Mostrando postagens com marcador Guerra Fria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guerra Fria. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: O Declínio do Império do Ocidente, de Eric Hobsbawm.


O Declínio do Império do Ocidente.

Eric Hobsbawm

O Estado definia a área e a população sob seu controle, ampliou sua administração, acumulou conhecimento, conquistou poder, alargou ambições e assumiu mais responsabilidades. Assumiu a lei e transformou-a em leis estatais. Passou a controlar o exército desde o século XVII, pouco depois gerenciou indústrias e planejou economias. No início dos anos 1960, o Estado amplia aq capacidade e o poder de ambição. A obediência voluntária ao Estado foi um elemento essencial na capacidade de mobilizar as populações, e também na de democratização. Em meados de 1960, perde o impulso depois do ápice. 

O Estado ainda mantém sob vigilância todos os espaços públicos, o grau de vigilância hoje possível é o maior e mais agressivo de toda a história. Não houve enfraquecimento, ele simplesmente perdeu em certa medida os monopólios sobre os meios de coerção. Até pela diminuição à relutância dos cidadãos, estão menos dispostos a obedecer as leis do Estado. Princípios que estão mudando, pois antes os cidadãos tinham o dever de respeitar e o mesmo ocorre no campo da ordem pública como por exemplo: as passeatas, manifestações e etc. Em 1970 foi reforçado pela ideologia dos governos neoliberais, contra o Estado, afim de enfraquecê-lo. O fim do comunismo também significou o fim das estruturas estatais. 

A desintegração dos estados nas regiões (Afeganistão, África, etc.), é sobretudo consequência do colapso dos impérios coloniais, fim do controle das grandes potências, direta ou indiretamente, ali onde haviam encontrado sociedades não estatais e imposto a elas, certo grau de ordem interna ou externa. É o fim da obediência das populações a seus governos. As populações de muitos países do mundo não aceitavam mais o princípio, de que não vale a pena lutar contra exércitos de ocupação. Será cada vez mais difícil saber que atitude tomar no que se refere a essas regiões, pois uma intervenção eficaz exigiria uma mobilização permanente de forças que muito poucos países estariam dispostos a financiar, ou o fariam apenas se considerassem sua própria sobrevivência em risco. 

Quando os estados ruíram, exatamente como ocorreu quando outros impérios se fragmentaram depois da Primeira Guerra Mundial, todos se viram obrigados a estabelecer novas conexões e solidariedades. O problema da Guerra Fria, era que o mundo vivia constantemente sob a ameaça de uma catástrofe fatal, um conflito nuclear mundial. Que não ocorreu, mas que chegou perto a partir de pequenos conflitos que poderiam estourar numa grande guerra. Mas, a Guerra Fria, estabilizou o mundo, ela não eliminou as guerras, mas tornou no mínimo administráveis certos tipos de conflito. 

Hoje a situação é bem outra, que seja qual for o futuro, a Rússia, por exemplo, continuará a ser um dos protagonistas na cena internacional. Mesmo depois das trágicas derrotas de 1918 e 1945, que até sua existência futura está em questão. Os Estados Unidos podem continuar como a mais forte potência do mundo, mas o mundo tornou-se grande e complexo demais para ser dominado por um único Estado. 

Por que uma potência única, por maior e mais poderosa que seja, não consegue assumir o controle da política mundial. Pois há um risco por trás da aspiração dos Estados Unidos a se tornarem a política do mundo ou a estabelecerem uma nova ordem mundial.


Por: Prof. Vanessa.

domingo, 10 de julho de 2022

O Pós 2ª Guerra e a Guerra Fria.

 A Guerra Fria.

Inicia após a 2ª Guerra Mundial.

Estados Unidos e URSS – brigam por poder político, econômico e militar no mundo.

URSS = socialista, Partido Comunista, igualdade social e falta democracia.

USA = capitalista, economia de mercado, democracia e propriedade privada.

De 1940 a té 1989 = tentaram implantar as suas políticas em outros países.

A guerra fria não houve combate militar, ocorreu no campo ideológico e os dois possuíam armas nucleares, por isso era perigoso.

A paz armada = é a definição de um período onde os dois países foram para uma corrida armamentista, espalharam exércitos nos países aliados. O equilíbrio garantiu a paz. Formação de dois blocos militares. Os dois blocos militares tinham o objetivo de defender os seus interesses militares entre os sócios.

OTAN = organização do Tratado do Atlântico Norte, 1949. O líder era os USA e os aliados = Europa Ocidental, Canadá, Itália, Inglaterra, Alemanha Ocidental, França, Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria e Grécia.

