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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Descoberto templo budista no Paquistão.

Este pode ser um dos mais antigos templos budistas já descobertos

Foi construído há algumas centenas de anos após a morte do fundador do budismo, Sidarta Gautama.

Créditos: ISMEO / Universidade de Veneza Ca' Foscari.

Um antigo templo que data dos primeiros séculos do budismo foi desenterrado no vale do Suate, no norte do Paquistão – parte da antiga região de Gandara que foi conquistada por Alexandre, o Grande, e deu origem a uma mistura de crença budista e arte grega.

Os arqueólogos pensam que o templo data de meados do século II a.C., numa época em que Gandara era governado pelo reino indo-grego do norte da Índia, e que foi construído acima de um templo budista anterior que pode ter datado por volta do século III a.C.

Isso significa que as pessoas teriam construído o templo budista mais antigo algumas centenas de anos após a morte do fundador do budismo, Sidarta Gautama, que viveu onde hoje é o norte da Índia e o Nepal entre cerca de 563 a.C. e 483 a.C.

Os restos escavados do templo encontrado até agora, perto do centro da cidade moderna de Barikot, têm mais de 3 metros de altura e consistem em uma plataforma cerimonial encimada por uma estrutura cilíndrica que abrigava um monumento budista cônico ou em forma de cúpula chamado de estupa.

Grande parte do trabalho dos arqueólogos foi escavar a antiga fortaleza e outro templo na “acrópole” nos arredores de Barikot. Créditos: ISMEO / Universidade de Veneza Ca’ Foscari.

O complexo do templo, que foi construído e reconstruído várias vezes, também incluía uma estupa menor, uma cela ou sala para monges, uma escada, o pódio de um pilar ou coluna monumental, saguões e um pátio público que dava para uma antiga estrada.

A datação por radiocarbono estabelecerá datas precisas das estruturas, mas o templo de Barikot é claramente um dos primeiros monumentos budistas já encontrados na antiga região de Gandara, disse Luca Maria Olivieri, arqueólogo da Universidade de Veneza Ca’ Foscari e da Associação Internacional para o Mediterrâneo e Estudos Orientais (ISMEO), que lideraram as escavações com colegas paquistaneses e italianos, à Live Science.

No centro do antigo templo há uma plataforma cerimonial encimada por uma estrutura cilíndrica que já abrigou uma estupa – um monumento budista cônico ou em forma de cúpula. Créditos: ISMEO / Universidade de Veneza Ca’ Foscari.

Antigo e moderno

Arqueólogos italianos, que trabalham no Suate desde 1955, começaram as escavações em Barikot em 1984.

Sua missão tinha sido preservar a importante arqueologia da cidade alugando terrenos baldios e escavando o máximo possível, protegendo-a contra a expansão urbana e escavações arqueológicas clandestinas que buscavam recuperar artefatos para vender nos mercados de antiguidades estrangeiros, disse ele.

Até alguns anos atrás, as escavações em Barikot incluíam os distritos do sudoeste da cidade e a acrópole – mas não o centro da cidade, onde os custos de aluguel de terrenos são muito altos, disse ele. (O terreno nos sítios arquelógicos de Barikot é muitas vezes de propriedade privada, e alugá-lo sob condições que permitem as escavações é mais simples e menos caro do que comprá-lo.)

Mas o templo recém-descoberto foi encontrado em terras adquiridas pelas autoridades arqueológicas provinciais perto do centro da cidade, o que permitiu que a equipe iniciasse as escavações lá em 2019. Poços feitos por saqueadores já sugeriam que algo importante poderia estar enterrado lá.

“Durante anos, vimos o que saiu das valas de fundação de casas modernas, escavações agrícolas e os poços deixados pela escavação clandestina”, disse Olivieri. “[Então] havia indícios de que havia um grande monumento lá”.

O templo foi descoberto por arqueólogos italianos e paquistaneses em terras próximas ao centro de Bakirot, adquiridas pelo governo provincial da região. Créditos: ISMEO / Universidade de Veneza Ca’ Foscari.

