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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro: História e Ciências Sociais.



História e Ciências Sociais.

De Fernand Braudel.

A LONGA DURAÇÃO:

“O problema está em saber como as ciências do homem irão superar estas dificuldades:” (p. 7).

De acordo com o autor: “É igualmente imprescindível que a reunião das ciências seja completa, que não se menospreze a mais antiga em proveito das mais jovens, capazes de promover muito, mas nem sempre de o cumprir.” (p. 8).

“As restantes ciências sociais estão bastante mal informadas da crise que a nossa disciplina atravessou nos últimos vinte ou trinta anos e têm tendência para desconhecer, ao mesmo tempo, que o trabalho dos historiadores, um aspecto da realidade social de que a história é, se não hábil vencedora, pelo menos bastante servidora:...” (p. 8-9)

HISTÓRIA E DURAÇÃO:

A História Tradicional usa o tempo breve, analisa o indivíduo, o acontecimento e a narração precipitada e dramática.

“Todo o trabalho histórico decompõe o tempo passado e escolhe as suas realidades cronológicas, segundo preferências e exclusões mais ou menos conscientes.” (p. 9)

“Mas esta massa não constitui toda a realidade, toda a espessura da história, sobre a qual a reflexão científica pode trabalhar a vontade.” (p. 11)

“Os historiadores do séc. XVIII e de princípios do séc. XIX tinham sido muito mais sensíveis às perspectivas da longa duração, a qual só os grandes espíritos como Michelet, Ranke, Jacob Burckhardt ou Fustel souberam redescobrir mais tarde. Se se aceitar que esta duração do tempo breve supôs o maior enriquecimento – ao ser o menos comum - da historiografia dos últimos cem anos, compreender-se-à a eminente função que tanto a história das instituições, como a das religiões e das civilizações desempenham e, graças à arqueologia que necessita de grandes espaços cronológicos, a função de vanguarda dos estudos consagrados à antiguidade clássica. Foram eles que salvaram o nosso ofício. A recente ruptura com as formas tradicionais do séc. XIX não implicou uma ruptura total com o tempo breve.” (p. 12)

“ Para nós, historiadores, uma estrutura é, indubitavelmente, um agrupamento, uma arquitetura; mais ainda, uma realidade que o tempo demora imenso a desgastar e a transportar." (p. 14)

" A totalidadeda história pode, em todo o caso, ser resposta como a partir de uma infra-estrutura em relação a estas camadas de história lenta." (p. 17)

"...a história é a soma de todas as histórias possíveis: uma coleção de ofícios e de pontos de vista, de ontem, de hoje e de amanhã." (p. 17)

" O historiador pretendeu preocupar-se com todas as ciências do homem. (...) entre o historiador e o observador das ciências sociais as barreiras e as diferenças que antigamente existiam." (p. 18)

A CONTROVÉRSIA DO TEMPO:

"... o problema está em saber se este tempo da história está tão morto e é tão reconstruído como dizem." (p. 20)

"... métodos do conhecimento (...) são igualmente necessários para compreender aquilo que nos rodeia tão de perto, que é difícil vislumbrá-lo com clareza." (p. 21)

"... a necessidade de confrontar também os modelos com a ideia de duração; porque da duração que implicam, dependem bastante intimamente, quanto a mim, tanto a sua significação como o seu valor de explicação" (p. 25)

"Reintroduzamos, na verdade, a duração. Disse que os modelos tinham uma duração variável: são válidos, enquanto é válida a realidade que registram. E para o observador do social, este tempo é primordial, posto que ainda mais significativo que as estruturas profundas da vida são os seus pontos de ruptura, a sua brusca ou lenta deteriorização, sob o efeito de pressões contraditórias." (p. 30)

"Torno a referir-me, uma vez mais, a Claude Lévi-Strauss, porque a sua tentativa, neste campo, parece-me a mais inteligente, a mais clara e também a melhor enraizada na experiência social, da qual tudo deve partir e a que tudo deve voltar." (p. 31)

"... a excessivamente lo0nga duração: devem reencontrar o jogo múltiplo da vida, todos os seus movimentos, todas as suas durações, todas as suas rupturas, todas as suas variações." (p. 33)

"Mas o que acontece é que o seu tempo não é o nosso: é muito menos imperativo, menos concreto também e nunca se encontra no cerne dos seus problemas e das suas reflexões." (p. 33)

"O que interessa apaixonadamente um historiador é o modo como estes movimentos se entrelaçam, a sua interação e os seus pontos de ruptura: mas todas estas coisas só se podem registrar em função do tempo uniforme dos historiadores, medida geral destes fenômenos, e não do tempo social multiforme, medida particular de cada um deles." (p. 35)

"Se a história está obrigada, por natureza, a prestar uma atenção privilegiada à duração, a todos os movimentos em que esta se pode decompor, a longa duração parece-nos, neste leque, a linha mais útil para uma observação e uma reflexão comuns às ciências sociais." (p. 37).

"O marxismo é um mundo de modelos. (...) O gênio de Marx, o segredo do seu prolongado poder, provém de ter sido ele o primeiro a fabricar verdadeiros modelos sociais e a partir da longa duração histórica." (p. 37)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. Lisboa, Edit. Presença, 1986.

Por: prof. Vanessa.



quinta-feira, 1 de agosto de 2002

"A História, os Historiadores e as Tendências recentes."


Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de História
Teorias da História
Dr. Prof.º Arno Alvarez Kern
Por: Vanessa

A História, os Historiadores e as Tendências recentes.

Quando falamos no período do pós-guerra, lembramos da problemática das filosofias especulativas da História, mas lembramos também que o método investigativo mudou. Os estudos específicos e a limitação de temas contribuiu para o abandono das tendências totalizadas, aquela problemática da totalidade, tendenciosa e equivocada, considerada inapta para a construção do fazer histórico.
Através do autor Arno Alvarez Kern, com seu texto " As Tendências Atuais da Ciência Histórica", busco analisar as referências as tendências das "escolas" e algumas das diversas discussões teóricas dos historiadores, que refletem e tentam achar soluções para o constante aperfeiçoamento do fazer histórico. Levando em consideração um contexto histórico de um pós-guerra com o desenvolvimento técnico - científico e os avanços de um mundo reconstruído que está em constante transformação, assim como as sociedades, as políticas, as economias, as ciências, etc.; e até mesmo as tendências e as mentalidades.

