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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Documento Histórico Medieval: Poesia Sacra – Cantigas de Santa Maria.






Documento Histórico Medieval: Poesia Sacra – Cantigas de Santa Maria.

Este é um documento histórico do Século XIII. 

O vocabulário para acompanhamento da cantiga. Idade Média.

 

terça-feira, 21 de abril de 2020

Documento de Sentença da Inconfidência Mineira.


Hoje, feriado nacional consagrado a Tiradentes, apresentamos um dos conjuntos de documentos mais importantes do acervo do Arquivo Nacional: os Autos da Devassa da Conjuração Mineira, processo judicial contra os participantes do que veio a ser conhecido como Inconfidência Mineira.

Um dos principais movimentos contestatórios do período colonial, a Conjuração Mineira ocorreu em 1789, em Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais, contra uma série de medidas da Coroa Portuguesa contra os interesses locais, especialmente a taxação sobre a produção de ouro. No entanto, o movimento não passou da fase de conspiração e a revolta planejada não se concretizou. Após Joaquim Silvério dos Reis entregar os nomes daqueles que tramavam contra a Coroa, o governador da província, Visconde de Barbacena, fez uso das suas prerrogativas para julgá-los e condená-los.

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, sofreu a mais severa punição, sendo enforcado em 21 de abril de 1792. Com o advento da República, a imagem de Tiradentes como herói nacional se popularizou. Em 1890, o dia 21 de abril passou a consagrá-lo como “mártir da Independência”.

Os Autos da Devassa são peças fundamentais do acervo do Arquivo Nacional e foram reconhecidos como patrimônio da humanidade pelo Programa Memória do Mundo da UNESCO em 2007.

Na imagem, folha da “sentença proferida contra os réus do levante e conjuração de Minas Gerais”, 18 de abril de 1792. Arquivo Nacional. Fundo Inconfidência Mineira. BR_RJANRIO_3A_COD_0_0005_v_09_d0001de0001

Você pode consultar outros documentos dos Autos da Devassa (tais como acusações, sentenças, recursos etc.) no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN). Saiba como no link: bit.ly/2UtZA8F


fonte: https://www.facebook.com/arquivonacionalbrasil/photos/a.646412452119303/2884648184962374/?type=3&theater

terça-feira, 6 de agosto de 2019

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Documento: Julgamento dos Cavaleiros Templários.



A “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão” foi fundada por um cavaleiro francês na época das Cruzadas, por volta do século XI, com o propósito original de proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista. Também conhecidos como Cavaleiros Templários, eles foram perseguidos pelo Rei Filipe IV da França, que desconfiava de suas riquezas e poderes, acusado-os de heresia no século XIV.

O documento contendo os detalhes do julgamento de alguns dos integrantes da ordem foi revelado ao público na exposição feita pelo Vaticano.

Este documento pertence a Igreja Católica e faz parte dos arquivos secretos do Vaticano. Foi exposto em 2011.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Canção de Rolando.

Batalha de Roncesvales (778): a morte de Rolando (iluminura de Jean Fouquet, "Grandes Chroniques de France", 1455-1460, BNF). Fonte: Pensamentos Nómadas.


A Canção de Rolando ou canção de gesta, surgiu mais de três séculos do infeliz episódio de Roncesvalles. Datam-na aproximadamente do ano de 1.100, quando se supõe que ela deva ter sido finalmente escrita. Desde então foi apresentada nas cortes francesas e alemãs pelos bardos e trovadores itinerantes, servindo como relato épico e mito da dinastia carolíngia, apresentada como a campeã da defesa da Cristandade contra o Islã.

A fértil imaginação do romantismo cavalheiresco, inflamou-a com episódios e personagens de ficção. Até um pérfido traidor foi incluído: Ganelon, um invejoso, o imaginado sogro de Rolando que o traiu para os árabes. 

A famosa canção de gesta divide-se em dois momentos: no primeiro deles descreve a resistência de Rolando em Roncesvalles, quando perde Veillantif, o seu corcel, e vê tudo perdido, tentando inutilmente quebrar a sua espada Durindana, golpeando-a numa rocha para não deixá-la cair nas mãos dos inimigos. O intrépido cavaleiro morre heroicamente em meio á intensa e feroz peleja.