O templo estava localizado ao longo de uma antiga estrada que levava ao principal monumento budista da cidade antiga, uma estupa de 20 metros de largura que foi revelada por obras públicas há alguns anos; é agora o local de um poste de eletricidade.

Além das características arquitetônicas do templo enterrado, os arqueólogos descobriram mais de 2.000 artefatos no local, incluindo moedas, joias, selos, peças de cerâmica, alvenarias e estátuas, algumas das quais com inscrições antigas que podem ser usadas para datá-las, disse Olivieri.

Milhares de artefatos antigos foram desenterrados nas escavações em Barikot, incluindo este rosto de um Buda esculpido em xisto cinza. Créditos: ISMEO / Universidade de Veneza Ca’ Foscari.

Conquista alexandrina

Barikot é mencionado como “Bazira” ou “Beira” em fontes clássicas da época de Alexandre, o Grande, que conquistou o já antigo reino de Gandara em 327 a.C. Seu nome significava “a cidade de Vajra”, referindo-se a um antigo rei mencionado em “O Mahabharata”, um poema épico sânscrito que se acredita relatar eventos de cerca dos séculos IX e VIII a.C.

Alexandre era o rei da Macedônia na Grécia e liderou campanhas militares para o leste contra o Império Persa a partir de 334 a.C., encenando uma invasão do noroeste da Índia – sua conquista mais distante – em 326 a.C.

Alexandre acabou voltando para a Europa a pedido de soldados doentes de suas tropas, mas morreu na Babilônia em 323 a.C., provavelmente de uma doença como a malária, mas possivelmente de envenenamento. Seus generais então dividiram seus territórios; a região de Bactria ao norte de Gandara tornou-se governada por reis de ascendência grega, enquanto Gandara por um tempo reverteu ao domínio nativo indiano sob o Império Máuria.

Olivieri disse que o budismo já estava presente em Gandara na época de Menandro I, descendente dos reis gregos de Bactria, que estabeleceram o reino indo-grego por volta de 165 a.C. e tomou controle da região, mas pode ter sido limitado às elites da região.

Mais tarde, o budismo tornou-se muito mais difundido, e Suate tornou-se um centro sagrado para a religião, especialmente durante o Império Cuchana de cerca de 30 a 400 d.C., quando Gandara se tornou famoso pelo estilo greco-budista que retratava assuntos budistas com as técnicas gregas de arte.

Suate também tem um microclima temperado, que permite duas colheitas por ano – na primavera e no final do verão – então a antiga Barikot era um importante centro de gestão do excedente agrícola da região. Como resultado, Alexandre provavelmente usou a região como um “celeiro” para abastecer seus exércitos antes de continuar sua campanha militar ao sul da Índia, de acordo com um comunicado da Universidade de Veneza Ca’ Foscari.

Olivieri disse que a missão arqueológica italiana encerrou sua última temporada de escavações em Barikot, mas a equipe retornará ainda este ano para fazer mais pesquisas sobre o local e, esperançosamente, revelar mais sobre o antigo templo.

fonte: https://universoracionalista.org/este-pode-ser-um-dos-mais-antigos-templos-budistas-ja-descobertos

terça-feira, 2 de julho de 2019

Monges Shaolin: conheça os guerreiros budistas da China.

