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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Satanás, Iblis, Mara: como diferentes religiões lidam com a figura do diabo, lúcifer, etc.

SATANÁS, IBLIS, MARA: COMO DIFERENTES RELIGIÕES LIDAM COM A FIGURA DO DIABO?

Oposto da luz e metáfora para o Mal, Satanás faz parte do imaginário de diversas culturas ao redor do mundo que o veem de maneiras diferentes
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 25/02/2020
Estátua de diabo - imagem meramente ilustrativa
Estátua de diabo - imagem meramente ilustrativa - Getty Images
O Diabo faz parte do imaginário de diversas sociedades há muito tempo. "É uma figura universal. Está presente, de formas variadas, no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoismo", confirma Mateus Soares de Azevedo, mestre em História das Religiões pela USP (Universidade de São Paulo).
Ele aparece como uma oposição a Deus, a definição do mal, uma criatura terrível que corrompe o homem e transforma tudo em chamas. Segundo o Doutor em História Social pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) Germano Miguel Favaro Esteves, o dualismo é uma das marcas do entendimento dessa entidade.
“Nas religiões ocidentais, Deus e o Diabo figuram em oposição quase absoluta, não obstante os mitos de muitas sociedades os coloquem em íntima conjunção, sendo que a existência do Bem pressupõe diretamente a existência do Mal”, explica.
Conheça como 5 das maiores religiões do mundo representam a icônica imagem do Diabo, Lúcifer, Satanás, etc.
Cristianismo
Como dito, o imaginário ocidental é frequentemente afetado por concepções cristãs. O conceito de Satanás, no cristianismo, daria origem à personificação do mal. Ele é o adversário de Deus, descrito no Novo Testamento como o governante dos demônios e o Deus desta Era.
Além disso, conta com diversas antíteses que complementam o pensamento de oposição a Deus, como representante de tudo que o outro não significa. Perversidade, destruição, morte, trevas, — ou seja, a antítese de tudo que há na luz.

Judaísmo
No judaísmo, diferentemente do cristianismo, não há uma figura do Diabo. Satan significa literalmente inibidor, alguém que impede algo de acontecer.
O judaísmo ortodoxo vê Satanás como uma metáfora para o ato de inclinar-se para o mal. Isso está de acordo com os ensinamentos talmúdicos da religião. Em Gênesis 6: 5 e 8:21, é dito que "a imaginação do coração do homem [é] o mal", e desta frase extrai-se o conceito de yetzer hará, que representa essa noção de disposição congênita para fazer o mal, o que viola a vontade de Deus.

Islamismo
No Alcorão, o Diabo é Iblis. Ele não seria o inimigo de Alá porque é apenas uma de suas criações, não tendo a capacidade de opor à superioridade do deus. Também chamado de Shaitan, o Satanás consideraria os humanos como seus maiores inimigos.
Ele, no entanto, não tem poderes. Sua influência na humanidade está no fato de que este tenta, de toda forma, fazer com que as pessoas não obedeçam a Alá, usando de tentações.
Adam e os anjos sendo observados por Iblis, pintura de Abū Jaʿfar Muḥammad / Crédito: Wikimedia Commons

O inimigo singular de Shaitan é a humanidade. Ele pretende desencorajar os humanos de obedecer a Deus. Assim, a humanidade é advertida para lutar contra as perversidades de Shaitan e as tentações que o demônio coloca nelas. Colaborando apenas com ideias, tudo que acontece depois é por escolha humana.

Budismo
No Budismo, há Mara. Sendo o contrário de Buda, que significa iluminação, essa figura representa a ilusão. Segundo o monge Nyanaponika Thera, ele é a "personificação das forças antagônicas à iluminação"
Ele foi responsável por tentar o príncipe Sidarta, Gautama Buddha, ao “oferecer-lhe lindas mulheres” que, nas lendas, normalmente são suas filhas. Ele também é conhecido por tirar os homens do caminho espiritual, estimulando a valorização das coisas mundanas.

Hinduísmo
Nessa religião, não existe nenhuma representação direta do Diabo. Em contraste ao cristianismo, o hinduísmo apenas reconhece que pessoas podem fazer coisas ruins. Isso aconteceria quando elas estivessem submetidas a entidades chamadas de asuras.
Rahu / Crédito: Wikimedia Commons

O mais próximo do Satanás seria Rahu que, na mitologia indiana, foi derrotado por Vishnu, um dos deuses principais do hinduísmo. Além disso, é um planeta maléfico natural responsável pelos eclipses.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A carta do diabo: quando satã tentou levar uma freira para o caminho das trevas.

