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domingo, 29 de novembro de 2020

Fortaleza de Tobolsk na Sibéria.

 

FORTALEZA DE TOBOLSK: A BRUTAL PRISÃO SIBERIANA QUE ABRIGOU FIÓDOR DOSTOIÉVSKI E NICOLAU II

No século 20, o presídio de segurança máxima foi responsável por prender e excetuar vítimas do regime comunista

VICTÓRIA GEARINI PUBLICADO EM 29/11/2020

Fortaleza de Tobolsk, na Sibéria
Fortaleza de Tobolsk, na Sibéria - Wikimedia Commons

No século passado, a Fortaleza de Tobolsk, na Rússia foi utilizada como um presídio de segurança máxima. Dentre os internos que cumpriram pena no local, estavam o escritor russo Fiódor Dostoiévski, o czar Nicolau II e milhares de vítimas do regime stalinista.

A Fortaleza de Tobolsk

Localizada na Sibéria, a prisão foi construída entre 1838 e 1855, e desativada, somente, em 1989. Considerado o pior presídio de segurança máxima do país, o local chegou abrigar mais de 2,5 mil presos. Vistos como inimigos do regime comunista, boa parte dos internos foram executados durante a repressão política disseminada pela União Soviética entre o ano de 1937 e 1938. 

Quartos equipados com um beliche de metal, fechaduras de ferro e portas muito pesadas configuravam as solitárias da prisão siberiana. Sem luz natural, algumas celas eram tão minúsculas e insalubres, que era quase impossível permanecer em pé dentro de algumas delas.

Czar Nicolau II em retrato colorido digitalmente / Crédito: Divulgação / Klimbim

 

O brutal local foi palco de inúmeras execuções e torturas de pessoas que foram consideradas inimigas do regime stalinista e comunista. Em seus escritos, posteriores, o russo Fiódor Dostoiévski relatou as angústias e agruras que enfrentou enquanto esteve preso na Fortaleza de Tobolsk. Acredita-se, ainda, que o local eram tão protegido, que ninguém nunca tenha escapado.

Além do renomado escritor, o czar Nicolau IItambém foi preso no local. O último Imperador da Rússia e a sua família foram aprisionados em Tobolsk e, posteriormente, enviados à Casa Ipatiev em Ecaterimburgo, onde foram fuzilados durante uma emboscada, no dia 15 de março de 1917. 

De prisão a atração turística 

O local que serviu para aprisionar os opositores e inimigos de Stalin, atualmente abriga um insólito museu. Anualmente, milhares de turistas do mundo inteiro, pagam para ter a experiência de dormir uma noite em uma das celas da Fortaleza de Tobolsk.

Escritor russo Fiódor Dostoiévski / Crédito: Wikimedia Commons

 

Imagens exibidas no Museu da Fortaleza, foram colocadas do lado de fora de cada cela, com objetivo de conectar a experiência vivida entre os presos e os visitantes. Além disso, há filmagens que retratam como era o cotidiano no lugar.

Segundo os retratos exibidos no Museu da Fortaleza, era comum se deparar com prisioneiros tomando sol de uniforme sujos. Carregando pesadas correntes nos pés, era possível, ainda, se deparar com internos cortando lenha para as fornalhas, para se aquecerem das longas noites frias e solitárias nesta brutal prisão siberiana.

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/fortaleza-de-tobolsk-brutal-prisao-siberiana-que-abrigou-fiodor-dostoievski-e-nicolau-ii.phtml

sábado, 13 de junho de 2020

Arqueólogos desvendam mistério sobre estranhas ruínas em ilha da Sibéria.

ENIGMAS
Antigas ruínas localizadas em uma pequena ilha na Sibéria intrigaram pesquisadores durante anos. Aparentemente, a estrutura foi abandonada há mais de mil anos sem nunca ter sido utilizada. Agora, arqueólogos acreditam ter desvendado os mistérios da construção conhecida como Por-Bajin.
O complexo de Por-Bajin está localizado em uma ilha de um lago na fronteira entre a Federação Russa e da Mongólia. As ruínas ocupam uma área de 215 x 162 metros e possuem paredes externas de doze metros de altura. Essas paredes são feitas de barro (Por-Bajin se traduz por "casa de barro") sobre uma base de vigas de madeira. 
Os pesquisadores sabiam apenas que o complexo havia sido erguido pelos uigures, povo nômade de origem turcomena, em algum momento do século VIII. Mas os arqueólogos nunca descobriram o objetivo de sua construção nem por que a edificação foi aparentemente abandonada sem jamais ter sido ocupada. Usando datação por carbono-14, cientistas da Universidade de Groningen, na Holanda, e da Academia Russa de Ciências começaram a ter algumas respostas.
Ao usar a técnica para analisar madeiras usadas na construção, os pesquisadores descobriram que ela foi erguida por volta do ano de 777 d.C. Por essa data, os cientistas presumem que a edificação foi construída para ser um mosteiro de uma religião gnóstica conhecida como maniqueísmo. Naquele ano, o líder Tengri Bögü Khan converteu o império uigur a essa extinta religião. Como ele foi morto durante uma rebelião contra o maniqueísmo em 779 d.C., o complexo nunca foi utilizado.

