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domingo, 10 de janeiro de 2021

Massacre na Montanha de Meadows: fanáticos religiosos exterminaram pioneiros a caminho do Velho Oeste.

 MASSACRE NA MONTANHA DE MEADOWS: FANÁTICOS RELIGIOSOS EXTERMINARAM PIONEIROS A CAMINHO DO VELHO OESTE

Em 1857, o atentado sangrento fora promovidos por fiéis mórmons

CÍNTIA CRISTINA DA SILVA PUBLICADO EM 10/01/2021

Os imigrantes americanos haviam entregado suas armas quando foram executados
Os imigrantes americanos haviam entregado suas armas quando foram executados - Acervo AH / Bernardo Borges

sol mal havia nascido no dia 7 de setembro de 1857 quando imigrantes americanos de uma caravana que atravessava o estado de Utah, a caminho da Califórnia, foram surpreendidos por tiros em meio ao café da manhã.

Em pouco tempo, cerca de 160 viajantes, incluindo dezenas de crianças, seriam assassinados por fanáticos mórmons em um dos mais sangrentos ataques promovidos por religiosos nos Estados Unidos.

Esse outro setembro de terror, conhecido como “o massacre da montanha de Meadows”, é considerado por historiadores como a maior atrocidade provocada por cidadãos americanos contra civis até o atentado a bomba ao prédio federal em Oklahoma City, em 1995, que matou 169 pessoas – o 11 de setembro de 2001 está fora da lista, já que as quase 3 mil mortes não foram provocadas por americanos.

Em American Massacre (“Massacre americano”, sem versão em português), a jornalista americana Sally Denton conta, em detalhes de embrulhar o estômago, todas as atrocidades cometidas em Utah. 

O livro narra que, logo após ouvirem os primeiros tiros no dia 7 de setembro, os homens da caravana foram encurralados. Sem saber de onde o ataque partia, eles se defenderam como puderam, construindo um forte com as próprias carroças.

Privados de água e comida, tentaram finalmente negociar uma trégua: enviaram duas menininhas vestidas de branco dos pés à cabeça em direção aos inimigos. As duas crianças morreram baleadas a sangue frio.

Após cinco dias de desespero, surgiu um homem informando que o ataque era movido por indígenas da região. Esse mesmo homem disse que os indígenas exigiam que eles entregassem suas armas.

Sem alternativa, os sitiados aceitaram as condições e iniciaram uma retirada, com as mulheres e crianças na frente e os homens atrás. Eles ainda não sabiam que haviam caído em uma armadilha.

A pessoa que viera negociar chamava-se John D. Lee e era, na verdade, um dos homens mais próximos do líder mórmon Brigham Young. Assim que os homens da caravana começaram a se retirar, John D. Lee deu a ordem: “Façam seu trabalho”.

Imediatamente, dezenas de mórmons surgiram e iniciaram a matança dos homens desarmados que, até aquele momento, não sabiam que aqueles eram os autores dos disparos. Todos foram massacrados, com exceção de 17 crianças que tinham entre 9 meses e 7 anos – de acordo com os mórmons, menores de 8 anos são considerados “sangue inocente”.

Os sobreviventes foram levados para um rancho. Ainda histéricos e cobertos com o sangue de seus pais e irmãos, foram adotados pelos responsáveis pela carnificina – personalidades da alta hierarquia da comunidade religiosa mórmon, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Após a matança, começou a pilhagem. Os assassinos roubaram tudo. Nem mesmo as roupas ensanguentadas foram esquecidas. Os corpos foram deixados à mercê de coiotes e abutres famintos.

Quando o major James H. Carleton passou pelo cenário do massacre, dois anos depois, ele viu ossos desconjuntados, crânios e mandíbulas. “O cenário continuava horrível, difícil de suportar”, escreveu o oficial na época. O pior é que, segundo a jornalista Sally Denton, o principal motivo do massacre não foram diferenças religiosas – e sim o interesse na carga que os imigrantes carregavam para a Califórnia.

Carga preciosa

A caravana que foi dizimada pelos mórmons não era formada por imigrantes maltrapilhos em busca de riqueza fácil no Oeste. Seus integrantes eram camponeses prósperos liderados por Alexander Fancher, um veterano da Guerra do México (travada entre 1846 e 1848) que tinha direito a um pedaço do território anexado pelos Estados Unidos na Califórnia.

Acompanhado de sua mulher Eliza e de nove filhos, eles logo foram seguidos por outros fazendeiros, como o também líder John Twitty Baker. No total, entre 20 e 30 famílias partiram para o Oeste.

Uma empreitada dessas exigia um ano de preparação. Cabia às mulheres organizar listas dos itens de necessidade básica como roupas e fogões, além de suprimentos como trigo, arroz, café, açúcar e manteiga. Os homens cuidavam dos armamentos, das ferramentas e dos animais que fariam a viagem.

Além das milhares de cabeças de gado, estima-se que os imigrantes levavam mais de 100 mil dólares em moedas de ouro, uma verdadeira fortuna para a época. No dia 7 de maio de 1857, a então mais rica caravana a cruzar o continente americano partiu do estado do Arkansas para a Califórnia, cruzando o Kansas, Nebraska e Washington até chegar em agosto ao estado de Utah.