O texto do prof.° Arno Kern, apresenta a mudança da investigação científica utilizada pela história no início do século XX, que fora influenciada pela concepção positiva e que sofreu mudanças pelas críticas feitas em meados da década de trinta por ter sido considerada uma “História Tradicional” e estas críticas foram desenvolvidas pelas concepções do chamado “Relativismo histórico”, idéias contraditórias aos positivistas. Em segundo momento, Kern, apresenta novos métodos de outras ciências que abrem campos e contribuem para os mesmos, mas sem substituí-los, no contato com outras áreas humano-científicas. Apresentando também as tendências que influenciaram autores e profissionais, assim como as críticas e o que se pode aproveitar para a construção de um saber histórico dos historiadores e seus métodos de investigação. Durante o seu texto, Arno esclarece a contribuição das tendências para a História, onde refere-se a autores e historiadores, apontando o papel das teorias como instrumento fundamental para reconstruir o passado juntamente com a devida técnica utilizada do pensamento histórico científico.

As Tendências Atuais da Ciência Histórica.

Por: Arno Alvarez Kern1

A investigação científica utilizada como metodologia para a história, no início do século XX, fora influenciada pela concepção positivista, através de seus métodos acabou por sofrer críticas de outras concepções que surgiram. Mudanças atingiram os positivistas em meados da década de trinta, pois suas idéias remetiam a uma “História Tradicional”, enquanto que o desenvolvimento da concepção relativista era contraposto às idéias positivas. Por isto a mudança logo no pós-guerra, onde enfrentavam aquela problemática das filosofias especulativas e a tendência equivocada e inapta da totalidade, por assim dizer incompleta, feita muitas vezes não por profissionais historiadores (no caso, Arnold Toymbee e Oswald Spengler), mas por ensaístas que levaram o título.

No momento do pós-guerra alguns filósofos não concordavam com a separação de papéis enquanto que os historiadores acreditavam que esta era a melhor maneira para cada um cumprir a sua parte em sua determinada área. A totalidade nunca será alcançada, nunca teremos condições de saber tudo, ver tudo, ler tudo, sentir e presenciar tudo. Nunca desvendaremos todos os mistérios do mundo. No máximo, completar a História em seus aspectos, "sentido total" de compreender as sociedades, analisando e acrescentando em seus campos sociais, econômicos, culturais, políticos e etc.
“... novas teorizações oportunizaram uma ativa discussão e uma revisão crítica, favorecendo a abertura da ciência história às recentes abordagens e metodologias das demais ciências que se votam para o estudo das sociedades humanas e de sua cultura, em busca de explicações para as dúvidas e as perplexidades do momento presente por que passa a ciência histórica. Os contatos e influências das demais ciências humanas podem dar ao historiador uma maior segurança no tratamento conceitual da problemática histórica.”2

Kern mostra que a  preocupação é a teoria de longo alcance e há que se organizar um conjunto de informações de abordagens teóricas, e que também é válido utilizar-se de outras áreas para a busca do conhecimento extra como a sociologia, a filosofia, a antropologia e etc. O historiador não pode usar de tudo que as outras ciências (áreas) oferecem, até porque o campo da História possui as possibilidades fundamentais para a construção de uma teoria e a reconstrução dos fatos históricos. Nem tudo que é feito nas outras ciências pode ser aplicado à História, pois os historiadores fazem uma abordagem de tudo aquilo que serve ou não para o enriquecimento do nosso conhecimento e a construção do pensamento histórico, bem como a construção do nosso trabalho.

“... assim o historiador, atualmente, um investigador apto ao uso de modelos heurísticos e metodologias específicas, reconhecendo nesta instrumentalização uma possibilidade mais variável de análise da complexa e cambiante realidade histórica.” (KERN. Ibid., p. 62)

O historiador passa a ser o investigador dos métodos e das tendências mais apropriadas para o melhoramento e aperfeiçoamento de seu trabalho, sendo possível um melhor compreendimento sobre o assunto, tanto de quem o escreve, como aquele que lê, afinal há muita complexidade e paradigmas na nossa realidade histórica.

Os historiadores utilizam os arquivos, as bibliotecas (públicas ou particulares) em busca de obras importantes, assim como instituições para pesquisas. A História passou pelo período romântico onde recebeu forte influência (Metódica), na política buscavam um herói para ser usado de símbolo, enquanto que historiadores e filósofos criticaram esse romantismo. Devido a Guerra Franco - Prussiana, a história racionalista ganhou espaço na França, enquanto que na Alemanha, o Estado intervinha na História devido ao racionalismo e o patriotismo. O historiador precisa compreender todos os aspectos que fazem parte de um determinado estudo para saber e explicar os fatos e não louvar determinados heróis ou acontecimentos como guerras e etc. A escola Metódica queria transformar o romântico em positivista e mostrou um caminho a ser seguido para a História; a escola não teve muitos erros, mas usaram assuntos e idéias que não foram pensadas.


A revista aceitaria qualquer corrente de historiadores, ou seja, mesclaria diversas opiniões, pois é uma revista internacional e contrária as filosofias da história que usavam aquelas explicações teológicas. O progresso tem altos e baixos, deve-se concordar com isso, mas a tendência é subir e buscar um melhor caminho a ser seguido. Fizeram um método que buscava a metódica da metodologia científica, nas escolas encontravam-se bons e maus historiadores (como ainda encontra-se), mas nenhum historiador é igual ao outro, pois pertencem a níveis diferentes e correntes diferentes, assim como interesses diferentes, até porque existem várias tendências.
 
Os alemães foram os primeiros a tornarem a História mais científica, porque para fazer a história é preciso usar documentos e a Escola Metódica, só desenvolveu paralelamente a organização dos arquivos. A documentação precisa estar organizada, arrumada para fazer uma pesquisa; é muito difícil encontrar toda a verdade num único documento e por isso precisamos de vários documentos. Na transição do século XIX para o século XX, buscaram uma afirmação científica e falavam da razão que conduzia o homem, mas não aceitaram as afirmações dos filósofos que diziam que os historiadores estavam errados. A ciência tem o seu próprio terreno e um estudioso que se prepara e especializa-se para isso, ele não pode atravessar o terreno de outro, como muitas vezes acontece.

“ A História hoje ambiciona ser uma história total, analisando o desenvolvimento da humanidade como um todo.” (KERN. Ibid. p.62)

A História ainda não tem condições  para ser total, (sinceramente, não prevemos se um dia terá), ela simplesmente está em construção e a cada novo estudo e/ou descoberta, será acrescentada a parte que lhe cabe. A História será total quando soubermos todas as suas verdades, do início ao fim. Parece mesmo aquele problema da totalidade, mas neste caso, Kern, aponta que a História ambiciona ser total, no sentido de estudarmos todos os seus aspectos componentes de uma estrutura social, ou seja, o historiador vai buscar falar um pouco sobre o social, político, econômico, cultural e etc; a História vai aos poucos completando suas lacunas. A História nunca será total, somente a sua concepção. 

