Se você acha que foi em uma festa incrível, repense depois de saber os detalhes do último baile do Império.
A ideia foi de Visconde de Ouro Preto, um tipo de Ministro das Relações Exteriores da época.
Era para mostrar que estava tudo bem com o Império. Que nada estava pegando.
A realidade, como sabemos, era bem diferente disso.
O que foi passado para a população é que o furdunço seria uma homenagem aos oficiais de um navio chileno. Também bobagem: todo mundo sabia que era pra comemorar as bodas de prata da Princesa Isabel e do Conde D´Eu.
Até pensou-se fazer a festa em Petrópolis ou até mesmo no Paço Imperial, mas, olhando pra segurança, decidiu-se pela Ilha Fiscal, antiga Ilha dos ratos.
Essa festa parou o Rio de Janeiro.
Os cabeleireiros mais badalados, franceses, ficaram esgotados. Os homens faziam fila em barbeiros para melhorar o visual.
As lojas de roupas chiques, na Rua do Ouvidor, a Oscar Freire do começo do século XX, venderam o que dava e o que não dava.
Joias eram arrebatadas.
Nenhum dos 2000 convidados queria passar desapercebido.
A Ilha Fiscal era o sonho dos loucos.
Sente só um pouco do que rolou: 800 quilos de camarão, 800 lagostas, 800 latas de trufas, 1.300 frangos, que ninguém é de ferro, 188 caixas de vinhos, 80 caixas de champanhe, 10 mil litros de cerveja...
O resultado deixaria a tradicional família brasileira com os cabelos em pé. Quer saber os motivos e os detalhes? Aperta o play!
Imagem: Aurélio de Figueiredo (1854–1916), via Wikimedia Commons
BAILE DA ILHA FISCAL: A ÚLTIMA FESTA IMPERIAL ANTES DA QUEDA DE DOM PEDRO II
O evento foi feito em homenagem as bodas de prata da princesa Isabel e do Conde d’Eu
REDAÇÃO ATUALIZADO EM 30/08/2021
Pintura do baile da Ilha Fiscal - Aurélio de Figueiredo (1854–1916) / Museu Histórico Nacional / Domínio Público, via Wikimedia Commons
No memorável dia 9 de novembro de 1889, aconteceu o último momento de glória da monarquia brasileira: o ilustre baile da Ilha Fiscal. Na ocasião, a família imperial e a elite comemoravam as bodas de prata da princesa Isabele do Conde d’Eu.
O que Dom Pedro II não imaginava é que poucos dias depois ele seria destronado e a monarquia seria extinta do Brasil.
O evento, por sua vez, teria sido uma tática de mostrar que a coroa brasileira estava firme e forte. Em suma, seria uma forma de tentar provar que tudo estava caminhando bem na realeza.
O ilustre baile da Ilha Fiscal
O vaivém não parava. Eles desciam das barcas a vapor e moças em trajes de fadas e sereias os recepcionavam. O tilintar das taças se misturava aos risos e à música. Nunca se havia visto no Brasil tanto luxo. Tudo havia sido preparado para fazer do Baile da Ilha Fiscal, promovido por Dom Pedro II no sábado, 9 de novembro de 1889, um evento inesquecível.
O último baile da Ilha Fiscal / Crédito: Francisco Joaquim Gomes Ribeiro (1855–1900) / Domínio Público, via Wikimedia Commons
A Ilha Fiscal contava com um gerador, instalado num barracão ao lado do palacete, que forneceu eletricidade para milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício. Além das milhares de velas, balões e lanternas venezianas, os holofotes do couraçado Almirante Cochrane e de outros navios da Marinha ancorados ali perto faziam com que a ilha fosse o lugar mais iluminado do mundo, como escreveram os jornais da época.
Na ocasião, ironicamente, houve um momento de desconstração quase premonitória: o velho Pedro, ao andar pelos salões, teria tropeçado em um tapete e quase levado um tombo bruto. Na situação, o imperador disse: "O monarca tropeçou, mas a monarquia não caiu". Por ironia do universo, em uma semana o Bragança não precisaria titubiar para que a piada tivesse um plot twist.
Aquela foi a última festança do Império. Seis dias depois, o imperador seria deposto. Como toda balada que se preze, havia um motivo um tanto protocolar para a festa, por mais que as 2 mil pessoas presentes não dessem muita bola: homenagear o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas.
Cardápio do último Baile da Ilha Fiscal, em 1889 / Crédito: Arquivo Nacional / Domínio Público, via Wikimedia Commons
Mas, na verdade, era para celebrar as bodas de prata da princesa Isabel e do Conde d’Eu e provar que a monarquia seguia viva e forte — pura balela. No baile — um sucesso — o clima era calmo, mas Pedro II pouco se divertiu.
O último momento de momento de glória
Na festança foram consumidos 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe e 10 mil litros de cerveja, além de licores e destilados. O dinheiro gasto no baile, 100 contos de réis, foi retirado do Ministério da Viação e Obras Públicas.
No total, 48 cozinheiros trabalharam por três dias para alimentar os convidados, servidos por 150 copeiros. O cardápio tinha peças inteiras de caça e pesca e uma infinidade de aves exóticas, Mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio para servir o jantar. Entre as sobremesas, sorvete, novidade da época.
Chiques e famosos embarcavam em três vapores que saíam do cais Pharoux, na atual praça 15 de Novembro, centro do Rio. Lá, uma banda da polícia animava a noite do povo — com nada de valsa. Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e mazurcas para os convivas, que dançaram em seis salões do castelo — a princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa.