sexta-feira, 29 de maio de 2026
Livro: História e Ciências Sociais.
quinta-feira, 1 de agosto de 2002
"A História, os Historiadores e as Tendências recentes."
quarta-feira, 18 de setembro de 1991
Quadro Comparativo de História do Brasil.
QUADRO COMPARATIVO HISTÓRIA DO BRASIL.
Métodos de Pesquisa.
Por: Prof. Me. Vanessa Candia.
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LIVROS |
50 TEXTOS DE HISTÓRIA DO
BRASIL |
PRIMEIRAS LIÇÕES DE
HISTÓRIA DO BRASIL |
ONDA NEGRA, MEDO BRANCO. |
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1 - TEMA ABORDADO |
Produção e comércio de
produtos, expansão da cafeicultura, desenvolvimento da economia, abolição, o
escravo como trabalhador livre e a imigração européia. |
Abolição da Escravatura e
a Proclamação da República |
Escravidão e Abolição. |
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2 - TEMPO DO FATO |
Meados do Século XIX. |
Meados do Século XIX. |
Meados do Século XIX.
26/07/1888. |
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3 - OBJETO |
Caráter da sociedade
brasileira, seu desenvolvimento social, econômico e político. |
História do Brasil. |
Relação entre brancos e
negros, Curandeirismo |
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4 - CONCEITOS |
Mistura Economia com
História, não tem notas de rodapé e dá o conceito de libertação do escravo. |
Notas de rodapé
explicativas com os conceitos das palavras selecionadas. |
Notas de rodapé
explicativas com os conceitos das palavras selecionadas. Notas do Editor. |
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5 - NOÇÃO DE TEMPO QUE HISTORIADORES TINHAM. |
Considera o início do
desenvolvimento econômico - social, a sociedade ainda dependia de centros
comerciais, financeiros e culturais externos, Brasil produzia cafeicultura
para a Inglaterra. |
Fatos e acontecimentos do
século XIX. |
Através da mentalidade das
pessoas do Século XIX. |
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6 - FONTES |
Menciona
"Estudiosos", mas sem denominação. |
Documentos Oficiais. |
Jornal Correio Paulistano
do dia 26.07.1888. Nas notas de rodapé, menciona - retrato em branco e negro
- jornais, escravos e cidadãos em SP no fim do séc. XIX de Lilia Schwarcz e
Organizações Negras de Paul Singer e Vinícius Caldeira Brant. |
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7 - LINGUAGEM |
Maior parte no Presente,
mas também aparece no Futuro. |
Linguagem da época, texto no Passado |
Presente, Passado e
Futuro. |
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TIPO |
MARXISTA PROCESSUAL ECONÔMICO |
NARRATIVA TRADICIONAL CRONOLÓGICO |
MENTALIDADES TEMPORALIDADE MÚLTIPLA |
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HISTÓRIA |
HISTÓRIA ECONÔMICA |
HISTÓRIA OFICIAL |
HISTÓRIA NARRATIVA |
sexta-feira, 12 de outubro de 1990
História e o texto historiográfico.
O debate epistemológico sobre a História e a produção científica do texto historiográfico.
Neste trabalho serão analisados textos de historiadores que participaram, opinaram e contribuíram para a melhoria da produção historiográfico – científica que estava em discussão, juntamente com a problemática das outras ciências. A discussão epistemológica da História é como se faz a História, uma mudança historiográfica que gerou reações, pois muitos historiadores fizeram parte.
Através do historiador Fernand Braudel, em sua obra " História e Ciências Sociais", que comenta sobre a longa duração e os problemas que a ciência da História atravessa. Busco analisar as referências as tendências de algumas das diversas discussões teóricas dos historiadores, que refletem e tentam achar soluções para o constante aperfeiçoamento do fazer histórico. O autor também fala sobre o tempo histórico e a sua controvérsia, além de apontar a interação discursiva de outras ciências em relação a História e a diferença do tempo do historiador para o tempo do sociólogo. Levando em consideração um período que está em constante transformação, assim como as sociedades, as políticas, as economias, as ciências, etc.; e até mesmo as tendências e as mentalidades.