“Então Rolando sentiu que perderia a vida/ Ele se ergue, faz todo o esforço que pode/ a cor do sua face se fora...Então Rolando sente que o seu tempo terminou/ Ele lá está, no alto cume que se volta para a Espanha/ ele bate no peito com uma mão: Deus perdoe-me em nome das tuas virtudes, por meus pecados, grandes e pequenos, todo os que eu cometi desde a hora do meu nascimento até esse momento em que estou para ser batido.” Chanson de Roland.

Um pouco antes do desenlace final, o valente conde conseguira soprar a trombeta que o rei Carlos lhe dera para ser usada somente em caso de máximo perigo. Instrumento cujo sopro somente o pulmão dele, de Rolando, sabia dar. Pedido de socorro que revelou-se tardio, pois a alma do herói, por ocasião da chegada do socorro, já fora conduzida aos céus:

“São Gabriel o pegou pela mão/ Deus enviara seu anjo querubim/ E São Miguel do Peril de la Mer juntou-se a São Gabriel para levar a alma do conde ao Paraíso.”

Num segundo momento, a gesta narra a vingança de Carlos Magno apresentando como a imagem de um poderoso patriarca, ideal do soberano universal, eleito por Deus e guiado por ele. Além de expor a traição de Ganelon (executado depois de uma justa, obedecendo o costume da Lei de Deus), Carlos Magno põe a correr os árabes (a participação dos bascos cristão na batalha de Roncesvalles e na morte de Rolando foi suprimida da gesta). Recolhe então o cadáver de Rolando e retorna para o seu palácio imperial em Aix-la Chapelle, para consolar a bela Aude, a dama amada do sobrinho defunto.

Antes disso, ainda nos Pirineus, o rei ajoelhou-se no alto do pico de Iba�eta � � o Códice Calixtino quem registrou, e fez uma oração com a face voltada para Compostela (local distante da Galícia celta que seria mais tarde centro de peregrinação cristã), e providenciou o sepultamento dos seus Doze Pares numa pequena capela funerária de Sancti Spiritus, em Roncesvalles mesmo. O espadachim caído, o campeão de Carlos Magno, elemento dramático da canção de gesta, servir de modelo, o protótipo do cavaleiro virtuoso, fiel até ao fim ao seu soberano, exemplo a ser imitado pelos demais cavaleiros feudais.

Santiago de Compostela




As proporções que devoção a Santiago de Compostela tomou em toda a Espanha medieval, somente pode ser entendida no contexto da invasão muçulmana. O fracasso de Carlos Magno e, depois, de seu filho Luís, rei da Aquitânia, em espantar os mouros da Ibéria, criou as condições psicológicas para que a população cristã, frustrada, encontrasse um símbolo que a permitisse resistir ao assombro da gente do Islã. O santo serviu-lhes como elixir e bálsamo para superar o complexo de inferioridade dos cristãos frente aos mouros.

Tudo começou pelo ano de 813, quanto um eremita de nome Pelayo, seguido de alguns pastores, deparou-se com uma estranha luminosidade que espalhava-se sobre um pequeno bosque nas proximidades de um monte do interior da Galícia chamado Libredon. A paisagem, em certos momentos, ficava tão clara que parecia-se a um campo estrelado (Campus Stellae = Compostela). Teodomiro, o bispo local, informado do estranho fenômeno, soube que a luz focara no chão uma antiga arca de mármore. Nela tería-se encontrado os restos humanos do que atribuiu-se ser o Apostolo Santiago (isto é, São Iago, São Jacó, o filho de Zebedeu, irmão de João Evangelista).

Uma história antiga que corria de boca em boca entre os cristãos ibéricos dizia que o Apóstolo andara, séculos antes, em missão pela Espanha determinado a evangelizá-la, mas que ao voltar à Palestina teria sido decapitado pelo rei Herodes Agripa, no ano de 44. O corpo dele então, acomodado num sepulcro de mármore, fora colocado a bordo de um barco no porto de Jaffa e lançado ao mar.

