O nome pode trazer medo para muitos, já que esta sociedade antiga está sempre ligada àqueles que causam destruição à propriedade – vândalos e vandalismo. No entanto, eles podem não ter sido tão ferozes ou destrutivos como seus homônimos modernos.
Esquerda: Genseric, líder dos Vandlas no norte da África. Crédito: Janboruta, Domínio Público – Direito:Reconstrução das roupas de um guerreiro da Idade do Ferro representando um homem vandalico, com o cabelo em um “nó suebiano” em exibição no Museu Arqueológico de Cracóvia, Polônia. Crédito: Domínio Público, CC BY-SA 3.0
Tentar encontrar a origem do povo vândalo original é difícil. Registros históricos afirmam que a tribo apareceu pela primeira vez habitando o atual sul da Polônia. Alguns historiadores encontraram o nome no centro da Suécia, na paróquia de Vendel. Além disso, o nome surgiu na Dinamarca e noruega com possíveis laços com uma família real norueguesa.
De onde quer que eles vieram, parece que as pessoas estavam em busca de um lar.
Primeiro contato romano com os vândalos
Os vândalos parecem ter estado em contato com Roma no início e quando o Império Romano estava no seu auge. Cássio escreveu que os vândalos eram liderados por Raus e Raptus e depois de uma batalha eles fizeram as pazes em troca de alguma terra.
O Saco de Roma, Karl Briullov, 1833-1836. Crédito: Domínio Público
Por alguma razão, e poderia ser que os vândalos não tinham um lar permanente, eles causaram pouco impacto no registro arqueológico. Eles também apareceram muito brevemente em registros históricos.
Mas eles foram capazes de derrotar os romanos na Espanha no início dos 5th século e foram até aliados de Roma uma vez como Stilicho, um general romano, que era de origem vândalo. O 5th século foi uma luta para os vândalos enquanto lutavam contra os francos, os hunos, os romanos e os visigodos.
Os vândalos na Espanha e além
A vitória contra os romanos na Espanha foi devido a dois fatores. Primeiro, os visigodos decidiram não honrar seu acordo aliado com os romanos. Sua partida deixou os romanos militarmente fracos.
Em segundo lugar, o general romano Castinus mudou de estratégia e decidiu atacar os vândalos em vez de esfomeá-los para a rendição. Após a derrota dos romanos, os vândalos foram capazes de ampliar sua conquista da Espanha e capturaram a cidade de Sevilha após duas tentativas.
Por alguma razão, a Espanha não era para ser a casa dos Vândalos. Seu novo líder, Genseric, decidiu que o norte da África era o lugar para os vândalos migrarem e conquistarem. O número exato de vândalos que foram para o norte da África é desconhecido e alguns historiadores descontam o número de 80.000.
Os Vândalos no Norte da África
A razão pela qual os vândalos foram para o norte da África também não é clara. Alguns historiadores afirmam que foram a convite de Bonifacius, enquanto outros afirmam que foi feito em busca de segurança.
Migrações dos vândalos da Escandinávia através de Dacia, Gália, Ibéria, e para o norte da África. Império Romano. Crédito: Domínio Público
Seja qual for a razão, os vândalos decidiram que Hipopótamo seria sua primeira capital. Eles cercaram aquela cidade, embora Santo Agostinho estivesse morando lá na época. Os Vândalos levaram 14 meses para deixar a cidade de joelhos.
Os vândalos em 435 a.C., finalmente fizeram um tratado com os romanos e este último deu-lhes grandes quantidades de território como seus. Mas para Genseric, o território não era suficiente, e ele quebrou o tratado em 49 d.D., atacando e conquistando Cartago.
Cartago tornou-se a nova capital vândala e de seu genserico, que governou por 50 anos, conquistou a Sicília, Malta, Sardenha, Córsega e outras ilhas. Desde seus primórdios errantes, os vândalos podem ter finalmente encontrado seu lar.
Os vândalos e Roma não estavam acabados
Genseric usou sua nova casa para invadir e conquistar outras partes do império romano. Infelizmente, os romanos estavam lutando contra os gauleses na época e Átila, o Huno, para que eles não pudessem abordar a redução de seu império nas mãos dos vândalos.
Os romanos tentaram recuperar seu território, mas esse esforço de paz foi desfeito pelo assassinato de Valentiniano III. Genseric não gostou do que aconteceu e atacou Roma. Diz-se que o Papa Leão I fez Genseric concordar em não matar ou queimar, mas simplesmente saquear.
Isso foi feito, e diz-se que ele levou os tesouros do Templo de Jerusalém de volta para Cartago com ele.
