TÃO DESENVOLVIDA QUANTO O EGITO E A MESOPOTÂMIA: HARAPPA, A PRIMEIRA CIVILIZAÇÃO DA ÍNDIA
Uma das maiores da Antiguidade, a história da cidade enigma está apenas começando a ser desvendada
BETO GOMES PUBLICADO EM 17/02/2020
Harappa - Reprodução
O vaivém de peregrinos é intenso, frenético, louco. Eles chegam aos montes, vindos de pequenos vilarejos vizinhos, nos vales ao leste do Paquistão. As ruas, tomadas por mercadores itinerantes, ganham, aos poucos, o colorido dos artistas performáticos e das trupes de circo. Músicos ajudam a entreter as multidões. Luzes e sons misturam-se.
Mulheres procuram peregrinos mais experientes, para dar a eles as oferendas religiosas que serão repassadas a divindades de lugares distantes – tudo para garantir que, no futuro, seus filhos sejam saudáveis e, de preferência, do sexo masculino. À primeira vista, esse é apenas mais um ritual de cultura popular, desses que o tempo insiste em manter vivos.
E é mesmo. Conhecido por sang – algo como feira de encontro –, é realizado até hoje nas grandes cidades do Vale do Rio Indo, perto da fronteira entre o Paquistão e a Índia. Mas esconde uma curiosidade. Remete a uma das civilizações mais desenvolvidas de toda a Antiguidade, um povo que viveu ali há milhares de anos. Não eram egípcios nem mesopotâmios, tampouco chineses.
Esse povo esquecido atingiu um surpreendente grau de desenvolvimento, comparável ao dos célebres vizinhos. A diferença é que não ficaram tão conhecidos – pelo menos nos dias de hoje –, embora tenham interagido com algumas dessas culturas avançadas. Eles eram a civilização do Vale do Indo, ou civilização harappiana, nome derivado de sua principal cidade, a capital Harappa.
Por volta de 3000 a.C., numa época em que Egito, Mesopotâmia e China começavam a esbanjar desenvolvimento e a ocupar o centro do mundo, os harappianos floresciam no Vale do Rio Indo. Como as potências vizinhas, também dominavam técnicas e conhecimentos inimagináveis para aquele período da história. No seu auge, entre 2600 a.C. e 1900 a.C., espalharam-se por mais de 1500 vilas e estenderam-se por uma área duas vezes maior que o próprio Egito Antigo e a Mesopotâmia.
Crédito: Reprodução
Ergueram cidades amplas e muito bem planejadas, com sistemas de drenagem sofisticados e prédios muito complexos. Eram artesãos habilidosos, que se destacavam principalmente por seus trabalhos com cerâmica e argila. O conhecimento avançado traçou os rumos de Harappa. Seus habitantes abriram rotas comerciais que os levaram ao Golfo Pérsico, à Ásia Central e à Mesopotâmia.
Por outro lado, as cidades harappianas viraram centros de comércio do mundo antigo. O artesanato local espalhou-se, tendo sido encontrado até nos sítios arqueológicos mesopotâmios.
Textos antigos dessa civilização, as inscrições cuneiformes, comprovam o contato entre as duas culturas. Falam sobre o comércio com povos originários da distante Índia. Assim como ainda acontece atualmente, naquela época os moradores dos pequenos vilarejos harappianos iam para as grandes cidades em dias de festivais para comprar, vender ou trocar produtos, participar de cerimônias e até para rever familiares.
Democracia e religião
Apesar de ser a maior das quatro civilizações da Antiguidade, o Vale do Indo só foi descoberto em 1920, quando arqueólogos escavaram parte das ruínas de Harappa e Mohenjo-daro, as duas maiores cidades da região, áreas que hoje correspondem às províncias paquistanesas de Punjab e Sindh, respectivamente.
Mesmo assim, ainda há muito a ser escavado e, principalmente, desvendado. Questões básicas sobre esses povos continuam sem respostas. Vários sítios arqueológicos permanecem intocados, incluindo grandes cidades, e sua escrita está longe de ser decifrada. Alguns pontos, porém, são dados como certos.
A semelhança entre as plantas e a arquitetura das cidades harappianas, por exemplo, mostram que o Vale do Indo mantinha uma estrutura social e econômica uniforme. A economia era baseada na produção agrícola e nas atividades comerciais. O povo era pacífico, embora possuísse armas, como lanças e espadas. Não havia reis nem teocratas – prova disso é a inexistência de palácios e templos suntuosos, mesmo nas ruínas das grandes cidades.