Sem tripulação, sem leme nem nada, soprada apenas pelo vento , a nau teria vindo aportar nas costas da Galícia, região da Espanha que os romanos chamavam então de Finis Mundi. Recolhida da praia, a arca fora enterrada num compostum, um cemitério romano-galego daquele tempo. Durante os séculos seguintes, ninguém mais tomou conhecimento dela, até que começaram a ocorrer aquelas iluminações esplendidas, encantadas que o bispo Teodomiro consagrou.

Santiago Matamoros.

O sensacional e miraculoso achado, que logo atraiu o rei astur-leonãs Afonso, o casto (789-842), e sua corte para lá, fez com que lá fixassem a pedra da primeira igreja dedicada ao Apóstolo. Não demorou para que a boa nova, comunicada por Afonso ao próprio Carlos Magno, circulasse como um raio pelo Império do Ocidente, abrindo caminho para que se dessem os milagres. E as peregrinações então não mais cessaram, fazendo com que num curto espaço de tempo, o santuário de Compostela tivesse a mesma importância para os cristãos das romarias dirigidas à Roma e das que os muçulmanos faziam para visitar a Caaba, a pedra sagrada de Meca. Na tida como fantasiosa batalha de Clavijo, travada em 834, o rei Ramiro I, de Aragão, no aceso do combate, viu-se ajudado por um desconhecido ginete montado num cavalo branco que dava espadaços na mourama. Sentiu que estava ao lado do Apóstolo, desde então transformado em Santiago Matamoros, aparição mágica, fundamental na vitória dele contra o emir Abderraban II:

Santiago el de Espanha. los mis moros me matou, desbaratou mi companhia,
la mi senha quebranto...Santiago glorioso, los moros fizo morir;
Mahomat el Perezoso, tardo, non quiso venir

(Santiago da Espanha/ matou os meus mouros/ desbaratou minha companhia/ quebrou minha senha/ Santiago glorioso fez os mouros morrerem: Maomé o Preguiçoso, tardou, não quis vir).

Outras delas, dessas repentinas ações milagrosas do santo - um missionário da paz transformado inspirador da guerra -, ocorreram na longa batalha movida pelos reis espanhóis contra o Califado de Córdoba ou contra os ditos reinos dos Taifas, que mais tarde o sucederam. Percebendo a importância simbólica do sepulcro de Compostela para o ânimo dos cristãos, Almanzor (El-Mansur), o Seyd, ministro do califa de Córdoba, realizou no ano de 997 uma inesperada sortida relâmpago na região da Galícia. Não só saqueou e destruiu o santuário com a primeira basílica, como levou consigo o sino e as portas dela, transportadas até o sul, até Córdoba, nos ombros de cristãos escravizados.

O santo tornou-se o maior ícone dos cristãos na sua oposição desesperada à presença dos interesses de Maomé na Espanha, fazendo com que o seu sepulcro se tornasse fonte de atração permanente para os peregrinos vindos de todos os lugares da Europa, percorrendo os Caminhos de Santiago. Para dar proteção a eles duas ordens militares então surgiram: a de Calatrava (1158) e a de Santiago (1173). O êxito da campanha da Reconquista, que culminou bem mais tarde com a ocupação do Reino Nasar de Granada em 1492, foi largamente depositado pelos cristãos nos feitos impressionantes, assombrosos, de Santiago Matamoros. Este, por sua vez, fora promovido por Ramiro I, desde sua mágica aparição em Cravijos, a protetor oficial da luta contra os mouros a quem toda Espanha devia obrigações:

"...ordenamos por toda Espanha e hicimos voto, que se ha de guardar en todas las partes de Espanha que Dios nos conceda librar de los sarracenos por la intercesion del Apostol Santiago, de pagar perpetuamente cada anho a manera de primicias de cada yugada de tierra una medida de la mejor mies, y lo mismo del vino, para el mantenimiento de los canânicos que residen en la iglesia del bienaventurado Santiago y para los ministros de la misma iglesia".