O Fim do Vândalo
Depois que Genseric morreu, alguns governantes fracos chegaram ao trono vândalo, mas essas regras eram instáveis devido a brigas internas e outras intrigas. Esta situação deixou os vândalos fracos e maduros para a conquista.
Foram os bizantinos que finalmente colocaram um fim ao Império vândalo e à civilização.
VIÚVA NEGRA DO SÉCULO 6: A FRIA E CALCULISTA ROSAMUND, RAINHA DOS LOMBARDOS
Nascida em período de guerras, a princesa perdeu seu reino ainda jovem e teve de se casar com o assassino do próprio pai
PAMELA MALVA PUBLICADO EM 14/04/2020
Representação de Rosamund, a rainha dos lombardos - Wikimedia Commons
Um palácio suntuoso, muitas riquezas e produtos da melhor qualidade. Essa é a vida perfeita de uma princesa de contos de fadas. Pouco parecidas eram as lógicas das antigas nobrezas, nas quais mulheres, por exemplo, eram apenas moedas de troca.
Foi nesse contexto que algumas das maiores princesas da história nasceram e foram criadas, bem como rainhas que dominaram centenas de terras. Fortes, astutas e, por vezes, impiedosas, essas mulheres se tornaram as protagonistas da própria história.
O mesmo aconteceu com Rosamund, a princesa dos gepids que, mais tarde, tornou-se a rainha dos lombardos. Desde seu nascimento, ela passou por diversos episódios que tentaram subjugá-la, mas nunca caiu do trono e, com certa frieza, manteve sua postura.
Representação da princesa Rosamund / Crédito: Wikimedia Commons
Infância entre guerras.
Rosamund nasceu em meados de 540, quando seu povo, os gepids, estavam em guerra contra os lombardos. Ambos germânicos, os grupos lutavam por terras e, no meio da batalha, o avô e o tio da princesa foram mortos.
Cego de raiva, o pai de Rosamund, Rei Cunimund, deu início à guerra final entre os povos e tentou recuperar as terras perdidas para os lombardos. O conflito logo se intensificou e, ao contrário do que pensava, o reino gepid perdeu tudo na Batalha de Asfeld, em 567.
Por ser o líder da frente inimiga, o Rei Cunimund foi decapitado, enquanto Rosamund foi capturada e transformada em prisioneira. Seu destino, entretanto, foi ainda pior que o de seu pai e a princesa logo foi prometida ao rei dos lombardos, Alboin.
Dono de um reino vencedor, Alboin queria garantir um herdeiro homem e viu em Rosamund a chance para tal. Ele havia perdido sua esposa Clotsuinda, de Frankia, e, com esse infortúnio, poderia se casar novamente.
A corte de Alboin e Rosamund / Crédito: Wikimedia Commons
Palácio de sangue.
A vida de Rosamund, do seu casamento em diante, foi marcada por diversos momentos de pura crueldade e abuso de poder. Durante um banquete real, segundo o escritor Paulus Diaconus, Alboin obrigou Rosamund a beber vinho do crânio do próprio pai.
Em 572, cansada dos abusos do rei, Rosamund passou planejar seu assassinato, ao lado de Helmichis, seu amante e portador de armas real. Com o plano perfeito em mente, o homem sugeriu que Rosamund pedisse ajuda para Peredeo, um dos guerreiros mais fortes do reino.
Leal ao seu mandante, Peredeo recusou a oferta. A rainha, entretanto, não queria deixar o plano morrer e, naquela noite, enquanto Peredeo dormia, ela se vestiu de criada. Ela entrou nos aposentos do guerreiro e, ludibriado pelo disfarce, ele dormiu com a rainha.
Ao acordar, o guerreiro percebeu seu adultério e concordou em participar da tentativa de assassinato contra o rei. Tudo por medo do que Alboin faria caso descobrisse sobre a relação extraconjugal que ele teve com a rainha.
Momento no qual Rosamund foi obrigada a beber no crânio do pai / Crédito: Wikimedia Commons
Uma noite fria.
Quando as coisas já estavam resolvidas e o plano estava completo, Rosamund deu um belo banquete no palácio. Impressionado e iludido, Alboin logo ficou embriagado. Ao perceber o marido fora de si, a rainha pediu que ele fosse se deitar.
Enquanto isso, Rosamund ordenou aos criados que a espada de Alboin fosse amarrada na cabeceira da cama dele. Com isso, ela esperava, o rei ficaria indefeso caso acordasse em meio à tentativa de assassinato.
Dito e feito. Durante a noite, quando os traidores entraram nos aposentos do rei, ele acordou, apenas para descobrir que estava desarmado e sem defesas. Alboin tentou evitar o ataque com um banquinho, mas foi morto mesmo assim.
Não se sabe exatamente quais mãos tiraram a vida do rei, mas a culpa recaiu sobre Helmichis e Peredeo. Os dois foram considerados assassinos únicos e, por algum tempo, pouco se falou sobre a rainha.
A noite do assassinato de Alboin / Crédito: Wikimedia Commons
Casamento indesejado.
A vida de Rosamund se complicou novamente quando Helmichis quis se casar com ela e, com isso, usurpar o trono. As máscaras caíram e todos os ducados do reino repugnaram o casal. Assim, Rosamund, Helmichis e Albsuinda, filha de Alboin, fugiram juntos para um forte romano no leste de Ravena.
Uma vez exilados, Rosamund e Helmichis realmente se casaram. Mas o homem logo provou da crueldade de sua amada quando ela começou a se relacionar com Longinus, que também ajudou a planejar o assassinato de Alboin.
Apaixonado pela antiga rainha, Longinus queria se casar e pediu que ela se livrasse de seu segundo marido. Rosamund, então, tentou envenenar Helmichis, mas foi assassinada pelo homem, que a forçou a beber o veneno e depois cometeu suicídio.
CARLOS MAGNO, O REI QUE REDESENHOU O MAPA DA EUROPA
O monarca franco submeteu os vizinhos ao poder de seus exércitos e à força de sua fé
ISABELLE SOMMA PUBLICADO EM 03/04/2019.
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Roma, Natal do ano 800. Excepcionalmente, o rei franco Carlos Magno passava o inverno fora de casa. Mas era uma emergência. Ele e seus homens foram à cidade eterna para reconduzir Leão III ao pontificado. Meses antes, o papa havia sofrido um sério atentado a mando da nobreza local.
No ataque, perdeu a língua e ficou parcialmente cego devido a cortes feitos em suas pálpebras. Por isso, procurou abrigo na corte de Carlos, um fiel cristão que chegava a freqüentar a igreja três vezes por dia.
O monarca chegou a Roma com suas tropas, puniu os inimigos do papa e botou ordem na cidade. Em agradecimento, Leão III organizou uma celebração natalina especial. Tinha de presentear seu protetor e, de quebra, garantir sua segurança e a posição da Santa Sé por mais tempo. Naquele 25 de dezembro, o papa coroou Carlos como novo imperador de Roma, algo que a Europa não via desde a queda do Império Romano, em 476.
União europeia.
A cerimônia inaugurou um novo tempo. “É raro um único evento ser completamente crucial, mas a coroação de Carlos Magno como imperador foi realmente um divisor de águas. Pela primeira vez, havia uma visão da Europa Ocidental como uma entidade política única”, afirma Geoffrey Koziol, professor do departamento de história da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos.
“Não se tratava mais apenas do reino dos francos ou dos lombardos, saxões, bávaros ou aquitânios, mas de uma entidade política que englobava todos eles, implicando numa unidade que todos compartilhavam apesar de suas diferenças. A coroação de Carlos tornou possível uma identidade comum à toda a Europa.”
A unificação de povos tão distintos se deu por meio da religião, o catolicismo romano. Antes da ascensão de Carlos Magno, a Europa central era tomada por povos bárbaros – leia-se não cristianizados e independentes. Ele os conquistou e os converteu mais pela força do que pela persuasão.
E, com o poder conferido pelo líder da Igreja Católica Romana, o rei dos francos pôde justificar sua autoridade sobre aqueles que havia submetido – e que submeteria até sua morte, em 2 de abril de 814.
Morreu como soberano absoluto do que hoje corresponde a boa parte da Alemanha, Holanda e França, o norte da Itália, a totalidade da Bélgica e da Suíça e um pedacinho da Espanha e da Dinamarca. Carlos herdou parte de seu império, mas conquistou pelo menos a metade dele pela força da espada. E repeliu aqueles que o ameaçavam. Do lado leste, os temidos avaros. No oeste, os muçulmanos do reinado de Córdoba.
O legado que Carlos Magno recebeu veio de ilustres ancestrais. Era neto de Carlos Martel, vencedor de uma das batalhas mais importantes da história da Europa, a de Poitiers, que em 732 barrou o avanço muçulmano.
Era filho de Pepino, o Breve, que destituiu de vez os já enfraquecidos reis merovíngios e inaugurou uma nova dinastia entre os francos, a dos carolíngios – nome emprestado de Martel. Após a morte de Pepino, o reino dos francos foi dividido entre seus dois filhos.