Ao pararem na cidade de Salt Lake City, os problemas começaram. Apesar da abundância de alimentos, os comerciantes mórmons se recusaram a vendê-los para os “gentios”.

Desesperados diante da negativa de venda de vários comerciantes, eles partiram para as cidades vizinhas, sem saber que elas também haviam recebido ordens de não vender nada para o grupo.

Segundo historiadores, essa conduta selou uma sentença de morte aos viajantes. Além do boicote, boatos incitavam o ódio aos integrantes da caravana. Rumores afirmavam que os “gentios” insultavam continuamente as mulheres e os líderes mórmons.

No dia 21 de agosto, os viajantes finalmente conseguiram comprar milho em um vilarejo indígena. Mas quando a caravana seguiu pela montanha de Meadows, considerado até então o lugar mais bonito da viagem, foi surpreendida pelo ataque covarde.

Bode expiatório

Por muito tempo, os autores do massacre da montanha de Meadows tentaram culpar os índios pelo atentado. Poucos anos depois, contudo, já era de conhecimento público que a chacina havia sido orquestrada por um grupo de mórmons liderados por John D. Lee e sob ordem do líder supremo da igreja, Brigham Young.

Segundo a jornalista Sally Denton, os autores do massacre estavam interessados em dinheiro e influência. Na época, o líder mórmon Brigham Young travava uma briga com o governo dos Estados Unidos.

Para ganhar poder frente ao governo, Young fazia de tudo para que as autoridades americanas acreditassem que era ele quem controlava o “ímpeto sanguinário” dos indígenas da região, evitando assim que os viajantes brancos fossem atacados pelos “selvagens”.

Curiosamente, relatos da época falam de crimes praticados por “indígenas de pele branca” familiarizados com a linguagem típica dos mórmons daquela época.

A carnificina da montanha de Meadows seguiu impune até 1877, quando a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e o líder Brigham Young resolveram colocar toda a culpa pelo massacre em John D. Lee, julgado e condenado à morte. Anos depois, Lee escreveu um relato detalhado do massacre, contando como tudo foi armado.

Em 1999, uma escavação descobriu várias ossadas no local. Apesar do valor histórico da descoberta, uma ordem do governador de Utah determinou que os restos fossem enterrados imediatamente, impedindo a pesquisa na região.

fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/massacre-na-montanha-meadows.phtml

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Cobrança de ingressos e cadáver coberto por gelo: o bizarro funeral de Jesse James, o polêmico cowboy do velho oeste.

COBRANÇA DE INGRESSOS E CADÁVER COBERTO POR GELO: O BIZARRO FUNERAL DE JESSE JAMES, O POLÊMICO COWBOY DO VELHO OESTE

A notoriedade de um dos maiores cowboys do Oeste americano transformou seu velório em uma ocasião tragicômica
WALLACY FERRARI PUBLICADO EM 16/02/2020
Jesse James em uma de suas raras imagens
Jesse James em uma de suas raras imagens - Domínio Público
O criminoso Jesse James, famoso por seus roubos e assassinatos no Velho Oeste, chegou a ser uma personalidade notável nos Estados Unidos, inclusive positivamente. Em 3 de abril de 1882, seu companheiro de gangue Robert Ford, sem qualquer remorso, foi até sua casa e o matou com um tiro na nuca, buscando a recompensa de 100 mil dólares oferecida pela Polícia.
Seu óbito, entretanto, não poderia ser menos polêmico que sua figura: Jesse teve o corpo repousado em um caixão, confeccionado em vime e com um vidro para observar seu rosto, coberto de gelo sobre seu corpo.
O processo de embalsamamento não era comum na comunidade americana e também não havia o hábito de manter o corpo conservado para velórios longos, mas houve uma exceção ao criminoso.
O cadáver de Jesse James / Crédito: Domínio Público

Após a descoberta de que Jesse estava sendo velado na casa onde foi morto, uma multidão de curiosos invadiram a residência para ver o corpo, atrasando o traslado do corpo para o enterro, que partiria de St. Joseph para Kearney.
Robert Ford se manteve presente na casa até a chegada das autoridades, esperando receber a quantia anunciada como recompensa. Posteriormente, condenado a forca, porém, foi perdoado pelo governador de Missouri Thomas Theodore Crittenden.
Crédito: Domínio Público 

Junto com o irmão, Ford recebeu parte da quantia e saiu em turnê pelos Estados Unidos encenando uma peça teatral reproduzindo a morte de Jesse James. Já a noiva de Jesse, Zerelda, aproveitou a ocasião para gerar renda e sustentar os filhos do casal, cobrando ingressos para a entrada na casa, que continham 50 buracos de bala nas paredes. Os ingressos custavam 10 centavos e renderam US$ 1.500 para ela.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Foto de Billy The Kid, será leiloada.

