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sexta-feira, 29 de maio de 2026
Livro: A Revolução Francesa e a Modernidade.
A REVOLUÇÃO FRANCESA E A
MODERNIDADE
Berenice
Cavalcante
A Revolução
abalou a sociedade francesa do séc. XVIII e consequentemente abalou as outras
também, influenciando outros movimentos. Reflexão para políticos, pensadores,
filósofos romancistas e historiadores. Burcke e Kant analisaram. Guizot, e Michelet,
historiadores franceses do séc. XIX. Fim dos tempos modernos e começo dos
contemporâneos. De caráter universal a Revolução Francesa, modelo clássico da
revolução burguesa, para alguns críticos.
Para Marx,
luta de classes, propriedade e questão agrária é o que privilegia. Marca a
passagem do feudalismo para o capitalismo, leis gerais da história explicam
mudanças por modos de produção. Sociedade com base aristocrática.
Transformações no regime de propriedade durante o reinado de Luiz XVI.
Tocqueville,
historiador e aristocrata francês do séc. XIX, apontou que a Revolução começou
em outras sociedades do leste europeu. Indaga sobre homens de letras que
tornaram-se principais políticos no reinado de Luiz XVI e qual efeito na
história da França. Eles foram inseridos na vida social, na alemanha e
Inglaterra não funcionava assim. Usou Voltaire, Rousseau e Montesquieu.
A autora
opta pelo período de 1789 a 1793, atribuindo a Declaração dos Direitos, período
constitucional, vitória do liberalismo, conquista da liberdade ou privilegiar a
Convenção Jacobina. Ampliar conquistas, esforço e sacrifício em prol da
igualdade e imposição do terror.
Importância
ao papel desempenhado pelas idéias dos filósofos iluministas. Para eles as
sociedades eram submetidas ao pensamento escolástico. Críticos que levantam
dúvidas quanto à possibilidade de novas idéias terem a força de mudar regimes
políticos e sociais. O antigo regime francês era a monarquia absolutista. No
reinado de Luiz XIV, século XVIII, o poder estava em processo de centralização.
Controle de duplo monopólio, fiscal e o da violência. Nobres franceses estavam
submissos ao monarca. Monopólio fiscal, rei centralizou o recolhimento dos
impostos e seriam atividades que eram desempenhadas por senhores. As
necessidades financeiras eram crescentes, bancavam guerras e o alto padrão de
vida da família real incluindo a corte toda. O rei com papel de primeiro
cavaleiro, chefe de negócios, aburguesou os nobres e enobreceu os burgueses.
Diminuindo o poder da nobreza, o rei está sempre em choque com a igreja, ambos
obedecem ao papa. O papel da corte é bem sui generes por que primeiro tem que se
saber quantos eram os membros, pois como exemplo Versalhes que eram 4000
famílias ao redor do rei da França. A corte funcionava para si e para o
conjunto. Nestas relações próximas pode-se jogar uns contra os outros como era
de acontecer ou dificultar uniões perigosas.
Todos viviam
as custas do rei, a expansão da propriedade explorada por mão de obra
assalariada criou uma elite dirigente, onde na qual nascem conflitos com estas
elites. A aristocracia manifesta-se no reinado de Luiz XVI. A nobreza, os
bispos e a aristocracia eram movidos pela ambição de querer sempre mais poder.
Luiz XVI, queria confiscar os cargos para depois vendê-los novamente, apenas
por interesse. A burguesia tornara-se insatisfeita pois a possibilidade de
integrar-se ao grupo privilegiado era pequena, comparando com hoje, era como se
a pessoa tirasse a sorte grande. Os de fora ficavam descontentes e pediam
mudanças, é, hoje não mudou muito, pois os de fora são desempregados e outros
continuam protestando. Vem o rei, depois a nobreza e com o descontentamento,
surgem 3 projetos para a França antes da Revolução. Primeiro, inimigos do
Estado, queriam manter regalias, opor-se a centralização do poder para
restabelecer senhorios. Segundo, a Prússia, nobres queriam operar o Estado a
seu proveito, manter o monopólio dos cargos. Terceiro, no lado do Canal da
Mancha queriam uma monarquia à inglesa constitucional e parlamentar, mas não
deu certo. O que demarca também o antigo regime é que instalam os Estados
Gerais e a Declaração dos Direitos do homem e do cidadão. Junto dá-se a queda
da bastilha e a manifestação de camponeses. Houve a vitória do Terceiro Estado,
mas com tudo isso, ainda o rei queria conservar as dízimas, as rendas e os
deveres feudais e senhoriais. Para o rei havia falta de unidade e solidariedade
entre os representantes e membros das ordens. Importante que firma os
princípios da soberania nacional e da igualdade inclui-se nas principais
conquistas da revolução com a declaração dos direitos, pois anulam privilégios.
Sociedade liberal e Democrática, conquista da igualdade e da liberdade dos
franceses. A violência aparece ainda como aliada a liberdade, a monarquia foi
abolida, república proclamada e houve a ditadura jacobina. Nobres falidos e
inconformados. A revolução era em torno da igualdade e liberdade.
Rousseau,
filósofo, preferência dos jacobinos, que influenciou a igualdade para a revolução,
pois ele era amigo da natureza, sensível, justo e defensor da igualdade. Sempre
estranho, o artificialismo na vida foi inadaptado aquele meio, sempre deslocado
talvez por ter sido tímido e pobre. O sentir pesava mais que o pensar. Propõe
obedecer a lei e acabar com dominantes e dominados recuperando a liberdade,
queria a felicidade da coletividade. Organizou a educação com suas idéias,
valorizando o amor casamento, maternidade, educação dos filhos, com a maior
sensibilidade, laços de união, ser só não levava a nada, o povo admirava-o,
reconhecer o valor no simples ato de existir. Igualdade e condições a todos.
Associa-se a ele a origem do romantismo. Homem sente depois pensa, necessidade
de amar e ser amado.
Voltaire,
filósofo e crítico, era preferência dos girondinos, fez homens pensar, mostrou
absurdos da sociedade, fez raciocinarem sob forma dialética, confrontava com
seu argumento claro e preciso. A religião em si para ele, era preconceituosa,
obscura, ignorante e intolerante. Medidas influenciadas por ele a liberdade de
impresa, reforma do processo civil e sistema de salário para os pobres. Queria
monarquia ilustrada com príncipe esclarecido e com isso influenciou o imperador
Frederico II da Prússia, que fez reformas e promoveu a marcha da civilização.
Já no caso da França não deu. Condenava a igreja, enfatizava o pensar,
esperanças para o futuro, humanidade feliz e esclarecida.
Os dois
tinham diferenças mas o que importava era o que representavam em comum,
prestavam serviços a humanidade. O povo queria por um fim neste período, por
isso, buscava os iluministas que criticavam e rejeitavam o antigo regime.