O primogênito, Carlos Magno, ficou com um pedaço ao norte. Carlomano, oito anos mais moço, ficou com a parte sul. Essa configuração não durou muito, pois Carlomano morreu três anos depois. O mais velho ignorou os direitos de seus sobrinhos e anexou as terras de seu irmão. Esse foi o primeiro passo para erguer o maior império na Europa desde o fim do Império Romano. À base de muito derramamento de sangue.
Coroação de Carlos Magno, por Jean Fouquet / Crédito: Wikimedia Commons
Aliás, laços sanguíneos também não impediam que ele travasse guerras. Carlos havia se casado com a filha de Desidério, rei dos lombardos, para apaziguar desavenças que remontavam aos tempos de Pepino. De nada adiantou. Desidério recebeu os herdeiros de Carlomano em sua corte e pressionou o papa Adriano I a coroá-los como reis dos francos.
Caso o pontífice se recusasse, o rei da Lombardia, região localizada ao norte da Itália atual, tomaria as terras que pertenciam à Igreja. Essas terras haviam sido conquistadas dos próprios lombardos e graciosamente doadas à Santa Sé. Irritado com a provocação do sogro, Carlos interveio.
Atravessou os Alpes e destituiu o rei, mandando-o juntamente com o cunhado para o exílio em um mosteiro. Como era casado com a herdeira, achou muito natural declarar-se rei dos lombardos. E assim o fez.
Bárbaros domados.
Com Desidério fora de combate, Carlos pôde se dedicar à verdadeira pedra em sua bota: a Saxônia, região que se localiza no noroeste da Alemanha de hoje. Os saxões não eram vizinhos civilizados: costumavam invadir e saquear vilarejos e plantações francas. O exército de Carlos Magno travou seu primeiro combate com os bárbaros saxões em 772. O rei franco utilizou-se de mecanismos pouco cristãos, como deportações, massacres e conversões em massa.
Chegou a decapitar 4.500 inimigos e instalou uma série de leis marciais para quem desrespeitasse os preceitos cristãos. Quem matasse um padre, destruísse uma igreja, se recusasse a ser batizado, não obedecesse ao jejum nos feriados religiosos ou comesse carne às sextas-feiras era condenado à morte. Mesmo assim, a dominação completa demorou e só ocorreu em 804. Trinta e dois anos após o primeiro enfrentamento, Carlos finalmente submeteu os saxões.
Os bretões, que viviam na região oeste da Gália, os benevantes, instalados ao sul da Península Itálica, e os bávaros, localizados no sul da atual Alemanha, também não resistiram ao exército franco. Em 45 anos de reinado, Carlos promoveu 54 guerras.
Para administrar tantas conquistas, ele criou seu próprio sistema de governo. Distribuía terras entre condes e duques e, em troca, exigia lealdade na administração. Eles deviam fiscalizar a aplicação das leis carolíngias, julgar disputas, convocar homens para as mobilizações militares.
Em suma, manter a lei e a ordem. Mas como Carlos era Magno e não Tolo, espalhou bispos e outros religiosos pelo império para servirem como olheiros ou fiscais dos fiscais. Todos os anos, o monarca promovia um grande congresso com todos eles para discutir os problemas do reino. E para lembrá-los de quem realmente mandava.
Uma nova fronteira.
Carlos também queria se livrar da constante preocupação que a fronteira dos Pirineus lhe trazia. Do outro lado da cadeia montanhosa, estavam os muçulmanos, que, mesmo após a batalha de Poitiers, continuavam sendo uma ameaça aos francos.
Em 778, Carlos Magno atravessou as montanhas e partiu com seu temido exército para Saragoça. Lá, encontrou forte resistência e desistiu do cerco à cidade. Na volta, a retaguarda de seu exército foi alvejada de surpresa pelos bascos, cujo território fica na atual fronteira norte da Espanha com a França.
A morte de um dos comandantes do exército franco virou um poema épico, a Canção de Rolando. Mesmo com a retumbante derrota, os francos não desistiriam. Apenas meses depois, Carlos voltou à região e submeteu Barcelona e as Ilhas Baleares. Para evitar novas surpresas, delimitou a fronteira, ao longo dos Pirineus, chamando-a de Marcas Espanholas.