Já o historiador Michel de Certeau, em sua obra “A operação historiográfica”, acredita que o importante é produzir história do momento, pois afirma que a História está sempre em construção. Faz uma relação com o contexto e aponta que cada geração construirá a sua história. Apresentando também as tendências que influenciaram autores e profissionais, assim como as críticas e o que se pode aproveitar para a construção de um saber histórico dos historiadores e seus métodos de investigação. O texto analisado foi produzido vinte anos depois da obra de Braudel “História e Ciências Sociais”, comentada anteriormente. Certeau, busca o construir de um trabalho, sua estrutura, seus aspectos sociais, as instituições, as relações e etc., não deixando se ludibriar pelos modismos da época que vive.
Na obra "A Oficina da História", de François Furet, serão analisados aspectos de mudanças científicas utilizadas pela História, a partir do problema científico da ciência. Em segundo momento, apresenta novos métodos de outras ciências que abrem campos e contribuem para os mesmos, mas sem substituí-los, no contato com outras áreas humano-científicas. O autor coloca as mudanças da investigação científica, pois afirma que a História trabalha com problemas científicos como qualquer outra ciência o faz, neste caso, sendo a História científica, responde à problemas científicos.
Paul Veyne, utiliza-se de conceitos e organiza a linguagem de acordo com o contexto histórico, pois para os historiadores, os conceitos são elementos chaves para serem usados nas produções textuais, ainda discute com eles as formas de elaborações de trabalhos. Veyne, analisa a perspectiva da conceituação e fornece o seu sentido "justo" ao que se domina, como entendimento de uma História que não é factual. O autor analisa questões teórica, como se constrói um texto historiográfico, ou seja, como escreve a História, os conceitos de ciência, os métodos, e os conceitos mais adequados para cada análise, sem fazer ficção e sim prova documental.
Através do autor E. P. Thompson, com parte da obra "A miséria da teoria", busco analisar como estes historiadores refletem e tentam achar soluções para os problemas epistemológicos da História. Thompson, critica a "epistemologia de Althusser" e as discussões filosóficas em torno do fazer histórico e vai tentar mostrar para Althusser que há uma lógica na História, pois ele também usa conceitos chaves em seus textos.
O texto "O Perfil dos Historiadores no Novo Milênio", do Dr. Prof. Arno Kern, tem por objetivo discernir, o perfil dos historiadores e de outras pessoas que se dizem historiadores, mas na realidade são: médicos, matemáticos, literatos, arquitetos, economistas e etc. Durante o seu texto, Arno aponta o papel das teorias como instrumento fundamental para produzir um texto historiográfico com coerência e seriedade. Aqui no caso discute que tipos de historiadores são vinculados à universidades. O texto é feito por um historiador para todos os outros historiadores e futuros. O texto faz comentário dos trabalhos dos historiadores em relação a suas instituições e formações. Fala do professor universitário e como discute o fazer histórico, além da qualidade da formação intelectual.
Os historiadores Jean Boutier e Dominique Julia, em sua obra " Em que Pensam os Historiadores ?", aponta questões importantes para os historiadores, que é a redefinição das problemáticas desde a escola metódica. Discutem as guerras e lutas, mas esta história política foi posta de lado e hoje é retomada e construída de outra maneira conotada pelas relações internacionais.
Fernand Braudel é um historiador muito considerado e está no meio da discussão, para ele, a História é uma ciência, inclusive a primeira a organizar-se no tempo histórico.
“Há uma crise geral das ciências do homem: todas elas se encontram esmagadas pelos seus próprios progressos, mesmo que isso seja devido apenas à acumulação de novos conhecimentos e à necessidade de um trabalho coletivo, (...). O problema está em saber como as ciências do homem irão superar estas dificuldades:”1 (p. 7).
Há aqueles que pensam que a crise é devida ao progresso, mas é somente uma questão de adaptação, pois a palavra "progresso" já diz tudo. Acredito que só tende a ajudar e melhorar o nosso trabalho. Não diria "acumulação", e sim complementação de novos conhecimentos, que é o que necessitamos e necessitaremos sempre em nosso meio. O tempo não para; ainda há muito para descobrir, pesquisar, estudar, conhecer e completar pois a História não para.
De acordo com o autor: “É igualmente imprescindível que a reunião das ciências seja completa, que não se menospreze a mais antiga em proveito das mais jovens, capazes de promover muito, mas nem sempre de o cumprir.” (BRAUDEL. Ibid., p. 8).