Pacto de Varsóvia = o líder era a URSS, em defesa de países socialistas: Cuba, China, Coréia do Norte, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Tchecoslováquia e Polônia.

A Corrida Espacial = ocorreu com os dois países ao mesmo tempo. USA e URSS correram para os avanços espaciais. Em 1957, a URSS lança um foguete Sputnik com um cão para o espaço. Em 1969, os USA mandam astronautas ao espaço, e eles chegam na Lua.

A Caca as Bruxas = os USA combate ao comunismo usando meios de comunicação para divulgar o “american way of life”. Americanos foram presos por defender ideias socialistas. Isso se espalhou pelo mundo para dizer que o socialismo era ruim. Os URSS com o Partido Comunista perseguiu, prendeu e matou quem não seguia as regras. Ocorria investigação e espionagem de ambos os lados. A CIA pelos USA e a KGB pelos URSS.

A Divisão da Alemanha = após a segunda guerra, foi dividida a Alemanha. A República Democrática em Berlim era soviética e socialista. A República Federal em Bonn era a parte capitalista. Em 1961 - Fizeram o Muro de Berlim. E ele será derrubado em 1989.

A Cortina de Ferro = em 1946, Churchill, Ministro Britânico, discursou nos USA e chamou a “cortina de ferro”, a influência da URSS. Churchill defendia que a URSS era inimiga dos valores e da democracia.

Plano Marshall e Comecon = são planos econômicos. Os USA tinha o Plano Marshall que emprestava dinheiro para reconstruir os países atingidos pela guerra. Os URSS, tinha o Comecon, em 1949 garantia dinheiro aos países socialistas.

Guerra da Coreia = 1951 – 1953, quando ocorre a pressão para virar socialista. O sul resiste com o apoio militar dos USA. A Coreia é dividida. O Norte é socialista e o Sul capitalista.

Guerra do Vietnã = 1959 – 1975, intervenção direta. Os USA tem dificuldade de enfrentar os vietcongs que são apoiados pelos URSS. Os USA são derrotados. O Vietnã é socialista.

Fim da Guerra Fria = atraso econômico e crises no socialismo. Em 1989 cai o muro de Berlim. A Alemanha é reunificada. O Presidente dos URSS Gorbachev acelera o fim do socialismo. As reformas econômicas e acordos com os USA com mudanças políticas. O capitalismo sai vitorioso.

Bem Estar = Welfare State = o Estado social garante a educação, saúde, habitação, renda e segurança social a todos. Os direitos sociais surgem depois da 2ª guerra. A Inglaterra usa na saúde e educação. Intervém na economia, regula atividades produtivas, assegura a geração de riquezas e diminui a desigualdade social, originado dos conflitos sociais pelo capitalismo. Exemplo: a crise de 29. O capitalismo livre de controle gerava desigualdade social. Os conflitos ameaçavam a estabilidade política. Os direitos reformam o bem estar e compatibiliza o capitalismo e a democracia. As lutas não acabam, mas são direcionadas. A crise está em harmonizar gastos públicos com economia capitalista. Desunião entre capital e trabalho. Ocorre a privatização de empresas públicas.

Bem estar no Brasil = a Era Vargas, 1930 – 1945, auge da ditadura militar, 1964 – 1985, gastos públicos, comunicação, energia elétrica, construção de estradas e empresas públicas. Em 1970 – a classe empresarial critica o intervencionismo estatal. O povo pede a desestatização. Ocorre a transição para a democracia. Momento do estado pagar as dívidas sociais, não ocorre. Em 1985, sucede o governo democrático com político neoliberal e privatizam as empresas estatais.

A Questão Palestina = em 1948, o povo na palestina, árabes, islâmicos e sunitas confrontam o Estado de Israel. Em 1950, surge Yasser Arafat criando AI – Fatah e domina a OLP organização pela liberdade Palestina. Com princípios de não reconhecer o Estado de Israel, nem o direito dos judeus viverem na Palestina. Em 1970, árabes usam o petróleo como pressão política e econômica. O Golfo Pérsico fornecia mais petróleo que todos no planeta. Nova crise do petróleo por um golpe de estado pela CIA dos USA para modernizar e implantar valores ocidentais, ocorre o choque com a sociedade islâmica, ocorre o domínio dos aiatolás em 1979 com líderes religiosos e sua teocracia e ódio aos americanos. Em 1986, a OLP, tem líder Arafat contra Israel chama a atenção do mundo com precárias condições dos palestinos. Criam a intifada, guerra das pedras, jovens, velhos e crianças enfrentam judeus com paus e pedras. Podendo ocorrer a qualquer momento de acordo com comandos palestinos.

