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terça-feira, 21 de abril de 2020

O antissemitismo de Martinho Lutero e a perseguição contra judeus.

O ANTISSEMITISMO DE MARTINHO LUTERO E A PERSEGUIÇÃO CONTRA JUDEUS

Em Sobre os judeus e suas mentiras, líder da Igreja Protestante vocifera ideologia que foi disseminada por nazistas durante a Segunda Guerra
FABIO PREVIDELLI PUBLICADO EM 21/04/2020
Lutero com o corte de cabelo monástico
Lutero com o corte de cabelo monástico - Wikimedia Commons
No início de sua carreira, Martinho Lutero era, aparentemente, solidário em relação à resistência judaica à Igreja Católica. No entanto, o religioso esperava que os judeus se convertessem ao movimento protestante. Como eles não fizeram, o monge agostiniano se voltou violentamente contra o povo.
A raiva e desgosto de uma das figuras centrais da Reforma Protestante foi registrada no livro Sobre os judeus e suas mentiras, tratado escrito pelo teólogo em janeiro de 1543. Na escrita, Martinho defende a perseguição de judeus; a queima de sinagogas e escolas judaicas; a destruição de bens religiosos; a proibição de rabinos pregarem e o confisco de dinheiro.
"Esses vermes envenenados e venenosos devem ser recrutados para trabalhos forçados ou expulsos de uma vez por todas”. O religioso também parece incitar o assassinato dos judeus aos escrever: “temos culpa em não matá-los”.
Página de rosto do livro Sobre os judeus e suas mentiras / Crédito: Wikimedia Commons

No tratado, Lutero diz que aqueles que aderem ao judaísmo “devem ser considerados como sujos” e que eles são “cheios de fezes do diabo... que chafurdam como um porco”. O protestante também afirma que a sinagoga é um “prostíbulo incorrigível”.
“Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade … são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte”, diz um trecho da obra.
“Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus”, vocifera em outra passagem.
Lutero discursando na Alemanha / Crédito: Wikimedia Commons

O tratado de Lutero ainda gera inúmeras controversas, principalmente pelas influências antissemitas que Lutero, de certa forma, exerceu na doutrina racista do regime nazista de Adolf Hitler.
Durante a Segunda Guerra Mundial, cópias do livro foram exibidas pelos alemães em comícios e reuniões em Nuremberg, e o consenso acadêmico predominante é que o livro teve um impacto significativo no Holocausto. Julius Streicher, editor do jornal nazista Der Stürmer, descreve a obra como o tratado mais radicalmente antissemita já publicado.
“Embora [Lutero] se rebelasse contra a autoridade religiosa, poderia ser extremamente intolerante com quem dele discordasse em assuntos religiosos. Possivelmente foi devido em parte à sua intolerância o fato de as guerras religiosas terem sido mais ferozes e sangrentas na Alemanha do que, digamos, na Inglaterra. Além disso Lutero era feroz antissemita, tendo talvez, a extraordinária virulência de seus escritos sobre os judeus preparado o caminho para o advento de Hitler na Alemanha do século 20”, explica o historiador Michael H. Hart.
Lutero foi considero por Hitler, em seu Mein Kampf, como uma das três principais figuras da Alemanha — ao lado de Frederico, o Grande, e Richard Wagner. “Os escritos posteriores de Lutero, atacando os judeus, eram tão virulentos que os nazistas os citavam frequentemente”, explicam Dennis Prager e Joseph Telushkin no livro Why the Jews? (Por Que os Judeus?, em tradução livre).
Em contraponto a essa visão, o teólogo Johannes Wallmann escreve que o tratado não teve continuidade de influência na Alemanha e foi de fato amplamente ignorado durante os séculos 18 e 19. Já Hans Hillerbrand corrobora ao argumentar que focar no papel de Lutero no desenvolvimento do antissemitismo alemão é subestimar “a mais grande peculiaridade da história alemã”.
Adolf Hitler saudando seus membros, cercado por símbolos nazistas / Crédito: Wikimedia Commons

Por fim, é certo explicar que, desde a década de 1980, alguns órgãos da Igreja Luterana denunciaram formalmente o escrito e buscaram dissociar o tratado de Lutero sobre os judeus de sua doutrina.
No 60º aniversário de Kristallnacht, a Igreja Luterana da Baviera, que ocorreu em novembro de 1998, a entidade emitiu uma nota afirmando que “é imperativo para a Igreja Luterana, que sabe que é endividada ao trabalho e a tradição de Martinho Lutero, de levar a sério também as suas declarações antijudaicas, reconhece a sua função teológica, e reflete nas suas consequências. Temos que nos distanciarmos de cada [expressão de] antissemitismo na teologia Luterana”.

terça-feira, 29 de março de 1994

Melanchthon, defensor da Reforma da Igreja.