Essa organização social não exclui, no entanto, a participação e a influência de líderes religiosos na sociedade. É provável que eles tenham sido a chave para manter unida uma civilização tão abrangente, que não tinha como característica usar a força para subjugar outros povos. Apesar de não haver provas arqueológicas da existência desses líderes, estudos indicam que eles formavam uma elite, que manteve a hegemonia por meio da religião e de rituais sagrados.
Crédito: Reprodução
O apogeu
A cidade de Harappa viveu seu boom econômico entre os séculos 2800 a.C. e 2600 a.C. Foi nesse período que os artesãos desenvolveram técnicas avançadas de manipulação de argila e outras matérias-primas, criando tijolos simétricos de barro e objetos refinados de cerâmica cobertos por uma espécie de esmalte. A fabricação de produtos têxteis também decolou no período. Enquanto os egípcios notabilizavam-se pela manufatura de peças de linho, os harappianos teciam com algodão.
Surgiu nessa época ainda o sistema formal de escrita do lugar, estampada em vasos e selos de argila. Esses objetos, ilustrados com figuras geométricas ou com representações de animais, parecem também ter tido uso comercial ou administrativo. Seriam usados pela elite e funcionavam como um mecanismo de controle econômico e demonstração de poder político. Alguns pesquisadores, como Mahadevan, acreditam que eles também indicavam os títulos de seus usuários e até nomes e profissões.
Para os harappianos, seria algo útil numa cidade que chegou a ter cerca de 80 mil habitantes, segundo as estimativas do arqueólogo americano Jonathan Mark Kenoyer, um dos maiores especialistas do mundo na Civilização Antiga do Vale do Indo e um dos líderes dos grupos de escavações na região. Esses e outros segredos de Harappa, no entanto, continuam escondidos atrás de um enigma: a indecifrável escrita do Vale do Indo.
A queda
Depois de quase 2 mil anos de existência, essa civilização começou a entrar em declínio. A mais aceita das teorias combina uma série de motivos. O primeiro seria a incapacidade da elite em manter a ordem num território tão vasto e povoado, que por volta de 1900 a.C. já se estendia para além das planícies do Rio Ganges. “Essa falta de autoridade levou a uma reorganização da sociedade em toda a região do Vale do Indo”, escreveu Kenoyer em artigo publicado na revista Scientific American. Prova disso é o desaparecimento gradual de símbolos característicos da região, como os selos, vasos e pesos usados na taxação e comércio de produtos.
Outro fator importante para a queda da civilização harappiana foram as alterações climáticas que ocorreram ao longo dos séculos, ligadas provavelmente ao desflorestamento para obtenção de matérias-primas. Em 2000 a.C., um dos rios da região, o Sarasvati, começou a secar e deixou várias cidades sem uma base viável de subsistência. Essas populações teriam migrado para áreas agrícolas e cidades como Harappa e Mohenjo-daro, superpovoando lugares que não tinham estrutura para receber mais pessoas. Por consequência, os mecanismos de manutenção das rotas comerciais acabaram comprometidos.
Artefato da civilização / Crédito: Reprodução
Outra teoria diz que teria havido uma simples dispersão da população para outras regiões. Mas é improvável. “Vestígios arqueológicos encontrados em escavações recentes mostram que as cidades continuavam habitadas entre 1900 a.C. e 1300 a.C.”, escreveu Kenoyer. Uma terceira tese aponta que os harappianos foram aniquilados pelos indo-arianos a partir do segundo milênio antes de Cristo. De fato, o período entre 2000 a.C e 1300 a.C. foi conturbado, com guerras eclodindo em várias partes do mundo.
Mesmo assim, não se imagina que os indo-europeus tenham destruído toda a civilização. A maioria dos especialistas acredita que a imigração ariana aconteceu depois que os harappianos entraram em declínio – e a relação entre esses povos foi pacífica. “Quando chegaram à região, os indo-europeus tornaram-se sedentários e seus rebanhos ajudaram a fertilizar os campos agrícolas. Em troca, seus cavalos alimentavam-se da palha da cevada que era produzida pelos agricultores”, argumenta Barbosa.