Ditaduras Latino-Americanas = a independência deu origem a vários estados independentes, mas não deu fim a independência econômica. Continuou a desigualdade social e a exclusão econômica. Depois da 2ª guerra o sucesso da Revolução Cubana, inspira movimentos de transformação política. Os USA preocupava-se com agitações políticas que abalassem a hegemonia. Entre 1960 – 1970, movimentos foram atacados pelas elites. Pediram ajuda aos USA para acabar com movimentos revolucionários.

Por Vanessa Candia.

Prof. de História. 

domingo, 29 de setembro de 2019

O plano secreto dos EUA: detornar explosivos no Alasca.

O PLANO SECRETO DOS EUA: DETONAR EXPLOSIVOS NO ALASCA

Durante a Guerra Fria, o país chegou a realizar testes próximo ao local, aumentando o nível de radioatividade no Oceano Pacífico
VICTÓRIA GEARINI PUBLICADO EM 29/09/2019
None
- Pixabay
No auge da Guerra Fria, compreendida durante a década de 50, a ideia de se aproveitar a energia nuclear como fonte de energia era quase nula, pois havia a ameaça de bombas nucleares projetadas pelos Estados Unidos e União Soviética. Entretanto, anos mais tarde foi descoberto que a Comissão de Energia Atômica (AEC), atualmente Departamento de Energia, pretendia explodir o Alasca.
Chamado de Project Chariot, o projeto foi arquitetado pelo físico Edward Teller, em 1958. Um pouco antes, em 1957, o governo norte-americano havia lançado o Project Plowshare que tinha como objetivo utilizar as armas termonucleares para atingir a paz. Na época, a Comissão de Energia alegou que o plano seria usado como bem público.
Teste nuclear Sedan de 1962, parte do Project Plowshare / Crédito: WikiCommons
O objetivo deste projeto era redirecionar armas atômicas para mudar a face literal do planeta Terra. De acordo com um relatório publicado na época, o plano iria permitir escavações em grande escala, ou seja, as explosões ajudariam a mover grandes rochas, a fim de extrair gás natural e petróleo.
O Project Chariot, que visava explodir o Alasca, era uma extensão do Project Plowshar. O intuito era detonar uma bomba de hidrogênio de um megaton, juntamente de outras explosões menores, perto de Cape Thompson, no Alasca, para facilitar a mineração mineral e pesca. Logo os EUA divulgaram o projeto para a mídia, alegando que seria um evento benéfico para a população do Alasca.
No entanto, os povos que moravam na região se manifestaram contra, pois havia altos riscos de radiação.  Eles apresentaram provas de que outras explosões realizadas próximas ao local já teriam contribuído para o aumento de radioatividade na vizinhança.
Pouco antes, em 1954, a explosão no Atol de Bikini, atingiu 11 mil km² no Oceano Pacífico, fato que aumentou o nível de radioatividade no ar e foi encontrado no organismo de animais. O povoado foi contra até o fim, pois temiam pelas suas vidas. Em 1977, o Project Chariot foi encerrado e a ideia de substituir mão de obra manual por energia nuclear nunca chegou a ser executada de fato.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O plano mirabolante dos USA: explodir a Lua.

O PLANO MIRABOLANTE DOS ESTADOS UNIDOS: EXPLODIR A LUA

Durante a Guerra Fria, o país teve a bizarra ideia para provar a sua superioridade
THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 06/09/2019
None
- Reprodução
Tudo começou em outubro de 1957, com o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra, colocando a União Soviética à frente dos americanos – e causando pânico. Os jornais imediatamente reverberaram a opinião de que, se os soviéticos podiam mandar esferas ao espaço, podiam também enviar mísseis nucleares ao coração dos EUA. E absolutamente podiam: o foguete do Sputnik era basicamente uma versão adaptada do míssil nuclear R7 Semyorka.