Fonte: IFLScience
Imagem: Andrei Panin/Universidade de Groningen/Reprodução

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Pinturas rupestres paleolíticas de 15 mil anos são identificadas.

PINTURAS RUPESTRES PALEOLÍTICAS DE 15 MIL ANOS SÃO IDENTIFICADAS

A região, localizada entre Sibéria e Mongólia, pode ser considerada uma impressionante “galeria de arte”
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 29/04/2020
Um dos petróglifos encontrados
Um dos petróglifos encontrados - Dmitry Cheremisin
Durante expedições realizadas por arqueólogos entre 1990 e o começo dos anos 2000, foram encontradas diversas artes rupestres na região que demarca a fronteira entre a Sibéria e a Mongólia. No entanto, os pesquisadores tinham mais perguntas do que respostas — que puderam ser solucionadas apenas recentemente.
Em uma nova pesquisa, especialistas da Academia Russa de Ciências e do Museu Nacional de Pré-História da França conseguiram descobrir novas pinturas na mesma localidade, a apenas 20 km de distância dos achados mais antigos. Com isso, puderam analisar a “galeria de arte” com mais profundidade.
Alguns dos desenhos encontrados / Crédito: Dmitry Cheremisin

Nas novas representações encontradas, estavam ilustrados mamutes. Como os animais foram extintos há cerca de 15 mil anos atrás na região, os arqueólogos puderam atribuir os desenhos a artistas paleolíticos, finalmente datando com maior precisão a idade dessas obras. O estilo utilizado também é muito parecido.
“Atribuímos os petróglifos ao período final do Paleolítico Superior, porque os exemplos com características típicas desse estilo retratam a fauna do Pleistoceno (mamutes, rinocerontes). Essas características estilísticas encontram seus paralelos entre os exemplos típicos da arte rupestre do Paleolítico Superior da Europa”, escrevem os pesquisadores em um artigo publicado na revista científica Archaeology, Ethnology & Anthropology of Eurasia.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Agafia Lykova: a surpreendente saga da mulher que sobrevive no deserto congelado há 75 anos.

AGAFIA LYKOVA: A SURPREENDENTE SAGA DA MULHER QUE SOBREVIVE NO DESERTO CONGELADO HÁ 75 ANOS

Descoberta por um grupo de geólogos em 1978, Agafia sabia caçar, costurar e construir graças aos seus 35 anos de floresta
WALLACY FERRARI PUBLICADO EM 04/03/2020
Agafia Lykova em documentário em 2019
Agafia Lykova em documentário em 2019 - Divulgação
A morte de Kennedy, a chegada do homem a Lua, o surgimento dos Beatles e de Elvis Presley; Agafia Lykova não viu nada disso. Apesar de nascida em 1944, não viu a história do mundo ser moldada até 1978, quando um grupo de geólogos descobriu ela, junto a sua família, por acaso, durante uma exploração de helicóptero em uma floresta congelada, na cordilheira Abakan, na Sibéria, Rússia.
Vivendo a 1.050m de altitude em uma região montanhosa, não havia nenhum registro de vida humana no local, que ficava a 250 km da cidade mais próxima. Agafia, que até seus 35 anos, nunca havia visto outro humano que não fosse de sua família, falava um russo lento e quase incompreensível, porém, suas habilidades na cozinha, caça, leitura e costura era apurada graças aos hábitos do isolamento.
O afastamento da sociedade se deu pelas crenças religiosas da família, que, crentes nos ritos e liturgia mais antigos na Igreja Ortodoxa Russa, foram perseguidos por czares e pelo regime comunista da Rússia. Desde 1936, seus pais, Karp e Akulina, decidiram fugir após uma patrulha bolchevique atirar em um tio de Agafia.
A casa de Agafia encontrada por geólogos / Créditos: Divulgação