Carlos Magno, o Combatente, era insaciável. Como não dava descanso para seus inimigos, não tinha moradia fixa, apesar de seu palácio em Aaschen ser considerado a sede de seu reinado. O local, também conhecido como Aix-en-Chapelle, fica hoje na Alemanha, próximo à fronteira com a França. Lá, ele construiu uma belíssima igreja e uma escola. O palácio conta também com uma enorme piscina de mármore, que Carlos atravessava com enormes braçadas – tinha quase 2 metros de altura.
“O biógrafo de Carlos Magno, o monge Einhard, relatou que ele era um homem alto com uma voz poderosa, que adorava carne assada e raramente bebia mais do que três taças de vinho”, afirma David Ganz, professor do Kings College, de Londres. Não era um entusiasta de festas e grandes recepções, mas adorava um farto banquete. O monarca fazia pelo menos quatro refeições diárias, sendo que uma delas tinha de ter seu prato predileto: carne de caça.
Mas a fome de Carlos era maior ainda por conquistas territoriais. Enquanto tivesse vizinhos, novas guerras seriam travadas. O próximo alvo foram os limites orientais de seu império. Lá, estavam os avaros, que também eram conhecidos como hunos. Em 791, Carlos derrota e saqueia seus inimigos, que são ancestrais dos húngaros. O exército franco trucidou toda a corte avara e tomou todos os bens do palácio real.
Segundo Einhard, essa foi a guerra mais lucrativa para os francos. Arrasados, os avaros rapidamente pediram a paz. Em troca, mais uma vez, o rei franco exigiu que eles aceitassem o primeiro sacramento cristão, o batizado. Dessa forma, o império ganhou novos vassalos. E a Europa, mais cristãos.
Depois de tantas vitórias, a cerimônia natalina realizada por Leão III coroou um rei que, na prática, já era um poderoso imperador. “A coroação de Carlos, naquela época, fez muito pouca diferença para seu poder até então”, afirma Rosamond McKitterick, professora da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e autora de vários livros sobre o período carolíngio.
Leste e oeste.
Na verdade, o título foi mais útil para quem o concedeu, ou seja, a Igreja. Os pontífices já vinham sendo hostilizados pela nobreza local e desafiados por seu antigo protetor, o Império Bizantino. Com a concessão do título ao rei dos francos, Leão III, arranjou um novo defensor, mas também criou uma rivalidade entre Carlos Magno e o rei Miguel I. O imperador bizantino reconheceu o título somente em 812, quando os dois impérios selaram a paz. Mas não foi de graça. Em troca, Carlos renunciou ao direito de governar a Ístria e a Dalmácia em favor dos bizantinos.
Carlos Magno e o papa Adriano I, por Antoine Vérard / Crédito: Wikimedia Commons
O império erguido na ponta da espada por Carlos Magno cairia por terra em apenas uma geração. Um ano antes de morrer, ele indicou seu único filho legítimo vivo, Luís, o Piedoso, como herdeiro do vasto império. Com a morte de Luís, em 840, o território foi dividido entre seus três filhos. Carlos (xará do avô) ficou com a porção ocidental, que abrangia o que hoje é parte da França e da Catalunha, na Espanha. Lotário ficou com a terça parte central que hoje equivale à região ocidental da França e o norte da Itália. E Luís ficou com o restante, o quinhão ocidental da Alemanha.
Segundo Geoffey Koziol, a configuração da Europa de Carlos Magno não caiu totalmente em terra depois do loteamento realizado entre seus netos. Ele defende que a divisão da Europa após a Segunda Guerra Mundial era muito parecida com a de quando Carlos Magno morreu.
Os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ocupavam quase o mesmo território do império carolíngio, enquanto os signatários do Pacto de Varsóvia ocupavam a mesma fronteira oriental. “É difícil dizer exatamente como, mas, de alguma forma, os carolíngios eram tão importantes que 1.200 anos depois, o mapa da Europa carolíngia era o mapa da Europa moderna.”
Santo latifúndio.
Além de proteção, os reis francos foram responsáveis pela transformação da Igreja em grande proprietária de terras. “A primeira doação foi realizada pelo pai de Carlos Magno, Pepino, após a campanha contra os lombardos. Carlos confirmou o presente criando os chamados Estados Pontifícios”, diz o historiador Ruy Andrade Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Durante a Idade Média, a Igreja Católica Romana recebeu ainda outras terras doadas por fiéis preocupados em entrar no reino dos céus. Como os religiosos não se casavam e não tinham filhos, as propriedades continuavam sempre na mão de uma só entidade: a própria Igreja.