Os americanos decidiram passar a mesma mensagem aos russos, mas com bem menos sutileza.
O lado da Lua onde ocorreria a explosão / Crédito: Wikimedia Commons
O plano de codinome "A119" foi desenvolvido pela Força Aérea dos Estados Unidos em 1958. Foi desclassificado em 2000 por Leonard Reiffel, ex-executivo da Nasa que liderou o mesmo.  
Projeto engavetado
A ideia dos físicos e especialistas militares era explodir na Lua uma ogiva do mesmo tamanho da bomba lançada em Hiroshima, no Japão. O objetivo era que a explosão criasse uma nuvem de poeira que, iluminada pelo Sol, seria vista a olho nu da Terra. Particularmente, da União Soviética.
O show de fogos do século foi engavetado em janeiro de 1959, quando os chefes militares dos EUA concluíram que, por alguma razão, a explosão poderia causar uma reação negativa da opinião pública mundial. Além disso, os riscos de mau funcionamento durante o lançamento eram grandes, colocando o mundo inteiro sob o perigo de uma ogiva nuclear fora de controle.
A capa do projeto / Wikimedia Commons
Depois disso, os EUA decidiram que seria mais inteligente seguir com a Corrida Espacial por linhas pacíficas. Após perderem o título do primeiro ser vivo no espaço (com a Laika, na Sputinik 2, 1956), do primeiro objeto a se aproximar da Lua (a sonda Luna 1, 1951) e do primeiro ser humano no espaço (Yuri Gagarin, na Vostok 1, 1961), cruzaram a linha de chegada espetacularmente ao desembarcar na Lua com a Apollo 11, em 1969.
Por mais incrível que possa parecer, os soviéticos tinham um plano bem parecido. Com o codinome E-4, pensavam atacar a Lua com um míssil nuclear. Assim como a outra superpotência, perceberam que as pretensões trariam mais prejuízo do que prestígio.

domingo, 1 de setembro de 2019

Há 36 anos, um avião civil coreano era cruelmente derrubado pela União Soviética.

