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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: Os Melhores Contos deFfadas Asiáticos.

 


BIBLIOGRAFIA: Os Melhores Contos de Fadas Asiáticos: edição leste asiático / Feng Menglong. São Caetano do Sul, SP: Wish, 2022, Giorgio. Como Reconhecer a Arte Egípcia. São Paulo: Martins Fontes, 1989.  

Os Melhores Contos de Fadas Asiáticos, publicado pela Editora Wish como o quarto volume de sua aclamada Coleção Áurea, é uma obra-prima de resgate folclórico e design editorial. O livro afasta o leitor das tradicionais narrativas eurocêntricas e o transporta para o universo espiritual e místico do Leste Asiático.

Estrutura e Conteúdo

A coletânea reúne mais de 30 narrativas ancestrais traduzidas diretamente de fontes originais. As histórias cobrem a rica tradição oral e literária de quatro regiões principais:

  • China: Enredos focados em dinastias antigas, burocracia celestial e grandes lições morais.
  • Japão: Lendas repletas de criaturas místicas (yokai) e forte conexão com o xintoísmo.
  • Coreia: Histórias que equilibram a delicadeza espiritual e a dureza da sobrevivência humana.
  • Mongólia: Contos épicos com chefes de guerra, nômades e grandes planícies.

Entre os destaques da seleção estão a famosa lenda da raposa de nove caudas (Tamamo, a Donzela Raposa) e o aclamado conto chinês Dama Bai: A Lenda da Serpente Branca, que explora a redenção e o amor entre um mortal e um espírito milenar.

Análise Crítica

  • Temática: Diferente dos contos europeus focados em "fadas madrinhas" e realeza ocidental, as histórias asiáticas giram em torno de honra, heroísmo, orientação espiritual e o equilíbrio entre o real e o invisível.
  • Ritmo: As narrativas variam de fábulas curtas e inocentes a enredos profundos com morais complexas sobre a impermanência e o respeito à natureza.
  • Acessibilidade: Apesar do distanciamento cultural inicial, o texto é fluido, preservando a intensidade poética original sem abrir mão da compreensão do leitor contemporâneo.

Qualidade da Edição de Colecionador

A Editora Wish, conhecida por seu primor gráfico através de financiamentos coletivos de sucesso, entrega um verdadeiro item de colecionador:

  • Identidade Visual: Capa dura resistente com detalhes temáticos que conversam perfeitamente com a estante da Coleção Áurea.
  • Ilustrações: O miolo conta com uma mistura rica de gravuras históricas e artes inéditas e exclusivas criadas por artistas contemporâneos.
  • Apoio Crítico: A edição inclui um prefácio contextualizador assinado por Lica Hashimoto, além de mini-biografias dos autores clássicos e tradutores originais (como Richard Wilhelm e Yei Theodora Ozaki).

Veredito

Os Melhores Contos de Fadas Asiáticos é uma leitura essencial tanto para os amantes de fantasia e folclore quanto para colecionadores de edições de luxo. O livro cumpre com excelência o papel de preservar vozes ancestrais, funcionando como um sensível documento histórico e cultural de povos ricos em simbolismo. É uma viagem literária indispensável para quem deseja expandir os horizontes além dos clássicos dos Irmãos Grimm ou de Perrault.

 

sábado, 1 de junho de 2019

Kappa: a assustadora criatura dos rios e lagos do Japão.

KAPPA: A ASSUSTADORA CRIATURA DOS RIOS E LAGOS DO JAPÃO

Também conhecido como Kawataro, a ele se atribui a maioria dos afogamentos de mulheres e crianças no país
MARIANA RIBAS PUBLICADO EM 01/06/2019
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- Reprodução
Um dos monstros mais conhecidos e temidos do Japão é o Kappa, uma criatura humanoide de pele escamosa que habita as profundezas dos rios e mares do país – e também as lendas do folclore japonês. Sua descrição bizarra faz lembrar uma tartaruga em um corpo de homem mas altura de criança: entre 60 centímetros e 1 metro. No lugar das costas, um casco.
Na boca, um bico com poderosa mandíbula. Nos pés e nas mãos, barbatanas. E, acima da cabeça, uma espécie de prato ou recipiente raso chamado sara, usado, em terra firme, para guardar água: a sua fonte de poder e de força sobrenatural.
Também conhecido como Kawataro (menino do rio) ou Kawako (criança do rio), a ele se atribui a maioria dos afogamentos de mulheres e de crianças no Japão. Embora o retratem, na maioria das vezes, como um monstro maléfico, há alguns relatos na mitologia sobre a existência de Kappas bondosos. Em tempos antigos, principalmente em Tsugaru, na província de Aomori, onde a sua popularidade ainda é nítida, essas criaturas eram consideradas Kami (deuses) das águas.
 Utagawa Kuniyoshi / Crédito: British Museum

No entanto, na maioria dos contos, elas aparecem como uma figura agressiva (e sedenta por sangue), a ponto de subir em terra firme em busca da sua presa. De acordo com a crendice popular, há mais de uma forma para se proteger, e a melhor delas é cumprimentá-las muitas vezes, curvando a cabeça como fazem os japoneses.
Em resposta, o Kappa, segundo a lenda, vai se sentir obrigado a curvar a cabeça e, após vários cumprimentos, o líquido (que lhe dá poderes e força) cai do topo do seu crânio, forçando-o a voltar ao lar aquático.
Outra estratégia para se defender de um Kappa mal-intencionado é oferecer pepinos a ele, seu alimento preferido. Diz-se que escrever o nome de alguém na casca de um pepino e depois jogá-lo dentro da água protege a pessoa contra a criatura, que, ao aceitar a comida, se sente obrigada a não fazer mal a ela. Essa ligação lendária entre Kappas e pepinos tornou-se um elemento tão presente na cultura japonesa que o sushi com recheio de pepino é, hoje, chamado de kappamaki. Tamanha popularidade, aliás, não raro se vê os Kappas em filmes e mangás.