E por fim há uma hipótese indiana ultranacionalista, que defende a ideia de que a civilização do Vale do Indo deu origem aos védicos, povos que surgiram em seguida aos harappianos e formularam o Rig Veda, a mais antiga escritura sagrada hindu. De acordo com a tese, eles conquistaram os sumérios e expandiram seus domínios para o oeste, influenciando também os povos do Ocidente.
Ufanismo? Pode ser. Mas, se a tese estiver correta, os harappianos mudaram o mundo que nós conhecemos. Como cabe às grandes civilizações da história.
Uma das maiores da Antiguidade, Harappa foi tão desenvolvida quanto o Egito e a Mesopotâmia. Mas sua história está apenas começando a ser desvendada
BETO GOMES PUBLICADO EM 15/09/2019.
Harappa - Reprodução
O vaivém de peregrinos é intenso, frenético, louco. Eles chegam aos montes, vindos de pequenos vilarejos vizinhos, nos vales ao leste do Paquistão. As ruas, tomadas por mercadores itinerantes, ganham, aos poucos, o colorido dos artistas performáticos e das trupes de circo. Músicos ajudam a entreter as multidões. Luzes e sons misturam-se.
Mulheres procuram peregrinos mais experientes, para dar a eles as oferendas religiosas que serão repassadas a divindades de lugares distantes – tudo para garantir que, no futuro, seus filhos sejam saudáveis e, de preferência, do sexo masculino. À primeira vista, esse é apenas mais um ritual de cultura popular, desses que o tempo insiste em manter vivos.
E é mesmo. Conhecido por sang – algo como feira de encontro –, é realizado até hoje nas grandes cidades do Vale do Rio Indo, perto da fronteira entre o Paquistão e a Índia. Mas esconde uma curiosidade. Remete a uma das civilizações mais desenvolvidas de toda a Antiguidade, um povo que viveu ali há milhares de anos. Não eram egípcios nem mesopotâmios, tampouco chineses.
Esse povo esquecido atingiu um surpreendente grau de desenvolvimento, comparável ao dos célebres vizinhos. A diferença é que não ficaram tão conhecidos – pelo menos nos dias de hoje –, embora tenham interagido com algumas dessas culturas avançadas. Eles eram a civilização do Vale do Indo, ou civilização harappiana, nome derivado de sua principal cidade, a capital Harappa.
Por volta de 3000 a.C., numa época em que Egito, Mesopotâmia e China começavam a esbanjar desenvolvimento e a ocupar o centro do mundo, os harappianos floresciam no Vale do Rio Indo. Como as potências vizinhas, também dominavam técnicas e conhecimentos inimagináveis para aquele período da história. No seu auge, entre 2600 a.C. e 1900 a.C., espalharam-se por mais de 1500 vilas e estenderam-se por uma área duas vezes maior que o próprio Egito Antigo e a Mesopotâmia.
Crédito: Reprodução
Ergueram cidades amplas e muito bem planejadas, com sistemas de drenagem sofisticados e prédios muito complexos. Eram artesãos habilidosos, que se destacavam principalmente por seus trabalhos com cerâmica e argila. O conhecimento avançado traçou os rumos de Harappa. Seus habitantes abriram rotas comerciais que os levaram ao Golfo Pérsico, à Ásia Central e à Mesopotâmia.
Por outro lado, as cidades harappianas viraram centros de comércio do mundo antigo. O artesanato local espalhou-se, tendo sido encontrado até nos sítios arqueológicos mesopotâmios.
Textos antigos dessa civilização, as inscrições cuneiformes, comprovam o contato entre as duas culturas. Falam sobre o comércio com povos originários da distante Índia. Assim como ainda acontece atualmente, naquela época os moradores dos pequenos vilarejos harappianos iam para as grandes cidades em dias de festivais para comprar, vender ou trocar produtos, participar de cerimônias e até para rever familiares.
Democracia e religião.
Apesar de ser a maior das quatro civilizações da Antiguidade, o Vale do Indo só foi descoberto em 1920, quando arqueólogos escavaram parte das ruínas de Harappa e Mohenjo-daro, as duas maiores cidades da região, áreas que hoje correspondem às províncias paquistanesas de Punjab e Sindh, respectivamente.
Mesmo assim, ainda há muito a ser escavado e, principalmente, desvendado. Questões básicas sobre esses povos continuam sem respostas. Vários sítios arqueológicos permanecem intocados, incluindo grandes cidades, e sua escrita está longe de ser decifrada. Alguns pontos, porém, são dados como certos.