HÁ 36 ANOS, UM AVIÃO CIVIL COREANO ERA CRUELMENTE DERRUBADO PELA UNIÃO SOVIÉTICA

Neste dia 01/09, em 1983, uma aeronave da companhia KAL era abatida por um caça soviético, dando início a uma das piores crises da Guerra Fria
THIAGO LINCOLINS E LUCAS VASCONCELLOS PUBLICADO EM 01/09/2019.
Boeing 747 da Korean Airlines foi derrubado por caças soviéticos
Wikimedia Commons
Era 1º de setembro de 1983 quando um porta-voz da companhia Korean Air Lines, correu pelos saguões do Aeroporto Internacional Kimpo (atual Gimpo), em Seul, na Coreia do Sul. Em uma das salas de espera, familiares e amigos próximos esperavam os viajantes que haviam partido de Nova York, no dia 31, pelo voo 007, um Boeing 747-230B, que até então tinha como status atrasado no painel de horários.
O funcionário tinha o seguinte a dizer: o jumbo havia sumido do mapa com mais de 200 passageiros que estavam a bordo. A ansiedade que tomava conta do local foi substituída pelo pânico.
Antes de seguir para Seul, o avião fez uma escala no Aeroporto Internacional de Anchorage, no Alasca, onde foi reabastecido e supervisionado. O comando da aeronave foi assumido pelo capitão Chun Byung-in, pelo copiloto Doung-hui, e por Kim Eui-dong, engenheiro de voo. Após a parada no Alasca, o jumbo decolou novamente às 4 horas de 31 de agosto.
Ilustração do ataque / Crédito: Reprodução
Horas após a decolagem, os passageiros ouviram o trivial anúncio: “Bom dia, senhoras e senhores, vamos aterrissar no Aeroporto Internacional Seul Gimpo em cerca de três horas. A hora local em Seul é 3h da madrugada. Antes do pouso, serviremos bebidas e café da manhã, obrigado”. No entanto, não haveria refeições – e muito menos aterrissagem. Em 26 minutos, um pouso de emergência foi anunciado. Máscaras de oxigênio começaram a cair na cabeça dos passageiros. Provavelmente ninguém percebeu, mas seu avião civil acabara de ser abatido por um caça.
Ironia do destino.
Em 1983, a Guerra Fria era uma realidade diária. Após as tentativas de reaproximação da Era Carter (1977-1981), ela havia sido reincendiada pela política do presidente Ronald Reagan, que partiu para uma tentativa de vencê-la, rearmando o país e reiniciando a política de patrocínio de grupos anticomunistas. E também – o mais crítico – prometendo um escudo antimísseis nucleares, o que acabaria com o precário equilíbrio da chamada Destruição Mútua Assegurada, na qual ninguém podia atacar, por medo da retaliação.
Esse foi o contexto em que a aeronave entrou por acidente no espaço aéreo da URSS. A ação foi vista como uma provocação dos Estados Unidos. Na época, havia voos entre os países, mas os aviões deviam passar por rotas muito específicas. Fora delas, podia ser visto como uma ação de guerra.
“A navegação nessa área era extremamente crítica, pois você não iria querer entrar no espaço aéreo soviético, a menos, é claro, se lhe dissessem para entrar nessa área da Rússia”, diz o capitão J.C. Day, autor de Salute and Execute: One Man's Journey Through the Ranks of the Military (Saudação e Execução: a Jornada de um Homem pelas Fileiras do Exército).
Os soviéticos já haviam vivenciado um episódio parecido. Em abril de 1978, outro boeing da Korean Air Lines, que vinha da França, com destino a Seul, também fez escala no Alasca. Com um sistema ineficiente e erros de cálculo, o avião acabou sendo desviado para o espaço aéreo soviético. Não demorou muito para que fosse interceptado pela defesa antiaérea soviética. Dessa vez, o avião conseguiu se safar. Realizou um pouso de emergência no lago congelado de Korpiyarvi. Dos 97 passageiros, apenas dois faleceram.
Modelo de um Su-15 soviético / Crédito: Wikimedia Commons
Sobrevoando território russo, os radares soviéticos logo detectaram o 747 – e interpretaram como sendo um avião espião. Não era totalmente descabido: no radar e visualmente, um jumbo lembra o RC-135, um modelo de reconhecimento ativo até hoje, que costumeiramente sobrevoava a área para observar as defesas russas. Ambos são quadrimotores, de asas enflechadas e grande porte.
Valery Kamensky, comandante das Forças de Defesa Aérea, deu a ordem de derrubá-lo mesmo sobre águas neutras, se fosse confirmado como um avião militar. Anatoly Kornukov, general que estava no comando da Base Aérea de Sokol, estranhou a ordem de derrubar em águas neutras, mas insistiu que não havia necessidade de confirmar a identidade. “Que civil? Ele voou sobre Kamtchaka!”, exclamou ele pelo rádio.
O consenso entre os dois levou ao pior de tudo. O alarme foi soado e unidades de caça Sukhoi Su-15 e Mikoyan Mig-23 foram ativadas. “Eu repito a tarefa, atire, atire no alvo 60-65. Destrua o alvo 60-65 [...] Assuma o controle do MiG 23 de Smirnikh, indicativo de chamada 163, indicativo de chamada 163. Ele está atrás do alvo no momento. Destrua o alvo! [...] Execute a tarefa, destrua-a!”, ordenou Kornukov.
Ao receber o sinal, o piloto Gennadi Osipovich disparou dois mísseis ar-ar Kaliningrad K-8. Como ordenara Kamensky, o fato de o avião não estar mais sobre território russo, mas sobre o Mar do Japão, foi desconsiderado. Como insistira Kornukov, a identificação foi ignorada.
O piloto declarou ter disparado tiros de metralhadora como aviso e não ter notado qualquer reação. “Eu sabia que esse era um avião civil. Mas para mim isso não significava nada. É fácil transformar um tipo de avião civil em um avião para uso militar”, disse em entrevista ao jornal Izvestia, pouco antes do fim da União Soviética, em 1991. “Eu não disse à base que se tratava de um avião do tipo Boeing; eles não me perguntaram.” Em uma declaração ao jornal The New York Times, em 1996, ele continuava a insistir que o Kal 007 era, de fato, uma aeronave espiã.
Investigação censurada.
Em 1983, os familiares das 269 vítimas enterraram os entes em caixões vazios. A Rússia havia feito um esquema de sigilo: ninguém sabia se havia sobreviventes, destroços dos corpos, do avião ou se a caixa-preta tinha sido encontrada. Eles acabaram por criar  uma rede de apoio para outras pessoas, em situações parecidas tempos depois, o Grupo de Familiares de Vítimas de Desastres Aéreos, parte integrante da Organização Internacional de Aviação Civil.
A ausência de corpos é motivo de teorias da conspiração. No livro Rescue 007: Untold Story of KAL 007's Survivors (Resgate 007: História Não Contada dos Sobreviventes do KAL 007), o autor Bert Schlossberg, parente de uma vítima, afirma que testemunhas viram passageiros alojados em prisões da Sibéria. Além dessa crença, há quem acredite também que os soviéticos destruíram os restos dos corpos, que comprovariam a culpa intencional da URSS no caso.
 Mas algo foi descoberto. Dois meses após a tragédia, mergulhadores soviéticos, operando a partir de um navio de perfuração de pontos petroleiros, encontraram registros essenciais para o entendimento do episódio. Mas nada foi feito então. Foi só com o fim do regime soviético, ao final de 1991, que o então presidente da Rússia, Bóris Yeltsin, confirmou a existência da caixa-preta.
O material, que foi entregue às autoridades da Coreia, apontava o erro de navegação por parte do piloto. E também confirmou que, apesar da negativa do militar soviético Nikolai Ogarkov, dias após a tragédia aérea, os russos haviam vasculhado o local. 
Edição da revista Time noticia o ataque / Crédito: Reprodução
Junto com a informação da caixa-preta, foi divulgada, em 1992, durante reunião em um hotel de Moscou, a transcrição do gravador de voz da cabine. Ali foi descoberto que a morte dos passageiros não havia sido imediata. O avião não fora destruído no ar: fragmentos dos mísseis atingiram a parte traseira da nave e limaram três dos quatro sistemas hidráulicos.
Buracos foram abertos na parede da aeronave, mas os motores continuaram funcionando. O Boeing 747 continuou voando por mais 12 minutos, em espiral, até cair próximo da Ilha de Moneron, no Mar do Japão. Os passageiros morreram esmagados com as estruturas do avião ou afogados.
Crime contra a humanidade.
O incidente contribuiu para abalar ainda mais as relações entre os Estados Unidos e a URSS. A tragédia foi descrita pelo ex-presidente Ronald Reagan como “um crime contra a humanidade”, e algo que nunca deveria ser esquecido.
Temendo outros possíveis ataques, a administração Federal de Aviação (FAA), dos Estados Unidos, revogou a permissão da Aeroflot, companhia estatal soviética, para realizar voos dentro e fora do país. Como consequência, para levar passageiros para a América do Norte, eram feitas viagens apenas pelo Canadá e México. A medida perdurou pelos três anos subsequentes.
Outros países tomaram atitudes parecidas – mas bem mais brandas. Pilotos australianos proibiram os diplomatas soviéticos e funcionários do governo de usar voos domésticos por 60 dias. Já a Finlândia e a França boicotaram voos para Moscou e outros destinos da URSS por dois meses; a Bélgica adotou a mesma medida por duas semanas. Aviões da Aeroflot ficaram suspensos de pousar em Portugal por 30 dias. E o acidente repercutiu com outros tipos de ações: a Costa Rica, entre outros, oficializou um dia de luto pelas vítimas do KAL 007, no qual hasteou bandeiras.
Talvez a consequência mais fundamental e duradoura foi uma concessão dada pelo presidente Reagan. Ciente da diferença que teria feito à situação, Reagan liberou o uso de um sistema de navegação por satélite que até então era exclusivo das Forças Armadas dos EUA: o GPS.
Ainda hoje, o sistema que todos têm no celular é basicamente uma concessão dos EUA, razão pela qual a Rússia usa o Glonass, a China, o BeiDou, e países como França e Índia estão desenvolvendo os seus.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Coreia: quando a guerra fria ferveu.