A CARTA DO DIABO: QUANDO SATÃ TENTOU LEVAR UMA FREIRA PARA O CAMINHO DAS TREVAS

Em 1676, depois de ser possuída, uma freira apareceu com uma carta cifrada. Segundo ela, escrita pelo Diabo em pessoa
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 17/09/2019.
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- Getty Images
Em 11 de agosto de 1676, uma freira de 31 anos foi encontrada jogada no chão de seus aposentos no convento de Palma di Montechiaro, na Sicília. Com o rosto sujo de tinta, ela segurava uma carta com uma mistura de símbolos e letras incompreensíveis e afirmava ter sido possuída por Satã. Ao se recuperar, a irmã explicou que a carta era de autoria do Inimigo que, por meio de uma possessão, forçou-a a escrever, tentando afastá-la de Deus e levá-la para o caminho das trevas.
A freira descrita no relato acima é Maria Crocifissa Della Concezione. Ela entrou para o convento quando tinha apenas 15 anos. A Carta do Diabo que ela segurava tinha 14 linhas escritas com garranchos misteriosos fora de ordem – uma mistura que dificultou ainda mais o trabalho dos que tentaram decifrá-la.
A freira Maria Crocifissa Della Concezione / Crédto: Reprodução
342 anos após o ocorrido, pesquisadores do museu Ludum, na Sicília, conseguiram decodificar partes da carta com o auxílio de um programa que quebra códigos de inteligência encontrado na deep web. O software detectou a presença de uma mistura de palavras em grego, latim, rúnico e árabe. 
"É como se a carta tivesse sido escrita em taquigrafia. Nós especulamos que a irmã Maria criou um novo vocabulário usando alfabetos antigos que ela pode ter conhecido", afirmou Daniele Abate, diretor do museu Ludum, em entrevista à Live Science.
A carta / Crédito: Reprodução
As linhas descrevem Deus, Jesus e o Espírito Santo – a Santíssima Trindade – como pesos mortos, e que Deus não tinha o poder de libertar os mortos. Além disso, outra parte também menciona o Estige (Styx), que na mitologia grega e romana era descrito como um rio que separa o mundo dos mortos e o mundo dos vivos.
A travessia no Styx / Crédito: Reprodução
Após analisar relatos históricos sobre a vida da madre, os pesquisadores sugerem que ela sofria de esquizofrenia ou transtorno bipolar. "A imagem do diabo está frequentemente presente nesses distúrbios. Os registros históricos mostram que toda noite ela gritava e lutava contra o demônio", afirma Abate.
Segundo relatos da abadessa Maria Serafica, a Igreja enxergou o episódio como uma luta da madre contra "inúmeros espíritos malignos". Serafica ainda explicou que o Diabo teria forçado a freira a assinar a mensagem. No entanto, ela não obedeceu às ordens e escreveu apenas Ohimé ("Oh eu"). 
Vista como vitoriosa contra o mal, a freira foi considerada venerável — digna de estima, mas não formalmente santa — após a morte.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A figura do Diabo através da História.