Poderia dizer que os filósofos tivessem provocado uma influência quanto a
Revolução. Imortalizados como precursores da Revolução.
O ciclo
fechado de uma elite intelectual que pesava o saber e aprimorava a formação de
uma opinião. Mas precisavam alcançar um status e ter prestígios. Mudaram o
sistema de educação e dobrou os alfabetizados, aumento no mercado de livros,
resulta o movimento editorial do séc. XVIII, o livro era publicado pelas
amizades que construía e era capaz de cultivar. Os salões foram importantes por
que aproximava e guardava pessoas inteligentes da mesma linguagem. O pensamento
deve ser lógico e sólido, para marcar a expressão. A enciclopédia que a
historiografia indica é a de Diderot e de D'Alembert por que tem a periodização
mais aceita para a Revolução Francesa.
As
definições de Diderot, primeiro, mundo, diversidade infinita sempre em
movimento e segundo o universo, conjunto de corpos que agem uns sobre os
outros, acabam com tudo, não há paz por que tudo está em movimento, formas não
definitivas, "a razão significa para o filósofo o que a graça significa para
o cristão".
D'Alembert,
faz perguntas sobre a vida e o ser, os idealizadores dedicaram-se a conhecer e
buscar a história, botânica, geografia, etc. Usam mais tarde outras formas de
conhecimento um agrupamento com diversas relações.
Espirit de
Finesse, idéias expressas num fluxo se sucedem, entrecruzam e não são jamais as
mesmas e colocar para os intelectuais comprometidos com o iluminismo.
A atividade
científica teve um duplo objetivo, primeiramente a exploração dos fatos através
das descobertas e segundo a criação de um conjunto ordenado por leis. Até
chegar ao fim e ao conhecimento do fato isolado. A enciclopédia é a obra do
Século das Luzes, estabeleceram uma relação entre sensibilidade (experiência) e
intelecto (entendimento), excluíram a religião o domínio da verdade revelada.
Tiraram o conhecimento da igreja.
A Franco
Maçonaria, teve papel importante na expansão dos valores, idéias e práticas
típicas do iluminismo (mesmo estilo), locais privilegiados para discussão,
salões, academias, cafés e lojas maçônicas. Relação entre moral e política,
séc. XVIII na França. Valores morais na política. Partilhar de um segredo,
essência da maçonaria, união de um elo moral. Comunidade de irmãos sem
diferenças de classe e religião. Cautela com quem não era membro e com a
traição. Batalha dos maçons contra a igreja e o rei. O deus é a virtude.
Obedecer a lei moral sempre virtuoso e independente do soberano.
Jacobinismo,
radicalização revolucionária, ação dos clubes sans culottes, ascensão do
movimento popular, ampliação das conquistas sociais, proclamação da republica
igualitária, reconhecimento do sufrágio universal, primeiras experiências
democráticas. Sociedade de pensamento, novas formas de relacionamento social,
unidos por uma idéia ou opinião, resultante de uma discussão. Somente pensar,
não agir, independente do rei, igualdade entre todos, solidariedade e
autoridade. Democracia pura, todos participam, todos opinam, livre pensamento,
expressão ao individualismo. Influenciavam toda a sociedade, época do terror
sangrente foi quando o jacobinismo, em nome do povo, substitui a sociedade e o
Estado.
Boemia
literária, Robert Darnton, estudou a mentalidade francesa do séc. XVIII para
saber como pensavam sobre o iluminismo. Descobriu escritores boêmios que viviam
isolados com poucos recursos, excluídos da sociedade. Colocavam suas idéias em
panfletos (Libelle), lidos nos cafés e os assuntos eram a mordacidade, membros
da aristocracia, da corte, a hierarquia eclesiástica em casos escandalosos.
Todos entravam na fofoca, pois era uma questão moral.
A Revolução
foi um acontecimento revolucionário que era um acontecimento necessário e
irresistível no curso da história. Ela, privilegiou o humano, instaurou o novo.
A autora. Berenice Cavalcante, é
Mestra, Doutora e professora das disciplinas de História Moderna e
Contemporânea. Em seu livro propõe uma periodização mais diversificada, novas
interpretações e técnicas diferenciadas de estudo.
Texto de Berenice
Cavalcante, Síntese por: Professora Vanessa, aula de Revolução Francesa.
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Capela em Paris revela restos de figuras históricas guilhotinadas na Revolução Francesa.
CAPELA EM PARIS REVELA RESTOS DE FIGURAS HISTÓRICAS GUILHOTINADAS NA REVOLUÇÃO FRANCESA
A “necrópole da revolução” guarda os ossos de mais de 500 pessoas, sendo uma delas Maximilien Robespierre
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 29/06/2020

Na Chapelle Expiatoire, em Paris, na França, o administrador da capela Aymeric Peniguet de Stoutz começou a perceber que algumas paredes do local pareciam estranhas. Quando o arqueólogo Philippe Charlier foi chamado para analisar a situação, percebeu que se tratava de algo grande e importante.
O que Peniguet de Stoutz observava na estrutura da capela eram, na verdade, baús que continham restos mortais de diversas figuras históricas, mortas durante a Revolução Francesa. Eles foram observados por meio de uma pequena câmara colocada nas fendas das paredes.
Segundo Charlier, "a capela inferior contém quatro ossários feitos de caixas de madeira, provavelmente esticadas com couro, cheias de ossos humanos. Há terra misturada com fragmentos de ossos”.
O local foi encomendado pelo rei Luís XVIII da França, mas foi inaugurada apenas dez anos depois, no reinado de Carlos X. Na entrada, lê-se: "O rei Luís XVIII ergueu este monumento para consagrar o local onde os restos mortais do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta foram transferidos em 21 de janeiro de 1815 para o túmulo real de Saint-Denis, reposicionado por 21 anos. Foi concluído durante o segundo ano do reinado de Carlos X, ano da graça de 1826”.
Diferente do que se pensava, o local serviu também para guardar ossos de pessoas que foram guilhotinadas durante a revolução. "Até agora, a capela servia apenas de monumento à memória da família real, mas acabamos de descobrir que também é uma necrópole da revolução”, disse o administrador da capela.
O relato histórico atual é que os restos mortais de indivíduos como Madame du Barry, amante do rei Luís XV, Olympe de Gouges e Maximilien Robespierre foram levados para as catacumbas da cidade, mas, em algum momento, foram novamente transferidos para a capela. Além deles, o local conta com pelo menos 500 vítimas da guilhotina.
sábado, 25 de abril de 2020
Em 1792, Nicolas Jacques Pelletier tornava-se a 1ª pessoa a ser guilhotinada na História.