Um amadurecimento das ciências e uma troca benéfica para um bom trabalho coletivo e um melhor avanço científico. A troca é importante, interessante e válida. As antigas ciências serão sempre mestras e servirão de base para as novas, contribuindo para o crescimento e amadurecimento; pois além de promover experiências e conhecimentos sempre poderão ser consultadas novamente. A problemática está na superação de dificuldades como a definição de objetivos, métodos e superioridades; comprometimento e respeito com as outras ciências. A crise que vem do progresso e afeta os meios e métodos tendências que constituem as ciências.
“As restantes ciências sociais estão bastante mal informadas da crise que a nossa disciplina atravessou nos últimos vinte ou trinta anos e têm tendência para desconhecer, ao mesmo tempo que o trabalho dos historiadores, um aspecto da realidade social de que a história é, se não hábil vencedora, pelo menos bastante servidora:...” (BRAUDEL. Ibid., p. 8-9)
A História tem sua maneira, seu método, seu tempo e sua duração, bem como a sua importância e utilidade para com as outras áreas como a economia, a sociologia, a antropologia, dentre outras. O historiador ao traçar um objetivo, na construção de um discurso, vai selecionar um fato, que é de seu interesse e pertence a um espaço de tempo e faz parte de uma estrutura dividida em aspectos que poderão ser abordados ou não pelo profissional.
“Mas esta massa não constitui toda a realidade, toda a espessura da história, sobre a qual a reflexão científica pode trabalhar a vontade.” (BRAUDEL. Ibid., p. 11)
O passado é constituído por pequenos fatos que fazem parte da História e esta continua sempre em construção, de acordo com os novos acontecimentos, descobertas e informações.
“Os historiadores do séc. XVIII e de princípios do séc. XIX tinham sido muito mais sensíveis às perspectivas da longa duração, a qual só os grandes espíritos como Michelet, Ranke, Jacob Burckhardt ou Fustel souberam redescobrir mais tarde. Se se aceitar que esta duração do tempo breve supôs o maior enriquecimento – ao ser o menos comum - da historiografia dos últimos cem anos, compreender-se-à a eminente função que tanto a história das instituições, como a das religiões e das civilizações desempenham e, graças à arqueologia que necessita de grandes espaços cronológicos, a função de vanguarda dos estudos consagrados à antiguidade clássica.” (p. 12)
A influência foi afetada mas não causou rupturas e sim um aproveitamento das novas ideias metodológicas e das novas tendências, que produziram inovações para o conhecimento e melhor compreensão para o historiador nas suas produções historiográficas. O tempo era um dia e depois outro, e assim sucessivamente.
O Marxismo é uma tendência, um conjunto de idéias e conceitos que utiliza-se da longa duração e de acordo com as discussões, os marxistas acreditavam que a linguagem era capaz de unificar as ciências sociais.
"O historiador pretendeu preocupar-se com todas as ciências do homem. (...) entre o historiador e o observador das ciências sociais as barreiras e as diferenças que antigamente existiam." (BRAUDEL. Ibid., p. 18)
A partir do momento em que o historiador constrói um discurso histórico e científico, vai buscar conceitos em outras áreas, e a partir daí, compartilhando com outras ciências, passa então a preocupar-se com as mesmas e ao longo dos tempos, passando por várias discussões e debates epistemológicos, vão quebrando as barreiras e os preconceitos em outros campos e com outros especialistas.
" Reintroduzamos, na verdade, a duração. Disse que os modelos tinham uma duração variável: são válidos, enquanto é válida a realidade que registram. E para o observador do social, este tempo é primordial, posto que ainda mais significativo que as estruturas profundas da vida são os seus pontos de ruptura, a sua brusca ou lenta deteriorização, sob o efeito de pressões contraditórias." (BRAUDEL. Ibid., p. 30)
Momento em que a problemática é o tempo histórico, pois uns acreditam na longa duração, enquanto que outros preferem uma História breve. O tempo deve estar ligado ao método para se produzir um conhecimento claro e eficaz. O tempo do historiador não é a mesma estrutura do tempo do sociólogo.