A semelhança entre as plantas e a arquitetura das cidades harappianas, por exemplo, mostram que o Vale do Indo mantinha uma estrutura social e econômica uniforme. A economia era baseada na produção agrícola e nas atividades comerciais. O povo era pacífico, embora possuísse armas, como lanças e espadas. Não havia reis nem teocratas – prova disso é a inexistência de palácios e templos suntuosos, mesmo nas ruínas das grandes cidades.
Essa organização social não exclui, no entanto, a participação e a influência de líderes religiosos na sociedade. É provável que eles tenham sido a chave para manter unida uma civilização tão abrangente, que não tinha como característica usar a força para subjugar outros povos. Apesar de não haver provas arqueológicas da existência desses líderes, estudos indicam que eles formavam uma elite, que manteve a hegemonia por meio da religião e de rituais sagrados.
Crédito: Reprodução
O apogeu.
A cidade de Harappa viveu seu boom econômico entre os séculos 2800 a.C. e 2600 a.C. Foi nesse período que os artesãos desenvolveram técnicas avançadas de manipulação de argila e outras matérias-primas, criando tijolos simétricos de barro e objetos refinados de cerâmica cobertos por uma espécie de esmalte. A fabricação de produtos têxteis também decolou no período. Enquanto os egípcios notabilizavam-se pela manufatura de peças de linho, os harappianos teciam com algodão.
Surgiu nessa época ainda o sistema formal de escrita do lugar, estampada em vasos e selos de argila. Esses objetos, ilustrados com figuras geométricas ou com representações de animais, parecem também ter tido uso comercial ou administrativo. Seriam usados pela elite e funcionavam como um mecanismo de controle econômico e demonstração de poder político. Alguns pesquisadores, como Mahadevan, acreditam que eles também indicavam os títulos de seus usuários e até nomes e profissões.
Para os harappianos, seria algo útil numa cidade que chegou a ter cerca de 80 mil habitantes, segundo as estimativas do arqueólogo americano Jonathan Mark Kenoyer, um dos maiores especialistas do mundo na Civilização Antiga do Vale do Indo e um dos líderes dos grupos de escavações na região. Esses e outros segredos de Harappa, no entanto, continuam escondidos atrás de um enigma: a indecifrável escrita do Vale do Indo.
A queda.
Depois de quase 2 mil anos de existência, essa civilização começou a entrar em declínio. A mais aceita das teorias combina uma série de motivos. O primeiro seria a incapacidade da elite em manter a ordem num território tão vasto e povoado, que por volta de 1900 a.C. já se estendia para além das planícies do Rio Ganges. “Essa falta de autoridade levou a uma reorganização da sociedade em toda a região do Vale do Indo”, escreveu Kenoyer em artigo publicado na revista Scientific American. Prova disso é o desaparecimento gradual de símbolos característicos da região, como os selos, vasos e pesos usados na taxação e comércio de produtos.
Outro fator importante para a queda da civilização harappiana foram as alterações climáticas que ocorreram ao longo dos séculos, ligadas provavelmente ao desflorestamento para obtenção de matérias-primas. Em 2000 a.C., um dos rios da região, o Sarasvati, começou a secar e deixou várias cidades sem uma base viável de subsistência. Essas populações teriam migrado para áreas agrícolas e cidades como Harappa e Mohenjo-daro, superpovoando lugares que não tinham estrutura para receber mais pessoas. Por consequência, os mecanismos de manutenção das rotas comerciais acabaram comprometidos.
Artefato da civilização / Crédito: Reprodução
Outra teoria diz que teria havido uma simples dispersão da população para outras regiões. Mas é improvável. “Vestígios arqueológicos encontrados em escavações recentes mostram que as cidades continuavam habitadas entre 1900 a.C. e 1300 a.C.”, escreveu Kenoyer. Uma terceira tese aponta que os harappianos foram aniquilados pelos indo-arianos a partir do segundo milênio antes de Cristo. De fato, o período entre 2000 a.C e 1300 a.C. foi conturbado, com guerras eclodindo em várias partes do mundo.
Mesmo assim, não se imagina que os indo-europeus tenham destruído toda a civilização. A maioria dos especialistas acredita que a imigração ariana aconteceu depois que os harappianos entraram em declínio – e a relação entre esses povos foi pacífica. “Quando chegaram à região, os indo-europeus tornaram-se sedentários e seus rebanhos ajudaram a fertilizar os campos agrícolas. Em troca, seus cavalos alimentavam-se da palha da cevada que era produzida pelos agricultores”, argumenta Barbosa.