HÁ 228 ANOS, NICOLAS JACQUES PELLETIER TORNAVA-SE A PRIMEIRA PESSOA A SER GUILHOTINADA NA HISTÓRIA
Neste dia, em 1792, a guilhotina fazia a sua primeira vítima. O método de execução surgiu para eliminar condenados de forma científica e se tornou um símbolo da Revolução Francesa
FERNANDO EICHENBERG PUBLICADO EM 25/04/2020

Ás 10h da manhã de 15 de abril de 1792 a guilhotina passou por seu grande teste grotesco. Mas dessa vez, no lugar de ovelhas vivas, as cobaias seriam cadáveres humanos. O instrumento foi montado no pátio do hospício Bicêtre, em Paris, transformado em presídio para receber os inimigos da Revolução Francesa.
A afiada lâmina separou, a cada vez, cabeça e tronco de três defuntos, comprovando sua eficácia diante de uma platéia de representantes da Assembleia Nacional. Das janelas de suas celas, prisioneiros também assistiram à performance: “É o famoso projeto de igualdade, todo mundo morrerá da mesma maneira”, disse um deles, segundo as crônicas da época. “É o nivelamento”, acrescentou outro. Entusiasmado, o carrasco Charles-Henri Sanson, habituado a execuções bem mais penosas, exclamou: “Bela invenção! Tomara que não se abuse de sua facilidade!”
![[Colocar ALT]](https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/b1855bb9560cfb15f92bf186949561e3.jpg)
A primeira execução pública com o uso da guilhotina ocorreu dez dias depois, em 25 de abril (naquela mesma quarta-feira, o militar Rouget de Lisle interpretava, em Estrasburgo, o seu “Canto de Guerra para o Exército do Reno”, mais tarde rebatizado de A Marselhesa e transformado no hino nacional francês). A vítima foi Nicolas-Jacques Pelletier, condenado por roubo e assassinato. No dia seguinte, o jornal La Chronique de Paris deu seu veredicto sobre a guilhotina: “Ela não mancha a mão de um homem da morte de seu semelhante e a prontidão com a qual abate o culpado está mais de acordo com o espírito da lei, que pode muitas vezes ser severa, mas que não deve jamais ser cruel”.
A impressão positiva do jornal logo se tornaria uma opinião isolada. Em pouco tempo, a Revolução Francesa abandonou suas belas palavras de ordem e entrou no período chamado de Terror, em que qualquer suspeito de se opor ao regime podia acabar sem cabeça. No início de 1794, apenas em Paris, cerca de 20 mil condenados foram decapitados entre eles estava Georges Danton, que havia sido um dos líderes da Revolução.
Posta a serviço do Terror, a guilhotina entrou para a história como símbolo de crueldade e opressão. E pensar que ela nasceu dos sentimentos nobres do deputado e médico Joseph-Ignace Guillotin, nascido em 1738. Grande responsável pela adoção da guilhotina na França, ele queria apenas diminuir o sofrimento dos condenados à morte. Isso é o que conta o historiador francês Henri Pigaillem na biografia Le Docteur Guillotin (O doutor Guillotin), que leva o subtítulo benfeitor da humanidade.
Risos na Assembleia.

Até os 25 anos, o jovem Guillotin seguiu a vontade de seu pai e cursou teologia na Sociedade de Jesus, em Bordeaux. Mas, no início de 1763, abandonou os estudos religiosos para desenvolver sua verdadeira vocação: a medicina. Durante quatro anos, estudou na Faculdade de Medicina de Reims. Ao mesmo tempo, trabalhou como assistente em estabelecimentos que acolhiam crianças abandonadas, idosos, indigentes e deficientes mentais.
Sua formação foi completada com cinco anos de estudos na prestigiosa Faculdade de Medicina de Paris. Coberto de títulos, tornou-se professor da instituição e, a partir de 1771, um dos médicos mais reputados da capital. Henri Pigaillem o descreve como um homem laborioso, austero, tímido, casto e honesto. Cobrava caro em seu consultório, mas dava atendimento gratuito aos pobres na paróquia de Saint-Séverin.
Enquanto Guillotin prosperava, a França vivia a indignação crescente contra os privilégios da nobreza. Eles existiam até na hora de ser executado: delitos iguais eram punidos de modo diferente, dependendo da classe social. Um nobre podia escolher entre a morte pela espada ou pelo machado. Já o cidadão comum era preso a uma enorme roda de madeira, onde tinha suas articulações quebradas, e depois era esquartejado ou morria na forca. Havia penas mais específicas: enquanto os falsificadores de moedas eram jogados em uma caldeira fervente, os hereges eram queimados na fogueira.
Mas a desigualdade estava com os dias contados. Em 1789, diante de intensa agitação popular, as regalias legais da nobreza foram abolidas pela Assembléia Nacional que havia sido convocada pelo rei Luís XVI para fazer pequenas mudanças, mas acabou fugindo a seu controle. A Revolução Francesa estava apenas começando. Em nome da liberdade e da igualdade, os deputados passaram a transformar profundamente o país. Entre eles estava Guillotin, que conquistara um lugar na Assembléia.
Em outubro, quando os deputados debatiam a reforma do código penal, Guillotin apresentou suas propostas, que ele chamou de artigos filantrópicos. Propôs que todos os delitos do mesmo gênero fossem punidos com a mesma pena, não importasse o status do culpado. Também sugeriu um só suplício para todos os condenados à morte: a decapitação, “praticada pelo efeito de um simples mecanismo”. Os deputados riram de suas propostas – mal sabiam que, mais tarde, alguns deles experimentariam a fria lâmina da guilhotina. A discussão acabou adiada.
Guillotin não desistiu de acabar com a tortura em praça pública. Em 21 de janeiro de 1790, ao voltar a defender da tribuna o seu projeto, disse: “Senhores, com minha máquina lhes arrancarei a cabeça em um piscar de olhos e vocês não sofrerão. O mecanismo cai como um raio, a cabeça voa, o sangue jorra, e o homem já não existe”. O jornal Le Moniteur tomou o partido do médico: “A inovação de colocar a mecânica no lugar de um executor, que, como a lei, separa a sentença do juiz, é digna dos séculos em que vamos viver e da nova ordem em que estamos entrando”.
Em 3 de maio, o deputado Louis-Michel le Peletier de Saint-Fargeau, relator do Comitê de Legislação Criminal, propôs a abolição da pena de morte. “Não é no século 18 que devemos consagrar um erro de séculos precedentes”, disse aos colegas. Sua proposta foi rejeitada, mas acabou dando novo impulso à discussão sobre a crueldade das execuções. No debate, foi clamada a ideia de que todo condenado à morte deveria ter a cabeça cortada. Guillotin vencera, enfim.
De médico a monstro.