FOTO RARA — E DESAPARECIDA POR SÉCULOS — DE BILLY THE KID SERÁ LEILOADA

O ícone do Velho Oeste estadunidense tem apenas uma imagem confirmada. Agora, a segunda fotografia foi avaliada em uma fortuna
ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 08/12/2019
Billy the Kid, um dos maiores pistoleiros do Velho Oeste dos Estados Unidos
Billy the Kid, um dos maiores pistoleiros do Velho Oeste dos Estados Unidos - Getty Images
Uma segunda fotografia de um dos maiores fora da lei do faroeste pode deixar uma família rica nos Estados Unidos. Espera-se que a imagem, que mostra Billy the Kid jogando cartas, provavelmente pôquer, seja avaliada em pelo menos um milhão de dólares, aproximadamente 4 milhões de reais. 
Existe apenas uma foto confirmada do pistoleiro atualmente, e outra ainda julgada como suposta. Isso acontece principalmente pelo fato de registros fotográficos serem escassos naquela época, visto que Billy morreu em 1881. As finas folhas de metal que gravavam as imagens raramente conseguiam sobreviver ao período. 
O registro raro / Crédito: Divulgação/Twitter

“Quando minha família foi prestar homenagem à viúva de David Anderson [nome verdadeiro de Billy Wilson] em seu funeral de 1918, ela o presenteou com, entre outros itens, um pequeno álbum de fotos de família em couro. Ela explicou à família do meu avô sobre a história da foto e como Billy havia presenteado a foto com o marido”, explicou Tomas Anderson II, em entrevista ao portal Central Irlandesa.
A relíquia data de 1877 e, segundo a casa de leilões Sofe Design Auctions de Richardson, é autêntica. “Isso é historicamente importante. Incrivelmente raro e único. Também possui uma procedência meticulosa e irrefutável da família Anderson, datada de três gerações. Além disso, a foto foi verificada pelo Eastman Museum, no Texas”, atestou um um porta-voz também à Central Irlandesa.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

George Big Nose: o forasteiro do Velho Oeste transformado em sapatos após a morte.

GEORGE BIG NOSE: O FORASTEIRO DO VELHO OESTE TRANSFORMADO EM SAPATOS APÓS A MORTE

Cometendo inúmeros crimes, Big Nose teve um destino inacreditável após ser enforcado
JOSEANE PEREIRA PUBLICADO EM 15/10/2019
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- Wikimedia Commons
George Parrott era muito conhecido no Velho Oeste. Esse fora da lei que viveu em fins do século 19 era visto de forma odiosa por onde passava, roubando cavalos, assaltando rodovias e atacando vagões de trem. Mas, ainda mais bizarro que suas ações em vida, foi o destino de Parrott após a morte.
Trajetória macabra
No ano de 1878, ele e sua gangue estavam escondidos após mais um assalto a trem. Quando um detetive e um vice-xerife foram caçar os bandidos, eles acabaram emboscados pela quadrilha e seus corpos foram enterrados. Um dia normal para George Big Nose.
Vivendo como homem livre por anos, ele acabou sendo descoberto por se gabar demais dos assassinatos que havia cometido. Preso, Parrott acabou sendo enforcado em um poste de telégrafo, sob o olhar de uma multidão de vigilantes.
Acontece que, no meio dos curiosos, estava o médico John Osborne. Como o cadáver havia sido ignorado pelas pessoas, ele viu nisso uma oportunidade: Osborne enviou o cérebro ao seu amigo, o doutor Thomas Maghee, para um estudo científico sobre mentes criminosas.
Maghee deu a parte superior do crânio a sua assistente de 15 anos, Lillian Heath, que se tornaria uma grande médica de Wyoming, estado no oeste dos EUA. Ela usou o crânio como cinzeiro, batente de porta e vaso de flores.
Máscara e sapatos / Crédito: Carbon County Museum

Mas a coisa não parou por aí: o sádico doutor Osborne criou uma máscara com o rosto de George e encomendou um par de sapatos a serem modelados com sua pele. O resto do corpo foi desmembrado e armazenado em um barril de uísque. “Eu instruí o sapateiro a manter os mamilos na pele, para provar que era a de um ser humano. Mas ele não seguiu minhas instruções”, afirmou Osborne posteriormente.
Atualmente, partes do crânio de Parrott, a máscara e os terríveis sapatos podem ser encontrados no Museu do Condado de Carbon, em Wyoming, EUA.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Balas não veem sexo: conheça as pistoleiras do Velho Oeste.