" O que interessa apaixonadamente um historiador é o modo como estes movimentos se entrelaçam, a sua interação e os seus pontos de ruptura: mas todas estas coisas só se podem registrar em função do tempo uniforme dos historiadores, medida geral destes fenômenos, e não do tempo social multiforme, medida particular de cada um deles." (BRAUDEL. Ibid., p. 35)
A longa duração engloba múltiplos aspectos e um contexto, os movimentos, os tempos, as quebras, rupturas e diferenças. Por essas variações serem complexas, poderão acabar afetando o discurso histórico, razão pela qual o historiador deve ser cauteloso e organizado. Lucien Febvre, afiram que a História é uma ciência quando diz: " ... a História ciência do passado, ciência do presente." E realmente é uma ciência por estar, tanto em reconstrução do passado, como sempre em construção no presente.
O teórico precisa imaginar o passado, tudo que é feito está carregado de significação, onde cada significação quer dizer alguma coisa. Muitos elementos são levados em conta na nossa sociedade, e é difícil entender como se comportavam as sociedades no passado. Ao final do texto, Braudel, apresenta as relações de linguagem expostas por Levi Strauss, modelos e explicações, através do seu discurso observamos que o autor é a favor das idéias e ensinamentos de Strauss.
"Torno a referir-me, uma vez mais, a Claude Lévi-Strauss, porque a sua tentativa, neste campo, parece-me a mais inteligente, a mais clara e também a melhor enraizada na experiência social, da qual tudo deve partir e a que tudo deve voltar." (BRAUDEL. Ibid., p. 31)
O historiador francês, Michel de Certeau, coloca a escrita da História juntamente com a prática social, onde o trabalho histórico deve ser completo e contribuir para o conhecimento. O historiador seleciona um fato, um tempo e a teoria que acredita ser apta para seu estudo. O assunto do trabalho deverá acrescentar à História e o historiador deverá contribuir com a sua experiência para a reconstrução da História. Existe a vivência pessoal em que o historiador, inserido em um determinado contexto, além da influência de sua formação intelectual e a instituição a qual está ligado. No meio institucional, o historiador participará ou presenciará a constantes debates, e tudo isso deve ser observado em relação à História que cria e escreve, dependendo sempre da formação do meio em no qual está inserido.
O texto historiográfico é produzido a partir do que o historiador lê e interpreta, mantendo sempre uma organização adequada. Certeau pergunta como o trabalho foi produzido e em qual contexto, pois para ele, existem muitas maneiras de se ler um texto na História e o historiador precisa estar adequado a sua época e não pode se deixar levar por modismos. Os modismos são efêmeros e passageiros, terminam muito rapidamente, enquanto que o historiador tem que provar tudo que diz, por isso usa documentos e objetos como é o caso da arqueologia.
Para Michel de Certeau, quem estuda seu trabalho precisa verificar as informações e a História. Os franceses escrevem muito bem e com isso cativam o leitor, valorizam seu estudo próprio de escrever. A História é factual e possui um discurso seco; quando se trabalha com uma grande estrutura, a História não é factual e Certeau diz que essa discussão está encerrada. A documentação somente é válida dentro de um sistema de inteligibilidade no texto e é preciso chegar a uma coerência para montar uma estrutura lógica, e isto é complicado. Certeau coloca a escrita da História juntamente com a prática social considerando que o trabalho do historiador deve ser comprometido e condizente, contribuindo para o conhecimento. O historiador possui um estilo, de acordo com o modelo de formação que a instituição lhe encaminhou e influenciou.
O historiador François Furet, em sua obra " A oficina da História", acredita que o fundamental para o historiador, é juntar documentos e nunca deixar de provar o que foi afirmado, utilizando para isso tais documentos. Os intelectuais da época, criticavam a metodologia pela forma como utilizavam estes documentos, pois verificavam a coerência através dos mesmos. Para Furet, além do historiador fazer uma boa análise documental e textual, seria o mais adequado apresentar juntamente a prova documental, anexada ou referenciada no texto histórico - científico. O autor aponta que o historiador é quem dá vida aos documentos e estes justificam a existência e o trabalho do historiador. A série documental dá sustentação para a produção historiográfica, pois não é apenas um documento, mas vários documentos que abordam um ou mais assuntos de uma cronologia. Cada documento completa o outro que por sua vez completam nosso conhecimento e nosso trabalho produzido. Furet trabalha muito com história serial.