De acordo com Henri Pigaillem, o doutor Guillotin não inventou o tal “simples mecanismo” decepador de cabeças. Apenas aperfeiçoou algo que já existia. Sua primeira inspiração teria surgido diante de uma gravura do alemão Albrecht Dürer - o mesmo que pintou o famoso quadro Melencolia, feita no século 16, na qual o ditador romano Tito Mânlio decapita seu próprio filho com um aparelho semelhante a uma guilhotina. Há registros de que, durante a Idade Média, equipamentos de cortar cabeças já funcionavam na Alemanha. A partir do século 16, na Inglaterra e na Escócia, surgiram versões mais aperfeiçoadas. Elas dariam origem à guilhotina francesa.
Apesar de ter participado do esboço da engenhoca e de ter sido seu grande defensor, Guillotin não acompanhou a construção do primeiro modelo. Mesmo assim, a imprensa francesa se encarregou de batizar o instrumento de guilhotina pouco antes de sua adoção oficial, em 1792. Apesar da pitoresca homenagem, Guillotin estava feliz. Afinal de contas, tinha eliminado a dor na execução e criado a igualdade diante da morte.
Em pouco tempo, 50 guilhotinas foram instaladas em várias partes da França, funcionando até seis horas por dia. Em janeiro de 1793, marcando o fim do regime monárquico, Luís XVI se tornou a mais célebre vítima do instrumento – ironicamente, o próprio rei havia sancionado a lei que instituíra o uso da guilhotina, no ano anterior. Em outubro, sua esposa Maria Antonieta teria o mesmo destino.

A guilhotina se popularizou a ponto de ganhar versões em miniatura, feitas de madeira ou marfim e adornadas com detalhes em ouro e prata. Crianças ganhavam guilhotinas de brinquedo, enquanto aristocratas se divertiam decapitando bonecos travestidos de líderes revolucionários. Com desgosto, Guillotin percebeu que seus ideais humanitários e sua imagem haviam sido corrompidos pelos franceses.
“Ele quis acabar com o sofrimento dos condenados à morte e jamais imaginou que passaria aos olhos do povo por um criminoso sádico em vez de um benfeitor da humanidade. Vítima da opinião pública, se tornou para sempre o padrinho da horrível máquina”, escreve Pigaillem.
Numa incrível coincidência, um certo Doutor Guillotin foi executado pela máquina durante o período do Terror. Não era seu inventor, mas certo J. M. V. Guillotin, médico de Lyon. A confusão criou um mito distribuído amplamente ainda hoje em dia: que o inventor da guilhotina foi morto por ela.
Diante da indiferença geral dos franceses, o doutor Guillotin morreu em 1814, aos 76 anos. Durante sua cerimônia fúnebre, o médico e amigo Edmond-Claude Bourru lamentou: “Infelizmente para nosso colega, sua moção filantrópica deu lugar a um instrumento ao qual o vulgo aplicou seu nome: prova de que é difícil fazer o bem aos homens sem que isso resulte em algum desagrado para si”.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Vendeia: a antirrevolução francesa.
VENDEIA: A ANTIRREVOLUÇÃO FRANCESA
Em 1º de agosto de 1793, o governo francês decretou a aniquilação da Vendeia, movimento monarquista que tentava restaurar o Antigo Regime. Foi um massacre
JOSÉ FRANCISCO BOTELHO PUBLICADO EM 01/08/2019

Nos primeiros meses de 1793, quatro anos após o início da Revolução Francesa, a região da Vendeia, no oeste do país, encontrava-se em estado de alerta. Por todos os lados, circulava a notícia de que o governo da República (estabelecida após a queda da monarquia, em 1792) acabava de ordenar o recrutamento de 300 mil homens.
Em cada cidade e aldeia, os combatentes seriam sorteados entre os solteiros de 16 a 40 anos – e os recrutadores teriam a ajuda da Guarda Nacional para garantir que suas ordens fossem cumpridas.
O motivo para essas medidas era bem claro: a França estava sendo atacada por uma poderosa coalizão de países europeus, que pretendiam, entre outras coisas, derrubar a República e restabelecer a monarquia no país. Essas razões, no entanto, pouco importavam para os artesãos e camponeses da Vendeia.
Gente simples, trabalhadora e profundamente religiosa, os vendeanos sabiam que quem partisse para aquela guerra tinha pouquíssimas chances de voltar com vida. Murmúrios de descontentamento espalharam-se como um incêndio, tomando conta dos bosques, fazendas e vilarejos da província.
Em 10 de março de 1793, dia marcado para o recrutamento, a insatisfação se transformou em violência. Com foices, facas e porretes, 3 mil camponeses reuniram-se ao toque dos sinos, invadiram as vilas de Machecoul e Saint-Florent-le-Viel e massacraram centenas de soldados republicanos.
Em menos de uma semana a insurreição se espalhou por quase toda a província e várias regiões vizinhas, como Maine-et-Loire e Deux-Sèvres. Agora, não havia como voltar atrás: a Vendeia tornara-se o inimigo número um dos partidários da Revolução. O que começara como um levante de camponeses descontentes em breve se transformaria na mais sangrenta guerra civil que a França já vira.
Até hoje, a revolta da Vendeia permanece um dos episódios mais obscuros e polêmicos da Revolução. Afinal de contas, como se explica um levante popular tão vasto e violento contra uma Revolução que acabou com as instituições feudais e extinguiu os privilégios da nobreza?
Durante mais de um século, os defensores do governo revolucionário torceram o nariz diante desse dilema. A opinião do escritor Jules Michelet, autor de História da Revolução Francesa, é um bom exemplo desse desconforto: para ele, a revolta da Vendeia não passou de “um monstruoso mal-entendido, um incrível fenômeno de ingratidão, absurdidade e injustiça”.

Cruzada no século 18
Para o governo da República – e para vários historiadores – a revolta da Vendeia representou uma cruzada da velha França, atrasada e reacionária, contra os valores dos novos tempos. Mas há quem discorde. “Embora se colocassem a favor do sistema monárquico, os camponeses não estavam simplesmente defendendo a velha ordem das coisas”, diz Alain Gérard, diretor do Centro Vendeano de Pesquisas Históricas.
“Eles lutavam pelos mesmos valores que os revolucionários: igualdade, liberdade e fraternidade. O fato é que a Revolução havia se mostrado infiel a esses princípios, deixando de lado as aspirações da população rural e dando mostras de autoritarismo e brutalidade. Em vez de se manterem ao lado de uma revolução que os havia decepcionado, os camponeses resolveram lutar contra ela.”

Desorganizados, mal-armados e sem treinamento militar, os rebeldes foram buscar apoio entre as famílias nobres da província. Embora a rebelião tivesse estourado sob o comando de um plebeu, Jacques Cathelineau, as tropas logo passaram a ser encabeçadas por aristocratas com nomes pomposos como o marquês Charles de Bonchamps e o conde Henri de La Rochejaquelein.