A FIGURA DO DIABO ATRAVÉS DA HISTÓRIA

A crença no inimigo motivou de massacres a grandes obras de arte
ÁLVARO OPPERMANN - ATUALIZADO EM 12/09/2019
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- Crédito: Reprodução
Para o médico parisiense Jacques de Gheyn, que viveu no século 16, ele era um monstro de chifres e olhos vermelhos faiscantes, que o obrigava a cozinhar cadáveres. De acordo com a jovem francesa Chrétienne, de 23 anos, tratava-se de um cavalheiro de trajes e chapéu negros, que a desvirginara em 1624. Do ponto de vista do filósofo Voltaire, não passava de uma simples superstição, e segundo o pai da psicanálise, Sigmund Freud, não era outra coisa além de impulsos negativos longamente reprimidos.
Como é possível que existam tantas imagens do diabo? O que ele é, e por que está tão presente na história da humanidade e nas principais civilizações, em todos os tempos e todos os lugares?
Uma coisa é certa: o 7-Pele é uma figura importante. Por causa dele, hereges foram queimados nas fogueiras da Inquisição. Grandes escritores o transformaram em clássicos da literatura - caso do drama Fausto, de Goethe, ou do conto São Marcos, de João Guimarães Rosa. Isso para não falar nas referências da cultura pop: nos quadrinhos, Hellboy e Motoqueiro Fantasma; na música, Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, e Rock do Diabo, de Raul Seixas e Paulo Coelho.
Sua história, contudo, é tortuosa, e sua figura, esquiva. Afinal, o que esperar do Tinhoso? Como já dizia o poeta francês do século 19 Charles Baudelaire sobre o personagem: "O maior truque do diabo foi convencer-nos de que não existia". Fato ou ficção, esta é uma história e tanto.
Para o judaísmo, o cristianismo e o islã, o diabo é a representação concentrada do mal. Mas ele não está restrito ao Oriente. O Canhoto existe nas mais diversas civilizações, ocidentais ou orientais. "É uma figura universal. Está presente, de formas variadas, no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoismo", afirma Mateus Soares de Azevedo, mestre em História das Religiões pela Universidade de São Paulo.
Mas por que seres humanos de lugares tão diferentes acreditam em algum tipo de diabo? O historiador das religiões Henry A. Kelly, professor da Universidade da Califórnia, tem uma explicação. Para ele, essa crença nasceu da percepção de que vivemos sob um dualismo irreversível: bem ou mal, belo ou feio, luz ou sombra. O mundo, então, ficava mais simples de entender: se existe o bem e o mal nitidamente separados, é possível criar uma ética, elaborar regras claras de comportamento que definam as atitudes que são aceitáveis.
É por isso que, como diz o professor Kelly, o principal papel d' Cramunhão foi o de perdedor. "O ser humano precisa reafirmar que pode vencer obstáculos temíveis. Tais dificuldades foram representadas por Satã."Em quase todas as grandes religiões existe uma história que explica a origem do mal. Essas narrativas têm vários pontos em comum. De acordo com a tradição semita ocidental, ela começa quando um ser maléfico cai em desgraça com Deus e se torna inimigo do homem.
Na Bíblia, ele atende pelo nome de Lúcifer. No Corão, Iblis. Nas escrituras védicas do hinduísmo, são os asuras (demônios). Segundo a Bíblia, Lúcifer fazia parte da corte celeste, onde gozava de grande prestígio. Porém, quando chegou a hora de eleger o representante de Deus entre as criaturas, o escolhido não foi ele, mas Adão, um simples mortal. De acordo com o Corão, Deus teria ordenado que todos se prostrassem diante do primeiro homem.
Lúcifer, acompanhado de uma legião de outros demônios, negou-se a fazê-lo. Ele e seu séquito foram banidos da corte depois de uma briga feia, citada pelo Livro do Apocalipse. A história coincide com uma narrativa védica, que conta a batalha cósmica travada entre devas (anjos) e os asuras expulsos (demônios). Assim se inaugurava o drama da criação.
Nome e rosto.
Os hebreus o chamavam de satan; os árabes, de shaitan. Era a mesma palavra e significava adversário ou acusador. Definições com palavras bem mais diabólicas ou demoníacas tiveram de ser importadas do grego a partir do século 2. Diabolos carregava uma conotação bem negativa, podendo ser traduzida como o difamador ou o separador. Outra palavra, daimon, originou demônio. O daimon, gênio ou espírito na religião grega, correspondia a potencialidades da alma, tanto as boas quanto as más. Inserida na Bíblia, passou a se referir a seres exclusivamente maus.
Várias outras palavras também foram utilizadas para designá-lo. Belzebu, ou senhor das moscas, em hebraico, era um deus de uma religião antiga da Palestina. Idem para Belial, o príncipe das trevas - provavelmente derivado de Belili, uma deusa mesopotâmica. O diabo também é chamado de Serpente (no Gênesis), Grande Dragão Vermelho (no Apocalipse), Espírito Imundo (no Evangelho de São Marcos) e Espírito da Mentira (segundo São Paulo).
Pazuzu em cena do filme O Exorcista / Crédito: Reprodução
Já para representar sua imagem, a principal inspiração veio da demonologia assírio-babilônica. De acordo com a historiadora americana Elaine Pagels, uma das entidades preferidas pelos artistas da Antiguidade foi Pazuzu, filho de Anu. É ele quem aparece no início do filme O Exorcista (1973). O diabo também foi representado por cabras, cobras e crocodilos. Por fim, no século 4, durante um concílio da Igreja na cidade de Toledo, ele foi descrito pela primeira vez com seu visual clássico: chifres, rabo, tridente em punho, cor avermelhada ou negra.
Enquanto se expandia, o cristianismo estimulava histórias de contatos pessoais com demônios. Os fiéis ficavam assombrados com casos como o do egípcio Santo Antão, nascido por volta de 250, que passou parte da vida trancado em tumbas de cemitérios. Segundo a tradição, ele foi torturado por demônios durante 17 anos.
Identidade.
Na Idade Média, o problema do mal (e do diabo) foi discutido pelas mentes mais brilhantes da escolástica, como Santo Anselmo da Cantuária, São Tomás de Aquino e John Duns Scott. Um consenso oficial da Igreja sobre o tema foi obtido no quarto Concílio de Latrão, realizado em 1215. Segundo os teólogos então reunidos na cidade italiana, "o diabo e os outros demônios tinham sido criados bons em sua natureza por Deus, mas que, por sua própria vontade, haviam optado pelo mal".
A essas alturas, o diabo do cristianismo, descrito com tamanho cuidado, já se diferenciava bastante dos seres malignos de outras religiões. Para islâmicos, hindus e budistas, o mal e as criaturas malignas continuavam sendo o elemento de imperfeição da criação. Para os cristãos, ao contrário, ele passou a ter identidade e personalidade bem mais claras. Era questão de tempo para que, na Europa medieval, o Tinhoso repaginado ganhasse simpatizantes.