MONGES SHAOLIN: CONHEÇA OS GUERREIROS BUDISTAS DA CHINA

De pé ainda hoje no Monte Song, o Mosteiro Shaolin presenciou o nascimento e queda dessa tradição - que ganhou força nos últimos tempos
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 02/07/2019
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- Crédito: Reprodução
Tudo começou no ano de 464, quando um monge e professor andarilho peregrinou da Índia para as terras da China. Buddhabhadra, também conhecido como Batuo, tinha como missão espalhar ensinamentos budistas, e acreditava serem melhor transmitidos de professor para aluno do que apenas pela leitura dos textos sagrados.
Batuo se tornou o primeiro abade do Mosteiro Shaolin, construído para ele em uma das montanhas sagradas da China por ordem do Imperador Xiaowen da dinastia Wei.
Época Dourada
Como centro do Budismo Chan (que corresponde ao Zen Budismo do Japão), o templo atraiu a atenção de muitos imperadores da China. Durante a dinastia Tang (618-907), a imperatriz Wu Zetian fez várias visitas ao local para discutir a filosofia budista com monges.
Kublai Khan, fundador da dinastia Yuan, teria ordenado que todos os templos budistas na China fossem liderados pelo Templo de Shaolin, e oito príncipes da dinastia Ming se transformaram em monges Shaolin.
Uma particularidade desse monastério, era o uso das artes marciais como forma de aprofundar a compreensão dos ensinamentos transmitidos por Buda. As habilidades de luta, desenvolvidas com rigor, levaram muita fama aos monges, que recebiam estudantes de todo lugar para aprender a técnica e ganharam a reputação de serem os mais poderosos entre os guerreiros budistas.
Mosteiro Shaolin no Monte Song, China
Renascendo das cinzas
O Monastério Shaolin escapou da destruição inúmeras vezes. No século 14, durante a Rebelião do Turbante Vermelho, foi saqueado por ladrões e ficou parcialmente destruído, o que afastou muitos monges do local. Em 1641, forças rebeldes saquearam o local com a alegação de que os monges apoiavam a dinastia Ming, o que representaria uma ameaça. Destruídos pelos combates, os monges fugiam para outras terras da China, o que acabou contribuindo para que os ensinamentos Shaolin fossem difundidos.
Na era moderna, uma outra ameaça quase dizimou o que sobrou dos Shaolin: a Revolução Cultural na China de 1966. Seguindo a doutrina marxista, a China de Mao tsé deveria ser oficialmente ateísta. Isso levou ao saque e destruição de textos, pinturas e outros tesouros do templo, e os poucos monges Shaolin que restaram foram açoitados e presos.
Isso teria sido o fim da ordem, não fosse uma produção cinematográfica de 1982 que se tornou fenômeno no país. O filme O Templo Shaolin, estreado pelo ator Jet Li, era baseada vagamente na história dos monges, mas foi o suficiente para que milhões de turistas visitassem o templo escondido nas montanhas.
Hoje em dia, os Monges Shaolin são conhecidos em todo o planeta, e suas táticas de luta – responsáveis por mantê-los vivos através do tempo – são admiradas por muitos. O monastério, idealizado 1,5 mil anos atrás, ainda pode ser encontrado na base do Monte Song.

As Dez Normas dos Monges Shaolin
Kwok Yuen, monge que viveu entre as dinastias Yuan e Ming, criou um código filosófico com as seguintes normas, a serem seguidas pelos Shaolin desde a mais tenra idade:
1 - Treinar ininterruptamente
2 - Usar técnicas somente para a defesa pessoal
3 - Respeitar os superiores
4 - Ser honesto e sempre demonstrar cordialidade
5 - Evitar demonstrações de lutas
6 - Nunca ser agressivo ou demonstrar maneiras rudes
7 - Jamais comer carne ou provar bebidas alcoólicas
8 - Conter impulsos sexuais
9 - Jamais ensinar técnicas às pessoas que não são budistas
10 - Evitar a cobiça e a agressividade

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Conheça a História do Sri Lanka, país marcado pelo conflito entre budistas e cristãos.