No duelo contra o detestado governo republicano, nobres e plebeus uniram-se sob a bandeira da monarquia deposta. Marchando com estandartes feitos de improviso, onde se liam as palavras Pour Dieu et le Roi (Por Deus e pelo Rei), o grande exército católico e monarquista, como tornou-se conhecido, acumulou uma série de vitórias: de março a setembro, cidades inteiras foram tomadas pela turba, que chegou a reunir 40 mil pessoas.
No resto da França, espalhavam-se boatos arrepiantes sobre a ferocidade e a violência dos rebeldes.
República a perigo
Atacada por governos estrangeiros e dilacerada por lutas internas, a República Francesa corria o risco de se desmantelar. Em setembro, o partido extremista dos jacobinos, liderado por Robespierre, instaurou na França uma ditadura feroz, que punia sumariamente todos os acusados de deslealdade.
Começava o período conhecido como Terror. Em Paris, a Navalha da República (apelido dado à guilhotina) manchou ruas e praças com o sangue azul dos nobres. Em Nantes, homens, mulheres e crianças foram fuzilados ou afogados no rio Loire. Foi nesse clima de intolerância que o governo revolucionário decidiu enfrentar a revolta na Vendeia.
“Destruam a Vendeia”, exclamou, num enfurecido discurso diante da Convenção Nacional, o deputado republicano Bertrand Bariére de Vieuzac. Seu apelo foi levado ao pé da letra.
“Em 1º de agosto de 1793, o governo decretou a aniquilação da Vendeia”, afirma o historiador François Furet, em seu Dicionário Crítico da Revolução Francesa. “A ordem era de incinerar florestas e casas, derrubar cercas, retirar os animais e transformar a região em um deserto.”
Em setembro de 1793, um novo exército republicano atacou com fúria a província rebelde. A Vendeia inteira mobilizou-se numa resistência desesperada: agora, o lema dos camponeses era vencer ou morrer. No dia 17 de outubro, ao norte da cidade de Cholet, os vendeanos tentaram deter a marcha inimiga. Contavam, ainda, com grande superioridade numérica: havia em torno de 40 mil rebeldes contra 20 mil republicanos.
Dessa vez, no entanto, o exército revolucionário tinha a liderança de Jean-Baptiste Kléber, um dos melhores generais franceses da época. Envolvidos pelos regimentos republicanos, os rebeldes debandaram em massa para o rio Loire, deixando atrás de si uma trilha de mortos. Algumas semanas depois, os sobreviventes foram encurralados na aldeia de Le Mans, do outro lado do Loire.
Sob uma noite de tempestade, durante 14 horas seguidas, os dois exércitos enfrentaram-se em uma das batalhas mais medonhas da guerra. Cerca de 10 mil vendeanos morreram – e os que conseguiram escapar seriam destroçados pouco depois, perto da vila de Savonay. “O massacre foi indescritível”, escreveria o general Kléber em suas memórias. Para todos os efeitos, a revolta estava esmagada.

No entanto, a sede de vingança dos radicais ainda não se aplacara. Tomando a liderança dos exércitos republicanos em janeiro de 1794, o general Louis-Marie Turreau dispôs-se a destruir completamente o que ainda restava da Vendeia. Para isso, dividiu suas tropas em 12 colunas (mais tarde chamadas de colunas infernais) e encarregou-as de percorrer a província de lado a lado, incendiando casas e bosques e massacrando quem reagisse.
“Uma vez que o exército rebelde já não existia, os republicanos voltaram-se contra a população civil”, diz Gérard. Segundo o historiador, o que acontece em 1794 já não era uma guerra, mas um projeto de extermínio total. Uma carnificina pura e simples. “Velhos, mulheres e crianças foram trucidados sem julgamento, vilarejos arderam em chamas e nem mesmo os animais foram poupados.
De acordo com François Furet, mais de 100 mil pessoas foram mortas. Para Jean Clément-Martin, o número total de mortos, incluindo os que tombaram nos combates regulares, estaria entre 250 e 300 mil – o que equivale a um terço dos habitantes da província.
No entanto, nem todos os republicanos aprovavam (ou sequer toleravam) tamanho derramamento de sangue. Em Paris, a maior parte dos revolucionários começava a se revoltar contra o terrorismo da ditadura jacobina, que já mandara executar cerca de 40 mil pessoas em toda a França – sem contar as vítimas na Vendeia.
O Terror atingiu todas as classes sociais, sem exceção: cerca de 10% das vítimas pertenciam à nobreza, 6% ao clero, 15% à classe média – mas a grande maioria dos condenados era de camponeses ou operários urbanos. Em 28 de julho, o reinado sangrento de Robespierre foi interrompido por um golpe de estado e o grande líder do Terror teve o mesmo destino que muitas de suas vítimas: perdeu a cabeça na guilhotina.
Após nove meses, a repressão jacobina chegou ao fim. Todavia, suas consequências ainda se estenderiam por muito tempo. Na Vendeia, os sobreviventes não estavam dispostos a esquecer a brutalidade com que foram tratados. Ao longo dos anos seguintes, a revolta voltaria a estourar, de forma esporádica, em diferentes partes da província. Apesar de dois tratados de paz terem sido assinados (em 1795 e em 1800), a Vendeia continuaria sendo uma região inquieta e belicosa durante quatro décadas.
Nos anos que se seguiram, a República tentaria esconjurar a memória dessa guerra sem compaixão, considerada por alguns como um verdadeiro genocídio francês. “A historiografia revolucionária acostumou-se a tratar a rebelião como um simples complô de camponeses abrutalhados, e por muito tempo a memória nacional manteve o episódio nas sombras”, diz Alain Gérard.
Na Vendeia, as lembranças da guerra civil não só continuaram acesas, como contribuíram para a criação de uma identidade única, que passou a distingui-la do resto da nação. Nos nomes das ruas e nos contos da tradição oral, a Vendeia mantém vivas a ascensão e a queda dos combatentes de 1793 – uma história que o resto da França, durante mais de um século, preferiu esquecer.
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Livro: A Vida Quotidiana no Tempo da Revolução Francesa.
Nesse vídeo vou falar sobre o Livro: A Vida Quotidiana no Tempo da Revolução Francesa. De: Jean Robiquet. Uma breve resenha ou ficha de leitura contada.
Acessa: https://youtu.be/zouRw6Hcxtk
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 1990
Absolutismo na França.
UM POUCO SOBRE A FRANÇA E A REVOLUÇÃO DE 1789.
O ABSOLUTISMO NA FRANÇA.
Formação dos Estados: mudanças aconteceram na sociedade e a evolução das idéias
denuncia uma crescente nacionalização dos estados e da política.
Características dos Estados: política conserva ideologia dependente da religião cristã. O
progresso do absolutismo afirma o caráter nacional das monarquias,
principalmente na França, Inglaterra e Espanha. Impostos e exércitos
permanentes, governo central sem traços de modernização do estado, mas esta não
ultrapassa limites, prega uma moral tradicional com sentido nacional e a
lealdade ao monarca. Rei, imperador do seu reino, tradição dos legistas possui
maior vigor. Poder ilimitado. Autoridade real acima das leis. Max Weber pegou a
definição das instituições com Maquiavel e reforçou desenvolvendo aspectos de
liderança.