“... O maior entrosamento da História com as demais ciências sociais não a transforma numa sociologia ou numa economia. Ela permanece sempre História, isto é, uma forma de investigação com seus métodos adequados e com seu objeto de análise específico, atuando sobre uma área mais ou menos delimitada do conhecimento humano, explicando, descrevendo e interpretando.” (KERN. Ibid., p. 62-3)

Concordo plenamente que não há substituição ou mutação da ciência histórica e sim uma compartilhamento e interação de idéias e informações fornecidas pela interação em outros campos (áreas) científicas, assim como também contribuímos para com as outras ciências e muitas vezes completamos.

“O conhecimento histórico atual percebe, (...), o passado como um aglomerado de fatos episódicos reconstruídos, dispostos numa ordem aparentemente lógica e cronológica.” (KERN. Ibid., p. 63)

A metodologia adotada faz a busca do sentido da História, mas somente através de fatos, os fatos históricos e os documentos, são elementos importantíssimos para uma análise e para a construção de um discurso que explique os processos históricos globais. Os fatos e os documentos dão início a construção das explicações históricas e acima de tudo são os meios de comprovação do historiador. Os historiadores dão significados interpretativos históricos aos fatos, pois buscam e analisam documentos, além de tudo afirmam com coerência e dignidade que não tem condições de desvendar todo o mistério do planeta e fazer uma história perfeita e completa, o historiador vai completando seu discurso com os dados que vai adquirindo ao longo do possível, pois não se pode ter todos os dados nas mãos.
"(...). Instala-se, com imperceptíveis inclinações, uma história de períodos muitos longos, uma história lenta em deformar-se, e, por conseguinte em se manifestar a observação. É essa história que designamos na nossa linguagem imperfeita pelo nome de História Estrutural." (In: KERN. Ibid., p.63).3    

Fernand Bruadel, diz que a história é imperialista por causa dos filósofos, pois os historiadores e outros estudiosos da história depararam-se com documentos falsos e somente os historiadores que precisavam explicar, teriam condições, mas não filosoficamente. Os historiadores foram acusados de se perderem no estudo dos personagens e do contexto histórico, muitos da nova geração não aceitaram todas as críticas e resolveram fazer uma Historia nova após a Queda da Bolsa de 29.
Começa a acontecer a "História Problema" e mental, econômica, social, etc; na Segunda geração, a História se coloca como ciência social com vários historiadores de outras nacionalidades que juntaram fundos do pós-guerra para construir a escola e formar historiadores com o objetivo de se abrirem para outras interpretações causando uma renovação no mundo das idéias e novas discussões, inclusive com outras ciências. Havia uma tendência nos trabalhos, na busca de outros setores que anteriormente não tinham sido explorados, porque antigamente faziam a historia social  e econômica e discutiam pela diversidade do fazer histórico, e que foi crítica se essa diversidade poderia ser considerada História.

É inaugurada a Antropologia Histórica, mas é muito influenciada pela Antropologia e acaba fugindo da base histórica. Braudel, escreve rebatendo as idéias e as brigas coma Antropologia, para ele, o historiador trabalha com as mudanças e com fatos de curta e longa duração. A História se transforma ao logo do tempo, acontece uma renovação tecnológica principalmente com a criação de máquinas (como a de calcular) nos anos 40 e 50; os historiadores devem se adaptar com as novas tecnologias do momento em seu proveito próprio. A "margem" que surgia seria estudar um assunto pelos outros meios que cercam em vez de centralizar apenas num objeto (fato) determinado, observando todo o contexto que faz parte.

Surge a "história do gênero" também, ou seja, uma parte de um grupo como por exemplo: os homens; são compostos de homens e mulheres e estudar as mulheres é fazer uma história de gênero, pois antes estudavam os grandes homens e faziam trabalhos sobre eles, após um período surge a tendência que leva a caminhos distintos e ramificados. Assim, outras áreas começam a ser exploradas levando em conta outros setores, outros tipos de documentação (como as artes), buscando por outros laboratórios, institutos, arquivos e locais de pesquisa.

Pouco a pouco, os historiadores vão atravessando obstáculos e procurando novos temas de pesquisa que são relacionados com suas estruturas e seus métodos; pegam outro extremo que confrontam com aquela idéia da escola metódica que impunha histórias restritas. Os historiadores produzem textos influenciados pelos contextos que vivem, usando a utilização de conceitos em seus corretos contextos, de acordo com a definição e o tempo histórico. Afinal de contas, os historiadores não fazem literatura, fazem textos conceituais, científicos, racionais e com documentações que comprove; um discurso verídico, escrito no presente referenciando o passado. Estes textos são usados por outros historiadores como instrumento de análise e um debate importante, pois discutem como fazer a construção da História.

" (...) No século XIX, Marx imaginou a totalidade sócio-cultural dividindo em dois campos distintos aos quais denominou-os infra e supra-estrutura. Este modelo já sofreu modificações entre os próprios marxistas atuais."   (KERN. Ibid. p.63)

O jovem Marx influenciou toda uma geração de historiadores durante o período de discussão em que se acreditavam em fazer uma história global, totalizada, enquanto que os Marxistas acreditavam que outros aspectos como: econômico e social, também eram fundamentais para o compreendimento da base de uma sociedade. Marx, acrescenta que os homens fazem a História, mas não da maneira que desejam e os filósofos da história se contrapõem a isso. São os filósofos da luzes que tiraram o romantismo e colocaram a razão na História.

A História Marxista, não aparecem nos trabalhos entre os anos 50, ela não é recente e trabalha com a "visão global" e com as mudanças e transformações, por isso, é considerada difícil de trabalhar. Alguns historiadores se dizem marxistas e não são, para serem marxistas precisam no mínimo, buscar as obras de Marx e lerem. Para alguns historiadores, o marxismo é um rótulo dado aos vários assuntos, mas o marxismo é uma história em construção. Havia um controle rígido do Estado na produção intelectual, ou seja, um político qualquer escolheria o que seria publicado ou não pois, a política era tendência forte e havia um controle em relação a possíveis ideologias.

A iconografia da época acabou por ser manipulada, os militares tentaram fazer com que houvesse uma construção nova sobre a História. As tendências totalitárias da política influenciaram o momento, textos bons eram cortados e excluídos, enquanto que textos ruins, sem o devido conteúdo eram publicados, por não apresentarem manipulações ideológicas. Manipulação que vinha do governo. Os estudos vão abrindo novas fronteiras, os marxistas falavam de uma sociedade que seria estudada pelos sus aspectos e tinham uma visão global pelos enquadramento dos diversos aspectos, social, político, econômico, cultural, etc. Marx, nunca foi num arquivo, mas hoje, os historiadores continuam a buscar novos métodos, para eles, o importante é desenvolver a metodologia e aperfeiçoá-la cada vez mais.  