Em condições intensas, Agafia e seu irmão Dmitriy foram criados sem acesso a escola ou hospital. Os primeiros anos de seus pais foram de dificuldade extrema devido a falta de prática na vida florestal, tendo de comer o couro de seus sapatos em ocasiões de necessidade. Porém, quando Agafia nasceu, já estavam isolados há 8 anos e puderam ensinar as práticar de sobrevivência.
Quando recebeu a equipe de pesquisadores em sua residência pela primeira vez, buscou acolhe-los no frio intenso. Com surpresa, a equipe continuou acompanhando e revisitando Agafia em busca de respostas sobre como foi possível sua sobrevivência apesar do isolamento. Agafia, por sua vez, se surpreendia com os artefatos que acompanhavam os geólogos — um rádio para escuta e transmissão de dados e um televisor portátil.
A descoberta foi amplamente coberta na imprensa científica mundial, fazendo, em 1980, Agafia ser convidada a conhecer a sociedade exterior a convite do governo soviético.  No tour, pôde, pela primeira vez, ver carros, aviões e dinheiro, porém, ficou bestificada ao ver um belíssimo cavalo que compunha da cavalaria militar.
Desde então, melhorou sua pronuncia na língua russa e começou a ter acesso a outros livros além dos religiosos, porém, preferiu retornar a floresta, onde reside até hoje, aos 75 anos, saindo somente para ir ao pronto socorro quando necessário e recebendo religiosos para conversar sobre a liturgia antiga de sua religião. Preferiu se manter onde nasceu e sabe viver.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Dama de gelo, a múmia siberiana de 6 mil anos, com tatuagens em seu esqueleto.

DAMA DE GELO, A MÚMIA SIBERIANA DE 6 MIL ANOS COM TATUAGENS EM SEU ESQUELETO

Encontrada em 1993, a preservação do esqueleto da mulher impressionou os estudiosos que, até então, tinham poucos registros dos povos habitantes do lugar
CAIO TORTAMANO PUBLICADO EM 20/02/2020
Corpo mumificado da Dama de Gelo
Corpo mumificado da Dama de Gelo - Wikimedia Commons
Em uma câmara mortuária subterrânea, a Dama de Gelo é uma mulher siberiana que foi encontrada mumificada em ótimo estado de conservação no ano de 1993, pelo grupo de pesquisa do Instituto de Arqueologia e Etnografia Russa em Novosibirsk.
A descoberta da Dama foi extremamente representativa da cultura Pazyryk, que prosperou nos estepes siberianos durante o século 6 e o 2 a.C.. A tumba da múmia está próximo da fronteira chinesa, em uma parte da Eurásia de ar severamente seco.
Em meio a uma estrutura de toras de madeira entalhadas, esses materiais orgânicos permitiram que o enterro da Dama de Gelo pudesse ser datado, inclusive, com as informações levantadas foi possível descobrir que sua morte se deu na primavera, em meados do século 5 a.C..
Em seu caixão havia duas tábuas de madeira, com carnes de cavalo e carneiro, além de resíduos de um produto de origem láctea, encontrado em um vaso. Outra bebida era servida para o tão esperado pós-vida da Dama, em um chifre que serviria como copo.
Mesmo com o cadáver em bom estado, as causas de sua morte não foram solucionados até 2014, quando um estudo identificou o óbito devido a um câncer de mama, juntamente com os machucados adquiridos a partir de uma queda. A dor sentida por ela enquanto viva foi, possivelmente, tratada com uso de cannabis, encontrado em um pote perto de seu corpo.
Outro detalhe que chama atenção em seu corpo, são as tatuagens aparentes ainda em sua pele. Em um de seus ombros, uma espécie de veado está pintada, além de uma imagem semelhante em seu dedão e no pulso.
Tatuagem no ombro da Dama / Crédito: Divulgação/ Pinterest

Por mais cuidadosa que a escavação do esqueleto mumificado tenha sido, ela rendeu alguns problemas para a Dama de Gelo. O método utilizado para congelar o gelo que a envolvia e tirar os artefatos de sua tumba foi grande culpado disso, mesmo no transporte dela em um ambiente refrigerado não foi o suficiente para que partes de suas tatuagens começassem a desaparecer.
Além da deterioração, a remoção do cadáver de seu local de descanso gerou atritos entre autoridades russas e a população do lugar de onde a Dama de Gelo vinha. 19 anos após sua descoberta ela ficou em um instituto científico russo, e em 2012 foi levada para um mausoléu especial no Museu Republicano Nacional da cidade de Gorno-Altaisk.
Por mais que o local em que a Dama de Gelo tenha sido encontrada ainda possa preservar alguns artefatos históricos, ele é proibido de ser escavado para novas pesquisas arqueológicas.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Criança mumificada de 800 anos instiga pesquisadores sul-coreanos.