Professor de grego, defensor da Reforma, graças as suas proposições, Lutero obteve grandes divulgações. Mais tarde representou o protestantismo e rompeu com Lutero. 

Fonte: Vasco da Gama. Coleção: Grandes Personagens da História Universal, Volume 21, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1970.

 

sexta-feira, 9 de novembro de 1990

Fundamentalismo Religioso.


O termo fundamentalismo significa a adesão estrita a um conjunto específico de doutrinas teológicas (fundamentos) tipicamente contrárias à teologia modernista. 

Foi criado originalmente por protestantes norte-americanos do Seminário Presbiteriano de Princeton (século 19), conseguindo adeptos e defensores de fundamentos teológicos, como uma lista específica de credos teológicos que se desenvolveu no início do século 20, com a Controvérsia Fundamentalista-Modernista. 

A primeira formulação das crenças fundamentalistas ocorreu na Conferência Bíblica de Niágara (1910), durante a Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana que gerou os "cinco fundamentos":
  1. A Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo e inerrante (sem erros);
  2. o nascimento virginal de Cristo;
  3. a morte de Cristo para a redenção do pecado;
  4. a ressurreição de Cristo;
  5. a realidade histórica dos milagres de Jesus.
Curtis Lee Laws, pastor batista, definiu a expressão formalmente (1920) como movimento protestante americano contrário aos protestantes liberais do século 19 e o fundamentalista como alguém disposto a recuperar territórios perdidos para o Anticristo e “lutar pelos fundamentos da fé”. Para Karen Armstrong (2006), as campanhas fundamentalistas têm caráter bélico, líderes utilizando imagens de batalhas no âmbito doutrinal e exegético, pregando a necessidade de afirmação dos dogmas do protestantismo tradicional em reação à abertura que outros protestantes davam para discursos científicos como a teoria da evolução das espécies.

O fundamentalismo não se abre ao diálogo e milita a favor de seus dogmas que são a verdade absoluta e indiscutível. A expressão que nasceu desses debates teológicos foi utilizada pela imprensa diretamente relacionada às ações violentas e à intolerância religiosa. 

Fundamentalismo religioso é forte aderência a qualquer conjunto de credos em face do criticismo ou impopularidade, com conotações religiosas ou atitudes de pessoas preocupadas com os fundamentos, preceitos doutrinários, sectários e ideológicos de determinada religião, tirando-as do mero campo dos debates e partindo para a intolerância e violência. Qualquer grupo religioso minoritário, violento ou intolerante, movimentos étnicos extremistas com inspirações religiosas, são popularmente considerados fundamentalistas étnicos.

O fundamentalismo volta aos princípios fundamentais ou vigentes na fundação de seu grupo, seita, facção ou segmento, mas, refere-se aos demais grupos dissidentes como desviados, corrompidos que não se identificam intencionalmente com o grupo maior ou divergem de seus princípios, sendo hostis ou contraditórios à identidade original. Por esta razão, fundamentalismo foi considerado anti-modernista, crença irracional ou exagerada, fanatismo.

Modernamente, muitas ideologias se serviram de doutrinas religiosas para fins fundamentalistas, como o IRA, grupo paramilitar católico que pregava a agenda política de separação da Irlanda do Norte do Reino Unido, com discursos políticos misturados com doutrina católica. Nos EUA, a Ku Klux Klan é seita fundamentalista que misturava ideologias raciais, eugenistas com o protestantismo puritano.

O judaísmo e judeus haredi, verdadeiros judeus da Torah; o islamismo tendo conflitos entre xiitas e sunitas desde o século 7, o wahhabismo (século 18) que desenvolveu associações de terroristas islâmicos, ideologias radicais de revolução social misturadas com o fundamentalismo islâmico combatem os jamaat (enclaves religiosos) e apoiam a jihad islâmica (luta contra a cultura ocidental) para que se submetam ao islamismo original prescrito na determinação divina (Sharia).

Os fundamentalistas objetivam atrair e converter os religiosos da comunidade maior, tentando convence-los de que eles não estão experimentando a versão autêntica da religião professada.


nossa fonte: https://www.infoescola.com/religiao/fundamentalismo/