Definição de Estado como Instituição: defini como sendo a
afirmação de uma soberania monárquica. Maquiavel atuou na política e escreve o
príncipe, manual de como o príncipe deve se portar e para salvar o país dos
ataques dos bárbaros, para ele a política é uma tarefa difícil por ser
problemática e diversa. Indica caminhos necessários, para uma melhor maneira de
manter um governo estável e satisfatório, mesmo que seja necessária a aplicação
da força, mas para impor respeito e principalmente mantê-lo.
Estabilidade em todos os setores: econômico, político,
social e cultural. Características pré-capitalistas. Estado Monárquico possui
características de estrutura total. Estado mediador entre aristocracia e
burguesia. Controle da estrutura representando crescimento (desenvolvimento).
Equilíbrio social entre feudal e urbano, Perry Anderson aponta a tese de
Engels. Melhor estrutura social. Estado criou setores beneficentes à própria
sociedade mantenedora e detentora do poder. Estabilidade se dá pela forma nova
de política centralizadora do Estado, mantém o equilíbrio organizacional das
sociedades.
ASPECTOS
POLÍTICOS.
1) CONCEITO DE
ABSOLUTISMO.
-
Poder ilimitado e arbitrário;
-
Forma específica de organização do poder;
-
Forma institucional do Estado Moderno;
-
Diferença de poder do sistema feudal;
-
Forma histórica de poder;
-
Forma de governo que o detentor não possui dependência;
-
Autoridade não tem limites constitucionais;
-
Sistema de governo em que a autoridade é absoluta, sem
restrição;
2) CONTEXTO HISTÓRICO DA
FRANÇA DO SÉC. XVI.
-
Lutas e revoltas internas;
-
Poder político forte e centralizado;
-
Política de monopólio;
-
Monarca com poder absoluto e ilimitado;
-
Busca da hegemonia européia;
-
França adotou política de agressão aos vizinhos;
-
Caráter nacional das monarquias afirmou-se;
3) ORIGENS DO
ABSOLUTISMO SÉC. XVI.
-
Na França, a monarquia opõem-se aos jansenistas (seguidores de
Jean Boudin), entra em conflito com os protestantes, vê-se obrigada a enfrentar
uma oposição aristocrática. Espinosa despoja o poder de seu prestígio e afirma
que a liberdade é o fim do Estado, ao passo que o universalismo de Leibniz
anuncia a filosofia do século das luzes;
-
Período da Reforma foi um período de intensas transformações nas
atividades e nos pensamentos. Com a
exploração de terras ricas em metais preciosos América e conquistas de novos territórios. Com tudo isso também foi
um século de transformações políticas que tem como características a
dependência da religião Cristã.
4) CARACTERÍSTICAS DO
ABSOLUTISMO.
-
Diferenças entre o inglês, francês e o alemão;
-
Secularização da política;
-
Racionalização do poder;
-
A política influencia o direito e o direito serve de poder.
-
Poder Financeiro: Rei soberano, tem direito de lançar impostos
aos súbditos sem limitações por parte dos Estados gerais e do Parlamento.
-
Poder Federativo: só os Reis possuem o poder de declarar a
guerra, conduzir os exércitos e fazer a Paz.
-
Poder Legislativo: Fazer e desfazer a lei, pertence apenas ao
Rei ditar as leis, muda-las e interpreta-las. As leis novas, modifica as leis e
ordenanças antigas, gerais municipais e ordinárias. Pode interpretar leis
existentes, mas sem deturpar o seu verdadeiro sentido PODER DO REI.
-
Poder administrativo: o poder não está mais nas mãos dos
Senhores e sim da Realeza. Direitos do Patrimônio: os rios navegáveis, as
grandes estradas, as florestas e as minas.
5) CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS DO ABSOLUTISMO.
-
Estado Ocidental moderno foi um Estado Absoluto;
-
Monarquia Absoluta, não proteger os súbditos, mas reforçar o
poder do estado.
-
Limitação do soberano é quanto a garantia da propriedade
privada.
-
Aliança dos burgueses e os monarcas.
-
A propriedade realmente pertence ao súbdito, mas os direitos do
rei sobre ele são muito fortes.
-
Montchrestien em 1615 Produção e Consumo do domínio privado para
o público MERCANTILISMO, mas seu objetivo é o poder político. Ele deve firmar o
poderio armado e o esplendor do Príncipe, assegurar a sua independência externa
e o seu prestígio interno. Como disse com muita exatidão Hjalmar Schacht =
mercantilismo existe somente como sistema político.
6) LUIZ XIV, O REI SOL.
-
Aos 5 anos, torna-se soberano pela morte do pai, Luís XIII. Ana
d'Áustria, a mãe, regia o país enquanto Luís XIV ficava na companhia do Cardeal
Mazarino, que era Ministro e ensinou-o a arte da diplomacia.
-
Aos 10 anos, (1648) Luís vê irromper uma revolta A Fronda,
que marcou-o, vê a evolução da revolta e seu sufocamento pelas habilidades
políticas de Mazarino.
-
Luís XIV vê Mazarino como o homem que salvou o país, o jovem se
preparava para vir a ser um futuro autocrata.
-
Luís XIV casa-se com Maria Tereza da Áustria em 1660. Filha de
Felipe IV da Espanha, que renuncia a coroa espanhola e leva um dote de 500.000
escudos. Habilidade de Mazarino (sabe-se que o dote nunca será pago, assim o
rei da França invocará direitos sobre a sucessão espanhola.
-
Em 1661, o cardeal Mazarino morre.
-
Luís assume o trono, nada mais seria selado sem suas ordens.
-
Poder real acumulou forças e se expandiu.
-
As forças do Estado (nobreza, clero, governadores) foram
reduzidas a impotência.
-
O povo ansioso por um período de estabilidade política passou a
ver até com simpatia a organização que regia tudo.
-
O Ministro Colbert, reformulou as finanças e encheu de ouro os
cofres do Estado.
-
Com o ouro Luís XIV, fez Versalhes, o centro da vida da corte e
do Governo.
-
Palácio de recreio, cheio de luxo, estátuas pelos jardins, onde
sucedem-se bailes, festas e representações teatrais tudo pago pelas finanças
francesas.
-
A regra de conduta é a adulação permanente ao soberano.
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Luís XIV amava as artes e as letras, protegia artistas e
literatos, período glorioso da literatura francesa.
-
As despesas são grandes e pouco a pouco vai deteriorando a
economia.
-
Luís XIV, tinha um gosto muito forte pelas artes militares.
-
A França expandia-se territorialmente cada vez mais.