BALAS NÃO VEEM SEXO: CONHEÇA AS PISTOLEIRAS DO VELHO OESTE

De armas em punho, elas fugiram dos papeis tradicionais
BÁRBARA BRETANHA PUBLICADO EM 27/05/2019
A legendária Annie Oakley
A legendária Annie Oakley - Wikimedia Commons
O mito do cowboy norte-americano, perpetuado pelo cinema e pela literatura, promove a ideia de um homem durão, estoico e calejado, enfrentando sozinho as intempéries e a selvageria de terras recém-colonizadas.
A fronteira não atraía apenas figuras como Butch Cassidy e Sundance Kid, mas também legiões de mulheres que fugiam aos padrões esperados. Individualistas de casca grossa, seja por desejo ou necessidade, que também pegaram em armas para defender sua liberdade.
Algumas dessas histórias entraram para o folclore – Calamity Jane e Annie Oakley, por exemplo –, mas havia muitas outras. “Não foram só meia dúzia. As mulheres sempre lutaram”, afirma Carla Cristina Garcia, cientista social da PUC-SP.
“No Velho Oeste, os homens eram vaqueiros ou iam para o garimpo; muitas mulheres ficaram sozinhas e cabia a elas defenderem a si próprias.” Além disso, muitas mulheres que iam para o Oeste queriam escapar de seu passado, outras fugiam das restrições da sociedade do Leste.
Terra de bravos
Até meados do século 19, apenas um quarto do atual território dos Estados Unidos, na Costa Leste, havia sido ocupado. Em 1840, a noção do “destino manifesto”, teoria de que os norte-americanos tinham o direito divino de colonizar novas terras, tornou-se um mote expansionista. A descoberta de ouro em Sutter’s Mill, no território de Serra Nevada, na Califórnia, deu um novo impulso ao avanço para o oeste. Em três anos, mais de 200 mil pessoas migraram para o estado, buscando riquezas.
O Velho Oeste não era tão violento quanto se imagina. Os cowboys eram mais peões do que pistoleiros e passavam longas semanas longe de casa. Os rebanhos eram enormes e a terra árida tornava necessário percorrer grandes distâncias em busca de pasto e água. De dia na sela, à noite dormindo sob as estrelas.
A dieta consistia de feijão e carne seca requentados na fogueira. Se a vida no Oeste não tinha tanto glamour, para Martha Calamity Jane (Jane Calamidade) Cannary a dureza era um preço pequeno a se pagar pela liberdade.
Calamity Jane em seu show / Wikimedia Commons

Martha viajou para o Oeste com 13 anos, acompanhada dos pais. Gostava da companhia de cowboys e caçadores. Perambulou pelo país e imortalizou suas aventuras em uma autobiografia, A Vida e Aventuras de Calamity Jane. Sua história foi narrada, já que nunca aprendeu a ler e escrever.
Falava de aventuras, emboscadas, tiros, lutas contra os índios. Sua lista de ocupações menos emocionantes incluía os ofícios de cozinheira e lavadeira. Já mais velha, rodava o país contando seus feitos extraordinários em troca de bebida ou alguns tostões. Sua reputação era a de uma bêbada arruaceira que entrava e saía da cadeia com frequência. 
Atração de circo
Com a fama, merecida ou não, de Calamity Jane se espalhando, outra atividade se tornou popular: os shows do Velho Oeste. Eram espetáculos itinerantes com demonstrações de proeza no tiro, cavalgadas e laço. Faziam também propaganda pelo extermínio dos nativos e do expansionismo. O empreendedor William Frederick
Cody, conhecido como Buffalo Bill, era dono do show mais conhecido do país. Ele e seus concorrentes valorizavam os talentos femininos. O espetáculo dos irmãos Miller, por exemplo, empregava 50 mulheres. Ases da sela, May Lillie e Lucille Mulhill se tornaram cowgirls famosas. Mulhill, que se uniu ao show de Bill em 1909, laçava oito cavalos a galope com uma mesma volta de corda.
Foi em 1885, três anos após dar início ao show, que Bill conheceu sua maior estrela: uma jovem atiradora chamada Annie Oakley. Phoebe Ann Oakley Moses, nasceu em Ohio em 1860. Atirava desde os 12 anos.
Fez tanto sucesso que, quando a trupe esteve em turnê pela Europa, a rainha Vitória, da Grã-Bretanha, assistiu três vezes ao show. Outro membro da realeza, o kaiser Wilhelm II, da Alemanha, confiou tanto em sua perícia com a arma que deixou que ela a demonstrasse atirando nas cinzas de seu cigarro – enquanto fumava.
Conhecida como Little Miss Sure Shot, ou Senhorita Tiro Certeiro, Ann levava uma vida pacata fora da arena. Casada, era religiosa e considerava mandar bala uma maneira de mulheres aprenderem a se proteger.
Estima-se que tenha ensinado 15 mil mulheres a atirar. Quando morreu,em 1926, deixou muito de seu dinheiro para a caridade, incluindo instituições pelos direitos da mulheres. Annie Oakley nunca usou as armas como ameaça, diferentemente de foras da lei como Rose Dunn e Belle Starr.
Tiro nas costas
“Entre os notórios caras maus que roubaram, enganaram e assassinaram moradores do centro-oeste entre 1824 e 1936, havia várias meninas más que eram tão desonestas e violentas quanto eles”, afirma Chris Enss no livro Bad Girls: Outlaw Women of the Midwest.
Famosa fora da lei, a Rainha dos Bandidos Belle Starr era notória pela associação com Jesse James e protagonista de uma extensa lista de atividades ilegais. Belle combinava os vestidos vitorianos com um enorme coldre e um chapéu Stetson masculino adornado com uma pena de avestruz.
Quando seu marido foi preso por roubo, Belle deixou os filhos com parentes e passou a assaltar por conta própria. Era procurada por roubar cavalos e gado – crime sério no interior norte-americano. Belle foi julgada e passou nove meses presa.Logo retomaria as atividades criminosas. Aos 40 anos sofreu uma emboscada. Tentou fugir a cavalo, mas um tiro nas costas a derrubou. 
Imagem da prisão de Laura Bullion / Wikimedia Commons