COREIA: QUANDO A GUERRA FRIA FERVEU

Há 69 anos, começava a Guerra da Coreia. Durante 3 anos, três milhões pereceram no pior conflito da Guerra Fria
MÁRCIO SAMPAIO DE CASTRO PUBLICADO EM 25/06/2019
Artilharia dos EUA em ação
Artilharia dos EUA em ação - Getty Images
Ao final da Segunda Guerra Mundial, o espólio japonês disputado entre os vencedores incluía a península coreana, no sudeste asiático, onde o Exército Imperial havia permanecido por muito tempo como força de ocupação. Na corrida que se seguiu aos últimos dias do conflito, os até então aliados soviéticos e norte-americanos ocuparam a Coreia, dividindo-a ao meio na altura do paralelo 38.
A alegria da população local pelo fim da presença japonesa seria rapidamente substituída pela dura realidade da luta de interesses entre os dois blocos ideológicos, que travariam nesse território o pior conflito da Guerra Fria, na qual morreriam até 2,5 milhões de civis.
Ao norte do paralelo, os soviéticos trataram de rapidamente implementar a doutrina comunista nos campos político e econômico, enquanto ao sul a Organização das Nações Unidas (ONU), capitaneada pelos Estados Unidos, promoveu, em 1948, eleições que tiveram como resultado a vitória de um candidato simpático aos interesses norte-americanos.
A divisão do país se acelerou e, em agosto daquele ano, debaixo de muito ressentimento em ambos os lados, nasciam a República da Coreia (Coreia do Sul) e a República Democrática Popular da Coreia (Coreia do Norte).
Questão de tempo.
Para o ex-líder da nova república comunista, Kim Il-sung, a reunificação do país era uma questão de tempo. Amplamente auxiliado por armas e instrutores soviéticos, Kim criou uma máquina de guerra, o Exército Popular da Coreia do Norte (EPCN), que tentaria resolver à força o que a diplomacia não havia conseguido.
No dia 25 de junho daquele ano, do outro lado do mundo e alheio às maquinações de Kim, o norueguês Trygve Lie, primeiro secretário-geral da ONU, foi despertado pelas chamadas insistentes em seu telefone. Um representante do governo dos Estados Unidos procurava-o para comunicar-lhe que o exército norte-coreano havia cruzado um dia antes o paralelo 38 e marchava rapidamente em direção a Seul, a capital sul-coreana.
O governo americano exigiu que Lie reunisse imediatamente o Conselho de Segurança e tratasse da questão como uma séria ameaça à paz mundial.
Contra a vontade soviética, que protestava, entre outras coisas, pelo fato de a República Popular da China ser representada por um embaixador de Taiwan e não por um enviado do governo comunista de Mao Tsé-tung, o conselho se reuniu no início da tarde daquele  dia para condenar as ações norte-coreanas e exigir o retorno de suas forças militares acima do paralelo 38.
Após a invasão do exército norte-coreano, milhares de sul-coreanos fugiram / 
Créditos: Wikimedia Commons

