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quinta-feira, 14 de maio de 2020

O reinado de Seti I no Egito.

GLÓRIA, PRESTÍGIO E PODER: O IMPORTANTE — E ESQUECIDO — REINADO DE SETI I NO EGITO

Assumindo um reino em profunda crise, Seti restaurou a glória militar e o empreendimento artístico e arquitetônico no Nilo, criando as mais prestigiadas obras conhecidas da sua civilização
ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 14/05/2020
Representação de Seti I
Representação de Seti I - Wikimedia Commons
Seti I foi um importante faraó, responsável pela fundamentação da Décima Nona Dinastia do Egito, sendo o segundo desta. Sua linhagem, caracterizada pela herança de grandes generais, ascendeu após a crise da experiência de Amarna, pois o faraó Horemebe não deixou herdeiros, abrindo espaço para seu vizir e pai de Seti, Ramsés I. Além de reconstruir importantes núcleos de desenvolvimento dos Reinos do Egito, o faraó ficou marcado pelo empreendimento de guerras vitoriosas de fortalecimento do Império e por ser pai do famoso Ramsés, o Grande.
O período de passagem dinástica entre Horemebe e Ramsés é bastante confuso e obscuro, principalmente pois o antecessor foi muitas vezes visto como transitório da dinastia posterior. Porém, é fato que Homerebe era descendente direto de Nefertiti, Esposa Real de Akhenaton.
O nome de Seti é uma referência a seu avô, um comandante militar da região do Delta (Baixo Egito) que articulou grande poder. No Egito, os nomes reais possuem muita importância, sendo uma forma praticamente divina de se referir ao cargo político e religioso.
Com pouca documentação precisa de seu governo, que pegou um Egito em crise política e institucional, com o fortalecimento dos templos de Amon em oposição ao poder palaciano, atribui-se o mandato de Seti I ao período entre 1290 e 1279 antes da Era Cristã.
Templo de Abidos, maior obra de Set I / Crédito: Wikimedia Commons

A formação de sua corte real se fundamentou fortemente no poderio militar, em contradição à ascensão do sacerdócio na capital. Seu casamento provém de uma associação com um subordinado, tenente Raia, cuja filha Tuya deu origem ao futuro imperial. Seus familiares são conhecidos como Dinastia Ramesséssida, uma das mais poderosas do Egito.
Com o Egito caindo em descrédito no cenário regional e em crises constantes, Seti focou em retomar a glória do império, empreendendo grandes feitos militares que colariam seu governo no status de reis anteriores do mundo pré-Amarna. Segundo os escritos monumentais do Templo de Karnak, suas principais vitórias ocorreram na Síria, no Levante e no Norte da África.
Seu maior sucesso foi uma campanha contra a região perdida pelo império durante o fechamento em Amarna, que partia da cidade de Cadexe, suprimia a região dos amoritas (que séculos antes tomaram a Mesopotâmia sob comando de Hammurabi), o Levante ia até os domínios hititas.
Painel da tumba de Seti I / Crédito: Wikimedia Commons

Seu comando de Cadexe durou pouco tempo e uma guerra com Hattusa começou, durando até o reinado de Ramsés II. Seti também liderou dominações em localidades diversas ocupadas nos desertos da Líbia, a oeste, além da supressão de revoltas na Núbia dos kush, fortalecendo a fronteira sul. Os espólios da guerra e a retomada dos tributos financiaram um fortalecimento da infraestrutura egípcia.
Por esse motivo, seu reinado também ficou marcado por grandes construções e obras artísticas e fluviais. Foi com Seti que a principal ala do Templo de Karnak, a Sala Hipostila (centro com grandes pilastras) foi criada e, um templo para Osíris (o mais popular dos deuses) foi construído em Abidos, aumentando sua credibilidade.
Uma das principais obras desse templo reforçou a legitimação do poder da dinastia: um grande relevo representando Seti levando o filho Ramsés em uma jornada pelos nomes de uma gigantesca lista de faraós, o que era uma reafirmação da linhagem de realeza do governo egípcio. Além disso, a obra destaca a importância do campo religioso, ignorando a existência do reinado de Amarna (incluindo Akhenaton e Tutancâmon), considerado herético.
Múmia de Seti / Crédito: Wikimedia Commons

