dos bordéis. Conforme fossem envelhecendo, algumas mulheres se tornavam cafetinas de bordéis, mas ainda havia poucas que se casavam.
A origem da prática é mais antiga do que se possa imaginar. Historiadores encontraram vestígios que comprovam que as primeiras civilizações mesopotâmicas já trocavam sexo por mercadorias ou dinheiro.
Embora seja uma profissão antiga, atualmente carrega as marcas do preconceito estipulado pela sociedade. A profissão acompanhou as mudanças sociais e econômicas, mas ainda é considerada tabu.

sexta-feira, 27 de março de 2020

De prostituta a pirata; a saga da chinesa Madame Ching.

DE PROSTITUTA A PIRATA: A INTENSA SAGA DA CHINESA MADAME CHING

Capturada e explorada sexualmente na infância, a comandante da frota Bandeira vermelha dominou o mar do sul da China
VICTÓRIA GEARINI PUBLICADO EM 27/03/2020
A chinesa, Madame Ching
A chinesa, Madame Ching - Wikimedia Commons
Durante o final do século 17 e início do século 19, o mar do sul da China foi dominado pela famosa pirata Madame Ching. Considerada uma figura histórica importante, ela comandou a frota da Bandeira Vermelha, durante a dinastia Qing
Nascida em 1775, em Guangzhou, na China, sob o nome de Jehng Sih, foi capturada por piratas e vendida a um bordel aos 15 anos de idade. Durante o tempo que foi forçada a se prostituir, Madame Ching obteve informações valiosas de seus clientes, fato que mais tarde lhe ajudou a montar um esquema de contrabando.
Em 1801, virou dona de um bordel e atraiu a atenção do pirata Cheng I, um dos mais temidos de sua geração. Respeitado por todos, Cheng comandava a frota da Bandeira Vermelha e obteve informações importantes com a Madame Ching.
Logo viraram um casal e decidiram unir forças. Antes de assinarem os papéis do casamento, a jovem usou de sua astúcia para propor um acordo pré-matrimonial em que dizia que seria sua co-capitã e teria direito igual a uma parte da frota de seu marido.  
Crédito: Wikimedia Commons

Ao todo foram seis anos aterrorizando os mares e extorquindo os antigos cientes ricos de Ching, até que em 1807, Cheng morreu aos 42 anos perdido no mar. Seu corpo nunca foi encontrado. De acordo com a professora de história chinesa da Universidade de Stanford, Dian H. Murray, a viúva ficou cercada de incertezas e dúvidas após a morte de seu marido.
“Quando a perspicácia dos negócios começaram a aparecer, foi o momento em que ela se tornou chefe geral de toda a confederação”, explica a especialista em seu livro Pirates of the South China Coast, 1790-1810.
A historiadora ainda explicou que Madame Ching usou este fato para se promover e aumentar seu poder como comandante. A pirata casou-se com seu filho adotivo, chamado Cheung Po Tsai, que estava prestes a suceder seu pai. Além disso, organizou diversas reuniões com membros da família e poderosos aliados, a fim de estreitar laços e unir forças.
A capitã chegou a comandar mais de 1.800 navios e ter mais de 100 mil operários. Com todo poder em suas mãos, implementou novas regras, que foram consideradas rígidas entre os piratas. Por exemplo, todo ato de desobediência e deslealdade à consequência seria a morte.  Além disso, ela proibiu o estupro e qualquer um que descumprisse sua ordem, seria decapitado.  
Crédito: Divulgação

Apelidada de o Terror do Sul da China, Madame Ching era considerada cruel e destemida. Por anos foi uma ameaça para a Inglaterra, França, Portugal e Império Qing. Desesperado por não conseguir se livrar da pirata, o imperador chinês lhe propôs um acordo: desmontar a frota e sair impune de seus crimes.
Em 1810, as alianças de Madame Ching estavam rompendo, mas ninguém de fora sabia sobre esta situação. Usando novamente sua astúcia, ela ofereceu um novo acordo ao imperador Qing: liberdade para ela, o marido e qualquer outra pessoa que ela escolhesse. Além disso, receberiam uma parte dos indultos reais.
Como combinado, seu marido foi designado ao comando de uma nova frota de elite, caçadora de piratas, inclusive foi responsável por capturar integrantes que sobraram da Bandeira Vermelha.  Já Madame Ching viveu por mais de três décadas como realeza, até que em 1844 veio a falecer de causas desconhecidas, aos 69 anos.