Barão Gilles de Rais / Crédito: Reprodução
De acordo com o historiador americano Nesta Webster, em Secret Societies and Subversive Movements (Sociedades secretas e movimentos subversivos), as seitas de adoradores do diabo conheceram o auge a partir do século 14. Na Alemanha, na Itália e na França, existiu a ordem dos Luciferianos, que pregava que o filho dileto de Deus não era Jesus, mas sim Lúcifer (que seria o portador da luz). Na Itália, adeptos do mesmo movimento fundaram uma seita chamada La Vecchia Religione (a velha religião). No decorrer de suas missas negras, o pão consagrado na tradicional eucaristia católica era dado a ratos e porcos.
Nessa época, o mais infame satanista foi um grande herói da França, o barão Gilles de Rais. Nascido em 1404, ele havia sido companheiro de Joana D’Arc nas campanhas militares de expulsão dos ingleses, mas enlouqueceu depois da morte da mártir.
Passou a andar na companhia de um italiano de má fama, conhecido apenas como Prelati, com quem se iniciou nas chamadas, na época, artes negras, como quiromancia e previsões astrológicas. Pouco tempo depois, diversas crianças, filhas de camponeses, começaram a desaparecer na região. Descobriu-se que eram capturadas por capangas do barão e mortas com requintes de crueldade em rituais para o diabo. De Rais acabou enforcado e queimado em 1440.
Reação católica.
A Igreja não tardou a lançar um contra-ataque contra os seguidores do mochila-de-criança. No fim do século 15, apareceram os manuais da Inquisição, como De Pythonicis Mulieribus, de 1489, e Malleus Malificarum (O martelo das feiticeiras), de 1486. Eles explicavam os ritos de feitiçaria e o pacto com o diabo, além de oferecer instruções de como atacar Satanás.
Em 1580, num opúsculo sobre feitiçaria, De la Démonomanie des Sorciers, o jurista francês Jean Bodin detalhou o sabá negro, assembleia noturna reunindo feiticeiros e feiticeiras, no qual ocorrem ritos em homenagem ao demo. Além dos seguidores do capeta, os alvos eram os íncubos e súcubos, como eram conhecidos os diabretes que supostamente mantinham relações sexuais com seres humanos, e as pessoas que sofriam de possessão demoníaca.
Casos em que o capeta ocupava o corpo do fiel eram considerados comuns e ocorriam nos lugares mais insuspeitos. Foi o que aconteceu no convento de Loudun, no século 17. As freiras tomadas apareciam ao público gritando palavras sacrílegas, principalmente contra a Virgem Maria.
As sessões de exorcismo reuniram, no exterior do convento, mais de 2 mil pessoas, que podiam apenas ouvir os gritos e gemidos das freiras possuídas dentro do recinto monástico. Um abade que presenciou os exorcismos narrou em carta que um dos demônios possessores, chamado Asmodeus, se contorceu tanto dentro do corpo de uma pobre freira, durante uma das sessões, que "o seu rosto inchou três vezes o tamanho normal".
As ações do capeta e de seus asseclas só sossegaram a partir do século 18, com o Iluminismo. "Foi quando todas as crenças perderam força", diz Maria Cristina Longinotti, estudiosa de religiosidade popular na Universidade de Córdoba, na Argentina. O cientista que mais contribuiu para desmistificar o diabo foi Sigmund Freud (1856-1938), o pai da psicanálise.
Ele escreveu um estudo sobre o tema, Uma Neurose da Possessão Demoníaca no Século 17, no qual analisava o caso do pintor Christoph Haitzmann, que supostamente fizera um pacto com o demo. "Aquilo que, nas eras passadas, pensava-se ser espíritos demoníacos, hoje sabemos ser impulsos negativos que foram rejeitados e reprimidos", afirmou Freud.
O tinhoso é pop.
Apesar dessas explicações todas, que limitaram a crença em Satanás como um ser real, foi no século 20 que ele alcançou a maior popularidade em sua controversa carreira. Por exemplo: em 1966, na Califórnia, Anton Szandor LaVey fundou a Igreja de Satã. Em 1969, escreveu a Bíblia Satânica, que se transformou em best seller alternativo entre alunos universitários americanos. O ator Sammy Davis Jr., ex-membro da turma de Frank Sinatra, era bastante chegado a Michael Aquino, especialista em guerra psicológica do Exército americano e fundador do Templo de Set, dissidência light da Igreja de Satã.
Anton Szandor La Vey / Crédito: Reprodução
De acordo com uma biografia publicada, o cantor e compositor John Lennon teria feito um pacto com o Coisa-Ruim em 1960, para que os Beatles obtivessem mais fama do que Elvis, nas palavras do roqueiro. Anos depois, o cineasta britânico Kenneth Anger seduziu os Rolling Stones. Mick Jagger e Keith Richards chegaram a compor uma música para um de seus filmes, Lucifer Rising (Ascensão de Lúcifer).
A canção se chamou Invocation to my Demon Brother (Invocação ao meu Demônio Irmão). Uma visita da banda ao Brasil inspirou a outra faixa satânica, bem mais famosa, em que o demo se apresenta em primeira pessoa: Sympathy for the Devil.
"O problema do diabo é, em última análise, o problema do mal", diz a autora Elaine Pagels, que escreveu o livro As Origens de Satanás depois de perder o marido num acidente de montanhismo, em 1988. "Esse problema está sempre conosco", diz ela. O diabo é uma de suas caras. Assustadora, sinistra, incômoda, mas que não quer nos abandonar.
Faces malignas
De acordo com a mitologia escandinava, os trolls podem ser gigantes ou anões, mas são sempre figuras demoníacas, dotadas de poderes mágicos que ficam mais fortes durante as horas de escuridão. Na versão mais famosa, citada na Bíblia, Satanás era um destacado anjo na corte celeste de Deus até se rebelar. Derrotado,refugiou-se com seus seguidores e hoje segue confrontando o Criador. Demônio feminino recorrente em diversas crenças e culturas.
Lidith já foi imaginada como um fantasma sugador de sangue. Em alguns relatos, teria sido a primeira mulher de Adão, depois substituída por Eva. Belial é o príncipe das trevas segundo o Corão, pode ser chamado de Beliel ou Baal. Também é citado na Bíblia: pessoas más são chamadas pelo profeta Samuel de homens de Belial. Magog são demônios de feições caninas das religiões semitas são citados no Antigo Testamento.
Segundo uma crença muito popular entre os muçulmanos, eles foram aprisionados pelo profeta Abraão e, depois, por Alexandre, o Grande. Seres diabólicos do hinduísmo e do budismo são Asuras. Foram expulsos do céu por anjos (devas) quando se rebelaram contra ordens divinas. São o equivalente aos anjos caídos da tradição semita.