Na segunda metade de seu reinado, Seti I ordenou o erguimento de seu túmulo no Vale dos Reis. A construção, catalogada atualmente como KV17, é a maior e uma das mais sofisticadas tumbas do local, em uma demonstração das melhorias substanciais que seu reinado desenvolveu na arte.
Diante de todo o esplendor de seu governo, Seti morreu em pleno auge, com cerca de 40 anos de idade. Seu corpo foi embalsamado pela mais competente equipe de sacerdotes de Anúbis, e sua múmia foi sepultada com grande apreço, num momento de grande apoio popular e desenvolvimento das técnicas e das instituições —basicamente, a restauração do Egito e sua cultura.
Porém, sua múmia, considerada a mais bem preservada conhecida, foi encontrada em Luxor, provavelmente porque o prestigiado faraó tivera seu corpo restaurado duas vezes em governos posteriores. Foi sepultado novamente ao lado do filho.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A impressionante múmia desaparecida do Faraó Seti I.

A IMPRESSIONANTE MÚMIA DESAPARECIDA DO FARAÓ SETI I

Fora de seu sarcófago, o cadáver mumificado foi encontrado junto com outras importantes figuras do Egito Antigo em um local que tinha como intuito preservá-los de saqueadores
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 07/04/2020

A múmia do faraó Seti I
A múmia do faraó Seti I - Wikimedia Commons

Quando o explorador italiano Giovanni Belzoni fez uma grande descoberta em 16 de outubro de 1817 no Egito, ele não esperava ser surpreendido novamente ainda naquele dia. Ao encontrar a tumba do Faraó Seti I da 19ª dinastia, também denominada KV17, localizada no famoso Vale dos Reis, o pesquisador esperava deparar-se, também, com a múmia do homenageado pelo local.
No entanto, isso não aconteceu. Entrando na enorme sepultura, tudo o que Belzoni pôde ver foram as brilhantes decorações do local — mas nada do corpo mumificado de Seti I. A surpresa desapontou os exploradores, mas, ainda assim, achar o túmulo do faraó foi uma das mais importantes descobertas daquele tempo: hoje, ela é considerada a mais comprida tumba do Vale, com 136 metros.
A riqueza contida nas paredes do sarcófago é impressionante. Ele contém as mais bem preservadas relíquias egípcias já encontradas, que preenchem todas as suas onze câmaras mortuárias e salas que foram anexadas ao local. Um desses repartimentos do local final do faraó abrigava, ainda, um touro mumificado, que fez com que o explorador italiano pensasse que o túmulo havia sido criado para honrar Apis, um touro sagrado no Egito Antigo — o que não era verdade.

A tumba de Seti I / Crédito: Wikimedia Commons


Outra característica do túmulo chamou a atenção dos pesquisadores. Em uma das paredes da câmara, está ilustrado um importante ritual para os egípcios antigos. Chamada de “Abertura da Boca”, a prática religiosa consistia em devolver os sentidos das múmias, ou seja, trazê-las de volta à vida, na morte. A tumba ainda contém uma passagem muito misteriosa ainda nos dias de hoje: um túnel longo, que não foi completamente analisado por arqueólogos.
Mas ainda assim, mesmo com toda a importância da descoberta da tumba, que se tornou comprovação do auge artístico do período, ainda faltava uma parte essencial: a múmia de Seti I. Isso demorou alguns anos, mas, na década de 1880, o egiptólogo francês Gaston Maspero conseguiu resolver o enigma, encontrando o corpo mumificado em um ótimo estado de preservação, embora decapitado.
A importante figura foi filho de Ramsés I e Tiya, além de pai de Ramsés II. Faraó da 19ª dinastia do Egito no Império Novo, acredita-se que seu reinado tenha ocorrido entre 1290 a 1279 a.C.

Crédito: Wikimedia Commons


Para entender porque a múmia não estava em seu local esperado, arqueólogos voltaram às anotações de Giovanni Belzoni, no intuito de encontrar algo que explicasse essa mudança de cenário. O explorador não havia mencionado nada sobre o túmulo estar trancado quando o encontrou, o que gera apenas suposições sobre o que teria acontecido no lugar antes da descoberta.
O que se sabe, porém, é que o sarcófago provavelmente sofria com constantes saques feitos por vândalos que iam até a região. Os pesquisadores acreditam que a múmia apenas sobreviveu a essas drásticas situações devido a uma tentativa de proteger os cadáveres mumificados de importantes líderes do Egito Antigo. Isso teria acontecido quando, em algum momento durante a dinastia 21, pessoas coletaram algumas múmias e as colocaram em uma outra tumba, para, assim, enganar saqueadores.
Além de Seti I, as múmias de Tutmés III e Ramsés II também foram encontradas em Deir el Bahri, na Necrópole de Tebas. A tumba, também conhecida como túmulo DB320, abrigava ainda pelo menos 50 restos mortais de faraós, rainhas e nobres do Egito Antigo, contando ainda com muitos equipamentos fúnebres dessas pessoas.