A História trabalha com fato de pequena duração e que trabalha-se com uma grande estrutura que não é factual. Furet diz que a discussão está encerrada. A documentação só vale num sistema de intelegibilidade. Tem uma coerência do início ao fim. Furet fez História quantitativa, mas esta só pode ser aplicada em determinados setores, pois a construção do saber que é complicado e por isto se aprende. Montar um sistema lógico e uma construção coerente com métodos e provas - a história serial obriga a montar uma lógica de inteligibilidade. A História tem que ser conceitualizante, tem que ter conceitos chaves que formam as teorias, palavras chaves que preparam uma explicação teórica. A explicação tem que ser formulada e explicitamente descrita no discurso. Reúne documentos, constrói fatos históricos, feito pelo historiador que vai dar apoio, verificando no documento para que a História fique e seja científica.
Na obra "A história conceitual", do autor e historiador, Paul Veyne, todo o progresso das ciências (humanas e/ou não), pode ser um benefício para a História, mas esse benefícios também sofrem limitações. A partir do empenho e dos debates epistemilógicos sobre a História, os historiadores não permitirão uma desorganização na ciência, através de outras. Para Veyne, o historiador prepara-se para construir um texto historiográfico, embasa-se por conceitos (formados ou criados), utiliza um marco referencial teórico para organizar o tempo e monta um quadro conceitual com o qual vai trabalhar, de acordo com o problema que quer resolver. Existe uma fronteira que separa a História e a Ciência, mas com certeza não é aquela do contingente e do necessário, e sim do todo e do necessário.
Para ele, o talento do historiador é em parte o de inventar conceitos, pois são eles que discernem a História do romance histórico e de seus próprios documentos. Um estudo de caso com tema circunscrito onde o marco teórico é delimitador do assunto, lugar e tempo. O referencial são os conceitos que devem permanecer claros e explicados na obra historiográfica, assim como a composição de documentação que evidenciará a prova do que foi produzido com coerência. A conceitualização aparece ou denota ausência em todas as etapas do trabalho historiográfico.
Os historiadores produzem textos influenciados pelo contexto que vive-se, utilizando os conceitos de acordo com a forma para qual será usado. Definir bem os conceitos é saber usá-los, pois não fazemos literatura, fazemos conceituais e científicos, usado como instrumento de análise, é um texto racional com documentação que o comprova. É um discurso verídico escrito no presente referenciando o passado. Somos capazes de nos referir-nos sobre acontecimentos do passado. Debate importante, pois se discute como fazer a construção da História. O desenvolvimento da História Conceitual é uma parte do movimento que impulsiona as sociedades modernas no sentido da racionalização.
Outro historiador é E. P. Thompson, ele vai nos arquivos e faz pesquisas e o Althusser (que nem historiador é/ou foi), critica-o afirmando que é perda de tempo buscar documentos e fazer pesquisas, pois acredita que não tem mais o que procurar e fazer e que as coisas são assim, mas porque são ? O Althusser não sabe ! Na religião a fé é a crença maior e não se pode mudar ou desacreditar, mas a teoria é discutível, pois são com as teorias que se formam as ciências. Thompson fala do imperialismo teórico, idéias que são auto reprodutoras, e isso acontece na religião, faz parte de um conceito de fé. Na ciência do conhecimento, tem que ser discutido porque na fé não tem discussão; é necessário uma discussão científica, pois é preciso fazer concessões onde o sujeito acaba cedendo às idéias dos colegas. A teoria é uma explicação onde alguns têm condições de discuti-las porque uma teoria pode derrubar outras, pois algumas teorias são criadas e outras teorias são substituídas. Seu pensamento é voltado, portanto as muitas formas de escrever a história; os temas da investigação histórica são tão dispares, as técnicas empregadas pelos historiadores são tão variadas e acima de tudo, as conclusões são tão controvérsias e tão veementes contextadas dentro da profissão que é difícil apresentar qualquer coerência disciplinar. Para Thompson, a disciplina da História tem seu próprio discurso de demonstração e ele não consegue ver o que seja esse discurso próprio a menos que tome a forma da lógica histórica. Sob esses aspectos, o conhecimento histórico pode se afastar de outros exemplos que servem de modelo de conhecimento, quando submetido a investigação epistemológica.