A Rosa do Bando Selvagem, Laura Bullion, cresceu no Texas e aprendeu o ofício da bandidagem com o pai, ladrão de bancos. Tornou-se prostituta na adolescência, conheceu a gangue dos foras da lei Butch Cassidy e Sundance Kid e se juntou ao grupo. Em 1901 foi presa por roubar um trem. Após três anos na prisão, abandonou a vida de crimes e morreu como uma respeitável costureira.
Ativismo armado
Após a Guerra Civil americana, uma nova emenda foi anexada à Constituição, ratificando o direito ao voto dos homens negros. As mulheres, brancas ou negras, foram, no entanto, deixadas de fora.
Mas o sufrágio feminino se beneficiaria desses exemplos de mulheres que defenderam sua independência, mesmo à base de tiros, como Pearl Hart. Pearl nasceu no Canadá por volta de 1870 e foi para os Estados Unidos em busca de riqueza. Foi presa por um assalto a carruagem.
Ao ser julgada, criou polêmica. “Não consentirei em ser julgada sob uma lei para cuja criação meu sexo não teve voz”, disse. A declaração não a livrou de três anos na cadeia. Mas esse modelo de independência presente nas fronteiras fez com que os estados do oeste abrissem os olhos mais cedo para os direitos femininos. O Wyoming garantiu o sufrágio em 1869. Em 1914, quase todos os estados da região haviam seguido o exemplo.

domingo, 28 de abril de 2019

A vida no Velho Oeste.

A VIDA NO VELHO OESTE

Nem só de violência se fez a conquista, mas também de muito suor na testa e diplomacia
MARCELO SALES PUBLICADO EM 28/04/2018
Cena do filme Era Uma Vez no Oeste, de 1968
Cena do filme Era Uma Vez no Oeste, de 1968 - Reprodução
Carruagens fugindo de bandidos. A cavalaria combatendo índios, cowboys solitários laçando cavalos e bois. Manadas de bisões que faziam a terra tremer quando estouravam por imensas planícies. Agricultores e suas famílias tirando o sustento de terras hostis com tenacidade. Tiros para todo lado. Estradas de ferro.
Os relatos de escritores e jornalistas, as pinturas de Frederic Remington e o cinema fixaram na mente das pessoas histórias e tipos míticos como cowboys e xerifes em cidades poeirentas. Ficção à parte, a conquista do Far West teve contornos lendários, mas envolveu política, trabalho duro e rotineiro e muita violência.
John Wayne, ícone dos filmes sobre faroeste Reprodução
Quando os britânicos depuseram armas, em 1781, os habitantes das 13 colônias que fundaram os EUA tinham como fronteira ocidental a Cordilheira dos Apalaches, uma área do tamanho de Minas Gerais e São Paulo. Em 1803, a Louisiana foi comprada dos franceses. Em 1819, foi a vez da Flórida, adquirida dos espanhóis. A partir de 1846, uma guerra de dois anos custaria ao México metade de seu território. No mesmo ano, o Tratado do Oregon (1846) garantiu a porção noroeste, definindo a fronteira com o Canadá. “Em 1848, os EUA já haviam alcançado o Pacífico, numa conquista vertiginosa e violenta”, afirma a historiadora Mary Junqueira, da USP.
Para garantir a posse de tanta terra, era preciso povoá-la.“A região foi ocupada por gente de vários perfis atraída pela chance de adquirir terra e direitos políticos”, diz Mary. Além do incentivo à imigração e da legislação conhecida como Land Ordinance (1785), que regulava a formação de estados no Oeste, dois eventos atraíram multidões para a “Corrida do Oeste”: a descoberta de ouro na Califórnia e o Homestead Act, que doava lotes de 160 acres (65 hectares) de terras federais, assinada em 1862 por Abraham Lincoln. Parte das terras foi obtida por especuladores, prejudicando o pequeno agricultor, segundo Claude Fohlen, em O Faroeste.