Que se tornou a maior proprietária de terras da Europa durante o período feudal. Mas o latifúndio papal acabou com a unificação italiana em 1870. Os revolucionários italianos ocuparam os chamados Estados Pontifícios e queriam a cidade de Roma como nova capital. O papa Pio IX recusou-se a negociar com o rei Vitor Emanuel. O status da cidade foi finalmente resolvido em 1929, por meio do Tratado de Latrão, firmado entre Benito Mussolini e Pio XI. Pelo acordo, a Igreja ficou com o Estado do Vaticano, que ocupa menos de 5 quilômetros quadrados.
Renascimento medieval.
As guerras foram a principal atividade de Carlos, mas não a única. O monarca, que falava alemão e era analfabeto, dedicou-se à promoção de uma modesta, porém importante, renascença cultural. Ele não apenas criou uma escola em seu palácio reunindo os melhores acadêmicos da época, mas promoveu uma retomada da atividade intelectual em mosteiros. Graças a esse período, hoje, temos acesso a obras da Antiguidade, como Cícero e Virgílio, que foram copiadas no período carolíngio. “Em seu reinado, um grande número de manuscritos foi copiado. Desses, existem ainda 7 mil livros, incluindo os autores clássicos e os primeiros cristãos.
Essas obras lançaram os padrões para a escrita latina, para a arte e a arquitetura”, afirma David Ganz. Outra contribuição do Império de Carlos Magno foi a própria ideia de história. “Antes, a história era quase totalmente baseada em crônicas de eventos recentes ou contemporâneos, e não um registro de continuidade”, afirma Geoffrey Koziol. “Foi nesse período que se introduziu as siglas a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo).”
Origens do feudalismo.
Para muitos historiadores, a coroação de Carlos Magno no ano 800 marcou a real transição entre a Antiguidade e a Idade Média e não a queda de Roma, em 476. A explicação é que Carlos teria fundado os princípios feudais que norteariam a Europa até o fim do período medieval. “As instituições fundamentais da sociedade medieval e a incorporação da tradição clássica à cultura da Idade Média têm suas bases no período carolíngio”, diz o historiador Christopher Dawson, no livro The Making of Europe.
O rei dos francos utilizou como ninguém as relações de vassalagem e a influência da Igreja para manter e propagar seu poder. ”Essas são características marcantes que se estenderiam pela Idade Média e sobreviveram à divisão de poder que se sucedeu à sua morte”, afirma Dawson. Segundo Ruy Andrade, professor da Unesp, o feudalismo é fruto de elementos estruturais e conjunturais. Dentre os conjunturais, existem os oriundos do Império Romano, como a ruralização da economia e da sociedade a partir do século 3.
Entre os estruturais, a expansão do Islã, a derrocada do Império e as invasões de sarracenos, normandos, húngaros e eslavos. “Dessa forma, a formação do Império Carolíngio é apenas um dos componentes que irão gerar a sociedade feudal.”Carlos Magno não é ´fundador` do feudalismo. Seu império é uma das características de um todo sistêmico.”
Habitavam a Germânia, na Europa. Estavam divididos em vários grupos: alamanos, burgúndios, francos, godos, jutos, ostrogodos, saxões, suevos, vândalos, visigodos, etc.
Se dedicavam a guerra e a agricultura. Assim que a terra se esgotava, eram obrigados a partir para outro lugar. Eles cultivavam trigo, aveia e linho. Criavam bois, cavalos e ovelhas. Caçavam e pescavam. Praticavam a metalurgia na fabricação de armas: lanças, espadas longas com duplo corte e machados.
Quando morriam, eram enterrados com suas armas. A vida familiar era importante. O pai era a autoridade sobre a esposa e filhos. Haviam casamentos monogâmicos e poligâmicos. Ao se casar, a mulher levava o dote, armas e animais. O homem vivia com a família até os 15 anos, depois recebia o escudo e a lança do pai e ia viver com os guerreiros. Se fosse nobre seria orientado por um chefe. Mesmo casados, os jovens seriam protegidos pela família. Se fosse morto, seria vingado. Se devesse a alguém, a família deveria pagar as dívidas. Os homens livres tinham prestígio.
Os nobres possuíam mais terras e dirigiam a comunidade. Os semi livres eram vindos de povos vencidos. Os escravos eram prisioneiros de guerra ou porque não puderam pagar as suas dívidas.
O bando de guerreiros era comandado por um chefe e prestavam-lhe juramento de fidelidade. O cargo de chefe também podia passar de pai para filho (hereditário).
As guerras com romanos enriqueceram muitos chefes bárbaros. Alguns desses comandantes tornavam-se reis.
AS LEIS GERMÂNICAS.