Absolutamente ignorado pelo governo de Kim Il Sung, o conselho voltaria a se reunir dois dias depois para aprovar uma proposta norte-americana: fornecer toda assistência necessária à República da Coreia para repelir o ataque e restabelecer a paz e a segurança internacionais na área.
Plano de emergência.
Enquanto aguardavam deliberações diplomáticas, os norte-americanos já montavam seu plano de emergência para intervir na península, com ou sem aprovação da ONU. Eles não admitiriam sob nenhuma hipótese que os soviéticos pudessem ter na Ásia uma área de influência que fosse além do paralelo 38 coreano. Não seria preciso, contudo, contrariar a vontade da maioria.
A exemplo do que fariam 41 anos mais tarde no Iraque, os Estados Unidos conseguiram liderar uma coalizão internacional, que contou com o apoio de 53 países na Assembléia Geral e a participação ativa de 20 deles no confronto armado que se desenhava. Ingleses, canadenses e australianos formariam o grosso do contingente auxiliar de 45 mil homens que se somaram aos 300 mil americanos enviados para a península asiática.
A intenção dos norte-coreanos era transformar sua invasão em um fato consumado muito antes de qualquer reação internacional. Em pouco mais de um mês, eles haviam empurrado o Exército sul-coreano e as tropas norte-americanas baseadas no Japão, que vieram em seu auxílio, para um perímetro pouco maior do que 150 quilômetros quadrados em torno da cidade portuária de Pusan.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, designou um herói da Guerra no Pacífico para comandar a reação. Douglas MacArthur, especialista em invasões anfíbias, manteve-se fiel às suas convicções e informou o ex-presidente e seus subordinados no comando militar da ONU que a estratégia seria um desembarque de tropas na cidade de Inchon, próxima a Seul, com o objetivo de cortar as comunicações entre as tropas do EPCN que cercavam Pusan e sua retaguarda em território norte-coreano.
O general Douglas MacArthur com soldados em 1950 /
Créditos: Wikimedia Commons
O plano deu certo e, em 27 de setembro, exatamente 12 dias após o início das operações em Inchon, a capital sul-coreana era declarada livre da presença comunista. Uma semana depois da reconquista de Seul, com o colapso do EPCN ao sul do paralelo 38, Truman autorizava a invasão do norte. Agora, eram os americanos que queriam liquidar a guerra em tempo relâmpago e implantar em toda a Coreia um regime pró-Ocidente.
Preocupados em desmoralizar os soviéticos com a aniquilação do EPCN, os americanos esqueceram-se de considerar uma outra variável na equação daquela guerra. No dia 2 de outubro, o ministro do Exterior chinês, Chu-En-lai, enviou um curto e objetivo recado para o mundo. Se o paralelo fosse cruzado em direção ao norte, os chineses interviriam.
Conflitos nas ruas de Seul / Créditos: Wikimedia Commons
Embriagadas pelo gosto da vitória que lhes parecia muito próxima, as tropas da ONU não só cruzaram a linha imaginária como também levaram os combates para as cercanias do rio Yalu, na fronteira entre a Coreia e a China. Dois meses depois, o general MacArthur ordenava a seus homens que formassem uma linha de defesa no mesmo paralelo 38 para resistir ao avanço de 300 mil chineses que investiam furiosamente contra seu exército.
Sucessão de ataques.
A partir desse momento, o conflito se transformaria numa sucessão de ataques e contra-ataques que levariam MacArthur a defender publicamente a guerra total contra os chineses, mesmo que isso implicasse o emprego de artefatos atômicos. As opiniões do general contrariavam frontalmente o ponto de vista do ex-presidente Truman, que não queria aniquilar o comunismo e muito menos travar uma guerra mundial, consequência temida, caso a China fosse invadida.
Sua intenção era apenas conter a expansão da influência soviética no Oriente. Como subordinado direto de Truman, MacArthur perdeu o emprego, e a guerra seguiu na Coreia conforme os desígnios do presidente: buscar uma paz honrosa ou um armistício.
De fato, ainda no ano de 1951, as conversações de paz tiveram início, mas enquanto os diplomatas não chegavam a um acordo, os homens de farda viram a eletrizante guerra de movimento transformar-se em uma infindável guerra de trincheiras, que se arrastaria pelas cercanias do paralelo 38 até o dia 27 de julho de 1953, quando o armistício finalmente foi assinado.
Tecnicamente, a Guerra da Coreia jamais terminou, mas ao final do conflito a situação que a gerara em nada havia mudado: na península do sudeste asiático continuava a existir um povo e dois países.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Putin retira a Rússia de Tratado de desarmamanto nuclear assinado nos últimos anos da Guerra Fria.