CARAVANA DA CORAGEM

A marcha rumo ao interior e depois ao Oeste utilizou ao longo do tempo quatro meios de transporte. O primeiro foram os steamboats, barcos a vapor, de casco quase reto, sem quilha – para escapar dos bancos de areia do Rio Mississipi. Sua característica mais marcante eram grandes rodas hidráulicas na popa. As viagens eram lentas e as caldeiras, barulhentas.
Longe dos rios, as diligências: carroças puxadas por parelhas de cavalos. Durante a Corrida do Ouro, ir do Missouri à Califórnia podia levar mais de quatro meses. “Era mais rápido ir de navio, contornando o Cabo Horn, na América do Sul”, afirma Mary Junqueira. Com a abertura de trilhas e a criação de serviços regulares, o tempo caiu para até 20 dias.
Os trajetos eram percorridos em comboios, para as carroças não se perderem e ficarem menos expostas a ataques. O custo da viagem era alto e a comida, precária. Os passageiros sofriam com os solavancos e a travessia de riachos e vaus.
Os navios só perderam a primazia com a chegada do trem ao Oeste. Em 1855, o Exército levou ao Congresso um plano detalhado com rotas possíveis para formar a malha ferroviária do país. Várias empresas entraram no negócio, entre elas a Central Pacific e a Union Pacific. A primeira partiu de Sacramento (Califórnia) e a segunda de Omaha (Nebraska). Mais eficiente e com emprego de mão de obra chinesa em larga escala, a Central cumpriu a meta e foi adiante. Em 10 de maio de 1869, o encontro das locomotivas das duas equipes em Promontory Point, Utah, foi um acontecimento nacional. Houve orações no local e o Sino da Liberdade soou na Filadélfia. Os trilhos iam agora de costa a costa.
Segundo o historiador Dee Brown, autor de Enterrem meu Coração na Curva do Rio, o século 19 no Oeste foi uma época de incrível violência e veneração da liberdade individual. E nesse quadro “se criaram os grandes mitos do Oeste americano – histórias de caçadores, pioneiros, pilotos de vapores, jogadores, pistoleiros, soldados da cavalaria, mineiros, cowboys, prostitutas, missionários, professores e colonizadores.” Para Mary Junqueira, um aspecto marcante da Conquista do Oeste é seu forte tom romanceado. “Apesar de visto assim por muitos nos séculos 19 e 20, tal processo não pode ser considerado uma aventura”, afirma a historiadora. “Claro que tipos como fazendeiros e cowboys existiram, mas o encontro do homem civilizado, mesmo que rústico, com o meio selvagem (natureza e indígenas) resultou numa versão que minimiza a violência que foi de fato empregada.”

COWBOYS E CAÇADORES

A Conquista do Oeste tem personagens emblemáticos. Os primeiros a se embrenharem na terra desconhecida foram os caçadores de peles, que não se fixaram na região. Seguiu-se um grande fluxo de mineiros, seduzidos pela promessa nunca concretizada de um Eldorado. O auge da exploração se deu na Califórnia, entre 1848 e 1855. Houve ciclos posteriores em estados próximos, com resultados parecidos.
Já o cowboy, a figura mítica da região, na essência é um perito em manejar gado e cavalos. Os espanhóis trouxeram bovinos ao Golfo do México no século 17. Com as guerras e o fechamento das missões, no século 19, os rebanhos voltaram ao estado selvagem. Os americanos, atraídos pelo cultivo de algodão, viram a oportunidade de domesticar e explorar os longhorns, ou chifres longos, como faziam os vaqueros. Havia também mustangs: cavalos em estado selvagem pouco maiores que um pônei, mais resistentes que as raças europeias e com instinto apurado para conter o gado.
Mas levar rebanhos do Texas até os consumidores do Leste exigia cruzar territórios indígenas – o que era ilegal – ou florestas cheias de ladrões e soldados desertores. As viagens irritavam também os colonos, porque o gado danificava plantações e transmitia doenças. O comerciante Joseph G. McCoy foi um dos que pensaram na solução para o problema. Em 1867, ergueu galpões de madeira para abrigar os rebanhos e um saloon, transformando Abilene, no Kansas, em entreposto comercial ao lado de uma ferrovia. Faltava levar o gado até o que viria a ser chamado de Cowtown. A travessia rendeu grande fama aos cowboys, um contingente de 40 mil homens, pelos cálculos de Fohlen.
O transporte dos bichos Reprodução
Outro grande evento eram os round-ups, quando os rebanhos de vários criadores eram marcados a ferro quente. Tais eventos atraíam muitos cowboys e são a mais provável origem dos rodeios. Nessa época, empresários perceberam o potencial da industrialização da carne de gado no Oeste. Adotaram criações sedentárias e cruzaram raças para melhorar a qualidade do produto. Os cowboys passaram a se ocupar mais da rotina dos ranchos.
O historiador Walter Webb, em seu trabalho The Great Plains ("As Grandes Planícies"), cita a descrição de um habitante da época sobre um deles: “Vive montado em seu cavalo, combate como os cavaleiros da Idade Média, anda armado, jura como um soldado, bebe como um peixe, veste-se como um ator e luta como o diabo. É amável com as mulheres, reservado com os estranhos, generoso com os amigos e brutal com os inimigos”. 