Não havia lei escrita, as leis eram transmitidas oralmente. O direito era consuetudinário, baseado nos costumes. Cada comunidade tem suas leis e costumes. A lei permitia fazer justiça com as próprias mãos. A lei não era igual para todos, porque umas vidas valiam mais que as outras.
As multas variavam pela posição social e pelo sexo da pessoa. A vida de um nobre valia mais do que a vida de um homem comum. Havia tortura, mergulhavam a mão em água fervente ou deveriam segurar uma barra de ferro quente.
A MITOLOGIA GERMÂNICA.
Seus deuses também possuíam características humanas e divinas. Os normandos, conhecidos como vikings, enriqueceram a mitologia. Como eles viviam na Escandinávia, não tiveram contato com a cultura greco-romana. Os principais deuses germânicos eram:
ODIN = rei misterioso, sacrificou um olho para ganhar sabedoria, seus ajudantes eram 2 corvos, Hugin, o pensamento e Munin, a memória, contavam tudo que acontecia no mundo. Deus da guerra, alguns chamavam de Wotan e os bretões chamavam de Woden.
THOR = filho de Odin, deus do trovão e das tempestades, o barulho do trovão, era da sua carruagem puxada por 2 bodes. Sua arma era o martelo de pedra, chamado Mjoelmir, deus da chuva e da fertilidade, a 5ª feira é o dia de Thor.
LOKI = deus trapaceiro, pregava peças e contava mentiras.
FRIGA = mulher de Odim, deusa das plantações, campos e das mulheres grávidas,a 6ª feira, Friday é o dia de friga.
HEL = monstruosa filha de Loki, governava o reino dos mortos.
O espírito guerreiro acompanhava os bárbaros na guerra. Os mortos eram levados pelas Valkirias para o Wahalla, paraíso dos guerreiros.
OS CELTAS.
Habitavam o norte e o centro da Europa. Foram vencidas pelos romanos entre 58 e 52 a.C., na europa e na Britânia em 43 d.C..
Os povos celtas mais conhecidos são os gauleses que habitavam a Gália, atual território da França e da Bélgica. Os bretões viviam na Grã-Bretanha. Os iberos viviam na Lusitânia, Hispânia e na Península Ibérica, onde é Portugal e a Espanha.
Os celtas cultuavam a natureza. Seus rituais eram realizados em bosques. Os sacerdotes eram chamados de druidas. O Mago Merlim era um druida. O rei Arthur e Panoramix o feiticeiro das poções mágicas do Asterix, são histórias dos druidas.
Entre as festas religiosas dos celtas, está o Halloween, Dia das Bruxas, comemorado até hoje. Na Irlanda, os monges cristãos transmitiram essa cultura, através das histórias que escreveram. As línguas de origem celta:como o bretão, o galês e o irlandês ainda existem.
OS GERMANOS NO IMPÉRIO ROMANO.
Os bárbaros foram se deslocando e entrando no Império Romano. Alguns entraram como soldados, como lavradores nas condições de colonos.
No comércio, forneciam trigo, madeira e peles. Compravam dos romanos ferramentas, armas e vinho. Também por meio de casamentos, os bárbaros se misturavam aos romanos.
A partir do séc. IV, os germanos passaram a atacar e saquear as cidades do império. Queriam terras para a agricultura e a cobiça pelas riquezas de Roma. Os hunos também estavam atacando a Europa e pressionando os germanos.
OS HUNOS.
Eram cavaleiros vindos da Mongólia. Em 370 d.C., chegaram a Europa espalhando pânico por toda a Germânia. Atacaram cidades romanas e saquearam tudo. Seu comandante era Átila. Para fugir dos hunos, os germanos entrarm no império romano.
Em 410, Alarico e os visigodos atacaram Roma. Os bárbaros foram embora levando ouro, pedras preciosas, tapetes e artigos de valor. Em 476, Roma caiu nas mãos bárbaras de Odoacro, chefe dos herulos.
Nas terras romanas conquistadas pelos bárbaros, fundaram vários reinos: Reino dos Anglo-Saxãos, Reino dos Francos, Reino dos Visigodos, Reino dos Suevos, Reino dos Vândalos e o Reino dos Ostrogodos.
Os Principais Estados Germânicos.
Surgiram os seguintes traços:
1 – ruralização da vida econômica. Promoveu o fortalecimento das
elites agrárias. A hierarquia foi baseada no fator terra. Constituindo grupos
dominados pelos aristocratas agrários. A pirâmide da hierarquia tinha a nobreza,
do outro lado uma massa de camponeses dominada pelas aristocracias.