CRIANÇA MUMIFICADA DE 800 ANOS INSTIGA PESQUISADORES SUL-COREANOS

Garoto envolto em pele de rena foi encontrado no norte da Sibéria. Agora, pesquisas estão sendo realizadas para revelar seu estilo de vida
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 27/08/2019
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- Reprodução
Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, chefiados pelo especialista Dong Hoon Shin, estão analisando os restos mumificados de uma criança que viveu no norte da Sibéria há 800 anos. As análises destacam a maneira como a criança de seis anos de idade viveu.
O garoto, que após a morte foi envolto em casca de bétula e pele de rena, foi encontrado próximo à atual cidade de Salekhard, na Rússia. Segundo o especialista russo Sergei Slepchenko, "o principal é que esta múmia foi preservada naturalmente e os órgãos internos não foram removidos, ao contrário das múmias artificiais".
Crédito: Reprodução
Os testes nas amostras de tecido incluem análises histológicas e bioquímicas. "Tudo isso nos ajudará a aprender o máximo possível sobre o status de preservação das múmias de Zeleny-Yar em geral, e o estilo de vida dessa criança - como ele viveu e o que comeu", disse Slepchenko. “Se tivermos sorte, saberemos a forma como ele morreu. As chances não são grandes, mas esperamos”.
Os cientistas sul-coreanos também estão trabalhando para recriar a face da criança. "O grau de preservação é muito bom, então achamos que a reconstrução será bem sucedida", afirmou Slepchenko.
Crédito: Reprodução
Segundo os pesquisadores, os restos do garoto foram acidentalmente preservados, por estarem em um casulo feito com casca de bétula e cobre. Outro trabalho em andamento é a criação de um modelo 3D da múmia. "Atualmente os cientistas estão desenvolvendo um plano para a conservação e restauração do cadáver, então é muito importante fazer uma varredura antes de começar este trabalho", afirmou Mikhail Vavulin, do Laboratório Artefakt da Universidade Estadual de Tomsk.

quarta-feira, 15 de julho de 1992

O incrível "smartphone" de 2100 anos encontrado na Atlântida russa.

ARQUEOLOGIA
Estranho artefato foi descoberto junto a um esqueleto de mulher durante escavações na Sibéria
Por: HISTORY Brasil

Escavações arqueológicas resultaram em uma grande surpresa para pesquisadores na Sibéria. Junto ao esqueleto de uma mulher, eles encontraram um estranho objeto cujo formato é parecido com o de um moderno smartphone. Acredita-se que o artefato tenha cerca de 2100 anos.

"Smartphone" milenar

A descoberta aconteceu há alguns anos, em uma região conhecida como "Atlântida Russa" (pois fica submersa durante boa parte do ano após a construção de uma represa). O objeto retangular preto, que estava próximo da pelve do esqueleto, mede cerca de 18 cm de comprimento e 9 cm de largura. Os arqueólogos apelidaram o artefato de "iPhone de Natasha", em referência ao nome que deram à mulher. O "smartphone" chamou atenção depois que o pesquisador Pavel Leus postou uma foto dele nas redes sociais.

Apesar de realmente se parecer com um smartphone, o artefato milenar não tem nada de eletrônico. Trata-se, na verdade, de uma fivela de cinto. De acordo com os pesquisadores, o objeto é feito de azeviche (uma pedra preciosa) e apresenta incrustações de pequenas contas de madrepérola, cornalina e turquesa.

O túmulo onde foi encontrado o "smartphone" fica no território siberiano de Tuva, perto da fronteira com a Mongólia. Lá, os arqueólogos identificaram dois cemitérios que datam do período Xiongnu, que durou do século III a.C. até o final do século I d.C. Artefatos similares foram descobertos em outras localidades da região, o que sugere que esse tipo de ornamento era comum entre o povo Xiongnu.

Fontes: Lad Bible e Live Science

Imagens: Pavel Leus/Academia Russa de Ciências/Reprodução