OS ADVERSÁRIOS

Em oposição aos cowboys, havia os agricultores. A área cultivável nos EUA ia da Costa Leste ao vale dos rios Mississippi e Missouri, além de uma faixa de terra do litoral até a Serra Nevada, no Oeste. Entre essas duas regiões, com a cadeia das Montanhas Rochosas no meio, existiam as grandes planícies, terra difícil de cultivar sem irrigação.
Cenário hostil a que chegaram os colonos atraídos pelo Homestead Act. Quanto mais fazendeiros, mais graves eram os conflitos com os criadores de gado. Cercar as plantações era difícil, pela escassez de madeira e pedras. Até que Joseph Glidden patenteou o arame farpado, em 1873. Produzido em série, tinha preço acessível. Em menos de uma década, espalhou-se pelo Oeste. Segundo Walter Webb, o arame farpado foi decisivo para o avanço dos colonos. “Só então foi possível plantar com certo grau de economia e alguma certeza de não ter as colheitas comidas pelo gado solto no campo.”
Mas isso nem se compara com a questão dos índios. Eles foram os grandes prejudicados pela marcha para o Oeste. No início do século 19, tribos do Leste e Meio-Oeste, como os sioux, foram empurradas para as planícies. Outras, como os cherokees e seminoles, foram realocadas em uma reserva onde é hoje o estado do Oklahoma. Apaches e navajos, que habitavam o sudoeste, tiveram de lutar muito para ficar por lá.
Os índios se adaptaram à vida nas planícies caçando bisões, abundantes no Oeste. Tinham destreza com cavalos e aprenderam a manejar com habilidade armas de fogo. Finda a Guerra de Secessão, o Exército Federal foi encarregado de garantir a segurança de colonos e cowboys, além de proteger a construção das ferrovias. Fortes militares foram erguidos e vários originaram cidades. Como mineiros, colonos, cowboys e os trens cruzavam áreas indígenas sem cerimônia, os índios atacavam ou roubavam bois e cavalos. A resposta dos militares foi violenta.
A ampliação das ferrovias e o povo “branco” praticamente extinguiram o bisão nos EUA, tirando o principal meio de subsistência dos índios, confinados em reservas cada vez menores. “Touro Sentado, chefe dos sioux, e Gerônimo, líder apache, são símbolos da resistência. Ambos perderam a queda de braço com o homem branco”, diz Mary Junqueira.
Buffalo Bill e Touro Sentado Reprodução
Ao final do século 19, não havia mais para onde expandir e a lei e ordem passaram a ser aplicadas plenamente nas cidades há décadas já estabelecidas. Oficialmente, os últimos territórios indígenas, no Arizona e Novo Méxíco, seriam incorporados em 1912. Seus veteranos reais, como Buffalo Bill, Calamity Jane e Touro Sentado, passaram a se apresentar em espetáculos do "Velho Oeste". Seria a origem do gênero cinematográfico. O período da expansão ficaria para os mitos. 

OS COWBOYS DE PORTUGAL

Sem a fama dos cowboys nem um contingente grande como o dos chineses, foi com tenacidade que os portugueses contribuíram na conquista do Oeste. Segundo o livro Land as Far as the Eye Can See – Portuguese in the Old West, de Donald Warrin e Geoffrey Gomes, grande parte dos imigrantes lusitanos saía das ilhas de Açores, Madeira e Cabo Verde para pescar baleias. Só depois de anos na atividade vinham à terra. 
No Oeste, atuaram no comércio de peles, na mineração, construção de estradas de ferro, criação de ovelhas e agricultura. O açoriano Frank Frates chegou a superintendente de um trecho da Central Pacific Railroad e comandou as obras do túnel da Southern Pacific que ligava Los Angeles ao norte do estado. Manuel Brazil estabeleceu-se no Novo México como criador de gado. Brazil colaborou para a captura de Billy the Kid, informando a localização dele ao xerife Pat Garrett e depois transportando o bando capturado até Las Vegas. 
Billy the Kid: vivo ou morto Reprodução
Segundo Sandra Wolforth, em Portuguese in America, os portugueses não adquiriram valores que os fizeram ser assimilados pela sociedade local. Ao contrário, “trouxeram com eles habilidades e qualidades de que o cenário americano necessitava”.Um capataz comandava até dez cowboys, dependendo do tamanho do rebanho. Eram homens entre 20 e 30 anos, com boa saúde e vigor físico para caminhadas de até 25 km para domar reses. À noite, cantavam para acalmar os bois e se revezavam na vigília para proteger os acampamentos de saqueadores, lobos, coiotes e colonos. Tinham dieta simples: carne fresca era raridade. Nada de steaks, uma criação do século 20. Para beber, café, água e uísque de milho.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Camel Corps: os camelos do Velho Oeste.

CAMEL CORPS: OS CAMELOS DO VELHO OESTE

Em 4 de junho de 1855, o major Henry Wayne partiu para o Mediterrâneo para importar 33 camelos
THIAGO LINCOLINS E THAIS UEHARA ATUALIZADO EM 31/08/2018

Obra de Thomas Lovell que representa os camelos no Texas
Obra de Thomas Lovell que representa os camelos no Texas - Reprodução / Permian Basin Petroleum Museum e Library and Hall of Fame of Midland

Essa você nunca vai ver num faroeste de Sergio Leone. Mas, parando para pensar, faz sentido. Na metade do século 19, após a aquisição não exatamente amigável de vastos territórios no Oeste após a Guerra Mexicano-Americana (1846-1848), colonizadores dos EUA encontraram um clima desértico que até então não fazia parte do país. 
Após sérios problemas logísticos durante conflitos com indígenas, o major George Crosman imaginou uma solução: camelos. Eles tinham várias vantagens em relação aos cavalos: conseguiam ficar dias sem água, carregavam peso com facilidade e conseguiram transitar por terrenos de difícil acesso.  

Os camelos na Califórnia Domínio Público

Grosman enviou a proposta de inserir os camelos no exército para o Departamento de Guerra dos EUA. A ideia logo chamou a atenção de Jefferson Davis, então senador do Mississippi, que insistiu no uso dos animais até virar Secretário de Guerra. A ideia só foi levada a sério em 1855, quando o Congresso liberou 30 mil dólares (US$ 800.000 hoje) para a compra dos bichos.