2 - Ocorre um enrijecimento das relações sociais nesta sociedade
pela polarização da hierarquia.
3 - Inicia a cristianização dos povos germânicos, um dos
processos mais importantes para essa organização social. Alguns estados
germânicos tiveram suas bases marcadas pela cultura romana enquanto que outros
vão aproximar-se mais ao legado germânico. Um dos primeiros estados a se
organizar a partir do legado romano foi o reino dos ostrogodos.
Reino dos Ostrogodos - Itália.
Este vai se organizar a partir da liderança de um Rei Teodorico.
Governo de Teodorico (mais ou menos 493 – 526). Ele vai tentar restaurar o
legado romano. Defensor de Roma. Politicamente usou o senado, a magistratura e
o sistema de cobrança de impostos. Permitiu que a elite do senado romano
continuasse a desempenhar suas funções administrativas mesmo que fossem
resistentes ao seu governo. No ponto de vista econômico, na região da Gália,
permitiu a conservação de propriedades dos antigos e dividiu terras com seus
guerreiros. Teodorico procurou manter uma urbanização, reformar prédios,
defendia a cultura, mandou construir templos. No início do seu governo, buscou
a cooperação de personalidades políticas e intelectuais romanas importantes
como: Cassiodoro e Boécio, que foram pensadores. Somente os germanos podiam ter
porte de armas e exercer o militarismo. A religião na monarquia dos ostrogodos
encontrava-se no arianismo com cristãos e arianos e permitiu o culto aos católicos.
Surge o cristianismo católico ortodoxo.
As lendas glorificavam os antepassados. O estado era patrimônio
da família real, mas era frágil porque em caso de sucessão ele seria dividido
entre os membros da família e fragilizava a unificação. Muitos grupos foram
marcados por vários conflitos internos na disputa de poder e riquezas.
O Reino dos Francos.
O reino é associado a um grupo de povos. Muitos estados germânicos
não duraram muito porque não tinham uma estrutura política.
Os Anglo Saxões.
Fizeram parte da primeira fase da Inglaterra Medieval e foi
dividido em vários estados germânicos e duravam entre 30 a 50 anos e acabavam
porque não tinham força.
Os Vândalos na África.
Não misturaram suas culturas entre a população romana e a
gótica. Não duraram muito por causa das dificuldades políticas apresentadas
pelos reinos germânicos. Muitas realezas buscavam a herança administrativa de
Roma e suas formas de adaptações políticas. Muitos estados tiveram de contar
com a ajuda e fusão com os romanos.
O Nibelungenlied (A
Canção dos Nibelungos) é o mais famoso poema heroico em médio-alto alemão.
Conta a história de Siegfried, o matador de dragões, desde sua infância e seu
casamento com Kriemhild, até seu assassinato pelo terrível Hagen e a vingança
subsequente de Kriemhild, culminando na aniquilação dos burgúndios ou
nibelungos, na corte dos hunos. Originalmente baseado em uma antiga tradição
oral, o poema foi passado para escrita por volta do ano de 1200, ou logo após,
provavelmente na corte de Wolfger von Erla, Bispo de Passau, de 1191 a 1204.
Atualmente, é conhecido apenas nas versões que chegaram até a época atual,
através de 37 manuscritos e fragmentos que datam dos séculos XIII ao XVI. No
século XIX, teve uma enorme influência como poema épico nacional
alemão, como está refletida em numerosos trabalhos de arte visual e nos dramas
musicais de Richard Wagner. O Codex A, que é preservado na Biblioteca Estatal
da Baviera, foi listado, junto com dois outros importantes manuscritos
utilizados para estabelecer o texto (Códices B e C), no programa Memória do
Mundo, da UNESCO, em 2009.
A Canção dos Nibelungos é uma das mais importantes obras da
Literatura Alemã do período medieval. É o canto fúnebre de um mundo pagão que,
aos poucos, se cristianizava, lamentando o fim da era dos deuses noturnos.
Trata-se de uma tradução completa da Canção dos Nibelungos é uma epopeia de
2.379 estrofes. É um poema de grandes dimensões, de caráter narrativo e estilo
elevado, destinado a celebrar os feitos de um povo. A Alemanha considera esta
epopeia um poema de seu passado histórico, de vez que os burgúndios foram um
povo germânico.
Rogério II, soberano normando. Um dos últimos povos bárbaros a invadir a Europa medieval. Foi apoiador da ciência árabe e da cultura bizantina na Europa.
Fonte: Ricardo Coração de Leão. Coleção: Grandes Personagens da História Universal, Volume 25, Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural, São Paulo, 1970.