ARQUEÓLOGOS DESCOBREM BAÚ EM TEMPLO QUE PODE LEVAR A TUMBA DE FARAÓ NO EGITO
Com 40 centímetros, o item impressionou os pesquisadores pela inscrição no topo e itens que compõem o ornamento
WALLACY FERRARI PUBLICADO EM 11/05/2020
Os três templos de Deir El-Bahri - Wikimedia Commons
Um baú de pedra foi localizado por arqueólogos do Instituto de Arqueologia da Universidade de Varsóvia após uma escavação próxima de Deir el-Bahri, em Luxor, no Egito. O artefato gerou dúvidas na equipe após observarem o nome do faraó Tutmés II, quarto faraó do 18º período da dinastia egípcia, esculpido no topo da caixa.
Descoberto próximo aos restos do templo de Tutmés III, filho de Tutmés II, a equipe acredita que o baú indica proximidade a tumba original do faraó, antes dos restos mortais serem deslocados ao TT320 para evitar saques aos itens funerários. Compondo o depósito real, a caixa continha um ganso de sacrifício e vários objetos embrulhados em linho.
O baú, encontrado em Deir el-Bahri / Créditos: Divulgação
O professor Andrzej Niwiński, do Instituto de Arqueologia da Universidade de Varsóvia, relatou como a descoberta foi feita: “A caixa em si tinha cerca de 40 cm de comprimento, um pouco menos de altura. Estava bem camuflado, parecia um bloco de pedra comum. Foi somente após uma inspeção mais detalhada que acabou sendo uma caixa”.
Por estar localizado em um depósito real, onde normalmente as tumbas eram armazenadas, a descoberta intensifica as buscas na região: “O depósito real indica que um templo foi estabelecido em nome do rei ou que o túmulo do rei foi fundado. Como estamos no centro do cemitério real, é certamente uma tumba. Encontrar este depósito indica que estamos próximos de descobrir uma tumba”, acrescentou Niwiński.
SEM PÉS E NARIZ QUEBRADO: A DEGRADADA MÚMIA DO FARAÓ TUTMÉS III
A ação de ladrões de túmulos fez com que corpo mumificado chegasse aos dias de hoje extremamente danificado
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 09/05/2020
A múmia de Tutmés III - Wikimedia Commons
Uma enorme tumba, localizada na necrópole de Tebas, no Egito, abriga pelo menos 50 restos mortais de faraós, rainhas e nobres do Egito Antigo. Amósis I, Tutmés I, Tutmés II, Seti I, Ramsés I, Ramsés II, Ramsés IX e Amenófis I foram alguns dos faraós encontrados guardados no local, conhecido como a tumba de Deir el Bahri. O túmulo DB320 também conta com muitos equipamentos fúnebres dessas pessoas.
O que se sabe é que sarcófagos, no geral, sempre sofriam com constantes saques feitos por vândalos. Os pesquisadores acreditam que algumas múmias apenas sobreviveram a essas drásticas situações devido a essa tentativa de proteger os cadáveres mumificados. Isso teria acontecido quando, em algum momento durante a dinastia 21, pessoas coletaram algumas múmias e as colocaram em uma outra tumba, para, assim, enganar saqueadores. A técnica funcionou, visto que hoje ainda temos acesso a inúmeras delas.
Deir el Bahri / Crédito: Wikimedia Commons
Por isso, ele pode ser considerado um impressionante esconderijo que guardou durante muito tempo essas relíquias. No entanto, algumas múmias já estavam muito degradadas antes de serem colocadas dentro do túmulo. Dentre elas, a múmia do faraó Tutmés III foi uma das que mais sofreu nas mãos dos ladrões de túmulos, que a deixaram em péssimas condições.
O faraó
A cabeça de Tutmés III / Crédito: Wikimedia Commons
Tutmés III foi o sexto faraó da 18º Dinastia do Egito Antigo. Filho do rei Tutmés II e sua esposa secundária, Iset, o governante permaneceu um longo tempo no poder: por volta de 54 anos. Geralmente seu reinado é datado de 24 de abril de 1479 a.C. a 11 de março de 1425 a.C., mas isso conta com o período em que ele foi co-regente do Egito com sua madrasta e tia, Hatshepsut.
O egiptólogo estadunidense Peter Der Manuelian considera que o faraó morreu após completar "53 anos, 10 meses e 26 dias" de governo, de acordo com uma inscrição encontrada no túmulo do rei Amenemés I. Ele teria “assumido” o poder aos 2 anos, juntamente com sua tia, que foi nomeada faraó.
Ele foi um dos responsáveis pela união do Egito Antigo, formando um grande império a partir da conquista de territórios no Reino Niya, ao norte da Síria, e algumas localidades na Núbia, a partir de 17 campanhas conduzidas por seu governo. Seu período também foi marcado por mudanças artísticas e estilísticas de esculturas e pinturas.