domingo, 11 de agosto de 2019

Pacto com o diabo: uma história.

PACTO COM O DIABO: UMA HISTÓRIA

Por muitos séculos, se dizia que o sucesso de certas figuras vinha de um acordo macabro. Entenda a origem dessa história
TIAGO CORDEIRO PUBLICADO EM 11/08/2019.
A história que persegue Robert Leroy Johnson, Nicollò Paganini, Xuxa e muitos outros
A história que persegue Robert Leroy Johnson, Nicollò Paganini, Xuxa e muitos outros - Crédito: Reprodução
Robert Leroy Johnson era fraco no violão. Tocava mal, por mais que treinasse. Adolescente, procurou a encruzilhada formada pelo cruzamento das estradas 61 e 49, no Mississipi. Encontrou um homem negro alto, que lhe ofereceu uma troca: a alma pelo talento musical.
Após isso, viria a ser um dos maiores cantores de blues de todos os tempos. Revolucionou o gênero e influenciou gente como os guitarristas Eric Clapton e Jimmy Page – que, aliás, também ficou famoso pelo flerte com o diabo que sua banda, o Led Zeppelin, teria iniciado nos anos 1970.
Robert Johnson é um dos casos mais conhecidos de pacto com o diabo. Ele morreu em 1938, com apenas 27 anos, de causas desconhecidas – há quem diga que o tinhoso tenha cobrado a fatura cedo, mas é mais plausível que tenha sido envenenado por um marido irritado.
A lenda do pacto com o diabo é peculiar no sentido de sempre se aplicar a figuras reais. O músico é só uma entre muitas pessoas que tiveram seu sucesso atribuído a um contrato macabro – outras incluem do virtuoso violinista Nicollò Paganini (1782-1840) até, em círculos evangélicos brasileiros, Xuxa Meneghel.
O caso mais antigo conhecido é o de Teógilo de Adana(?-538), que teria vendido a alma para subir na hierarquia cristã. Ao se tornar bispo, teria se arrependido e tentado voltar atrás.
A figura do diabo, da maneira como ficou consolidada no imaginário ocidental, foi construída ao longo da Idade Média. A cor vermelha, o rabo, o tridente, o pé com casco, nada disso está na Bíblia ou outros textos do judaísmo e do cristianismo.
A ideia de que o capeta é um rei poderoso, que comanda o inferno e faz de tudo para aumentar o número de adeptos entre os humanos levou muita gente para a fogueira nos territórios controlados pelos europeus entre os séculos 12 e 18. E a ideia de que seria possível barganhar com o rei do inferno ganhou sua versão mais épica com o doutor Johannes Georg Faust.
No fim do século 16, começaram a circular na Europa diferentes textos contando a história do médico e alquimista alemão, que nasceu em 1480 e morreu em 1540. Ele teria se tornado um mago poderoso, mas também foi perseguido por culpa da fama de ser sodomita e de revirar cadáveres (o que médicos de então realmente faziam – era como se aprendia anatomia).
Fausto morreu em decorrência de uma explosão em seu laboratório – seu corpo apareceu tão mutilado que só aumentou a lenda de que o demônio teria arrancado a alma dele à força.
Em 1604, uma das versões de sua história foi consolidada pelo escritor Christopher Marlowe. Dois séculos depois, a peça em dois atos Fausto, de Johann von Goethe, veio a público em 1808 – como em nenhuma outra versão, o médico acaba salvo de ir para o Inferno.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Ouça: diabo na música - as notas malditas.

OUÇA: DIABO NA MÚSICA — AS NOTAS MALDITAS

Condenado pelos padres e evitado por séculos, o intervalo musical do mal hoje está em todo o lugar
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 23/07/2019
None
- Crédito: Wikimedia Commons
Como a filosofia e a ciência, na Idade Média, a música erudita, sofisticada, estava nas mãos da Igreja. Para os monges, os sons deveriam ser angelicais e comoventes: consonantes. E, assim como o Diabo é uma versão deturpada e invertida de Deus, certa sequência de notas é o oposto disso: dissonante.  Essa combinação terminaria batizada (já bem depois da Idade Média) de Diabolus in Musica (Diabo na Música). 
Outro nome para isso é trítono. Um intervalo de três tons entre duas notas. Por exemplo, entre dó e fá sustenido, ou entre fá e sol. Quando reproduzido resulta em uma combinação musical que a maioria das pessoas percebe como perturbadora, macabra. Como mostra o vídeo abaixo. 
Ainda que os músicos adorem repetir a história, trítonos nunca foram banidos pela Igreja, muito menos que alguém tenha ido para a fogueira por isso. Ou não há qualquer evidência disso. O que há é gente como o monge e compositor Guido de Arezzo que, ao desenvolver seus hexacordes, recomendou evitar o intervalo entre fá e si. Alguns deles como a monja Hildegarda de Bingen e o trovador francês Chrétien de Troyes foram repreendidos ao usá-los pois deveriam seguir as regras de composição impostas pela Igreja.
Inclusive o registro mais antigo do trítono é de uma composição de uma freira, Santa Hildegarda de Bingen, em Ordo Virtutum, composta por volta de 1151. O intervalo aparece, adequadamante, nas partes relacionadas ao Diabo, pois é uma peça falando sobre a redenção da alma contra ele. E soa, de fato, bem sinistro:
Provavelmente Santa Hildegarda é a razão pela qual o trítono passou a ser relacionado ao Diabo. "Aparentemente era o som usado para chamar a besta. Há algo muito sexual no trítono. Na Idade Média, as pessoas eram ignorantes e assustadas, então quando ouviam algo assim e sentiam a reação em seus corpos, pensavam "ah, aí vem o diabo", diz Bob Ezrin, produtor musical canadense em entrevista à BBC.
O que chegou a ser banido — e só dentro da igreja — é otura coisa: a polifonia, o uso de mais de uma melodia na mesma música. Isso era comum na música secular medieval, mas não em música sacra, como o canto gregoriano. Foi proibida pelo papa João XXII em 1322, que achava o estilo vulgar, mas a proibição logo seria ignorada.
O nome Diabolus in Musica aparece só em 1702, mencionado pelo compositor alemão Andreas Werckmeister, dando entender que era um termo bem antigo. Ele condenava seu uso e, então, era uma gafe inaceitável para um compositor colocar um trítono na música.
O tabu seria quebrado com a música romântica do século 19, que abusava de temas sombrios. Como na Sonata de Dante, de Franz Liszt:
Desde então, o trítono é parte básica do repertório. Continua a ser usado para invocar a imagem do Diabo. Como em:. 
Não é só o metal, aliás. O blues e o jazz fazem amplo uso dos trítonos. Um dos mais universalmente conhecidos usos é:
Pode acreditar: o coro que abre a música, o "The Simpsons", é um trítono. E o baixo ao fundo também é.
E esse é o resultado de mudar a música, inclusive o intervalo maldito, para uma escala menor. Mas essa é outra conversa.