(ordenamos e fizemos voto que por toda a Espanha, que se há de guardar por todas as partes da Espanha, que Deus nos conceda livrar-nos dos sarracenos pela intercessão do Apóstolo Santiago, de pagar perpetuamente a cada ano, a maneira de primácias sobre cada jeira de terra uma medida da melhor colheita, o mesmo de vinho, para a manutenção dos padres que residem na igreja do bem aventurado Santiago e para os ministros da mesma igreja).

Assim, por fim, as duas pontas da mal sucedida campanha de Carlos Magno terminaram por se juntar. O lugarejo de Roncesvalles foi considerado naqueles tempos, o ponto de partida dos cristãos em sua peregrinação em direção a Santiago de Compostela, e esse santo, Padroeiro da Espanha Medieval, projetou-se justamente para ocupar o vazio psicológico deixado pelo insucesso das armas dos francos.

Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/antiga/2003/10/21/000.htm


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Documento: Manifesto da Poesia Pau-Brasil.


Semana de Arte Moderna de 1922.



Documentos da História do Brasil.

MANIFESTO DA POESIA PAU-BRASIL.

A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Toda a História bandeirante e a História comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senagâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases. Negras de jóquei. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as seivas selvagens. O bacharel, Não podemos deixar de ser doutor. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho. A nunca exportação de poesia. A poesia ainda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária. Mas houve um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como borrachas sopradas. Rebentaram. A volta à especialização. Filósofos fazendo filosofia, críticos, crítica, dona-de-casa tratando de cozinha. A poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem. Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo: o teatro de tese e a luta no palco entre morais e imorais. A tese ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus luris. Ágil o teatro, rilho do saltimbanco. Ágil e ilógico. Ágil o romance nascido da invenção. Ágil a poesia. A Poesia Pau-Brasil. Ágil e cândida. Como uma criança. Uma sugestão de Blaise Cendrars: - Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivela do desvio rotativo em que estais. O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao Vosso destino. Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das idéias. A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros.

Como falamos. como somos. Não há luta na terra de vocações acadêmicas. Há só fardas. Os futuristas e os outros. Uma única luta: - a luta pelo caminho. Dividamos: Poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação. Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo. Copiar. Quadro de carneiros que não fosse lã mesmo não prestava. A interpretação do dicionário oral das Escolas de Belas-Artes queria dizer reproduzir igualzinho ... Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica, E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genealidade de olho virado - o artista fotógrafo. Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de pastas. A playela. E a ironia eslava compôs para a Playela. Stravinski. A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas. Só não se inventou uma máquina de fazer verso - já havia o poeta parnasiano. Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: - a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne a Mallarmé, Rodin e Debussy até agora; 2ª o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva. O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil. Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatos destrutivos. A síntese. O equilíbrio. O acabamento de carrosserie. A invenção. Uma nova perspectiva. Uma nova escala. Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil. O trabalho contra o detalhe naturalista - pela "síntese" contra a morbidez romântica pelo "equilíbrio" geômetra e pelo acabamento" técnicos; contra a cópia, pela "invenção" e pela "surpresa". Uma nova perspectiva: A outra, a de Paolo Ucello, criou o naturalismo de apogeu. Era uma ilusão ótica. Os objetos distantes não diminuíram. Era uma lei de aparência. Ora, o momento é de reação à aparência. Reação à cópia. Substituir a perspectiva visual e naturalista por uma perspectiva de outra ordem: sentimental, intelectual, irônica, ingênua. Uma nova escala. A outra, a de um mundo proporcionado e catalogado com letras nos livros, crianças nos colos. O reclame produzindo letras maiores que torres. E as novas formas da indústria, da aviação. Postes, Gasômetros, Rails. Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tiques de fios e ondas de fulgurações. Estrelas familiarizadas com negativos fotográficos. O correspondente da surpresa física em arte. A reação contra o assunto invasor, diversos da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de idéias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido. Nossa época anuncia a volta ao "sentido puro". Um quadro são linhas e cores. A estatuária são volumes sob a luz. A poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente. Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres. Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a álgebra e a química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá" e de equações. Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil. Obuses de elevadores, cubos de arranha-céu e a sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia íntima. O sabia. A hospitalidade um pouco sensual, amorosa. A saudade dos pajés e os campos de aviação militar. Pau-Brasil. O trabalho da geração futurista foi ciclópico. Acertar o relógio império da literatura nacional. Realizada essa etapa, o problema é outro. Ser regional e puro em sua época. O estado de inocência substituindo o estado de graça que pode ser uma atitude do espírito. O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica. A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna. Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem antologia. Bárbaros crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil.