PUTIN RETIRA A RÚSSIA DE TRATADO DE DESARMAMENTO NUCLEAR ASSINADO NOS ÚLTIMOS ANOS DA GUERRA FRIA. ENTENDA O PERÍODO!

Após a saída dos EUA dos tratado INF, a Rússia anuncia sua saída oficial do acordo que estava em vigor desde 1987
ALANA SOUSA PUBLICADO EM 06/03/2019
Donald Trump e Vladimir Putin
Donald Trump e Vladimir Putin - Reprodução
Na última segunda-feira, 4, o presidente Vladimir Putin suspendeu de maneira oficial a participação da Rússia no tratado de desarmamento nuclear INF assinado com os Estados Unidos durante a Guerra Fria. A ação é uma resposta ao governo americano que deixou o tratado em fevereiro.
O decreto alega que a participação de Moscou está suspensa “até que os Estados Unidos deixem de descumprir suas obrigações sob o tratado ou até o fim da sua validade”. Logo o governo dos Estados Unidos será notificado sobre a decisão.
As autoridades americanas decidiram abandonar o acordo após acusar a Rússia de violar o tratado com seu sistema de mísseis 9M729.
A Rússia, por sua vez, alega que os EUA trabalham na fabricação de novos mísseis, incluindo o desenvolvimento de um míssil nuclear de baixa potência.
O tratado nuclear tinha sido assinado em 1987 com a então URSS nos últimos anos da Guerra Fria, abolindo o uso de mísseis com alcance entre 500 e 5.500 km.
GUERRA FRIA
Em 6 de agosto de 1945, o bombardeiro B-29 americano Enola Gay lançou sobre a cidade de Hiroshima, no sul do Japão, a primeira bomba atômica da história. Em poucos segundos, o “Little Boy” (Garotinho), como os americanos chamavam a carga explosiva, formou um cogumelo de fumaça de 18 quilômetros de altura e matou 78 mil pessoas. Três dias depois veio o golpe de misericórdia: uma nova bomba atômica, dessa vez sobre a cidade de Nagasaki, matou mais 70 mil pessoas. Atordoado, o Japão rendeu-se incondicionalmente. Era o fim da Segunda Guerra Mundial e o início de uma nova era: a Guerra Fria.
Dias antes desses ataques, durante a conferência de Potsdam, na Alemanha, o presidente americano, Harry Truman, havia confidenciado ao líder soviético, Josef Stalin, que os Estados Unidos tinham desenvolvido uma arma com poder de destruição jamais visto. Truman, na verdade, pretendia intimidar os soviéticos, que avançavam com apetite por todo o leste europeu. Mas o serviço soviético de espionagem já vinha informando Stalin sobre o esforço americano para desenvolver a bomba atômica. Tanto que os soviéticos também tinham iniciado seu próprio projeto nuclear – e, menos de quatro anos depois de Hiroshima, realizariam com sucesso seu primeiro teste de explosão de uma bomba atômica.
Nos anos seguintes, os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que emergiram da guerra, envolveram-se numa corrida armamentista, espalhando exércitos e armas em seus territórios e nos países aliados. O mundo ficou literalmente dividido em dois blocos: o capitalista e o socialista. Durante quase meio século, americanos e soviéticos travariam intensa disputa em todos os setores – ideológico, tecnológico, econômico, esportivo, cultural –, mas, em função do equilíbrio de forças no campo militar, evitaram um confronto direto. Daí, a expressão “Guerra Fria”. Um conflito armado poderia significar o fim dos dois países e, possivelmente, da vida no planeta. Era a chamada “paz armada” ou “equilíbrio do terror”. Embora não tenham partido para a guerra declarada, as duas potências chegaram muito perto disso, como durante a crise dos mísseis de 1962, e alimentaram conflitos em outros países, como na Coréia e no Vietnã.
Agora, a suspensão do tratado INF gera temores de uma nova corrida armamentista entre Moscou e Washington.