CONHEÇA A HISTÓRIA DO SRI LANKA, PAÍS MARCADO PELO CONFLITO ENTRE BUDISTAS E CRISTÃOS

A pequena ilha é bastante fragilizada devido às cicatrizes deixadas pelos portugueses, holandeses e britânicos durante a colonização
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 22/04/2019
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- Reprodução
O Sri Lanka, também conhecido por seu nome colonial Ceilão, foi um importante centro de profissão da fé budista e, depois, uma relevante posse portuguesa de produção de café. A pequena ilha próxima à Índia pode até não se destacar por seu tamanho ou sua relevância estratégica militar ou bélica, mas sua presença no mundo não pode ser relevada.
Conheça melhor a história desse complexo e pequeno país na Ásia -- que sofreu uma série de atentados em três igrejas, quatro hoteis e um complexo residencial neste domingo de Páscoa, 21, deixando um rastro de 290 mortes e 500 feridos.
Antiguidade e formação do budismo
Os mais antigos registros civilizacionais do território onde hoje é o Sri Lanka datam do século VI a.C., da época em que a ilha mal era ocupada, mas havia a presença de imigrantes da Malásia que seguiam a cultura dos Vedas da Índia. No século VI, as ocupações vedas são invadidas pelo povo Cingalês, viajantes da região indiana de Bengala, que estabelecem um reino próprio a partir de 543 a.C. com a ascensão do Rei Vijaya, que se estabelece na nova capital, Anuradhapura.
Porém, é no século III que a ilha ganha certo destaque no campo religioso. Nessa época, o rei e o reino começam um processo de conversão à doutrina exportada da Índia que segue os ensinamentos de Sidarta Gautama. Ou seja, nessa época, os Cingaleses se convertem ao budismo e criam em seu reino grandes centros de estudos e discussões dos textos e ensinamentos do dogma budista e suas práticas sagradas. Foi a partir dos estudos do budismo e da prática missionária dos monges que a Sri Lanka começou a se estabelecer como grupo e cultura distinta, se separando drasticamente do circuito cultural indiano, influenciado muito mais pelo hinduísmo.
Templo budista em Polonnaruwa (Reprodução)
É no auge do estabelecimento do budismo na Sri Lanka que é realizado no reino, em 25 a.C.,  um importante comício religioso, o Quarto Concílio Budista Teravada, no templo Anuradhapura Maha Viharaya, patrocinado por Valagamba de Anuradhapura. Naquele ano, uma gigante crise produtiva levou à morte por fome de diversos monges na região, criando um pânico relativo à possibilidade da extinção de diversos cultos budistas após a partida daqueles que conheciam o cânone religioso. Muitos textos puramente orais professados pelos dhammabhāṇakas poderiam ser perdidos se não passassem para a plataforma escrita, segundo o medo dos monges srilanqueses, levando ao evento, que traduziu para a escrita diversos conhecimentos da doutrina religiosa. O cânone manuscrito será divulgado pela região do Sul da Ásia.
Os estabelecimentos tâmeis
A partir do século III, a hegemonia cingalesa começa a ser ameaçada, pois a ilha passa a ser ocupada também por populações tâmeis, também originárias do subcontinente indiano, assumindo territórios no Noroeste da ilha. Durante séculos, foram travadas diversas batalhas entre os tâmeis e o reino cingalês. Por esse motivo, há uma importante mudança de capital no reino cingalês para Polonnaruwa. Contemporaneamente, há a formação de vários reinos e equivalentes a principados tâmeis em regiões mal ocupadas pelos cingaleses. Na mesma época, florescem conflitos religiosos entre budistas e hindus.
No século X, se estabelece na ilha também uma comunidade de origem árabe e comerciante, criando relações diplomáticas e amigáveis com o reino cingalês, que se fortalecia cada vez mais. No século XII, o então rei cingalês Prakrama Bahu encerra a guerra interna da ilha contra os tâmeis e acaba com seus reinos, estabelecendo um reino unificado ocupando todo o território da ilha. Nessa época, floresce o auge da prosperidade econômica e cultural, tornando-se importante polo de estabelecimento da doutrina budista.  Prakrama Bahu invade também o sul da Índia e a Birmânia, que se tornam posses cingalesas por um tempo.
Estátua de Prakrama Bahu I (Wikimedia Commons)
Porém, no século XV, a ilha é invadida por tropas chinesas, que dominam a Sri Lanka. Com a invasão, os reis locais cingaleses declaram subserviência ao Império chinês e prestam tributo ao imperador.
A chegada dos europeus
A dominação chinesa não dura muito tempo, pois o século XVI foi marcado pelo aparecimento dos europeus na ilha. Em 1505, os primeiros brancos chegam à ilha: aporta em território cingalês o navegador português Lourenço de Almeida. A frota portuguesa se depara com um reino extremamente dividido, consequência da dominação chinesa, e repleta de batalhas internas. Essa divisão fazia da Sri Lanka incapaz de conter a invasão europeia. Os portugueses ocupam a ilha a partir da costa sudoeste, tomam a cidade de Kotte e fundam, pela região, a cidade de Colombo em 1517, como feitoria de controle da região costeira.  Em 1592, fugindo da dominação portuguesa, os cingaleses mudam novamente a capital, dessa vez para Kandy, no interior da ilha, melhor protegida dos dominadores da costa.