sábado, 6 de julho de 2019

5 vezes em que o diabo tentou corromper os santos e se deu mal.

5 VEZES EM QUE O DIABO TENTOU CORROMPER OS SANTOS E SE DEU MAL

De Santo Antônio e Santa Catarina, diversos contos relatam as peripécias de satanás e suas curiosas artimanhas
REDAÇÃO PUBLICADO EM 06/07/2019.
Santa Catarina luta contra o diabo
Santa Catarina luta contra o diabo - Reprodução
Diversos contos históricos relatam a luta que o diabo travou contra santos na tentativa de corrompê-los na vida mundana. Quase sempre, o satanás se deu mal!
Santo Antônio, São Bento e Santa Catarina são alguns dos santos que já foram tentados pelo diabo e conseguiram vencer as mais diversas provocações.
Relembre as principais lutas retratadas em contos ao longo da história:
Santo Antônio.
Crédito: Reprodução
Santo Antônio nasceu de pais ricos, mas decidiu desistir da vida feita e se retirou para o deserto com o intuito de viver uma vida de santa contemplação. E o diabo, claro, não ia deixar Antônio escapar das tentações do mundo. O diabo atormentava o pretenso santo com a preguiça, tédio e as imagens tentadoras das mulheres. 
Santo Antônio lutou contra eles com uma oração cada vez mais intensa. Irritado com a resistência de seu oponente a ataques mentais, o diabo investiu fisicamente para agredi-lo com um bando de demônios inferiores até que o santo caiu inconsciente — em sua única vitória. Santo Antônio foi resgatado por um amigo e recuperou sua saúde antes de buscar reclusão novamente. 
O diabo viu que as ameaças físicas não funcionavam, então enviou legiões de bestas selvagens com ordens para fazer o que quisessem com a vítima. Antônio apenas riu do Diabo e de seus inúmeros fantasmas assustadores . "Se algum de vocês tem alguma autoridade sobre mim, apenas um teria sido suficiente para lutar comigo", declarou o religioso.
São Bento.
Crédito: Reprodução
São Bento também era um jovem rico que largou os prazeres da vida mundana para viver a austeridade religiosa. Bento retirou-se de Roma para uma caverna isolada. Assim como outras tentativas de fugir dos pecados, o Diabo não se contentou em deixar o religioso escapar de suas garras.
A primeira tentativa foi visitar Bento na forma de um pássaro e realizou diversas bicadas perto de seu rosto. Bento simplesmente o benzeu e se livrou do bicho. A próxima tentativa do diabo foi mais carnal. Ele tomou a forma de uma bela dama a quem Bento havia se interessado. A visão era tão sedutora que o religioso quase saiu de sua caverna para se render às delícias e prazeres da carne.
No entanto, ele salvou sua alma quando se atirou em um arbusto espinhoso e rolou para mortificar sua carne. Um banho gelado no rio talvez tivesse um efeito calmante menos doloroso, não?
Santa Catarina.
Crédito: Reprodução
Santa Catarina é reconhecida pelos católicos como uma das doutrinas da Igreja — santos importantes para a formação da teologia da Igreja Católica. Mas para alcançar essa posição, ela primeiro teve que se unir a Cristo e batalhar contra o diabo. Mas o satanás não permitiu que Catarina realizasse uma jornada fácil para a santidade. Ele a subjugou com imagens repugnantes e alucinações que duraram dias. Durante esse tempo, ela não conseguia se comunicar com Deus. Por fim, as visões foram dissipadas pelas orações de Catarina.
St. Wolfgang.
Crédito: Reprodução
St. Wolfgang decidiu construir uma igreja. Para determinar onde erguê-la, ele subiu uma montanha, jogou um machado e observou o local do pouso. Uma vez que ele chegou ao local onde o machado caiu, decidiu que precisava de uma pequena ajuda com a construção. O diabo apareceu a St. Wolfgang e ofereceu seu seviço. O preço: o diabo conseguiria reivindicar a alma da primeira coisa viva que entrasse na igreja que ele ajudou a construir. Wolfgang concordou.
Embora a igreja parecesse bonita, os habitantes locais sabiam que ela havia sido feita com a ajudinha do diabo porque nenhuma das linhas era regular ou compatível com as outras igrejas da época. E Wolfgang começou a temer o preço que ele teria que pagar. Eis que um lobo perseguido por caçadores (e muito conveniente) correu em direção à igreja. Wolfgang abriu a porta e o lobo entrou correndo. Wolfgang apontou para o lobo e disse ao diabo que levasse a alma do primeiro ser vivo que entrasse na igreja. Aparentemente, a dívida estava paga!
St. Dunstan.
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St. Dunstan era conselheiro de um dos reis anglo-saxões da Inglaterra, mas foi acusado de bruxaria e banido da corte. Ele levou a vida santa de um eremita, tocando harpa e trabalhando como ferreiro. Como sempre, o diabo não permitiria que alguém vivesse uma vida simples e sagrada.
Um dia, enquanto Dunstan trabalhava em sua ferraria, o diabo assumiu a forma de uma jovem mulher e dançou para tentar convencê-lo a pecar. Mas o rapaz ignorou a dançarina e continuou com seu trabalho. A  dança do diabo tornou-se mais selvagem, e suas saias se ergueram enquanto ela girava, revelando suas partes íntimas. Dunstan agarrou o nariz do diabo com as tenazes de brasa de sua forja e o expulsou. 
Dunstan forçou o diabo a prometer nunca mais incomodá-lo martelando ferraduras em seu casco. Acredita-se que a água vermelha e sulfurosa da nascente de Tunbridge Wells tenha sido estragada pelo Diabo quando tentou curar o seu nariz queimado.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Luciferianos: os seguidores da doutrina que enxerga Lúcifer como o injustiçado na Bíblia.