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Boa pesquisa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Documento: Carteira de Identidade para Estrangeiros dos Estados Unidos do Brasil.




Esta é uma Carteira de Documento Original feita no Departamento de Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul. Emitido em 1959, deveria ser revalidado todo ano, para controle de permanência e registro da Delegacia de Estrangeiros do Brasil em cada Estado. 

Fonte: Arquivo de Família Particular.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Documento: Coluna Prestes – 1924.




Documentos da História do Brasil

COLUNA PRESTES - 1924.

O Manifesto de Santo Ângelo.

É chegada a hora solemne de contribuirmos com nosso valoroso auxilio para a grande causa nacional.

Há 4 mezes a fio que os heroes de São Paulo vêm se batendo heroicamente para derrubar o governo de odios e de perseguições que só têm servido para dividir a família brasileira, lançando irmãos contra irmãos como inimigos encarniçados.

Todo o Brasil, de Norte a Sul, ardentemente deseja, no intimo de sua consciência, a vietoria dos revolucionarias, porque elles luctam por amor do Brasil, porque elles querem que o voto do povo seja secreto, que a vontade soberana do povo seja uma verdade respeitada nas urnas, porque elles querem que sejam confiscadas as grandes fortunas feitas por membros do governo a custa dos dinheiros do Brasil, porque elles querem que os governos tratem menos da politicagem e cuidem mais do auxilio ao Povo laborioso que numa mescla sublime de brasileiros e estrangeiros, irmanados por um mesmo ideal, vive trabalhando honestamente pela grandeza do Brasil.

Todos desejam a victoria completa dos revolucionarias, porque elles querem o Brasil forte e unido, porque elles querem pôr em liberdade heroes officiaes da revolta de 5 de Julho de 1922, presos porque num acto de patriotismo, quizeram derrubar o governo Epitacio, o que esvaziou criminosamente o nosso thesouro, e porque quizeram evitar a subida do Governo Bernandes, que tem reinado a custa do generoso sangue brasileiro.

Todos sabem hoje, apezar da censura da Imprensa e do Telegrapho, apesar das mentiras officiaes espalhadas por toda a parte, que os revolucionarias têm recebido verdadeira consagração por onde têm passado e que até hoje não foram batidos.

Todos sabem que elles se retiraram para dar um descanço à tropa, que elles dispõem de toda a artilharia de São Paulo, ainda intacta, que dispõem de 20 milhões de tiros e de 5 mil fuzis novos, e que ainda não entraram em acção, que elles estão senhores da parte sul de Matto Grosso, a mais rica, de grande parte do Paraná, perfeitamente apparelhadas e que agora, voltam novamente à lucta, mais fortes do que nunca.

Todos sabem hoje que o Governo organizou successivamente 8 colunnas para bate-los e que foi forçado a desorganiza-las novamente porque as tropas do Exercito se negavam a combate-los e os de mais, que os combateram, foram dezimados como aconteceu com o Batalhão da Marinha e com a nossa Brigada Militar, agora, depois da entrada em seção da columna Rondon é o próprio governo quem confessa não ser mais possivel dominar a revolução no Brasil, porque a victoria della é já uma aspiração Nacional.