-
Tornava-se o país mais dinâmico e desenvolvido, a cultura
ultrapassava as outras.
-
A política criava temores e receios em largas faixas da
população, mas correspondia a maioria dos franceses.
-
Intervém na sucessão de Felipe IV, da Espanha, reivindicando o
trono para sua esposa Maria Teresa e desencadeia uma guerra, fazendo muitas
conquistas.
-
Nos pactos a França sempre sai com vantagens territoriais, como
no Pacto de Nimègue (1678 - 1679). Apogeu do Império Francês.
-
Europa humilhada com a política de intimidação, irá contra mais
tarde....
-
Fase de conquistas, conquistas, conquistas e mais conquistas.
-
Nada impede o processo de conquistas, mas está se formando uma
coligação contra.
-
Em 1692, a frota, numa guerra defensiva é arrasada na batalha de
Hogue.
-
Na paz assinada em 1697, a França fica em posição inferior.
-
Os franceses vão para novas guerras, os resultados são
desastrosos.
-
Falência do poderio militar, período crítico da situação social
e financeira.
-
Os esforços de guerra conduziram o povo à miséria, campo
empobrecido e a nobreza arruinada.
-
Pouco restara, criou-se a imagem decadente e o Rei Sol
arrependia-se.
-
Em 1715, olhou para o neto e disse: "Amei a guerra, não me
imite, nem nas grandes despesas.", morreu com 77 anos.
-
Luís XIV era vaidoso, considerava-se a imagem de Deus na Terra.
-
Centrou o poder de forma mais completa.
-
Nunca os franceses experimentaram submissão assim ilimitada.
-
Viam sua pátria respeitada pelas demais nações européias.
-
Nunca tinham visto tamanho impulso nas letras e nas artes de seu
país.
-
Amado por muitos e odiado por muitos, o rei subjugava-os a
todos.
-
Ninguém ousava contestar-lhe o poder.
-
A vida de Luís XIV foi um período de ouro da história francesa.
7) TEÓRICOS FRANCESES E
OBRAS DE TRANSIÇÃO.
-
Movimentos de pensadores científicos e do racionalismo;
-
A British Royal Society é fundada em 1660, a academia das
Ciências F. em 1666.
-
Do fim do século XVI e do princípio do século XVII mostra-se
cada vez mais favorável a soberania real.
-
Guy Coquille (1523-1603), com A Instituição do Direito dos
Franceses (1603) exerce uma influência no princípio do séc, sobretudo ao
direito privado.”O Rei é monarca e a sua
majestade não conhece rival”. Os súbditos devem gozar duma liberdade justa.
-
Loyseau (1566-1627) Senhorios (1609) e Direito dos Ofícios
(1610) A soberania como poder máximo.
-
Para Bodin e outros autores o REI é administrador e usufrui do
poder, tendo que observar as leis fundamentais. Contradição íntima do absolutismo:
o rei deve respeitar as leis, mas ninguém pode obrigá-lo a isso.
8) GUERRAS E REVOLTAS.
-
Guerra das Duas Rosas (1455 a 1485): Guerra civil pela conquista
do trono inglês, enfrentamento da casa real de Lancaster (brasão de Rosa
Vermelha), versus York (brasão de Rosa Branca).
-
Guerra dos Três Henriques: Com a morte de Carlos IX, sobe ao
trono seu irmão Henrique III, iniciando-se uma guerra civil, entre Henrique de
Guise, que fundou a Liga Católica e Henrique III, que contou com o apoio de seu
cunhado Henrique de Navarra. Em 1589, quando Henrique III é assassinado.
Henrique de Navarra assume o trono francês como Henrique IV, convertendo-se ao catolicismo.
Henrique de Navarra assume o trono francês como Henrique IV, convertendo-se ao catolicismo.
-
A Fronda: movimentos de oposição aos direitos e decisões reais
que durou 5 anos liderado por magistrados, parlamentares e setores da nobreza e
a participação de populares.
-
1ª Guerra Devolução: França X Espanha, reivindicação dos
direitos sobre o Brabante: conquista de Flanders e o Franco Condado, encontra
forte reação da Tríplice Aliança (Inglaterra, Holanda e Suécia), que obriga a
assinar o Tratado de Aix-la-Chapelle (1668), onde a França fica somente
com Flanders.
-
2ª Guerra de Vingança: França X Holanda, de 1672 a 1678, o monarca ocupa Lorena e dedica-se
contra a Holanda, que termina c/o Tratado de Nimège: a Espanha perde o
Franco Condado para a França.
-
Luís XIV faz anexações: Estrasburgo, Luxemburgo, Courtrai e
outras cidades.
-
Em 1689: proclama suas pretensões à posse do Palatinado, que
invade e devasta. Forma-se a grande aliança (de quase toda a Europa), que o
obriga a manter-se na defensiva: em 1679, pela paz de Ryswick, a França
abandona a maioria dos lugares anexados, conservando Estrasburgo e Alsácia.
Pelos Tratados de Ultrecht (1713) e Rastatt (1714) perde várias
possessões no Novo Mundo.
9) CRISE DO REGIME
ABSOLUTISTA.
Nos séculos XVII e XVIII, a relação entre
rei e burguesia passa a ser de confronto, pois a burguesia com muito capital
acumulado, reivindica o poder político, voltando-se assim contra seu antigo
aliado, através das revoluções inglesas (puritana e gloriosa) entre 1649 e 1688
e da revolução francesa em 1789, antecedida das revoluções industrial e
americana e influenciada pelos princípios liberais e iluministas, no contexto
de crise do Antigo Regime europeu.
QUESTÕES INTERNAS E EXTERNAS DA FRANÇA NA DÉCADA DE 80,
A ECLOSÃO DO MOVIMENTO.
Internamente, a base francesa estava falindo gradativamente.
Externamente a competição com a Inglaterra e os acordos mal feitos, cada vez
mais quebravam a base produtiva. Uma parte por que o capital francês era
totalmente manufatureiro e não conseguia acompanhar os produtos
industrializados ingleses. As alterações climáticas também contribuíam para a
decadência francesa, como: a seca que acabava com a produção agrícola de trigo
e conseqüentemente gerou a fome e a miséria, assim como o aumento da
desnutrição. As enchentes criavam problemas na agricultura em mais ou menos 84,
gerando a má distribuição de recursos entre a população. O problema político
estava em torno das finanças da burguesia que não tinha poder político e as
queriam. O comércio com a Inglaterra (panos e vinhos) gerou problema no estoque
das manufaturas francesas. As catástrofes atacavam as plantações a cada ano,
quando não era a seca, aconteciam as enchentes. Sem contar que as guerras
despendiam de muitas finanças para a resistência; a Guerra de Sucessão
Austríaca, a Guerra dos Sete Anos e a Guerra de Independência dos Estados
Unidos. O sustento e confronto com os Três Estados e o déficit público que
crescia sem parar. Enquanto que o Ministro das finanças (Necker), valorizava a
propriedade rural, esquecendo-se de seus outros compromissos.