Crédito: WIkimedia Commons


O corpo mumificado do importante faraó estava embrulhado em uma amarela. Medindo por volta de 1,7 metros de altura, a cabeça da múmia foi separada do resto do torso, provavelmente pelos saqueadores que tentavam danificar as descobertas egípcias. Mais que isso: os vândalos ainda deterioraram os curativos do cadáver e esmagaram seu abdômen. O rosto do faraó permaneceu intocado.
Após análises feitas por cientistas, eles chegaram à conclusão de que o rei egípcio morreu inesperadamente com menos de 40 anos. Essa informação traz mais questionamentos sobre a vida e morte do faraó, porque isso contrasta o fato de que seu pai, Ramsés I e seu filho, Ramsés II viveram até uma idade avançada.
Ainda não há nenhuma certeza sobre o que teria o levado ao óbito precoce. Não existem marcas de violência no cadáver, e também não se sabe a condição de saúde do faraó. Pesquisadores sugeriram que ele pode ter morrido devido a uma doença que afetava seu coração, mas isso segue em investigação.

terça-feira, 5 de maio de 1992

O Impressionante templo funerário do Faraó Seti I em Abidos.

 Tópicos / Curiosidades Do Egito Antigo

MISTÉRIOS E CURIOSIDADES DO ANTIGO EGITO

o impressionante templo funerário do faraó seti i em abidos

Seti I, segundo faraó da 19ª dinastia e pai do grande Ramsés II, mandou construir seu templo funerário em Abydos, o mais importante centro de culto de Osíris, o deus da vida após a morte, no Egito. As magníficas decorações que atravessam suas paredes ainda fascinam os visitantes modernos.

Templo funerário do Faraó Seti I em Abidos. Foto: iStock

"os monumentos estavam inacabados, os pilares não foram colocados, a estátua de Seti estava no chão." Foi assim que Ramsés II , o novo faraó do Egito e filho do falecido Seti I (1290-1279 aC), lamentou o estado da construção do templo funerário de seu pai em Abidos. O novo monarca das Duas Terras, furioso, decidiu tomar as rédeas do projeto e começou a forjar sua reputação de faraó construtor aqui. Cuidou da correta direção dos trabalhos e se encarregou de legar à posteridade a profundidade de sua piedade filial,que ele capturou nesta inscrição: "A compaixão é uma bênção, é bom para um filho cuidar e cuidar de seu pai." Mas o amor por seu pai não impediu Ramsés de glorificar-se no santuário de seu pai e ser representado como um comandante vitorioso nas paredes do primeiro pátio.

Detalhe de alguns dos relevos que decoram o interior do templo, com Seti I acompanhado dos deuses.

Foto: iStock

Relevo representando um barco sagrado do Templo Re. De Seti I em Abydos.

Foto: iStock

EM BUSCA DE LEGITIMIDADE

Abidos era o coração religioso do Egito por ser o local onde ficava a tumba do deus Osíris. Essa localidade ficava 170 quilômetros ao norte de Tebas (e 480 quilômetros ao sul do atual Cairo). Milhares de peregrinos de todo o país se reuniram lá para homenagear o deus da vida após a morte durante as festividades que foram realizadas em sua homenagem . Seti sabia bem o que estava fazendo quando escolheu Abydos para construir seu templo funerário. Esta escolha reflete o desejo do faraó de reforçar sua legitimidade (nem seu pai, Ramsés I, nem sua mãe, Sitra, eram de sangue real), uma vez que, ao construir seu templo em um local tão sagrado, Seti associou seu nome ao do senhor .do submundo e um dos deuses do Egito com um culto mais antigo.

Representação das constelações no teto do salão hipostilo do Templo de Seti I em Abydos.

Foto: iStock

Seti sabia bem o que estava fazendo quando escolheu Abydos para construir seu templo funerário. Essa escolha reflete seu desejo de reforçar sua legitimidade, já que ao erguer seu templo em um local tão sagrado ele vinculou seu nome ao do senhor do submundo.