E o Povo Gaucho, altaneiro e altivo, de grandes tradições a zelar, sempre o pioneiro de grandes causas nacionais, levanta-se hoje como um só homem e brada: Já é tempo de fazer o governo respeitar a vontade do povo, já é tempo de restabelecer a harmonia na família Brasileira, já é tempo de lucrarmos não peito a peito, mas sim hombro a hombro, para restabelecermos a situação financeira do Brasil, para recobrar o dinheiro que os nossos maus governos nos roubaram e podermos, assim, evitar que, em 1927, o Governo lnglez venha tomar conta das nossas alfandegas e das nossas ricas colônias para cobrar a divida do Brasil.

Hoje, 29 de Outubro, por ordem do General lzidoro Dias Lopes, levantam-se todas as tropas do Exercito das guarnições de Santo Angelo, São Luiz, São Borja, ltaquy, Uruguayana, Sant'Anna, Alegrete, Don Pedrito, Jaguarão e Bagé, hoje irmanados pela mesma causa e pelos mesmos ideaes levantam-se as forças revolucionárias gauchas da Palmeira, de Nova Wutemberg, ljuhy, São Nicolau, São Luiz, São Borja, Santiago e de toda a fronteira até Pelotas e, hoje entram no nosso Estado os chefes revolucionarias Honorio Lemos e Zeca Netto, tudo de accordo com o grande plano já organizado.

E, desta mescla, desta comunhão do Exercito e do Povo, com nacionaes e estrageiros, resultará a rápida terminação da luta armada no Brasil, para honra nossa e glória dos nosso ideaes e de nossos foros de povo civilizado e altivo.

De acordo com o plano geral, as tropas de Santo Angelo talvez pouco demorem aqui, mas durante este tempo a ordem, o respeito a propriedade e a familia serão mantidos rigorosamente e para isso o governo revolucionaria provisório conta com o auxilio da própria população.

Não queremos perturbar a vida da população, porque amamos e queremos a ordem com base do progresso. Podem pois estar todos calmos que nada acontecerá de anormal.

São convocados todos os reservistas do Exercito a se apresentarem ao quartel do 1º Batalhão Ferroviario, e fica aberto o voluntariado.

Todos os possuidores de automoveis, carroças o cavalos deverão immediatamente po-los a disposição do 1º Batalhão Ferroviario e serão em todos os seus direitos respeitados.

Todas as requisições serão documentadas e assignadas sob a responsabilidade do Ministro da Guerra.

Pelo Governo Revolucionário do Brasil.

Cap. Luiz Carlos Prestes 29/10/1924.



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Documento: A Lei Áurea - 1888 – Princesa Isabel.








Documentos da História do Brasil.

Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888.

Declara extinta a escravidão no Brasil.

A princesa Imperial, Regente em Nome de Sua Majestade o Imperador o Senhor D. Pedro li, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral Decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:

Art. 1º É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.

Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
Manda portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário de Estado dos Negócios d'Agricultura, Comércio e Obras Públicas e Interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.

67º do Independência e do Império.
a) Princesa Imperial Regente
Rodrigo A. da Silva

Carta de Lei, pela qual Vossa Alteza Imperial Manda executar o Decreto da Assembléia Geral que Houve por bem sancionar declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara.

Para Vossa Alteza Imperial ver.

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Fonte: http://www.historiadobrasil.net/documentos/lei_aurea.htm



A fonte é: Grandes Personagens da Nossa História, Documentos Históricos: Abolição da Escravatura, Editora Abril Cultural, São Paulo, 1970.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Documento: Abertura dos Portos às Nações Amigas - 1808.


Documentos da História do Brasil

"Conde da Ponte, do meu Conselho, Governador e Capitão-General da Capitania da Bahia, Amigo.