LUCIFERIANOS: OS SEGUIDORES DA DOUTRINA QUE ENXERGA LÚCIFER COMO O INJUSTIÇADO NA BÍBLIA

A filosofia luciferianista, surgiu no século 13, na Alemanha, e não é o mesmo que satanismo
ALANA SOUSA PUBLICADO EM 03/07/2019.
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Em Houston, Texas, fica uma das igrejas menos convencionais do mundo. Alvo constante de vandalismo, o local sofre ataques de intolerância religiosa por sua opção de fé: venerar o capeta. A Greater Church of Lucifer (Maior Igreja de Lúcifer) foi fundada em 2015 para reunir os desgarrados que seguem a malvista doutrina do luciferianismo. Um pessoal que acredita que, a despeito do que dizem os cristãos, Lúcifer foi o verdadeiro injustiçado nos contos bíblicos.
Os primeiros registros da origem da Igreja Luciferiana são das regiões de Colônia, Mainz e Trier, na Alemanha, e datam de meados do século 13. A filosofia do luciferianismo busca a Sabedoria da Luz. Geralmente reverencia Lúcifer não como o Diabo, mas como um libertador ou até um espírito-guia. Há ainda os que se referem a ele como um amigo ou professor. Essa ideia de ligar à luz uma entidade geralmente relacionada às trevas tem a ver com a forma como os povos antigos chamavam Lúcifer: ele era a estrela da manhã, uma expressão usada na Bíblia para se referir aos anjos.
Os crentes do luciferianismo estudam os mitos associados a Lúcifer. Histórias que seguem uma entidade que disseminaria o conhecimento e a rebelião.
Nesses mitos, temos as entidades luciferianas, na maioria das vezes figuras angelicais com um toque de rebeldia. Entre elas estão Samael, o Veneno de Deus, que se rebelou contra o criador e deu sua luz ao homem na forma do fruto proibido. Também há Azazel, o Anjo Caído, que ensinou aos homens o segredo da forja e dos cosméticos. E Prometeu, o titã da mitologia grega que roubou o fogo dos deuses do Olimpo e o entregou aos homens. O denominador comum é a rebelião contra o poder divino e o desautorizado empoderamento do ser humano.
Um luciferiano se espelha nessas entidades para as suas atitudes e filosofia de vida. Ele deve conhecer luz e trevas em seu caminho, nunca se prendendo a nada e sendo independente para fazer o que quiser. Tenta ultrapassar seus limites internos para então alcançar a evolução.
Em 1233, o papa Gregório IX lançou uma inquisição contra os luciferianos, após descobrir que faziam uso de gatos pretos em suas seitas. Rituais sem nenhuma comprovação histórica.
Para os piadistas que sugeririam ao ex-presidente Temer frequentar essa Igreja, fica uma dica: luciferianismo não é a mesma coisa que satanismo. Apesar de ambos terem a figura de Lúcifer como principal ponto de adoração, o luciferianismo não nega o cristianismo, e não pretende ser oposição. Já o satanismo tem por essência a inversão de práticas e crenças cristãs. É diabólico na concepção clássica.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Moedas "satânicas" encontradas em abadia medieval na Inglaterra.