Primeira fase: 1789 – 91, ocorre a
Assembléia Constituinte.
Segunda fase: 1791 – 92, tem-se a
Monarquia Constitucional.
Terceira fase: 1792 – 1802,
estabelecida a 1ª República com:
a Convenção de 1792 a 95,
o Diretório de 1795 a 99,
o Golpe de Napoleão em 1799,
e o Consulado de 1799 a 1802.
O processo da revolução evidencia a ruptura com laços antigos. A
economia e a política da França ainda estava com bases arcaicas. Preparação do
movimento que mexe com as estruturas arcaicas. Um rápido processo que pressiona
a Assembléia Constituinte da convocação dos Estados Gerais. Situação que se
espalha pela França, tanto nas cidades como no interior.
Autores que trabalham com aspectos culturais, embora serem políticos, como Robert Darnton escreveu “O Massacre dos Gatos”, onde descreve a necessidade da população de atravessar por este acontecimento. O povo resolve acabar com todos os gatos da cidade, por acreditar que estavam todos enfeitiçados. Robert, analisa através do movimento histórico que disputa com o movimento revolucionário em que as estruturas sociais não estão definidas. O autor Chartier, em sua obra: “O mundo transformado em informação”, fala sobre os jornais e impressos, sobre os aspectos intelectuais e culturais que mobilizaram os populares, anteriores a deflagração da Revolução Francesa.
AS JORNADAS DA REVOLUÇÃO FRANCESA.
Dos Estados Gerais à Assembléia: As reuniões dos Estados Gerais são boicotadas pela nobreza e o clero a pedido do rei, pois as discussões direcionavam-se somente às finanças reais. Em 15 de junho, a burguesia, o baixo clero e a nobreza reúnem-se. Em 09 de julho, a Assembléia proclama a Constituinte. A imprensa politizada reúne a população em torno das discussões. Os panfletos circulavam e tentavam mobilizar a população com idéias e esclarecimentos sobre o Terceiro Estado. Formaram-se clubes que criaram as tendências de direita e esquerda para discutir as questões políticas.
A Primeira Jornada, também chamada de “Juramento
da sala do jogo de péla”, teve início com uma forte reação burguesa em
Assembléia Nacional. Gerada desde a convocação dos Estados Gerais pelo rei Luís
XVI. A revolução feita pelo auto, ou seja, passiva, via prussiana. O rei vê-se
prejudicado pela aliança da burguesia. Faziam parte: membros do clero e poucos
nobres que se reuniram para discutir seus interesses na diversão conhecida como
“o jogo da péla”. Fizeram um juramento onde, não se separariam até a formação
da Constituição para a França. A imprensa estava totalmente politizada e
circulavam panfletos que informavam sobre o papel do Terceiro Estado, que quase
sempre ficava de fora na contagem de votos (quando o voto era aceito, o que
geralmente não era considerado).
A Segunda Jornada, (a Tomada
da Bastilha), demonstra que a situação da revolução já estava em processo de
andamento. Ocorriam atividades revolucionárias e muitas manifestações
populares, armas foram distribuídas ao povo que enfurecido invadiu o símbolo do
absolutismo: a prisão da Bastilha. Foram libertados os presos e
conseqüentemente estoura a revolução. Movimento de insuflação, doutrinação do
povo, através da divulgação das idéias. A questão de massificação do processo,
com a participação popular e da elite que dá direção ao movimento. No ato da
tomada da Bastilha, deu-se a maior pressão aos deputados.
A Terceira Jornada, chamada de “Grande
Medo”, dá-se a 04 de agosto com a renúncia dos deputados, com o voto
pela abolição dos privilégios dos nobres, a abolição do dízimo, a servidão, os
privilégios de caça, a isenção dos impostos, o monopólio, os tribunais
especiais e corporações proposta pela burguesia. Expandiu-se também na área
rural. O processo de ruptura começa a ser mais visível pela abolição dos
privilégios, assim como o manifesto rural. Para o grupo dos Girondinos, era
mais importante a zona rural, porque apoiava-se no campo, pois eram
proprietários de terras. Enquanto que os Jacobinos eram pequenos comerciantes
que se mantinham no reduto urbano. Em 26 de agosto, Proclamado “os Direitos do
Homem e Cidadão”, bandos e milícias colocam-se em defesa do processo
revolucionário tanto dentro da cidade como no campo. As mulheres fizeram
pressão pelos seus direitos de igualdade em relação aos homens. O movimento das
mulheres fez marcha até Versalhes, momento que marca a posição revolucionária
feminina.
A Quarta e última Jornada, denominada por alguns como: “transferência do rei”, de transferência não tem nada, apenas a
tentativa de fuga do mesmo que acabou morto. Em 1891, o rei estava organizando
um movimento para estabelecer o seu poder com apoio de outros países. A questão
econômica neste momento, passa para segundo plano. Revolucionários descobrem
cartas do rei Luís XVI pedindo ajuda externa para controlar a situação
desesperadora. As pessoas vêem isto como uma traição, uma conspiração contra
revolucionária do rei. Acontece também a proclamação dos Direitos e da
igualdade. O rei reúne a corte e tenta fugir, é descoberto, capturado, julgado
e morto na guilhotina. A execução marca a fermentação do processo
revolucionário, o movimento assume o caráter político e o rei na guilhotina é a
ruptura com o antigo, rompe com uma série de características.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOBBIO, Norberto.
MATTEUCCI, Nicola. PASQUINO, Gianfranco. Dicionário
de Política. Brasília: Universidade de Brasília, 12ª. Ed., 2000. Vol. 1:674 p.
CONHECER. História Universal II. São Paulo:
Circulo do Livro, 1985. Vol. 6:146 p.
DELUMEAU, Jean. A Civilização do renascimento. Lisboa:
Estampa, 1984. Vol. II:37-60.
DUBY, Georges. Atlas Histórico Mundial. Madrid: Debate,
1987.
FLORIDO, Janice. Brasil 500 anos: 1620 - 1714. São Paulo:
Nova Cultural, 1999. nº. 3:148 p.
PRÈLOT, Marcel. As doutrinas políticas. São Paulo:
Martins Fontes, 1987. 295 p.
SÉGUIER, Jaime de. Dicionário prático
Ilustrado. Lello & Irmão editores: Porto, 1966, 2026 p.
TOUCHARD, Jean. História das idéias políticas. Lisboa:
Europa América, 1970. Vol. III:142 p.
_______________. História das idéias políticas. Lisboa:
Europa América, 1970. Vol. IV:120 p.
WILHELM, Jacques. Paris no tempo do Rei
Sol, 1660 - 1715. São Paulo: Companhia das Letras, 1988: 267 p.
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