Eu, o Príncipe-Regente, vos envio muito saudar, como àquele que amo. Atendendo à representação que fizestes subir à minha Real presença, sobre se achar interrompido e suspenso o comércio desta Capitania, com grave prejuízo de meus vassalos e da minha Real Fazenda, em razão das críticas e públicas circunstâncias da Europa; e querendo dar sobre este importante objeto alguma providência pronta e capaz de melhorar o progresso de tais danos: sou servido ordenar interina e provisoriamente, enquanto não consolido um sistema geral, que efetivamente regule semelhantes matérias, o seguinte: Primo: Que sejam admissivéis nas Alfândegas do Brasil todos e quaisquer gêneros, fazendas e mercadorias, transportadas ou em navios estrangeiros das potências que se conservam em paz e harmonia com a minha Real Coroa, ou em navios dos meus vassalos, pagando por entrada 24 por cento; a saber, 20 de direitos grosso, e 4 do donativo já estabelecido, regulando-se a cobrança destes direitos pelas pautas ou aforamentos, por que até o presente se regulam cada uma das ditas Alfândegas, ficando os vinhos, águas ardentes e azeites doces, que se denominam molhados, pagando o dobro dos direitos que até agora nela se satisfaziam. Secundo: Que não só os meus vassalos, mas também os sobreditos estrangeiros, possam exportar para os portos que bem lhe parecer, a benefício do comércio e agricultura, que tanto desejo promover, todos e quaisquer gêneros e produções coloniais, à exceção do pau-brasil ou outros notoriamente estancados, pagando por saída os mesmos direitos já estabelecidos nas respectivas Capitanias, ficando entretanto como em suspenso e sem vigor todas as leis, cartas-régias ou outras ordens, que até aqui proibiam neste Estado do Brasil o recíproco comércio e navegação entre os meus vassalos e estrangeiros. O que tudo assim fareis executar com o zelo e atividade que de vós espero.

"Escrita na Bahia, aos 28 de janeiro de 1808.
Príncipe.". 

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Documento: Proclamação da República do Brasil – 15/11/1889.


Documentos da História do Brasil 

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA - 15 DE NOVEMBRO DE 1889

Concidadãos!

O Povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e conseqüentemente a extinção do sistema monárquico representativo.

Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um Govêrno Provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem pública a liberdade e o direito do cidadão.

Para comporem êste Govêrno, enquanto a Nação Soberana, pelos seus orgãos competentes, não proceder a escolha do Govêrno definitivo, foram nomeados pelo Chefe do Poder Executivo os cidadãos abaixo assinados.

Concidadãos!

O Govêrno Provisório, simples agente temporário da soberania nacional, é o Govêrno da paz, da fraternidade e da ordem.

No uso das atribuições e faculdades extraordinárias de que se acha investido, para a defesa da integridade da Pátria e da ordem pública, o Govêrno Provisório, por todos os meios ao seu alcance, promete e garante a todos os habitantes do Brasil, nacionais e estrangeiros, a segurança da vida e da propriedade, o respeito aos direitos individuais e políticos, salvas, quanto a êstes, as limitações exigidas pelo bem da Pátria e pela legítima defesa do Govêrno proclamada pelo Povo, pelo Exército e pela Armada Nacional.

Concidadãos!

As funções da justiça ordinária, bem como as funções da administração civil e militar, continuarão a ser exercidas pelos órgãos até aqui existentes, com relação às pessoas, respeitadas as vantagens e os direitos adquiridos por cada funcionário.
Fica, porém, abolida, desde já a vitaliciedade do Senado e bem assim o Conselho do Estado.
Fica dissolvida a Câmara dos Deputados.

Concidadãos!

O Govêrno Provisório reconhece e acata os compromissos nacionais contraídos durante o regime anterior, os tratados subsistentes com as potências estrangeira, a dívida pública externa e interna, contratos vigentes e mais obrigações legalmente estatuídas.

Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do Govêrno Provisório.
Aristides da Silveira Lôbo, Ministro do Interior. Tenente-Coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Ministro da Guerra. Chefe de Esquadra Eduardo Wandenkolk, Ministro da Marinha.
Quintino Bocaiúva, Ministro das Relações Exteriores e Interinamente da Agricultura, Comércio de Obras Públicas.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2004

Documento: Registro de Casamento Bilíngüe em Árabe e Português.



Este é um Registro de Casamento assinado pelo Padre Ortodoxo da Igreja de São Nicolao, no Rio de Janeiro. 

Fonte: Arquivo de Família Particular.