"(...) interação dos subconjuntos de fatos deve ser imaginada de forma dialética (...) variando o ritmo e a intensidade da relação, (...) provocando mudanças e reajustes nas partes componentes do todo. (...) determinados setores  desta totalidade que se originam muitas das teorias da História." (KERN. Ibid. p.64)

Os subconjuntos mantendo relação entre si e para com todos dão movimento e acabam provocando ajustes de transformação neste todo. No caso da realidade é complicado pela diversidade de fatos que fazem parte de um conjunto. Não é um problema matemático, e sim, um conjunto com subconjuntos em interação com os indivíduos e em constante transformação.

Já a "História das Estruturas" elimina o sujeito e existem vários grupos na sociedade que precisam ser estudados. Braudel, critica o estruturalismo, mas também diz que é bom utilizar o método em alguns de seus aspectos. Nenhuma tendência é perfeita, nem a mais correta, nem o suprassumo das teorias. Braudel, vê pontos da estrutura que são ligados entre si e acredita num diacronismo, ou seja, que as coisas mudam. O estruturalismo é válido onde percebemos que tudo está contido em um conjunto: os fatos, as sociedades, as políticas, as economias e etc. Cada conjunto de elementos que interagem entre si faz parte de uma estrutura e cada historiador vai tendenciar-se a escolher aquela que melhor cabe em seu trabalho, pois todas elas, boas ou não, servem para contribuir, de certa forma metodologicamente para com a história.


" O conhecimento limitado que muitos historiadores demonstram em relação às teorias e os esquemas ' idealistas' e 'materialistas' que utilizam de maneira insuficiente e pouco lógica, tendem a criar muitas vezes lamentáveis confusões pois levam a simplificações enganadores, afastando a investigação do campo já relativo da ciência e desviando a análise pelo terreno ilusório dos posicionamento doutrinários." (KERN. Ibid, p.65)

Existem muitas teoria recheadas de características e com grandes diferenças e variedades. As teorias podem ser lógicas, racionais, verosímeis e etc. Entretanto não as tornam verdadeiras, porque não são reais; a obra de História é um texto.

A teoria, hoje, discute produzir história e procura teorizar o papel do historiador. No campo das teorias sempre se criam novas teorias, se trabalha com problemas e conceito, isto tudo é instrumental. A História se faz com documentos. Os métodos empiristas e descritivos, usam métodos de pesquisas para trabalhar com a documentação (que é a prova concreta) e escrever a história, acrescentar novas informações históricas para a História que já existe.

De acordo com o prof.  Arno, "... As sociedades históricas estão em contínua relação com o habitat, num processo constante de adaptação e de manipulação deste ambiente.", pois as sociedades estão contidas num determinado ambiente, onde vivem e se modificam e acabam por modificar o seu meio (habitat), pois todo este conjunto faz parte da estrutura que engloba a sociedade. Os componentes das sociedades devem ser analisados juntamente com o seu contexto meio sócio-econômico e cultural que engloba o conjunto e suas ações.

" Uma das maiores características do pensamento histórico atual é a multiplicação de estudos monográficos de temas mais específicos, para um aprofundamento dos nosso conhecimentos." (KERN. Ibid. p.67)

O pensamento histórico caracteriza-se nos temas específicos, ou seja, a centralização em um objeto de estudo para melhor compreendimento e aprofundamento de uma questão para o nosso conhecimento. Para montar uma teoria necessita-se de conceitos, que são palavras chaves, mas o importante é construir um texto claro (como o que foi analisado) para que haja melhor entendimento daquilo que se está  expondo.

As tendências são homogêneas e por isso não conseguem se juntar, cada historiador escolherá o método de acordo com o seu interesse e a sua linha teórica que lhe dará melhores condições de defender suas hipóteses, teses e etc. Não se pode provar se uma teoria é certa ou errada, o tempo todo os historiadores selecionam as melhores tendências teóricas. Os historiadores dão autoridade a uma teoria considerada apropriada, enquanto ela for satisfatória; no momento em que surge uma outra teoria melhor e que possa substituir a antiga (o anterior), pois não é posta no lixo, é reservada e complementada com a teoria nova. As novas e velhas teorias fazem parte do progresso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

KERN, Arno Alvarez. As tendências atuais da ciência histórica. In: "Ciências e Letras". Faculdade Porto- Alegrense de Educação, Ciências e Letras, FAPA: Porto Alegre, 2: 61-8,1982.

OBS: foram utilizados textos de apoio, cedidos pelo professor, que continham a temática da disciplina. "Textos e contextos dos debates epistemológicos recentes sobre a História" de autoria do professor Arno Alvarez Kern. 


1 Dr. Profº. Da cadeira de Teorias da História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
2 KERN. Arno A., 1982, p.62.
3 BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. Edit. Presença, Lisboa, 1972, p.78-9

quarta-feira, 18 de setembro de 1991

Quadro Comparativo de História do Brasil.

 

QUADRO COMPARATIVO HISTÓRIA DO BRASIL.

 

Métodos de Pesquisa.

Por: Prof. Me. Vanessa Candia.

 

 

 

 

LIVROS

 

 

50 TEXTOS DE HISTÓRIA DO BRASIL

 

PRIMEIRAS LIÇÕES DE HISTÓRIA DO BRASIL

 

 

ONDA NEGRA, MEDO BRANCO.

 

 

1 - TEMA ABORDADO

 

 

Produção e comércio de produtos, expansão da cafeicultura, desenvolvimento da economia, abolição, o escravo como trabalhador livre e a imigração européia.

 

 

 

Abolição da Escravatura e a Proclamação da República

 

 

 

 

Escravidão e Abolição.

 

 

2 - TEMPO DO FATO

 

 

 

 

Meados do Século XIX.

 

 

Meados do Século XIX.

 

 

Meados do Século XIX. 26/07/1888.

 

 

3 - OBJETO

 

 

Caráter da sociedade brasileira, seu desenvolvimento social, econômico e político.

 

 

 

História do Brasil.

 

 

Relação entre brancos e negros, Curandeirismo

 

 

4 - CONCEITOS

 

 

Mistura Economia com História, não tem notas de rodapé e dá o conceito de libertação do escravo.

 

 

Notas de rodapé explicativas com os conceitos das palavras selecionadas.

 

Notas de rodapé explicativas com os conceitos das palavras selecionadas. Notas do Editor.

 

5 - NOÇÃO DE TEMPO QUE HISTORIADORES TINHAM.