MOEDAS “SATÂNICAS” ENCONTRADAS EM ABADIA MEDIEVAL NA INGLATERRA

Elas não vieram do trabalho de nenhuma seita macabra, mas há uma insólita história por trás de sua origem
LETÍCIA YAZBEK PUBLICADO EM 28/06/2018
Moedas criadas na Dinamarca, em 1973, foram descobertas em Bath
Moedas criadas na Dinamarca, em 1973, foram descobertas em Bath - Wikimedia Commons/ Wessex Archeology
Durante um processo de restauração na Abadia de Bath, Inglaterra, arqueólogos encontraram duas moedas satânicas debaixo de uma plataforma. De um lado, as moedas trazem a imagem de Satã, com chifres e carregando um tridente, junto das palavras em latim “Civitas Diaboli” (cidade do Diabo). Do outro lado, a inscrição “13 Maj Anholt 1973” (13 de Maio de 1973, Anholt, em dinamarquês).
A data já deixa claro que não pode ser algo do passado distante do prédio inaugurado há 1600 anos. Trata-se, acreditam, do que os escandinavos chamam de “a pegadinha do século”.
Em maio de 1973, na ilha dinamarquesa de Anholt, moradores descobriram treze locais onde supostamente teriam acontecido rituais satânicos. Ao investigar as áreas, a polícia encontrou pilhas de ossos, máscaras misteriosas, velas pretas e uma falsa cabeça humana em um pedaço de madeira.
Moedas trazem a inscrição “13 Maj Anholt 1973” Wessex Archaeology
O mistério foi amplamente divulgado pela mídia dinamarquesa – muitos jornalistas diziam ter descoberto evidências de rituais de sacrifício humano e os moradores contavam diversas histórias sobre os rituais satânicos que aconteciam em Anholt.
Quando as histórias sobre os rituais em Anholt começaram a desaparecer, as primeiras moedas foram encontradas, escondidas em igrejas e museus em toda a Dinamarca.
Em alguns casos, as moedas eram acompanhadas por cartas misteriosas, assinadas pela sacerdotisa satânica Alice Mandragora. Em 1981, quando o garoto Keld Grinder-Hansen escreveu um artigo escolar sobre a moeda do Diabo que seu irmão havia encontrado, recebeu uma carta dizendo que os “satanistas iam visitá-lo e tomar sopa de sangue com ele”.
Durante anos, ninguém sabia de onde vinham as moedas ou quem escrevia as cartas. O mistério durou até 2013, quando o jornal dinamarquês Politiken investigou o caso e descobriu a verdade: tudo havia sido uma grande piada, criada por Knud Langkow, morto em 2004, que trabalhava como auxiliar de escritório na Galeria Nacional da Dinamarca, em Copenhague.
Knud Langkow Reprodução/ Politiken
Sobrinha de Langkow, Lene Langkow Saaek disse ao jornal que o homem não era um satanista e que a pegadinha era produto de seu senso de humor. “Eu acho que a normalidade o incomodava. Ele fez isso para ridicularizar a burguesia e fazer com que as pessoas levantassem de suas cadeiras e pensassem”.
Os especialistas acreditam que, das mais de 370 moedas já encontradas – a maioria na Escandinávia – algumas foram criadas por Langkow, e outras por pessoas que entraram na brincadeira. As moedas encontradas na Abadia de Bath farão parte do acervo da organização Wessex Archaeology.
Segundo o arqueólogo Bruce Eaton, os especialistas estão acostumados a evidências escritas que contam uma história falsa, mas não evidências físicas. “Encontrar objetos que foram fabricados, produzidos para induzir ao erro, é fascinante, um alerta de que devemos sempre ver qualquer descoberta com um olhar crítico.”

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Como o pentagrama virou um símbolo satânico?

COMO O PENTAGRAMA VIROU UM SÍMBOLO SATÂNICO?

Ele ainda hoje decora igrejas e mesquitas - era usado para espantar o Diabo
REDAÇÃO PUBLICADO EM 13/06/2019.
Pentagrama 'do bem' de Eliphas Levi
Pentagrama 'do bem' de Eliphas Levi - Wikimedia Commons
O pentagrama apareceu pela primeira vez entre os Sumérios de 3000 a.C., com um significado astrológico. No século 5 a.C., os discípulos de Pitágoras adotaram o pentagrama como símbolo místico, representando os quatro elementos mais o quinto, o espírito. Em cada ponta, aparecia uma letra do nome da deusa da saúde, Hígia.
Crédito: Reprodução
Na Idade Média, cristãos europeus passaram a usá-lo como amuleto contra demônios, representando as cinco chagas de cristo. Islâmicos o usaram como elemento decorativo - em mesquitas. Na Renascença, o alquimista alemão Heirich Cornelius Agrippa (1486-1535) resgatou o significado original dos cinco elementos. Essa é a interpretação do pentagrama, com a ponta para cima, no neopaganismo Wicca. 
Foi só no século 19 que surgiu a versão satânica, de cabeça para baixo, pelo ocultista francês Eliphas Levi. Ele afirmou que, se a ponta, que representa o espírito, fica para baixo, o pentagrama passa a simbolizar o domínio da matéria sobre as coisas elevadas, um símbolo de magia negra, no qual pode ser vista a face do bode Baphomet. 
Crédito: Reprodução
Nessa versão, foi adotado pela Igreja de Satã, fundada por Anton LaVey em 1969, organização na qual é proibido acreditar realmente no Diabo.