E por fim há uma hipótese indiana ultranacionalista, que defende a ideia de que a civilização do Vale do Indo deu origem aos védicos, povos que surgiram em seguida aos harappianos e formularam o Rig Veda, a mais antiga escritura sagrada hindu. De acordo com a tese, eles conquistaram os sumérios e expandiram seus domínios para o oeste, influenciando também os povos do Ocidente.
Ufanismo? Pode ser. Mas, se a tese estiver correta, os harappianos mudaram o mundo que nós conhecemos. Como cabe às grandes civilizações da história.
CINCO CULTURAS ANTIGAS DAS QUAIS VOCÊ PROVAVELMENTE NUNCA OUVIU FALAR
Conheça cinco povos que marcaram sua época com imponência, deixando vestígios materiais até os dias de hoje
REDAÇÃO PUBLICADO EM 12/04/2019
Reprodução
O termo "civilização" gera muitas discussões na academia, por inserir as culturas humanas em uma linha evolutiva que vai dos menos avançados (sociedades horizontais como os indígenas amazônicos ou os aborígenes australianos, uma das populações mais antigas da Terra) aos mais avançados (grupos hierárquicos como os Egípcios e os Incas, e a nossa própria cultura ocidental).
Mas apesar de terem deixado vestígios mais visíveis de sua cultura, as chamadas "civilizações" não são necessariamente mais evoluídas que outras sociedades.
Sabendo disso, confira abaixo cinco culturas antigas que deixaram grandes vestígios, das quais você provavelmente nunca ouviu falar.
1. Civilização do Vale do Rio Indo (2.500 - 1.700 a.C.).
Mohenjo-Daro / Reprodução
Localizado em uma área que abrange partes do Paquistão, Afeganistão e Índia, se situa o sítio arqueológico de Mohenjo-Daro, onde podemos ter contato com uma das civilizações mais antigas do mundo. Esse sítio é apenas uma das duas cidades proeminentes escavadas pelos arqueólogos, junto da cidade Harappa. Muitas das casas encontradas tinham seus próprios poços e banheiros, além de um sistema de drenagem subterrânea. Também foram encontradas evidências de comunidades agrícolas, e sabe-se que esse povo canalizava a água do rio Indo até os campos.
Ainda não se sabe se o Vale do Indo era uma civilização em si ou se fazia parte de um reino maior - caso a segunda opção seja verdadeira, teriam sido encontrados artefatos que mostrassem isso, como estátuas de reis ou representações de guerras. Mas, até hoje, nenhum desses objetos foi localizado.
Não há um consenso sobre as causas para o declínio dessa cultura, embora mudanças climáticas, como secas ou inundações do rio, sejam uma causa provável.
2. Império de Axum (100 - 194 a.C.).
Escadarias de Axum / Reprodução
Enquanto uma revolução cristã ocorria na Europa, um poderoso reino emergia no continente africano. Na atual Etiópia, o Império Axum tornou-se um dos maiores mercados do nordeste da África, com grande poder comercial e naval, dominando a costa do Mar Vermelho durante séculos. Os vestígios deste reino datam de 5 a.C., mas seu apogeu se deu por volta de meados do século 4 d.C., quando os Axumitas levaram o reino Kush, seu rival, à ruína.
Influenciando outras superpotências na África, Europa e Ásia, esse império contava com uma multidão de visitantes estrangeiros. Um escritor persa saudou Axum como “uma das quatro maiores potências do mundo”. Ainda assim, pouco se sabe sobre essa impressionante civilização.
O reino de Axum continuou imponente até o século 11 d.C., época em que o islamismo já havia se expandido pela Península Arábica e conquistado boa parte dos territórios do reino. A população do Império foi forçada ao isolamento político, o que levou seu declínio comercial e cultural.
3. Civilização Vinca (5500 - 3500 a.C.).
Estatueta Vinca / Reprodução
Também conhecida como Civilização do Vale do Rio Danúbio, esse povo tem sido frequentemente associado a extraterrestres - tanto pelo formato de suas estatuetas quanto pelas inovações tecnológicas. Os sítios arqueológicos são localizados ao longo do rio, em locais como Sérvia, Bósnia, Kosovo, Romênia, Bulgária e Macedônia. É considerada uma das culturas mais antigas do território europeu, e sua escritura, cravada em objetos de cerâmica, antecipou em séculos de escrita cuneiforme da Mesopotâmia, mas nunca pôde ser decodificada.