 

 

Considera o início do desenvolvimento econômico - social, a sociedade ainda dependia de centros comerciais, financeiros e culturais externos, Brasil produzia cafeicultura para a Inglaterra.

 

 

 

Fatos e acontecimentos do século XIX.

 

 

Através da mentalidade das pessoas do Século XIX.

 

 

 

6 - FONTES

 

 

 

 

Menciona "Estudiosos", mas sem denominação.

 

 

 

 

Documentos Oficiais.

 

Jornal Correio Paulistano do dia 26.07.1888. Nas notas de rodapé, menciona - retrato em branco e negro - jornais, escravos e cidadãos em SP no fim do séc. XIX de Lilia Schwarcz e Organizações Negras de Paul Singer e Vinícius Caldeira Brant.

 

 

7 - LINGUAGEM

 

 

Maior parte no Presente, mas também aparece no Futuro.

 

 

Linguagem da época,

texto no Passado

 

Presente, Passado e Futuro.

 

 

 

TIPO

 

 

MARXISTA

PROCESSUAL

ECONÔMICO

 

 

NARRATIVA

TRADICIONAL

CRONOLÓGICO

 

MENTALIDADES

TEMPORALIDADE

MÚLTIPLA

 

HISTÓRIA

 

HISTÓRIA ECONÔMICA

 

 

HISTÓRIA OFICIAL

 

HISTÓRIA NARRATIVA

 

sexta-feira, 12 de outubro de 1990

História e o texto historiográfico.

História e o texto historiográfico.

O debate epistemológico sobre a História e a produção científica do texto historiográfico.

Neste trabalho serão analisados textos de historiadores que participaram, opinaram e contribuíram para a melhoria da produção historiográfico – científica que estava em discussão, juntamente com a problemática das outras ciências. A discussão epistemológica da História é como se faz a História, uma mudança historiográfica que gerou reações, pois muitos historiadores fizeram parte.

Através do historiador Fernand Braudel, em sua obra " História e Ciências Sociais", que comenta sobre a longa duração e os problemas que a ciência da História atravessa. Busco analisar as referências as tendências de algumas das diversas discussões teóricas dos historiadores, que refletem e tentam achar soluções para o constante aperfeiçoamento do fazer histórico. O autor também fala sobre o tempo histórico e a sua controvérsia, além de apontar a interação discursiva de outras ciências em relação a História e a diferença do tempo do historiador para o tempo do sociólogo. Levando em consideração um período que está em constante transformação, assim como as sociedades, as políticas, as economias, as ciências, etc.; e até mesmo as tendências e as mentalidades.

Já o historiador Michel de Certeau, em sua obra “A operação historiográfica”, acredita que o importante é produzir história do momento, pois afirma que a História está sempre em construção. Faz uma relação com o contexto e aponta que cada geração construirá a sua história. Apresentando também as tendências que influenciaram autores e profissionais, assim como as críticas e o que se pode aproveitar para a construção de um saber histórico dos historiadores e seus métodos de investigação. O texto analisado foi produzido vinte anos depois da obra de Braudel “História e Ciências Sociais”, comentada anteriormente. Certeau, busca o construir de um trabalho, sua estrutura, seus aspectos sociais, as instituições, as relações e etc., não deixando se ludibriar pelos modismos da época que vive.

Na obra "A Oficina da História", de François Furet, serão analisados aspectos de mudanças científicas utilizadas pela História, a partir do problema científico da ciência. Em segundo momento, apresenta novos métodos de outras ciências que abrem campos e contribuem para os mesmos, mas sem substituí-los, no contato com outras áreas humano-científicas. O autor coloca as mudanças da investigação científica, pois afirma que a História trabalha com problemas científicos como qualquer outra ciência o faz, neste caso, sendo a História científica, responde à problemas científicos.

Paul Veyne, utiliza-se de conceitos e organiza a linguagem de acordo com o contexto histórico, pois para os historiadores, os conceitos são elementos chaves para serem usados nas produções textuais, ainda discute com eles as formas de elaborações de trabalhos. Veyne, analisa a perspectiva da conceituação e fornece o seu sentido "justo" ao que se domina, como entendimento de uma História que não é factual. O autor analisa questões teórica, como se constrói um texto historiográfico, ou seja, como escreve a História, os conceitos de ciência, os métodos, e os conceitos mais adequados para cada análise, sem fazer ficção e sim prova documental.
Através do autor E. P. Thompson, com parte da obra "A miséria da teoria", busco analisar como estes historiadores refletem e tentam achar soluções para os problemas epistemológicos da História. Thompson, critica a "epistemologia de Althusser" e as discussões filosóficas em torno do fazer histórico e vai tentar mostrar para Althusser que há uma lógica na História, pois ele também usa conceitos chaves em seus textos.

O texto "O Perfil dos Historiadores no Novo Milênio", do Dr. Prof. Arno Kern, tem por objetivo discernir, o perfil dos historiadores e de outras pessoas que se dizem historiadores, mas na realidade são: médicos, matemáticos, literatos, arquitetos, economistas e etc. Durante o seu texto, Arno aponta o papel das teorias como instrumento fundamental para produzir um texto historiográfico com coerência e seriedade. Aqui no caso discute que tipos de historiadores são vinculados à universidades. O texto é feito por um historiador para todos os outros historiadores e futuros. O texto faz comentário dos trabalhos dos historiadores em relação a suas instituições e formações. Fala do professor universitário e como discute o fazer histórico, além da qualidade da formação intelectual.

Os historiadores Jean Boutier e Dominique Julia, em sua obra " Em que Pensam os Historiadores ?", aponta questões importantes para os historiadores, que é a redefinição das problemáticas desde a escola metódica. Discutem as guerras e lutas, mas esta história política foi posta de lado e hoje é retomada e construída de outra maneira conotada pelas relações internacionais.

Fernand Braudel é um historiador muito considerado e está no meio da discussão, para ele, a História é uma ciência, inclusive a primeira a organizar-se no tempo histórico.
“Há uma crise geral das ciências do homem: todas elas se encontram esmagadas pelos seus próprios progressos, mesmo que isso seja devido apenas à acumulação de novos conhecimentos e à necessidade de um trabalho coletivo, (...). O problema está em saber como as ciências do homem irão superar estas dificuldades:”1 (p. 7).

Há aqueles que pensam que a crise é devida ao progresso, mas é somente uma questão de adaptação, pois a palavra "progresso" já diz tudo. Acredito que só tende a ajudar e melhorar o nosso trabalho. Não diria "acumulação", e sim complementação de novos conhecimentos, que é o que necessitamos e necessitaremos sempre em nosso meio. O tempo não para; ainda há muito para descobrir, pesquisar, estudar, conhecer e completar pois a História não para.
De acordo com o autor: “É igualmente imprescindível que a reunião das ciências seja completa, que não se menospreze a mais antiga em proveito das mais jovens, capazes de promover muito, mas nem sempre de o cumprir.” (BRAUDEL. Ibid., p. 8).