Principalmente devido a isso, ficou conhecido, ainda, por ter construído pelo menos 50 templos ao longo de seus mais de meio século de regência. Muitos deles são conhecidos apenas devido a registros escritos e ilustrados, por terem se transformado em ruínas durante os anos.
Restos mortais.
A cabeça de Tutmés III / Crédito: Wikimedia Commons
O túmulo de Tutmés III, o KV34, foi descoberto pelo egiptólogo francês Victor Loret no ano de 1898. Assim que o faraó faleceu, foi sepultado em sua tumba construída no Vale dos Reis, como muitas importantes figuras do mesmo período. Porém, não foi lá que sua múmia foi encontrada.
Na verdade, ele havia sido levado até o esconderijo em Deir el Bahri. Foi o arqueólogo alemão Émile Brugsch, em 1881, o responsável por desembrulhar o corpo mumificado, que estava especialmente danificado pelos ladrões de tumba. Ela foi enrolada novamente e foi “oficialmente” descoberta em 1886, pelo francês Gaston Maspero.
O egiptólogo descreveu as condições na qual ele foi encontrado: “sua múmia não estava escondida em segurança, pois no final da 20º dinastia foi arrancada do caixão por ladrões, que a despiram e estriparam as joias com as quais estavam cobertas, ferindo-a na pressa de levar a estragar”. Ele media 1,615m, mas seus pés haviam sido retirados de seu corpo, o que indica que ele era mais alto. No entanto, felizmente, seu rosto não estava tão degradado.
“O rosto, que estava coberto de breu no momento do embalsamamento, não sofreu nada com esse tratamento áspero e parecia intacto quando a máscara protetora foi removida. A testa é anormalmente baixa, os olhos profundamente afundados, a mandíbula pesada, os lábios grossos e as bochechas extremamente proeminentes; o conjunto recorda a fisionomia de Tutemés II, embora com uma demonstração maior de energia”, descreveu Maspero.
Com um governo longevo e quase perfeito, o herdeiro de Hatexepsute fez construções notáveis e liderou batalhas de sucesso
WALLACY FERRARI PUBLICADO EM 03/03/2020
Estátua de Tutmés III no Museu de Luxor, no Egito - Wikimedia Commons
Filho de uma relação bastarda de Tutmés II com uma cocumbina chamada Isis, Tutmés III foi o único filho homem do faraó, sendo desde cedo, designado para comandar a décima oitava dinastia egípcia, da época do Império Novo. Por ser muito novo no falecimento de seu pai, Hatexepsute, que era sua tia e casada com Tutmés II, foi designada para o reinado.
Hatexepsute fez questão de que o pequeno Tutmés III recebesse uma criação com instruções militares para replicar quando fosse maduro, inclusive liderando uma expedição militar em terras estrangeiras. Aproveitou também para trabalhar suas “relações internacionais”; teve companheiras estrangeiras que serviram para melhorar a diplomacia com príncipes sírios e cananeus.
Visto que a posição de rei só poderia ser ocupada por um homem, quando assumiu a posto, Tutmés determinou que todas as estátuas e placas com referências de Hatexepsute fossem destruídas, para que não houvesse mais figuras de liderança feminina e por desapreço ao mesmo durante a adolescência. Substituiu as referências por escrituras reverenciando seu pai, seu avô ou seu próprio nome.
Com mais de 30 anos no poder, Tutmés III se associou a figura do deus Amon e se notabilizou pelas campanhas militares de sucesso que realizou na região da Síria e Palestina, expandindo o domínio do Egito até ao rio Eufrates. Os registros das expedições foram encontrados em hieróglifos nas paredes de um santuário em Karnak.
No comando da dinastia, conseguiu obter grandes quantias monetárias graças aos impostos cobrados pelos povos submetidos, além de saques de guerra e obtenção de ouro proveniente da região da Núbia. Com essa receita, conseguiu pôr em prática uma de suas principais características de governar: a intensa atividade construtora.
Levantou o Templo de Amon em Karnak, façanha ilustre principalmente por seus dois obeliscos, que posteriormente foram deslocados para Roma e Istambul. O templo de Rá recebeu dois obeliscos, hoje localizados no Central Park, em Nova York, e no rio Tâmisa, em Londres. Seus obeliscos representaram, no decorrer de seu longo reinado, uma demonstração de poder muito eficiente.
Templo de Karnak construído por Tutmés III - Créditos: New York Public Library
Prezando também pelo convívio, criou um espaço a leste do grande templo de Karnak que abrigava o chamado Akh-menu, considerado um dos primeiros registros históricos de um salão dedicado unicamente a festas e celebrações. Composto de blocos de arenito, o local recebia a festa Heb-Sed, comemoração feita para celebrar um reinado longevo.
Antes de morrer, seu filho Amenófis II foi treinado para ocupar o cargo do pai, de maneira que prosseguisse a exercer suas funções administrativas na cobrança de tributos e orientação em batalhas. Tutmés III foi enterrado no Vale dos Reis, onde ordenou a construção de seu templo ao lado do túmulo de sua madrasta Hatexepsute, porém, com mais simplicidade.