A primeira evidência arqueológica dessa cultura foi encontrada em 1908, em Belgrado, cidade da Sérvia. Cada assentamento abrigava milhares de pessoas, em casas feitas de barro. Não se sabe por que a Civilização da Vinca desapareceu, mas quando isso aconteceu, eles parecem ter levado seu conhecimento e suas inovações com eles, e as estatuetas e coleções de materiais Vinca estão atualmente espalhadas por vários museus do mundo.
4. Mehrgarh (7000 a.C.).
Estatueta Mehrgarh / Reprodução
A civilização Mehgarh surgiu no Vale do Rio Indo muito antes da primeira cultura de nossa lista. Localizado na planície de Kachi, no Paquistão, esse sítio arqueológico é um dos mais importantes quando se estuda o período Neolítico no Sul da Ásia. Considerado o povoamento mais antigo do rio Indo, estima-se seu desaparecimento por volta de 2.500 a.C.
A descoberta do povoamento de Mehrgarh ocorreu em 1974, por uma equipe de arqueólogos coordenada por Jean-François Jarrige e Catherine Jarrige. Entre 1974 e 2000 foram feitas várias escavações, que chegaram aos 11 metros de profundidade. Até o momento, foram encontrados 50 mil objetos, entre os quais cerâmicas, figuras de barro, azulejos e metais. Acredita-se que o Mehrgarh tenha tido uma população de cerca de 25.000 pessoas.
5. Nínive (6000 - 612 a.C.).
Reprodução
Nínive, localizada onde hoje é Mosul, no Iraque, foi uma das maiores e mais antigas cidades da antiguidade. A área foi colonizada em 6000 a.C e, em 3000, tornou-se um importante centro religioso para a adoração da deusa Ishtar. O rei Senaqueribe (704–681 a.C.) fez de Nínive a capital do Império Assírio, construindo uma grande muralha de 15 portões ao redor da cidade, bem como parques, aquedutos, canais e um palácio de 80 quartos. Alguns estudiosos acreditam que os famosos Jardins Suspensos da Babilônia estavam realmente localizados em Nínive, e foram encomendados pelo rei.
A cidade contava com uma biblioteca com mais de 30.000 tabletes de argila inscritos, o que fazia do local um centro para o desenvolvimento das artes, ciências e arquitetura. Entre as obras, está a história de um grande dilúvio que afogou o mundo inteiro, quando um homem construiu um barco para salvar a população. Essa versão da história hebraica foi escrita 1000 anos antes do surgimento da Bíblia. Grande parte do conteúdo da biblioteca de Nínive está agora nos cofres da Biblioteca Britânica.
Uma equipa de geólogos e arqueólogos da Índia descobriu que a cultura do Vale do Indo, que se considerava ser uma das civilizações mais antigas do mundo, apareceu na realidade ainda mais cedo do que se pensava.
De acordo com o novo estudo, publicado na revista Scientific Reports, a cultura do Vale do Indo existia há pelo menos oito mil anos, ao contrário dos 5.500 anos estimados até agora. Segundo as estimativas obtidas pelos autores do novo estudo, a referida civilização supera o Antigo Egipto e Mesopotâmia em antiguidade.
Os cientistas conseguiram determinar a idade da cultura do Vale do Indo após terem submetido fragmentos e ossos encontrados na localidade de Bhirrana a várias análises, entre as quais a datação por carbono 14.
Além de precisar a idade dos achados, as observações desmentiram a teoria de que a queda da civilização de Harappa se possa ter devido a uma abrupta mudança climática. No entanto, a mudança da estratégia agropecuária associada à seca terá contribuído para a desurbanização e o declínio gradual das cidades.
A cultura do Vale do Indo situava-se no delta do rio Indo e tinha um grande nível de desenvolvimento cultural. As suas cidades contavam com canalização e casas de banho públicas. No entanto, esta civilização começou a sua decadência no início do século XVII a.C.
Entre as teorias que circulam na comunidade científica para explicar o seu desaparecimento, encontram-se a hipótese de mudança climática e a possibilidade de ter ocorrido após invasões de antepassados dos persas e indianos modernos.