Um amadurecimento das ciências e uma troca benéfica para um bom trabalho coletivo e um melhor avanço científico. A troca é importante, interessante e válida. As antigas ciências serão sempre mestras e servirão de base para as novas, contribuindo para o crescimento e amadurecimento; pois além de promover experiências e conhecimentos sempre poderão ser consultadas novamente. A problemática está na superação de dificuldades como a definição de objetivos, métodos e superioridades; comprometimento e respeito com as outras ciências. A crise que vem do progresso e afeta os meios e métodos tendências que constituem as ciências.

“As restantes ciências sociais estão bastante mal informadas da crise que a nossa disciplina atravessou nos últimos vinte ou trinta anos e têm tendência para desconhecer, ao mesmo tempo que o trabalho dos historiadores, um aspecto da realidade social de que a história é, se não hábil vencedora, pelo menos bastante servidora:...” (BRAUDEL. Ibid., p. 8-9)

A História tem sua maneira, seu método, seu tempo e sua duração, bem como a sua importância e utilidade para com as outras áreas como a economia, a sociologia, a antropologia, dentre outras. O historiador ao traçar um objetivo, na construção de um discurso, vai selecionar um fato, que é de seu interesse e pertence a um espaço de tempo e faz parte de uma estrutura dividida em aspectos que poderão ser abordados ou não pelo profissional.
“Mas esta massa não constitui toda a realidade, toda a espessura da história, sobre a qual a reflexão científica pode trabalhar a vontade.” (BRAUDEL. Ibid., p. 11)

O passado é constituído por pequenos fatos que fazem parte da História e esta continua sempre em construção, de acordo com os novos acontecimentos, descobertas e informações.

“Os historiadores do séc. XVIII e de princípios do séc. XIX tinham sido muito mais sensíveis às perspectivas da longa duração, a qual só os grandes espíritos como Michelet, Ranke, Jacob Burckhardt ou Fustel souberam redescobrir mais tarde. Se se aceitar que esta duração do tempo breve supôs o maior enriquecimento – ao ser o menos comum - da historiografia dos últimos cem anos, compreender-se-à a eminente função que tanto a história das instituições, como a das religiões e das civilizações desempenham e, graças à arqueologia que necessita de grandes espaços cronológicos, a função de vanguarda dos estudos consagrados à antiguidade clássica.” (p. 12)

A influência foi afetada mas não causou rupturas e sim um aproveitamento das novas ideias metodológicas e das novas tendências, que produziram inovações para o conhecimento e melhor compreensão para o historiador nas suas produções historiográficas. O tempo era um dia e depois outro, e assim sucessivamente.

O Marxismo é uma tendência, um conjunto de idéias e conceitos que utiliza-se da longa duração e de acordo com as discussões, os marxistas acreditavam que a linguagem era capaz de unificar as ciências sociais.

"O historiador pretendeu preocupar-se com todas as ciências do homem. (...) entre o historiador e o observador das ciências sociais as barreiras e as diferenças que antigamente existiam." (BRAUDEL. Ibid., p. 18)

A partir do momento em que o historiador constrói um discurso histórico e científico, vai buscar conceitos em outras áreas, e a partir daí, compartilhando com outras ciências, passa então a preocupar-se com as mesmas e ao longo dos tempos, passando por várias discussões e debates epistemológicos, vão quebrando as barreiras e os preconceitos em outros campos e com outros especialistas.
" Reintroduzamos, na verdade, a duração. Disse que os modelos tinham uma duração variável: são válidos, enquanto é válida a realidade que registram. E para o observador do social, este tempo é primordial, posto que ainda mais significativo que as estruturas profundas da vida são os seus pontos de ruptura, a sua brusca ou lenta deteriorização, sob o efeito de pressões contraditórias." (BRAUDEL. Ibid., p. 30)
Momento em que a problemática é o tempo histórico, pois uns acreditam na longa duração, enquanto que outros preferem uma História breve. O tempo deve estar ligado ao método para se produzir um conhecimento claro e eficaz. O tempo do historiador não é a mesma estrutura do tempo do sociólogo.
" O que interessa apaixonadamente um historiador é o modo como estes movimentos se entrelaçam, a sua interação e os seus pontos de ruptura: mas todas estas coisas só se podem registrar em função do tempo uniforme dos historiadores, medida geral destes fenômenos, e não do tempo social multiforme, medida particular de cada um deles." (BRAUDEL. Ibid., p. 35)
A longa duração engloba múltiplos aspectos e um contexto, os movimentos, os tempos, as quebras, rupturas e diferenças. Por essas variações serem complexas, poderão acabar afetando o discurso histórico, razão pela qual o historiador deve ser cauteloso e organizado. Lucien Febvre, afiram que a História é uma ciência quando diz: " ... a História ciência do passado, ciência do presente." E realmente é uma ciência por estar, tanto em reconstrução do passado, como sempre em construção no presente.

O teórico precisa imaginar o passado, tudo que é feito está carregado de significação, onde cada significação quer dizer alguma coisa. Muitos elementos são levados em conta na nossa sociedade, e é difícil entender como se comportavam as sociedades no passado. Ao final do texto, Braudel, apresenta as relações de linguagem expostas por Levi Strauss, modelos e explicações, através do seu discurso observamos que o autor é a favor das idéias e ensinamentos de Strauss.
"Torno a referir-me, uma vez mais, a Claude Lévi-Strauss, porque a sua tentativa, neste campo, parece-me a mais inteligente, a mais clara e também a melhor enraizada na experiência social, da qual tudo deve partir e a que tudo deve voltar." (BRAUDEL. Ibid., p. 31)
O historiador francês, Michel de Certeau, coloca a escrita da História juntamente com a prática social, onde o trabalho histórico deve ser completo e contribuir para o conhecimento. O historiador seleciona um fato, um tempo e a teoria que acredita ser apta para seu estudo. O assunto do trabalho deverá acrescentar à História e o historiador deverá contribuir com a sua experiência para a reconstrução da História. Existe a vivência pessoal em que o historiador, inserido em um determinado contexto, além da influência de sua formação intelectual e a instituição a qual está ligado. No meio institucional, o historiador participará ou presenciará a constantes debates, e tudo isso deve ser observado em relação à História que cria e escreve, dependendo sempre da formação do meio em no qual está inserido.