A EXPEDIÇÃO

Em 4 de junho de 1855, o major Henry Wayne, partiu de Nova York, a bordo do navio USS Supply, em direção ao Egito, Turquia e Malta. Comprou 33 camelos, pagando 250 dólares (US$ 6.600 hoje) em cada um. Os animais foram levados ao Texas no mesmo navio, numa viagem que durou três meses.

A importação dos bichos Wikimedia Commons

Em 1857, o Congresso autorizou uma missão de exploração. O tenente Edward F. Beale levou 25 camelos. No início ele não gostou da ideia, mas, ao decorrer da expedição, os animais provaram que as teorias referentes às suas habilidades estavam corretas. Ao final, ele só tinha coisas boas a dizer, afirmando que preferia um camelo a quatro mulas. 
Camelos conseguiram carregar 700 quilos e atravessavam áreas que amedrontavam os cavalos. Além disso, comiam cactos e espinhos –  que dificultavam a locomoção dos soldados –, conseguiam ficar de oito a dez dias sem água e não se incomodavam com o clima seco ou com o choque de temperaturas que encontravam.
A Guerra Civil foi o fim às mil e uma noites do Oeste. Sem conhecer os animais, soldados os abusaram e maltrataram até a morte. Camelos se mostraram inviáveis em combate, porque seu cheiro espanta os cavalos —  algo que foi usado pelos árabes na Idade Média, mas de valor duvidoso quando tropas de cavalaria não enfrentavam mais outras tropas de cavalaria com lanças. 
Os poucos sobreviventes acabaram sendo leiloados, e os que compraram também não ficaram muito tempo com eles, o custo com os cuidados fizeram com que fossem soltos. Por muitos anos, camelos selvagens se tornaram uma visão comum. Mas, diferente dos mustangues, os cavalos europeus que vivem soltos nas planícies do Oeste, sua população era baixa demais para ser sustentável. Eles terminaram extintos no século 20.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Erros Históricos.


Este artigo pode ser utilizado na aula de História. A fonte é Revista Mundo Estranho, Erros Históricos, História Mal Contada – Graham Bell e o Velho Oeste, abril, edição 109, pág. 24. Bom Trabalho.


sábado, 5 de janeiro de 1991

Tribos indígenas do Velho Oeste americano.


Todas viviam na região que se estende do rio Mississípi em direção ao oeste do continente. Com a chegada do homem branco, os índios começaram a adquirir armas de fogo e tecidos, o que levou ao declínio das tradições e culturas nativas. Antigamente só tinham o cão, que servia principalmente como animal de carga, puxando uma espécie de trenó de madeira. Os cavalos só se espalharam entre os índios americanos após contatos com os primeiros colonizadores espanhóis, no século 16. Caçavam antílopes, alces e búfalos. As tribos tiveram que se unir contra os forasteiros brancos. No final foram aniquilados e transferidos para reservas.


As últimas 6 grandes tribos de peles vermelhas foram:
CHEYENNES = vivam na região de Montana, eram nômades e tinham aldeias temporárias com cabanas cônicas, chamadas teppes. Por mais de 20 anos se envolveram em ataques de brancos. Se uniram com outras tribos para defender seu território. Em 1876 se aliaram aos antigos inimigos SIOUX para aniquilar a 7ª Cavalaria do Exército Americano do General Custer.


SIOUX = também chamados de Dakotas, viviam na Dakota do Norte e do Sul dos USA. Era a tribo mais agressiva contra os brancos e possuíam rituais de tortura como prova de bravura. Um desses rituais o índio tinha a pele atravessada por pinos de madeira presos a cordas que eram estendidas para erguer o corpo e gerar dilacerações. A tribo resistiu aos brancos até 1890 quando foram massacrados.


NAVAJOS = o grupo mais populoso que vivia no Novo México e era considerado primo dos apaches. Tinha uma religião complexa com cerimônias de pinturas no chão com flores e areia colorida. Eram menos agressivos, mas perigosos. Uma batalha com militares ocorreu em 1863 e 8 mil índios foram presos. Permaneceram até 1868.


BLACKFEET = usavam armas de fogo e cavalos, chamados pés-negros, viviam no centro dos USA e eram uma força poderosa guerrilheira do Velho Oeste. Famosos por arrancar os escalpos dos inimigos. No início do séc. XIX, boa parte morreu de fome após o extermínio da manada de búfalos do seu território. Viraram agricultores e criadores de gado e se misturaram a outras tribos.
APACHES = hábeis no uso do cavalo, divididos em bandos e viviam perto da fronteira com o México. Tiveram grandes chefes: Cochise e Gerônimo. Travaram guerras sangrentas contra espanhóis, mexicanos e americanos. Ocorreu fracasso nos acordos de paz. Inferiorizados militarmente, foram derrotados em 1886 e levados prisioneiros para Flórida.


COMANCHES = nômades no séc. XIX, promoviam temíveis ataques surpresa e ocuparam territórios de outras tribos (APACHES). Nação poderosa que caçava búfalos, animal que fornecia alimento e pele para as roupas e utensílios. Primeira tribo a usar o cavalo após contato com espanhóis. Firmaram acordos de paz com o governo americano, mas não impediu que o território dos índios fosse invadido.


Boa pesquisa.