Para Althusser, a pesquisa empírica é perda de tempo porque é comparada com a fé e não é ciência. Ele parte de uma teoria para explicar tudo no sentido total, idealista das construções teóricas, jamais usará documentos. Nas ciências existem procedimentos elaborados de forma adequada a cada disciplina, a diferença entre disciplina e formação ideológica são os procedimentos e os controles. Uma pequena amostra das palavras de Althusser em relação a História: Thompson, diz que o discurso não é uma verdade, porque verdade absoluta não existe, quem faz a pesquisa é o historiador, as palavras e os conceitos são instrumento de trabalho para construir uma verdade histórica. Os fatos são coisas que aconteceram e os historiadores são responsáveis pelos fato, somos nós que elaboramos, que temos um problema científico, somos nós que vamos aos documentos, que fazemos pesquisas. A partir da pesquisa, escrevemos uma tese com fatos e as teorias. a história trabalha com algo sempre movimento, mutação e alteração. Isto para Thompson, parece irritar alguns filósofos e sociólogos, que evidenciam na produção historiográfica uma falta de clareza e consenso, seja nos conceitos ou nas conclusões finais dos inúmeros trabalhos. Isto realmente dificulta a compreensão da disciplina da História, mas o historiador trabalha com uma realidade passada complexa e também é passível de falhas, não é de todo lógico. Aqueles que vem a ser historiadores se preparam para isso, não somente frequentando a faculdade e sim tornando-se especialistas. O historiador, vinculado a uma universidade deve dar aulas, produzir trabalhos, fazer especialização, mestrado, doutorado, pós, participar de palestras, encontros, etc. Os historiadores reconhecem um historiador pelo seu mérito coerente e não simplesmente por ser um historiador.
O profissional deve estar vinculado a associações, revistas e outros conselhos especialistas onde se articulam. Os grupos defendem os historiadores e suas produções, a partir de análises e discussões onde encaminham o pensamento do historiador. São organizadas redes de historiadores em todo o território nacional, são eles, que fornecem pareceres aos referentes trabalhos, onde apontam os erros e acertos, além de identificar o apoio ou não. A discussão epistemológica é sobre o que é o historiador, a história como ciência, e com é construída.
O contexto universitário influencia o historiador que esta contido, contudo deve cuidar para não cair em armadilhas que não têm fundamento nas opiniões. As universidades formam e preparam historiadores para seus caminhos, num contexto que se transforma continuamente. A dinâmica é acompanhada para estar sempre apta, pois a universidade preocupa-se com a formação intelectual do profissional. Poucas universidades no país, oferecem mestrados e doutorados; existem diversos tipos de universidades, e é errado dividi-las em públicas e privadas, além disso todas se organizam de qualquer maneira para receber o público. As universidades particulares são comunitárias e mantidas por grupos que preservam-nas. Deve-se entender o contexto universitário, pois assim mede-se o desenvolvimento da instituição e de seus profissionais formados. Cada meio especializante foi sendo criado aos poucos, primeiramente a formação universitária, depois as especializações, como mestrados e doutorados, assim por diante, cursos e outras oportunidades para o desenvolvimento e melhor qualificação do profissional.
Hoje, a uma interligação internacional entre as universidades e entre os profissionais, onde esta movimentação faz com que haja melhor conhecimento e contato com outras instituições e colegas. O fundamental é o desenvolvimento do profissional através de contatos e cursos, ou seja, a dinâmica. O historiador deve estar sempre se atualizando, constantemente publicando artigos, textos, livros, trabalhos, se lá o que for, mas deve estar atento para como estão as instituições universitárias, além disso atento a publicações de outros colegas. Se o historiador não atualizar a si e seus trabalhos, a própria desenvoltura do meio o fará., pois algum dia outro historiador, também interessado no mesmo assunto, vai acabar publicando algo atualizado. A atividade de pesquisa tem muitos campos, onde formam-se grupos de historiadores - pesquisadores.