Apesar de uma onda de conversão ao cristianismo, a maioria budista da Sri Lanka criou um ódio religioso contra os invasores católicos.

Com isso, outros possíveis aliados europeus aparecem como forma de luta contra os portugueses. No início do século XVII, frotas holandesas aparecem na ilha e chegam a Kandy, onde autoridades cingalesas pedem auxílio. Em 1638, os holandeses atacam acampamentos portugueses e anos depois tomam Colombo.
Capitão holandês Joris van Spilbergen é recebido pelo rei Vimaladharmasuriya I (reprodução)
Em pouco tempo, os holandeses dominam toda a ilha, exceto o reino de Kandy, com quem fizeram acordos. Inicia-se um período de perseguição aos católicos e apoio, mesmo que com taxação de tributos, aos protestantes, muçulmanos e budistas, maioria na região. É importante destacar que os impostos neerlandeses eram bem mais pesados que os dos portugueses, gerando um relevante incômodo nas populações nativas da Sri Lanka.
Domínio Colonial Inglês
A supremacia holandesa dura na ilha até o início do século XIX. Com as campanhas napoleônicas na Europa, o Reino Unido teme a ascensão de um novo Império Francês que governasse os Países Baixos e suas possessões. Temendo a dominação francesa da Sri Lanka, na época determinada pelo nome português dado, Ceilão (ou Ceylon), os britânicos invadem e dominam a ilha. Em 1802, o Ceilão é formalmente admitido como território britânico e torna-se oficialmente colônia. É a partir de então que os ingleses iniciam campanhas de ocupação total do território e em 12 anos, chegam a ocupar Kandy e destruir toda a base do reino independente da Sri Lanka, estabelecido pelos cingaleses.
Os ingleses introduzem forçadamente o cultivo do chá e do café (conhecidos desde a chegada dos portugueses) no território, criando uma camada social média de produtores rurais que importam uma série de trabalhadores tâmeis do Sul da Índia, a ponto da etnia voltar a crescer e se tornar 10% da população do território. O Ceilão torna-se ponto relevante do comércio mundial, gerando renda para diversos setores da economia colonial.
Independência e conflitos nacionais
No pós-guerra, as elites mestiças começam uma campanha pela independência do Sri Lanka. Em 4 de fevereiro de 1948, através de acordos diplomáticos e militares e tratados com a Grã-Bretanha, o país atinge a autonomia formal, estabelecendo-se como país independente com o nome de Sri Lanka. Porém, os acordos previam a manutenção das bases aéreas e navais do Reino Unido que foram estabelecidos em tempos coloniais.
Porém, o desenvolvimento nacional foi bastante fragilizado pelas cicatrizes deixadas pelos portugueses, holandeses e britânicos durante a colonização. Uma das principais foi à criação de barreiras sociais de bases étnicas, que foram usadas pelos ingleses como forma de criar inimizades internas no país e desestruturação das forças de resistência a colônia. Com isso, criou-se uma rixa étnica entre os cingaleses e os tâmeis. Também se criou conflitos relativos à soberania dos burghers, a elite crioula, miscigenada entre holandeses e cingaleses, que era tratada como autoridade racial e estabeleceu brigas profundas com as comunidades originárias.
Barco da Marinha tâmil durante a guerra (wikimedia commons)
Esses conflitos étnicos desencadeiam em 1983 em uma grande guerra civil que ocorre na Sri Lanka até 2009. Somando os conflitos étnicos com a jornada travada pela minoria tâmil pela independência e separação de uma pátria particular, estabelecida no Norte da ilha. É estabelecida uma guerrilha no país e uma série de ataques terroristas contra os exércitos cingaleses, que levarão à morte de mais de 100 mil pessoas na guerra. Incapazes de manter uma guerra contra a maioria da população, os tâmeis acordam um cessar-fogo com o governo central, dando fim à sangrenta guerra civil.
Desde o fim da Guerra Civil, está estabelecido um período de paz vigente na Sri Lanka, o que possibilitou uma importante retomada econômica e o reestabelecimento da infraestrutura básica do país na década de 2010.
O primeiro evento que quebra com o período estabelecido de paz no país ocorreu no dia 21 de abril de 2019, quando uma série de atentados terroristas contra igrejas cristãs e hotéis mataram cerca de 300 pessoas e deixaram 500 feridas.
Os atentados são reflexos do legado colonial que estabeleceu uma relação extremamente conflituosa no país com as populações cristãs, herdeiras das invasões portuguesas.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Budismo Tibetano: conheça características da religião dos lamas.