Seti encomendou que ele fosse representado nas paredes de seu templo acompanhado por seu herdeiro, o futuro Ramsés II. Ambos presidiram em uma dessas cenas uma longa lista de faraós que remontava ao início dos tempos, com Menes como o primeiro rei do Egito e unificador do país 1.600 anos antes. Seti e Ramsés incorporavam assim a continuidade dinástica, e ambos eram incorporados em relevos que iam do chão ao teto, nos quais ambos pareciam cumprir meticulosamente suas obrigações religiosas acompanhados pelos deuses. Pai e filho rezam, fazem oferendas de vinho e comida ... As cenas mostram pássaros, bois, vegetais, frutas e pães, todos elementos necessários para alimentar os deuses por toda a eternidade.Esses relevos delicados são considerados um dos mais belos de toda a arte egípcia.

Seti I e seu filho Ramsés presidem a Galeria onde são detalhados os nomes dos reis do Egito em Abidos.

Foto: iStock

UM TEMPLO PARA O FARAÓ E OS DEUSES

O templo erguido em homenagem a Seti I (edifício denominado Memnonium pelo historiador grego Estrabão), construído em calcário branco, se afasta um pouco da tradição de construção egípcia, já que sua planta é em "L" em vez de retangular. Possui dois pilares e inclui dois átrios ou pátios duplos, e duas salas hipostilo que somam sessenta colunas atravessadas por rampas e degraus. O fundo da segunda sala hipostilo dá acesso à área do santuário, com sete capelas(cujos telhados foram construídos com lajes de pedra lisa e são decorados com cartuchos reais e estrelas) que abrigavam as imagens dos deuses (essas estátuas recebiam cuidados diários dos sacerdotes, que as banhavam, vestiam roupas limpas e ofereciam comidas e bebidas) e o próprio Seti. Essas capelas foram dedicadas a Seti I, Ptah, Re Horakhty, Amun Re, Horus, Osiris e Isis.

Interior da Capela de Amun Re, no Templo de Seti I em Abydos.

Foto: iStock

Seti I faz uma oferenda diante da deusa Hathor entronizada (segurando um sistro). Templo de Abidos.

Foto: iStock

Da capela de Osíris você pode acessar uma pequena sala hipostila com dez colunas, em cujas paredes o rei aparece fazendo oferendas a Osíris. Este espaço contém outra sala com quatro colunas e seis capelas, três à esquerda e três à direita (uma delas é dedicada à deusa Ísis, esposa e irmã de Osíris, a quem o faraó oferece duas taças de vinho em relevo ) Um dos relevos representados nesta área dedicada a Osíris está carregado de simbolismo. Mostra o relicário do deus, objeto que supostamente continha sua cabeça decepada, localizado em um santuário (o relicário de Osíris era um dos objetos mais venerados de Abidos, que era carregado em procissão diante de uma multidão emocionada).

Alívio no templo funerário de Seti I em Abydos mostrando o relicário contendo a cabeça do deus Osíris.

Foto: CC

Da capela de Osíris você pode acessar uma sala hipostila com dez colunas, em cujas paredes o rei aparece fazendo oferendas a Osíris.

Detalhe de alguns dos cartuchos que contêm os nomes dos reis que governaram o Egito. Templo de Seti em Abidos.

Foto: iStock

À esquerda das capelas estão as salas administrativas e um longo corredor conhecido como Galeria das Listas (também chamada de Galeria dos Reis ou Corredor dos Ancestrais), onde, presidida por Seti e Ramsés, os nomes dos reis do Egito desde o início de sua história. Cartuchos com os nomes dos 76 faraós que precederam Seti foram gravados nas paredes da galeria. Mas aqui o faraó omite os nomes de alguns reis que sofreram um damnatio memoriae , ou seja, foram apagados da histórianão sendo considerados dignos do cargo que ocupavam. Esse é o caso de alguns monarcas Hyksos, outros reis do Reino do Meio, como Intef I, Intef II, Intef III e Mentuhotep I, e alguns soberanos do Novo Reino, como Rainha Hatshepsut , Akhenaton , Smenkare, Ay, Tutankhamun e Rainha Sobekneferu. A lista termina com o nome de Seti I, o faraó que em seu templo funerário decide a legitimidade dos soberanos que governaram a história do Egito desde tempos imemoriais.

fonte: https://historia.nationalgeographic.com.es/a/templo-seti-i-abydos