A história política foi redefinida e construída sob uma outra ótica. Os historiadores redefinem as problemáticas e refazem outras para que possam aperfeiçoar seu conhecimento e seus trabalhos, mudando a linha de pesquisa repensam os problemas, métodos, objetos e etc. Analisa como se relacionam os historiadores para com outras áreas científicas. Redefinem as relações de troca de informações, onde discutiram em três volumes o fazer histórico, que implica numa construção onde surge a pergunta de qual maneira seria a melhor utilizada para o fazer histórico. Há toda uma base tecnológica que hoje tem-se alcance em função das novas máquinas. É preciso que haja uma posição critica, responsabilidade quando se constrói um texto e passa este conhecimento.
Deve haver seriedade e especialização, e não fazer qualquer trabalho místico ou poético, é preciso saber seguir as regras que são discutidas na profissão. O historiador tem anos de estudo, o mundo da história cada vez aumenta mais e é mais exigido hoje; anteriormente qualquer um poderia ser historiador, mas vemos em seus textos que são fracos e sem lógica científica, ou seja, desconsiderados por historiadores de verdade. O historiador também trabalha com as representações, a uma confusão de dados e uma transposição de fatos que são do passado e misturam-se com a imaginação destes que se dizem historiadores. O nosso papel é investigar e desmitificar o que foi escrito por fraudulentos.
A história é um acontecimento permanente, os historiadores passaram a ter outras visões sobres os temas que foram estudados. A história é uma narrativa verídica que se modifica e é indeterminada. A lógica do pesquisador tem que ser precisa, o historiador precisa do tempo e do lugar, trabalha com estruturas variáveis.
CONCLUSÃO
Os textos serão testemunhos e provas de que as discussões são paradigmas que precisam de um melhor direcionamento. A metodologia adotada faz a busca do sentido da História, mas somente através de fatos, os fatos históricos e os documentos, são elementos importantíssimos para uma análise e para a construção de um discurso que explique os processos históricos globais. A preocupação é como podemos fazer da melhor maneira possível o fazer histórico. O historiador trabalha com o tempo histórico, ao longo do tempo, como as coisas aconteceram e os processos de mudança. Nunca será o mesmo tempo, pois tudo muda, nada é, ou foi, ou será; mas o que importa é a informação completa , pois tudo esta em transição no tempo.
Os historiadores constróem um texto científico e usam a linguagem no tempo histórico, assim como as referências de documentação, que são utilizadas como prova e sustentação. Antigamente não utilizava-se este método na produção, até porque não era comum na época usar referência bibliográfica. Dela se dá a importância da seguridade das fontes e do discurso, pois deve-se comprovar tudo que se diz e produz. O trabalho bem construído é usado como modelo por outros profissionais, tudo pode ser aproveitado. A história é construída e não tem respostas óbvias, é uma narrativa verídica e se modifica, é processual. Os textos que foram utilizados neste trabalho, são verdadeiros documentos históricos, além de terem sidos básicos, nos evidenciam importantes contribuições técnicas e teóricas. Estes historiadores participaram da discussão epstemológica sobre a ciência histórica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BOUTIER, Jean e JÚLIA Dominique. " Em que Pensam os Historiadores ?". In: ____________. Passados Recompostos - Campos e Canteiros da História. Rio de Janeiro: UFRJ - FGV, 1998. P. 21-61.
BRAUDEL, Fernand. “A longa duração” (1958). In: História e Ciências Sociais. Lisboa: Presença, 1986, p. 7-39.
CERTEAU, Michel de. “A operação historiográfica” (1975). In: A escrita da História. Rio de Janeiro: Forense – Universitária, 1982, p. 65-119.
FURET, François. “ Da história narrativa à história problema” (1975). In: A oficina da História. Lisboa, Gradiva, s/d, p. 81-98.
KERN, Arno Alvarez. "O Perfil dos Historiadores no Novo Milênio". In: Revista da SBPH. Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica. Curitiba: SBPH, 2000. P. 3-17.
THOMPSON, E. P. A miséria da teoria ou um planetário de erros: uma critica ao pensamento de Althusser. (1978). Rio de Janeiro: Zahar, 1981. Capítulo 7: “A lógica da História”, p. 47-62.
VEYNE, Paul. “ A história conceitual” (1974). In: LE GOFF, Jacques e NORA, P. História: novos problemas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976, p. 64-88.
1 BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. Lisboa: Presença, 1986. p. 7.
Fonte: arquivo pessoal.
Aula da Prof. Vanessa.