BUDISMO TIBETANO: CONHEÇA CARACTERÍSTICAS DA RELIGIÃO DOS LAMAS

Se espalhando pelo Ocidente ano após ano, o budismo tibetano traz consigo ensinamentos milenares
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 28/03/2019
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- Reprodução
"E assim o Iluminado despertou para o Caminho do Meio, que faz surgir a visão, que faz surgir a sabedoria, que conduz à paz, ao conhecimento direto, à cessação de sofrimento, ao Nirvana." Tais palavras, registradas na antiga língua Páli em um dos vários Sutras, textos indianos que registram a vida e ensinamentos do Buda, marcam o início do que viria a ser o Budismo, uma das filosofias espirituais mais disseminadas no mundo. 
Segundo registros históricos, aquele que atingiu o estado de Iluminação foi o príncipe de um reino localizado no norte da Índia, chamado Sidarta Gautama, que viveu no século 5 a.C.. Renunciando à vida mundana e buscando compreender a verdadeira natureza do sofrimento, Sidarta deixou com 29 anos seu castelo e partiu para uma vida simplista, buscando o ensinamento de gurus no interior da Índia.
Atingindo estágios avançados de concentração e tendo esgotado os ensinamentos de seus mestres espirituais, Sidarta, aos 35 anos, se senta sob a árvore Boddhi com a firme determinação de só se levantar quando totalmente iluminado - o que ocorre 49 dias depois, em uma clara noite de luar.
Os ensinamentos de Buda, que se espalharam pelo norte da Índia durante sua longa vida (Sidarta faleceu aos 80 anos de idade, tendo ensinado o caminho da iluminação até os últimos momentos de vida), foram levados por seus discípulos a outros territórios, se espalhando em países como China, Birmânia e Tibete -- constituindo diversas linhas e tradições.
Monges no Tibet / Reprodução
Ao chegar no Tibete, o budismo sofreu várias modificações, relacionadas às crenças xamânicas que já existiam no território. Religiões antigas como Bonpo e tradições espirituais de cunho animista, que se utilizavam tradicionalmente de cores brilhantes como vermelho e amarelo, se mesclaram ao budismo vindo da Índia para formar o Budismo Tibetano ou Vajrayana, cujas práticas meditativas se utilizam de rituais, textos litúrgicos e visualizações.
Os mestres que ensinam a prática, denominados Lamas, tiveram papel histórico na constituição política do país, sendo seu principal representante o Dalai Lama, ou Professor Supremo: todos os líderes oficiais do governo tibetano são tidos como a reencarnação do primeiro Dalai Lama, Gedun Truppa, que viveu no século 15 d.C..
Com a invasão chinesa do Tibete em 1950, o regime liderado por Mao Tse Tung levou vários lamas tibetanos a fugir de seu país buscando refúgio em outros locais, o que causou a disseminação dessa linha do Budismo em países ocidentais como o Brasil.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

China.