O texto historiográfico é produzido a partir do que o historiador lê e interpreta, mantendo sempre uma organização adequada. Certeau pergunta como o trabalho foi produzido e em qual contexto, pois para ele, existem muitas maneiras de se ler um texto na História e o historiador precisa estar adequado a sua época e não pode se deixar levar por modismos. Os modismos são efêmeros e passageiros, terminam muito rapidamente, enquanto que o historiador tem que provar tudo que diz, por isso usa documentos e objetos como é o caso da arqueologia.

Para Michel de Certeau, quem estuda seu trabalho precisa verificar as informações e a História. Os franceses escrevem muito bem e com isso cativam o leitor, valorizam seu estudo próprio de escrever. A História é factual e possui um discurso seco; quando se trabalha com uma grande estrutura, a História não é factual e Certeau diz que essa discussão está encerrada. A documentação somente é válida dentro de um sistema de inteligibilidade no texto e é preciso chegar a uma coerência para montar uma estrutura lógica, e isto é complicado. Certeau coloca a escrita da História juntamente com a prática social considerando que o trabalho do historiador deve ser comprometido e condizente, contribuindo para o conhecimento. O historiador possui um estilo, de acordo com o modelo de formação que a instituição lhe encaminhou e influenciou.

O historiador François Furet, em sua obra " A oficina da História", acredita que o fundamental para o historiador, é juntar documentos e nunca deixar de provar o que foi afirmado, utilizando para isso tais documentos. Os intelectuais da época, criticavam a metodologia pela forma como utilizavam estes documentos, pois verificavam a coerência através dos mesmos. Para Furet, além do historiador fazer uma boa análise documental e textual, seria o mais adequado apresentar juntamente a prova documental, anexada ou referenciada no texto histórico - científico. O autor aponta que o historiador é quem dá vida aos documentos e estes justificam a existência e o trabalho do historiador. A série documental dá sustentação para a produção historiográfica, pois não é apenas um documento, mas vários documentos que abordam um ou mais assuntos de uma cronologia. Cada documento completa o outro que por sua vez completam nosso conhecimento e nosso trabalho produzido. Furet trabalha muito com história serial.
A História trabalha com fato de pequena duração e que trabalha-se com uma grande estrutura que não é factual. Furet diz que a discussão está encerrada. A documentação só vale num sistema de intelegibilidade. Tem uma coerência do início ao fim. Furet fez História quantitativa, mas esta só pode ser aplicada em determinados setores, pois a construção do saber que é complicado e por isto se aprende. Montar um sistema lógico e uma construção coerente com métodos e provas - a história serial obriga a montar uma lógica de inteligibilidade. A História tem que ser conceitualizante, tem que ter conceitos chaves que formam as teorias, palavras chaves que preparam uma explicação teórica. A explicação tem que ser formulada e explicitamente descrita no discurso. Reúne documentos, constrói fatos históricos, feito pelo historiador que vai dar apoio, verificando no documento para que a História fique e seja científica.

Na obra "A história conceitual", do autor e historiador, Paul Veyne, todo o progresso das ciências (humanas e/ou não), pode ser um benefício para a História, mas esse benefícios também sofrem limitações. A partir do empenho e dos debates epistemilógicos sobre a História, os historiadores não permitirão uma desorganização na ciência, através de outras. Para Veyne, o historiador prepara-se para construir um texto historiográfico, embasa-se por conceitos (formados ou criados), utiliza um marco referencial teórico para organizar o tempo e monta um quadro conceitual com o qual vai trabalhar, de acordo com o problema que quer resolver. Existe uma fronteira que separa a História e a Ciência, mas com certeza não é aquela do contingente e do necessário, e sim do todo e do necessário.

Para ele, o talento do historiador é em parte o de inventar conceitos, pois são eles que discernem a História do romance histórico e de seus próprios documentos. Um estudo de caso com tema circunscrito onde o marco teórico é delimitador do assunto, lugar e tempo. O referencial são os conceitos que devem permanecer claros e explicados na obra historiográfica, assim como a composição de documentação que evidenciará a prova do que foi produzido com coerência. A conceitualização aparece ou denota ausência em todas as etapas do trabalho historiográfico.
Os historiadores produzem textos influenciados pelo contexto que vive-se, utilizando os conceitos de acordo com a forma para qual será usado. Definir bem os conceitos é saber usá-los, pois não fazemos literatura, fazemos conceituais e científicos, usado como instrumento de análise, é um texto racional com documentação que o comprova. É um discurso verídico escrito no presente referenciando o passado. Somos capazes de nos referir-nos sobre acontecimentos do passado. Debate importante, pois se discute como fazer a construção da História. O desenvolvimento da História Conceitual é uma parte do movimento que impulsiona as sociedades modernas no sentido da racionalização.

Outro historiador é E. P. Thompson, ele vai nos arquivos e faz pesquisas e o Althusser (que nem historiador é/ou foi), critica-o afirmando que é perda de tempo buscar documentos e fazer pesquisas, pois acredita que não tem mais o que procurar e fazer e que as coisas são assim, mas porque são ? O Althusser não sabe ! Na religião a fé é a crença maior e não se pode mudar ou desacreditar, mas a teoria é discutível, pois são com as teorias que se formam as ciências. Thompson fala do imperialismo teórico, idéias que são auto reprodutoras, e isso acontece na religião, faz parte de um conceito de fé. Na ciência do conhecimento, tem que ser discutido porque na fé não tem discussão; é necessário uma discussão científica, pois é preciso fazer concessões onde o sujeito acaba cedendo às idéias dos colegas. A teoria é uma explicação onde alguns têm condições de discuti-las porque uma teoria pode derrubar outras, pois algumas teorias são criadas e outras teorias são substituídas. Seu pensamento é voltado, portanto as muitas formas de escrever a história; os temas da investigação histórica são tão dispares, as técnicas empregadas pelos historiadores são tão variadas e acima de tudo, as conclusões são tão controvérsias e tão veementes contextadas dentro da profissão que é difícil apresentar qualquer coerência disciplinar. Para Thompson, a disciplina da História tem seu próprio discurso de demonstração e ele não consegue ver o que seja esse discurso próprio a menos que tome a forma da lógica histórica. Sob esses aspectos, o conhecimento histórico pode se afastar de outros exemplos que servem de modelo de conhecimento, quando submetido a investigação epistemológica.

