Bibliografia:
CARCOPINO, Jérôme. A Vida Quotidiana em Roma no apogeu do Império. Coleção A
Vida Quotidiana em Todos os Tempos. Lisboa: Livros do Brasil, 1959.
O livro "A
Vida Cotidiana em Roma no Apogeu do Império", escrito pelo historiador
francês Jérôme Carcopino e publicado originalmente em 1940, é um
clássico que retrata o dia a dia da capital romana nos séculos I e II d.C. A
obra foca na vida de seus habitantes comuns.
Abaixo, veja
os principais pontos e características da obra:
Foco da Obra
Enquanto a
maioria dos relatos históricos foca em imperadores, generais e batalhas,
Carcopino volta sua atenção para a sociedade civil. O autor descreve
minuciosamente o cotidiano durante o reinado dos imperadores da dinastia
Flaviana e dos Antoninos (com ênfase no reinado de Trajano), período de maior
opulência e extensão da cidade.
Estrutura e Conteúdo
O livro é
dividido em seções temáticas que reconstroem o ambiente romano, cobrindo os
seguintes aspectos:
- Espaço Urbano e Habitação: Detalha a superlotação, a
agitação e o contraste entre as luxuosas domus (casas
aristocráticas) e os insalubres insulae (edifícios de apartamentos
para a plebe).
- Sociedade e Hierarquia: Explora a dinâmica entre patrões
e clientes, a rígida divisão de classes, a rotina dos escravizados e a
importância dos banhos públicos.
- Higiene e Alimentação: Descreve os horários, os hábitos
de higiene nos famosos banhos romanos e o que as diferentes classes
sociais comiam.
- Lazer e Religião: Aborda a paixão popular pelos
espetáculos violentos (corridas de bigas no Circo Máximo e lutas de
gladiadores no Coliseu) e a onipresença dos cultos e rituais religiosos no
dia a dia.
Principais Méritos
- Riqueza de Detalhes: Carcopino utiliza fontes
literárias, jurídicas e arqueológicas para detalhar o funcionamento do
trânsito, a moda, o sistema de aquecimento e até mesmo os horários da
cidade.
- Viagem no Tempo: A narrativa é imersiva e
consegue transportar o leitor para o barulho e a efervescência das ruas de
Roma há dois mil anos.
Críticas e Contexto Histórico
- Visão Eurocêntrica Antiga: Escrito antes de grandes
revoluções metodológicas da historiografia (como a Nova História
francesa), o livro dá pouca voz aos marginalizados e reflete algumas
perspectivas do período em que foi escrito.
- Estilo Literário: A prosa é robusta, mas exige um
leitor disposto a acompanhar descrições longas e ensaísticas.
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