A China é uma das mais antigas civilizações com uma escrita de 35.000 anos. Os antigos acreditavam que eram o centro do mundo e os únicos civilizados. Os chineses são politeístas e visitam os templos quando tem algum problema ou desejo a pedir. Tudo que existe no universo é YIN e YANG. O yin é negativo e o yang é positivo, vivem em equilíbrio.  Acreditavam que o símbolo, estava dentro de um ovo e lutaram, quebraram o ovo e revelaram o Pan Gu.

Quando o deus saiu do ovo, a terra e o céu se separaram de Pan Gu. Por 18.000 anos o deus trabalhou com um martelo e ajudado por um dragão, uma fênix, um unicórnio, um trigre e uma tartaruga. Pan Gu morreu e seu hálito virou o vento e seus olhos o sol e a lua. Fu Hsi fundou a China, fez as 1ªs leis, a escrita, etc...
A escrita é em ideogramas (desenhos) que representam idéias, objetos, sentimentos, etc.

A língua é o mandarim e outros muitos... 
A religião dividi-se em confucionismo, taoísmo, budismo, islamismo e cristianismo.
A gastronomia baseia-se em peixes, molho shoyo, arroz, carnes vermelhas, broto de bambu, legumes, carne de cachorro, carne de cobra, escorpião, besouros e cavalo-marinho.
Na arte tem-se vasos de cerâmica, a seda e a pintura.
Na música utilizam instrumentos de corda, gongo, tímpanos, pratos e flauta.
Inventaram o papel, a pólvora, o leme, o estribo, a bússola etc... 
As Dinastias começam com:
3 Augustus e os 5 Imperadores até 2070 a.C.
Dinastia Xia de 2100 a.C. a 1600 a.C.
Dinastia Shang de 1600 a.C. a 1046 a.C.
Dinastia Zhou de 1046 a.C a 771 a.C.
Primaveras e Outonos de 722 a.C. a 476 a.C.
Reinos Combatentes de 475 a.C. a 221 a.C.
Dinastia Qin de 221 a.C. a 206 a.C.
Han Ocidental de 206 a.C. a 9 d.C.
Dinastia Xin de 9 a 23 d.C.
Han Oriental de 25 a 220 d.C.
3 Reinos – Wei – Wu – Shu Han de 220 a 265 d.C.
Primavera Dinastia Jin - desunião de 265 a 317 d.C.
Dezesseis Reinos de 317 a 420 d.C
Dinastias NS – Liu Song, Qi, Liang de 420 a 589 d.C
Dinastia Sui  - reunificação de 581 a 618 d.C.
Dinastia Tang de 618 a 907 d.C.
5 Din. 10 Reinos  Liang, Tang,Jin, Han, Zhou  907 a 960.
Dinastia Song de 960 a 1279 d.C
Dinastia lião de 916 a 1125 d.C.
Segunda Dinastia Jin 115 a 1231 d.C.
Dinastia Yuan de 1271 a 1368 d.C.
Dinastia Ming de 1368 a 1644 d.C.
Dinastia Quing de 1644 a 1912 d.C.


A Cidade Proibida.



Praça Tian'anmen e a entrada do Palácio Imperial, ao fundo. Centro de Beijing. Realizam cerimônias oficiais.


Arco Imperial do Paraíso e a Abóbada do Céu, onde guardam placas para os deuses, em Tian Tan.


Templo do Céu na Cidade Perdida.