Para Althusser, a pesquisa empírica é perda de tempo porque é comparada com a fé e não é ciência. Ele parte de uma teoria para explicar tudo no sentido total, idealista das construções teóricas, jamais usará documentos. Nas ciências existem procedimentos elaborados de forma adequada a cada disciplina, a diferença entre disciplina e formação ideológica são os procedimentos e os controles. Uma pequena amostra das palavras de Althusser em relação a História: Thompson, diz que o discurso não é uma verdade, porque verdade absoluta não existe, quem faz a pesquisa é o historiador, as palavras e os conceitos são instrumento de trabalho para construir uma verdade histórica. Os fatos são coisas que aconteceram e os historiadores são responsáveis pelos fato, somos nós que elaboramos, que temos um problema científico, somos nós que vamos aos documentos, que fazemos pesquisas. A partir da pesquisa, escrevemos uma tese com fatos e as teorias. a história trabalha com algo sempre movimento, mutação e alteração. Isto para Thompson, parece irritar alguns filósofos e sociólogos, que evidenciam na produção historiográfica uma falta de clareza e consenso, seja nos conceitos ou nas conclusões finais dos inúmeros trabalhos. Isto realmente dificulta a compreensão da disciplina da História, mas o historiador trabalha com uma realidade passada complexa e também é passível de falhas, não é de todo lógico. Aqueles que vem a ser historiadores se preparam para isso, não somente frequentando a faculdade e sim tornando-se especialistas. O historiador, vinculado a uma universidade deve dar aulas, produzir trabalhos, fazer especialização, mestrado, doutorado, pós, participar de palestras, encontros, etc. Os historiadores reconhecem um historiador pelo seu mérito coerente e não simplesmente por ser um historiador.

O profissional deve estar vinculado a associações, revistas e outros conselhos especialistas onde se articulam. Os grupos defendem os historiadores e suas produções, a partir de análises e discussões onde encaminham o pensamento do historiador. São organizadas redes de historiadores em todo o território nacional, são eles, que fornecem pareceres aos referentes trabalhos, onde apontam os erros e acertos, além de identificar o apoio ou não. A discussão epistemológica é sobre o que é o historiador, a história como ciência, e com é construída.

O contexto universitário influencia o historiador que esta contido, contudo deve cuidar para não cair em armadilhas que não têm fundamento nas opiniões. As universidades formam e preparam historiadores para seus caminhos, num contexto que se transforma continuamente. A dinâmica é acompanhada para estar sempre apta, pois a universidade preocupa-se com a formação intelectual do profissional. Poucas universidades no país, oferecem mestrados e doutorados; existem diversos tipos de universidades, e é errado dividi-las em públicas e privadas, além disso todas se organizam de qualquer maneira para receber o público. As universidades particulares são comunitárias e mantidas por grupos que preservam-nas. Deve-se entender o contexto universitário, pois assim mede-se o desenvolvimento da instituição e de seus profissionais formados. Cada meio especializante foi sendo criado aos poucos, primeiramente a formação universitária, depois as especializações, como mestrados e doutorados, assim por diante, cursos e outras oportunidades para o desenvolvimento e melhor qualificação do profissional.

Hoje, a uma interligação internacional entre as universidades e entre os profissionais, onde esta movimentação faz com que haja melhor conhecimento e contato com outras instituições e colegas. O fundamental é o desenvolvimento do profissional através de contatos e cursos, ou seja, a dinâmica. O historiador deve estar sempre se atualizando, constantemente publicando artigos, textos, livros, trabalhos, se lá o que for, mas deve estar atento para como estão as instituições universitárias, além disso atento a publicações de outros colegas. Se o historiador não atualizar a si e seus trabalhos, a própria desenvoltura do meio o fará., pois algum dia outro historiador, também interessado no mesmo assunto, vai acabar publicando algo atualizado. A atividade de pesquisa tem muitos campos, onde formam-se grupos de historiadores - pesquisadores.

A história política foi redefinida e construída sob uma outra ótica. Os historiadores redefinem as problemáticas e refazem outras para que possam aperfeiçoar seu conhecimento e seus trabalhos, mudando a linha de pesquisa repensam os problemas, métodos, objetos e etc. Analisa como se relacionam os historiadores para com outras áreas científicas. Redefinem as relações de troca de informações, onde discutiram em três volumes o fazer histórico, que implica numa construção onde surge a pergunta de qual maneira seria a melhor utilizada para o fazer histórico. Há toda uma base tecnológica que hoje tem-se alcance em função das novas máquinas. É preciso que haja uma posição critica, responsabilidade quando se constrói um texto e passa este conhecimento.

Deve haver seriedade e especialização, e não fazer qualquer trabalho místico ou poético, é preciso saber seguir as regras que são discutidas na profissão. O historiador tem anos de estudo, o mundo da história cada vez aumenta mais e é mais exigido hoje; anteriormente qualquer um poderia ser historiador, mas vemos em seus textos que são fracos e sem lógica científica, ou seja, desconsiderados por historiadores de verdade. O historiador também trabalha com as representações, a uma confusão de dados e uma transposição de fatos que são do passado e misturam-se com a imaginação destes que se dizem historiadores. O nosso papel é investigar e desmitificar o que foi escrito por fraudulentos.

A história é um acontecimento permanente, os historiadores passaram a ter outras visões sobres os temas que foram estudados. A história é uma narrativa verídica que se modifica e é indeterminada. A lógica do pesquisador tem que ser precisa, o historiador precisa do tempo e do lugar, trabalha com estruturas variáveis.

CONCLUSÃO

Os textos serão testemunhos e provas de que as discussões são paradigmas que precisam de um melhor direcionamento. A metodologia adotada faz a busca do sentido da História, mas somente através de fatos, os fatos históricos e os documentos, são elementos importantíssimos para uma análise e para a construção de um discurso que explique os processos históricos globais. A preocupação é como podemos fazer da melhor maneira possível o fazer histórico. O historiador trabalha com o tempo histórico, ao longo do tempo, como as coisas aconteceram e os processos de mudança. Nunca será o mesmo tempo, pois tudo muda, nada é, ou foi, ou será; mas o que importa é a informação completa , pois tudo esta em transição no tempo.

Os historiadores constróem um texto científico e usam a linguagem no tempo histórico, assim como as referências de documentação, que são utilizadas como prova e sustentação. Antigamente não utilizava-se este método na produção, até porque não era comum na época usar referência bibliográfica. Dela se dá a importância da seguridade das fontes e do discurso, pois deve-se comprovar tudo que se diz e produz. O trabalho bem construído é usado como modelo por outros profissionais, tudo pode ser aproveitado. A história é construída e não tem respostas óbvias, é uma narrativa verídica e se modifica, é processual. Os textos que foram utilizados neste trabalho, são verdadeiros documentos históricos, além de terem sidos básicos, nos evidenciam importantes contribuições técnicas e teóricas. Estes historiadores participaram da discussão epstemológica sobre a ciência histórica.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


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1 BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. Lisboa: Presença, 1986. p. 7.


Fonte: arquivo pessoal.

Aula da Prof. Vanessa.