Templo do Céu na Cidade Perdida.


Muralha da China.

•Ou Grande Muralha feita na China Imperial com objetivo militar para impedir invasões nômades de mongóis ou da Manchuria. Hoje é símbolo da China e ponto turístico. Construída em 220 a.C. e concluída na Dinastia Ming no séc. XVI. A muralha tem 2.300 km, 7,5 altura e 3,75 largura. É uma das 7 maravilhas do mundo.  Os chineses dominavam a matemática, astronomia, artes, cartografia e engenharia. 


Muralha da China ao norte de Beijing.


Mapa da Muralha da China.


Muralha da China em Badling.


Embarcações Chinesas.


Jardins Yu Yuang em Shangai.


Shopping no antigo templo taoísta em Shanghai.


Yu Garden, famoso jardins construídos em 1559, na dinastia Ming.


Casa de Chá no Yu Garden, Shanghai.


Pagode budista de Longhua. Construído em madeira e alvenaria, com sete andares, em data desconhecida.


Templo de Famen da dinastia Han (25-220). O rei Asoka da Índia presenteou relíquias de Buda a lugares diferentes por causa do budismo e deveriam guardá-los em pagodes. Este é o maior com 13 andares.


3 pagodes budistas de Dali em Yunnan. Qianxun Ta, do meio, possui 16 andares, construído no século 9.


Confúcio, fundador do Confucionismo filosofia e educação, 5 a.C., regra: “não faça aos outros o que não deseja que os outros façam com você.”


Reserva florestal de Zhangjiajie em Hunan. Patrimônio  da Unesco desde 1992. 3 mil picos de calcário, com mais de 200 mts. - China.


Plantação de arroz, vale do Rio Li. 


Pescador em jangada de bambu no rio Li, em Guilin.


Monge do Monastério do Buda de Jade. O Templo tem 2 estátuas de jade branco do século 18.


Bandeira de Hong Kong.


Hong Kong era do Reino Unido, mas pertence a China desde 1997. É o centro comercial mais caro do mundo.


Templo taoísta de Wong Tai Sin, em Kowloon, famoso por seus jardins.


Embarcação no Porto de Victoria.


Porto de Victoria em Hong Kong, hoje.


Tiger Balm Gardens, parque criado por Aw Boon Haw em 1935, em Causeway Bay.


Buda Gigante, em Hong Kong, no monastério Po Lin, ilha de Lantau. Estátua de bronze, 34 mts e 268 degraus.


Cavernas de Mogao, conhecidas como cavernas dos mil budas. Desde o séc. 4, na montanha de Mingsha. Parte da Rota da Seda e Patrimônio da Unesco.


Mapa do Monte Everest.


O Monte Everest, com 8850 m, é o ponto mais alto do nosso Planeta. Fronteira da China.


O Tibet é uma região autônoma da China com tradição budista. Residia o Dalai Lama, líder de 1940 até 1959.

Templo  construído em 647, visitado por budistas de todo o mundo. Guardam  preciosas estátuas, pinturas e instrumentos musicais históricos.


Potala Palace, em Lhasa, Tibet.


Yumbu Lakhang, em Tsetang, 1º palácio do Tibet. Construído no séc. 2 a.C. para 1º rei. No séc. 7, tornou-se um monastério.


O Palácio de Potala, antiga residência do Dalai Lama, em Lhasa. Séc.7 possui mais de mil cômodos. Tem 13 andares.


Xi’an e a Muralha a cidade.


Torre do Sino, em madeira, 36 mts, feita em 1384 pelo imperador Zhu, para avisar ataques inimigos.


Pagode do Grande Ganso Selvagem feito em 652, para a imperatriz Wende, da dinastia Tang. Tem 64 mts.


Os Guerreiros de Terracota, do 1º Imperador Qin. Fazendeiros perfuraram um poço e acharam o túmulo e simboliza a força de defesa. Encontrados mais de 2.000 estátuas. Expostos no Museu de Shaanxi.